sábado, 23 de fevereiro de 2019




Diferença entre ser e dizer

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos antes de julgar os outros. (Kardec, A. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 15, item. 3.)

Tenho um primo mineiro que é espírita de berço. Fundou e dirigiu  centro espírita, casou-se, adotou quatro filhas e escreveu cinco livros. Seu nome é Jair Ribeiro de Oliveira. Sua mãe chamava-se Auta, mas era tão baixa que mal chegava a metro e meio de altura. Era, como outros irmãos seus, espírita-cristã. Quando eu era jovem, passei uns dias em sua casa, em Juiz de Fora, MG, e pude constatar pessoalmente a bondade de tia Auta e suas duas filhas, Gessy e Conceição, que, como seus dois irmãos, Jair e Altair, seguiram a crença materna e paterna. Todos dedicados à obra da caridade material e espiritual.
Jair aposentou-se do Banco do Estado de Minas Gerais há algumas décadas. Sua vida, além do zelo com a família, acrescida atualmente de dois bisnetos, é dedicada ao estudo e divulgação do Espiritismo. O mesmo acontecia com sua esposa, excelente médium, já falecida. Ao lado de sua casa, Jair montou uma biblioteca espírita e ali passa agradáveis horas de estudo. Atualmente, está com 89 anos, mas vai, quase todo dia, ao Grupo Espírita Luz Divina, em Contagem, MG, no qual já exerceu diversos cargos: diretor, passista, evangelizador, expositor e, ainda hoje, editor do jornal da instituição: Pirilampo. Em Belo Horizonte, fundou o Centro Espírita Paz e Amor.
O primeiro caso que narra em sua obra intitulada Crer ou não crer é o do famoso orador religioso que arrancava lágrimas na plateia, com suas brilhantes palestras. Certo dia em que preparava o sermão sobre a importância do amor, tema que desenvolveria no domingo seguinte, tocaram a campainha de sua casa. Ao atender, deparou-se com um mendigo, que lhe pediu comida. Em resposta, disse ao pobre homem que se encontrava só em sua casa e não sabia se havia ali sobra de comida. O pedinte insistiu e, nervoso, o religioso bateu a porta em sua cara.
No lindo domingo de céu azulado, o templo regurgitava de gente para ouvir a palestra do religioso, que fez emocionante sermão. Tão logo ele concluiu sua pregação, porém, ouviu-se uma voz troar no final do salão:
“— Gente, não acredite nesse homem. Ele é um enganador. Estive em sua residência pedindo comida e ele, com esse amor mentiroso, além de não me socorrer, bateu a porta na minha cara sem nenhum sentimento de caridade” (OLIVEIRA, J. R. Crer ou não crer. Contagem, MG: Itapuã, 2003).
Jair conclui que é perigoso receitar a outrem o que, para nós, não passa de teoria brilhante. Por isso, é importante refletir no ensinamento desta mensagem que recebi pelo WhatsApp: “É mais fácil ensinar do que educar. Para ensinar, você precisa saber, mas para educar você precisa ser”.
Há muita gente, no meio religioso, como esse pregador. Entusiasma com a beleza da mensagem, mas não se esforça em praticá-la... exceto quanto à recomendação a outrem.








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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019




O Fenômeno Espírita

Gabriel Delanne

Parte 11

Damos sequência ao estudo do clássico O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne, conforme o texto da 4ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, com base em tradução de Francisco Raymundo Ewerton Quadros. O estudo será aqui apresentado em 12 partes.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que motivos podem impedir que um Espírito por nós evocado responda ao nosso apelo?
B. Devemos examinar com rigor as comunicações recebidas dos Espíritos?
C. De acordo com o entendimento de Delanne, que Espíritos deveríamos evocar?
D. Após mencionar os nomes de alguns expoentes da escola materialista do século 19, que conselho lhes deu Delanne?

Texto para leitura

163. A perseverança e a paciência são fundamentais ao êxito do trabalho, sendo de notar que os mais poderosos médiuns podem ficar por muito tempo sem emitir a indispensável força psíquica, sem a qual nada se produz. Crookes diz que a mediunidade de Daniel D. Home era sujeita a suspensões que duravam mais ou menos tempo. (P. 203)
164. Acontece também que os Espíritos evocados nem sempre podem responder ao apelo que lhes é feito, e isso por muitas razões, como as suas ocupações ou mesmo a falta de vontade de se manifestarem. (P. 203)
165. Outra razão é que muitos deles desconhecem seu estado na Erraticidade e experimentam sensações às vezes muito vivas, sem poder explicá-las. Uns não se acreditam mortos e vivem ao nosso lado, admirando-se de que não se responda às suas perguntas. Outros acham-se em obscuridade profunda e buscam, em vão, conhecer o lugar em que se encontram. Erram então em silêncio e no seio de trevas espessas, que nenhum ruído, nenhuma claridade pode romper. (PP. 203 e 204)
166. Um escolho contra o qual se deve estar prevenido consiste no fato de se dar exagerada importância às comunicações dos Espíritos e em se acreditar cegamente em tudo o que eles contam. (P. 204)
167. O mundo espiritual é como o nosso: nele há inteligências em todos os graus de adiantamento. Os Espíritos nada mais são que os homens que viveram na Terra; a morte não lhes determinou outra mudança que não fosse a de criar-lhes condições físicas diferentes, mas sua ciência ou sua moralidade em nada ficaram aumentadas. (P. 205)
168. Existem, pois, entre os Espíritos seres ignorantes, sistemáticos, religiosos e ateus. Mais do que nunca a palavra de Buffon é aplicável: é bem aí que o estilo é o homem. Não podendo vê-los, temos de julgá-los por seus discursos, cumprindo-nos rejeitar as comunicações frívolas, tolas e insípidas, vindas de Espíritos pouco elevados. (P. 205)
169. Uma das causas do descrédito do Espiritismo, em certos Centros, é o fato de muitas vezes as comunicações espíritas serem assinadas por nomes pomposos. É preciso reagir fortemente contra essa facilidade de crer em assinaturas. Por isso, não devemos evocar senão Espíritos que conhecemos, com os quais estivemos em relação, porque o Espírito de alguém conhecido é tão interessante quanto o de Confúcio, e talvez ainda mais. (P. 206)
170. Não se pode avaliar a alegria de alguém que pode conversar com um ser amado que volta do além-túmulo. Com que satisfação uma mãe verá o seu filho! Com que prazer se verá a esposa bem-amada que se foi! Em vez de arrebicadas páginas de filosofia, dar-se-ão, então, diálogos comoventes, ternos, de dois seres que se amam, que se reveem e que conversam, graças à mediunidade! (PP. 206 e 207)
171. Evoquemos, pois, os nossos afeiçoados, aqueles cuja vida nos foi familiar, cujas circunstâncias nos são conhecidas, e peçamo-lhes detalhes da sua nova situação, de sua existência, de suas ocupações, instruindo-nos acerca do mundo espiritual para o qual teremos de ir. Verificaremos, assim, que o Espiritismo é uma grande verdade, uma imensa consolação e que ele se baseia na mais alta e interessante ciência: a do ser humano em todas as suas manifestações anímicas, tanto na Terra quanto no Espaço. (P. 207)
172. O movimento científico que caracteriza o século 19, diz Delanne, é o da investigação positiva. Longe de quererem, como outrora, firmar hipóteses admitidas a priori e fazer que os fenômenos da natureza concordem com suas ideias preconcebidas, os sábios buscaram, no estudo meticuloso dos fatos, sua norma de conduta e chegaram aos maravilhosos resultados que temos verificado. (P. 209)
173. Se quiserem, contudo, aplicar o positivismo às realidades espirituais, os sábios esbarrarão em dificuldades invencíveis. Eis os exemplos: a escola alemã, com Büchner e Moleschott, declara que as velhas concepções de Deus e da alma já estão fora do seu tempo e que a Ciência reduziu a nada essas crenças. Moleschott aplicou-se, até mesmo, a demonstrar que a ideia é produto direto de um trabalho molecular do cérebro e Karl Vogt não teme dizer que o cérebro segrega o pensamento, mais ou menos como a urina é segregada pelos rins. Haeckel dissera o mesmo em sua época. (PP. 209 e 210)
174. Nós, espíritas, dizemos, porém, aos positivistas: “Somos vossos discípulos; adotamos o vosso método e só aceitamos como reais as verdades demonstradas pela análise, pelos sentidos, pela observação”. Mas, longe de nos conduzirem aos resultados a que chegastes, esses instrumentos de investigação fizeram-nos descobrir um novo modo de vida e esclareceram-nos sobre os pontos controversos. As grandes vozes dos Crookes, dos Wallace, dos Zöllner proclamam que, do exame positivo dos fenômenos espíritas, resulta claramente a convicção de que a alma é imortal e que não só ela não morre, como pode manifestar-se aos homens, por meio de leis ainda pouco conhecidas que regem a matéria imponderável. (P. 210)
175. Não lhes diremos, lembra Delanne: É preciso fé para compreender a nossa revelação, mas, ao contrário: Vinde instruir-vos, fazei experiências, buscai compreender os fenômenos e chegareis às mesmas conclusões. (P. 210)

Respostas às questões preliminares

A. Que motivos podem impedir que um Espírito por nós evocado responda ao nosso apelo?
Há casos em que os Espíritos evocados não podem responder ao apelo que lhes é feito, e isso por muitas razões, como, por exemplo, suas ocupações ou mesmo a falta de vontade de se manifestarem. Outra razão é que muitos deles desconhecem seu estado na Erraticidade e experimentam sensações às vezes muito vivas, sem poder explicá-las. Uns não se acreditam mortos e vivem ao nosso lado, admirando-se de que não se responda às suas perguntas. Outros acham-se em obscuridade profunda e buscam, em vão, conhecer o lugar em que se encontram. (O Fenômeno Espírita, págs. 203 e 204.)
B. Devemos examinar com rigor as comunicações recebidas dos Espíritos?
Sim. Um escolho contra o qual se deve estar prevenido consiste no fato de se dar exagerada importância às comunicações dos Espíritos e em se acreditar cegamente em tudo o que eles contam, visto que o mundo espiritual é como o nosso: nele há inteligências em todos os graus de adiantamento. Os Espíritos nada mais são que os homens que viveram na Terra; a morte não lhes determinou outra mudança que não fosse a de criar-lhes condições físicas diferentes, mas sua ciência ou sua moralidade em nada ficaram aumentadas. Não podendo vê-los, temos de julgá-los por seus discursos, cumprindo-nos rejeitar as comunicações frívolas, tolas e insípidas, vindas de Espíritos pouco elevados. (Obra citada, págs. 204 e 205.)
C. De acordo com o entendimento de Delanne, que Espíritos deveríamos evocar?
Deveríamos evocar Espíritos que conhecemos, com os quais estivemos em relação, porque o Espírito de alguém conhecido é tão interessante quanto o de Confúcio, e talvez ainda mais. Não se pode avaliar a alegria de alguém que pode conversar com um ser amado que volta do além-túmulo. Com que satisfação uma mãe verá seu filho! Com que prazer se verá a esposa bem-amada que se foi! Em vez de arrebicadas páginas de filosofia, dar-se-ão, então, diálogos comoventes, ternos, de dois seres que se amam, que se reveem e que conversam, graças à mediunidade! Evoquemos, pois, os nossos afeiçoados, aqueles cuja vida nos foi familiar, cujas circunstâncias nos são conhecidas, e peçamo-lhes detalhes da sua nova situação, de sua existência, de suas ocupações, instruindo-nos acerca do mundo espiritual para o qual teremos de ir. (Obra citada, págs. 206 e 207.)
D. Após mencionar os nomes de alguns expoentes da escola materialista do século 19, que conselho lhes deu Delanne?
O conselho foi direto e objetivo: “Vinde instruir-vos, fazei experiências, buscai compreender os fenômenos e chegareis às mesmas conclusões.” (Obra citada, págs. 209 e 210.)


Observação:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019




A obsessão infantil e os ovoides

Este é o módulo 120 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Como as instituições espíritas podem auxiliar uma criança obsidiada?
2. Que orientações devemos dar aos pais de crianças envolvidas em processos obsessivos?
3. Que se entende, na terminologia espírita, por corpo ovoide?
4. Em que casos pode o corpo espiritual retrair-se e assumir a forma ovoide?
5. Que é preciso para que o corpo ovoide retorne à sua condição normal?

