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domingo, 27 de setembro de 2026

 



O porquê da mudança de temperamento do jovem ao final da adolescência

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor, surpreso com a mudança de temperamento que se verifica em alguns jovens no final da adolescência, pergunta-nos se o Espiritismo oferece alguma explicação para esse fenômeno.

Sim. O assunto é tratado com clareza em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Questionados sobre o que motiva a mudança que se opera no caráter do indivíduo ao sair da adolescência e se isso significaria uma mudança do Espírito, os instrutores espirituais responderam:

“É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era.” (O Livro dos Espíritos, questão 385.)

Na sequência, explicaram que a infância constitui uma espécie de período de preparação, durante o qual o Espírito se apresenta sob o aspecto da inocência, o que favorece o amor e a proteção dos pais. À medida que o filho cresce e já não necessita dos mesmos cuidados, seu caráter real vai-se revelando.

É por isso que, segundo os Espíritos, “desde que, porém, os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e individual em toda a nudez”. (O Livro dos Espíritos, questão 385.)

A infância tem, entretanto, outra finalidade fundamental. Os Espíritos, ao reencarnarem, vêm ao mundo para se aperfeiçoar, e a delicadeza própria da idade infantil os torna mais acessíveis aos conselhos e à educação. É nesse período que se podem reformar caracteres e corrigir más tendências, tarefa confiada especialmente aos pais.

Em O Consolador, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel retoma o assunto e destaca a importância dos primeiros anos de vida na formação do caráter. Segundo ele, até os sete anos o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação à nova existência, razão pela qual é mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novos rumos.

Por isso, acrescenta Emmanuel, “o lar é tão importante para a edificação do homem”, pois é nele que devem ser lançados os fundamentos da educação moral. Passada a infância, esse trabalho se torna mais difícil, à medida que o Espírito se integra plenamente ao organismo físico e retoma gradualmente as tendências que traz do passado. (O Consolador, questão 109.)

Em resumo, para o Espiritismo, o jovem que chega ao final da adolescência não se tornou outra pessoa. É o mesmo Espírito que reencarnou, embora sob novo nome e nova personalidade social. Se durante a infância e a adolescência conseguiu modificar algumas de suas tendências, isso se refletirá em seu comportamento. Se não houve progresso significativo, antigas inclinações poderão reaparecer com maior nitidez.

Daí a importância decisiva da educação na infância: é justamente nesse período que o Espírito se mostra mais acessível à formação de novos hábitos e à superação de suas imperfeições.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/como-livrar-nos-da-dependencia.html

 

 



 

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domingo, 20 de setembro de 2026

 


Como livrar-nos da dependência alcoólica?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Conforme dissemos no domingo passado, o foco deste texto é o tratamento que tenha por objetivo libertar a pessoa da dependência alcoólica.

Sintetizando os passos recomendados por especialistas e as orientações relacionadas com o tratamento espírita da obsessão, podemos apontar nove medidas que devem ser observadas por quem deseja, no âmbito espírita, superar a dependência:

 

1.    Conscientizar-se de que é alcoólatra e de que deseja tratar-se.

2.    Mudar os hábitos do dia a dia, evitando, desse modo, os ambientes e as companhias com as quais costumava beber.

3.    Abster-se de toda e qualquer bebida alcoólica, consciente de que, não bebendo o primeiro gole, não haverá o segundo.

4.    Buscar apoio em um grupo de natureza semelhante à dos Alcoólicos Anônimos, que proporciona, segundo o conhecido psiquiatra norte-americano George Vaillant, o melhor tratamento que se conhece.

5.    Cultivar a oração e a vigilância contínua, como recursos de apoio à decisão de manter a abstinência.

6.    Utilizar os recursos oferecidos pela fluidoterapia, ou seja, os passes, a água fluidificada e as radiações.

7.    Ler páginas, mensagens e livros de conteúdo elevado, que favoreçam a assimilação de ideias superiores e contribuam para a renovação dos pensamentos.

8.    Dedicar-se à prática do bem, adotando a laborterapia como valioso recurso para a saúde da alma.

9.    Realizar, pelo menos uma vez por semana, o chamado Evangelho no lar, pois a família que lê o Evangelho e ora em conjunto beneficia a si mesma e a todos os que a rodeiam.

