sexta-feira, 28 de julho de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas





A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

Parte 5

Damos continuidade ao estudo do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Que detalhes se contêm no décimo caso deste livro?
B. A dor exagerada dos vivos, ao pé do leito mortuário, pode prejudicar o desencarnante?
C. Que ensinamentos colhemos no caso do dr. Scott?
D. Que informações James Blaire Williams transmitiu?

Texto para leitura

67. Décimo caso – A narrativa que se segue, extraída da revista Light do ano de 1927, foi precedida de breve nota escrita pelo Sr. David Gow, que esclarece que as mensagens mediúnicas por ele transcritas foram tiradas de um longo relatório a ele enviado por um ministro anglicano da Nova Escócia. O Espírito comunicante foi conhecida personagem americana, que ocupou na Terra alto cargo municipal. (PP. 93 e 94)
68. Eis os detalhes contidos nas aludidas mensagens : a) o fato de ter o falecido ignorado a sua morte; b) o encontro com sua esposa desencarnada, que foi quem lhe comunicou a desencarnação; c) a informação de que os Espíritos dos mortos se tornam extremamente sensíveis às vibrações dos pensamentos das pessoas que lhes são caras; d) a confirmação de que no meio espiritual não se usa da palavra para conversar: os Espíritos percebem os pensamentos nos olhos daquele que com ele conversa; e) o reencontro com outros parentes e amigos; f) a facilidade de obtenção dos objetos de que o Espírito necessite: para criá-los, diz o Espírito, basta pensar neles. (PP. 94 a 96)
69. Bozzano observa ter faltado nestas mensagens a alusão ao "sono reparador" e à experiência da "visão panorâmica" dos fatos do passado, tão comuns em outras comunicações mediúnicas. Lembra ele, porém, que isso não tem nenhuma importância, porque ninguém afirmou que os Espíritos devam passar pelas mesmas experiências. (P. 97)
70. Outro ponto interessante da informação espiritual é o que diz que a dor exagerada dos vivos, junto dos leitos mortuários das pessoas que lhes são caras, constitui obstáculo intransponível, que impede o morto de entrar em relações psíquicas com os seus e, por outro lado, exerce influência deplorável sobre as condições do desencarnado. (PP. 97 e 98)
71. Reconhece Bozzano que tais afirmações são perfeitamente acordes com as conclusões dos sábios, segundo as quais tudo o que existe e se manifesta no Universo físico e psíquico pode reduzir-se, em última análise, a um fenômeno de "vibrações". É, pois, muito verossímil, inevitável mesmo, que as vibrações inerentes a um estado d’alma de grande dor sejam penosas para um Espírito que há pouco se libertou do corpo carnal, retendo-o no meio terrestre. (P. 98)
72. Undécimo caso – Este caso foi desentranhado de um livro publicado na Inglaterra e intitulado: From Four Who Are Dead (De Quatro Que Estão Mortos), recebido por uma médium inglesa, a Sra. C. A. Dawson Scott, que jamais cuidara de pesquisas psíquicas e ignorava esse gênero de literatura. Além disso, segundo ela mesma conta, não lhe interessavam os destinos da alma, e a questão da morte lhe era indiferente. (PP. 98 e 99)
73. Foi uma grande dor que, de súbito, atingiu a existência ditosa da Sra. Dawson Scott: seu marido, doutor em Medicina, voltara da guerra em estado de esgotamento nervoso, agravado pelo fato de haver na sua família uma forma hereditária de hipocondria. Certo dia, no meio de uma dessas crises, o dr. Scott se suicidou e, em consequência disso, sua esposa passou a interessar-se pelas experiências mediúnicas realizadas pelas irmãs Shafto. (PP. 99 e 100)
74. Eis os detalhes colhidos na mensagem do esposo suicida: a) a informação de que o aspecto das coisas que o cercavam havia mudado: tudo era diferente e os objetos tinham uma aparência evanescente, além de serem penetráveis; b) o comunicante transportava-se no meio espiritual sem caminhar; c) as coisas de que o Espírito necessitava podiam ser criadas pela força do seu pensamento: ao pensar na roupa que trajava, ele se via vestido daquele modo, tendo até no bolso os objetos costumeiros; d) ele se transportava com rapidez no meio espiritual: ao pensar em determinado lugar, no mesmo instante ali se encontrava; e) o reavivamento progressivo, no meio espiritual, das faculdades espirituais. (PP. 101 e 102)
75. O Espírito explicou ainda, em sua comunicação, que o seu alimento era espiritual: "A causa principal de tantos crimes no mundo dos vivos – isto é, a necessidade que cada um tem de alimentar-se – não existe aqui. Ou, com maior exatidão, não temos mais necessidade de alimentar-nos, no sentido preciso do termo, se bem que aqueles dentre nós, que ainda queiram satisfazer ao prazer de se alimentarem, possam proporcionar a si mesmo a sensação de que o fazem..." (P. 103)
76. Bozzano destaca, nas citações por ele feitas, a circunstância de os vivos parecerem sombras ao comunicante, e os Espíritos, seres substanciais. Conversando com estes últimos, julgara que eles lhe dirigiam a palavra, quando apenas lhe transmitiam seus pensamentos. (P. 103)
77. Outro ponto importante diz respeito ao funcionamento habitual e matemático da "lei de afinidade", que levou o dr. Scott a fazer parte de um grupo de Espíritos que chegaram ao meio espiritual muito degradados pelo meio terrestre, no qual não tinham podido desenvolver suas possibilidades intelectuais, sem culpa deles. (P. 104)
78. Essa circunstância permite esclarecer o fato de estar o dr. Scott num meio radioso, embora fosse um suicida. Conquanto ele mesmo não soubesse explicar a razão disso, Bozzano entende que tal se deu por não caber ao Espírito a responsabilidade da ação insensata que praticara, resultante de uma enfermidade psíquica hereditária, conhecida em psiquiatria sob o nome de "melancolia" e que, frequentemente, termina por um acesso de "loucura do suicídio". (PP. 105 e 106)
79. Duodécimo caso – Extraída de uma brochura intitulada: Blaire’s Letters, communicated by James Blaire Williams to his mother (Cartas de Blaire, escritas por James Blaire Williams à sua mãe), a narrativa que se segue mostra a dificuldade que um Espírito experimenta para se comunicar pelos médiuns. (P. 107)
80. Eis os detalhes contidos nas diversas mensagens de Blaire, falecido em 1918, aos trinta anos de idade: a) o fato de não compreender que morrera, nem distinguir claramente o lugar em que se encontrava no meio espiritual; b) o encontro com seu pai, que o inteirou do que havia sucedido; c) haver ele passado por um período de sono e de inconsciência; d) ter experimentado a prova da "visão panorâmica" dos fatos de sua vida; e) as dificuldades do intercâmbio com os encarnados; f) a necessidade de comprimir a sua mentalidade, quando se comunicava por um médium, até ao ponto de reduzi-la às proporções acanhadas dos seres encarnados, o que limitava enormemente as suas percepções. (PP. 108 a 110)
81. Comentando o assunto, Bozzano diz que já fora observado, no mundo dos vivos, que na subconsciência humana existem, em estado latente, maravilhosas faculdades supranormais, capazes de devassarem o passado, o presente e o futuro, sem nenhuma limitação de tempo, nem de espaço. Essas faculdades, contudo, aguardam para emergirem, manifestando-se com toda a eficiência, que o estado de desencarnação do Espírito não seja inicial e transitório, mas total e definitivo, ou seja, depois da crise da morte. (PP. 111 e 112)
82. Bozzano cita experiências efetuadas por dois grupos que se reuniam simultaneamente a 300 milhas um do outro, em que se concluiu que as personalidades mediúnicas entram num estado de amnésia parcial ou total no ato de se comunicarem. Como a amnésia decorre da ação de se comunicar, ela desaparece logo que o Espírito se liberta da "aura" perturbadora. (PP. 113 e 114)
83. Outro fato destacado pelo autor diz respeito às impressões descritas pelos Espíritos acerca da experiência desencarnatória. Os Espíritos declaram que ninguém chega pela mesma porta ao mundo deles, o que é fácil de explicar, dado que o meio e a existência espirituais são puramente mentais e que não pode haver, em nosso mundo, duas individualidades intelectualmente e moralmente idênticas. (PP. 114 e 115)

