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domingo, 23 de agosto de 2026

 



Onde e quando se iniciaram as chamadas Semanas Espíritas?


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Esta pergunta foi-nos enviada por uma leitora do Rio de Janeiro (RJ), estado onde nasceram as Semanas Espíritas. Com efeito, foi em 1939, na cidade fluminense de Três Rios, que surgiram as Semanas Espíritas.

Segundo depoimento de Antenor de Souza, testemunha ocular desse acontecimento, a inspiração do evento veio por meio de alguns confrades, como o Assis Faria, o Cerqueira e outros, que resolveram fazer um ciclo de palestras, de domingo a domingo. A informação foi-nos dada pessoalmente por Antenor em resposta a uma pergunta que lhe fizemos.

Respondeu-nos o saudoso confrade, que hoje já não se encontra em nosso meio:

– A primeira Semana Espírita foi realizada em 1939 na cidade de Três Rios (RJ). Vários oradores ali compareceram para as suas pregações; depois Três Rios parou com esse movimento. 

Em 1944, Leopoldo Machado sugeriu que nos reuníssemos e fizéssemos uma espécie de Liga Hanseática, que é, salvo engano, algo parecido com as Nações Unidas de hoje, em que cada um defenderia os interesses dos outros. Leopoldo lançou essa proposta juntamente com a ideia de cada cidade assumir o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. 

Então, passaram a ser seis Semanas Espíritas: Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e Barra do Piraí (RJ), que não conseguiu realizá-la. Por causa disso, Barra do Piraí saiu do circuito e entrou Astolfo Dutra (MG). Havia naquela época companheiros que achavam que realizar mais do que duas Semanas Espíritas por ano era um exagero, um absurdo...

A resposta acima faz parte de uma entrevista publicada em fevereiro de 1993 no jornal O Imortal, reproduzida anos depois na edição nº 11 da revista O Consolador, que o leitor pode acessar clicando aqui:  http://www.oconsolador.com.br/11/entrevista.html

Para quem não sabe, esclarecemos que Antenor de Souza, que viveu na cidade de Cruzeiro (SP), foi uma lenda viva do movimento espírita brasileiro. Não havia então em todo o país um dirigente espírita de expressão que ele não conhecesse pessoalmente. Amigo de Leopoldo Machado, a quem se ligou pelos laços afetivos logo que se viram pela primeira vez, Antenor acompanhou o surgimento das Semanas Espíritas e foi exatamente por isso que o ouvimos na sede da Fundação Espírita Abel Gomes, por ocasião da Semana Espírita realizada em Astolfo Dutra (MG) em julho de 1992.

Segundo Antenor, bem diferentes do modelo atual, as Semanas Espíritas daquela época eram muito mais fraternas. Cada atividade era precedida do hino "Alegria Cristã". Por sugestão e obra de Leopoldo Machado, peças de teatro eram encenadas e, no que constituiu realmente uma ideia original, cada cidade assumiu o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. Assim é que os confrades de Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e mais tarde Astolfo Dutra (MG) começaram a promovê-las, embora não tivessem o apoio da chamada Casa-Máter do Espiritismo, a Federação Espírita Brasileira, cujos dirigentes eram refratários à realização de estudos nos centros espíritas e a todo movimento cultural espírita que não tivesse seu aval. Para eles, as semanas espíritas não mereciam apoio. Qual seria o motivo?

Eis o que Antenor declarou:

– Porque o deles era um Espiritismo conservador, um Espiritismo que não tinha muita fraternidade e que não realizava um trabalho que devia ser realizado, porque, se é fato e digno de nota que não se deve aceitar, a priori, tudo aquilo que aparece com o rótulo de Espiritismo, também não se pode negar tudo.

