segunda-feira, 30 de abril de 2012

Uma prece de Voltaire em prol da tolerância

François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, que nasceu em Paris no dia 21 de novembro de 1694 e ali faleceu em 30 de maio de 1778, foi escritor, ensaísta, filósofo e um dos pais do Iluminismo.
Conhecido por sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, da liberdade religiosa e do livre comércio, suas obras e ideias influenciaram pensadores importantes na França e na América.
Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras em quase todas as formas literárias, tais como peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas.
Polemista satírico, frequentemente usou seus textos para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas de seu tempo, e ficou também conhecido por dirigir duras críticas aos reis absolutistas e aos privilégios do clero e da nobreza.
Por dizer o que pensava, foi preso duas vezes e, para escapar a uma nova prisão, refugiou-se na Inglaterra. Durante os três anos em que permaneceu nesse país, conheceu e passou a admirar as ideias políticas de John Locke.
De autoria de Voltaire é esta notável e atualíssima prece em que apela em favor da tolerância entre as pessoas e os povos:

Prece pela tolerância

Voltaire

Não é mais aos homens que me dirijo. É a você, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos.
Que os erros agarrados à nossa natureza não sejam motivo de nossas calamidades.
Você não nos deu coração para nos odiarmos nem mãos para nos enforcarmos. Faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira.
Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas e opiniões insensatas, não sejam sinais de ódio e perseguição.
Que aqueles que acendem velas em pleno dia para te celebrar, suportem os que se contentam com a luz do Sol.
Que os que cobrem suas roupas com um manto branco para dizer que é preciso te amar, não detestem os que dizem a mesma coisa sob um manto negro.
Que aqueles que dominam uma pequena parte desse mundo, e que possuem algum dinheiro, desfrutem sem orgulho do que chamam poder e riqueza e que os outros não os vejam com inveja, mesmo porque você sabe que não há nessas vaidades nem o que invejar nem do que se orgulhar.
Que eles tenham horror à tirania exercida sobre as almas, como também execrem os que exploram a força do trabalho.
Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos violentemos em nome da paz.
Que possam todos os homens se lembrar que eles são irmãos!


*

Clicando no vídeo abaixo, o leitor pode também ouvir a prece a que nos referimos:

domingo, 29 de abril de 2012

Uma linda canção pela paz

A primeira vez que ouvi a música Paz pela Paz, composta por Nando Cordel, veio-me a vontade incontrolável de dividi-la com nossos leitores.
É o que fazemos hoje, com votos de que esta linda canção possa envolver-nos no ideal de paz de que nosso mundo tanto carece.
Eis a letra do inspirado e admirado Nando Cordel:

Paz pela Paz (versão 2)

Nando Cordel

A paz no mundo começa em mim, se eu tenho amor
Com certeza  sou feliz
Se eu faço o bem ao meu irmão
Tenho a grandeza dentro do meu coração
Chegou a hora da gente construir a paz,
Ninguém suporta mais o desamor
Paz pela paz – pelas  crianças
Paz pela paz – pelas florestas
Paz pela paz – pela coragem de mudar
Paz pela paz – pela justiça
Paz pela paz – a liberdade
Paz pela paz – pela beleza de te amar.
A paz no mundo começa em mim, se eu tenho amor
Com certeza  sou feliz
Se eu faço o bem ao meu irmão
Tenho a grandeza dentro do meu coração
Chegou a hora da gente construir a paz,
Ninguém suporta mais o desamor
Paz pela paz – pelas  crianças
Paz pela paz – pelas florestas
Paz pela paz – pela coragem de mudar
Paz pela paz – pela justiça
Paz pela paz – a liberdade
Paz pela paz – pela beleza de te amar
Paz pela paz – pro mundo novo
Paz pela paz – a esperança
Paz pela paz – pela coragem de mudar
Paz pela paz – pela justiça
Paz pela paz – a liberdade
Paz pela paz – pela beleza de te amar...
Paz pela paz...

Para ouvir a canção, basta clicar na seta abaixo indicada:


sábado, 28 de abril de 2012

Observações sobre o planejamento da reencarnação


Uma pessoa pediu-nos que escrevesse algo em termos práticos sobre a chamada programação reencarnatória, um tema que tem sido focalizado bastante no meio espírita, sobretudo nos últimos anos.
A duração de uma existência corporal, a profissão a ser desempenhada, a família, os ascendentes, os descendentes, as provas de natureza material, as provas morais, eis tópicos que formam, como sabemos, o planejamento da reencarnação de um Espírito, fato que não deveria causar surpresa alguma, uma vez que em nossas relações cotidianas o ato de planejar há muito passou a ocupar um lugar importante.
A família decidiu, por exemplo, passar o mês de férias no litoral catarinense. Onde ficarão seus componentes? Usarão um imóvel alugado ou emprestado? Em que dia partirão? Irão de carro ou de avião? Quando ocorrerá a volta? Há recursos financeiros suficientes? No local do veraneio existem bancos? Chove ali nessa época do ano? Se chover, costuma fazer frio?
Todas as perguntas apresentadas e as respectivas respostas compõem um rol que nada mais é do que o plano de férias. E note o leitor que se trata de uma simples viagem que durará talvez menos de 30 dias!
A reencarnação é, ao contrário disso, uma longa viagem cujo objetivo não é, como no exemplo mencionado, curtir férias. Trata-se de algo mais profundo, com metas psicológicas e objetivos complexos, que envolvem um grupo grande de pessoas cujos destinos estão, por assim dizer, entrelaçados.
André Luiz relata num de seus livros o caso de uma família bem simples, casal e quatro filhos, que de repente passou a enfrentar uma dura provação com o falecimento por suicídio do chefe da casa. Como os suicídios não fazem parte de nenhuma programação, a evasão daquele pai causou uma dificuldade inesperada para a esposa e as crianças, o que tornou necessária para aquelas pessoas a revisão do programa, ou seja, uma reprogramação.
Fatos assim ocorrem no dia-a-dia de nossas existências. O veículo que nos transportava sofreu uma pane. Perdeu-se, assim, a conexão com o voo programado e, a partir daí, uma sucessão de problemas que exigirão, por sua vez, a revisão do plano antes estabelecido.
Quando viemos para Londrina, aos 18 anos de idade, nosso objetivo era um só: cursar a Faculdade de Matemática. Saímos de Minas Gerais com esse propósito, que constituía, à época, o sonho de nossa vida. Para tanto, pedimos demissão do emprego, deixamos as aulas no colégio da cidade e viajamos para um lugar que não conhecíamos, situado a mais de 1.100 km de nossa cidade natal.
Chegamos em um domingo. No dia seguinte, fomos à Faculdade para nos inscrevermos no vestibular. Ocorre que não existia Faculdade de Matemática em Londrina, nem em localidade alguma situada num raio de 150 km. A mais próxima ficava em Jacarezinho. Nosso irmão, com quem viemos morar, se havia equivocado e, por causa disso, passou-nos uma informação inexata.
A vontade, em face da frustração, foi voltar imediatamente. Mas acabamos ficando, cursamos outra faculdade e, com o passar dos anos, entendemos que tínhamos de vir para Londrina e só viríamos assim, seduzido por um sonho que não se realizou mas deu lugar a outro que, sem dúvida alguma, estava previsto na chamada programação reencarnatória.

Manoel Philomeno de Miranda, em “Temas da Vida e da Morte” (veja a capa), obra psicografada pelo médium Divaldo Franco, esmiúça os pormenores da chamada programação reencarnatória, no capítulo intitulado Reencarnação - Dádiva de Deus, cuja leitura recomendamos ao leitor que queira informar-se sobre o assunto.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Evangelho no lar e sua importância para todos nós



Um amigo nos pergunta qual é a importância do culto do Evangelho no lar para nós e nossos familiares.
A importância do culto cristão no lar é fundamental e um tema bem conhecido dos espíritas. Diz Bezerra de Menezes que muitos dos que partem para a vida espiritual, finda a existência corporal, costumam permanecer apresados à trilha corpórea. Encontram-se desencarnados, mas não libertos; invisíveis, mas não ausentes. A prece e a leitura de uma página do Evangelho podem, sem dúvida, ajudá-los muito na necessária readaptação à vida espiritual.
A origem do culto cristão em família encontramos em uma proposta de Jesus, como Neio Lúcio narra no cap. 1 de seu livro “Jesus no Lar”, psicografado por Francisco Cândido Xavier. No meio espírita, a ideia dessa prática nasceu com Allan Kardec, como o leitor pode ver na pág. 234 da “Revista Espírita de 1864”, tradução de Júlio Abreu Filho, publicada pela EDICEL.
Foi Joanna de Ângelis, contudo, quem primeiro descreveu os benefícios do culto cristão no lar, em linda página que compõe o cap. 59 de sua primeira obra – “Messe de Amor” –, psicografada por Divaldo Franco.
Eis o que a mentora espiritual do estimado confrade escreveu a respeito do assunto:
“Dedica uma das sete noites da semana ao Culto Evangélico no Lar, a fim de que Jesus possa pernoitar em tua casa. Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem da fé, enlaça a família e ora. Jesus virá em visita.
Quando o Lar se converte em santuário, o crime se recolhe ao museu. Quando a família ora, Jesus se demora em casa. Quando os corações se unem nos liames da fé, o equilíbrio oferta bênçãos de consolo e a saúde derrama vinho de paz para todos.
Jesus no Lar é vida para o Lar. Não aguardes que o mundo te leve a certeza do bem invariável.
Distende, da tua casa cristã, a luz do Evangelho para o mundo atormentado.
Quando uma família ora em casa, reunida nas blandícias do Evangelho, toda a rua recebe o benefício da comunhão com o Alto. Se alguém, num edifício de apartamentos, alça aos Céus a prece da comunhão em família, todo o edifício se beneficia, qual lâmpada ignorada, acesa na ventania.
Não te afastes da linha direcional do Evangelho entre os teus familiares. Continua orando fiel, estudando com os teus filhos – e com aqueles a quem amas – as diretrizes do Mestre e, quanto possível, debate os problemas que te afligem à luz clara da mensagem da Boa Nova e examina as dificuldades que te perturbam ante a inspiração consoladora do Cristo.
Não demandes a rua, nessa noite, senão para os inevitáveis deveres que não possas adiar.
Demora-te no Lar para que o Divino Hóspede aí também se possa demorar. E quando as luzes se apagarem à hora do repouso, ora mais uma vez, comungando com Ele, como Ele procura fazer, a fim de que, ligado a ti, possas, em casa, uma vez por semana em sete noites, ter Jesus contigo.”