 

Sobre o assunto e os malefícios causados pelas bebidas alcoólicas, sugerimos ao leitor que leia, quando puder, o Especial “Alcoolismo e Obsessão”, publicado na edição 38 da revista O Consolador, acessível por meio deste link: http://www.oconsolador.com.br/38/especial.html

Recomendamos também a leitura dos livros “Meu marido é um alcoólatra” e “Alcoolismo, Cura, através da conscientização”, de Damião Borges Marins, publicados pela EVOC – Editora Virtual O Consolador. As duas obras e outras do mesmo autor podem ser baixadas gratuitamente. Para isso, basta acessar a página da editora na internet, clicando neste link: https://www.oconsolador.com.br/editora/ordem_autor.htm

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/como-pode-um-espirito-induzir-alguem.html

 

 

 

 


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domingo, 13 de setembro de 2026

 



Como pode um Espírito induzir alguém a beber?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor do Rio de Janeiro (RJ) pergunta-nos como um Espírito age para induzir alguém a beber e, no que diz respeito ao tratamento do alcoolismo, quais medidas são recomendadas pelos autores espíritas. 

A melhor descrição da ação de um alcoólatra desencarnado sobre uma pessoa que também bebe é-nos apresentada por André Luiz no capítulo VI, págs. 51 a 55, do livro Sexo e Destino, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

Assim relata André Luiz, na obra citada, o caso de Cláudio Nogueira:

– Estando Cláudio sentado na sala de seu apartamento, dois Espíritos penetraram o recinto e abordaram-no. Um deles, aproximando-se, exclamou: "Beber, meu caro, quero beber!" Cláudio, atento à leitura de um jornal, nada ouviu pelos sentidos físicos. Sua mente, porém, estava sintonizada com o Espírito, que repetiu algumas vezes a solicitação, à maneira de um hipnotizador que insufla o próprio desejo.

O resultado não tardou. Cláudio desviou a atenção do jornal e deixou-se envolver pelo desejo de beber um trago de uísque, convencido de que o desejo partia exclusivamente dele. O pensamento de beber ganhou força, enquanto o Espírito, percebendo-lhe a adesão, aproximou-se cada vez mais, até estabelecer-se entre ambos uma espécie de fusão fluídica.

André Luiz descreve o fenômeno como um verdadeiro encaixe: Cláudio e o desencarnado movimentavam-se como se ocupassem um só corpo, dirigindo-se juntos ao frasco de uísque. Não era possível determinar a quem pertencia o impulso inicial: se a Cláudio, que admitia a instigação, ou ao Espírito, que a propunha.

O aspecto mais significativo da narrativa, contudo, está na observação feita posteriormente por André Luiz: Cláudio não era uma vítima inteiramente passiva daquele processo. Continuava livre em seu íntimo; hospedava o outro, aceitava-lhe a direção e entregava-se por deliberação própria. "Apelo e resposta", esclarece o autor. "Eram cordas afinadas no mesmo tom."

Após novo trago, Cláudio retomou tranquilamente a leitura, sem perceber – muito menos imaginar – que alguém, invisível aos seus olhos, bebera com ele.

O relato de André Luiz, portanto, chama a atenção para um ponto fundamental: a influência espiritual não se estabelece de maneira arbitrária. Ela encontra campo favorável na afinidade de pensamentos, desejos e hábitos, dependendo também da aceitação, consciente ou não, daquele que sofre a influência.

Quanto ao tratamento do alcoolismo, dada a extensão e a relevância do assunto, o tema será examinado neste Blog no próximo domingo.

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/quem-foi-daniel-dunglas-home-astolfo-o.html

 

 

 

 

 

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domingo, 6 de setembro de 2026

 



Quem foi Daniel Dunglas Home?


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

A pedido de uma leitora, lembramos neste texto alguns aspectos da vida e das faculdades mediúnicas de Daniel Dunglas Home, considerado, com inteira razão, um dos maiores médiuns de efeitos físicos da história do Espiritismo.

Nascido em Currie, perto de Edimburgo, na Escócia, em 15 de março de 1833, Home desencarnou em junho de 1886, aos 53 anos.

Allan Kardec dedicou-lhe dois longos artigos na Revue Spirite. No primeiro, publicado em fevereiro de 1858, quando Home tinha apenas 24 anos, o Codificador destacou sua origem familiar, seu caráter afável e benevolente e, sobretudo, a extraordinária natureza de suas faculdades.

Segundo Kardec, Home era médium de manifestações ostensivas, embora também pudesse receber comunicações inteligentes. Sob sua influência, ouviam-se ruídos, objetos se movimentavam e se elevavam, instrumentos musicais produziam sons e, em determinadas ocasiões, Espíritos se tornavam visíveis, falavam, escreviam e chegavam a abraçar os presentes. Kardec registrou ainda que Home fora visto, diante de testemunhas, elevar-se sem apoio a vários metros de altura.

