domingo, 20 de agosto de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo



Para onde vão as almas dos passarinhos?

Andorinha tem alma?
Esta questão foi suscitada durante uma apresentação feita pela cantora espírita Célia Tomboly no Centro Espírita Amor, Luz e Verdade, de Auriflama-SP.
Célia Tomboly, interpretando corretamente os ensinamentos espíritas, respondeu afirmativamente: as andorinhas, assim como todos os animais,  têm alma, vocábulo que tanto se aplica aos seres do reino animal como aos seres humanos, embora exista uma diferença substancial, em termos evolutivos, entre um caso e outro.
É isso que lemos nas questões 597 e seguintes d´O Livro dos Espíritos, adiante reproduzidas:

597. Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria? “Há e que sobrevive ao corpo.”
a) — Será esse princípio uma alma semelhante à do homem? “É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.”
598. Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? “Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”
599. À alma dos animais é dado escolher a espécie de animal em que encarne? “Não, pois que lhe falta livre-arbítrio.”
600. Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar-se, depois da morte, num estado de erraticidade, como a do homem? “Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas.”

Qual o destino das almas das andorinhas?
Elas, como ocorre com todas as almas, são imortais, mas, evidentemente, não sabemos exatamente o que a elas está reservado, como o notável compositor João Cabete escreveu numa linda canção – Almas da andorinhas – cuja letra em seguida reproduzimos:

Eu não sei dizer para onde vão
As almas das andorinhas.
Eu não sei,
Eu não sei...
Eu não sei dizer para onde vão
Perfumes de tantas flores.
Eu não sei,
Eu não sei...
Eu só sei dizer que dentro de minh'alma
Sinto a natureza cantando e chorando.
Eu só sei dizer que sinto Deus sorrindo para mim!
Que sinto Deus sorrindo para mim!
Eu não sei dizer para onde vão
Tristezas e alegrias.
Eu não sei,
Eu não sei...
Eu não sei dizer para onde vão
Saudades e desencantos.
Eu não sei,
Eu não sei...
Eu só sei dizer que dentro de minh'alma
Sinto a natureza cantando e chorando.
Eu só sei dizer que sinto Deus sorrindo para mim,
Que sinto Deus sorrindo para mim.

Se o leitor desejar ouvi-la, eis os links:
a) Na voz de João Cabete - https://www.youtube.com/watch?v=j1G1vUfoDF0
b) na voz de Elizabete Lacerda: https://www.youtube.com/watch?v=y6D9GKJ6QJY



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sábado, 19 de agosto de 2017

