quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 




Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

11

 

Berço

 

Excetuando-se os planos organizados para as obras especiais, em que Espíritos missionários senhoreiam as reservas fisiológicas para a criação de reflexos da Vida Superior entre os homens, impelindo-os a maior ascensão, todo berço de agora retrata o ontem que passou.

O caminho que iniciamos em determinada existência é o prolongamento dos caminhos que percorremos naquelas que a precederam.

Esfalfa-se a investigação científica na Terra, estudando o continuísmo biológico.

Núcleos de cromossomas e veículos citoplásmicos, fatores de ambiente e genealogias familiares são chamados pelos geneticistas à equação dos problemas da origem e é natural que de suas indagações surjam resultados notáveis, quais sejam aqueles que tangem aos caracteres morfológicos e às surpresas da adaptação.

O escalpelo da observação humana, porém, não consegue, por agora, ultrapassar o recinto externo da constituição orgânica, detendo-se no exame da conformação e da estatura, da pigmentação e do grupo sanguíneo, alusivos à filiação corpórea, já que os meandros da hereditariedade psíquica são, por enquanto, quase que integralmente inacessíveis à sondagem da inteligência terrestre.

É que as células germinais, por sementes vivas, reproduzem os nossos clichês da consciência no trabalho impalpável da formação de um corpo novo.

Na câmara uterina, o reflexo dominante de nossa individualidade impressiona a chapa fetal ou o conjunto de princípios germinativos que nos forjam os alicerces do novo instrumento físico, selando-nos a destinação para as tarefas que somos chamados a executar no mundo, em certa quota de tempo.

Nisso não vai qualquer exaltação ao determinismo absoluto, porque ninguém pode suprimir o livre-arbítrio, com o qual articulamos as causas de sofrimento ou reparação em nossos destinos, dentro do determinismo relativo em que marchamos para mais altas formas de emoção e pensamento, na conquista da liberdade suprema.

Pelo transe da morte física, regressamos à Vida Maior com a soma de realizações que nem sempre são aquelas que devêramos efetuar. Em muitas circunstâncias, as imagens trazidas da permanência na carne são fantasmas temíveis, nascidos de nossas próprias culpas, exigindo reajuste e pagamento, a modelarem para os nossos sentidos o inferno torturante em que se nos revolvem as queixas e aflições.

Eis, porém, que a Justiça Fiel, por misericórdia, nos concede o retorno para a bênção do reinício. Retomamos, assim, através do berço, o contato direto com os nossos credores e devedores para a liquidação dos débitos que contraímos, cujo balanço efetivo jaz devidamente contabilizado nas Leis Divinas.

É desta maneira que comumente renascemos na Terra, segundo as nossas dívidas ou conforme as nossas necessidades, assimilando para esse fim a essência genética daqueles que se nos afinam com o modo de proceder e de ser.

Os problemas da hereditariedade, em razão disso, descendem, de forma geral, dos reflexos mentais que nos sejam próprios.

Em verdade, por vezes, abnegados corações, cultivando a leira do amor pelo sacrifício, trazem a si corações desditosos, guardando transitoriamente, nos braços, monstruosas aberrações que destoam do elevado nível em que já se instalaram; contudo, devemos semelhantes exceções ao espírito de renúncia com que fazem emergir das regiões infernais velhos laços afetivos, distanciados no tempo, usando o divino atributo da caridade.

De conformidade com a regra, porém, nosso berço no mundo é o reflexo de nossas necessidades, cabendo a cada um de nós, quando na reencarnação, honrá-lo com trabalho digno de restauração, melhoria ou engrandecimento, na certeza de que a ele fomos trazidos ou atraídos, segundo os problemas da regeneração ou da mordomia de que carecemos na recomposição de nosso destino, perante o futuro.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 



Conversando

 

Auta de Souza (Espírito)

 

 

Se procuras a bênção da Alegria,

Desce ao vale do Pranto e da Tristeza,

Onde a dor de milhões clama, indefesa,

Sob o vento da noite imensa e fria…

 

Traze do que te sobre à veste e à mesa,

Socorrendo a miséria que te espia,

E espalharás, nas trevas da Agonia,

Os raios da Esperança e da Beleza.

 

Ajuda e sentirás o Céu no peito,

A derramar-se, em júbilo perfeito,

No teu gesto de amor, envolto em prece.

 

E vencerás, feliz, penas e abrolhos,

Porque terás, na luz dos próprios olhos,

A visão de Jesus, que te agradece.

