quarta-feira, 1 de abril de 2020


Obreiros da Vida Eterna

André Luiz

Estamos publicando neste espaço – sob a forma dialogada – o estudo de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar. Serão ao todo 960 questões objetivas distribuídas em 120 partes, cada qual com oito perguntas e respostas.
Os textos são publicados neste blog sempre às quartas-feiras.
Concluído o estudo dos três primeiros livros, damos prosseguimento hoje ao estudo do 4º livro da série, Obreiros da Vida Eterna, que o médium Chico Xavier psicografou.

Parte 4

25. Aludindo à parábola de Jesus que focaliza o caso do rico e do mendigo Lázaro, padre Hipólito comentou-a de forma inteiramente nova. Que considerações fez ele sobre o tema?
Antes de comentar a parábola referida, Hipólito perguntou: – "Qual de nós não terá sido, na Crosta do Mundo, aquele rico, vestido de púrpura e linho finíssimo, do ensinamento do Mestre?" E comentou o conhecido texto narrado por Jesus, fazendo-o de um modo inteiramente diferente dos comentários usuais sobre o tema. Todos os que ali estavam – lembrou Hipólito – já tiveram, em derredor, mendigos de afeto e socorro espiritual a mostrar-lhes, em vão, as chagas de suas necessidades. Chamavam-se eles familiares, parentes, companheiros de luta, irmãos remotos de humanidade... Eram filhos famintos de orientação, pais necessitados de carinho, viandantes do caminho evolutivo sequiosos de auxílio, que, improficuamente, se aproximavam implorando reconforto e alegria. "Em geral", lembrou Hipólito, "lembrávamo-nos sempre tarde de suas feridas interiores, indiferentes ao menosprezo da oportunidade sublime que nos fora concedida para ministrar-lhes o bem". Envaidecidos das próprias conquistas, encarcerados em clamorosa apatia, os agora infelizes amontoavam expressões de bem-estar, crendo-se superiores a todas as criaturas integrantes do quadro da passagem terrena. Prisioneiros das próprias criações inferiores, a morte precipitou-os no despenhadeiro purgatorial, semelhante ao tenebroso inferno da teologia mitológica. E, assim, envelhecida e rota a veste rica de oportunidade, todos se tornaram mais pobres que o último dos miseráveis que lhes batiam confiantes à porta do coração e para os quais poderiam ter sido beneméritos doadores da felicidade. Viajores do mundo, os que ali padeciam fugiam, quando encarnados, de todos os companheiros necessitados e estimavam, acima de tudo, o bom tempo, as ilhas encantadas de prazer, a camaradagem dos mais fortes, para depois atingirem a outra margem, humilhados e pesarosos, em terríveis necessidades do espírito, incapazes de prosseguir a caminho dos continentes divinos da redenção. (Obreiros da Vida Eterna, cap. 8, pp. 118 a 122.)
26. Por que, estando bem perto dos socorristas, os sofredores não se aproximavam para juntar-se ao grupo?
O motivo disso é que entre a multidão compacta e o grupo de benfeitores espirituais havia um profundo fosso e, onde surgiam possibilidades de transposição mais fácil, reuniam-se pequenos grupos de entidades com sinistra expressão fisionômica, que exerciam severa vigilância sobre os infelizes, impedindo-os de se aproximarem dos socorristas. (Obra citada, cap. 8, pp. 122 a 129.)
27. Em meio à procissão de pedintes, havia também espíritas?
Sim. Pelo teor das súplicas, via-se que ali estavam reunidos adeptos de variados credos religiosos, e os espiritistas não faltavam no triste concerto. Uma senhora, de porte respeitável, cabelos revoltos e fundas chagas no rosto, suplicou, chorosa: – "Espíritos do Bem, auxiliai-me! Eu conheci Bezerra de Menezes na Terra, aceitei o Espiritismo. No entanto, ai de mim! Minha crença não chegou a ser fé renovadora. Dedicava-me à consolação, mas fugia à responsabilidade! A morte atirou-me aqui, onde tenho sofrido bastante as consequências do meu relaxamento espiritual! Socorrei-me, por Jesus!" (Obra citada, cap. 8, pp. 129 a 131.)
28. As faixas luminosas lançadas pelos socorristas produziram algum resultado?
Não, porque houve, diante dessa providência, uma odiosa represália dos verdugos desencarnados que fez com que esses esforços se tornassem inúteis. (Obra citada, cap. 8, pp. 131 e 132.)
29. Dirigindo-se aos sofredores, Zenóbia fez-lhes um derradeiro apelo, advertindo, porém, que nem todos poderiam ser amparados pela Casa Transitória. Quem, segundo ela, poderia ser admitido no abrigo?
Ela disse que o abrigo receberia apenas criaturas de boa vontade. Seria inútil, pois, procurar-lhe o socorro sem modificação substancial para o bem. "Sofredor algum será recolhido tão só porque implore abrigo com os lábios", asseverou a benfeitora espiritual, enfatizando que apenas os corações sinceramente interessados na renovação própria, em Jesus, seriam admitidos no abrigo. (Obra citada, cap. 8, pp. 133 e 136.)
30. Em que consistia a ação de graças realizada na Casa Transitória e em qual dia da semana era feita?
A ação de graças, que se realizava todas as noites na Casa Transitória, era um culto em que a oração tinha por objetivo agradecer ao Senhor as bênçãos de cada dia e pedir fossem concedidos a todos os irmãos ali presentes os dons do equilíbrio e da equidade. A prece não continha nenhuma solicitação de ordem material ou pedido de atendimento a privilégios. A ação de graças nada mais era do que uma prece de louvor. (Obra citada, cap. 9, pp. 137 a 144.)
31. Quem era Letícia e com que finalidade ela veio à reunião no instituto?
Letícia, desencarnada 32 anos antes, fora na Terra mãe de Gotuzo. Sua fisionomia deslumbrava e no colo trazia soberbo ramalhete de lírios nevados a exalar inebriante perfume, cujo aroma foi percebido por todos. A mensageira veio à reunião para comunicar-se com Gotuzo e, para isso, necessitava do auxílio de Luciana como médium psicofônica. A medida se justificava em face das substâncias densas do plano, que tornavam o ambiente pesadíssimo. Na mensagem ao filho, Letícia o estimulou à reconciliação com os familiares encarnados, levando-o a concordar em reencarnar no mesmo ambiente de sua família, na condição de neto da ex-esposa, para desse modo reconciliar-se com seu suposto rival. (Obra citada, cap. 9, pp. 144 a 150.)
32. Que desfecho teve o encontro de Gotuzo com sua ex-esposa Marília?
Ao ver Gotuzo, Marília pediu-lhe perdão por tudo o que fizera e rogou-lhe não a abandonasse. Ele ficou indeciso, mas, ante a intervenção de Letícia, Gotuzo abriu os braços e recolheu a ex-esposa, solícito, na atitude de irmão compadecido e desvelado. Depois, intuído pela mãe, dirigiu breves palavras à ex-companheira terrena, dizendo-lhe que jamais poderia resgatar sua dívida para com seu devotamento. "Regresse, confiante, enquanto preparo minha própria volta", disse-lhe, sob forte emoção. "Brevemente, com o auxílio de Deus e de nossa abençoada mãe, estaremos, de novo, reunidos na Terra!" (Obra citada, cap. 9, pp. 150 a 156.) 


