domingo, 21 de junho de 2026

 



A Terra não é um resort: é uma escola que nos prepara para o porvir 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

O pensamento de que viemos à Terra para passear é um dos grandes equívocos que temos cometido ao longo dos séculos, cujas consequências podem ser devastadoras, fato que muitos só perceberão quando retornarem ao plano de onde viemos para a atual existência.

Todo mundo sabe o que é uma corrente, que é, em verdade, um conjunto de elos rígidos ou semirrígidos interligados. As inúmeras existências corporais que compõem a vida de uma pessoa são como os elos de uma corrente e, portanto,  interligadas, o que faz com que o nosso passado tenha influência sobre o presente – e este sobre nossas existências seguintes.

Se fôssemos educados desde cedo para compreender isso, não nos seria difícil entender por que na Terra há tanta maldade, tanto sofrimento, tantas doenças, guerras, injustiças, desigualdades, desentendimentos, atos de corrupção, criminalidade, preconceitos...

Santo Agostinho (espírito), um dos Espíritos superiores que participaram ativamente da obra de codificação do Espiritismo, examina um desses problemas numa página intitulada “O mal e o remédio”, publicada no cap. V d’ O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita.

Escreveu o iluminado instrutor espiritual:

 

O mal e o remédio

 

Será a Terra um lugar de gozo, um paraíso de delícias?

Já não ressoa mais aos vossos ouvidos a voz do profeta? Não proclamou ele que haveria prantos e ranger de dentes para os que nascessem nesse vale de dores?

Esperai, pois, todos vós que aí viveis, causticantes lágrimas e amargo sofrer e, por mais agudas e profundas sejam as vossas dores, volvei o olhar para o Céu e bendizei do Senhor por ter querido experimentar-vos... Ó homens! dar-se-á não reconheçais o poder do vosso Senhor, senão quando ele vos haja curado as chagas do corpo e coroado de beatitude e ventura os vossos dias? Dar-se-á não reconheçais o seu amor, senão quando vos tenha adornado o corpo de todas as glórias e lhe haja restituído o brilho e a brancura?

Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Tendo chegado ao último grau da abjeção e da miséria, deitado sobre uma estrumeira, disse ele a Deus: “Senhor, conheci todos os deleites da opulência e me reduzistes à mais absoluta miséria; obrigado, obrigado, meu Deus, por haverdes querido experimentar o vosso servo!” (*)

Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Quando, afinal, vossa alma se decidirá a lançar-se para além dos limites de um túmulo? Houvésseis de chorar e sofrer a vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória reservada ao que tenha sofrido a prova com fé, amor e resignação? Buscai consolações para os vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhe a causa no passado. E vós, que mais sofreis, considerai-vos os afortunados da Terra.

Como desencarnados, quando pairáveis no espaço, escolhestes as vossas provas, julgando-vos bastante fortes para as suportar. Por que agora murmurar? Vós, que pedistes a riqueza e a glória, queríeis sustentar luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de corpo e espírito contra o mal moral e físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, tanto mais gloriosa a vitória e que, se triunfásseis, embora devesse o vosso corpo parar numa estrumeira, dele, ao morrer, se desprenderia uma alma de rutilante alvura e purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédio, então, prescrever aos atacados de obsessões cruéis e de cruciantes males? Só um é infalível: a fé, o apelo ao Céu. Se, na maior acerbidade dos vossos sofrimentos, entoardes hinos ao Senhor, o anjo, à vossa cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia ocupareis... A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição.

O Senhor pôs o seu selo em todos os que nele creem. O Cristo vos disse que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e tem a fé por amparo ficará sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das mais fortes dores lhe serão as primeiras notas alegres da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira do corpo que, enquanto se estorcer em convulsões, ela planará nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor.

Ditosos os que sofrem e choram! Alegres estejam suas almas, porque Deus as cumulará de bem-aventuranças. – Santo Agostinho. Paris, 1863. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, item 19.)

 

(*) Referência feita a Jó (ou Job, conforme algumas traduções), cuja vida está registrada em um livro do Antigo Testamento que leva seu nome.

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/debilitar-o-corpo-com-privacoes-inuteis.html

 

 


 

 

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sábado, 20 de junho de 2026


 

Laços de família – porque às vezes são frágeis e nada amistosos


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 


A fonte do presente estudo é O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, do qual destacamos dois tópicos:

1) a parentela corporal e a parentela espiritual;

2) a ingratidão dos filhos e os laços de família.

O primeiro tópico é de autoria do próprio Allan Kardec; o segundo é de autoria do Espírito de Santo Agostinho, um dos instrutores espirituais que participaram da obra de codificação da doutrina espírita.

O artigo que reproduz os tópicos mencionados foi publicado no blog Espiritismo Século XXI em 7 de junho de 2026, texto que o leitor pode acessar clicando aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/lacos-de-familia-porque-as-vezes-sao.html

O VÍDEO exibido logo acima apresenta em poucos minutos um resumo do que a fonte nos diz sobre o tema. O vídeo e o PODCAST pertinentes ao assunto foram produzidos com ajuda da I.A.

 

 

 





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sexta-feira, 19 de junho de 2026


Quando devemos usar estas palavras: malgrado e mau grado?

