quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

 



Carta de Ano Bom

 

Casimiro Cunha (Espírito)

 

  Entre um ano que se vai

  E outro que se inicia,

  Há sempre nova esperança,

  Promessas de Novo Dia…

 

  Considera, meu amigo,

  Nesse pequeno intervalo,

  Todo o tempo que perdeste

  Sem saber aproveitá-lo.

 

  Se o ano que se passou

  Foi de amargura sombria,

  Nosso Pai nunca está pobre

  Do pão de luz da alegria.

 

  Pensa que o Céu não esquece

  A mais ínfima criatura,

  E espera resignado

  O teu quinhão de ventura.

 

  Considera, sobretudo,

  Que precisas, doravante,

  Encher de luz todo o tempo

  Da bênção de cada instante.

 

  Sê na oficina do mundo

  O mais perfeito aprendiz,

  Pois somente no trabalho

  Teu ano será feliz.

 

  Não esperes recompensas

  Dos bens da vida terrestre,

  Mas, volve toda a esperança

  À paz do Divino Mestre.

 

  Nas lutas, nunca te esqueças

  Deste conceito profundo:

  O reino da luz de Cristo

  Não reside neste mundo.

 

  Não olhes faltas alheias,

  Não julgues o teu irmão,

  Vive apenas no trabalho

  De tua renovação.

 

  Quem se esforça de verdade

  Sabe a prática do bem,

  Conhece os próprios deveres

  Sem censurar a ninguém.

 

  Ano Novo!… Pede ao Céu

  Que te proteja o trabalho,

  Que te conceda na fé

  O mais sublime agasalho.

 

  Ano Bom!… Deus te abençoe

  No esforço que te conduz

  Das sombras tristes da Terra

  Para as bênçãos de Jesus.

 

 

Do livro Cartas do Evangelho, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 


 

 

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

 



Ação sem apego é crescimento

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Quando a ação for realizada sem apego aos resultados, então, a compreensão do fluxo universal terá iniciado. É tão evidente que à medida que se realiza algo com grande expectativa de alcançar retorno, definitivamente, já se interfere de forma negativa no próspero fluxo. Quanto maior for a liberdade em deixar a vida fluir, melhor também será o andamento, já que quanto mais se prende algo, menos pode se expandir. Se observarmos quanto a vida nos abençoa ininterruptamente, de fato, não mais nos apegaríamos aos resultados.

Quem realiza de puro coração, sem apego, torna-se um ser próspero e atrativo para infinitas outras conquistas. Quando se espera muito, pouco acontece; porém quando não se espera, muito surge. E como o Universo é justiça plena e tudo vê e sabe, o fato de se movimentar em harmonia com ele, é sabedoria adquirida.

O apego não se restringe a coisas materiais ou pessoas, mas a tudo o que existe. Há pessoas apegadas a situações passadas, sentimentos antigos, pensamentos irrefletidos, ideias de gerações familiares. E a expansão do ser apenas é adiada. O apego nada mais é que irmão direto do egoísmo e da vaidade, pois quem vive de forma mais leve e autêntica não se interessa por apego algum, aliás, nem se lembra disso. Todos os sentimentos, pensamentos, atitudes e palavras conduzidos com amor, simplesmente, já são desapego. Outro fator crucial é que quanto mais se apega, mais enfraquecido corpo e espírito se tornam, e saber que somos infinitos e eternos como a vida.

Há quem se apegue à própria construção da pessoa que deseja ser, mas ainda não existe. E equivocadamente se desgasta ao querer sustentar o que ainda não o é. E a vida continua e o seu desperdício com apego gera, comumente, o quadro infeliz de um estado ansioso, depressivo e estressante, pois se cria preocupação com o futuro, o passado e o momento presente ao tentar controlá-los.

No entanto quem vive com gratidão, alegria, satisfação e o reconhecimento de que há um Criador absoluto, e que tudo segue um fluxo perfeito sem o esquecimento da lei de ação e reação , certamente começa a viver de uma forma mais harmoniosa e muito favorável, compreendendo que não há esforço sobre-humano para sentir-se mais feliz, pois esse sofrimento só começa quando se deseja que os acontecimentos ocorram de maneira, infelizmente, egocêntrica.

Quando as nossas ações são sem apego aos resultados, tudo flui com a perfeição que Deus criou. E ainda quando as nossas ações são sem apego, então, começamos a compreender o abençoado fluxo universal.

Quem deseja crescer não deve se apegar.

 

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

 



Do aprendizado de Judas

 

Irmão X (Espírito)

 

Não obstante amoroso, Judas era, muita vez, estouvado e inquieto. Apaixonara-se pelos ideais do Messias, e, embora esposasse os novos princípios, em muitas ocasiões surpreendia-se em choque contra ele. Sentia-se dono da Boa Nova e, pelo desvairado apego a Jesus, quase sempre lhe tomava a dianteira nas deliberações importantes. Foi assim que organizou a primeira bolsa de fundos da comunhão apostólica, e, obediente aos mesmos impulsos, julgou servir à grande causa que abraçara, aceitando a perigosa cilada que redundou na prisão do Mestre.