Curiosamente, foi em julho de 1992 – época da entrevista mencionada – que se iniciaram as Semanas Espíritas de Londrina, evento que, apesar de tantas dificuldades e da falta de apoio de vários centros espíritas da cidade, acabou tornando-se – enquanto foi realizada - a principal iniciativa no campo da divulgação espírita da região a que pertence a cidade de Londrina.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/a-relevancia-da-fe-nas-questoes-de.html

 

 

 

 

 

 

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domingo, 16 de agosto de 2026

 



A relevância da fé nas questões de saúde


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Muitas pessoas, mesmo no meio espírita, têm dificuldade para compreender que a fé do enfermo é, de fato, essencial à eficácia da ação magnética curadora. 

Daí a pergunta: - Se isso é verdade, por que a fé é importante e em que pode ela ajudar em situações como essa?

A informação é, sim, verdadeira. O estado de confiança decorrente da fé não é apenas importante, mas indispensável. 

André Luiz, que fora médico em sua última existência na Terra, refere-se ao assunto no cap. 17 do livro Nos Domínios da Mediunidade, obra psicografada pelo médium Chico Xavier. Diz ele ter observado que, no serviço do passe, alguns enfermos não obtinham a menor melhora e o fato ocorria porque as irradiações magnéticas – emanadas dos médiuns passistas – não lhes penetravam o veículo orgânico.

Consultado, o Assistente Áulus explicou: “Falta-lhes o estado de confiança”. A fé, nesses casos, é indispensável, acrescentou o instrutor. “Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa tensão favorável. Essa tensão decorre da fé.”

Áulus referia-se, evidentemente, à fé não como crença cega, mas como uma atitude de segurança íntima, reverente e submissa diante das Leis Divinas, em cuja sabedoria e amor buscamos amparo. E, concluindo a explicação, arrematou: “Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam em nosso favor, porque o escárnio e a dureza de coração podem ser comparados a espessas camadas de gelo sobre o templo da alma.” (Nos Domínios da Mediunidade, cap. 17, pp. 166 a 168.)

A importância da fé em situações semelhantes é também destacada por Allan Kardec no cap. XV de A Gênese, no qual comenta a cura realizada por Jesus em uma mulher que havia doze anos sofria de uma hemorragia e, sem obter alívio, muito padecera nas mãos dos médicos. Ao tocar nas vestes de Jesus, o fluxo sanguíneo cessou de imediato, e ela sentiu no próprio corpo que estava curada.

Notando, naquele momento, que dele saíra uma virtude, Jesus, voltando-se em meio à multidão, perguntou: “Quem me tocou as vestes?” A mulher, consciente do que acontecera, tomada de medo, lançou-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade. Jesus então lhe disse: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade”.

Observa Kardec que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus: não houve magnetização nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal, que lhe era própria, para produzir a cura. Mas – alguém certamente perguntaria – por que essa irradiação se dirigiu àquela mulher e não às demais pessoas, se Jesus não pensava nela e tinha ao redor de si uma multidão?

Eis a explicação de Kardec: “É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro (a vontade do curador) age como uma bomba calcante e o segundo (a fé do doente) como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos. Razão, pois, tinha Jesus para dizer: Tua fé te salvou”. (A Gênese, cap. XV, itens 10 e 11.) [Negritamos.]

Vemos, assim, que a participação da fé em processos como os descritos é muito mais importante do que poderíamos imaginar. Não é, certamente, sem razão que diversas pesquisas na área da saúde apontam a fé religiosa como fator que pode exercer papel relevante no enfrentamento das enfermidades e na resposta aos tratamentos médicos.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/o-pensamento-e-nosso-cartao-de-visita.html

 

 

 

 

 

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domingo, 9 de agosto de 2026

 



O pensamento é nosso cartão de visita

Com ele, representamos junto aos outros, conforme nossos desejos, a harmonia ou a perturbação, a saúde ou a doença, a intolerância ou o entendimento


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor escreveu-nos:

 

“Gostaria de saber o que é ‘indução magnética’, tão mencionada por Hermínio C. Miranda em suas obras, como funciona e quais são suas finalidades. Se possível, favor indicar bibliografia sobre o tema, que muito me interessa.”

