quarta-feira, 22 de janeiro de 2020


Missionários da Luz

André Luiz

Estamos publicando neste espaço – sob a forma dialogada – o estudo de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar. Serão ao todo 960 questões objetivas distribuídas em 120 partes, cada qual com oito perguntas e respostas.
Os textos são publicados neste blog sempre às quartas-feiras.
Damos prosseguimento hoje ao estudo do livro Missionários da Luz, obra psicografada pelo médium Chico Xavier.

Parte 4

25. Por que motivo, para alguém ser um bom médium, é-lhe indispensável o preparo individual?
Ser instrumento fiel da Divindade é o objetivo maior de qualquer médium.  Para que ele se converta em agente do bem, e não das trevas, é fundamental preparar-se. Se aspiramos ao desenvolvimento superior, abandonemos os planos inferiores. Se pretendemos o intercâmbio com os sábios, cresçamos no conhecimento, valorizemos as experiências, intensifiquemos as luzes do raciocínio! Se, por fim, aguardamos a companhia dos santos, santifiquemo-nos na luta de cada dia, porque as entidades angélicas não ficam insuladas nos júbilos celestes e trabalham também pelo aperfeiçoamento do mundo. Tornemo-nos bondosos. Sem afabilidade e doçura, sem compreensão fraternal e sem atitudes edificantes, não poderemos entender os Espíritos afáveis e amigos, elevados e construtivos. (Missionários da Luz, cap. 9, págs. 98 a 106.)
26. Por que são raros os fenômenos de materialização?
Esses fenômenos são raros porque são igualmente raros os companheiros encarnados dispostos às condições espirituais que semelhante trabalho exige, no qual a homogeneidade do grupo deve ser muito mais intensa do que numa reunião mediúnica normal. (Obra citada, cap. 10, págs. 107 a 111.)
27. Nos preparativos para a sessão de materialização, qual é o objetivo da ozonização do ambiente?
A relativa ozonização da paisagem interior é necessária como trabalho bactericida, exterminando-se com isso todas as larvas e expressões microscópicas de atividade inferior presentes no ambiente. O ectoplasma, ou força nervosa, que é abundantemente extraído do médium nesse tipo de sessão, não pode sofrer, sem prejuízos fatais, a intromissão de certos elementos microbianos. (Obra citada, cap. 10, págs. 111 a 113.)
28. Que atendimento, antes da sessão de materialização, é dispensado ao médium?
O auxílio magnético prestado ao médium tem por objetivo inicialmente incentivar os processos digestivos para que o aparelho mediúnico funcionasse sem obstáculos. No caso descrito, em poucos minutos, o estômago da médium ficou inteiramente livre. Começou então o preparo do sistema nervoso para as saídas da força. Por fim, foram aplicados passes magnéticos na jovem médium, como serviço de introdução ao desdobramento necessário. (Obra citada, cap. 10, págs. 113 a 115.)
29. Por que não se pode permitir a presença de pessoa alcoolizada nas reuniões de materialização?
A razão é clara: os princípios etílicos que o alcoólatra exterioriza pelas narinas, boca e poros são eminentemente prejudiciais a semelhante trabalho. Doses mínimas de álcool intensificam o processo digestivo e favorecem a diurese, mas o excesso é tóxico destruidor. As emanações de álcool de cana, quando ingerido em doses altas, são altamente nocivas aos delicados elementos de formação plástica indispensáveis ao trabalho de materialização, e constituem sério perigo às forças exteriorizadas do aparelho mediúnico. (Obra citada, cap. 10, págs. 115 a 118.)
30. A música é útil às sessões de materialização?
Sim, porque a música tem o efeito de distrair a atenção deseducada dos componentes da reunião. (Obra citada, cap. 10, págs. 118 e 119.)
31. Que recursos são utilizados pelos Espíritos para obtenção desse tipo de fenômeno?
Além da força nervosa exteriorizada pelo médium, são utilizados vários materiais fluídicos extraídos no ambiente e também alguns recursos da Natureza. (Obra citada, cap. 10, págs. 119 e 120.)
32. A força nervosa que permite o fenômeno de materialização é propriedade apenas de alguns indivíduos?
Não. Todos os homens a possuem com maior ou menor intensidade; entretanto, é preciso compreender que não nos encontramos, ainda, no tempo de generalizar as realizações porque esse domínio, segundo Alexandre, exige santificação e o homem não abusará no setor do progresso espiritual, como vem fazendo nas linhas de evolução material, em que prodigiosas dádivas acabam transformando-se em forças de destruição e miséria. (Obra citada, cap. 10, págs. 120 a 122.)