Contos e crônicas



As rosas de santa Isabel


JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Uma das mulheres mais extraordinárias que já houve na Terra é santa Isabel. Ela viveu nos séculos XIII e XIV d.C. e sua história é narrada em Isabel de Aragão, a rainha médium, publicada pela editora O Clarim, de São Paulo. Essa obra foi psicografada por Valter Turini e ditada pelo espírito Monsenhor Eusébio Sintra. Recomendo aos teóricos literatos esse romance mediúnico com fulcro em fatos históricos registrados nos arquivos da Igreja Católica.
Vou comentar um pouco sobre a vida dessa rainha, que sempre afirmava ter recebido de Deus um trono para fazer caridade, mas o bom mesmo é ler o livro que citei acima.
Não relatarei todos os fatos extraordinários manifestados por Isabel, pois os céticos rir-se-ão disso, como ocorre com tudo aquilo que não presenciaram nem compreendem. Mas o fenômeno Isabel de Aragão está registrado nos arquivos da Santa Sé. Isabel era católica e passava grande parte de seu dia orando no oratório do castelo de São Jorge, em Portugal, onde a família real residia. Para a Igreja, seus dons mediúnicos eram milagres de uma santa.
A rainha era riquíssima e doava verdadeiras fortunas à Igreja e conventos no seu reinado. Casou-se com Dom Dinis, o rei poeta cujas composições literárias fazem parte do cancioneiro trovadoresco medieval.
No capítulo 23 do citado livro, Isabel diz a sua dama de honra, Ximena, que certas “situações [...] esbarram no sentido lógico das coisas”. Ao que esta lhe pergunta: “— O quê, por exemplo, senhora?”
A resposta foi a seguinte: “— As gritantes diferenças a ocorrerem entre as condições das criaturas neste mundo [...]. Por que uns poucos tão ricos, a deterem todas as facilidades deste mundo, enquanto outros nascem para penar, a chafurdarem na mais negra miséria?... Ou ainda, a inteligência brilhante, perante a idiotia mais consistente?”.
A rainha faz ainda algumas considerações, concluindo que um “pai justo e bom”, como Deus, não discrimina seus filhos, favorecendo mais a um do que a outro. Tal modo de pensar é perfeitamente coerente com a lucidez racional de Isabel, que conhecia e praticava os ensinamentos de Jesus como ninguém, em sua época.
No capítulo anterior aos nossos comentários acima, aconselhando Dom Dinis, que se encontrava em disputa pelo poder com seu filho Afonso, a rainha diz-lhe, com profunda sabedoria: “A prática do mal exaure-nos, mina-nos as forças!... A vivência do amor, entretanto, fortalece-nos!... Pena a humanidade ainda desconhecer tal procedimento!...”
Tendo o poder mediúnico da materialização, Isabel de Aragão estava sendo vigiada por Dom Dinis, que sempre fora condescendente com sua prática da caridade, mas, então idoso, proibira-a de sair pelas ruas do reino distribuindo pães e dinheiro, o que Isabel sempre fizera, mesmo porque ela era herdeira de grande fortuna. Desse modo, toda a caridade feita pela rainha tinha por base seus próprios recursos.
Certo dia, pela manhã, quando não era tempo de rosas, Isabel, ao sair em socorro dos pobres, foi surpreendida pelo esposo, que lhe perguntou o que ela levava sobre o manto. Sua resposta foi de que se tratava de rosas, embora todas as suas damas de companhia soubessem que ela levava pães, às ocultas do rei, para distribuição aos pobres do local.
Dom Dinis então pede-lhe: “— Deixe-me vê-las”.
Para espanto do rei e de todos que a acompanhavam, Isabel abre seu manto e dali sai grande quantidade de rosas. Apenas rosas.
Pena que nossa sociedade, em especial, políticos, gestores públicos e privados só tardiamente percebam a atuação inexorável da lei de causa e efeito. E esta materializará, sob o manto da consciência culpada, em vez de rosas, apenas espinhos.






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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas





A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

Parte 8 e final

Concluímos o estudo do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo tenha servido para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
O texto de hoje, como os anteriores, compõe-se de duas partes:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quem é Celfra e que informações transmitiu?
B. Que diz Bozzano sobre a condição dos Espíritos puros?
C. Quais são os doze detalhes fundamentais pertinentes à crise da morte, referidos por Bozzano em suas conclusões?
D. Quantos e quais são os detalhes secundários colhidos por Bozzano nas comunicações transcendentais examinadas?

