segunda-feira, 23 de outubro de 2017

As mais lindas canções que ouvi (265)






Quando eu quero falar com Deus

Erasmo Carlos e Roberto Carlos

Quando eu quero falar com Deus, eu apenas falo.
Quando eu quero falar com Deus, às vezes me calo
E elevo o meu pensamento,
Peço ajuda no meu sofrimento.
Ele é Pai, Ele escuta o que pede o meu coração.

Quantas vezes falando com Deus, desabafo e choro
E alívio pro meu coração eu a Ele imploro.
E então sinto a sua presença,
Seu amor, sua luz tão intensa,
Que ilumina o meu rosto e me alegra em minha oração...

Quanta paz, quanta luz!
Deus nos ouve e nos mostra o caminho que a Ele conduz.
Deus é Pai, Deus é Luz!
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus.

É tão lindo falar com Deus em qualquer momento.
Deus que vê uma folha que cai e é levada ao vento,
Não existe onde Ele não esteja
E Ele pode escutar nossa voz...
Deus no céu, Deus na Terra, onde seja, está dentro de nós!

Quanta paz, quanta luz!
Deus nos ouve e nos mostra o caminho que a Ele conduz.
Deus é Pai, Deus é Luz!
Deus nos fala que a Ele se chega seguindo Jesus.

Quanta paz, quanta luz!
Deus nos ouve e nos mostra o caminho que a Ele conduz.
Deus é Pai, Deus é Luz!
Deus nos fala que a ele se chega seguindo Jesus.



As cifras desta música você encontra em:
https://www.cifraclub.com.br/edilton/quando-eu-quero-falar-com-deus/  



Você pode ouvir a canção acima clicando nos links abaixo:
Roberto Carlos:
Roberto Carlos e Daniel:
Roberta Miranda:
Raul Nazário:
Padre Marcelo Rossi:




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domingo, 22 de outubro de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo





Columbine, Realengo, Goiânia... como entender tudo isso?

Mais uma ocorrência de difícil compreensão e aceitação enlutou diversas famílias na cidade de Goiânia, capital do estado de Goiás.
Um aluno de 14 anos entrou armado na escola onde estudava e matou dois colegas, além de ferir mais quatro pessoas. 
Detido pela Polícia, o adolescente contou que se inspirou nos massacres de Realengo, no Rio de Janeiro, e de Columbine, nos Estados Unidos. [Na foto ao lado, vê-se o portão do Colégio Goyases com a faixa Família Goyases em luto!]
O massacre de Columbine, ocorrido em abril de 1999, deixou 12 alunos e um professor mortos. Já em Realengo, em abril de 2011, 12 pessoas foram mortas na Escola Municipal Tasso da Silveira.
Naquela época, ou seja, seis anos atrás, um leitor do Rio de Janeiro, reportando-se aos crimes cometidos na Escola Municipal Tasso da Silveira, enviou à redação da revista O Consolador as seguintes perguntas:
1) Mesmo que o fato ali ocorrido possa ser atribuído a uma expiação coletiva dos alunos, a ser desencadeada por uma pessoa, esta poderia, graças ao seu livre-arbítrio, tomar a decisão de não fazer tal coisa, lutando até contra algum obsessor que a tenha influenciado para o ato?
2) Ocorrendo essa hipótese, as crianças expiariam de outra forma suas faltas?
3) O trabalho de uma pessoa dedicada ao bem do próximo pode aliviar muitas de suas faltas, dependendo isso da própria pessoa?
Assim respondemos ao leitor:
Inicialmente é bom deixar claro que a morte daquelas crianças pode ser atribuída a uma expiação coletiva como também a uma prova. Como nos é ensinado pelo Espiritismo, é muito difícil afirmar, num caso concreto, se a vicissitude por que passa uma pessoa advém de uma prova ou de uma expiação.
Com relação à primeira pergunta, a resposta é sim. O rapaz poderia perfeitamente deixar de cometer os crimes, ainda que assediado por um mau Espírito.
Lembremos que ninguém vem ao mundo com a missão de matar. O ato de tirar a vida a alguém é algo que fere a lei natural e não pode ter, portanto, o beneplácito dos poderes que regem a vida na Terra. Nenhuma influência advinda de outra pessoa, encarnada ou desencarnada, é irresistível.
Quanto à segunda pergunta, não ocorrendo os crimes que, de fato, ocorreram na escola de Realengo, e tendo as crianças que desencarnar na idade em que faleceram, é claro que sua desencarnação poderia ocorrer de outra forma e em outras circunstâncias, sem o trauma e o horror que marcaram o triste episódio. Há na literatura espírita relatos de casos assim e a questão n. 853 d´O Livro dos Espíritos, que trata do assunto, é bem clara: “Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podeis furtar-vos”.
No tocante à última pergunta, é correto o entendimento de que o trabalho no bem pode não apenas aliviar mas também reduzir as faltas que cometemos no passado, de acordo com uma lei evangélica que nos chegou ao conhecimento graças ao apóstolo Pedro, que assevera em sua 1ª Epístola, 4:8: “(...) tende ardente amor uns para com os outros; porque o amor cobre a multidão de pecados”.
O ensinamento do apóstolo tem sido repetido frequentes vezes pelo confrade Divaldo Franco, que usa nesse caso palavras diferentes, a saber: “O bem que fazemos anula o mal que fizemos”, e é, sim, confirmado pelo Espiritismo, que nos oferece, sobre o assunto, inúmeros exemplos.

