quarta-feira, 1 de julho de 2026

 



Toques do coração

 

Anísio de Abreu

(autor espiritual)


Vida – um palco!... O berço, a infância,

Sonho, amor, dor, desengano,

Luta, velhice, distância

E a morte que cerra o pano...

 

Guarda silêncio, não fales

Das amarguras que tens;

Há muitos bens que são males,

Muitos males que são bens.

 

 Liberdade?!... A vida ensina

Que a pedra mais incomum,

Sem martelo ou disciplina,

Não serve em lugar algum.

 

O homem é um pensamento,

Entre abismos e apogeus,

Que só descansa, a contento,

No pensamento de Deus.

 

 Olhei-me, depois da morte...

Vi meus conflitos sem fim!...

Oh! Senhor, dá-me outro corpo,

Quero esconder-me de mim...

 

 

Do livro Trovas do Outro Mundo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

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terça-feira, 30 de junho de 2026

 



Um sopro para continuar

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

E por mais que o momento atual pareça limitado e difícil, também é passageiro. Nos tempos árduos, a luz está mais próxima ainda, nós é que não conseguimos observá-la afundados na própria criação mental , e tanto sofrimento criamos incessantemente, ora por medo, pai legítimo da ansiedade; ora por impaciência; por falta de bondade. No entanto Deus completude, perfeição e amor quer sempre ver os filhos progredindo e felizes e, incansavelmente, envia recursos inimagináveis para o auxílio dos filhos amados.

E o céu nos abençoa todos os dias com seu azul dourado, nublado de água, noturno, matutino e vespertino. E nós, criaturas benditas, somente devemos continuar com um pouco de agradecimento e empenho, pois ainda não temos condição de reconhecer todos os milagres de um dia, imagine de uma existência, quem dera, então, da eternidade.

Se pensarmos na grandeza universal mas quase nada entendemos até agora , e acolhermos que somos parte da vida eterna, que nosso corpo, inteligente e maravilhoso, fornece a condição exata para o aprimoramento espiritual, que estamos no local e no meio indicados para o nosso progresso e que tudo, embora, às vezes, difícil ainda, está perfeitamente alinhado com o propósito divino, de fato, sorriremos com agradecimento por sermos também criaturas abençoadas e amadas.

E se o Pai tanto confia em nós, pois somos os Seus filhos, então, resta-nos a valorização de tudo o que está em nós quanto tudo o que existe fora, todas as maravilhas, as emoções abençoadas, as ocasiões repletas de luz, o ar, a água, o amparo, o abraço, a renovação, o alimento, as flores, os animais, o recomeço, o perdão, o nascimento e a partida (para o reencontro), a presença amiga daqui e de lá, o socorro, a oração, o bálsamo físico e o espiritual, as estrelas, as montanhas em busca do céu, a natureza (exímia professora), e o mais magnífico: a existência da eternidade, pois além de seu próprio esplendor, poderemos reencontrar amores verdadeiros.

Somos a nossa melhor versão até aqui e, infinitamente, podemos melhorar até nos tornarmos espíritos mais iluminados, cujo importante objetivo é o amparo dos irmãos menores, assim como estamos hoje, e a colaboração benéfica para o Universo. E cada vez mais o nosso coração presenciará o sentimento real que o Mestre nos fala e tanto nos falou. Então, começaremos a viver o sentido da vida.

E se por hoje ainda está difícil, acalmemos o coração, pois já somos centelhas divinas e apenas por isso basta o agradecimento eterno. Há algo ainda a reconhecermos: somos fadados à perfeição e ao amor puro, pois Deus em Sua incomparável grandeza sempre realiza o melhor a todas as suas criaturas.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


 


 

 

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

 



Anotação fraterna

 

F. Purita
(autor espiritual)

 

Nós, os espíritas desencarnados, via de regra estamos perante a Vida Superior como alunos envergonhados, que se despediram da escola com baixa média de aproveitamento, apesar da excelência do curso preparatório, colocado na Terra à nossa disposição.

Conhecemos, mais que os profitentes de outros credos, a paternidade de Deus, a orientação de Jesus e a bênção do Evangelho, com livre interpretação pessoal.

Permanecemos convencidos, quanto à lei de causa e efeito que estudamos de perto, nas consciências exoneradas do vaso físico; sabemos que a vida continua com todo o império do raciocínio e da emoção, além do túmulo; e somos aquinhoados por todo um tesouro de revelações do mundo suprafísico, capaz de transformar-nos, entre os homens, em verdadeiros apóstolos do bem.

Contudo, a morte, — que é sempre o examinador exato da vida, — encontra-nos em condição deficitária.

Proclamamo-nos detentores de uma doutrina com tríplice aspecto, totalizando a Ciência, a Filosofia e a Religião; no entanto, dela fazemos uma ciência discutidora, uma filosofia de dúvidas e uma religião de hábitos cristalizados.

Gritamos que “fora da caridade não há salvação”, mas a nossa caridade, comumente, é aquela do supérfluo ao necessitado, assim como a do viajante enfastiado em navio superfarto, que atira pão ao peixe faminto.

Asseveramos que Jesus é o nosso Divino Mestre e Supervisor de nossas atividades, todavia entregamo-nos, bastas vezes, ao intercâmbio de fascinação, dominados pela fome doentia de reconforto individual, ouvindo oráculos subservientes e enganosos e desertando sistematicamente da luta que nos é necessária à renovação.

E em muitas ocasiões bradamos, ociosos e ingratos:

— Não quero reencarnar.

— Não tornarei à Terra.

Entretanto, descerrado o véu que nos encobre a realidade, encontramo-nos estupefatos diante do tempo que despendemos em vão, dos recursos terrestres que consumimos debalde, das maravilhas da vida a nos desafiarem o esforço e da situação desagradável da alma, nas Esferas inferiores, nas quais somos compelidos a estágio longo, como resultante de nossa rebeldia e indiferença.

Não falamos aqui como quem repreende. Somos ainda um simples companheiro que volta, necessitado de mais luz. Isso, porém, não impede que a nossa palavra se converta em anotação fraterna, para compreendermos que a função essencial de nossos princípios é aquela da reconstrução do Espírito, para que se nos eleve a senda do destino.

Sem Espiritismo no campo íntimo, para que a nossa recuperação se faça tão completa quanto possível, na obra do Senhor, nossas convicções e predicações podem valer para os outros, que se inclinem a aproveitá-las, mas não para nós mesmos que nos situaremos voluntariamente distantes do trabalho a realizar.

É por esse motivo que a reencarnação quase que imediata, para todos nós, trânsfugas dos deveres maiores, é impositivo urgente e recomendável, de vez que, se ainda não nos liberamos do purgatório da afetividade mal conduzida e se ainda não abraçamos a lavoura do bem por amor ao bem, a volta ao educandário da carne é a maior concessão que a Divina Providência pode facultar-nos à sede de progresso.

Todos os companheiros, candidatos a mais ampla incursão no campo da verdade e do estudo, depois da morte física, devem aproveitar o tempo da encarnação como período valioso de aprendizado, adotando a disciplina como norma indispensável à construção que pretendem levar a efeito.

Em suma, os espíritas receberam, na atualidade da Terra, o quinhão máximo de talentos do Céu. E para que possam assimilar em definitivo a herança do Céu é necessário se disponham a viver no esforço máximo. Isso equivale a dizer cultura constante do cérebro e cultura infatigável do coração.

 

Do livro Vozes do Grande Além, mensagem recebida psicofonicamente pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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