quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 



Defesa e reencarnação

 

Cornélio Pires

(autor espiritual)


Tintina fez tantas lutas,

Tantos delitos no lar...

Agora quer novo corpo

Que não possa procriar.

 

Xandoca morreu de ódio

De Maricota do esteio.

Hoje Xandoca é a filhinha

Que ela amamenta ao seio.

 

Empeços, enfermidades,

Obstáculos, no fundo,

São recursos de defesa

Que nos amparam no mundo.

 

Eis a história de Tintina:

Aborto e criança morta.

Hoje ela quer renascer,

Toda gente fecha a porta.

 

Faleceu Nico, no prato,

Comia até a loucura...

Noutro corpo sofre agora

Azia que não tem cura.

 

Tonico viveu na farra,

Bebendo pinga aos canecos,

Hoje é homem renascido

De fígado em pandarecos.

 

Tião pisou Josefina,

Faleceu zombando dela...

Hoje, é um menino enjeitado

Que Josefina tutela.

 

Do livro Coisas deste mundo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 




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terça-feira, 6 de outubro de 2026

 



Maior observação da grandeza da vida

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A vida é mais amorosa do que se pode imaginar.

E nossas lamentações insistem num volume mais elevado do que tudo de abençoado ao nosso redor, mas a vida é insondavelmente superior e não brada tentando nos intimidar, apenas está presente por todos os lados; e o que é verdadeiro e bom não necessita atemorizar nenhuma criatura para definir o seu valor.

Novamente é o nosso interior que deve se aperfeiçoar e, principalmente, diluir o pensamento preconceituoso, irredutível, limitado, egoísta e irresponsável que persiste em permanecer, ou seja, que continuamos a alimentá-lo. É tão surpreendente que o nosso estado interno é que determinará o gênero de relacionamento e como passaremos o nosso dia. Se nos encontramos mais amorosos e pacientes, mesmo que algo surja contrário a isso, tudo fluirá com mais amor e paciência; caso nos encontramos mais impacientes e amargurados, também tudo fluirá com mais amargura e impaciência. Não existe mistério, pois se o Planeta é energético, então atrairemos toda energia singular que pensamos, sentimos e agimos. Simples!

Ouvimos muitas lamentações, mas a mesma criatura dificilmente reconhece que ela própria é quem atrai para si conforme a sua energia. O nosso condicionamento limitado nos impede de querer ver o horizonte promissor e possível, e continuamos olhando apenas para o chão. Talvez o comodismo também colabore com a demora de nosso progresso. E enquanto não observamos e mudamos o nosso comportamento, os acontecimentos desfavoráveis continuarão a surgir até que aprendemos determinada lição. Apenas uma lembrança: ninguém é vítima, ou melhor, por alguma razão passamos por algo até aprendermos. E pensar que a beleza da vida é imensurável.

Muito comum haver reclamação de algum incômodo no corpo e nos esquecermos de todo o maravilhoso corpo funcionando tão perfeitamente, e não lhe agradecemos, somente mantemos a queixa de único inconveniente. Normalmente fazemos, no mínimo, uma refeição saborosa e saudável por dia, porém uma vez em que a comida não resultou num sabor de costume, a reclamação é imediata. E, assim, de acordo com o que está em nosso coração, perceberemos a vida.

Nada externo deve ser o responsável pelo que sentimos, entretanto o nosso interior é que deve conduzir o nosso caminho. Esperar que algo mude para nos sentirmos felizes ou que algo nos agrade para alguma realização é, de fato, uma utopia que nos fará perder tempo e cada vez mais o encanto pela vida. É somente nós que perderemos de todas as formas. Quanto mais nos comportamos como espíritos pueris, mais receberemos o idêntico tratamento.

A vida é grandiosa demais para ser delimitada por nossa ignorância.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 







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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

 



O Conquistador Invencível

 

Irmão X

(autor espiritual)

 

Sem nos referirmos aos guerreiros e tiranos do Nilo e do Eufrates, outros grandes conquistadores haviam passado, antes d’Ele…

Cambises, rei dos persas, à feição de louco, após assassinar o irmão e a esposa, dominou o Egito, incendiando lares, destruindo santuários, trucidando mulheres e crianças, acabando a existência vitimado pela própria agressividade.

Alexandre Magno, rei da Macedônia, alçado à História por valoroso comandante da civilização, impôs-se aos trácios, aos gregos, aos ilírios, aos sírios, aos judeus, aos egípcios, aos persas, marcando a sua passagem com os sinais da humilhação e da morte, e, ainda moço, veio a perecer, melancolicamente, de febre, na Babilônia.

Aníbal, o chefe cartaginês, em seu ódio a Roma, senhoreou terras e populações da Espanha e da Itália, espalhando maldição e miséria, aflições e ruínas, envenenando-se, mais tarde, na Bitínia, para não entregar aos inimigos a própria cabeça.

Cipião, o famoso general romano, submeteu a África, emoldurando a sua carreira com o pavor e o sangue dos vencidos, sucumbindo, depois, no exílio da Campânia, entre desesperos e amarguras.

Todos passaram, empertigados nos seus carros triunfais, com luzidas armaduras e gritos selvagens de dominação, temidos e odiados, para descerem dos pináculos de triunfo aos vales escuros de cinza e esquecimento.

Ele, porém, chega e fica. Seu berço é a manjedoura singela que uma estrela assinala.

Não traz carruagens de ouro, nem se serve com baixelas de prata. Não tem exércitos, nem palácios. Não possui legionários, nem escravos. Não dispõe de alianças com os poderosos da Terra, nem conta com o apoio de juízes do mundo.

Ergue, porém, diante de todos, o coração inflamado de amor e chama a si os fracos e os tristes, os pobres e os desamparados, os vencidos e os doentes, os velhos e as crianças…

Descortina à inteligência do povo a visão do Reino da Luz, cujas portas devem ser descerradas com as chaves da bondade e do trabalho, do entendimento e do perdão…

Caminha para diante, ajudando e servindo, e para que o ódio e a crueldade, a ignorância e a violência não se entronizem nas almas, submete-se, Ele mesmo, ao sacrifício na cruz, legando à Humanidade a revelação da vida eterna sobre o túmulo vazio.

Reaviva-se a fé, amplia-se a esperança e a caridade brilha, imorredoura… Desde então, o poder do Invencível Conquistador cresce com os dias…

E sempre que o mundo recorda o Rei Divino, descido do trono celestial às palhas da manjedoura, o pensamento humano, por suas forças mais representativas, associa-se aos cânticos das milícias celestiais e acrescenta, deslumbrado:

— Glória a ti, ó Cristo! A esperança da Terra te saúda e glorifica para sempre!…

 

Do livro Estante da vida, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

  

 





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domingo, 4 de outubro de 2026

 



A "mediunidade inconsciente" e seus dois sentidos 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Dúvida que nos veio de um leitor: - Mediunidade inconsciente existe ou não existe?

Sim, a mediunidade inconsciente existe. Ocorre que, no tocante à palavra “inconsciente”, existem dois conceitos diferentes na literatura espírita.

Em O Livro dos Médiuns, item 188, ao tratar das variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade, Allan Kardec informa que existem médiuns sensitivos, médiuns naturais ou inconscientes e médiuns facultativos ou voluntários.

Médiuns naturais ou inconscientes são, segundo o codificador da Doutrina Espírita, os que produzem fenômenos espontaneamente, sem nenhuma participação da vontade e, na maioria das vezes, sem o saberem. É assim que muitas pessoas que jamais ouviram falar de Espiritismo podem ser médiuns sem se darem conta disso.

Na obra de André Luiz, porém, ao tratar da psicofonia, o conceito atribuído ao adjetivo “inconsciente” é diferente. O assunto é abordado nos capítulos 6 a 8 de Nos Domínios da Mediunidade, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier.

Para compreender essa diferença, vejamos os casos de psicofonia consciente e inconsciente descritos por André Luiz.

Na psicofonia consciente, André compara a associação entre o Espírito sofredor e o corpo do médium a um sutil processo de enxertia neuropsíquica. No caso da médium Eugênia, leves fios brilhantes ligavam a fronte de sua alma, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante.

Embora senhoreando as forças da médium, o Espírito permanecia sob o controle dela, que recebia, pela corrente nervosa, as palavras que ele mentalizava e pretendia dizer. Segundo o instrutor Áulus, Eugênia podia, desse modo, corrigir qualquer inconveniência, fiscalizando os propósitos e as expressões do comunicante.

A alma do médium conservava-se próxima do corpo físico, pois, em situações envolvendo entidades em desajuste, o medianeiro não deve afastar-se demasiado. “Com um demente em casa, o afastamento é perigoso”, explicou Áulus.

Na psicofonia inconsciente, os fatos se processam de maneira diferente.

A médium agora chama-se Celina. Descrevendo o fenômeno, André Luiz diz que, assim que viu o Espírito sofredor, a alma da médium desvencilhou-se do corpo físico, como alguém que se entregasse a sono profundo, e conduziu consigo a aura brilhante de que se coroava. Fitando o desesperado visitante com simpatia, abriu-lhe os braços, auxiliando-o a senhorear o veículo físico, então em sombra. Como se fora atraído por vigoroso ímã, o sofredor arrojou-se sobre a organização física de Celina, colando-se a ela, instintivamente. Auxiliado por outro Espírito, ele sentou-se com dificuldade, afigurando-se a André Luiz estar intensivamente ligado ao cérebro físico da médium.

No caso anterior, a médium Eugênia revelara-se benemérita enfermeira. Neste, Celina surgia como abnegada mãezinha, tal a devoção afetiva para com o hóspede infortunado. Partiam dela fios brilhantes a envolvê-lo inteiramente e o recém-chegado, em vista disso, não obstante senhor de si, demonstrava-se criteriosamente controlado, assemelhando-se a um peixe furioso entre os estreitos limites de um recipiente. O comunicante projetava de si estiletes de treva, que se fundiam na luz com que a alma de Celina o rodeava, dedicada. Ele tentava gritar impropérios, mas em vão. Celina era um instrumento passivo no exterior, entretanto, nas profundezas do ser, mostrava as qualidades morais positivas que lhe eram conquista inalienável, impedindo aquele irmão de qualquer manifestação menos digna.

O instrutor Áulus explicou que Celina constituía um exemplo de sonâmbula perfeita e explicou: "A psicofonia, em seu caso, se processa sem necessidade de ligação da corrente nervosa do cérebro mediúnico à mente do hóspede que o ocupa". A espontaneidade dela é tamanha na cessão de seus recursos, que não tem qualquer dificuldade para desligar-se de maneira automática do campo sensório, perdendo provisoriamente o contacto com os centros motores da vida cerebral. Sua posição medianímica era de extrema passividade. Por isso mesmo, revelava-se o Espírito comunicante mais seguro de si na exteriorização da própria personalidade. Esse fato não significa que a médium estivesse ausente ou irresponsável. Junto de seu corpo, agia como mãe generosa, auxiliando o sofredor que por ela se exprimia, qual se fora frágil protegido de sua bondade.

Concluindo as observações sobre o caso, Áulus explicou: "O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. A psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessão, sempre nociva, e que, por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes".

Temos, portanto, dois sentidos para a expressão “mediunidade inconsciente”.

Em Kardec, como vimos inicialmente, ela designa principalmente a faculdade que se manifesta espontaneamente, sem que o médium tenha consciência de sua condição, não havendo, por conseguinte,  contradição entre as duas concepções, que se aplicam ou se referem a situações distintas. 


 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/o-porque-da-mudanca-de-temperamento-do.html

 

 




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sábado, 3 de outubro de 2026


 

Alvorada Cristã


 

NEIO LÚCIO

(autor espiritual)


 

Publicado em 1949 pela editora da Federação Espírita Brasileira, o livro Alvorada Cristã é de autoria de Neio Lúcio, mesmo autor dos livros Mensagem do Pequeno Morto, de 1947, e Jesus no Lar, de 1950, todos eles  psicografados pelo médium Chico Xavier.

Neio Lúcio escreveu Alvorada Cristã com o pensamento voltado em especial para a juventude, como observou Emmanuel, ao prefaciar a obra. São dele estas palavras: “As páginas de Neio Lúcio, consagradas à mente juvenil em todos os padrões da experiência física, são, em verdade, valioso curso de iluminação espiritual. Sementeira de princípios renovadores, aqui  encontramos avançadas noções de justiça e bondade para a elevação da vida.”

No conhecido site Bíblia do Caminho, a obra de Chico Xavier, em sua quase totalidade, é disponibilizada para o público, facilitando assim o acesso a livros que em muitos casos se encontram esgotados nas distribuidoras. Alvorada Cristã pode, pois, ser acessado, sem nenhum custo, bastando para isso clicar neste link:  https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Alc/AlcIndex.htm

O vídeo que abre este texto apresenta, em poucos minutos, um resumo da obra. O vídeo e o podcast pertinente à fonte foram produzidos com o auxílio da inteligência artificial.




 

  

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