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pílulas gramaticais - n. 5



Na língua portuguesa, o som das letras “e” e “o”, quando presentes em uma sílaba tônica, ora é aberto, ora é fechado.
Nos vocábulos seguintes, o som da vogal tônica é aberto:
1.     amorfo (ó)
2.     anelo (é)
3.     antolhos (ó)
4.     apostos (ó)
5.     às avessas (é)
6.     blefe (é)
7.     canoro (ó)
8.     caroços (ó)
9.     cassetete (é)
10. cervo (é)
11. cetro (é)
12. ciclope (ó)
13. coeso (é).

Diferentemente dos casos acima, nestes vocábulos o som da vogal tônica é fechado:
1.     acervo (ê)
2.     adrede (ê)
3.     alcova (ô)
4.     algoz (ô)
5.     algozes (ô)
6.     almeja (do verbo almejar) (ê)
7.     alvoroços (ô)
8.     ambidestro (ê)
9.     aposto (ô)
10. arrotos (ô)
11. avessa (ê)
12. bodas (ô)
13. bolo, bolos (ô).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Se estivesse por aqui, Ayres de Oliveira faria aniversário hoje


Nesta data, se ainda estivesse reencarnado, nosso irmão Ayres de Oliveira (foto) faria 74 anos.
Não é preciso lembrarmos aqui a falta que ele nos faz – a nós, seus irmãos, e principalmente a seus filhos, familiares e amigos.
Havendo desencarnado no final de 2011, a notícia desse acontecimento foi divulgada no jornal O Imortal – de que somos editor – apenas na edição de janeiro deste ano, na qual  pudemos escrever algo a respeito do irmão e do ocorrido. Eis a parte final do texto “O adeus a um irmão querido” publicado na citada edição:

“Não faz muito tempo, despedimo-nos também de outros irmãos queridos.
A Marly, o Ali, a Edna, o Amaury e agora o Ayres não eram simplesmente irmãos, mas pessoas que tiveram um peso grande, uns mais, outros menos, na vida de todos nós.

O Ayres, além de um irmão leal e companheiro muito próximo, foi meu professor de Matemática, uma profissão que acalentei e pela qual acabei saindo de Minas Gerais para vir até a cidade de Londrina, como já relatei oportunamente neste mesmo espaço.
Morávamos em cidades distantes uma da outra, mas isso jamais constituiu problema para nós, seus irmãos, que sempre aproveitamos os momentos para estarmos juntos, seja no casamento de um sobrinho, seja no aniversário de um irmão, seja nos dias que compõem – para todos nós – o evento mais importante de cada ano, ou seja, as Semanas Espíritas da cidade em que nascemos.
Desde o momento em que nos chegou a notícia do seu falecimento, nossas preces foram no sentido de que ele pudesse encontrar, desde logo, os irmãos queridos que o precederam, para que isso lhe inspirasse confiança e lhe desse melhores condições para superar o difícil momento da separação dos familiares  - esposa, filhos e netos -  que por aqui ficaram.
Qual não foi, portanto, nossa alegria quando soubemos, por meio de dois médiuns sérios e confiáveis, que o Ayres fora recebido no mundo espiritual pelas pessoas a que me referi, as quais se revezam no atendimento de que ele necessita nestes dias de readaptação à verdadeira vida e às coisas do mundo espiritual, para o qual todos nós, sem nenhuma exceção, deveremos retornar um dia.” (O Imortal, janeiro de 2012, pág. 4.)
A edição a que nos referimos pode ser vista pela internet na página http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/oimortal/2012/Janeiro_2012.pdf, que faz parte do site da revista “O Consolador”.
Para saber mais sobre o Ayres e os principais lances de sua existência, sugerimos ao leitor que veja na internet dois textos autobiográficos que ele redigiu em 10 de setembro e 13 de dezembro de 2005, publicados ambos no site do município de Astolfo Dutra-MG, cidade onde nasceu, foi professor de Matemática, conheceu sua futura esposa – Vera Garoni – e casou-se.
Clicando neste link - http://www.astolfodutramg.com.br/interna.php?c=colunistas&cd_colunista=7, o leitor terá acesso aos dois textos, ambos importantes como registro de uma parte pelo menos do que o querido irmão fez em sua passagem por nosso mundo.
Como temos certeza de que Ayres sabe do que aqui se passa, enviamos-lhe, como de costume, os nossos parabéns por mais um aniversário, comemorado agora naquilo que o Espiritismo chama de nossa verdadeira morada – a pátria espiritual.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Filmes espíritas e espiritualistas; veja como acessá-los



