domingo, 15 de novembro de 2015

Código penal da vida futura


O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatífica felicidade ou, no segundo caso, de sofrimentos atrozes e eternos. Aprendemos que céu e inferno, em essência, são um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um, pensamento expresso até mesmo por João Paulo II, saudoso pontífice da Igreja Católica, hoje na vida espiritual.
O dogma da eternidade absoluta das penas, pregado tradicionalmente pela Igreja, é incompatível com o progresso dos Espíritos, ao qual, se fosse verdadeiro, oporia uma barreira insuperável.
Conforme o ensino espírita, o homem é filho de suas próprias obras, seja na existência corporal, seja na vida post mortem, nada devendo ao favor do Pai, que o recompensa pelos esforços que faz e o pune por sua negligência, pelo tempo em que nisso persistir. Inferno pode traduzir-se por uma vida de provações extremamente dolorosa, sem a certeza de haver outra melhor.
A felicidade ou infelicidade após a desencarnação são, pois, inerentes ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito. As penas ou sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos praticados.
Não existem recompensa ou sofrimento gratuitos, mas sim a aplicação da lei de causa e efeito.
A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as consequências das imperfeições que não conseguiu corrigir na existência corporal. A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação do Espírito.
Toda imperfeição é causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.
A todos os Espíritos Deus faculta os meios de aprimoramento moral e intelectual, oferecendo em cada encarnação a possibilidade de uma programação reencarnatória coerente, em que a criatura humana terá oportunidade de progredir e de expiar as faltas cometidas em existências anteriores.
A expiação pressupõe resgate, quitação, ajuste de erros, e varia segundo a natureza e o grau da falta, podendo a mesma falta determinar expiações diversas, de conformidade com as circunstâncias atenuantes ou agravantes em que foi cometida.
O arrependimento é o primeiro passo para a regeneração, mas não basta por si mesmo. É preciso ainda a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, pois, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação. Mas somente a reparação pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Se as coisas não fossem assim, o perdão concedido seria uma graça, não uma anulação.
A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se fez o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou em vidas pretéritas, em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.
Toda conquista no processo evolutivo é o resultado natural de muito trabalho, porque o progresso também tem preço. Tarefa adiada é luta maior, e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora ao mal de amanhã.
Concluindo, em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimento dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura, elaborado por Allan Kardec com base nos ensinamentos dos Espíritos Superiores, resume-se nestes três princípios:

1º. O sofrimento é inerente à imperfeição.
2º. Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo. Assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que seja necessária uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3º. Podendo o homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar sua futura felicidade.

A cada um segundo as suas obras, seja no céu ou na Terra – tal é a lei que rege a Justiça Divina e que os ensinamentos evangélicos sintetizaram com perfeição em duas lições inesquecíveis: “A cada um segundo o seu merecimento” e “A semeadura é livre, mas a colheita é compulsória”.



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