Respostas às questões preliminares

A. Que detalhes se contêm no décimo caso deste livro?
Extraído da revista Light do ano de 1927, este caso apresenta estas informações: a) o fato de ter o falecido ignorado sua morte; b) o encontro com sua esposa desencarnada, que foi quem lhe comunicou a desencarnação; c) a informação de que os Espíritos dos mortos se tornam extremamente sensíveis às vibrações dos pensamentos das pessoas que lhes são caras; d) a confirmação de que no meio espiritual não se usa da palavra para conversar: os Espíritos percebem os pensamentos nos olhos daquele que com ele conversa; e) o reencontro com outros parentes e amigos; f) a facilidade de obtenção dos objetos de que o Espírito necessite: para criá-los, diz o Espírito, basta pensar neles. (A Crise da Morte, pp. 93 a 97.)
B. A dor exagerada dos vivos, ao pé do leito mortuário, pode prejudicar o desencarnante?
Sim. A dor exagerada dos vivos, junto dos leitos mortuários das pessoas que lhes são caras, constitui obstáculo intransponível, que impede o morto de entrar em relações psíquicas com os seus e, por outro lado, exerce influência deplorável sobre as condições do desencarnado. (Obra citada, pp. 97 e 98.)
C. Que ensinamentos colhemos no caso do dr. Scott?
Doutor em Medicina, o dr. Scott voltara da guerra em estado de esgotamento nervoso, agravado pelo fato de haver na sua família uma forma hereditária de hipocondria. Certo dia, no meio de uma dessas crises, ele se suicidou e, em consequência disso, sua esposa passou a interessar-se pelas experiências mediúnicas realizadas pelas irmãs Shafto. Eis os detalhes colhidos na mensagem do esposo suicida: a) a informação de que o aspecto das coisas que o cercavam havia mudado: tudo era diferente e os objetos tinham uma aparência evanescente, além de serem penetráveis; b) o comunicante transportava-se no meio espiritual sem caminhar; c) as coisas de que o Espírito necessitava podiam ser criadas pela força do seu pensamento: ao pensar na roupa que trajava, ele se via vestido daquele modo, tendo até no bolso os objetos costumeiros; d) ele se transportava com rapidez no meio espiritual: ao pensar em determinado lugar, no mesmo instante ali se encontrava; e) o reavivamento progressivo, no meio espiritual, das faculdades espirituais. (Obra citada, pp. 98 a 106.)
D. Que informações James Blaire Williams transmitiu?
Eis os detalhes transmitidos pelo Espírito: a) o fato de não compreender que morrera, nem distinguir claramente o lugar em que se encontrava no meio espiritual; b) o encontro com seu pai, que o inteirou do que havia sucedido; c) haver passado por um período de sono e de inconsciência; d) ter experimentado a prova da "visão panorâmica" dos fatos de sua vida; e) as dificuldades do intercâmbio com os encarnados; f) a necessidade de comprimir a sua mentalidade, quando se comunicava por um médium, até ao ponto de reduzi-la às proporções acanhadas dos seres encarnados, o que limitava enormemente as suas percepções. (Obra citada, pp. 107 a 115.)

Nota:
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