Texto para leitura

120. Décimo sétimo caso – Vimos, fundados em fatos, que os Espíritos desencarnados entram numa primeira fase de existência espiritual, que constitui uma reprodução espiritualizada do meio e da existência terrestres. Mas trata-se de uma fase transitória, se bem que de muito longa duração. Como será, então, a existência espiritual propriamente dita? Que significa passar ao estado de "puros Espíritos"? (P. 158)
121. Evidentemente, são raríssimas as mensagens transcendentais emanadas de Inteligências espirituais existentes no estado de "puros Espíritos". O que existe são alguns apanhados de revelações provenientes de Inteligências desse porte, como as da personalidade mediúnica "Imperator", que ditou a Stainton Moses os famosos Ensinos Espiritualistas, e as ditadas por "Celfra" a Frederico Haines, na preciosa brochura intitulada: Thus saith Celphra. (PP. 158 e 159)
122. A personalidade mediúnica "Celfra" é, na verdade, o Espírito de um monge da Nicomédia, que viveu no século III da Era cristã. (P. 159)
123. Eis, em resumo, os esclarecimentos ditados pelo Espírito de Celfra: a) existem esferas espirituais de transição, em que os Espíritos guardam a forma humana e se veem num meio análogo ao terrestre; b) o peso do Espírito recém-chegado ao mundo espiritual provém das condições de pecado em que toda gente aí chega; c) enquanto a alma do recém-vindo estiver ligada, de alguma sorte, ao mundo dos vivos, o Espírito não pode deixar de existir numa condição quase terrena; d) após a morte do corpo físico, nas altas esferas espirituais a faculdade de pensar experimenta uma transformação e uma expansão prodigiosas; e) a identidade do Espírito lhe é conferida por um atributo que não podemos ainda conceber. (PP. 159 a 161)
124. Comentando as informações de Celfra, Bozzano menciona outra revelação transcendental dada por uma personalidade mediúnica elevada, publicada em 1918 na revista Light, na qual, dissertando sobre as condições de sua existência espiritual, a entidade diz: "Somos um centro de irradiação que possui a identidade". (P. 162)
125. Concluindo a análise dessas informações, Bozzano assevera: "Segundo o que expusemos, parece que, na condição de puro Espírito, toda entidade se despoja da ‘forma’, tornando-se um ‘centro consciente de irradiação psíquica’, em que ainda existe a identidade, mas sob um aspecto para nós inconcebível e qualificativamente diferente da identidade pessoal terrestre, muito embora toda individualidade pessoal terrestre possa vir a encontrar-se nessa condição muito elevada de existência, porque o ‘o estado radiante do ser abrange o Passado, o Presente e o Futuro’ – como o afirma ‘Celfra’. Em outros termos: Dada uma condição do ser, emancipado da matéria, da forma e da relatividade do espaço, resulta daí que as ‘vibrações psíquicas’, irradiando sem cessar de todo ‘centro espiritual individual’, invadem instantaneamente o Universo inteiro, conferindo a onipresença e a onisciência à fonte consciente e inesgotável, donde elas promanam". (P. 162)
126. Conclusões - O autor reafirma, no final da obra, que ela é o primeiro ensaio analítico destinado a demonstrar o valor intrínseco, positivamente científico, do ramo da Metapsíquica, injustamente desprezado, que estuda o tema das "revelações transcendentais". (P. 163)