Desde que a revista eletrônica “O Consolador” instituiu na parte fixa de seu site uma página intitulada Filmes Espiritualistas - http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/filmes/principal.html -, temos recebido inúmeros e-mails de leitores perguntando onde é possível encontrar os filmes listados.
Há na internet, como sabemos, inúmeros sites que oferecem gratuitamente um número muito grande de filmes.  O site Saudade e Adeus é um deles. Eis o link - http://www.saudadeeadeus.com.br/filmes.htm
No site há uma coleção bem grande de filmes classificados como espíritas ou espiritualistas, mas ali existem também outros gêneros de filmes aos quais é possível assistir estando o computador conectado à internet.
Os filmes abaixo relacionados são uma pequena amostra do que o site oferece. Para acessar e assistir basta clicar no título:
Algumas dessas produções cinematográficas não se acham em locadoras e, às vezes, é difícil também encontrá-las nas lojas especializadas. 
Esperamos, pois, que esta mensagem ajude os nossos leitores, certos de que assistir a um bom filme vai além da simples diversão, porque muitos filmes oferecem-nos mensagens valiosas que vale a pena conhecer.

domingo, 22 de abril de 2012

O caso do piloto americano reencarnado



Carol Bowman, palestrante, escritora e terapeuta especializada em regressão da memória a vidas passadas, tornou-se mundialmente conhecida a partir da publicação dos livros Children's Past Lives (Bantam, 1997) e Return from Heaven (Harper Collins, 2001), em que apresentou seus estudos acerca da reencarnação, um fato que para ela está devidamente comprovado.
No 6º Congresso Espírita Mundial, realizado em Valência, Espanha, em 2010, ela foi uma das expositoras, ocasião em que nosso confrade José Lucas, de Portugal, a entrevistou para o Jornal de Espiritismo, publicado na pátria de Camões.
Judia, Carol Bowman disse a José Lucas que não lhe foi difícil compatibilizar sua crença religiosa com a admissão da reencarnação, mesmo porque entre os judeus alguns acreditam na doutrina das vidas sucessivas, que, por sinal, é ensinada na Cabala.
Na entrevista a que nos referimos, Bowman declarou:
“Sabia que a reencarnação era real mas foi quando tive um episódio de regressão a uma vida passada, quando estive doente, que ficou mais real. Compreendi. E tem resultados práticos no processo de cura interior. Então, um ano antes dos meus filhos terem tido as suas memórias já eu tinha feito uma regressão a uma vida passada e fui curada, pelo que entendi até que ponto a reencarnação é um fato. Então, foi principalmente quando o meu filho teve a sua memória e a cura que pude verificar o potencial e observar suas implicações reais.”
Um dos casos relativamente à reencarnação em que ela esteve envolvida diz respeito ao retorno à existência corpórea de um piloto de caça americano abatido por ocasião da 2ª Guerra Mundial.
Esse caso é bastante expressivo e se encontra perfeitamente documentado, como o leitor poderá ver assistindo ao vídeo abaixo:


xx

sábado, 21 de abril de 2012

Tiradentes e seus derradeiros momentos


Hoje, 21 de abril, dia em que foi executado Tiradentes, é feriado nacional e, portanto, uma boa oportunidade para dizer alguma coisa sobre aquele que é considerado mártir da Inconfidência Mineira e patrono cívico do Brasil.
Joaquim José da Silva Xavier, seu nome verdadeiro, nasceu em 1746 e morreu em 21 de abril de 1792, quando contava 45 anos de idade. Dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político, ele atuou no Brasil colonial, mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi assim renomeada em sua homenagem.
No livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Humberto de Campos, psicografado por Chico Xavier, seu autor descreve os fatos que se deram a partir do momento em que os inconfidentes ouviram a sentença de sua condenação, incluindo o episódio da morte e da desencarnação de Tiradentes, que adiante reproduzimos:

“Os historiadores falam do grande pavor daqueles onze homens que se ajuntavam, andrajosos e desesperados, na sala do Oratório, para ouvirem a sentença da sua condenação, após três longos anos de separação, em que haviam ficado incomunicáveis nos diversos presídios da época. A leitura da peça condenatória, pelo Desembargador Francisco Alves da Rocha, levou quase duas horas. Depois de conhecerem os seus termos, os infelizes conjurados passaram às mais dolorosas e recíprocas recriminações.
Os mais tristes quadros de fraqueza moral se patenteavam naqueles corações desiludidos e desamparados; mas, no dia seguinte, a dura sentença era modificada. D. Maria I havia comutado anteriormente as penas de morte em perpétuo degredo nas desoladas regiões africanas, com exceção do Tiradentes, que teria de morrer na forca, conservando-se o cadáver insepulto e esquartejado, para escarmento de quantos urdissem novas traições à coroa portuguesa.
O mártir da inconfidência, depois de haver apreciado, angustiadamente, a defecção dos companheiros, reveste-se de supremo heroísmo. Seu coração sente uma alegria sincera pela expiação cruel que somente a ele fora reservada, já que seus irmãos de ideal continuariam na posse do sagrado tesouro da vida. As falanges de Ismael lhe cercam a alma leal e forte, inundando-a de santas consolações.
Tiradentes entrega o espírito a Deus, nos suplícios da forca, a 21 de abril de 1792. Um arrepio de aflitiva ansiedade percorre a multidão, no instante em que o seu corpo balança, pendente das traves do cadafalso, no Campo da Lampadosa. Mas, nesse momento, Ismael recebia em seus braços carinhosos e fraternais a alma edificada do mártir.
— Irmão querido — exclama ele — resgatas hoje os delitos cruéis que cometeste quando te ocupavas do nefando mister de inquisidor, nos tempos passados. Redimiste o pretérito obscuro e criminoso, com as lágrimas do teu sacrifício em favor da Pátria do Evangelho de Jesus. Passarás a ser um símbolo para a posteridade, com o teu heroísmo resignado nos sofrimentos purificadores. Qual novo gênio surges, para espargir bênçãos sobre a terra do Cruzeiro, em todos os séculos do seu futuro. Regozija-te no Senhor pelo desfecho dos teus sonhos de liberdade, porque cada um será justiçado de acordo com as suas obras. Se o Brasil se aproxima da sua maioridade como nação, ao influxo do amor divino, será o próprio Portugal quem virá trazer, até ele, todos os elementos da sua emancipação política, sem o êxito incerto das revoluções feitas à custa do sangue fraterno, para multiplicar os órfãos e as viúvas na face sombria da Terra...
Um sulco luminoso desenhou-se nos espaços, à passagem das gloriosas entidades que vieram acompanhar o espírito iluminado do mártir, que não chegou a contemplar o hediondo espetáculo do esquartejamento.
Daí a alguns dias, a piedosa rainha portuguesa enlouquecia, ferida de morte na sua consciência pelos remorsos pungentes que a dilaceravam e, consoante as profecias de Ismael, daí a alguns anos era o próprio Portugal que vinha trazer, com D. João VI, a independência do Brasil, sem o êxito incerto das revoluções fratricidas, cujos resultados invariáveis são sempre a multiplicação dos sofrimentos das criaturas, dilaceradas pelas provações e pelas dores, entre as pesadas sombras da vida terrestre.”

*

No vídeo abaixo, produzido pela TV Câmara, o leitor poderá – caso queira – saber mais sobre a vida e o martírio de Tiradentes, o homenageado deste dia:


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pílulas gramaticais - n. 4


Aqui está uma coleção de frases que contêm alguns dos erros mais comuns que se verificam na construção de textos em nosso idioma:
1.      Entre eu e ela não existe mais nada.
2.      Está tudo bem entre tu e teu pai?
3.      Há dez anos atrás eu comecei a estudar.
4.      Vou assistir o filme com meus amigos.
5.      Prefiro ler do que praticar esporte.
6.      Joana caiu e quebrou o óculos.
7.      Nunca lhe vi mais gordo.
8.      Chegamos em Londrina bem cedo.
9.      O atraso implicará em uma multa pesada.
10.  Pedro vive às custas do pai.
Eis os textos corrigidos e, entre parênteses, as explicações pertinentes:
1. Entre mim e ela não existe mais nada. (Depois das preposições “entre” e “para” não se usa o pronome “eu”, mas sim o pronome oblíquo “mim”.)
2. Entre ti e teu pai está tudo bem? (A mesma restrição citada no item anterior aplica-se ao pronome “tu”, devendo-se usar no caso o pronome oblíquo “ti”.)
3. Há dez anos eu comecei a estudar. (A frase “há dez anos” já implica a ideia de passado; por isso, o vocábulo “atrás” é inteiramente redundante.)
4. Vou assistir ao filme com meus amigos. (O verbo assistir, com o sentido de presenciar, pede objeto indireto. Quando o sentido é a assistência a uma pessoa enferma, aí sim o objeto será direto: O enfermeiro assistiu meu pai com muito carinho.)
5. Prefiro ler a praticar esporte. (Toda vez que se usa o verbo preferir, a preposição “a” se torna inevitável, como se vê nestes dois exemplos: Prefiro andar a ficar sentado. Prefiro feijoada a pizza.)
6. Joana caiu e quebrou os óculos. (O vocábulo óculos usa-se sempre no plural e o artigo concorda com ele, indo também para o plural.)
7. Nunca o vi mais gordo. (O verbo ver pede objeto direto. A gente vê algo, e não vê a algo.)
8. Chegamos a Londrina bem cedo. (O verbo chegar exige a preposição a em construções desse tipo: Chegou à cidade. Chegou ao país. Chegou à repartição. A única exceção admitida é quando se refere à casa: Chegamos em casa.)     
    9. O atraso implicará uma multa pesada. (O verbo implicar, quando usado com esse sentido, pede objeto direto. Existe ainda “implicar com”, usado nestes exemplos: Ela vive implicando com o pai. João implica com todo mundo.)
10. Pedro vive à custa do pai. (À custa, e não “às custas”, é o correto.)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Deus é justo e bom, e é por isso que nos perdoa



Alguém nos pergunta: Deus pune? Deus é justo? Deus perdoa?
Segundo os ensinamentos espíritas, podemos afirmar com toda a segurança: Deus não pune, Deus é justo e, por isso, Deus perdoa as faltas que cometemos. Aliás, não é exatamente isto que Jesus fez constar na Oração Dominical: “Pai, perdoa as nossas faltas, assim como perdoamos aos nossos devedores”?
O Criador, evidentemente, estabeleceu leis que regem a vida em todo o Universo. Se as infligimos, devemos sofrer-lhes a consequência. Foi o que levou Jesus dizer a Pedro: “Todo aquele que usa a espada para matar, morrerá sob a espada”.
Uma pessoa que volta à existência corpórea apresentando um processo de retardamento mental não é uma vítima do castigo divino, porque em muitos casos ela já se encontrava assim na pátria espiritual, muitas vezes por causa de um equívoco, de um ato insano, como um tiro desferido contra a própria cabeça. Nascer com a deficiência não significa que esteja sendo punida. Digamos que ela esteja colhendo, tal como aprendemos em o Novo Testamento, segundo o qual, em nossa vida, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Chico Xavier, no cap. 8 do livro Astronautas do Além, diz que certa vez, numa de suas reuniões, apareceu um amigo trazendo nos braços a filhinha excepcional. Declarou ele estar a caminho de São Paulo para tentar-lhe o tratamento. Em meio da viagem, ele fora com a criança à busca do médium, a fim de orar em sua companhia, solicitando para a pequenina o auxílio dos benfeitores espirituais.
Depois das explanações feitas por confrades diversos, Emmanuel escreveu alguns comentários sobre o tema reencarnação e, depois dele, o poeta Silva Ramos escreveu, pelas mãos do saudoso médium, o soneto “Vinculação Redentora”, que retrata em poucos versos o drama que deu origem, no passado, às dificuldades da menina citada.
Eis o soneto:

Vinculação redentora

(Silva Ramos)

O fidalgo, ao partir, diz à jovem senhora:
“Eu sou teu, tu és minha!… Espera-me, querida!…”
Longe, ergue outro lar… Vence, altera-se, olvida…
Ela afoga em suicídio a mágoa que a devora.

Falece o castelão… Vê a noiva esquecida…
Desencarnada e aflita, é uma sombra que chora…
Ele pede outro berço e quer trazê-la agora
Em braços paternais ao campo de outra vida!…

O século avançou… Ei-los de novo em cena…
Ele o progenitor; ela, a filha pequena
A crescer retardada, abatida, insegura…

Hoje, ele, em tudo, é sempre o doce pajem dela
E a noiva de outro tempo é a filha triste e bela
Agarrando-se ao pai nos traumas da loucura.

Deus é justo e bom. Tais atributos, ensinados pela filosofia clássica, são confirmados pelo Espiritismo. E é por isso que Ele nos perdoa, embora seu perdão não consista na anulação do que fizemos, mas sim na oportunidade que nos oferece de repararmos os erros cometidos. Advém daí a necessidade das existências sucessivas - isto é, da reencarnação -, que nos propiciam, ademais, os meios de fazermos aos outros o que deveríamos ter feito e não fizemos e de corrigirmos as tolices cometidas no passado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A revista O Consolador surgiu num dia como hoje