O Codificador ressaltou, porém, que tais fenômenos não significavam que Home estivesse ligado apenas a Espíritos inferiores. Ao contrário, suas qualidades morais o tornavam simpático aos Espíritos Superiores, que dele se serviam como instrumento para despertar a atenção das pessoas para a realidade do mundo espiritual. Kardec considerava sua mediunidade uma missão, acompanhada de tribulações e perigos, que ele cumpria com resignação e perseverança, sob a proteção espiritual de sua mãe.

A faculdade mediúnica de Home, ainda segundo Kardec, era inata e se manifestara desde a infância. Aos seis meses, seu berço se movimentava sozinho; mais tarde, seus brinquedos, mesmo fora de seu alcance, aproximavam-se dele. 

Aos três anos teve as primeiras visões. Aos nove, sua família transferiu-se para os Estados Unidos, onde os fenômenos prosseguiram e se intensificaram. 

Sua reputação como médium firmou-se por volta de 1850, quando as manifestações espíritas começavam a ganhar notoriedade naquele país.

Em 1854, Home foi para a Itália em busca de tratamento para a saúde. Em Florença e Roma, suas faculdades causaram grande repercussão. Convertido ao catolicismo em Roma, decidiu interromper suas relações com o mundo espiritual. Durante cerca de um ano, os fenômenos cessaram; depois, conforme lhe havia anunciado o Espírito de sua mãe, retornaram com maior intensidade. Para Kardec, isso confirmava que sua mediunidade fazia parte de uma missão que estava acima de sua própria vontade.

Os fenômenos também ocorriam espontaneamente. Kardec relata, por exemplo, que, certa vez, enquanto Home almoçava na casa de amigos, ouviu-se repentinamente uma série de golpes nas paredes, nos móveis e no teto. Em seguida, uma pesada mesa elevou-se de 20 a 30 centímetros, moveu-se pelo salão e caiu diante de Home e de um amigo, sem que os objetos que estavam sobre ela se desarrumassem. O episódio ocorreu de maneira inesperada, em um círculo íntimo, sem qualquer propósito de demonstração.

Na Revue Spirite de setembro de 1863, Kardec voltou a focalizar o médium.

Outro importante testemunho veio do renomado cientista inglês Sir William Crookes, que também presenciou fenômenos produzidos por Home. Crookes afirmou jamais ter observado nele qualquer atitude que sugerisse fraude. Pelo contrário, destacou seu escrúpulo e sua disposição para que fossem adotadas todas as precauções necessárias durante as sessões. Home chegava a dizer aos participantes que o tratassem como se fosse um prestidigitador disposto a enganá-los, pois quanto mais rigorosos fossem os cuidados, mais evidente se tornaria, em sua opinião, a realidade dos fenômenos.

A respeito de Daniel Dunglas Home, recomendamos ainda a leitura de estudos biográficos e de textos sobre suas relações com Allan Kardec e William Crookes, disponíveis no site da revista O Consolador e em outras fontes espíritas.

Também merece atenção o depoimento do saudoso e estimado orador e médium Divaldo Franco sobre as faculdades mediúnicas e o trabalho realizado por Daniel Dunglas Home, disponível em vídeo na internet. Para acessá-lo clique em https://www.youtube.com/watch?v=osmMIv354_I

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/o-vocabulo-reencarnacao-nao-foi-criado.html

 

 

 

 

 

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domingo, 30 de agosto de 2026

 



O vocábulo reencarnação não foi criado por Kardec

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Mesmo no meio espírita, há quem pense e divulgue que a palavra “reencarnação” foi criada por Allan Kardec, assim como teria ocorrido com os vocábulos perispírito, espírita e Espiritismo.

Tal ideia é, porém, equivocada. A palavra reencarnação já existia quando Kardec iniciou a tarefa de codificação dos ensinamentos espíritas.

É oportuno lembrar que, conforme informa Gabriel Delanne em seu livro A Reencarnação, a doutrina das vidas sucessivas é também denominada palingenesia, termo formado por duas palavras gregas: palin, “de novo”, e genesis, “nascimento”.

A ideia das vidas sucessivas remonta aos albores da civilização e já era professada na Índia. O livro dos Vedas (Bhagavad-Gita) afirma, em conhecida passagem: “Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos”.

Ainda segundo Delanne, foi Pitágoras quem introduziu na Grécia a doutrina das vidas sucessivas, que ele teria aprendido no Egito e na Pérsia. Essa ideia também foi, mais tarde, adotada por Platão, autor da conhecida frase: “Aprender é recordar.”

Entre os séculos XVI e XVIII, surgiram no latim tardio os termos eruditos reincarnatio e reincarnationis, que posteriormente passaram às línguas românicas e ao inglês.

Em francês, o primeiro tornou-se réincarnation. Essa informação pode ser conferida no site Latin Dictionary.