Observação
Para acessar a Parte 3 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/01/missionarios-daluz-andre-luiz-estamos_15.html




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terça-feira, 21 de janeiro de 2020




Ser espírito

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Quantas vezes precisamos afirmar que somos espíritos e estamos matéria – ser, estado permanente; estar, estado transitório. Em meio a tantos compromissos cronometrados, compromissos sempre em demasia, estamos nós já sufocados mesmo no início do novo ano. E os sintomas de estresse sentidos no recente fim de ano parecem querer retornar tão prematuramente ao novo tempo, aliás para este que apenas lindas renovações e objetivos foram programados.
É necessária, repetidas vezes, a leitura das palavras elucidativas que há mais de 2.000 anos nos foram apresentadas. É primordial a lembrança da nossa real essência já que toda matéria mais cedo ou tarde se desfalece, é imprescindível a meditação para ouvirmos o que nos é valioso; o silêncio nos mostra a nossa carência.
E um ano inteiro está pela frente, porém há de observarmos qual o tipo desejamos, o desgastante e com poucas belas realizações ou o tranquilo e mais produtivo cujo objetivo se tornará realidade. E o mais interessante é que para a concretização do primeiro basta iniciarmos o ano sendo mais matéria e, para o segundo, que valorizemos a verdade para o espírito, somente isso.
Minhas afirmações para o novo tempo foram simples: encantar-me com as flores, sorrir com as crianças, ver o voo dos pássaros, ser mais humana que tecnológica, dividir as dores, compartilhar as alegrias, olhar nos olhos, abraçar para acalmar, ouvir com atenção, desejar mais a liberdade para me aproximar do céu, ser mais amor lembrando os gestos de Francisco de Assis.
E mal comecei o ano, o movimento frenético da vida na matéria tende a querer me contagiar, mas uma outra afirmação foi a de lembrar-me, em momentos assim, que sou essência divina, como toda criação do Pai, sou eterna e o que alimenta o meu espírito é transcendente e não efêmero, é calmo e não tormento.
Os dias seguem e a vida nos ensina. 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020




Observe estas frases:
Esta semana ocorrem as eleições de nossa casa...
Este ano a inflação deve ser menor...
Esta noite haverá o esperado eclipse...
As construções acima são muito comuns na mídia em geral e em nossas conversas. Estão elas corretas ou deveriam ser substituídas?
A pergunta nos veio de um estimado leitor e amigo, que entende ser mais correto adotar as formas abaixo:
Nesta semana ocorrem as eleições de nossa casa...
Neste ano a inflação deve ser menor...
Nesta noite haverá o esperado eclipse.
A diferença está no uso ou não da preposição “em” antes dos demonstrativos “esta” e “este”. Será isso realmente necessário?
Alguns estudiosos entendem que não, de modo que tanto faz usar uma ou outra forma, do mesmo modo que é correto dizer:
Em Londrina temos sol todos os dias / Em Londrina temos sol em todos os dias...
Vou a Curitiba todas as semanas / Vou a Curitiba em todas as semanas.
O conhecido e admirado gramático Napoleão Mendes de Almeida tratou do assunto no seu Dicionário de Questões Vernáculas, no tópico “Circunstância temporal”, pág. 55.
É bom lembrar, porém, conforme adverte o citado gramático, que quando dizemos “nesta semana” (ou “esta semana”) estamos referindo-nos à semana em curso, sendo um equívoco dizê-lo numa referência à semana seguinte.
O mesmo raciocínio aplica-se à utilização das expressões “nesta ou esta manhã”, “nesta ou esta tarde”, “nesta ou esta noite”.
Se estamos no horário da manhã, poderemos dizer “nesta manhã ou esta manhã”, mas jamais, ao anunciar uma atividade qualquer marcada para as 15 horas, dizer “nesta tarde ou esta tarde”. O correto será “logo mais à tarde” ou “na tarde de hoje”.
Se estamos falando acerca de nossas próximas férias, marcadas para julho de 2020, não é correto dizer “nestas férias iremos a Gramado”, mas sim “nas próximas férias iremos a Gramado”.
Se estamos na casa espírita numa segunda-feira e vamos anunciar a programação da quinta-feira seguinte, evitemos dizer “nesta quinta-feira quem fala é Maria”. O correto: “na quinta-feira / ou na próxima quinta-feira / quem fala é Maria”.