 

Inicialmente, lembremos que induzir significa instigar, incitar, sugerir, persuadir, mover ou levar alguém a determinado comportamento. Uma pessoa pode, portanto, por diferentes meios, induzir outra a seguir este ou aquele caminho.

No livro Diálogo com as Sombras, Hermínio C. Miranda observa que, nos processos obsessivos, são amplamente utilizados os métodos da hipnose e do magnetismo, conhecidos também no mundo espiritual. 

Segundo ele, tanto os Espíritos esclarecidos quanto os que ainda se encontram presos às próprias paixões podem valer-se de técnicas de indução. Para procedimentos mais simples, basta uma indução superficial; nos mais complexos, utilizam-se recursos sofisticados.

André Luiz, em Mecanismos da Mediunidade, explica que, nos atos mais complexos do Espírito, a sintonia entre hipnotizador e hipnotizado depende da identidade de tendências e opiniões, estabelecendo-se entre ambos profunda afinidade moral.

O mesmo autor chama a atenção para a autossugestão e para o papel dos chamados agentes de indução. Uma conversação, uma leitura, a contemplação de um quadro, uma ideia, um espetáculo artístico, uma visita, um conselho ou uma opinião podem atuar como agentes indutivos. Seus efeitos serão tanto maiores quanto mais intensa for nossa fixação mental em torno deles.

Isso ocorre porque, ao fixarmos a atenção em determinada ideia, entramos em sintonia com aqueles, encarnados ou desencarnados, que pensam de modo semelhante. A afinidade mental, portanto, favorece a influência recíproca.

Em Seara dos Médiuns, no texto intitulado “Cartão de visita”, Emmanuel igualmente destaca a importância do pensamento nos fenômenos de sintonia psíquica. Para ele, o pensamento está na base de todos os fenômenos de sintonia na esfera da alma.

O benfeitor espiritual compara a energia mental à luz de uma vela: assim como a chama pode iluminar tanto o caminho de um santuário quanto a trilha de um pântano, a energia mental pode ser utilizada para o bem ou para o mal. Tudo depende da vontade e da direção que lhe imprimimos.

Emmanuel sintetiza o mecanismo em poucas palavras:

“Desejando, sentes.

Sentindo, pensas.

Pensando, realizas.

Realizando, atrais.

Atraindo, refletes.”

E acrescenta que, ao refletirmos aquilo que pensamos, estendemos nossa própria influência, ampliada pelos fatores de indução do grupo com o qual nos afinamos.

Daí a conclusão que dá título ao texto: o pensamento é nosso cartão de visita. Por meio dele, manifestamos aos outros, conforme nossos desejos e tendências, harmonia ou perturbação, saúde ou doença, intolerância ou entendimento, luz ou sombra.

Para aprofundar o assunto, o leitor obterá outros esclarecimentos consultando, na revista O Consolador, os estudos relacionados às seguintes obras:


Mecanismos da Mediunidade, de André Luiz – cap. IV: http://www.oconsolador.com.br/ano7/350/estudandoaserieandreluiz.html

Desobsessão, de André Luiz – cap. 12: http://www.oconsolador.com.br/ano8/400/estudandoaserieandreluiz.html

Mecanismos da Mediunidade, de André Luiz – cap. XVI:

http://www.oconsolador.com.br/ano8/374/estudandoaserieandreluiz.html

Nas Fronteiras da Loucura, de Manoel Philomeno de Miranda – Análise das Obsessões, pp. 10 e 11: http://www.oconsolador.com.br/ano6/276/estudandomanoelphilomeno.html


Para acessar esses estudos basta clicar nos links correspondentes.

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/riqueza-e-pobreza-sao-provas-e.html

 

 

 

 

 

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domingo, 2 de agosto de 2026

 



Riqueza e pobreza são provas e a perfeição é o objetivo

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Uma leitora de São Paulo (SP) pergunta:

 

“Em que sentido a riqueza pode ser uma prova? Qual é a finalidade de uma prova que tantas pessoas na Terra almejam? Basta ver uma casa lotérica nos fins de semana, apinhada de pessoas que sonham com um dos prêmios sorteados pela Caixa Econômica Federal.”