 

 

Do livro Auta de Souza, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 


 

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 



Caridade com discernimento

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A caridade é o maior ato para a salvação, não há dúvida, porém a caridade com discernimento, pois servir caminhando rumo à própria destruição, de fato, deixa de ser caridade em todo sentido. Há muitas pessoas que desejam ajudar outras, e não percebem que querem doar o que ainda não possuem nem para si. E convenhamos, a doação verdadeira só é possível quando já existe algo a doar.

O limite é um consenso natural para tudo. Devemos agir quando a atitude não nos prejudicar, já que a nossa anulação ou prejuízo nunca serão dádivas caritas. Se ainda não podemos amparar de maneira mais completa, podemos, então, fazer o bem que não se delimita por seu tamanho, mas que já é bondade.

Se não podemos prover muito a outrem, podemos cooperar com uma forma de melhor viver. Há infinitas maneiras para nos harmonizar com o Céu e fortalecer o nosso ser. Gestos mui simples podem curar vidas por meio de ações, palavras, sorrisos, amor, carinho, respeito. O amparo é um ato abençoado que cria condições favoráveis para quem ainda não as possui.

Quando doamos um prato de comida, no entanto estamos à porta de um desmaio por fraqueza, isso já deixou de ser caridade, pois cuidar de alguém, e abandonar-se não há mérito algum. Porém se a comida for dividida para ambas as pessoas, os dois lados encontrarão força para prosseguir. Ainda quando ouvimos lamentos intermináveis sem momentos de recolhimento e recuperação, o desequilíbrio busca morada em nosso ser, e não mais uma só pessoa estará em profundo sofrimento e incessante lamentação.

A caridade com discernimento é saudável e benfeitora, cura, ampara, protege, fortalece, ama. Quem pratica a caridade cega não enxerga o caminho a seguir, segue em desarmonia e debilidade, sofre, desequilibra-se e desgasta-se, inviabiliza boas condições, e ainda passa a necessitar de caridade verdadeira para se resgatar.

A doação deve ser consciente, pois sem esse equilíbrio muito do que poderia ajudar começa a ser problema. A observação do que saudavelmente se pode doar torna-se dádiva na vida, ou melhor, a caridade passa a cumprir o seu verdadeiro trabalho que é o de socorro e amparo.

A caridade com discernimento é a legítima caridade.

 

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 



 

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

 



Aviso oportuno

 

Inácio Bittencourt (Espírito)

 

Meus amigos: Louvado seja o Senhor.

Em minha última romagem no campo físico, mobilizando os poucos préstimos de minha boa vontade, devotei-me ao serviço da cura mediúnica; no entanto, desencarnado agora, observo que a turba de doentes, que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora.

Os gemidos no reino da alma não são diferentes dos gemidos nos domínios da carne.

E dói-me o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência.

É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no espírito.

Sabemos que redenção expressa luta. E que resultados colheremos no combate evolutivo, se os soldados e obreiros das nossas empresas de recuperação jazem desprevenidos e vacilantes, infantilizados e trôpegos?

Nas vastas linhas de nossa fé, precisamos armar-nos de conhecimento e qualidade que nos habilitem para a vitória nas obrigações assumidas. Conhecimento que nasça do estudo edificante e metódico, e qualidade que decorra das atitudes firmes na regeneração de nós mesmos.

Devotamento à lição que ilumine e à atividade que enobreça.

Indubitavelmente, ignoramos por quanto tempo ainda reclamaremos no mundo o concurso da medicina e da farmácia, do bálsamo e do anestésico, da água medicamentosa e do passe magnético, à feição de socorro urgente aos efeitos calamitosos dos grandes males que geramos na vida, cujas causas nem por isso deixarão de ser removidas por nós mesmos, com a cooperação do tempo e da dor.

Mas, porque disponhamos de semelhante alívio, temporário embora, não será lícito olvidar que o presente de serviço é a valiosa oportunidade de nossa edificação.

A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis ligações com os Planos inferiores, estabelecendo, em nosso prejuízo, moléstias e desastres morais, cuja extensão não conseguimos sequer pressentir; e a ausência de estudo acalenta em nossa estrada os processos da ignorância, oferecendo azo às mais audaciosas incursões da fantasia em nosso mundo mental, como sejam: a acomodação com fenômenos de procedência exótica, presididos por rituais incompatíveis com a pureza de nossos princípios, o indevido deslumbramento diante de profecias mirabolantes e a conexão sutil com inteligências desencarnadas menos dignas, que se valem da mediunidade incauta e ociosa entre os homens, para a difusão de notícias e mensagens supostamente respeitáveis, pela urdidura fantasmagórica, e que encerram em si o ridículo finamente trabalhado, com o evidente intuito de achincalhar o ministério da verdade e do bem.