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domingo, 19 de janeiro de 2020




O segredo da paz em “Nosso Lar”

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De Londrina-PR

Quando André Luiz, depois de haver passado oito anos no Umbral, adentrou a região designada em seu livro como sendo a cidade ou colônia espiritual “Nosso Lar”, um fato chamou-lhe de pronto a atenção. O ambiente escuro, denso, desprovido de beleza – que caracterizava a região em que estivera longo tempo – fora substituído por um cenário encantador e de paz, céu azul, sol brilhante, lindas construções, embora a cidade se localizasse na mesma região em que ele estagiara.
Em “Nosso Lar” ele aprendeu coisas que jamais imaginara que existissem. O Umbral, por exemplo, disse-lhe mais tarde seu amigo Lísias, “começa na crosta terrestre”. “É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.” (Nosso Lar, cap. 12, pág. 70.)
O Umbral funcionaria, pois, como região destinada ao esgotamento dos resíduos mentais, uma espécie de zona purgatorial, em que se queima a prestações o material deteriorado das ilusões adquiridas por atacado, mas jamais faltou ali a proteção divina. O plano umbralino está repleto de desencarnados e de formas-pensamento dos encarnados, visto que, em verdade, todo Espírito, onde estiver, “é um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem”.
Como explicar, então, a diferença de cenário e de ambiente?
Por que num lugar a escuridão, a revolta e o desespero, enquanto noutro lugar, perto dali, o sol brilhante, a paz e a harmonia?
A explicação veio-lhe mais tarde, por meio de Lísias, que lhe disse que havia um compromisso entre todos os habitantes equilibrados da colônia no sentido de não se emitirem pensamentos contrários ao bem. Dessa forma, o esforço da maioria se transformou numa prece quase perene e daí nasceram as vibrações de paz que tanto impressionaram o autor do livro Nosso Lar, obra psicografada por Chico Xavier que tanto sucesso obteve em nosso país.  
Se nós, encarnados ainda na Crosta terrestre, fizéssemos um pacto semelhante, em que apenas pensássemos e agíssemos no bem, com toda a certeza o cenário e o ambiente deste mundo tão conturbado se modificariam para melhor, possibilitando e tornando concreta a transformação da Terra, de um mundo de provas e expiação, em um mundo de regeneração.
Depois de considerações semelhantes ao que explanamos, o saudoso confrade Richard Simonetti disse, numa das palestras que proferiu em nossa cidade, que existe uma receita que pode tornar tal ideia uma possibilidade real. E aludiu ao que ele chamou de receita de Tia Grace, uma senhora americana que deixou registrado em seu diário um curioso roteiro para que as pessoas tornem útil sua passagem pela Terra e firmem um real compromisso com o bem.
O breviário de Tia Grace é muito simples e compõe-se apenas de seis pontos:
·   Todos os dias, faça algo útil a alguém.
·   Faça algo útil também para você mesmo.
·   Faça algo que é preciso fazer, mas você não tem vontade.
·   Faça um exercício físico.
·   Faça um exercício mental.
·   Agradeça a Deus pela bênção da vida.
A fórmula, se observada em todos os dias de nossa existência, funcionará, sem dúvida alguma, e – quem sabe? – poderá ser a ferramenta que tem faltado para que, na parte que nos toca, ajudemos a Terra a galgar um novo estágio no seu processo evolutivo.




