segunda-feira, 16 de julho de 2018




Observemos estas frases, todas absolutamente corretas:
- João está aprendendo um novo idioma.
- Este ano vou aprender a dirigir.
- Aprenda de mim, caro neto; a honestidade compensa sempre.
- Vim para cá imbuído do desejo de aprender e progredir.
Os exemplos acima mostram que o verbo aprender se submete, conforme a situação, a regências diversas, podendo, conforme se vê, ser transitivo, relativo ou intransitivo.
Tratando do tema, um amigo pergunta-nos qual a necessidade da preposição “a” na frase “Este ano vou aprender a dirigir”.
A norma relativa a esse caso é conhecida e Francisco Fernandes dela trata no seu conceituado Dicionário de Verbos e Regimes (ed. Globo, 41ª ed., p. 88):
Quando o complemento de aprender é um verbo no infinitivo, vem este regido da preposição a:
"Em que posição ficam às vezes as crianças, quando tentam aprender a patinar?" (Rui, Lições de coisas, 77.)
"Nas próprias mágoas aprendera a compadecer as alheias." (R. Silva, apud Aulete.)

*

Post mortem ou post-mortem – qual a forma correta?
Sem hífen - post mortem - é a forma correta. Trata-se de uma locução latina que significa após a morte e é utilizada em frases do tipo: “Exame post mortem”.
No VOLP existe a forma pós-morte, escrita assim mesmo, com hífen, a qual exerce na fala a função de adjetivo ou substantivo.




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domingo, 15 de julho de 2018




O céu pode estar bem perto

No artigo intitulado “O dia em que fui ao céu”, publicado na revista O Consolador [eis o link: http://www.oconsolador.com.br/ano12/573/especial.html], nosso amigo Marcelo Teixeira evoca um momento de grande felicidade que ele pôde vivenciar trinta anos atrás. Vale a pena ler o artigo, porque seu depoimento confirma uma tese conhecida dos espíritas a respeito dos benefícios da caridade, tanto para quem é dela o alvo, como para quem a pratica.
S. Vicente de Paulo, cuja obra social dedicada aos pobres é sobejamente conhecida de católicos e não católicos, a ponto de ter sido declarado em 12 de maio de 1885, por Leão XIII, patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, refere-se ao assunto em uma mensagem transmitida mediunicamente e inserida por Allan Kardec no cap. XIII d´O Evangelho segundo o Espiritismo.
Da mensagem assinada pelo campeão da caridade, destacamos os pontos abaixo:
- Toda a eterna felicidade se contém neste preceito: "Amai-vos uns aos outros”. Não pode a alma elevar-se às altas regiões espirituais, senão pelo devotamento ao próximo; somente nos arroubos da caridade encontra ela ventura e consolação.
- Sede bons, amparai os vossos irmãos, deixai de lado a horrenda chaga do egoísmo. Cumprido esse dever, abrir-se-vos-á o caminho da felicidade eterna.
- Qual dentre vós ainda não sentiu o coração pulsar de júbilo, de íntima alegria, à narrativa de um ato de bela dedicação, de uma obra  verdadeiramente caridosa?
- Se unicamente buscásseis a volúpia que uma ação boa proporciona, conservar-vos-íeis sempre na senda do progresso espiritual. Não vos faltam os exemplos; rara é apenas a boa vontade.
- A caridade é a virtude fundamental sobre que há de repousar todo o edifício das virtudes terrenas. Sem ela não existem as outras.
- Sem a caridade não há esperar melhor sorte, não há interesse moral que nos guie; sem a caridade não há fé, pois a fé não é mais do que pura luminosidade que torna brilhante uma alma caridosa.
- A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a mais pura emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e expulsar esse sentimento todo divino? Qual o filho bastante mau para se rebelar contra essa doce carícia: a caridade?
- Homens de bem, de boa e firme vontade, uni-vos para continuar amplamente a obra de propagação da caridade; no exercício mesmo dessa virtude, encontrareis a vossa recompensa; não há alegria espiritual que ela não proporcione já na presente vida. (Excertos da mensagem publicada no cap. XIII, item 12, d´O Evangelho segundo o Espiritismo.)
Lendo as palavras de S. Vicente de Paulo, torna-se fácil compreender a alegria descrita por Marcelo Teixeira decorrente do importante ato por ele praticado numa idade em que mal havia saído da adolescência e que, como vemos, marcou-o para o resto da vida.
Imitemo-lo e, sem dúvida, colheremos alegria semelhante, impregnada da justa sensação de que o céu pode estar bem mais perto do que imaginamos.