Lançada no dia 18 de abril de 2007, quando os espíritas do mundo todo comemoravam os 150 anos de existência d´O Livro dos Espíritos, a revista O Consolador é fruto da cooperação de muitas pessoas, nos dois planos da vida.
Foi em março de 2007 que a ideia de criação da revista tomou corpo e, em face disso, nascia três semanas mais tarde O Consolador, que – 5 anos depois – se encontra em sua edição número 256.
A concepção da revista e a decisão de fundá-la exigiram somente duas breves reuniões.
Essa facilidade sugere-nos que a ideia já houvera sido discutida antes, provavelmente nos momentos em que nos liberamos do fardo físico por ocasião do sono corpóreo, de modo que tudo o mais – a formação da equipe, o convite aos colaboradores do Brasil e do exterior, o planejamento e o preparo das edições semanais – se fez e tem sido feito por intermédio da internet.
Evidentemente, na criação de um site com material tão farto, como é o site de O Consolador, existe todo um trabalho que requer muita dedicação e um tempo considerável.
Aproveitamos, pois, esta oportunidade para fazer uma justa homenagem ao nosso amigo José Carlos Munhoz Pinto, cofundador do periódico e um de seus dirigentes, a quem devemos não apenas a estruturação da revista, mas também a concepção, a preparação e a inserção nela de tudo quanto é oferecido ao leitor: o Evangelho aleatório, as músicas, a biblioteca virtual, as biografias, os filmes, as mensagens na voz de Chico Xavier, o vocabulário espírita, as efemérides do Espiritismo, os estudos espíritas e uma ampla coleção de links de instituições espíritas situadas no Brasil e no exterior.
A ele estão afetas também toda a parte técnica relacionada com o site e a tarefa de edição e postagem das edições semanais que, desde o número inicial, têm sido postas à disposição do leitor no momento certo e jamais com atraso.
Já dissemos certa vez que nenhum trabalho importante pode ser realizado por uma única pessoa, por mais competente que ela seja, e isso talvez seja a razão do sucesso que a revista O Consolador tem alcançado, porque é ela o resultado do concurso de muitas pessoas, a quem só nos resta agradecer e dizer que esperamos contar sempre com seu apoio.
Os números que atestam a penetração da revista e seu alcance podem ser vistos na reportagem comemorativa dos 5 anos de O Consolador, bastando para isso clicar no link http://www.oconsolador.com.br/ano5/255/especial2.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

Comunhão Espírita Cristã faz hoje 25 anos


Fundada no dia 17 de abril de 1987 por um grupo de espíritas que se reuniram na residência do casal Erotides e Henrique Iurkiewicz com o objetivo de fundar um núcleo de serviço espírita que tem desde então como patrona espiritual a médium Yvonne A. Pereira, a Comunhão Espírita Cristã de Londrina (foto ao lado) completa nesta data 25 anos de vida.
Cinco dias depois, no dia 22 de abril, em mensagem que ela intitulou Chamamento ao trabalho, o Espírito de Yvonne agradeceu a lembrança do seu nome e prometeu tudo fazer para ajudar o nascente trabalho.
Poucos anos após a fundação, em 1992, a Comunhão já possuía sede própria, situada na Rua Tadao Ohira, 555, no Jardim Perobal, onde desenvolve suas atividades por meio de quatro departamentos distintos, com destaque para a Escola-Oficina "Pestalozzi", que oferece aos jovens e crianças que dela participam, além de várias atividades, uma quadra de esportes coberta (foto ao lado).
A existência da Comunhão pode ser dividida em 4 fases:
1ª. De 17 de abril de 1987 a 10 de agosto de 1992, quando a instituição funcionou de modo informal, sem sede própria, estatuto e diretoria regularmente eleita.
2ª. De 11 de agosto de 1992 a 25 de maio de 1993, quando passou a funcionar no atual endereço, em instalações muito modestas, adquiridas em 22-5-1992, embora não contasse ainda com estatuto registrado.
3ª. De 26 de maio de 1993 a 10 de outubro de 1997, quando a entidade passou a contar com estatuto registrado e construiu, no período de 13-3-1995 a 10-10-1997, suas atuais dependências, graças à ajuda recebida do então jogador de futebol Élber Giovane de Sousa e da instituição alemã Lateinamerika-Zentrum e.V.
4ª. De 11 de outubro de 1997 em diante, quando passou a contar com espaço suficiente para funcionamento de seus departamentos, inclusive a Escola-Oficina “Pestalozzi”, com instalações próprias inauguradas em 31 de maio de 1997, a qual promove atividades socioeducativas regulares para crianças e jovens carentes residentes na região do Jardim Perobal, incluindo o Franciscato, o Novo Perobal e outras comunidades vizinhas.
As atividades da Escola-Oficina “Pestalozzi” são realizadas de segunda a sexta-feira, em sede própria, em dois endereços: no Jardim Perobal, na Rua Diórgenes de Lima Bravo, esquina com Rua Tadao Ohira,  e no Jardim Higienópolis,  na Rua Guararapes, 331 (foto abaixo).