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sábado, 18 de janeiro de 2020




Ser e não parecer

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

To be or not to be” é a famosa frase de Hamlet, personagem do imortal dramaturgo inglês Shakespeare, do século XVII. E é com ela que inicio esta crônica, propondo-lhe nova versão: em vez de “ser ou não ser”, ser e não parecer.
Aliás, esse é o título de um dos excelentes temas da obra de Vinícius, pseudônimo do escritor espírita Pedro de Camargo, que nasceu em Piracicaba, São Paulo, no dia 7 de maio de 1878, e desencarnou na capital paulista, em 11 de outubro de 1966, ou seja, aos 88 anos de idade. Parece que Deus prioriza longa vida às pessoas boas, que semeiam e, sobretudo, praticam o bem enquanto prisioneiras da carne.
Às más também... mas ao passo que estas se remoem no remorso, enquanto não vem o arrependimento de suas ações nefastas; aquelas estão sempre em paz com Deus, que mora em nossas consciências, além de desfrutarem da felicidade dos justos...
Não é nosso objetivo escrever sobre a longa trajetória de vida cristã de Pedro de Camargo, que fundou centro espírita, presidiu a Sociedade de Cultura Artística e divulgou pelo rádio, desde 1949, um programa evangélico-espírita. Também não vamos nos deter demasiado sobre sua condição de orador espírita altamente apreciado e de escritor de diversas outras obras e artigos espíritas publicados em Reformador, periódico mensal da Federação Espírita Brasileira.
O que nos motiva a redigir este texto são as frases que lemos, hoje, e nos fizeram refletir, mais uma vez, na importância de nosso esforço cotidiano em ser, e não em parecer, cada vez melhor.
Uns versos de Carlos Drummond de Andrade que nunca nos esqueceram são estes: “Lutar com as palavras é a luta mais vã; entanto lutamos, mal rompe a manhã”. Também poderíamos parodiar o poeta que se intitulava gauche, por recomendação de “um anjo torto” nestas suas palavras: “Quando nasci, um anjo torto me disse: - Vai, Carlos, ser gauche na vida”. A paráfrase não é desta frase, e sim dos versos drummondianos supracitados:

Lutar contra o mal
Das mentes malvadas
São lutas mui duras;

Entanto, lutemos,
Rompendo alvoradas
E noites escuras.

Agora as três frases de Vinícius:

Se observarmos atentamente o que se passa na sociedade, verificaremos que tudo se faz, não no sentido de ser, mas no de parecer. 
Realmente, quando se trata de qualidades e virtudes, é muito mais fácil simulá-las que as adquirir. O resultado, porém, é que não é o mesmo. 
Daí o transformarem a religião em acervos de dogmas abstrusos e numa série de determinadas cerimônias que se executam maquinalmente; a eugenia, em arte dos arrebiques; o civismo, em toques de caixa e de cornetas, executados por indivíduos trajando uniformes; o patriotismo, em discursos ocos e plataformas pejadas de falazes promessas, formuladas já com o propósito de não se cumprirem; a política, finalmente, em processo de explorar o povo. [i] 

   Sábias palavras para todos nós. Infelizmente, algumas pessoas farão delas um chicote para açoitar o que consideram imperfeições alheias, sem, entretanto, se corrigirem de suas próprias fraquezas. Outras, sedentas de poder, mas hipócritas, pregarão ao próximo essas e outras frases, ansiosas para que creiam em sua fala; entretanto, para elas mesmas, as advertências soarão como o bronze que soa, ou como o vento que sopra...
Aos que nos esforçamos em seguir, como Pedro de Camargo, “Nas pegadas do Mestre”, sua constatação é mais um incentivo para que continuemos nos esforçando em ser  fiéis discípulos de Jesus até o fim, sem outro propósito, a não ser o de sermos coerentes com o que pensamos, falamos e fazemos de bom, verdadeiro e útil. 