*

A respeito dos tristes episódios de Columbine, Realengo e do ocorrido anteontem em Goiânia, vem-nos a propósito uma sempre oportuna observação feita por Batuíra (Espírito) no seu livro Mais luz, psicografado por Chico Xavier:
“Fácil comentar os desastres em que tombam tantas esperanças na sombra da criminalidade ou da frustração, mas é preciso saber o que temos feito para que as trevas se dissipem. Doar a precisa orientação no caminho será talvez o mais substancial apoio que sejamos capazes de oferecer aos que nos partilham a marcha. Auxiliemo-nos, pois, uns aos outros, acendendo lâmpadas que nos clareiem a estrada – o coração humano é sempre uma lâmpada viva. Basta que se lhe comunique luz para que irradie de si mesmo a necessária claridade com que se ilumina, iluminando os que se lhe fazem companheiros no dia a dia.”




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sábado, 21 de outubro de 2017

Contos e crônicas





Atentado à fé alheia e pedofilia não é arte...

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Leitor amigo. Em nome da arte, o que vemos em nossos dias faria vergonha aos artistas que participaram da Semana de Arte Moderna em 1922. Monteiro Lobato, que publicou, anos antes, artigo polêmico, intitulado Paranoia ou Mistificação, sobre as exposições em tela de Anita Malfatti, assim como a própria pintora, ficariam horrorizados com o que se considera arte hodiernamente.
Algumas músicas atuais, se é que podemos chamá-las assim, são verdadeiros atentados ao bom senso e ao pudor das famílias educadas dentro dos princípios éticos.
Supostos quadros artísticos, que mais se caracterizam por violação ao Estatuto da criança e do adolescente, por estimularem com suas cenas eróticas a pedofilia, são expostos não somente em “mostras artísticas”, como também na mídia, em geral. Em nome da liberdade de imprensa, o que se vê atualmente é atentado ao pudor e desrespeito às nossas crianças, ainda impossibilitadas de distinguir o bem do mal.
É então que, lembrando o excelente artigo de Marta Antunes, publicado na revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, neste mês, ratifico sua opinião de que, para haver liberdade real, há que se respeitar a igualdade e a fraternidade, lema da Revolução Francesa, em 1789: “Liberté, égalité, fraternité”. Só é livre quem não age desigualmente com seu irmão, pois todos somos filhos de Deus, como afirmou o Cristo.
Aos ateus, como aos crentes de todas as denominações religiosas ou filosóficas, cabe muito bem a frase do filósofo Herbert Spencer citada por nossa irmã Marta Antunes: “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”. Antunes lembra ainda o conteúdo das questões números 826 e 833, em O livro dos espíritos, de Allan Kardec. Ali somos informados de que a liberdade absoluta somente é a do eremita no deserto, bem como a que se localiza exclusivamente em nossos pensamentos.
É lamentável que pessoas doutas e de respeitável conhecimento espírita e irmãos de outras crenças, com base em conceitos acadêmicos puramente materialistas, defendam o direito “inalienável” de expressão artística, com base em falsas premissas, relacionadas à liberdade de manifestação do pensamento. Pornografia, em nosso entendimento, em especial quando expõe nossas crianças a atitudes pedófilas e ofendem as crenças alheias, não é arte, mas, sim, crime grave contra todos os princípios morais que sustentam as famílias e as sociedades humanas.
A história registra que, quando os costumes se afrouxam e as sociedades se degradam, os povos não sobrevivem. O mundo possui, atualmente, cerca de 7,5 bilhões de pessoas, e já há quem diga que muitos governos incentivam a degradação moral atual com a intenção egoísta e cruel de redução de gastos com o aumento populacional. Assim se explica a nefasta teoria de identidades de gênero que serve de pretexto para o incentivo aos desvios de conduta moral da atualidade.
Isso não significa que não respeitamos as opções sexuais de alguém, que é problema afeito ao livre-arbítrio pessoal. A situação atual, porém, chegou a tal nível que até o presidente russo, país de governo materialista, manifestou, publicamente, sua repulsa ao processo de degradação moral ensinado em obras didáticas adotadas nas escolas de diversos países.
E nós fazemos coro ao seu protesto, apelando a todos os cidadãos de bem do Brasil para coibirem tais aberrações, expostas especialmente às nossas crianças. Não estamos sós em nossa crítica. Graças a Deus, conosco há a indignação de diversos profissionais, em especial, dos meios de comunicação deste país de dimensão continental.
Não matriculem seus filhos em escolas que estimulem teorias de mentes doentias, em nome da identidade de gênero, que tem sido provada pelos cientistas éticos atuais ser uma falácia de uma minoria enferma do corpo e da alma.
Desliguem a televisão, especialmente a de redes que apoiem a pornografia e a pedofilia. Tais programas são verdadeiro atentado à evolução moral do ser humano, cuja extinção, se não ocorrer por meio de uma guerra nuclear ou por outras catástrofes anunciadas, acontecerá quando já não houver família que possa reproduzir-se e subsistir, como secretamente desejam governantes materialistas inescrupulosos. 
As pandemias são outra forma de extinção humana, e elas ocorrem principalmente nas sociedades cujos valores morais “apodreceram”. Por isso, dizem os espíritos citados pela Marta: “O bem é sempre o bem, e o mal é sempre o mal”.
Com a Natureza não se brinca, dolosamente, sem que as consequências se manifestem dolorosamente.
Seremos livres quando respeitarmos a regra áurea proposta por Jesus Cristo: “Fazei a outrem apenas aquilo que desejais que outrem vos faça”. Daí resulta que a liberdade verdadeira é indissociável da fraternidade e da igualdade. Não podemos, pois, submeter nossas crianças às imposições de falsas teorias de uma minoria ateia inescrupulosa.
Atentado ao pudor, iniciativas que ataquem a fé alheia e, principalmente, pedofilia, a nosso ver, não é arte e, sim, crime de lesa-humanidade.






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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas




Memórias do Padre Germano

Amalia Domingo Soler

Parte 8

Continuamos o estudo metódico e sequencial do livro Memórias do Padre Germano, com base na 21ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quem foi Clotilde?
B. Padre Germano acreditava na doutrina da graça?
C. Com que idade Padre Germano foi expulso da própria casa?
D. Como se deu o ingresso de Germano no convento?
E. Que é que Padre Germano falou sobre a Igreja em seu primeiro sermão como sacerdote?

