domingo, 6 de setembro de 2026

 



Quem foi Daniel Dunglas Home?


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

A pedido de uma leitora, lembramos neste texto alguns aspectos da vida e das faculdades mediúnicas de Daniel Dunglas Home, considerado, com inteira razão, um dos maiores médiuns de efeitos físicos da história do Espiritismo.

Nascido em Currie, perto de Edimburgo, na Escócia, em 15 de março de 1833, Home desencarnou em junho de 1886, aos 53 anos.

Allan Kardec dedicou-lhe dois longos artigos na Revue Spirite. No primeiro, publicado em fevereiro de 1858, quando Home tinha apenas 24 anos, o Codificador destacou sua origem familiar, seu caráter afável e benevolente e, sobretudo, a extraordinária natureza de suas faculdades.

Segundo Kardec, Home era médium de manifestações ostensivas, embora também pudesse receber comunicações inteligentes. Sob sua influência, ouviam-se ruídos, objetos se movimentavam e se elevavam, instrumentos musicais produziam sons e, em determinadas ocasiões, Espíritos se tornavam visíveis, falavam, escreviam e chegavam a abraçar os presentes. Kardec registrou ainda que Home fora visto, diante de testemunhas, elevar-se sem apoio a vários metros de altura.

O Codificador ressaltou, porém, que tais fenômenos não significavam que Home estivesse ligado apenas a Espíritos inferiores. Ao contrário, suas qualidades morais o tornavam simpático aos Espíritos Superiores, que dele se serviam como instrumento para despertar a atenção das pessoas para a realidade do mundo espiritual. Kardec considerava sua mediunidade uma missão, acompanhada de tribulações e perigos, que ele cumpria com resignação e perseverança, sob a proteção espiritual de sua mãe.

A faculdade mediúnica de Home, ainda segundo Kardec, era inata e se manifestara desde a infância. Aos seis meses, seu berço se movimentava sozinho; mais tarde, seus brinquedos, mesmo fora de seu alcance, aproximavam-se dele. 

Aos três anos teve as primeiras visões. Aos nove, sua família transferiu-se para os Estados Unidos, onde os fenômenos prosseguiram e se intensificaram. 

Sua reputação como médium firmou-se por volta de 1850, quando as manifestações espíritas começavam a ganhar notoriedade naquele país.

Em 1854, Home foi para a Itália em busca de tratamento para a saúde. Em Florença e Roma, suas faculdades causaram grande repercussão. Convertido ao catolicismo em Roma, decidiu interromper suas relações com o mundo espiritual. Durante cerca de um ano, os fenômenos cessaram; depois, conforme lhe havia anunciado o Espírito de sua mãe, retornaram com maior intensidade. Para Kardec, isso confirmava que sua mediunidade fazia parte de uma missão que estava acima de sua própria vontade.

Os fenômenos também ocorriam espontaneamente. Kardec relata, por exemplo, que, certa vez, enquanto Home almoçava na casa de amigos, ouviu-se repentinamente uma série de golpes nas paredes, nos móveis e no teto. Em seguida, uma pesada mesa elevou-se de 20 a 30 centímetros, moveu-se pelo salão e caiu diante de Home e de um amigo, sem que os objetos que estavam sobre ela se desarrumassem. O episódio ocorreu de maneira inesperada, em um círculo íntimo, sem qualquer propósito de demonstração.

Na Revue Spirite de setembro de 1863, Kardec voltou a focalizar o médium.

Outro importante testemunho veio do renomado cientista inglês Sir William Crookes, que também presenciou fenômenos produzidos por Home. Crookes afirmou jamais ter observado nele qualquer atitude que sugerisse fraude. Pelo contrário, destacou seu escrúpulo e sua disposição para que fossem adotadas todas as precauções necessárias durante as sessões. Home chegava a dizer aos participantes que o tratassem como se fosse um prestidigitador disposto a enganá-los, pois quanto mais rigorosos fossem os cuidados, mais evidente se tornaria, em sua opinião, a realidade dos fenômenos.

A respeito de Daniel Dunglas Home, recomendamos ainda a leitura de estudos biográficos e de textos sobre suas relações com Allan Kardec e William Crookes, disponíveis no site da revista O Consolador e em outras fontes espíritas.

Também merece atenção o depoimento do saudoso e estimado orador e médium Divaldo Franco sobre as faculdades mediúnicas e o trabalho realizado por Daniel Dunglas Home, disponível em vídeo na internet. Para acessá-lo clique em https://www.youtube.com/watch?v=osmMIv354_I

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/o-vocabulo-reencarnacao-nao-foi-criado.html

 

 

 

 

 

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sábado, 5 de setembro de 2026

 




O acaso não existe; a vida é causal, não casual

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

O que rege nossas existências, ensina o Espiritismo, não é o acaso, mas o livre-arbítrio — uma conquista do ser humano que se amplia à medida que a alma evolui. 

Ele se exerce tanto na erraticidade, isto é, no plano espiritual, enquanto aguardamos uma nova existência corpórea, quanto durante a reencarnação. 

Allan Kardec esclarece o assunto de forma particularmente lúcida no item 872 de O Livro dos Espíritos.