[i] VINÍCIUS. Nas Pegadas do Mestre. 12. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2009, p. 71.






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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020





A morte e os seus mistérios

Ernesto Bozzano

Parte 16

Continuamos o estudo do clássico A morte e os seus mistérios, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Francisco Klörs Werneck. O estudo será aqui apresentado em 24 partes. Nossa expectativa é que ele sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que outro fato pôde ser observado nas manifestações em que atuou a médium Elisabeth Eslinger, a vidente de Prevorst?
B. No caso Elisabeth Eslinger, verificou-se algum fato que nos autorize excluir em definitivo a hipótese dos “estigmas por sugestão emotiva”?
C. Segundo Bozzano, o enigma referente à natureza do elemento psicofísico que determina tais fenômenos está suficientemente resolvido?

Texto para leitura

243. Passando às manifestações que constituem o objeto desta monografia, Bozzano observa que no caso Elisabeth Eslinger encontra-se um conjunto de fatos teoricamente interessantes, porque são semelhantes a outros de que ele tratou anteriormente.
244. Sobressai, com efeito, da narração que, quando o Espírito tocava uma pessoa, esta sentia ao mesmo tempo uma sensação de queimadura, que era logo seguida de uma marca azulada ou de uma bolha. Trata-se, pois, de uma reunião de fatos que se juntam aos quatro narrados antes e já comentados nesta obra. Segue-se daí que esse outro grupo de fatos análogos que se produziram no caso de Elisabeth Eslinger serve para confirmar, ulteriormente, os quatro casos citados anteriormente. Em outros termos: os incidentes em questão, embora de natureza menos sensacional do que as "impressões de mãos de fogo", poderiam bastar, por si mesmos, para provar a existência real dos fenômenos em questão.
245. A outra manifestação, na qual o fantasma apertou uma mão protegida por um lenço, deixando na fazenda a impressão em fogo de cinco dedos, é por sua vez interessante, porque ela se deu em plena luz do dia, na presença de várias pessoas que viram o fantasma mais ou menos nitidamente. Essa manifestação se reúne, eficazmente, às outras antes citadas, nas quais as impressões ficaram gravadas em tecidos e objetos, o que serve para excluir, definitivamente, a hipótese dos "estigmas por sugestão emotiva", destinada a explicar, em bloco, os fenômenos de mãos de fogo.
246. Já que o material dos casos recolhidos é abundante, não é preciso escolher outros que possam ser considerados como suficientemente documentados. Trata-se, na maior parte, de casos tirados de velhas crônicas, especialmente da hagiografia cristã e, por consequência, desprovidos de qualquer testemunho autorizado. Com efeito, durante os séculos passados – séculos de fé e não de ciência - a documentação dos episódios que se relatavam parecia ser aos autores uma superfluidade árida, prejudicial ao fim principal e eficaz da narração.
247. Infelizmente, o fato de dever excluí-los em bloco desta classificação prejudica o estudo desta categoria de fenômenos, uma vez que a autenticidade de alguns dentre eles sobressai nitidamente da concordância dos detalhes secundários. Trata-se de episódios que teriam considerável valor teórico se se pudesse utilizá-los para a pesquisa das causas, mas, como não se poderia cientificamente fazê-lo, preciso é resignar-se ao inelutável.
248. De qualquer modo, observa-se que os nove casos apresentados nesta obra, todos eles suficientemente documentados, concordam inteiramente entre si, em certas particularidades de manifestação, que não podiam, certamente, surgir identicamente na mente de pretensos mistificadores, pois estes ignoravam certamente a existência de manifestações semelhantes.
249. Parecendo-lhe que são bastantes para demonstrar a existência real dos fenômenos das "impressões de mãos de fogo", Bozzano passou a investigar a origem provável dessa categoria de manifestações, ou melhor dito, a natureza dos elementos psicofísicos que os determinam.
250. Ora, se se põe de lado a lenda teológica das almas que ardem nas chamas do Purgatório ou do Inferno, só resta uma hipótese rigorosamente possível e da qual ele já falara, isto é, a hipótese "vibratória", graças à qual assistimos, espantados, aos milagres do Rádio e da Televisão.
251. Se se pensa que o que chamamos "calor" e "frio" constitui um fenômeno único, que difere enormemente para os nossos sentidos, em consequência da intensidade maior ou menor com que se produz, mister se faz deduzir daí que, se a tonalidade vibratória dos fluidos, de que se revestem os Espíritos dos mortos para se tornarem visíveis e tangíveis, fosse consideravelmente mais intensa do que a inerente à substância viva ou aos tecidos vegetais, deverá inevitavelmente seguir-se que as vibrações muito intensas da substância espiritual, encontrando-se com as relativamente fracas dos tecidos vivos e vegetais, devam destruir estes últimos como o faria o fogo, o que determinaria os fenômenos das "impressões de mãos de fogo".
252. Com esta explicação, o enigma referente à natureza do elemento psicofísico que determina os fenômenos em questão pode ser considerado como teoricamente resolvido, em perfeita concordância com as últimas generalizações científicas. Esta interpretação dos fatos está, aliás, inteiramente conforme com o que afirmam as personalidades mediúnicas a respeito das sensações de calor e frio que sentem os vivos ao contato das mãos dos fantasmas.
253. Bozzano relata, em seguida, o que disse uma mensagem mediúnica sobre o assunto. A revista espírita americana The Progressive Thinker, de Chicago, em seu número de 7 de abril de 1923, publicou uma narração das experiências mediúnicas do doutor em medicina George B. Kline, no decurso das quais foi dirigida a uma personalidade mediúnica a seguinte pergunta: "Por que as materializações de fantasmas, com raras exceções, não se produzem nunca em plena luz?"
254. A explicação dada pela entidade comunicante é de natureza "vibratória" e reveste certo interesse teórico, entretanto Bozzano não a cita porque sai do tema de que nos ocupamos e dela se limitou a extrair a seguinte passagem, na qual se toca nas sensações de calor e frio, sentidas pelos vivos ao contato dos fantasmas: "Quando um Espírito toca um dos assistentes e esse experimenta uma sensação de frio, isto significa que as moléculas fluídicas que o tornaram substancial vibram com uma tonalidade muito inferior à das moléculas que constituem o corpo do experimentador. Ao contrário, como sucede na maior parte das vezes, quando ao contato da mão do Espírito, o experimentador sente uma impressão de calor causticante, isto significa que as moléculas fluídicas, que constituem essa mão, vibram com uma intensidade extraordinária. Essas variações são invisíveis para os vivos, mas não são imperceptíveis para nós."
255. Tais são as explicações concordantes das personalidades mediúnicas. Elas devem ser olhadas como decisivas, não porque venham de entidades espirituais, mas porque suas explicações concordam perfeitamente com as conclusões a que chegou a ciência, estudando a natureza do que os nossos sentidos percebem sob a forma de impressões térmicas chamadas "calor" e "frio".
256. Resta, por fim, resolver uma última questão, teoricamente muito importante. Se é verdade - e isto não pode dar lugar à menor dúvida - que o fenômeno das "impressões das mãos de fogo" depende da elevadíssima tonalidade vibratória dos fluidos que se acham no fantasma, então, do ponto de vista naturalista, como considerar a extraordinária intensidade na tonalidade vibratória da substância de que se reveste o fantasma, comparada com a tonalidade vibratória da substância de que se compõem os organismos?
257. É evidente que, se se acolhesse a hipótese naturalista, segundo a qual a substância ectoplásmica, a inteligência e a vontade que caracterizam o fantasma provêm do médium, a tonalidade vibratória da substância de que o fantasma é formado deveria ser idêntica à da substância somática do organismo humano. Como, porém, assim não é, como a tonalidade vibratória no fantasma é muito mais intensa que a do organismo humano, lógico é deduzir-se daí que a origem dessa tonalidade vibratória é estranha ao médium.
258. Nesse caso, ela só pode depender da natureza espiritual da entidade que se manifesta, isto é, de um ser independente do médium. Eis-nos, deste modo, chegados, muito naturalmente, à interpretação espírita dos fenômenos das "impressões de mãos de fogo", interpretação que é a única a fornecer uma solução racional dos fenômenos de que tratamos. Diz Bozzano haver meditado longamente sobre esta questão, com a intenção de achar uma outra solução, conforme a interpretação naturalista, mas não conseguiu concebê-la.