 

À primeira vista, é realmente difícil acreditar que a riqueza, assim como a beleza estonteante, possa constituir uma das provas que enfrentamos durante a experiência reencarnatória.

Esse é, contudo, o ensinamento espírita.

Riqueza e pobreza são provas pelas quais o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo maior: alcançar a perfeição.

Com esse propósito, Deus concede a uns a prova da riqueza e a outros a da pobreza, experimentando-os de maneiras diferentes. Segundo numerosos relatos de autores respeitáveis, essas provas são, muitas vezes, escolhidas pelos próprios Espíritos antes da reencarnação.

Ambas são difíceis. Na pobreza, o Espírito pode ceder à revolta e à blasfêmia contra o Criador; na riqueza, expõe-se ao abuso dos bens que Deus lhe confia, desviando-os, não raro, de sua finalidade.

A pobreza é a prova da paciência e da resignação.

A riqueza é a prova da caridade e da abnegação.

Não esqueçamos que a existência corpórea, por mais longa que seja, é transitória. Com a morte, desaparecem todos os bens materiais de que o homem dispunha na Terra.

Pobres e ricos retornam à vida espiritual em idênticas condições, o que demonstra que tanto a riqueza quanto a pobreza são situações passageiras.

Nenhuma dessas provas, porém, constitui obstáculo à salvação. Se assim fosse, Deus estaria oferecendo a seus filhos um instrumento de perdição, ideia incompatível com a justiça e a sabedoria divinas.

No caso da riqueza, é fácil compreender que, pelas tentações que desperta e pela fascinação que exerce, ela figura entre as provas mais perigosas da existência.

Foi isso que Jesus procurou enfatizar ao afirmar ser mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. 

Referia-se aos perigos e às ilusões que a riqueza pode provocar no homem desprevenido, mas seria equivocado concluir de suas palavras que ao rico esteja vedado o acesso à salvação, isto é, à ascensão espiritual.

Se a riqueza produzisse apenas males, Deus jamais a concederia aos homens. De fato, embora não seja, por si só, instrumento de progresso moral, ela constitui poderoso fator de progresso intelectual e social.

Graças a ela, o homem pode melhorar as condições materiais da sociedade, ampliar a produção de bens e promover o desenvolvimento por meio do estudo, da pesquisa e do trabalho. Eis por que a riqueza é considerada elemento de progresso.

Todavia, se aquele que a possui se torna egoísta, orgulhoso e insaciável, desviando-a de sua finalidade providencial, responderá por seus atos perante a Justiça Divina, enquanto outros terão oportunidade de demonstrar que é possível vencer essa difícil prova.

No capítulo II da Segunda Parte de O Céu e o Inferno, Allan Kardec registra uma expressiva mensagem da condessa Paula, desencarnada aos 36 anos, em 1851:

“Em várias existências passei por provas de trabalho e miséria que voluntariamente havia escolhido para fortalecer e depurar o meu Espírito; dessas provas tive a dita de triunfar, vindo a faltar, no entanto, uma, porventura de todas a mais perigosa: a da fortuna e bem-estar materiais, um bem-estar sem sombras de desgosto. Nessa consistia o perigo. E antes de o tentar, eu quis sentir-me assaz forte para não sucumbir. Deus, tendo em vista as minhas boas intenções, concedeu-me a graça do seu auxílio. Muitos Espíritos há que, seduzidos por aparências, pressurosos escolhem essa prova, mas, fracos para afrontar-lhes os perigos, deixam que as seduções do mundo triunfem da sua inexperiência.”

Em seguida, ela acrescenta:

“Trabalhadores! estou nas vossas fileiras: eu, a dama nobre, ganhei como vós o pão com o suor do meu rosto; saturei-me de privações, sofri reveses e foi isso que me retemperou as forças da alma; do contrário eu teria falido na última prova, o que me teria deixado para trás, na minha carreira. Como eu, também vós tereis a vossa prova da riqueza, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo. E vós outros, ricos, tende sempre em mente que a verdadeira fortuna, a fortuna imorredoura, não existe na Terra; procurai antes saber o preço pelo qual podeis alcançar os benefícios do Todo-Poderoso.” (O Céu e o Inferno, Segunda Parte, cap. II, "A condessa Paula".)

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/07/como-surgiu-expressao-passe-magnetico.html

 

 

 



 

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domingo, 26 de julho de 2026

 



Como surgiu a expressão “passe magnético”?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Esta expressão não é uma criação espírita. O movimento espírita a importou dos estudos e das experiências de Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, que entendia que todo ser vivo é dotado de um fluido magnético capaz de ser transmitido a outra pessoa, estabelecendo-se, em face disso, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos.

Quanto ao vocábulo “passes”, eis seu significado, de acordo com o nosso principal léxico: ato de passar as mãos repetidamente ante os olhos de uma pessoa para magnetizá-la, ou sobre parte doente de uma pessoa para curá-la.

Dos estudos de Mesmer surgiu a expressão “magnetismo animal”.

Allan Kardec, mesmo antes de conhecer o Espiritismo, foi adepto das ideias de Mesmer e profundo conhecedor do Magnetismo, como ele próprio informou em uma de suas obras.

Segundo Kardec, a expressão “magnetismo animal” (do grego e do latim magnes – ímã) surgiu por analogia com magnetismo mineral, embora tal analogia seja apenas aparente. 

Alguns estudiosos a substituíram pelo vocábulo mesmerismo, mas a ideia não prevaleceu.

Em seu livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, publicado no ano de 1858, o codificador do Espiritismo assim definiu magnetismo animal: “Ação recíproca de dois seres vivos por intermédio de um agente especial chamado fluido magnético”.

Por essa mesma época, Kardec formulou aos Espíritos uma questão específica a respeito desse agente especial chamado fluido magnético.

Ei-la:

- De que natureza é o agente que se chama fluido magnético? “Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal.” (O Livro dos Espíritos, questão 427.)

O tempo passou e, exatamente 100 anos depois, ou seja, em 1958, André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, confirmou a informação dada por Kardec e, como sabemos, ampliou-a, esclarecendo que o fluido magnético, transmitido por uma pessoa a outra, atua sobre as células do corpo do paciente, particularmente as sanguíneas e as histiocitárias, determinando-lhes o nível satisfatório, a migração ou a extrema mobilidade, a fabricação de anticorpos ou, ainda, a improvisação de outros recursos combativos e imunológicos, na defesa contra as invasões bacterianas e na redução ou extinção dos processos patogênicos. (Evolução em Dois Mundos, 2ª Parte, cap. XV, pp. 201 a 203.)

Em face disso, não é difícil compreender a ação do chamado passe magnético e entender por que ele, quando benéfico, nos faz tão bem.

Que o leitor não estranhe quando dizemos “benéfico”, porquanto o passe pode ser nulo e até maléfico.

Este último pode ocorrer quando o aplicador do passe se encontra com estado de saúde precário, com o organismo intoxicado por excesso de alimentação ou vícios (como fumo, álcool, drogas), ou quando esteja em estado de desequilíbrio espiritual (revolta, raiva, orgulho etc.) e, nesses casos, o paciente esteja com suas defesas nulas.

 

Nota do Autor:

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domingo, 19 de julho de 2026

 



Os precursores das ideias espíritas

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um amigo pede que falemos sobre os precursores do Espiritismo: quem foram eles, onde viveram e qual foi sua contribuição para o advento da Doutrina Espírita.