127. Para atingir o fim proposto, era-lhe primeiramente indispensável demonstrar que as "revelações transcendentais", longe de se contradizerem mutuamente, concordam entre si e se confirmam umas às outras. Em segundo lugar, era preciso demonstrar que essas concordâncias não podem ser atribuídas nem a coincidências fortuitas, nem a reminiscências subconscientes de conhecimentos adquiridos pelos médiuns. (P. 163)
128. Observados tais critérios, eis, resumidamente, os doze detalhes fundamentais, a cujo respeito se acham de acordo, salvo uma ou outra exceção, os Espíritos comunicantes:
1 - Os Espíritos se encontram novamente, na vida espiritual, com a forma humana.
2 - Todos eles, após a morte, ignoram durante algum tempo que estão mortos.
3 - Eles passam, no curso da crise pré-agônica, ou pouco depois, pela prova da reminiscência dos acontecimentos da existência ora encerrada.
4 - Todos eles são acolhidos no mundo espiritual pelos Espíritos das pessoas de suas famílias ou de seus amigos mortos.
5 - Quase todos passam, após a morte, por uma fase mais ou menos longa de "sono reparador".
6 - Todos se acham num meio espiritual radioso e maravilhoso (no caso de mortos moralmente normais) e num meio tenebroso e opressivo (no caso de mortos moralmente depravados).
7 - Todos reconhecem que o meio espiritual é um novo mundo objetivo, real, análogo ao meio terrestre espiritualizado.
8 - Eles aprendem que isso se deve ao fato de que, no mundo espiritual, o pensamento constitui uma força criadora, por meio da qual o Espírito existente no "plano astral" pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações.
9 - Todos ficam sabendo que a transmissão do pensamento é a forma da linguagem espiritual, embora certos Espíritos recém-chegados se iludam e julguem conversar por meio da palavra.
10 - Eles verificam que, graças à faculdade da visão espiritual, se acham em estado de perceber os objetos de um lado e outro, pelo seu interior e através deles.
11 - Todos eles aprendem que podem transferir-se temporariamente de um lugar para outro, ainda que muito distante, por efeito apenas de um ato da vontade, podendo também passear no meio espiritual ou voejar a alguma distância do solo.
12 - Os Espíritos dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que lhes convém, por virtude da "lei de afinidade". (PP. 164 a 166)
129. Além dos doze detalhes fundamentais acima enumerados, Bozzano relacionou oito detalhes secundários colhidos nas revelações transcendentais examinadas:
1 - Os defuntos dizem que os Espíritos dos mortos a quem nos ligamos em vida intervêm para acolher e guiar os recém-desencarnados, antes que se inicie o "sono reparador".
2 - Os Espíritos, ao observarem seus cadáveres no leito de morte, geralmente falam de um "corpo etéreo" que se condensa acima do "corpo somático", fato que é confirmado pelos videntes.
3 - Eles dizem que, assim como não existem pessoas absolutamente idênticas no mundo dos vivos, o mesmo se dá no mundo espiritual, de modo que as condições verificadas no trespasse não são exatamente as mesmas para todos.
4 - Embora os Espíritos tenham a faculdade de criar mais ou menos bem, pela força do pensamento, o que lhes seja necessário, quando se trata de obras complexas e importantes a tarefa é confiada a grupos de Espíritos que nisso se especializaram.