Texto para leitura

86. Um ano depois, a esposa do magnata que tentara contratá-lo também morreu, sem que Germano lhe desse oportunidade de confessar seu amor por ele. “Amai-me em espírito” – disse-lhe o Padre –; ajudai-me com o vosso amor a suportar as misérias e provações da vida.” (P. 189)
87. “Clotilde!” é o título do cap. 19, em que Padre Germano confessa que menos de um mês transcorrido, desde que pronunciara seus votos, já estava convencido do seu erro: “A Religião é a vida, sim, mas as religiões causam a morte”. (P. 191)
88. Clotilde, filha do duque de S. Lázaro, fora entregue pelo próprio pai aos Penitentes Negros, e Padre Germano empenhou todas as suas forças para salvá-la, depois de três meses de luta, na qual ele teve de entrar na sombria fortaleza daquela organização para restituir a vida à pobre moça, injustamente acusada de delação por seu pai. (PP. 193 a 198)
89. Dias depois, o Geral da Ordem dos Penitentes, acompanhado de vinte confrades, penetrou na igreja do Padre Germano para reclamar a jovem. O pároco não se intimidou e desmascarou os planos da organização, que, após sacrificar o próprio duque como traidor da pátria, pretendia livrar-se de Clotilde, tomando-lhe antes a herança. (PP. 200 e 201)
90. Palavras duras foram então dirigidas por Germano ao poderoso chefe dos Penitentes, a quem ele conhecia desde criança e que, apesar de chefiar uma organização da Igreja, duvidava da existência da imortalidade e do próprio Deus. (PP. 201 e 202)
91. Padre Germano doutrinou-o então, afirmando sua convicção em Deus, na imortalidade e na reencarnação, fato que exerceu sobre o visitante um efeito inesperado. “Esse homem tremeu um dia, teve medo do futuro, sua conversão é certa”, anotou o pároco em suas memórias, referindo-se ao Geral dos Penitentes. Estava salva Clotilde! (PP. 202 a 205)
92. No cap. 20, Padre Germano recorda algumas cenas de sua infância, lembrando, porém, ser um erro acreditar que o homem é salvo pela graça ou pelo sangue do Cristo, visto que cada ser se engrandece por si mesmo. (P. 208)
93. Antes de ingressar no convento, Germano vivia num casebre miserável, na companhia de sua mãe. Uma noite, gritando e golpeando os poucos móveis que ali havia, chegou seu pai. Apresentados um ao outro por sua mãe, ele repeliu com um gesto brusco o menino, que contava apenas cinco anos. Dias depois, dizendo que com cinco anos Germano já tinha condições de cuidar de si mesmo, o pai arrastou-o para a rua, sob os protestos da esposa. Cerca de dois anos o menino viveu entre pobres pescadores, enquanto seus pais, abandonando o povoado, desapareceram para sempre. (PP. 209 e 210)
94. Um ano depois de se encontrar só no mundo, um grupo de Penitentes Negros estabeleceu-se na velha abadia que cercava o monte, aonde o menino Germano costumava ir, a mando dos pescadores, levando peixes para o mosteiro. (P. 210)