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sábado, 14 de julho de 2018





O bem é a maioria

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

O brasileiro é D+. Acreditem que eu esqueci uma sacola com cápsulas do Nespresso no saguão de alimentação do shopping Iguatemi - fui ao cinema e na saída dei pela falta. Hoje, uma pessoa do bem deixou na portaria do meu prédio (a nota fiscal estava dentro e tinha meu endereço) D+! estou feliz com gesto de nossa honestidade e solidariedade. Postado no facebook por Lenira, em 02 de julho de 2018.

A se acreditar na mídia, viveríamos num mundo perverso, no qual predomina a maldade. Vimos na TV, dias atrás, uma jovenzinha de doze anos patinando despreocupada e feliz, sem saber que morte horrível a esperava mais adiante. Triste, muito triste...
Preso, um servente de pedreiro, testemunha do crime, indiciado pela polícia como cúmplice do casal assassino, disse ao delegado que a menina implorou para não a matarem. Tudo isso, porém, foi inútil. O comparsa da mulher, a qual obrigou a garota a entrar no carro do casal, estrangulou a frágil vítima até matá-la.
Quadros horríveis como esse, infelizmente, ainda existem em grande quantidade na Terra. A mãe da vítima concluiu que sua filha “estava no lugar e hora errados”, mas apenas o Espiritismo explica um crime bárbaro como esse, aparentemente distante da Providência Divina.
Há dois versos de música do cantor Reginaldo Rossi, falecido há poucos anos, que dizem o seguinte: “A vida não vale nada/quanto mais não tendo você”. É verdade, já se disse que “ninguém é uma ilha”. Portanto, todos precisamos da convivência e apoio uns dos outros. Mas de tanto a mídia divulgar crimes hediondos, ocorridos até mesmo no seio da família, muitas pessoas preferem morar sozinhas.
Em geral, esses crimes são praticados pelo homem, que, em vez de respeitar a mulher e as crianças sob seu teto, intimida, agride e assassina covarde e cruelmente aqueles a quem deveria proteger. Por vezes, a mulher é cúmplice do assassino, seja por temer sua represália, seja por se identificar no mal com aquele.
Se fizermos, porém, um cálculo estatístico sobre o número de pessoas que praticam o mal em relação às voltadas ao bem, estas ganham de goleada daquelas. Num desses dias de copa do mundo de futebol, ouvimos relato sobre o jogador da Dinamarca que assumiu o risco de seu time perder o jogo, mas não obter vantagem desleal sobre o time adversário.
Durante a partida, o jogador do outro time estava sozinho dentro da própria área, quando ouviu um apito dado por um torcedor. Imaginando ter sido o juiz o autor do apito, o atleta pegou a bola com as mãos e foi penalizado. Entretanto, o jogador do time adversário, encarregado da cobrança do pênalti, propositadamente, chutou a bola para a linha de fundo.
Seu time perdeu a partida de futebol, porém sua atitude tornou-se conhecida mundialmente. O bom exemplo comove a quem o vê e faz bem a quem o pratica. Não à toa, a Dinamarca é conhecida como o país menos corrupto do mundo. Isso passa pela educação com ética.
Enquanto isso, no Brasil, a cada vitória brasileira em jogo da copa, alguns políticos corruptos são libertados da cadeia pela 2ª Turma do STF, mesmo tratando-se de condenados a muitos anos de prisão.
Na Dinamarca corrupto é avis rara; no Brasil, a fraude está espalhada por todo lado, mas nosso povo começa a despertar. Nesse sentido, o papel da mídia social, desde que evitemos os fakes, é da mais alta importância.
O mal é ruidoso, espalhafatoso. O bem é silencioso, discreto e humilde, mas é o que predomina. Quer um exemplo? Somos mais de sete bilhões de pessoas na Terra, preocupados em trabalhar, constituir família, educar e ser educado. Dessa população, menos de um por cento opta pelo mal.
Para concluir, narrarei um fato acontecido comigo na semana passada. Após ter consultado médico, este prescreveu-me vacina com vitamina B3, no valor de R$ 130,00. Entretanto, ao perguntar à sua secretária pela forma de pagamento, esta informou-me de que só era aceito ressarcimento em dinheiro.
Como eu não dispunha do valor cobrado, indaguei-lhe, novamente, se havia alguma agência do Banco do Brasil nas proximidades. Em resposta, soube que somente existia agência desse banco a um quilômetro dali.
Ouvindo isso, outro paciente que aguardava atendimento propôs-se pagar minha vacina, desde que eu transferisse o valor do medicamento pago para sua conta do mesmo banco. Foi o que fiz, feliz e agradecido.
Lido no facebook: “Voluntários fazem mantas e cobertores para aquecer pessoas carentes”.
Casos como esse, em nosso país, são muito mais comuns do que os de políticos e empresários desonestos ou de psicopatas que arrebatam a vida a inocente criança. Apenas parecem tão comuns que não são divulgados.






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sexta-feira, 13 de julho de 2018




A Alma é Imortal

Gabriel Delanne

Parte 16

Continuamos o estudo do clássico A Alma é Imortal, de Gabriel Delanne, conforme tradução de Guillon Ribeiro, publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Que é que o Sr. de Bodisco, camareiro do czar da Rússia, obteve ao fotografar Espíritos materializados?
B. A médium Florence Cook já havia trabalhado com outros pesquisadores antes de conhecer William Crookes? Em que data o Espírito de Katie King se materializou pela primeira vez?
C. No início, Katie King não podia mostrar-se sob uma luz mais forte. Que fato ocorreu nessa época quando os pesquisadores aumentaram as luzes no ambiente?

Texto para leitura

164. Após transcrever uma experiência notável registrada por Aksakof em sua obra citada, Delanne reporta-se às experiências de materialização feitas pelo Sr. de Bodisco, camareiro do czar, o qual entendia que o corpo astral é, na natureza, o mais importante de todos os corpos. “Ele constitui - asseverou o Sr. de Bodisco - a única parte imperecível do corpo humano. É o zooéter, ou matéria primordial, ou força vital.” (Pág. 179)
165. Quatro fotografias tirou o Sr. de Bodisco, mostrando fases diversas da materialização, desde aquela em que a aparição astral cerca o médium, até a da condensação de uma forma, vendo-se a seu lado o médium em letargia. (Págs. 179 e 180)
166. A respeito dos fenômenos de materialização, que constituem, segundo o autor, as mais altas e irrefragáveis demonstrações da imortalidade, Delanne recomenda se consultem: Animismo e Espiritismo, de Aksakof; Ensaio de Espiritismo Científico, de Metzger; Depois da Morte, de Léon Denis, e Psiquismo Experimental, de Erny. (Pág. 180)
167. Os fatos de materialização mais célebres se deram, porém, com a médium Florence Cook, instrumento de que serviu o Espírito Katie King, examinado, entre outros, pelo renomado químico inglês Sir William Crookes. (Pág. 180)
168. Um erro que, todavia, se comete é pensar que Katie King foi examinada apenas por Crookes. Na verdade, quando ele pôde verificar a mediunidade da Srta. Cook, já havia muito tempo que Katie se materializava. Foi em 22 de abril de 1872, quando a médium contava apenas dezesseis anos, que Katie King se materializou pela primeira vez, embora parcialmente. Na reunião, ela trouxe também algumas folhas frescas de hera, planta que não existia no jardim da casa. (Pág. 182)
169. No dia 25 de abril seguinte, o Sr. Harrison - a convite de Katie King - se fez presente à reunião, que foi realizada em casa do Sr. Cook, pai da médium, da qual fez ele uma reportagem publicada no seu jornal, The Spiritualist. A médium não estava adormecida, pois o Sr. Harrison ouviu nitidamente o diálogo que Katie e ela travaram no início da sessão. Vê-se por esse diálogo que a aparição não era o duplo da médium e que a vontade consciente da Srta. Cook parecia opor-se ao desejo do Espírito de manifestar-se visivelmente. (Pág. 183)
170. O Sr. Harrison pôde apreciar, em sessões ulteriores, o desenvolvimento do fenômeno. Nessa época, a médium permanecia quase sempre acordada, enquanto se achava presente o Espírito. Depois, Katie não mais apareceu sem que Cook estivesse em transe. (Pág. 184)
171. Para assegurar a veracidade dos fatos, muitos controles foram utilizados nas experiências com a Srta. Cook. Certa vez, suas mãos foram atadas, sendo postos selos de cera sobre os nós. Katie mostrou-se, então, com as mãos inteiramente livres. Muitas fotografias de Katie, completamente materializada, foram então obtidas. (Pág. 185)
172. Um fato digno de nota, diz Delanne, é que todas as sessões da Srta. Cook se realizavam gratuitamente. A médium não precisava, porém, preocupar-se com o seu sustento, porquanto desde os primórdios de suas faculdades mediúnicas o Sr. Blackburn, de Manchester, concedeu-lhe importante dote que lhe assegurou a subsistência. (Pág. 185)
173. Foi na primavera de 1873 que se obtiveram as primeiras fotografias de Katie King. Delanne descreve os cuidados que os experimentadores tiveram para evitar a possibilidade de fraude nessas sessões. (Págs. 185 a 187)
174. Diz a Sra. Florence Marryat que um dia perguntaram a Katie por que não podia mostrar-se sob uma luz mais forte, pois ela só permitia aceso um bico de gás e assim mesmo com a chama muito baixa. Katie pareceu irritada com a pergunta e disse que não sabia por que não podia suportar uma luz mais intensa. Se eles duvidavam disso, que acendessem as luzes e veriam o que ocorreria. (Pág. 187)
175. A equipe decidiu, então, aumentar a claridade, com o consentimento de Katie. Ela pôs-se de pé junto à parede e abriu os braços em cruz, aguardando a sua dissolução. Acenderam-se três bicos de gás e Katie resistiu apenas por um instante à claridade. Em seguida, todos viram-na fundir-se, como uma boneca de cera exposta ao fogo. (Pág. 188)
176. Coisa curiosa! Com o exercício o Espírito adquiriu maior força, pois que William Crookes pôde, depois, bater mais de quarenta chapas com auxílio da luz elétrica. (Pág. 188) (Continua no próximo número.)

Respostas às questões preliminares

A. Que é que o Sr. de Bodisco, camareiro do czar da Rússia, obteve ao fotografar Espíritos materializados?
Quatro fotografias tirou o Sr. de Bodisco, mostrando fases diversas da materialização, desde aquela em que a aparição astral cerca o médium, até a da condensação de uma forma, vendo-se a seu lado o médium em letargia. (A Alma é Imortal, págs. 179 e 180.)
B. A médium Florence Cook já havia trabalhado com outros pesquisadores antes de conhecer William Crookes? Em que data o Espírito de Katie King se materializou pela primeira vez?
Sim. Quando Crookes conheceu a Srta. Florence Cook, já havia muito tempo que Katie se materializava. Foi em 22 de abril de 1872, quando a médium contava apenas dezesseis anos, que Katie King se materializou pela primeira vez. (Obra citada, págs. 182 a 185.)
C. No início, Katie King não podia mostrar-se sob uma luz mais forte. Que fato ocorreu nessa época quando os pesquisadores aumentaram as luzes no ambiente?
Quando a equipe decidiu aumentar a claridade, Katie pôs-se de pé junto à parede e abriu os braços em cruz, aguardando a sua dissolução. Acenderam-se três bicos de gás e Katie resistiu apenas por um instante à claridade. Em seguida, todos viram-na fundir-se, como uma boneca de cera exposta ao fogo. (Obra citada, págs. 185 a 188.)


Observação:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




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quinta-feira, 12 de julho de 2018





Telepatia e pressentimentos

Este é o módulo 88 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Como podemos definir a telepatia?
2. As manifestações telepáticas se produzem com maior intensidade antes ou depois da morte corpórea?
3. Que casos se enquadram na chamada telepatia espontânea?
4. Como Kardec define o pressentimento?
5. A que se deve, segundo o Espiritismo, a ocorrência dos pressentimentos?

Texto para leitura

Telepatia é a transmissão do pensamento de um ser para outro
1. Os Espíritos exercem tamanha influência sobre nossos pensamentos e atos, que amiúde somos por eles dirigidos. O fato se dá porque eles povoam os mesmos espaços em que vivemos, acompanham-nos em nossas atividades e ocupações, intervêm em nossas reuniões e nos seguem ou nos evitam, conforme os atraímos ou repelimos. Estamos, pois, cercados por Espíritos, independentemente de sermos ou não médiuns produtivos, e sua influência oculta sobre nós se faz sentir em razão do grau de afinidade que mantivermos com eles. 
2. Essa influência é, às vezes, tão sutil que não conseguimos estabelecer uma separação entre o que nos é próprio e o que é dos Espíritos. Daí é fácil deduzir que entre nossas ideias e imagens mentais podem estar disseminadas ideias e desejos de Espíritos estranhos, sem que disso nos apercebamos. 
3. Analisando essa influência podemos entender melhor o fenômeno vulgarmente denominado telepatia, que consiste, em essência, na ocorrência de uma impressão psíquica intensa que se manifesta geralmente de inopino, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono, impressão essa que tem ligação com um acontecimento desenrolado a distância. Resumidamente, telepatia é a transmissão do pensamento de um ser para outro. 
4. Há entre certos indivíduos uma certa comunicação de pensamentos que dá causa a que se vejam e se compreendam sem precisarem, para isso, dos sinais ostensivos da linguagem. Pode-se dizer que eles falam a linguagem dos Espíritos. Em tais fenômenos há sempre alguém que é mais apto para transmitir o pensamento e outro com maior predisposição para ser receptor. 

O termo telepatia foi proposto por Frederic Myers em 1882
5. O estudo da telepatia iniciou-se por volta de 1825, quando se fizeram na França as primeiras experiências magnéticas, mas somente muito mais tarde é que se encarou a telepatia com seriedade científica. O termo foi proposto por Frederic Myers em 1882 e adotado nos trabalhos da Society Psychical Research. Asseverou Myers: “Entendo por telepatia a transmissão do pensamento e das sensações feita pelo Espírito de um indivíduo a outro sem que seja pronunciada uma palavra, escrito um vocábulo ou feito um sinal”. 
6. A telepatia faz-nos subir mais um degrau na escala da vida psíquica. Achamo-nos diante desse fenômeno na presença de um ato poderoso da vontade. As manifestações telepáticas não comportam limites. O poder e a independência da alma nelas se revelam soberanamente porque o corpo físico nenhum papel representa no fenômeno; em verdade, ele constitui mais um obstáculo do que um auxílio. Por causa disso, tais manifestações se produzem com maior intensidade depois da morte. 
7. A telepatia pode ser espontânea ou experimental. 
8. A telepatia espontânea subdivide-se em: a) transmissão relativa a um acontecimento futuro iminente – casos de pressentimentos, premonições, visões premonitórias e aparições de moribundos; b) transmissão relativa ao presente ou a um passado recente – casos de visões nítidas ou adivinhação de acontecimentos afastados, bem como aparições de vivos. Com frequência, o fenômeno diz respeito a uma pessoa unida ao percipiente por laços afetivos mais ou menos fortes. 

Pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras
9. A telepatia experimental engloba os casos que traduzem uma impressão psíquica produzida a distância sobre uma pessoa pela ação e força da vontade de outra pessoa. Os estudiosos reconhecem, porém, que a telepatia experimental encontra-se longe de ser estabelecida de modo tão nítido quanto a espontânea. 
10. Um outro tipo de influência dos Espíritos em nossos pensamentos e atos é o pressentimento, que é definido por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns como sendo uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas, diz o Codificador, têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. O fato deve-se às vezes a uma espécie de dupla vista, que permite ao indivíduo entrever as consequências e a filiação dos acontecimentos; mas, em muitos casos, é o resultado de comunicações ocultas. É então, sobretudo nesses casos, que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. 
11. Neste último caso, isto é, no pressentimento como consequência de uma comunicação oculta, quem geralmente se comunica é um Espírito amigo e bondoso, alguém que traz um conselho íntimo ou uma advertência carinhosa a uma pessoa estimada.  
12. O pressentimento pode manifestar-se também através de uma vaga lembrança que o Espírito tem das provas ou dos acontecimentos a que deverá submeter-se. Pressentir a hora da desencarnação, por exemplo, tem sido uma ocorrência até certo ponto comum em muitos indivíduos. E se alguns pressentem a sua desencarnação porque foram avisados por parentes ou amigos desencarnados, outros, contudo, têm disso uma firme convicção sem que saibam explicar o motivo.