Além das atividades desenvolvidas pela Escola-Oficina “Pestalozzi”, a instituição realiza atividades voltadas para crianças, jovens e adultos, no sábado à tarde e no domingo de manhã, com destaque, nos dois dias, para a chamada evangelização infanto-juvenil à luz da doutrina espírita, que atrai para a instituição, nos finais de semana, mais de uma centena de alunos.
O atual presidente da instituição, que tomou posse no início de abril, é o confrade José Cesário da Silva, a quem enviamos daqui os parabéns pelo importante trabalho que a Comunhão Espírita Cristã de Londrina realiza há tantos anos na periferia da cidade, em favor de nossos irmãos socialmente mais carentes.


domingo, 15 de abril de 2012

O Evangelho comemora hoje 148 anos


Num dia como hoje – 15 de abril – foi lançada por Allan Kardec, em Paris, a primeira edição do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, inicialmente publicado com outro título. O fato ocorreu em 1864, sete anos depois do lançamento d´O Livro dos Espíritos.

A obra – intitulada L'Évangile selon le Spiritisme, em francês  (foto) – comenta, em textos escritos por Allan Kardec e por Espíritos diversos, ensinamentos extraídos do Novo Testamento sob a óptica da Doutrina Espírita, focalizando com atenção especial os ensinos morais trazidos por Jesus.
Logo na introdução, Allan Kardec lembra que os relatos contidos nos Evangelhos podem dividir-se em cinco partes: os atos ordinários da vida de Jesus; os milagres; as predições; as palavras que serviram de base aos dogmas criados pela Igreja, e o ensino moral. Este, o objeto da obra, visto que, se as quatro primeiras partes foram, ao longo da história, objeto de controvérsias, a última jamais forneceu motivos às contendas.
Foi, portanto, especificamente sobre o ensino moral de Jesus que Kardec lançou seu olhar e compôs o livro, que é constituído por um prefácio, uma introdução e 28 capítulos.
Na introdução, Kardec apresenta, entre outros assuntos, uma síntese do pensamento de Sócrates e Platão, por ele considerados precursores da ideia cristã e do Espiritismo.
O prefácio da obra, firmado pelo Espírito de Verdade, está expresso nos seguintes termos:
“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.
Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.
As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes, e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo.
Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.”

*

A obra cujo aniversário hoje se comemora é, como se sabe, a mais lida pelos espíritas e simpatizantes do Espiritismo em todo o mundo, e pode atualmente ser não apenas lida mas também ouvida, bastando para isso clicar neste link: http://www.forumespirita.net/fe/index.php?page=164

Pílulas gramaticais - n. 3


Dúvida suscitada por um leitor, em face da publicação do artigo “Aspectos inusitados do aborto”, de José Carlos Monteiro de Moura, na revista “O Consolador”, qual é a palavra correta: Descriminalização ou discriminalização? O que, afinal, pretendem os que defendem a liberação da prática do aborto no Brasil?

É claro que descriminalização é o vocábulo correto, conforme registram Francisco Fernandes em seu “Dicionário de Verbos e Regimes” e também os dicionários Houaiss, Aurélio e Caldas Aulete.

Eis o que a respeito informa o dicionário Houaiss:

Descriminalização - substantivo feminino. Rubrica: direito penal. Ato legal de excluir da criminalização fato abstrato antes considerado crime
O mesmo ensinamento lê-se no dicionário Aurélio:
Descriminalização - Ato ou efeito de descriminalizar.
Descriminalizar ou descriminar - V. t. d.  1. Absolver de crime; tirar a culpa de; inocentar. 2. Jur. Excluir a criminalidade ou antijuridicidade de (um fato).
O exemplo citado no Aurélio não nos deixa margem a qualquer dúvida:
“O candidato a governador Fernando Gabeira (PT-PV) explicou que defende a descriminalização, e não a liberação da maconha” (Jornal do Brasil, 18.9.1986).

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Como devemos, nos jornais e revistas espíritas, escrever: Espírito ou espírito?
Muitos, como é o caso do jornal O Imortal e da revista O Consolador, adotam o critério utilizado por Kardec, que sempre escreveu Espírito (com inicial maiúscula) para designar os seres inteligentes da criação, e espírito (com inicial minúscula) para designar um dos elementos gerais do Universo.
Assim sendo, observado o critério kardequiano, escreveríamos:
O Espírito de Sanson escreveu um artigo sobre espírito e matéria, dois dos elementos gerais do Universo.

sábado, 14 de abril de 2012

A anencefalia na visão dos autores desencarnados


Três dias atrás, no dia 11 de abril de 2012, em sessão mediúnica realizada em Salvador-BA, no Centro Espírita Caminho da Redenção, Joanna de Ângelis (foto), por intermédio de Divaldo Franco, manifestou-se sobre o tema anencefalia, a que nos reportamos ontem neste espaço.

As causas que levam alguém a enfrentar dificuldades reencarnatórias como a anencefalia estão, de forma clara e precisa, descritas no texto escrito pela conhecida e respeitada instrutora espiritual.

Ei-lo:

Anencefalia

Joanna de Ângelis

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que considera injustas e, dominado pelo desespero, foge através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degradam, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
         
*

É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral. Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se trata de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminalizam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
... E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…

*

Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.