Como já mostramos diversas vezes neste espaço, o Espiritismo moderno tem suas origens nos fenômenos ocorridos em uma modesta cabana no povoado de Hydesville, no Condado de Wayne, Estado de Nova York (Estados Unidos), onde vivia a família Fox: John e Margareth Fox e suas filhas, Kate e Margareth.

Os acontecimentos iniciados com o primeiro diálogo mantido pela Sra. Fox com um Espírito, na noite de 31 de março de 1848, despertaram enorme interesse popular e assinalaram o início da moderna fenomenologia espírita. A parte doutrinária surgiria alguns anos depois, em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Muito antes, porém, da família Fox e de Kardec, diversos fenômenos de natureza ainda desconhecida já haviam chamado a atenção da humanidade. Como sabemos, os fenômenos mediúnicos sempre existiram, embora se manifestassem de forma esparsa e isolada, diferentemente do que ocorreria a partir de 1848.

Conforme observou o pesquisador e escritor Arthur Conan Doyle, a diferença entre os fenômenos antigos e os modernos está justamente nesse aspecto: os primeiros eram episódicos e sem continuidade metódica; os segundos apresentavam as características de uma verdadeira "invasão organizada", expressão empregada por ele em História do Espiritismo.

Entre os personagens que prepararam o terreno para o advento da Doutrina Espírita, sem falarmos de Sócrates e Platão, a que Allan Kardec se refere na Introdução, Parte IV, d’ O Evangelho segundo o Espiritismo, três se destacam como seus principais precursores.

O primeiro deles foi o sensitivo Emanuel Swedenborg, engenheiro militar, físico, astrônomo, zoologista, anatomista, financista, político e notável teólogo, dotado de extraordinárias faculdades psíquicas. Nascido em Estocolmo, Suécia, em 29 de janeiro de 1688, faleceu em Londres, Inglaterra, em 1772.

Suas visões tiveram início ainda na infância e o acompanharam por toda a vida. Swedenborg afirmava que o Senhor lhe abrira os olhos espirituais para contemplar conscientemente o mundo invisível e conversar com anjos e Espíritos. Foi o primeiro vidente a registrar em livros descrições detalhadas da vida e dos costumes do plano espiritual, reunidas em diversas obras.

Outro precursor digno de destaque foi Franz Anton Mesmer, médico que redescobriu e difundiu o chamado magnetismo curador. Nascido em 23 de maio de 1734, na Suábia, região da atual Alemanha, faleceu em Meersburg, em 1815.

Em 1775, Mesmer reconheceu o poder terapêutico da imposição das mãos. Acreditava que fluidos curadores circulam pelo organismo humano, concepção que preparou o caminho para os estudos posteriores sobre o hipnotismo, desenvolvidos pelo Marquês de Puységur.

Como é amplamente conhecido, os passes magnéticos desempenham papel relevante nos centros espíritas, especialmente no Brasil, onde são amplamente utilizados e procurados tanto por espíritas quanto por pessoas de outras convicções religiosas.

O terceiro precursor foi o sensitivo Andrew Jackson Davis, nascido em 11 de agosto de 1826, em Blooming Grove, Estado de Nova York, e desencarnado em Boston, em 1910.

Considerado por Arthur Conan Doyle o profeta da Nova Revelação, Davis manifestou desde a infância notáveis faculdades psíquicas. Inicialmente ouvia vozes de Espíritos que lhe transmitiam orientações; mais tarde desenvolveu a clarividência e a clariaudiência. Em 6 de março de 1844, viveu uma experiência extraordinária: sob a ação de uma força irresistível, foi transportado da pequena cidade onde morava até as Montanhas Catskill, situadas a cerca de 40 milhas de sua residência.

Em seu livro Princípios da Natureza, publicado em 1847, Davis predisse o surgimento do Espiritismo. Segundo Conan Doyle, sua atuação foi de grande importância no início da Revelação Espírita, pois preparou o terreno para os acontecimentos que se seguiriam e esteve intimamente ligado aos fenômenos de Hydesville desde o momento em que eles ocorreram.

 

Nota do Autor:

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