Respostas às questões propostas

1. Como podemos definir a telepatia?
O fenômeno vulgarmente denominado telepatia consiste na ocorrência de uma impressão psíquica intensa que se manifesta geralmente de inopino, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono, impressão essa que tem ligação com um acontecimento desenrolado a distância. Resumidamente, telepatia é a transmissão do pensamento de um ser para outro. 
2. As manifestações telepáticas se produzem com maior intensidade antes ou depois da morte corpórea?
Elas se produzem com maior intensidade depois da morte. 
3. Que casos se enquadram na chamada telepatia espontânea?
Casos relativos a acontecimentos futuros – pressentimentos, premonições, visões premonitórias e aparições de moribundos – e casos relativos ao presente ou a um passado recente – visões nítidas ou adivinhação de acontecimentos afastados, bem como aparições de vivos. 
4. Como Kardec define o pressentimento?
O pressentimento é, segundo Allan Kardec, uma intuição vaga das coisas futuras. 
5. A que se deve, segundo o Espiritismo, a ocorrência dos pressentimentos?
O pressentimento deve-se às vezes a uma espécie de dupla vista, que permite ao indivíduo entrever as consequências e a filiação dos acontecimentos, mas, em muitos casos, é o resultado de comunicações ocultas. O pressentimento pode manifestar-se também através de uma vaga lembrança que o Espírito tem das provas ou dos acontecimentos a que deverá submeter-se.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 421, 459 e 522.
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, itens 184 e 232.
O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis, FEB, p. 91.
O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, de Camille Flammarion, FEB, vol. 1, pp. 111 e 112; vol. 2, pp. 38, 39 e 47.
O Ser Subconsciente, de Gustave Geley, FEB, pp. 109 a 111.
Dicionário Enciclopédico Ilustrado, de João Teixeira de Paula, pp. 257 e 258.


Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:




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quarta-feira, 11 de julho de 2018




Nas culminâncias da luta

Cairbar Schutel (Espírito)

Muitas vezes, vivemos normalmente dez longos anos, conquistando patrimônios espirituais, para viver apenas dez minutos fugazes de modo extraordinário e excepcional.
São os clímax da vida, onde somos chamados às contas, na aferição de responsabilidades intransferíveis e que, não raro, percebemos intuitivamente, a derramar lágrimas que pressagiam amargas lutas.
Aprendemos, dia a dia, a pouco e pouco, anos seguidos, o desprendimento de bens transitórios para enfrentarmos a prova do desapego maior em momentos breves; experimentamos, por vários lustros, a repetição, instante a instante, de um dever trivial para testarmos a própria perseverança, no epílogo desse ou daquele problema, aparentemente vulgar, mas de profunda significação em nosso destino; adquirimos forças íntimas vivendo toda uma encarnação a preparar-nos para a demonstração de coragem num minuto grave de testemunho...
Alpinistas da evolução, que destilam suor, de escarpa em escarpa, galgamos a montanha da experiência, adestrando-nos para transpor a garganta que nos escancara o abismo diante da tentação; estudantes comuns, nos currículos da existência, enceleiramos preciosos conhecimentos em cursos laboriosos de observação e trabalho, para superarmos a prova eliminatória, às vezes num só dia de sacrifício...
Estamos sempre, face a face, com a banca examinadora do mundo, pois onde formos aí seremos convocados à confissão de nossa fé e consequente valor moral.
O minuto que se esvai é a nossa oportunidade valiosa; o lugar onde estamos é o anfiteatro de nossas lições contínuas.
Por isso, caminhar sem Jesus, nos domínios humanos, é sentir que a água não dessedenta, o alimento não sacia, a melodia não eleva, a página não edifica, a flor não perfuma, a luz não aquece...
Entretanto, amparados no Cristo, todos somos autossuficientes, porquanto dispomos de apoio, esclarecimento e fortaleza em qualquer transe aflitivo com que a vida nos surpreenda.
O alento que a certeza da fé raciocinada nos proporciona transcende todas as consolações efêmeras que possamos auferir de vantagens terrenas, de vez que nos faculta trabalhar sem fadiga, ajudar sem esforço, sofrer sem ressentimento e rir engolindo pranto.
Marchemos assim, arrimados nos padrões do Divino Mestre sem que nos creiamos no pretenso direito de reclamar ou maldizer, tumultuar ou censurar.
Desistamos de reivindicações, privilégios, prêmios ou honrarias de superfície, porquanto urge aspirarmos à medalha invisível do dever retamente cumprido que nos brilhe na consciência, à coroa da paz que nos cinja os pensamentos e a carta-branca do livre-arbítrio que nos amplie o campo de ação no bem puro.
Regozija-te, pois, se a tua fé vive analisada na intimidade do lar, combatida na oficina de trabalho, fustigada no círculo de amigos, fiscalizada na ribalta social ou testada na enxerga de sofrimento...
Somente conduzindo a nossa cruz de renúncia às gloríolas do século, com a serenidade da abnegação e com o sorriso da paciência é que poderemos ser recompensados pelo triunfo sobre nós mesmos, nas rotas da perfeita alegria.

Do livro Ideal Espírita, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



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