quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

 



Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

9

 

Sugestão

 

Comenta-se o fenômeno da sugestão mental, qual se fora privativo de gabinetes magnéticos específicos, mobilizando-se hipnotizadores e hipnotizados, à conta de taumaturgos.

Grasset, o eminente neurologista da escola de Montpellier, chega a classificar as sugestões em duas categorias: — as intra-hipnóticas, que se efetuam no curso do sono provocado, e as pós-hipnóticas, que se realizam além do despertar. Entretanto, a sugestão é acontecimento de toda hora, na vida de todos os seres, com base na reflexão mental permanente.

Dela se apropriou com mais empenho a magia, que, significando o governo das forças ocultas, tem sido, antes de tudo, o clima de todas as cerimônias religiosas na Terra, cerimônias essas em que se conjugam as forças de poderosas mentes encarnadas e desencarnadas, gerando sucessos que impressionam a mente popular, disciplinando-lhe os impulsos.

Força mental pura e simples, carreando a ideia por imagem viva, a sugestão, como a eletricidade, o explosivo, o vapor e a desintegração atômica, não é boa nem má, dependendo os seus efeitos da aplicação que se lhe confere. Temo-la, assim, não apenas no altar da oração e nos símbolos sagrados do serviço religioso, aconselhando a virtude e o progresso ao coração do povo, mas também nos espetáculos deprimentes dos ritos bárbaros e na demagogia de arrastamento, ressumando o psiquismo inferior que inspira a licenciosidade e a rebelião.

Nossas emoções, pensamentos e atos são elementos dinâmicos de indução.

Todos exteriorizamos a energia mental, configurando as formas sutis com que influenciamos o próximo, e todos somos afetados por essas mesmas formas, nascidas nos cérebros alheios.

Cada atitude de nossa existência polariza forças naqueles que se nos afinam com o modo de ser, impelindo-os à imitação consciente ou inconsciente.

É que o princípio de repercussão nos comanda a atividade em todos os passos da vida.

A escola é um lar de iniciação para as almas que começam as lides do burilamento intelectual, constituindo, simultaneamente, um centro de reflexos condicionados para milhões de Espíritos que reencarnam para readquirir pelo alfabeto o trabalho das próprias conquistas na esfera da inteligência.

Com o auxílio dos múltiplos instrutores que nos guiam da cátedra e da tribuna, pelo livro e pela imprensa, retomamos no mundo a nossa realidade psíquica, determinada pela soma de nossas aquisições emocionais e culturais no passado, com a possibilidade de mais ampla educação da vontade para o devido ajustamento à Vida Superior.

Somos hoje, deste modo, herdeiros positivos dos reflexos de nossas experiências de ontem, com recursos de alterar-lhes a direção para a verdadeira felicidade.

Auxiliando a outrem, sugerimos o auxílio em nosso favor. Suportando com humildade as vicissitudes da senda regenerativa, instilamos paciência e solidariedade, para conosco, em todos aqueles que nos rodeiam.

Ajudando, ajudamo-nos.

Desservindo, desservimo-nos.

Por intermédio da sugestão espontânea, plantamos os reflexos de nossa individualidade, colhendo-lhes os efeitos nas individualidades alheias, como semeamos e obtemos no mundo o cânhamo e o trigo, a cenoura e a batata.

Somos, assim, responsáveis pela nossa ligação com as forças construtivas do bem ou com as forças perturbadoras do mal.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

 



Gratidão a Jesus

 

Jésus Gonçalves (Espírito)

 

Ele vinha ao meu lado em noite escura

Quando minh’alma orava à angústia presa,

Através do Evangelho da beleza,

Libertar-me das trevas da amargura.

 

Sublime de humildade e realeza

Revelava-me a luz formosa e pura,

Que colhemos na carne que depura,

Torturada de dor e de tristeza…

 

Agora, meu Jesus, que a prova é finda,

Deixa, Senhor, que eu te agradeça ainda

O sofrimento, a chaga e a solidão!

 

Recebe no esplendor do eterno dia

O pranto que derramo de alegria

Nas preces pobres do meu coração.

 

 

Do livro Cartas do Coração, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 



 

 


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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 



Falar menos e observar mais

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A paz nasce da gentileza, da simplicidade, da bondade, do amor. Não há registro de ações rudes que pacificaram situações ou conversas insensatas que resultaram em finais felizes. No início, é um trabalho árduo pensar antes de reagir, porém é a mais coerente reação; se toda provocação for devolvida com a mesma dura intensidade, a paz ficará ainda mais distante. Quando alguém fala muito e sem a consciência do que expõe, ou pensa que sabe bem mais do que realmente conhece, tanto melhor deixar a criatura falar sozinha e perder-se na própria ainda imaturidade. Porque é sábio que enquanto a criatura não desejar o seu crescimento, assim não haverá melhoria alguma.