95. Germano já tinha, à época, notória aversão pelos frades e fugia deles; mas um dia, errando o caminho, penetrou um grande salão rodeado de estantes pejadas de livros, pergaminhos e papiros, onde dois monges liam. Acercando-se do monge mais velho, o menino lhe disse: “Quero ler como vós; quereis ensinar-me?” (P. 211)
96. O velho monge encarou o rapazinho, enquanto seu companheiro lhe dizia: “É este o menino enjeitado, do qual já vos tenho falado mais de uma vez”. A partir daquele dia Germano passou a viver na abadia, onde a vida era muito triste, de uma monotonia insuportável, só amenizada com a presença dos pais de Sultão, Leão e Zoa, visto que os demais habitantes do convento nunca lhe dirigiram qualquer palavra de conforto. (P. 211)
97. Naqueles tempos o saber residia nos conventos e Germano queria ser sábio a todo o transe; por isso, consumiu a sua infância e a sua juventude lendo todos os livros que havia na biblioteca da abadia, chegando a decorá-los. Aos dezesseis anos, um discurso em que refutava todos os silogismos teológicos valeu-lhe severíssima reprimenda de seus superiores. O fato repetiu-se no ano seguinte, quando Germano teve, de acordo com o regulamento do ensino, que pronunciar um novo discurso, que lhe proporcionou um ano de reclusão a pão e água. (P. 212)
98. Poucos dias antes de celebrar, pela primeira vez, o sacrifício da missa, o mesmo monge que o acolheu na abadia chamou-o à sua cela para aconselhar-lhe prudência, visto que, se não refreasse os ímpetos do seu caráter, pouco viveria. (P. 212)
99. “Serei – respondeu-lhe Germano – fiel à Igreja sem trair meus sentimentos.” O monge, que revelou ser um grande amigo, advertiu-o: “Recorda-te de que, agindo desse modo, tua vida será como o caminho do Calvário, além de ser estéril teu sacrifício”. (P. 212)
100. Na hora de iniciar o sermão, perante uma multidão imensa, parecia que línguas de fogo lhe caíam sobre a cabeça e Germano acabou falando por mais de três horas. Quando falou sobre o que eram os sacerdotes, todos os monges se puseram de pé, ameaçadores, mas o pároco não se intimidou e, entre outras coisas, disse que o sacerdote “é um homem como outro qualquer, às vezes mais vicioso que a generalidade dos homens”. (P. 214)
101. Criticando acerbamente o celibato sacerdotal e o instituto da confissão, Germano asseverou que seria “um dos enviados da nova religião, porque – não o duvideis – a nossa Igreja sucumbirá, cairá... ao peso enorme dos seus vícios”. (PP. 215 e 216)
102. No momento em que lembrou as palavras de Jesus sobre as criancinhas, algumas crianças adormecidas no colo de suas mães despertaram e voltaram-se para ele, e uma delas em especial lhe atraiu a atenção: uma menina de três anos que lhe estendeu naquele momento as mãozinhas. Era a menina pálida dos cabelos negros, que dez anos depois, na adolescência, confessaria seu amor impossível pelo Padre. (PP. 216 e 217)
103. Quando o sermão terminou, a multidão tomou de assalto a escada do púlpito para abraçá-lo, e até os Penitentes Negros deixaram de fitá-lo com rancor. (P. 217) (Continua na próxima edição.)