Texto para leitura

A criança obsidiada precisa ser tratada com muito carinho e atenção
1. Tal como se dá com outras enfermidades que afetam as crianças, um quadro obsessivo que as atinja desperta em todos nós um sentimento profundo de comiseração e o ímpeto de aliviá-la e protegê-la. A criança obsidiada apresenta-se inquieta, irritada, com problema de comportamento impossível de ser explicado pela Psicologia. 
2. Em verdade, as crianças acometidas pela obsessão quase sempre se encarnaram aprisionadas pelas reminiscências de existências passadas ou por lembranças dos tormentos que sofreram ou fizeram sofrer na erraticidade. A nova existência atenua bastante seus sofrimentos, constituindo oportunidade de refazimento para o Espírito, que poderá então exercitar a paciência, a resignação e a humildade.
3. As instituições espíritas podem prestar valioso auxílio às crianças obsidiadas por meio do passe e da água fluidificada, mas é imprescindível que elas sejam tratadas com muito carinho e atenção, visto que se, para as crianças em geral, carinho e atenção constituem necessidades psicológicas básicas, aquelas que padecem obsessão, justamente por estarem combalidas pelo sofrimento, têm maior necessidade de serem amadas. 
4. É fundamental, em tais casos, a orientação espírita aos pais para que entendam melhor as dificuldades próprias da situação e adquiram melhores condições de ajudar o filho e a si próprios, pois muito provavelmente são cúmplices ou desafetos do passado, agora reunidos em provação redentora.
5. Os pais devem ser orientados no sentido de fazerem o culto do Evangelho no lar, a fim de beneficiarem o ambiente doméstico com recursos advindos da espiritualidade superior. As aulas de evangelização ministradas nos Centros Espíritas podem também proporcionar à criança esclarecimentos e o conforto necessário à superação das dificuldades que enfrenta. 

O monoideísmo auto-hipnotizante pode levar o perispírito à forma ovoide
6. Várias consequências podem advir do desequilíbrio espiritual e das ideias de vingança. Uma delas, e das mais lamentáveis, é a retração do corpo espiritual num corpo ovoide, fato que pode ocorrer nos seguintes casos:
a) Espíritos desencarnados em profundo desequilíbrio, com ideia fixa em desejos de vingança ou em apegos doentios. Esses Espíritos envolvem ou influenciam aqueles que são objeto de sua perseguição ou atenção e auto-hipnotizam-se com suas próprias ideias, que se repetem indefinidamente. É o que chamamos de monoideísmo auto-hipnotizante. Em face da ocorrência, o corpo espiritual se retrai, assemelhando-se eles a ovoides imantados às suas vítimas, que, em geral, aceitam-lhes a influenciação, em face de serem portadores de sentimentos de culpa, remorso ou ódio, fatores predisponentes do fenômeno obsessivo. 
b) Grandes criminosos. Ao desencarnar, esses Espíritos poderão ver-se atormentados pela visão repetida e constante dos próprios erros, em alucinações que os tornam dementados. O pensamento vicioso pode resultar no monoideísmo auto-hipnotizante e, como no caso anterior, o corpo espiritual se retrai, tomando a forma ovoide.
c) Espíritos de selvagens. O homem selvagem, quando retorna ao plano espiritual, após a morte do corpo físico, sente-se muitas vezes atemorizado diante do desconhecido. Habituado a uma vida primitiva, só tem condições de pensar em termos da vida tribal a que se habituou e, por isso, refugia-se na choça que lhe serviu de moradia terrestre, anseia por voltar ao convívio dos seus e alimenta-se das vibrações dos que lhe são afins. Nessas condições, estabelece-se o monoideísmo, isto é, a ideia fixa. O pensamento que lhe flui da mente permanece em circuito fechado, continuamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante.
7. Não existindo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, tal como ocorre aos órgãos do corpo físico quando paralisados. Aos poucos, esses órgãos transubstanciam-se quais implementos potenciais de um germe vivo entre as paredes de um ovo. Diz-se, então, que o desencarnado perdeu seu corpo espiritual, transformando-se num corpo ovoide, que guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto no plano espiritual, quando no terrestre, como a semente que traz em si a árvore do futuro.

A reencarnação é que permite aos ovoides retornar à condição normal
8. Entende-se, portanto, por ovoide a atrofia ou retração do corpo espiritual provocada pelo pensamento fixo-depressivo, em circuito fechado, no qual o Espírito desencarnado abstrai-se de tudo o mais para deter-se exclusivamente em um desejo ou em uma ideia de natureza inferiorizante. 
9. Os obsessores utilizam-se desses ovoides para intensificar o cerco às suas vítimas, imantando-os a elas. Instala-se então o chamado parasitismo espiritual, por meio do qual o obsidiado passa a viver o clima criado pelos obsessores, agravado pelas ondas mentais altamente perturbadoras dos ovoides, fato esse que constitui uma subjugação gravíssima que pode lesar o cérebro ou outros órgãos que estejam sendo visados. 
10. Somente por meio da reencarnação, juntamente com a nova forma carnal, é que o corpo espiritual em forma ovoide poderá retornar à sua condição normal, servindo a reencarnação como uma espécie de cirurgia reparadora, tal como se dá nos casos de lesões cerebrais decorrentes de atos suicidas.

Respostas às questões propostas

1. Como as instituições espíritas podem auxiliar uma criança obsidiada?
As instituições espíritas podem prestar valioso auxílio às crianças obsidiadas por meio do passe e da água fluidificada, mas é imprescindível que elas sejam tratadas com muito carinho e atenção.
2. Que orientações devemos dar aos pais de crianças envolvidas em processos obsessivos?
Os pais devem ser orientados no sentido de fazerem o culto do Evangelho no lar, a fim de beneficiarem o ambiente doméstico com recursos advindos da espiritualidade superior. As aulas de evangelização ministradas nos Centros Espíritas podem também proporcionar à criança esclarecimentos e o conforto necessário à superação das dificuldades que enfrenta. 
3. Que se entende, na terminologia espírita, por corpo ovoide?
Entende-se por ovoide a atrofia ou retração do corpo espiritual provocada pelo pensamento fixo-depressivo, em circuito fechado, no qual o Espírito desencarnado abstrai-se de tudo o mais para deter-se exclusivamente em um desejo ou em uma ideia de natureza inferiorizante. 
4. Em que casos pode o corpo espiritual retrair-se e assumir a forma ovoide?
Esse fato pode ocorrer principalmente nos casos de Espíritos desencarnados em profundo desequilíbrio, com ideia fixa em desejos de vingança ou em apegos doentios, dos Espíritos que foram na Crosta grandes criminosos e dos Espíritos de selvagens, que podem, às vezes, ficar atemorizados com sua situação post mortem.
5. Que é preciso para que o corpo ovoide retorne à sua condição normal?
O corpo espiritual em forma ovoide somente poderá retornar à sua condição normal por meio da reencarnação, que funciona, assim, como uma espécie de cirurgia reparadora, tal como se dá nos casos de lesões cerebrais decorrentes de atos suicidas.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 371 a 378.
Libertação, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, cap. VII.
Nos Bastidores da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografado por Divaldo P. Franco, p. 30.
Obsessão/Desobsessão, de Suely Caldas Schubert, pp. 65, 66, 82 e 83.

Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019




Perigo iminente

Hilário Silva

Basílio chegara ao rancho, ao pôr do Sol. Comeu calmamente o guisado de palmito que Emerenciana lhe dera a jantar. Saboreou, em seguida, a pamonha bem-feita, e se dispôs a sair.
A esposa viajara na véspera, em visita a parentes. O calor abafava.
– Meren – disse à doce vovó que arranjava a cozinha –, deixe a casa aberta. Vou até ao curral, mas já volto.
E, passo lesto, chegou ao cercado, onde a vacaria procurava descanso, mastigando o repasto. Acariciou o bezerro da Lilinda, que nascera robusto, e melhorou a cama de palha. Dirigiu-se, depois, ao moinho e renovou a provisão de milho para o fubá.
Ar parado. A Lua apareceu inteirinha.
Basílio visitou, não longe, a casa de Jorge, companheiro do arado, e ambos, felizes da vida, se dirigiram ao mandiocal, espantando os tatus.
Dez da noite quando voltou. Emerenciana premia a máquina com o pé e costurava, fitando o pano com atenção pelos óculos fortes.
– Boa noite, vó – disse ele, depois de cerrar as janelas.
– Durma com Deus, meu filho.
Basílio beijou-lhe a mão encarquilhada e lhe enviou um sorriso bom.
No quarto, ouviu por alguns instantes as cigarras cantarem, perto, como se quisessem esquecer o vigor da canícula. Não tinha sono. Contudo, no outro dia, bem cedo, o milharal novo esperava por ele, acima do barrocão.
Sentia falta da esposa. Ainda assim, como na noite anterior, leria, a sós, o "momento espiritual".
Acendeu o candeeiro e sentou-se renteando a cama toda branquinha.
Orou por alguns instantes e, logo após, tomou "O Evangelho segundo o Espiritismo" e abriu ao acaso. Surgiu-lhe aos olhos, no capítulo vinte e oito, dedicado à oração, o item 34: "Num perigo iminente”. Tratava-se de uma prece para ocasião importante.
"Como é isso? Já orei..." - pensou. E, fechando as páginas, descerrou-as de novo. Queria material para refletir. Entretanto, o livro ofereceu-lhe a mesma passagem. Por quê?
Intrigado, voltou à consulta. O volume, porém, como se mantido por mãos invisíveis, deu-lhe a mesma resposta.
Basílio fez-se grave. Não poderia ser coincidência. Algum benfeitor espiritual, que os seus olhos de carne não conseguiam ver, certamente o prevenia.
Recordou um amigo que desencarnara, semanas antes, de um colapso cardíaco. Em rápidos segundos, considerou que a vida é patrimônio de Deus, que Deus a dá e retoma, quando lhe apraz. Agradeceu à Divina Bondade o benefício da consciência tranquila e, baixando o olhar para a folha, repetiu, solenemente: "Deus Todo-Poderoso e tu, meu anjo guardião, socorrei-me! Se tenho de sucumbir, que a Vontade de Deus se cumpra. Se devo ser salvo, que o restante da minha vida repare o mal que eu haja feito e do qual me arrependo".
Depondo o Evangelho sobre a colcha do leito, ergueu-se, pensativo, e abriu novamente a janela, buscando a visão do céu. Debruçou-se para a noite.
Estaria, acaso, em momento crucial, que ele mesmo desconhecia? Nisso, porém, ouve leve cicio à retaguarda. Na luz frouxa do candeeiro projeta-se um vulto.
– Quem é? – grita ele, aprontando a defensiva.
Volta-se inquieto e estaca, lívido. Acordada de chofre ao impacto do livro, colocado na cama, enorme cascavel emergira dos lençóis e, a fitá-lo, ameaçadora, preparava-se para desferir-lhe o golpe certeiro...

Do livro A Vida Escreve, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.





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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019




Os jardins de Londres

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Mansinha, a primavera se aprontava para mais uma vez lançar o seu brilho de vida.
Que estação adorável! Traços simetricamente perfeitos, cores inimagináveis, mais ainda, suas combinações.
Os parques e jardins do mundo, a seu tempo, são compostos e energizados por essas lindas e puras “ladies”.
E caminhando por um parque londrino, verificava, encantada, a formosura das flores. Eram arredondadas, profundas, ovaladas ou nem tanto, aveludadas, com textura de cetim, com delicadeza e perfeição.
Cada flor era um completo universo. Sentei-me, com cuidado, num banco no parque e observava o tapete natural colorido, harmonizado, e parei para ouvir a vida.
Veio uma linda borboleta azul-turquesa e me olhou... ah, já foi.
Veja o besourinho, ele caminha por onde lhe é mais seguro, desvia dos obstáculos, demora um pouquinho, porém sempre chega.
Quer saber de uma coisa, deitei-me no gramado que não se pode copiar. Coloquei as mãos abertas sob a cabeça. Quero ver o céu azul na primavera.
Olhei o infinito, azulado, com brilho de ouro... então vi Deus. Puramente porque o Pai é energia onipotente e onipresente. E naquele parque, em Londres, essa energia também estava. Em todos os lugares, células e ares, a criação divina é a maior certeza de ser.
Pode estar num parque da Europa ou num da América do Sul, num da Ásia, da África ou em qualquer outro parque, a riqueza plena pulsará na atmosfera do mundo. Pode ser tangível ou da outra dimensão, o bem-estar contagiará a alma, o espírito.
E ainda admirando a beleza das flores, observei o fim da tarde e o anúncio do Big Ben. Eram 6 da tarde no parque de Londres.
Tão feliz senti-me, começo a querer viver mais a vida, a valorizá-la a partir da compreensão de que o tempo não me pertence. E tampouco me espera. Tudo o que tenho cabe no meu presente. Sempre.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/




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