5 - Quando dominados por paixões humanas, os Espíritos se conservam ligados ao meio onde viveram, por um lapso de tempo mais ou menos longo. Não podendo, assim, gozar do benefício do sono reparador, esses Espíritos persistem na ilusão de se julgarem vivos e tornam-se, muitas vezes, Espíritos "assombradores" ou "perseguidores".
6 - No mundo espiritual, os Espíritos inferiores não podem perceber os que lhes são superiores, devido à diversidade das tonalidades vibratórias de seus "corpos etéreos".
7 - As dilacerantes crises de dor, que frequentemente se produzem junto dos leitos de morte, são penosas para os Espíritos dos defuntos e os impedem de entrar em relação com as pessoas que lhes são caras, retendo-os no meio terrestre.
8 - Os Espíritos afirmam, por fim, que, quando se encontram sós e tomados de perplexidades de toda sorte, percebem uma voz que lhes chega de longe e os aconselha sobre o que fazer: trata-se da voz vinda de Espíritos amigos que, percebendo de modo telepático os seus pensamentos, apressam-se em lhes transmitir conselhos. (PP. 167 a 169)
130. Bozzano lembra, no final da obra, que as concordâncias cumulativas acerca de numerosos detalhes são inexplicáveis por qualquer teoria, exceto por aquela segundo a qual são os próprios Espíritos dos mortos que vêm até nós relatar experiências realmente vivenciadas e, por isso, verídicas. (P. 169)
131. Ele discute, por fim, a hipótese de serem tais concordâncias fruto de "coincidências fortuitas" ou de "reminiscências subconscientes de conhecimentos adquiridos pelos médiuns". (PP. 170 a 172)
132. Refutando ambas as hipóteses, Bozzano lembra que no início do Espiritismo todos os médiuns traziam em si os condicionamentos culturais da Religião dominante, que sempre falou em paraíso, purgatório e inferno, fatores que não aparecem nas descrições das moradas espirituais, mesmo as dos primeiros anos de movimento espírita. (P. 172)
133. O valor teórico inerente à circunstância de serem ditas revelações, desde o ano de 1853, contrárias às opiniões dos próprios médiuns não escapou à mentalidade investigadora do Dr. Gustave Geley, que viu nisso "uma prova a favor da doutrina que as soube verificar e explicar tão completamente". (PP. 173 e 174)
134. O autor lembra finalmente que, ao referir-se a "revelações transcendentais", forçoso é que elas realmente o sejam. Para isso, antes de incluir, numa classificação científica, coleções de revelações dessa espécie, é preciso se lhes examine severamente o conteúdo, submetendo-as ao sistema da análise comparada e da convergência das provas. (P. 174)
135. Conforme ele explicara anteriormente, entre as provas que contribuem para assinalar à mensagem origem estranha ao médium, cumpre se registrem os episódios de identificação pessoal do defunto que se comunica e, sobretudo, os detalhes cuja veracidade se pode comprovar e que, muitas vezes, se encontram intercalados nas descrições da existência espiritual, detalhes que, nesse sentido, assumem excepcional eloquência. (P. 174)
136. Como esses critérios de investigação científica foram aplicados ao material científico que ele examinou, forçoso será convir em que esta obra serve para demonstrar que o valor científico das "revelações transcendentais" não mais deve ser posto em dúvida. (P. 176)