Respostas às questões preliminares

A. Quem foi Clotilde?
Clotilde era filha do duque de S. Lázaro. Entregue pelo próprio pai aos Penitentes Negros, poderosa organização da Igreja, Padre Germano empenhou todas as suas forças para salvá-la, o que conseguiu após três meses de luta, na qual teve de entrar na sombria fortaleza da citada organização para restituir a vida à pobre moça, injustamente acusada de delação pelo pai. Depois de sacrificar o próprio duque como traidor da pátria, a organização pretendia livrar-se de Clotilde, tomando-lhe antes a herança. (Memórias do Padre Germano, pp. 193 a 201.)
B. Padre Germano acreditava na doutrina da graça?
Não. Ele afirmava ser um erro acreditar que o homem é salvo pela graça ou pelo sangue do Cristo, porque cada ser se engrandece por si mesmo. (Obra citada, pág. 208.)
C. Com que idade Padre Germano foi expulso da própria casa?
Germano contava, então, cinco anos de idade. Antes da expulsão, o menino vivia num casebre miserável, na companhia de sua mãe. Uma noite, gritando e golpeando os poucos móveis que ali havia, chegou seu pai. Apresentados um ao outro por sua mãe, o pai repeliu com um gesto brusco o menino. Dias depois, dizendo que com cinco anos Germano já tinha condições de cuidar de si mesmo, o pai arrastou-o para a rua, sob os protestos da esposa. Depois, seus pais desapareceram. (Obra citada, pp. 209 e 210.)
D. Como se deu o ingresso de Germano no convento?
O menino tinha, à época, notória aversão pelos frades e fugia deles, mas um dia, errando o caminho, penetrou um grande salão rodeado de estantes pejadas de livros, pergaminhos e papiros, onde dois monges liam. Acercando-se do monge mais velho, o menino lhe disse: “Quero ler como vós; quereis ensinar-me?” O velho monge encarou o rapazinho, enquanto seu companheiro lhe dizia: “É este o menino enjeitado, do qual já vos tenho falado mais de uma vez”. A partir daquele dia Germano passou a viver na abadia. (Obra citada, pág. 211.)
E. Que é que Padre Germano falou sobre a Igreja em seu primeiro sermão como sacerdote?
Primeiro, referindo-se aos sacerdotes, disse que eles eram homens como os outros homens, e às vezes mais viciosos que a generalidade das pessoas. Criticou em seguida, acerbamente, o celibato sacerdotal e o instituto da confissão e, por fim, previu que a Igreja sucumbiria, ao peso enorme dos seus vícios. Quando o sermão terminou, a multidão tomou de assalto a escada do púlpito para abraçá-lo, e até os Penitentes Negros deixaram de fitá-lo com rancor. (Obra citada, pp. 214 a 217.)

Nota:
Links que remetem aos 3 textos anteriores:




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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita





Celibato e poligamia

Este é o módulo 50 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Por que a poligamia é contrária à lei natural?
2. Que vantagens acarreta para o homem a monogamia?
3. Em que consiste o celibato?
4. Em que situação o celibato pode concorrer para o progresso social?
5. Qual o significado desta advertência de Paulo: “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”?

Texto para leitura

A poligamia é prática humana tendente a desaparecer
1. O casamento, isto é, a união permanente de dois seres, é um progresso na marcha da Humanidade. Já a poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social. O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Ora, na poligamia não há afeição real, existe apenas sensualidade.
2. Se a poligamia fosse conforme à lei natural, deveria haver a possibilidade de que ela se tornasse universal, o que é materialmente impossível, dada a igualdade numérica dos sexos. Ela deve ser considerada, assim, mais como um uso ou prática apropriada a certos costumes e que o aperfeiçoamento social faz que, na maior parte do globo, desapareça pouco a pouco. Com efeito, apesar de existirem povos que ainda adotam a poligamia, como as populações muçulmanas do Norte da África e boa parte dos asiáticos, a tendência é a total abolição dessa prática.
3. A construção da felicidade real não depende do instinto sexual satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados é tão somente um aspecto das multiformes permutas de amor. O intercâmbio de forças simpáticas, de fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto.
4. Entre poligamia e monogamia existe uma distância muito grande, e a conquista desta última revela inegavelmente um poderoso passo evolutivo da Humanidade na área dos sentimentos. A vida a dois, pelos laços do matrimônio, enseja real oportunidade de progresso, porquanto a constituição do lar não só permite a reencarnação dos Espíritos e, por conseguinte, o progresso espiritual, a reparação e o resgate de faltas do passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da educação espiritual.

Os celibatários dividem-se em dois grupos distintos
5. Em que pese a importância do casamento monogâmico, existem pessoas que deliberadamente optam pelo celibato, que é o estado de uma pessoa que se mantém solteira. Abstinência em matéria de sexo e celibato na vida de relação pressupõem experiências da criatura em duas faixas essenciais: a dos Espíritos que escolhem semelhantes posições para burilamento ou serviço no curso de determinada encarnação, e a daqueles que se veem forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.
6. As pessoas que conseguem abster-se da comunhão afetiva, com o fim de se fazerem mais úteis ao próximo, decerto traçam a si mesmos escaladas mais rápidas aos cimos do aperfeiçoamento. É o caso das almas que, para obterem as sagradas realizações de Deus em si próprias, entregam-se a labores de renúncia, em existência de santificada abnegação, abdicando transitoriamente de ligações humanas, de modo a acrisolarem seus afetos e sentimentos em vida de ascetismo e longas disciplinas materiais.
7. Agindo assim, por amor, amparando os irmãos da Humanidade, através de variadas maneiras, convertem a existência, sem ligações sexuais, em caminho de acesso à sublimação, ambientando-se em climas diferentes de criatividade, porquanto a energia sexual neles não estancou o próprio fluxo, mas é canalizada para outros objetivos: os de natureza espiritual.
8. Paralelamente a esses seres, que elegem conscientemente esse tipo de experiência, encontramos outros companheiros que já renasceram no corpo físico induzidos ou obrigados à abstinência sexual, em face de inibições irreversíveis ou de processos de inversão pelos quais sanam erros do passado ou se recolhem a pesadas disciplinas, que lhes facilitam a execução de compromissos determinados, em assuntos do espírito.

