O Espiritismo teve importantes precursores e não apenas Sócrates e Platão
ASTOLFO
O. DE OLIVEIRA FILHO
Um amigo pede
que falemos sobre os precursores do Espiritismo: quem foram eles, onde viveram
e qual foi sua contribuição para o advento da Doutrina Espírita.
Como já mostramos diversas vezes neste espaço, o
Espiritismo moderno tem suas origens nos fenômenos ocorridos em uma modesta
cabana no povoado de Hydesville, no Condado de Wayne, Estado de Nova York
(Estados Unidos), onde vivia a família Fox: John e Margareth Fox e suas filhas,
Kate e Margareth.
Os acontecimentos iniciados com o primeiro diálogo
mantido pela Sra. Fox com um Espírito, na noite de 31 de março de 1848,
despertaram enorme interesse popular e assinalaram o início da moderna
fenomenologia espírita. A parte doutrinária surgiria alguns anos depois, em 18
de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan
Kardec.
Muito antes, porém, da família Fox e de Kardec,
diversos fenômenos de natureza ainda desconhecida já haviam chamado a atenção
da humanidade. Como sabemos, os fenômenos mediúnicos sempre existiram, embora
se manifestassem de forma esparsa e isolada, diferentemente do que ocorreria a
partir de 1848.
Conforme observou o pesquisador e escritor Arthur
Conan Doyle, a diferença entre os fenômenos antigos e os modernos está
justamente nesse aspecto: os primeiros eram episódicos e sem continuidade
metódica; os segundos apresentavam as características de uma verdadeira
"invasão organizada", expressão empregada por ele em História do
Espiritismo.
Entre os personagens que prepararam o terreno para
o advento da Doutrina Espírita, sem falarmos de Sócrates e Platão, a que Allan
Kardec se refere na Introdução, Parte IV, d’ O Evangelho segundo o Espiritismo,
três se destacam como seus principais precursores.
O primeiro deles foi o sensitivo Emanuel
Swedenborg, engenheiro militar, físico, astrônomo, zoologista, anatomista,
financista, político e notável teólogo, dotado de extraordinárias faculdades
psíquicas. Nascido em Estocolmo, Suécia, em 29 de janeiro de 1688, faleceu em
Londres, Inglaterra, em 1772.
Suas visões tiveram início ainda na infância e o
acompanharam por toda a vida. Swedenborg afirmava que o Senhor lhe abrira os
olhos espirituais para contemplar conscientemente o mundo invisível e conversar
com anjos e Espíritos. Foi o primeiro vidente a registrar em livros descrições
detalhadas da vida e dos costumes do plano espiritual, reunidas em diversas
obras.
Outro precursor digno de destaque foi Franz Anton Mesmer,
médico que redescobriu e difundiu o chamado magnetismo curador. Nascido em 23
de maio de 1734, na Suábia, região da atual Alemanha, faleceu em Meersburg, em
1815.
Em 1775, Mesmer reconheceu o poder terapêutico da
imposição das mãos. Acreditava que fluidos curadores circulam pelo organismo
humano, concepção que preparou o caminho para os estudos posteriores sobre o
hipnotismo, desenvolvidos pelo Marquês de Puységur.
Como é amplamente conhecido, os passes magnéticos
desempenham papel relevante nos centros espíritas, especialmente no Brasil,
onde são amplamente utilizados e procurados tanto por espíritas quanto por
pessoas de outras convicções religiosas.
O terceiro precursor foi o sensitivo Andrew Jackson
Davis, nascido em 11 de agosto de 1826, em Blooming Grove, Estado de Nova York,
e desencarnado em Boston, em 1910.
Considerado por Arthur Conan Doyle o profeta da
Nova Revelação, Davis manifestou desde a infância notáveis faculdades
psíquicas. Inicialmente ouvia vozes de Espíritos que lhe transmitiam orientações;
mais tarde desenvolveu a clarividência e a clariaudiência. Em 6 de março de
1844, viveu uma experiência extraordinária: sob a ação de uma força
irresistível, foi transportado da pequena cidade onde morava até as Montanhas
Catskill, situadas a cerca de 40 milhas de sua residência.
Em seu livro Princípios da Natureza,
publicado em 1847, Davis predisse o surgimento do Espiritismo. Segundo Conan
Doyle, sua atuação foi de grande importância no início da Revelação Espírita,
pois preparou o terreno para os acontecimentos que se seguiriam e esteve
intimamente ligado aos fenômenos de Hydesville desde o momento em que eles
ocorreram.
Nota
do Autor:
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