No Especial da edição 122, de 30 de agosto de 2009, da revista O Consolador, Angélica Reis examina o tema e esclarece por que o chamado acaso — assim como a sorte e o azar — não existe. Para acessar o artigo clique em https://www.oconsolador.com.br/ano3/122/especial.html

O vídeo que abre este texto apresenta, em poucos minutos, um resumo das ideias desenvolvidas no artigo. Tanto o vídeo quanto o podcast sobre o tema foram produzidos com o auxílio da inteligência artificial.

 

 

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 



Com a forma verbal seja há duas expressões parecidas que, no entanto, apresentam um pormenor interessante: uma  ou seja  mantém sempre a forma; é, pois, invariável. A outra  qual seja  é variável.

Eis como elas se apresentam na conversação:

Ou seja – invariável, esta expressão é utilizada em construções como as citadas abaixo:

 Aproveitei a liquidação e comprei vários presentes, ou seja, camisas, calças e blusas.

 Encontrei na cidade natal vários parentes, ou seja, irmãos, primos e tios que julgava mortos.

– A criança pediu de presente inúmeros brinquedos, ou seja, uma bola, duas petecas e um carrinho de rolimã.

Qual seja – variável, esta expressão é usada em construções como estas:

 A empresa procura dois novos especialistas, quais sejam um contador e um analista de programação.

 Na feira encontrei frutas inúmeras, quais sejam manga, pera, maçã e até pitanga.

 O festival selecionou três músicas, quais sejam Disparada, A Banda e Ponteio.

 

*

 

Expressões que designam o mundo britânico:

Grã-Bretanha: é formada por 3 países: Inglaterra, Escócia e País de Gales.

Reino Unido: é formado por 4 países – os três acima e mais a Irlanda do Norte.

Ilhas Britânicas: são formadas por 5 países – os que compõem o Reino Unido e mais a República da Irlanda.

 

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta–feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/o-verbo-assumir-do-latim-assumere.html

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 



Paz de espírito

 

Emmanuel
(autor espiritual)

Temos hoje, em toda parte da Terra, um problema essencial a resolver, a aquisição da paz de espírito, em que se desenvolvem todas as raízes da solução dos demais problemas que sitiam a alma.

Que diretrizes, porém, adotar na obtenção de semelhante conquista?

Usar a força, impor condições, armar circunstâncias?

Não desconhecemos, no entanto, que a tensão apenas consegue impedir o fluxo das energias criadoras que dimanam das áreas ocultas do espírito, agravando conflitos e mascarando as realidades profundas de nossa vida íntima, habitualmente imanifestas.

A paz de espírito, ao contrário, exclui a precipitação e a inquietude, para deter-se e consolidar-se na serenidade e no entendimento.

Para adquiri-la, por isso mesmo, urge entregar as nossas síndromes de ansiedade e de angústia à providência invisível que nos apoia.

As ciências psicológicas da atualidade nomeiam esse recurso como sendo "o poder criativo e atuante do inconsciente", mas, simplificando conceitos, a fim de adaptá-los ao clima de nossa fé, chamamos-lhe "o poder onisciente de Deus em nós".

Render-nos aos desígnios de Deus, e confiar a Deus as questões que nos surjam intrincadas no cotidiano, é a norma exata da tranquilidade suscetível de garantir-nos equilíbrio no mundo interno para o rendimento ideal da vida.

Colocar à conta de Deus a parte obscura de nossa caminhada evolutiva, mas sem desprezar a parte do dever que nos compete.

Trabalhar e esperar, realizando o melhor que pudermos.

Fé e serviço, calma sem ócio.

Pensemos nisso e alijemos o fardo dos agentes destrutivos de ódio, ressentimento, culpa, condenação, crítica ou amargura que costumamos arrastar no barro da hostilidade com que tratamos a vida, tanta vez arruinando tempo e saúde, oportunidade e interesses.

Fundamentemos a nossa paz de espírito numa conclusão clara e simples: "Deus que nos tem sustentado, até agora, nos sustentará também de agora em diante."

Em suma, recordemos o texto evangélico que nos adverte sensatamente: "Se Deus é por nós, quem poderia ser contra!"

 

Do livro Alma e Coração, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 


 

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 



Dever e reencarnação

 

 

Cornélio Pires

(autor espiritual)


João vai nascer... Mas nas culpas,

Que lhe amargam na lembrança,

Roga um problema nervoso

Que lhe guarde a temperança.

 

Prejudicou tanta gente

O construtor João Teixeira...

Vive agora noutro corpo

Servindo numa pedreira.

 

Liberando-se da intriga,

Temendo queda outra vez,

Téo espera regressar

Na provação da surdez.

 

Quem despreza a lei do bem

Não foge ao próprio dever,

Torna apenas mais difícil

O que se tem a fazer.

 

Renasceu Téo que vivia

De tomar a terra alheia...

Tem agora o ganha-pão,

Suando a pá de areia.

 

Leonel, vendendo tecidos,

Morreu de tanta ambição...

Encontrei-o reencarnado

Na lavoura de algodão.

 

 

Do livro Coisas deste Mundo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 




 

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