Respostas às questões preliminares

A. Quem é Celfra e que informações transmitiu?
A personalidade mediúnica "Celfra" é, na verdade, o Espírito de um monge da Nicomédia, que viveu no século III da Era cristã. Eis, em resumo, os esclarecimentos ditados por Celfra: a) existem esferas espirituais de transição, em que os Espíritos guardam a forma humana e se veem num meio análogo ao terrestre; b) o peso do Espírito recém-chegado ao mundo espiritual provém das condições de pecado em que toda gente aí chega; c) enquanto a alma do recém-vindo estiver ligada, de alguma sorte, ao mundo dos vivos, o Espírito não pode deixar de existir numa condição quase terrena; d) após a morte do corpo físico, nas altas esferas espirituais a faculdade de pensar experimenta uma transformação e uma expansão prodigiosas; e) a identidade do Espírito lhe é conferida por um atributo que não podemos ainda conceber. (A Crise da Morte, pp. 159 a 161.)
B. Que diz Bozzano sobre a condição dos Espíritos puros?
Bozzano entende que, na condição de puro Espírito, toda entidade se despoja da ‘forma’, tornando-se um ‘centro consciente de irradiação psíquica’, em que ainda existe a identidade, mas sob um aspecto para nós inconcebível e qualificativamente diferente da identidade pessoal terrestre. (Obra citada, pág. 162.)
C. Quais são os doze detalhes fundamentais pertinentes à crise da morte, referidos por Bozzano em suas conclusões?
Eis, resumidamente, os doze detalhes fundamentais, referidos pelo autor do livro: 1 - Os Espíritos se encontram novamente, na vida espiritual, com a forma humana. 2 - Todos eles, após a morte, ignoram durante algum tempo que estão mortos. 3 - Eles passam, no curso da crise pré-agônica, ou pouco depois, pela prova da reminiscência dos acontecimentos da existência ora encerrada. 4 - Todos eles são acolhidos no mundo espiritual pelos Espíritos das pessoas de suas famílias ou de seus amigos mortos. 5 - Quase todos passam, após a morte, por uma fase mais ou menos longa de "sono reparador". 6 - Todos se acham num meio espiritual radioso e maravilhoso (no caso de mortos moralmente normais) e num meio tenebroso e opressivo (no caso de mortos moralmente depravados). 7 - Todos reconhecem que o meio espiritual é um novo mundo objetivo, real, análogo ao meio terrestre espiritualizado. 8 - Eles aprendem que isso se deve ao fato de que, no mundo espiritual, o pensamento constitui uma força criadora, por meio da qual o Espírito existente no "plano astral" pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações. 9 - Todos ficam sabendo que a transmissão do pensamento é a forma da linguagem espiritual, embora certos Espíritos recém-chegados se iludam e julguem conversar por meio da palavra. 10 - Eles verificam que, graças à faculdade da visão espiritual, se acham em estado de perceber os objetos de um lado e outro, pelo seu interior e através deles. 11 - Todos eles aprendem que podem transferir-se temporariamente de um lugar para outro, ainda que muito distante, por efeito apenas de um ato da vontade, podendo também passear no meio espiritual ou voejar a alguma distância do solo. 12 - Os Espíritos dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que lhes convém, por virtude da "lei de afinidade". (Obra citada, pp. 163 a 166.)
D. Quantos e quais são os detalhes secundários colhidos por Bozzano nas comunicações transcendentais examinadas?
Além dos doze detalhes fundamentais acima referidos, Bozzano relacionou oito detalhes secundários colhidos nas revelações transcendentais examinadas, a saber: 1 - Os defuntos dizem que os Espíritos dos mortos a quem nos ligamos em vida intervêm para acolher e guiar os recém-desencarnados, antes que se inicie o "sono reparador". 2 - Os Espíritos, ao observarem seus cadáveres no leito de morte, geralmente falam de um "corpo etéreo" que se condensa acima do "corpo somático", fato que é confirmado pelos videntes. 3 - Eles dizem que, assim como não existem pessoas absolutamente idênticas no mundo dos vivos, o mesmo se dá no mundo espiritual, de modo que as condições verificadas no trespasse não são exatamente as mesmas para todos. 4 - Embora os Espíritos tenham a faculdade de criar mais ou menos bem, pela força do pensamento, o que lhes seja necessário, quando se trata de obras complexas e importantes a tarefa é confiada a grupos de Espíritos que nisso se especializaram. 5 - Quando dominados por paixões humanas, os Espíritos se conservam ligados ao meio onde viveram, por um lapso de tempo mais ou menos longo. Não podendo, assim, gozar do benefício do sono reparador, esses Espíritos persistem na ilusão de se julgarem vivos e tornam-se, muitas vezes, Espíritos "assombradores" ou "perseguidores". 6 - No mundo espiritual, os Espíritos inferiores não podem perceber os que lhes são superiores, devido à diversidade das tonalidades vibratórias de seus "corpos etéreos". 7 - As dilacerantes crises de dor, que frequentemente se produzem junto dos leitos de morte, são penosas para os Espíritos dos defuntos e os impedem de entrar em relação com as pessoas que lhes são caras, retendo-os no meio terrestre. 8 - Os Espíritos afirmam, por fim, que, quando se encontram sós e tomados de perplexidades de toda sorte, percebem uma voz que lhes chega de longe e os aconselha sobre o que fazer: trata-se da voz vinda de Espíritos amigos que, percebendo de modo telepático os seus pensamentos, apressam-se em lhes transmitir conselhos. (Obra citada, pp. 167 a 170.)


