Cuidados
e impedimentos para a aplicação do passe
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
Um leitor pergunta
se pessoas com diabetes, hipertensão arterial ou arritmia cardíaca, bem como
aquelas que fazem uso de medicamentos controlados, podem ministrar passes
magnéticos.
A pergunta é bastante
oportuna, mas a resposta não pode ser resumida a uma simples frase.
Em princípio, para
ministrar passes magnéticos é necessário que a pessoa reúna condições
adequadas, tanto físicas quanto emocionais e, sobretudo, espirituais.
Na questão 69 do
livro Diretrizes de
Segurança, Divaldo Franco explica:
“O passe
significa, no capítulo da troca de energias, o que a transfusão de sangue
representa para a permuta das hemácias, ajudando o aparelho circulatório. O
passe é essa doação de energias que nós colocamos ao alcance dos que se
encontram com deficiências, de modo que eles possam ter seus centros vitais
reestimulados e, em consequência disso, recobrem o equilíbrio ou a saúde, se
for o caso.
O passe magnético
tem uma técnica especial, conhecida por todos aqueles que leram alguma coisa
sobre o mesmerismo. É transfusão da energia do doador, do agente.
O passe que nós
aplicamos, nos Centros Espíritas, decorre da sintonia com os Espíritos Superiores,
o que convém considerar sintonia mental, não uma vinculação para a
incorporação.
O passe deve ser
sempre dado em estado de lucidez e absoluta tranquilidade, no qual o
passista se encontre com saúde e com perfeito tirocínio, a fim de
que possa atuar na condição de agente, não como paciente.” (Grifamos.)
Mesmo quem goza de
boa saúde e possui excelentes condições para o exercício da tarefa deve
abster-se de ministrar passes após a ingestão de bebidas alcoólicas. O motivo é
que a energia a ser transmitida não deve estar comprometida pelo uso de
substâncias que possam prejudicar o assistido, conforme indica a experiência.
Uma situação que
merece atenção é a de pessoas enfermas que fazem uso de medicamentos. Cabe
considerar, nesse caso, se o tratamento e as condições de saúde do passista
interferem efetivamente na tarefa.
Os medicamentos
são, em sua maioria, substâncias químicas e podem apresentar efeitos
colaterais, o que recomenda prudência. Isso, porém, não significa que todo
medicamento seja incompatível com a aplicação de passes.
Diversas obras
abordam as condições necessárias à aplicação dos passes e os cuidados que devem
ser observados nessa tarefa.
Entre elas,
destacamos:
1- Estudando a Mediunidade, de Martins Peralva, pp. 144 e 145.
2- Passe e Passista, de Roque Jacintho, caps. 6 e 30.
3- Pontos da Escola de Médiuns, de Edgard Armond, tomo IV, p. 88.
4- A Gênese, de Allan Kardec, cap. XIV, item 31.
Na última obra
citada, Allan Kardec explica, no capítulo XIV, item 31:
“Como se há visto,
o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os
quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse
fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao
corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra
num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A
cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma
molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da
substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto
maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força
de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje
realizar a cura, seja homem ou Espírito. Os fluidos que emanam de uma
fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.” (Grifamos.)
Não obstante essas
considerações, é possível que uma pessoa com algum dos problemas mencionados
pelo leitor se encontre, apesar de sua condição de saúde, em condições
adequadas para ministrar passes. Não convém, portanto, generalizar.
Há medicamentos que não comprometem a tarefa, ou cuja interferência seria insignificante.
É o
caso de tratamentos prescritos para restabelecer o equilíbrio do organismo,
situação bastante diferente daquela em que a pessoa faz uso abusivo de
substâncias, como álcool e outras drogas, ou apresenta dependências que podem
estar associadas a desequilíbrios emocionais.
Em situações
específicas, como hipertensão arterial, arritmias cardíacas e esclerose
múltipla, consultamos especialistas e obtivemos a informação de que os
medicamentos habitualmente empregados nesses casos não prejudicariam os efeitos
do passe. Considerou-se, nessa avaliação, que nos passes de caráter misto, como
os praticados nos centros espíritas, o passista recebe recursos espirituais
destinados ao assistido e, nessa concepção, doa relativamente pouco de suas
próprias energias.
Em conclusão, cabe
ressaltar que, à luz dos ensinos espíritas, os principais impedimentos para a
aplicação do passe estão relacionados às condições morais e emocionais do
passista, como vícios, dependências prejudiciais e desequilíbrios que
comprometam sua lucidez e tranquilidade. Isso não dispensa, contudo, a
avaliação de cada situação concreta nem autoriza a estabelecer regras absolutas
com base apenas no diagnóstico de uma doença ou no uso de medicamentos.
Nos casos de
enfermidades infectocontagiosas, por sua vez, é necessário observar as medidas
de prevenção indicadas pelos profissionais de saúde, a fim de evitar a
transmissão a outras pessoas. Conforme a enfermidade e o risco de contágio, o
afastamento temporário da tarefa poderá ser necessário até que haja condições
seguras para o retorno.
Em todas essas
situações, deve prevalecer o bom senso, aliado à prudência e ao cuidado com a
saúde de quem ministra e de quem recebe o passe.
Nota do Autor:
Para ler o artigo
do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/10/as-aristocracias-que-imperaram-no-mundo.html
|
Conheça meus livros e saiba como o Blog
Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG |
%20ramo%20de%20videira%20usada%20no%20LE.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário