CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
A paz nasce da gentileza, da simplicidade, da bondade, do
amor. Não há registro de ações rudes que pacificaram situações ou conversas
insensatas que resultaram em finais felizes. No início, é um trabalho árduo
pensar antes de reagir, porém é a mais coerente reação; se toda provocação for
devolvida com a mesma dura intensidade, a paz ficará ainda mais distante.
Quando alguém fala muito e sem a consciência do que expõe, ou pensa que sabe
bem mais do que realmente conhece, tanto melhor deixar a criatura falar sozinha
e perder-se na própria ainda imaturidade. Porque é sábio que enquanto a criatura
não desejar o seu crescimento, assim não haverá melhoria alguma.
De fato, um dos
mais indelicados e inconvenientes contextos é o da pessoa que não permite que
outrem exponha a sua ideia, o seu pensamento, ou seja, em sua minúscula redoma
ainda deseja controlar e amedrontar outras formas de ver e pensar que não se
assemelham com a sua. E continuam com a inoportunidade, naturalmente,
tornando-se cada vez mais irrelevantes sem ao menos querer perceber.
Para todos, há
muito mais para aprendizagem do que o conteúdo por si só já aprendido. No
entanto algumas pessoas sem a mínima sensatez continuam a infeliz conversação e
exposição de ideias rasas e limitadas. E novamente lembramos que temos apenas
uma boca, dois olhos e dois ouvidos, uma soma métrica da sabedoria.
Ainda outro fator
determinante é quando há o monólogo barulhento ‒ pode-se comparar
com a carroça vazia que faz muito barulho no caminho enquanto a cheia,
silenciosamente útil, desempenha com habilidade o seu trabalho ‒, já que tudo
fala, pois pensa que sabe tudo. E o tempo passa e a criatura começa a observar
que se encontra estagnada, e ao seu lado encontram-se apenas pessoas
aprisionadas, por alguma questão, e limitadas.
Então, percebemos
que mais vale a paz em nosso coração do que ganhar uma discussão; mais vale a
consciência calma do que desequilibradamente impor um pensamento a qualquer
criatura que seja. Sempre valerá mais o crescimento interior silencioso do que
a estrondosa imposição sem razão de ser.
A sabedoria de
observar mais do que falar é tão milenar e rica que devemos sempre trazê-la à
memória. E quanto ao outro, nada se pode fazer apenas desejar que se observe e
compreenda a sua real condição. Para isso, é necessário querer observar-se e a
humildade precisa ser alimentada e fortalecida. É muito gratificante tornar-se
mais sensato.
E todos os dias
são o tempo para a retomada de uma estrada melhor, com comportamento mais bem
delineado na sabedoria e no início de todos os ensinamentos do Mestre Jesus.
Não estamos aqui para convencer ninguém, mas estritamente para o nosso
aprimoramento.
A observação de
que temos mais ouvidos e olhos do que apenas uma boca nos traz a certeza de que
a reflexão deve ser maior do que a conversação.
E à medida que nos
observamos aprendemos mais, e a paz começa a se intensificar em nosso coração.
Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/
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