sábado, 12 de janeiro de 2013

Pérolas literárias (18)



Painel  do  Umbral

Antonio Félix de Bulhões Jardim


Minha alma ardendo em febre ante o espaço sombrio,
Sob espessa ilusão torna-se idiota.
Qual duende do horror, contornando o vazio,
Ia e vinha a penar sem luz, sem paz, sem rota...

O ponteiro do tempo errava em desvario...
E eis que horrendo tremor lambe a terra ignota...
Na tortura do assombro, agoniado, espio
A tormenta abismal na vastidão remota...

Fogaréu a verter de sinistras montanhas...
O fumo a espiralar mil sensações estranhas...
Lagos de lodo e fel em lava incandescente...

Agora, mais feliz, sem que o verbo me exprima,
Sei que no Umbral de angústia aos Páramos de Cima,
Ninguém padece, dorme ou sonha eternamente!...


Antonio Félix de Bulhões Jardim nasceu em 28/8/1845 e faleceu em 29/3/1887, em Goiás, Estado de Goiás. Poeta, jornalista e político, fundou várias publicações, a exemplo de Goiaz, Província de Goiaz e Tribuna Livre. Membro da magistratura goiana, chegou a desembargador. O soneto acima integra o livro Antologia dos Imortais, psicografado pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.


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