Antes de explicar, vejamos primeiro os diferentes significados da palavra grado:

1) Adjetivo, derivado do latim granatu (abundante em grãos): bem desenvolvido; graúdo; importante, notável.

Exemplo:

Pessoas gradas estiveram no jantar oferecido pelo Imperador.

2) Substantivo, derivado do latim gradu: unidade de medida de ângulo, igual ao ângulo central de uma circunferência de círculo que subtende um arco de 1/400 de toda a circunferência; passo, andadura.  

3) Substantivo, derivado do latim gratu: vontade. Com este significado, a palavra dá origem às locuções de bom grado (boa vontade) e de mau grado (má vontade).

Exemplos:

O amigo aceitou de bom grado a proposta recebida.

Ele recebeu de mau grado a ordem do chefe.

Saímos de mau grado da cerimônia.

 

*

 

A palavra malgrado pode fazer as vezes de um substantivo ou de uma preposição:

1) Substantivo: desagrado, desprazer, mau grado.

Exemplo:

Tudo foi feito a nosso malgrado.

2) Preposição: apesar, não obstante, a despeito de.

Exemplo:

Malgrado o nosso esforço, não chegamos a tempo.

Neste último caso, como se trata de preposição, a palavra não varia.

Exemplos:

Malgrado as lutas que travamos, nada conseguimos.

Malgrado sua dedicação, não foi aprovado.

Malgrado o esforço da equipe, ela acabou eliminada.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta-feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/na-literatura-em-geral-e-frequente_01857496199.html

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

 



Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

28

 

Enfermidade

 

Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças.

Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do espírito, surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a, por anos a fio, na direção do túmulo.

As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as enfermidades dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela das provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem.

Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.

Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico.

Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa.

O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo.

Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo.

Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.

Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que se fazem acompanhar do suicídio indireto.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

 



Mensagem de irmã

 

Auta de Souza

(autora espiritual)

 

 Enquanto a carne em treva brande a vara

Da amargurosa dor que te alanceia,

Acende, em paz, a lúcida candeia

Da sublime esperança que te ampara.

 

A fé transforma a noite em manhã clara.

Não te canse o deserto... Ara e semeia

E arrancarás da imensidão de areia

A flor da primavera e o pão da seara...

 

Que o grilhão do passado te não prenda.

Faze do amor a rútila oferenda

Do próprio ser ao mundo estranho e escuro!

 

E ave de luz tornando ao pátrio ninho,

Encontrarás, feliz, o áureo caminho

Para a esfera de glórias do Amor Puro!

 

 Do livro Auta de Souza, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 


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terça-feira, 16 de junho de 2026

 




A força da palavra falada

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A observação do que se faz, pensa, fala e sente deveria ser lei para conquistar uma vida mais em paz e feliz. E, principalmente, quanto à conversação, as palavras são usadas sem muita parcimônia, e quando desarmonizam mais do que deveriam, quem as propaga tenta redimi-las com outras palavras ainda que põem tudo a perder de fato. Quando não se reflete antes de falar, até mesmo relações importantes podem enfraquecer-se, pois uma das mais decisivas formas de relacionamento é por meio da palavra. E quando se conhece o seu poder deve-se ter cuidado aumentado em toda conversação.  

Cada palavra possui a sua bagagem e da mesma maneira ela retorna para quem as profere muitas vezes, o orgulho impede essa reflexão. E aquela desculpa que se utiliza falei sem pensar ou falei sem querer, sinceramente, nunca reconfortou o coração de quem a ouviu ou reparou uma situação desconcertante. A melhor opção em todo momento é refletir antes de falar, já que somos seres racionais.

Quando se propõe a renovar-se, a ser alguém mais elaborado em seu progresso, fator indiscutível é a melhora da escolha das palavras, e sempre com o cuidado de que toda palavra é um ser vivo com energia e mensagem específica. Toda palavra proferida bendirá ou não, elevará ou não, curará ou não, amará ou não, e, especialmente, com fé, transporá a montanha e sentirá o Reino que tanto Jesus fala, pois o Céu está em nós agora mesmo, ou não.

Tão mais precioso falar palavras pensadas antes mesmo de pronunciá-las se bem que ao pensar já se libera a sua energia, no entanto sem aspergir tanto ao próximo. E se ainda não é possível a disciplina do pensamento antecipado, o silêncio é a forma mais diligente de conhecimento. Sabedoria é pensar antes de fazer.

Entretanto fazer uso de palavras aparentemente belas, mas com energia invertida, não é nada aconselhável, já que em questão de energia, nunca é possível enganar o Universo criado por Deus. Faz-se necessária a reforma juntamente de palavras mais bem escolhidas. A receita infalível é a das palavras harmoniosas, verdadeiras e claras em todo tempo e lugar.

E à medida que compreendemos e sentimos interiormente como a vida se desenvolve e que tudo o que falamos nos retorna antes de tudo, especialmente, sobre nós e que somos o grande tesouro criado pelo Pai, então, é chegado o tempo de proferir palavras verdadeiras, positivas e agradecidas, porque quando utilizamos a expressão Eu sou, esta ganha vida.

Deus nos criou com a capacidade de infinitas realizações e Jesus afirmou que sois deuses, logo, depende de nós buscá-la e usufruir.



Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


 



 

 

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