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domingo, 1 de novembro de 2026

 



Nossos mortos queridos continuam vivos

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Há quase dez anos, exatamente no dia 29 de novembro de 2016, um avião que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu a poucos quilômetros da cidade. Encerradas as operações de busca e resgate, as autoridades colombianas confirmaram o saldo da tragédia: seis feridos e 71 mortos.

Naquele mesmo dia, publicamos nas redes sociais uma nota que suscitou manifestações de leitores de várias partes do Brasil e do exterior:


“O mundo do esporte está de luto em face do lamentável acidente que vitimou o time da Chapecoense, todos os componentes da delegação do mesmo clube, cerca de 21 jornalistas esportivos e quase toda a tripulação. (...)

Como apreciador do futebol e admirador do simpático clube de Chapecó, não poderíamos deixar de registrar aqui as nossas condolências às famílias enlutadas e enviar as nossas vibrações a todos aqueles que partiram para o plano espiritual, onde, com toda a certeza, em breve tempo retomarão as atividades que interromperam, momentaneamente, quando vieram para darem cumprimento à sua atual programação reencarnatória.

Morrem os corpos, as almas sobrevivem!

Este é o consolo de todos os que, como nós, acreditam que a morte não é o fim da vida, mas apenas o final de uma etapa, dentre as muitas que tivemos e teremos ao longo dos milênios.

Que Deus proteja e ampare a todos os que foram diretamente ou indiretamente atingidos pelo triste acontecimento.”

 

A tragédia comoveu o mundo, e não apenas os que apreciam futebol. Acidentes acontecem todos os dias, mas episódios como esse nos chocam pela forma como ocorrem, pelo número de vítimas e pelas circunstâncias que os envolvem.

Outro acontecimento que permanece na memória dos brasileiros, sobretudo na dos que foram diretamente atingidos, é o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de 27 de janeiro de 2013. A tragédia vitimou 242 pessoas, quase todas jovens, como os atletas da Chapecoense.

Naquele mesmo dia, publicamos em nosso blog um texto intitulado “O incêndio em Santa Maria”, que reproduzimos a seguir.

 

“Somente no final da tarde soubemos, por meio de nossa esposa, o que havia acontecido naquela madrugada na aprazível cidade gaúcha de Santa Maria, terra de nosso amigo e irmão Teltz Cardoso Farias.

Diante de acontecimentos assim, o que nos cabe fazer é orar por todos os atingidos: não apenas pelos irmãos e irmãs que partiram para a vida espiritual, mas também pelos familiares e amigos que aqui prosseguem sua marcha.

A perda de um ente querido é, sem dúvida, um dos momentos mais dolorosos de nossa experiência reencarnatória. Se algo pode servir de consolo, recordemos uma antiga lição de Jesus: a morte não é o capítulo final da vida. Esta prossegue sempre. Ninguém morre: somos realmente imortais.

A tragédia de Santa Maria nos fez recordar o incêndio do edifício Joelma, ocorrido em 1º de fevereiro de 1974, na capital paulista. A televisão mostrou ao vivo aqueles momentos de sofrimento, que comoveram o País inteiro.

No livro Diálogo dos Vivos, publicado em 1974, Chico Xavier contou que, ao saber do incêndio pelo rádio, reuniu-se com três amigos para pedir auxílio dos Benfeitores Espirituais às vítimas. Emmanuel, seu Benfeitor Espiritual, compareceu e transmitiu uma prece que, pela beleza e profundidade, reproduzimos a seguir, na esperança de que suas palavras também confortem os irmãos de Santa Maria:

— Senhor Jesus:

Auxilia-nos, perante os companheiros impelidos à desencarnação violenta, por força das provas redentoras.

Sabemos que nós mesmos, antes do berço terrestre, suplicamos das Leis Divinas as medidas que nos atendam às exigências do refazimento espiritual. Entretanto, Senhor, tão encharcados de lágrimas se nos revelam, por vezes, os caminhos do mundo, que nada mais conseguimos realizar, nesses instantes, senão pedir-te socorro para atravessá-los de ânimo firme.

Resguarda em tua assistência compassiva todos os nossos irmãos surpreendidos pela morte, em plena floração de trabalho e de esperança e acende-lhes nos corações, aturdidos de espanto e retalhados de sofrimento, a luz divina da imortalidade oculta neles próprios, a fim de que a mente se lhes distancie do quadro de agonia ou desespero, transferindo-se para a visão da vida imperecível.

Não ignoramos que colocas o lenitivo da misericórdia sobre todos os processos da justiça, mas tocados pela dor dos corações que ficam na Terra – tantos deles tateando a lousa ou investigando o silêncio, entre o pranto e o vazio – aqui estamos a rogar-te alívio e proteção para cada um!...

Dá-lhes a saber, em qualquer recanto de fé ou pensamento a que se acolham, que é preciso nos levantemos de nossas próprias inquietações e perplexidades, a cada dia, para continuar e recomeçar, sustentar e valorizar as lutas de nossa evolução e aperfeiçoamento, no uso da Vida Maior que a todos nos aguarda, nos planos da União Sem Adeus.

E, enquanto o buril da provação esculpe na pedra de nossas dificuldades, conquanto as nossas lágrimas, novas formas de equilíbrio e rearmonização, embelezamento e progresso, engrandece em teu amor aqueles que entrelaçam providências no amparo aos companheiros ilhados na angústia. Agradecemos, ainda, a compreensão e a bondade que nos concedes em todos os irmãos nossos que estendem os braços, cooperando na extinção das chamas da morte; que oferecem o próprio sangue aos que desfalecem de exaustão; que umedecem com o bálsamo de leite e da água pura os lábios e as gargantas ressequidas que emergem do tumulto de cinza e sombra; que socorrem os feridos e mutilados para que se restaurem; e os que pronunciam palavras de entendimento e paz, amor e esperança, extinguindo a violência no nascedouro!...

Senhor Jesus!...

Confiamos em ti e, ao entregarmo-nos em Tuas mãos, ensina-nos a reconhecer que fazes o melhor ou permites se faça constantemente o melhor em nós e por nós, hoje e sempre. (Emmanuel)”

 

O incêndio do edifício Joelma inspirou também dois sonetos recebidos por Chico Xavier, de autoria dos poetas Cyro Costa e Cornélio Pires. 

Ambos lembraram que, apesar do sofrimento e das cinzas que ficaram na Terra, os Benfeitores e amigos espirituais recebiam com hinos de vitória aqueles que regressavam à verdadeira pátria.

Assim se expressou Cornélio Pires no comovente e, ao mesmo tempo, consolador soneto intitulado “Incêndio em São Paulo”:

 

Céu de São Paulo... O dia recomeça...

O povo bom na rua lida e passa...

Nisso, aparece um rolo de fumaça

E o fogo para cima se arremessa.


A morte inesperada age possessa,

E enquanto ruge, espanca ou despedaça,

A Terra unida ao Céu a que se enlaça

É salvação e amor, servindo à pressa...


A cidade magoada e enternecida

É socorro chorando a despedida,

Trazendo o coração triste e deserto...


Mas vejo, em prece, além do povo aflito,

Braços de amor que chegam do Infinito

E caminhos de luz no céu aberto...

 

Fazemos nossas as palavras da oração feita por Emmanuel, convictos de que a morte não é o fim da vida, mas apenas o término de uma etapa, entre as muitas que tivemos e teremos ao longo dos milênios.

Que nos lembremos disso amanhã, 2 de novembro, ao prestar nossas homenagens aos familiares e amigos que partiram antes de nós para a Pátria Espiritual. Eles não estão mortos! Todos continuam vivos, tão vivos quanto nós mesmos o somos.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/10/cuidados-e-impedimentos-para-aplicacao.html

 



 


 

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