Há grande mérito em fazer-se eunuco pelo reino do céu
9. Empreendimentos filantrópicos, atividades religiosas ou culturais enobrecedoras constituem valioso programa de superação dos pensamentos torturantes, relacionados com o sexo, favorecendo a transformação das forças criadoras em elementos de exaltação do bem e de embelezamento da vida.
10. Numerosos Espíritos – ensinam os imortais – recebem de Jesus permissão para esse gênero de esforços santificantes, porquanto nessa tarefa os que se fazem eunucos pelo reino do céu precipitam os processos de redenção do ser ou dos seres amados, submersos nas provas, e, simultaneamente, pela sua condição de evolvidos, podem ser mais facilmente transformados, na Terra, em instrumentos da verdade e do bem.
11. Qualquer atitude extremista opera desarmonia e perturbação, com lamentáveis consequências que se estendem, após a desencarnação, em processos de sombras e aflições indescritíveis. Assim, se o exercício da renúncia, a que certas pessoas se submetem, os faz hipocondríacos e tristes, não devem vacilar em obedecer à prescrição do apóstolo Paulo, na 1ª Epístola aos Coríntios, cap. 7, versículo 9: “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”.
12. Essas considerações nos levam a concluir que a vida sexual de cada pessoa é terreno sagrado para ela própria. Em face disso, abstenção, ligação afetiva, constituição da família, vida celibatária, divórcio e outras ocorrências, no campo do amor, são problemas pertinentes à responsabilidade de cada um, erigindo-se em assunto não de corpo para corpo, mas de coração para coração.

Respostas às questões propostas

1. Por que a poligamia é contrária à lei natural?
O casamento, segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem. Na poligamia não há afeição real, existe apenas sensualidade. Eis aí o motivo por que ela contraria a lei de Deus.
2. Que vantagens acarreta para o homem a monogamia?
A construção da felicidade real não depende do instinto sexual satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados é tão somente um aspecto das multiformes permutas de amor. O intercâmbio de forças simpáticas, de fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto. A vida a dois, pelos laços do matrimônio, enseja real oportunidade de progresso, porquanto a constituição do lar não só permite a reencarnação dos Espíritos e, por conseguinte, o progresso espiritual, a reparação e o resgate de faltas do passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da educação espiritual.
3. Em que consiste o celibato?
O celibato é o estado de uma pessoa que se mantém solteira. Abstinência em matéria de sexo e celibato na vida de relação pressupõem experiências da criatura em duas faixas essenciais: a dos Espíritos que escolhem semelhantes posições para burilamento ou serviço no curso de determinada encarnação, e a daqueles que se veem forçados a adotá-las, por força de inibições diversas.
4. Em que situação o celibato pode concorrer para o progresso social?
O celibato concorre para o progresso social quando o indivíduo se abstém da comunhão afetiva com o fim de se fazer mais útil ao próximo. É o caso das almas que se entregam a labores de renúncia, em existência de santificada abnegação, abdicando transitoriamente de ligações humanas, de modo a acrisolarem seus afetos e sentimentos em vida de ascetismo e longas disciplinas materiais.
5. Qual o significado desta advertência de Paulo: “Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”?
O aviso de Paulo é claro: se o exercício da renúncia, a que certas pessoas se submetem, as faz hipocondríacas e tristes, não devem vacilar em obedecer à prescrição do notável apóstolo, evitando assim manter uma posição antinatural que poderá trazer grandes aborrecimentos à própria pessoa e à sociedade.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:




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