A morte não é milagre e o Espiritismo desceu à Humanidade terrestre com o objetivo de espiritualizar a alma humana.

Evitemos proceder como aquele artífice do apólogo, que pretendia consertar a vara torta buscando aperfeiçoar-lhe a sombra.

Iluminemos o santuário de nossa vida interior e a nossa presença será luz.

Eis a razão por que, em nos comunicando convosco, reportamo-nos aos quadros dolorosos que anotamos aqui, na esfera dos ensinamentos desaproveitados, para destacar o impositivo daquela oração e daquela vigilância, perenemente lembradas a nós todos pela advertência do nosso Divino Mestre, a fim de que estejamos seguros no discernimento e na fé, na fortaleza e na razão, encarando o nosso dever face a face.

 

Do livro Vozes do Grande Além, obra de autoria de Espíritos diversos, recebida psicofonicamente pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

 




Como entender o sofrimento dos nossos animais

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Uma pessoa próxima, por desconhecer os ensinamentos espíritas a respeito do propósito da vida, pergunta-nos como entender a informação dada pelo Espiritismo segundo a qual “os animais sofrem para evoluir, mas não resgatam débitos como os seres humanos, já que não possuem livre-arbítrio”.

Embora já tenhamos abordado o tema em outras ocasiões, vale relembrar alguns pontos essenciais.

No capítulo 19 do livro Ação e Reação, de André Luiz, são identificados três tipos de dor na experiência terrestre: a dor-evolução, a dor-expiação e a dor-auxílio. Apenas a dor-expiação se relaciona a erros cometidos no passado. As demais possuem finalidades educativas e evolutivas.

A dor-evolução, voltada ao aprimoramento do ser, não decorre de faltas pretéritas. É o caso dos animais, tanto os domésticos quanto os que vivem na natureza, sujeitos a enfermidades e a sofrimentos intensos, como ocorre na luta pela sobrevivência.

Referindo-se diretamente a eles, o instrutor espiritual Druso afirma:

“A dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão (...). O animal em sacrifício (...) sofre a dor-evolução, sem a qual não existiria progresso.” (Ação e Reação, cap. 19.)

Em entrevista à Revista Cristã de Espiritismo (edição 29, 2004), o médico veterinário Marcel Benedeti comentou, a propósito da eutanásia:

“O ser humano tem carma, o animal não (...). A eutanásia deve ser o último recurso (...). Se o sofrimento for extremo e não houver alternativa, o plano espiritual não condena, pois é aprendizado para o animal e para o dono.”

Chico Xavier, indagado sobre o porquê das deformidades congênitas em animais, esclareceu em depoimento consignado por Marlene Rossi Severino Nobre no livro Lições de Sabedoria que os animais são “irmãos menores”, em processo de desenvolvimento do princípio inteligente, aperfeiçoando instintos rumo à inteligência e, no futuro distante, ao livre-arbítrio.

E acrescentou que a Lei Divina institui solidariedade entre os seres, cabendo ao homem a responsabilidade de proteção e cuidado. Muitas deformidades e desajustes podem resultar dos maus-tratos e violências impostos pela crueldade humana, que desequilibram o princípio espiritual do animal e exigem reajustes futuros.

Nesse sentido, a angústia, o medo e o ódio que provocamos nos animais lhes alteram o equilíbrio natural de seu princípio espiritual, determinando a necessidade de ajustamento em posteriores existências, a se configurarem por deformidades congênitas. A responsabilidade maior recairá, então, nos desvios de nós mesmos, que não soubemos guiar os animais na senda do amor e do progresso, segundo a vontade de Deus.

Concluímos, pois, que o sofrimento animal não se vincula à expiação moral, mas sobretudo a processos evolutivos e, em certos casos, às consequências das ações humanas exercidas sobre eles.

Esperamos que estas considerações ajudem a compreender melhor as nuanças da questão levantada pela estimada leitora.

 

Nota do Autor:

Para ler nossa última publicação, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/02/de-tres-ordens-sao-as-provas-da.html

 

 

 

 

 

 

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