A codificação do Espiritismo, como sabemos, teve início em meados do século XIX, mais precisamente a partir de 1855, quando o professor Rivail entrou em contato com os fenômenos espíritas e passou a estudá-los de forma metódica, trabalho que resultaria na codificação da Doutrina Espírita.

A ideia da reencarnação e o termo que a designava já existiam, portanto, havia muito tempo — muito antes de Kardec iniciar sua missão e, naturalmente, antes mesmo de ele vir ao mundo.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/onde-e-quando-se-iniciaram-as-chamadas.html

 



 

   

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domingo, 23 de agosto de 2026

 



Onde e quando se iniciaram as chamadas Semanas Espíritas?


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Esta pergunta foi-nos enviada por uma leitora do Rio de Janeiro (RJ), estado onde nasceram as Semanas Espíritas. Com efeito, foi em 1939, na cidade fluminense de Três Rios, que surgiram as Semanas Espíritas.

Segundo depoimento de Antenor de Souza, testemunha ocular desse acontecimento, a inspiração do evento veio por meio de alguns confrades, como o Assis Faria, o Cerqueira e outros, que resolveram fazer um ciclo de palestras, de domingo a domingo. A informação foi-nos dada pessoalmente por Antenor em resposta a uma pergunta que lhe fizemos.

Respondeu-nos o saudoso confrade, que hoje já não se encontra em nosso meio:

– A primeira Semana Espírita foi realizada em 1939 na cidade de Três Rios (RJ). Vários oradores ali compareceram para as suas pregações; depois Três Rios parou com esse movimento. 

Em 1944, Leopoldo Machado sugeriu que nos reuníssemos e fizéssemos uma espécie de Liga Hanseática, que é, salvo engano, algo parecido com as Nações Unidas de hoje, em que cada um defenderia os interesses dos outros. Leopoldo lançou essa proposta juntamente com a ideia de cada cidade assumir o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. 

Então, passaram a ser seis Semanas Espíritas: Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e Barra do Piraí (RJ), que não conseguiu realizá-la. Por causa disso, Barra do Piraí saiu do circuito e entrou Astolfo Dutra (MG). Havia naquela época companheiros que achavam que realizar mais do que duas Semanas Espíritas por ano era um exagero, um absurdo...

A resposta acima faz parte de uma entrevista publicada em fevereiro de 1993 no jornal O Imortal, reproduzida anos depois na edição nº 11 da revista O Consolador, que o leitor pode acessar clicando aqui:  http://www.oconsolador.com.br/11/entrevista.html

Para quem não sabe, esclarecemos que Antenor de Souza, que viveu na cidade de Cruzeiro (SP), foi uma lenda viva do movimento espírita brasileiro. Não havia então em todo o país um dirigente espírita de expressão que ele não conhecesse pessoalmente. Amigo de Leopoldo Machado, a quem se ligou pelos laços afetivos logo que se viram pela primeira vez, Antenor acompanhou o surgimento das Semanas Espíritas e foi exatamente por isso que o ouvimos na sede da Fundação Espírita Abel Gomes, por ocasião da Semana Espírita realizada em Astolfo Dutra (MG) em julho de 1992.

Segundo Antenor, bem diferentes do modelo atual, as Semanas Espíritas daquela época eram muito mais fraternas. Cada atividade era precedida do hino "Alegria Cristã". Por sugestão e obra de Leopoldo Machado, peças de teatro eram encenadas e, no que constituiu realmente uma ideia original, cada cidade assumiu o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. Assim é que os confrades de Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e mais tarde Astolfo Dutra (MG) começaram a promovê-las, embora não tivessem o apoio da chamada Casa-Máter do Espiritismo, a Federação Espírita Brasileira, cujos dirigentes eram refratários à realização de estudos nos centros espíritas e a todo movimento cultural espírita que não tivesse seu aval. Para eles, as semanas espíritas não mereciam apoio. Qual seria o motivo?

Eis o que Antenor declarou:

– Porque o deles era um Espiritismo conservador, um Espiritismo que não tinha muita fraternidade e que não realizava um trabalho que devia ser realizado, porque, se é fato e digno de nota que não se deve aceitar, a priori, tudo aquilo que aparece com o rótulo de Espiritismo, também não se pode negar tudo.

Curiosamente, foi em julho de 1992 – época da entrevista mencionada – que se iniciaram as Semanas Espíritas de Londrina, evento que, apesar de tantas dificuldades e da falta de apoio de vários centros espíritas da cidade, acabou tornando-se – enquanto foi realizada - a principal iniciativa no campo da divulgação espírita da região a que pertence a cidade de Londrina.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/a-relevancia-da-fe-nas-questoes-de.html

 

 

 

 

 

 

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