A tragédia de Brumadinho
JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF
No dia 25 de janeiro de 2019, na região
metropolitana de Belo Horizonte, três anos após a tragédia do rompimento da
barragem de Mariana (MG), que funcionava há apenas sete anos e era administrada
pela Samarco, nova tragédia ocorreu. Agora foi a barragem desativada há dois
anos, situada em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, que se
rompeu. Essa barragem funcionara por trinta anos.
A diferença está no tamanho do desastre
ambiental e humano. Em Mariana, o rio de lama mineral foi quatro vezes maior do
que em Brumadinho; entretanto, na primeira morreram dezenove pessoas; na
segunda, até 28 jan. 19, já tinham sido contadas oficialmente 65 mortes e 279
desaparecidos.
Não entraremos em detalhes sobre as
falhas humanas que deram origem a ambos os desastres, mas a jornalista Cristina
Serra já escrevera um livro, em 2017, alertando sobre a possibilidade de novos
rompimentos como os de Mariana, devido à falta de fiscalização. E também o
Departamento Nacional de Produção Mineral, logo após o rompimento da barragem
de Mariana, em 2016, alertara sobre a impossibilidade de apenas cinco
funcionários, efetivo total de fiscais existentes, fiscalizarem 663 barragens.
Refletindo sobre os males da vida, em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap.
27, item 12, diz Allan Kardec que esses males se dividem em duas partes: 1) a
dos que o homem não pode evitar; 2) a dos causados pela “incúria” ou excessos
das pessoas. E deduz: “Faz-se, portanto, evidente que o homem é o autor da
maior parte de suas aflições, às quais se pouparia, se sempre obrasse com
sabedoria e prudência”.
Para o grande organizador da Doutrina
Espírita, são nossas infrações às leis divinas que causam todas as misérias
humanas. A principal delas é proveniente da ambição que não mede as
consequências de seus atos em relação ao próximo. Ambição pelo poder. Ambição
pelos bens materiais. Ambição pelo prazer dos sentidos. Ambição pelo domínio de
quem consideramos inferior a nós. E assim, de ambição em ambição cavamos o poço
de nossas quedas.
O antídoto à ambição é a caridade, que
na questão 886, de O Livro dos Espíritos,
primeira obra editada por Kardec, é-nos apresentada como corolário da lei de
justiça, junto com o amor, haja vista que amar o próximo é fazer-lhe todo o bem
que nos seja possível fazer. Quando a humanidade perceber que Deus é Amor, e Ele
nos criou para amar, a ambição cederá lugar ao devotamento ao próximo, à
humildade e ao desinteresse pessoal.
Se tais qualidades estivessem
presentes, antes do primeiro desastre ecológico provocado pela negligência da
mineradora Samarco, controlada pela Vale S. A. e a anglo-australiana BHP
Billiton, os danos irreparáveis pela perda de centenas de vidas humanas não
ocorreriam. Tudo teria sido feito para prevenir nova catástrofe, inclusive com
a subida do restaurante de funcionários situado logo abaixo da barragem, o que
era absurdo ser mantido como estava. Isso porque a vida humana é o maior bem a
ser preservado, e investir na felicidade alheia, ainda que seja a mais humilde
criatura, é buscar a própria felicidade, que jamais será obtida com riquezas
minerais, móveis e imóveis que, em poucos minutos, podem virar sucata.
E as vítimas? Estariam esquecidas por
Deus? De forma alguma. Tudo que ocorre conosco está sujeito a uma lei
implacável chamada Lei de Causa e Efeito. A não ser assim, onde estaria a
bondade e a justiça de Deus?
Estudando-se as obras básicas
inspiradas a Allan Kardec pelos Espíritos superiores, enviados divinos,
entenderemos duas coisas da mais alta importância: a primeira é que a vida real
é a do Espírito, que é imortal e, portanto, a existência terrestre é,
figuradamente, como o piscar de um vagalume na Terra. A segunda é a de que o
mal sofrido por nós é decorrente de nossa imperfeição espiritual e, como o
objetivo da vida é a perfeição, assim como sua finalidade é ser feliz, só
alcançaremos esse desiderato, após incontáveis reencarnações, até que
aprendamos a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Foi o que nos ensinou Jesus Cristo,
modelo de ser mais perfeito que o Mundo já conheceu. E foi o próprio Cristo que
nos afirmou que da Terra não passaremos
enquanto não resgatarmos até o último ceitil de nossas dívidas. Daí ter-nos
deixado Ele a regra áurea de proceder: “Fazer ao próximo aquilo que desejamos
que ele nos faça”.
O caminho para vencermos o mal ainda
existente em nós é o da oração incessante, da vigilância de nossos pensamentos,
palavras e atos. O remédio para sermos felizes é o amor a Deus e a todas as
criaturas, pois, como disse Pedro, “o amor cobre a multidão de pecados”. Embora
ele não nos exima de sofrer as consequências de nossos atos equivocados.
Pelo exposto, concluímos que a Bondade
Divina se expressa na Lei de Justiça,
Amor e Caridade, que exige nossa
reencarnação, com o objetivo de nos submeter à Lei de Causa e Efeito, até que
nos depuremos de todo o mal proveniente do egoísmo e do orgulho.
Sendo a vida espiritual nossa vida
real, e a existência na Terra um breve estágio de aperfeiçoamento, a
reencarnação ser-nos-á necessária, almas impuras que ainda o somos, neste
mundo, classificado entre os inumeráveis orbes do universo como “mundo de
expiação e prova”. Sem isso, onde estaria a Justiça Divina?
Num mundo em que todos pratiquem as
Leis de Deus, tragédias como a de Brumadinho e outras, ainda piores, motivadas
pelas imperfeições humanas, jamais existirão. Nosso consolo é saber que a vida
continua, e a Bondade de Deus permite-nos sempre um novo recomeço em situação
melhor.
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirCulpados: Ambição Humana e a Lei de Causa e Efeito Individual e/ou Coletivo! Mesmo sabendo q o espírito nunca morre, é muito penoso saber que mortes desse tipo, talvez até piores, ainda existirão por 1 bom tempo. Doi na alma ver "crimes" e "sentenças" assim! Lia (Parê)
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