De fato, um dos mais indelicados e inconvenientes contextos é o da pessoa que não permite que outrem exponha a sua ideia, o seu pensamento, ou seja, em sua minúscula redoma ainda deseja controlar e amedrontar outras formas de ver e pensar que não se assemelham com a sua. E continuam com a inoportunidade, naturalmente, tornando-se cada vez mais irrelevantes sem ao menos querer perceber.

Para todos, há muito mais para aprendizagem do que o conteúdo por si só já aprendido. No entanto algumas pessoas sem a mínima sensatez continuam a infeliz conversação e exposição de ideias rasas e limitadas. E novamente lembramos que temos apenas uma boca, dois olhos e dois ouvidos, uma soma métrica da sabedoria.

Ainda outro fator determinante é quando há o monólogo barulhento pode-se comparar com a carroça vazia que faz muito barulho no caminho enquanto a cheia, silenciosamente útil, desempenha com habilidade o seu trabalho , já que tudo fala, pois pensa que sabe tudo. E o tempo passa e a criatura começa a observar que se encontra estagnada, e ao seu lado encontram-se apenas pessoas aprisionadas, por alguma questão, e limitadas.

Então, percebemos que mais vale a paz em nosso coração do que ganhar uma discussão; mais vale a consciência calma do que desequilibradamente impor um pensamento a qualquer criatura que seja. Sempre valerá mais o crescimento interior silencioso do que a estrondosa imposição sem razão de ser.

A sabedoria de observar mais do que falar é tão milenar e rica que devemos sempre trazê-la à memória. E quanto ao outro, nada se pode fazer apenas desejar que se observe e compreenda a sua real condição. Para isso, é necessário querer observar-se e a humildade precisa ser alimentada e fortalecida. É muito gratificante tornar-se mais sensato.

E todos os dias são o tempo para a retomada de uma estrada melhor, com comportamento mais bem delineado na sabedoria e no início de todos os ensinamentos do Mestre Jesus. Não estamos aqui para convencer ninguém, mas estritamente para o nosso aprimoramento.

A observação de que temos mais ouvidos e olhos do que apenas uma boca nos traz a certeza de que a reflexão deve ser maior do que a conversação.

E à medida que nos observamos aprendemos mais, e a paz começa a se intensificar em nosso coração.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 



 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 



Tentações

 

Hilário Silva (Espírito)

 

A conferência no templo espírita versara sobre tentações, compromissos, faltas, culpas…

Antônio Gama, distinto corretor, e a esposa, Dona Cornélia, caminhavam de volta a casa, ao lado de Artur Ramos, companheiro de fé. E Antônio comentava:

— O orador não precisava ser assim exigente. Expôs, por mais de uma hora, como se nós, os da assembleia, fôssemos malfeitores.

— Entretanto, — disse Ramos, — cautela nunca é demais. Todos somos capazes de cair…

— Ah! mas não temos a prece e o conhecimento? — Falou Dona Cornélia. — É impossível que estejamos assim tão atrasados!…

— Não! — Tornou Gama, — não somos tão ruins! Já subimos um degrauzinho…

A chegada ao lar interrompeu a conversação.

Logo, porém, depois de instalados em casa, enquanto Dona Cornélia preparava o chá, o telefone tilintou.

Gama atendeu.

— Quem é? — Perguntou.

E a voz veio macia e familiar:

— Pois você estranha, Antônio? Somos nós…

E ouvindo referência ao nome de certa firma, conhecida por grandes negócios, e com a qual já operara algumas vezes, Gama ajuntou, satisfeito:

— Dê as ordens.

E falaram do outro lado:

— É um negocião. Basta apenas um recibo assinado por você e receberá oitocentos mil cruzeiros…

A voz continuou, explicando que se tratava da venda de vários automóveis para determinada companhia.

Antônio percebeu que se tratava de operação inconfessável, e pediu um momento.

Emocionado, explicou a Dona Cornélia de que se tratava, e, alarmados, conversaram rapidamente. Oitocentos mil cruzeiros!

— Afinal, — concluiu Dona Cornélia, — é um negócio como os outros.

— Sim, — falou o marido, — se eu não aceitar, outros aceitarão.

E piscando os olhos:

— Deve ser o amparo de algum amigo espiritual para que possamos comprar, enfim, o nosso apartamento.

Em seguida, correu ao fone e avisou:

— Aceito.

— Muito bem! — Responderam, — encontrar-nos-emos amanhã, no mesmo lugar.

Gama perguntou então:

— Explique-me. Onde estarei para o entendimento?

O amigo desconhecido mudou o tom de voz e falou, claramente preocupado:

— Mas ouça! Você não está compreendendo? Diga! É você mesmo quem fala?

— Sim, — aclarou Antônio, — sou eu, Antônio Gama, o corretor…

— Ah! — Concluiu o outro com inflexão de profundo desapontamento — desculpe, cavalheiro, houve erro de ligação…

Só então o casal de incipientes na Doutrina reconheceu que ambos haviam fragorosamente caído em perigosa tentação…

 

Do livro Almas em desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 



 

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