Respostas às questões preliminares

A. Que outro fato pôde ser observado nas manifestações em que atuou a médium Elisabeth Eslinger, a vidente de Prevorst?
Segundo se comprovou, quando o Espírito tocava uma pessoa, esta sentia ao mesmo tempo uma sensação de queimadura, que era logo seguida de uma marca azulada ou de uma bolha. Fatos como esse, embora de natureza menos sensacional do que as "impressões de mãos de fogo", poderiam bastar, por si mesmos, para provar a existência real dos fenômenos em questão. (A morte e os seus mistérios, 2ª Monografia – Marcas e impressões supranormais de mãos de fogo, Caso IX.)
B. No caso Elisabeth Eslinger, verificou-se algum fato que nos autorize excluir em definitivo a hipótese dos “estigmas por sugestão emotiva”?
Sim. Numa das manifestações, o fantasma apertou uma mão protegida por um lenço, deixando na fazenda a impressão em fogo de cinco dedos. O fato ocorreu em plena luz do dia, na presença de várias pessoas que viram o fantasma mais ou menos nitidamente. Essa manifestação se reúne, eficazmente, às outras anteriormente vistas, nas quais as impressões ficaram gravadas em tecidos e objetos, o que serve para excluir, definitivamente, a hipótese dos "estigmas por sugestão emotiva", destinada a explicar, em bloco, os fenômenos de mãos de fogo. (Obra citada, 2ª Monografia – Caso IX.)
C. Segundo Bozzano, o enigma referente à natureza do elemento psicofísico que determina tais fenômenos está suficientemente resolvido?
Sim. Esse enigma pode ser considerado como teoricamente resolvido, porque sua explicação está em perfeita concordância com as últimas generalizações científicas e também com as explicações dadas pelas personalidades mediúnicas a respeito das sensações de calor e frio que sentem os vivos ao contato das mãos dos fantasmas. (Obra citada, 2ª Monografia – Caso IX.)


Observação:
Para acessar a Parte 15 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/01/a-morte-e-osseus-misterios-ernesto_10.html




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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020




O Livro dos Espíritos

Allan Kardec

Estamos fazendo neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – dos oito principais livros do Codificador do Espiritismo. Serão ao todo 1.120 questões objetivas distribuídas em 140 partes, cada qual com oito perguntas e respostas.
Os textos são publicados neste blog sempre às quintas-feiras.
Continuamos hoje o estudo da principal obra espírita – O Livro dos Espíritos –, cuja publicação inicial ocorreu em 18 de abril de 1857.

Parte 4

25. O Espírito possui algum envoltório que possa ajudar na sua identificação pessoal? 
Sim. Envolve-o uma substância, vaporosa para os nossos olhos, mas ainda bastante grosseira para ele. Como ela é vaporosa, pode o Espírito elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira. A esse envoltório Kardec deu o nome de perispírito. Ele é formado com o fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudamos de roupa, e esse envoltório tem a forma que o Espírito queira. É assim que ele aparece aos encarnados algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável. (O Livro dos Espíritos, questões 93, 94 e 95.)
26. Os Espíritos são todos iguais, ou há entre eles alguma hierarquia? 
São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado. Essas ordens são ilimitadas em número, porque entre elas não há linhas de demarcação traçadas como barreiras, de sorte que as divisões podem ser multiplicadas ou restringidas livremente. Todavia, considerando-se os caracteres gerais dos Espíritos, elas podem reduzir-se a três principais. Na primeira, colocam-se os que atingiram a perfeição máxima: os Espíritos puros. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina. Pertencem à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso, eis o que os caracteriza. (Obra citada, questões 96, 97, 98, 99 e 127.)
27. O progresso espiritual está ao alcance de todos os Espíritos ou apenas dos escolhidos do Senhor? 
O progresso está ao alcance de todos e, segundo o Espiritismo, todos os Espíritos se tornarão perfeitos. Depende apenas deles progredir mais ou menos rapidamente para a perfeição, e eles a alcançam mais ou menos rapidamente, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Não existe retrocesso no processo evolutivo. À medida que os Espíritos avançam, compreendem o que os distancia da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode, então, permanecer estacionário, mas não retrograda. (Obra citada, itens 114, 115, 116, 117, 118 e 122.)
28. De onde vêm as influências que se exercem sobre os Espíritos? 
As influências boas vêm da parte dos bons Espíritos. As influências más decorrem da ação dos Espíritos imperfeitos, que procuram apoderar-se deles, dominá-los, e se rejubilam ao fazê-los sucumbir. Foi isso o que se intentou simbolizar na figura de Satanás. Essas influências os acompanham em sua vida de Espírito, até que hajam conseguido tanto império sobre si mesmos, que os maus desistem de obsidiá-los. (Obra citada, questões 122, 122-a e 122-b.)
29. Quem são os seres que chamamos de anjos e demônios? 
Os seres a que chamamos anjos, arcanjos, serafins não formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos. São eles os Espíritos puros, os que se acham no mais alto grau da escala e reúnem todas as perfeições, depois de haverem percorrido todos os graus da escala evolutiva. Não existem demônios. Se existissem, eles seriam obra de Deus, mas, porventura, Deus seria justo e bom se houvesse criado seres destinados eternamente ao mal e a permanecerem eternamente desgraçados? Os seres que chamamos de demônios são Espíritos inferiores que um dia também chegarão ao topo da escala, como os Espíritos puros. (Obra citada, questões 128, 129, 130 e 131.)
30. Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos?
Deus impõe a encarnação aos Espíritos com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. A encarnação visa também a um outro fim: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta. Todos os Espíritos, sem exceção, são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito. (Obra citada, questões 132 e 133.)
31. Qual é, no corpo material, a sede da alma?
A alma não tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita; contudo, nos grandes gênios e em todos os que pensam muito, ela reside mais particularmente na cabeça, ao passo que ocupa principalmente o coração naqueles que muito sentem e cujas ações têm todas por objeto a Humanidade. Entenda-se, porém, que a alma não se acha encerrada no corpo, qual um pássaro numa gaiola. Irradia e se manifesta exteriormente, como a luz através de um globo de vidro, ou como o som em torno de um centro de sonoridade.  (Obra citada, questões 141 e 146.)
32. Como o Espírito constata sua individualidade depois da morte, se já não possui um corpo material?
Embora tenha perdido o corpo material que utilizava durante a encarnação, o Espírito continua a ter um fluido que lhe é próprio, haurido na atmosfera do seu planeta e que guarda a aparência de sua última encarnação: o perispírito. (Obra citada, questões 149 e 150.)

Observação:
Para acessar a 3ª parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/01/o-livro-dos-espiritos-allan-kardec_9.html



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