Apesar dos estudos renovadores a que sinceramente se entregara, preso aos conflitos íntimos que lhe caracterizavam o modo de ser, ignorava o processo de conquistar simpatias. Trazia constantemente nos lábios uma referência amarga, um conceito infeliz.

Quando Levi se reportava a alguns funcionários de Herodes, simpáticos ao Evangelho, dizia, mordaz:

- São víboras disfarçadas. Sugam o erário público, bajulam sacerdotes e deixam-se pisar pelo romano dominador. A meu parecer, não passam de espiões.

O companheiro ouvia tais afirmativas, com natural desencanto, e os novos colaboradores dele se distanciavam menos entusiasmados.

Generosa amiga de Joana de Cusa ofereceu, certo dia, os recursos precisos para a caminhada do grupo, de Cafarnaum a Jerusalém. Porém, recebendo a importância, o apóstolo irrefletido alegou, ingratamente:

- Guardo a oferta; contudo, não me deixo escarnecer. A doadora pretende comprar o Reino dos Céus, depois de haver gozado todos os prazeres do reino da Terra. Saibam todos que este é um dinheiro impuro, nascido da iniquidade.

Estas palavras, pronunciadas diante da benfeitora, trouxeram-lhe indefinível amargura.

Em Cesareia, heroica mulher de um paralítico, sentindo-se banhada pelos clarões do Evangelho, abriu as portas do reduto doméstico aos desamparados da sorte. Órfãos e doentes buscaram-lhe o acolhimento fraternal. O discípulo atrabiliário, no entanto, não se esquivou à maledicência:

- E o passado dela? - clamou cruelmente - o marido enfermou desgostoso pelos quadros tristes que foi constrangido a presenciar. Francamente, não lhe aceito a conversão. Certo, desenvolve piedade fictícia para aliciar grandes lucros.

A senhora, duramente atingida pelas descaridosas insinuações, paralisou a benemerência iniciante, com enorme prejuízo para os filhos do infortúnio.

Quando o próprio Messias abençoou Zaqueu e os serviços dele, exclamou Judas, indignado, às ocultas:

- Este publicano pagará mais tarde. Escorcha os semelhantes, rodeia-se de escravos, exerce avareza sórdida e ainda pretende o Reino Divino!? Não irá longe. Enganará o Mestre, não a mim.

Alimentando tais disposições, sofria a desconfiança de muitos. De quando em quando, via-se repelido delicadamente.

Jesus, que em silêncio lhe seguia as atitudes, aconselhava prudência, amor e tolerância. Mal não terminava, porém, as observações carinhosas, chegava Simão Pedro, por exemplo, explicando que Jeroboão, fariseu simpatizante da Boa Nova, parecia inclinado a ajudar o Evangelho nascente.

- Jeroboão? - advertia Judas, sarcástico - aquilo é uma raposa de unhas afiadas. Mero fingimento! Conheço-o há vinte anos. Não sabe senão explorar o próximo e amontoar dinheiro. Houve tempo em que chegou a esbordoar o próprio pai, porque o infeliz lhe desviou meia pipa de vinho!

A verdade, porém, é que as circunstâncias, pouco a pouco, obrigaram-no a insular-se. Os próprios companheiros andavam arredios. Ninguém lhe aprovava as acusações impulsivas e as lamentações sem propósito. Apenas o Cristo não perdia a paciência. Gastava longas horas, encorajando-o e esclarecendo-o afetuosamente.

Numa tarde quente e seca, viajavam ambos, nos arredores de Nazaré, cansados de jornada comprida, quando o filho de Kerioth indagou, compungido:

- Senhor, por que motivos sofro tão pesadas humilhações? Noto que os próprios companheiros se afastam, cautelosos, de mim. Não consigo fazer relações duradouras. Há como que forçada separação entre meu espírito e os demais. Sou incompreendido e vergastado pelo destino.

E levantando os olhos tristes para o Divino Amigo, repetia:

- Por quê?!?

Jesus ia responder, condoído, observando que a voz do discípulo tinha lágrimas que não chegavam a cair, quando se acercaram, subitamente, de poço humilde, onde costumavam aliviar a sede. Judas, que esperava ansioso aquela bênção, inclinou-se, impulsivo e, mergulhando as mãos ávidas no líquido cristalino, tocou inadvertidamente o fundo, trazendo largas placas de lodo à tona.

- Oh! oh! que infelicidade! - gritou, em desespero.

O Mestre bondoso sorriu calmamente e falou:

- Neste poço singelo, Judas, tens a lição que desejas. Quando quiseres água pura, retira-a com cuidado e reconhecimento. Não há necessidade de alvoroçar a lama do fundo ou das margens. Quando tiveres sede de ternura e de amor, faze o mesmo com teus amigos. Recebe-lhes a cooperação afetuosa sem cogitar do mal, a fim de que não percas o bem supremo.

Pesado silêncio caiu entre o benfeitor e o tutelado.

O apóstolo invigilante modificou a expressão do olhar, mas não respondeu.

 

Do livro Luz acima, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 



 

 

 

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