domingo, 25 de outubro de 2026

 


Cuidados e impedimentos para a aplicação do passe

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor pergunta se pessoas com diabetes, hipertensão arterial ou arritmia cardíaca, bem como aquelas que fazem uso de medicamentos controlados, podem ministrar passes magnéticos.

A pergunta é bastante oportuna, mas a resposta não pode ser resumida a uma simples frase.

Em princípio, para ministrar passes magnéticos é necessário que a pessoa reúna condições adequadas, tanto físicas quanto emocionais e, sobretudo, espirituais.

Na questão 69 do livro Diretrizes de Segurança, Divaldo Franco explica:


“O passe significa, no capítulo da troca de energias, o que a transfusão de sangue representa para a permuta das hemácias, ajudando o aparelho circulatório. O passe é essa doação de energias que nós colocamos ao alcance dos que se encontram com deficiências, de modo que eles possam ter seus centros vitais reestimulados e, em consequência disso, recobrem o equilíbrio ou a saúde, se for o caso.

O passe magnético tem uma técnica especial, conhecida por todos aqueles que leram alguma coisa sobre o mesmerismo. É transfusão da energia do doador, do agente.

O passe que nós aplicamos, nos Centros Espíritas, decorre da sintonia com os Espíritos Superiores, o que convém considerar sintonia mental, não uma vinculação para a incorporação.

O passe deve ser sempre dado em estado de lucidez e absoluta tranquilidade, no qual o passista se encontre com saúde e com perfeito tirocínio, a fim de que possa atuar na condição de agente, não como paciente.” (Grifamos.)

 

Mesmo quem goza de boa saúde e possui excelentes condições para o exercício da tarefa deve abster-se de ministrar passes após a ingestão de bebidas alcoólicas. O motivo é que a energia a ser transmitida não deve estar comprometida pelo uso de substâncias que possam prejudicar o assistido, conforme indica a experiência.

Uma situação que merece atenção é a de pessoas enfermas que fazem uso de medicamentos. Cabe considerar, nesse caso, se o tratamento e as condições de saúde do passista interferem efetivamente na tarefa.

Os medicamentos são, em sua maioria, substâncias químicas e podem apresentar efeitos colaterais, o que recomenda prudência. Isso, porém, não significa que todo medicamento seja incompatível com a aplicação de passes.

Diversas obras abordam as condições necessárias à aplicação dos passes e os cuidados que devem ser observados nessa tarefa.

Entre elas, destacamos:

 

1- Estudando a Mediunidade, de Martins Peralva, pp. 144 e 145.

2- Passe e Passista, de Roque Jacintho, caps. 6 e 30.

3- Pontos da Escola de Médiuns, de Edgard Armond, tomo IV, p. 88.

4- A Gênese, de Allan Kardec, cap. XIV, item 31.

 

Na última obra citada, Allan Kardec explica, no capítulo XIV, item 31:

 

“Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.” (Grifamos.)

 

Não obstante essas considerações, é possível que uma pessoa com algum dos problemas mencionados pelo leitor se encontre, apesar de sua condição de saúde, em condições adequadas para ministrar passes. Não convém, portanto, generalizar.

Há medicamentos que não comprometem a tarefa, ou cuja interferência seria insignificante. 

É o caso de tratamentos prescritos para restabelecer o equilíbrio do organismo, situação bastante diferente daquela em que a pessoa faz uso abusivo de substâncias, como álcool e outras drogas, ou apresenta dependências que podem estar associadas a desequilíbrios emocionais.

Em situações específicas, como hipertensão arterial, arritmias cardíacas e esclerose múltipla, consultamos especialistas e obtivemos a informação de que os medicamentos habitualmente empregados nesses casos não prejudicariam os efeitos do passe. Considerou-se, nessa avaliação, que nos passes de caráter misto, como os praticados nos centros espíritas, o passista recebe recursos espirituais destinados ao assistido e, nessa concepção, doa relativamente pouco de suas próprias energias.

Em conclusão, cabe ressaltar que, à luz dos ensinos espíritas, os principais impedimentos para a aplicação do passe estão relacionados às condições morais e emocionais do passista, como vícios, dependências prejudiciais e desequilíbrios que comprometam sua lucidez e tranquilidade. Isso não dispensa, contudo, a avaliação de cada situação concreta nem autoriza a estabelecer regras absolutas com base apenas no diagnóstico de uma doença ou no uso de medicamentos.

Nos casos de enfermidades infectocontagiosas, por sua vez, é necessário observar as medidas de prevenção indicadas pelos profissionais de saúde, a fim de evitar a transmissão a outras pessoas. Conforme a enfermidade e o risco de contágio, o afastamento temporário da tarefa poderá ser necessário até que haja condições seguras para o retorno.

Em todas essas situações, deve prevalecer o bom senso, aliado à prudência e ao cuidado com a saúde de quem ministra e de quem recebe o passe.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/10/as-aristocracias-que-imperaram-no-mundo.html

 

 




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