Nota:
Links que remetem aos 3 textos anteriores:





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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita



Limite do trabalho e repouso

Este é o módulo 41 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Qual deve ser o limite do trabalho?
2. O repouso faz parte das leis naturais que regem a vida?
3. Que objetivo teve o Decálogo ao estabelecer em seus mandamentos a santificação do sábado?
4. Jesus parecia às vezes não dar valor a essa prescrição do Decálogo. Por que o Mestre agia assim?
5. Na visão do Cristo, como devemos encarar esse mandamento?

Texto para leitura

O trabalho é fator indispensável ao progresso
1. O trabalho é toda ocupação útil e, fazendo parte das leis que regem a vida, é fator indispensável ao progresso das criaturas e da comunidade em que vivemos.
2. Ele se apresenta ao homem como meio de elevação e como expiação de que necessitamos para resgatar os abusos e os erros cometidos no passado. Sem o trabalho, o homem permaneceria na infância primitiva. Dotado por Deus dos inapreciáveis recursos da inteligência, mesmo os indivíduos fracos de forças físicas podem granjear progresso e respeito e adquirir independência econômica, valor social e consideração, além de contribuir poderosamente para o progresso de todos.
3. Do trabalho mecânico, rotineiro, primitivo e simples até à automação verificou-se no mundo um progresso notável que permite ao homem abandonar as tarefas rudimentares, confiadas agora a máquinas e instrumentos que ele mesmo aperfeiçoou, o que lhe concede tempo para a genialidade criativa e a multiplicação das atividades em níveis cada vez mais elevados.
4. Apesar de tudo isso, a lei natural fixou um limite ao trabalho, que é, segundo os ensinamentos espíritas, o limite das nossas forças, fato que deixa claro que, sendo fonte de equilíbrio físico e moral, o trabalho deve ser exercido por tanto tempo quanto nos mantenhamos válidos. É que o avançar da idade debilita o corpo físico e mesmo as faculdades intelectuais, embora a história registre casos de homens em idade avançada que muito contribuíram para o mundo em que vivemos, como Benjamim Franklin, que aos 81 anos colaborou na elaboração da Constituição americana; Miguel Ângelo, que aos 89 anos de idade ainda produzia obras de rara beleza, e marechal Cândido Rondon, que aos 92 anos ainda trabalhava intensamente nas matas do Brasil.

O sábado é tido pelo Decálogo como um dia especial
5. Todo aquele que trabalha tem direito ao repouso, para refazimento de suas forças e manutenção do seu ritmo de produtividade. O repouso nada mais é que um prêmio pelos esforços despendidos, do mesmo modo que o amparo e a assistência devidos ao homem nos dias de sua velhice, quando diminuem suas forças físicas, seu poder criativo e sua agilidade na execução das tarefas.
6. Objetivando o cumprimento do terceiro mandamento do Decálogo (“Lembrai-vos de santificar o dia de sábado”), Moisés recomendou a seu povo a santificação do sábado, não só no sentido restrito do termo, mas num sentido mais amplo, em que era clara sua preocupação em proteger a saúde dos escravos, dos estrangeiros e até mesmo dos animais de serviço.
7. “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro”, prescrevem as ordenações mosaicas constantes do livro de Êxodo, cap. 20, versículos 9 e 10.
8. O sábado era visto, pois, pelo condutor dos hebreus, como um dia especial da semana onde a ninguém era permitida qualquer atividade, motivo principal da implicância que os fariseus tinham para com Jesus, que, conforme narram os evangelistas, parecia não ter dado a esse mandamento nenhuma importância.

O homem não foi feito para o sábado, disse Jesus
9. Se o Mestre afirmara que não viera destruir a lei e os profetas, mas dar-lhes cumprimento, por que, então, agia assim? A resposta é simples. Jesus, em verdade, não revogou nem desprezou quaisquer dos mandamentos que compõem o Decálogo, mas desejava que os homens compreendessem o verdadeiro sentido deles, sem se apegarem, como era comum entre os fariseus, à letra da lei e ao seu formalismo.
10. “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, esclareceu o Senhor, segundo as anotações de Marcos, cap. 3, versículos 1 a 6. Sua instituição representava uma medida útil, porque se destinava a proteger o corpo físico do esgotamento resultante do excesso de trabalho, mas o homem era ainda mais importante.
11. É indispensável que reservemos um dia para o descanso do corpo, após uma semana de trabalho, mas devemos consagrá-lo de modo especial a Deus, santificando-o mais do que os demais dias, com a prática de obras que atestem o nosso amor pelo próximo e por nosso Pai Celestial.
12. Foi com esse propósito que Jesus, em dia de sábado, alimentou, pregou e curou a obsessão que uma mulher trazia “havia dezoito anos” e a mão ressequida de um homem, entre tantos benefícios realizados, mostrando que todo dia é dia para a prática do bem, sem exceção de nenhum deles.

Respostas às questões propostas

1. Qual deve ser o limite do trabalho?
É o limite das nossas forças, fato que deixa claro que, sendo fonte de equilíbrio físico e moral, o trabalho deve ser exercido por tanto tempo quanto nos mantenhamos válidos.
2. O repouso faz parte das leis naturais que regem a vida?
Sim. Todo aquele que trabalha tem direito ao repouso, para refazimento de suas forças e manutenção do seu ritmo de produtividade. O repouso nada mais é que um prêmio pelos esforços despendidos, do mesmo modo que o amparo e a assistência devidos ao homem nos dias de sua velhice, quando diminuem suas forças físicas, seu poder criativo e sua agilidade na execução das tarefas.
3. Que objetivo teve o Decálogo ao estabelecer em seus mandamentos a santificação do sábado?
Além da santificação do sábado, no sentido restrito do termo, há nesse mandamento um sentido mais amplo, em que é clara a preocupação em proteger a saúde dos escravos, dos estrangeiros e até mesmo dos animais de serviço, uma medida inexistente entre os povos mais antigos.
4. Jesus parecia às vezes não dar valor a essa prescrição do Decálogo. Por que o Mestre agia assim?
Jesus, em verdade, não revogou nem desprezou quaisquer dos mandamentos que compõem o Decálogo, mas desejava que os homens compreendessem o verdadeiro sentido deles, sem se apegarem, como era comum entre os fariseus, à letra da lei e ao seu formalismo. “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, esclareceu o Senhor. Sua instituição representava uma medida útil, porque se destinava a proteger o corpo físico do esgotamento resultante do excesso de trabalho, mas o homem era ainda mais importante.
5. Na visão do Cristo, como devemos encarar esse mandamento?
Segundo Jesus, é indispensável que reservemos um dia para o descanso do corpo, após uma semana de trabalho, mas devemos consagrá-lo de modo especial a Deus, santificando-o mais do que os demais dias, com a prática de obras que atestem nosso amor pelo próximo e por nosso Pai Celestial. Foi com esse propósito que ele, em pleno dia de sábado, alimentou, pregou e curou a obsessão que uma mulher trazia “havia dezoito anos” e a mão ressequida de um homem, entre tantos benefícios realizados, mostrando que todo dia é dia para a prática do bem, sem exceção de nenhum deles.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:




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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pílulas gramaticais (270)





Veja o leitor a seguinte construção:
“João lutou muito na vida e alfim conseguiu vencer”.
Algumas pessoas, lendo o texto acima, por certo dirão que existe nele um erro absurdo: não é “alfim”, mas “ao fim”. Então o texto correto seria: “João lutou muito na vida e ao fim conseguiu vencer”.
De fato, modernamente, a segunda construção é mais frequente, mas a primeira está igualmente correta e é abonada por ninguém menos que Camilo Castelo Branco. O escritor Fernando do Ó também a utilizou várias vezes no seu excelente romance Alguém chorou por mim, publicado pela editora da FEB.
A palavra alfim tem duplo significado.
Como advérbio, significa: ao fim, afinal, finalmente, ao cabo.
Exemplo:
“Sobreviveram com instâncias muito afetuosas, e alfim conseguiram removê-lo.” (Camilo Castelo Branco, A Enjeitada, p. 15.)
Alfim pode exercer também a função de substantivo e como tal significa, no jogo de xadrez, a peça que representa o elefante, equivalente ao bispo na forma ocidental moderna do jogo. [Variantes: alfil, alfir, arfil, arfir.]

*

As pessoas, sobretudo o pessoal da imprensa, utilizam de modo equivocado as palavras portenho e carioca.
Carioca, como substantivo, indica o natural ou habitante da cidade do Rio de Janeiro.  Como adjetivo, diz respeito à cidade do Rio de Janeiro, mas não ao Estado do Rio de Janeiro. O campeonato de futebol disputado pelo Flamengo é, portanto, campeonato fluminense e não campeonato carioca, porque envolve clubes de outras cidades do Estado do Rio.
Portenho, como substantivo, indica o natural de Buenos Aires, capital da Argentina. Como adjetivo, diz respeito a Buenos Aires, mas não à República Argentina. Quando nossa seleção joga com a seleção dos hermanos, joga com a seleção argentina e não com a seleção portenha.


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