Observação:
Para acessar a 3ª parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/03/obreiros-da-vidaeterna-andre-luiz_25.html




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terça-feira, 31 de março de 2020




A nova florada nos campos da Terra

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Se até as gotas de orvalho são desígnios de Deus, pois Ele tudo sabe antes mesmo de ser, então o coração deve estar mais em paz e recolhido para o sentimento real, o de transcendência. Talvez digamos que isso agora seja impensável, mas com algumas renovações já estejamos mais próximos desse fato.
A transcendência não significa alheação, descompromisso ou irresponsabilidade. Ela traz, sim, a certeza de que tudo é tão mais profundo e eterno, tudo o que compreende a vida em seu real valor é magnânimo e incomparável. É tempo da assepsia de pensamentos, sentimentos, ações não só por um período breve de quarentena, mas de uma nova tomada de vida, pois serão, daqui em diante, as dificuldades conforme a carecida necessidade de renovação; a vida no Planeta clama por luz e amor e, assim, os corações haverão de agir.
É tão certo, como o horizonte à nossa frente, que as boas novas estão chegando. Milhares de partidas acontecem, são as estrelas voltando para casa, são exemplos tão claros para as estrelas ainda em terra firme. Inúmeros gestos amorosos nascem em todo lugar em meio às dores do corpo e da alma. E a lição continua. E os alunos vão aprendendo. 
Todo coração deverá aprender que “para chegar ao céu é preciso atravessar rios e nuvens”; com mais calma e amor, essa travessia se realizará de forma amistosa e com menos percalços dolorosos. Não há como fugirmos, somos fadados ao progresso dentro da evolução, graças a Deus.
Por um instante nos foi imposto – com toda a compaixão – a reflexão sobre a grandeza da vida. Pequeninos que somos, compreendemos parcialmente e ainda só quando a dor nos alcança. 
Mas os livres pássaros continuam a nos ensinar, o vento calmo e fresco também, como as inimagináveis flores, o silêncio da tardezinha, a água pura, a vitalidade dos raios de sol, a beleza brilhante das estrelas à noite. A Terra continuará, porém está em abençoada transformação. Os seus habitantes também. Mudanças naturais de uma renovação.
E como é justo, a consciência do que é bom selecionará em vários grupos diferentes os níveis de pensamento e agrupará os de mesma afinidade, e determinados grupos estarão mais leves e felizes. Enquanto outros deverão rever os muitos atos desprovidos de amor.
Não há tempo para delegar culpas, é tempo de renovar vidas.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 30 de março de 2020



Embora esteja no currículo do ensino de Português desde o Ensino Fundamental, a correta aplicação da crase continua sendo um tormento para muitos que escrevem.
Examinemos as frases abaixo e coloquemos o sinal indicador de crase nos casos em que isso seja realmente necessário:
1. Saímos as pressas e chegamos a tempo, pois a festa começou daí a instantes.
2. Presenciamos a tarde, a saída do colégio, um acidente impressionante.
3. Ele foi a procura de um restaurante e pediu arroz a portuguesa.
4. Paulo comeu a vontade e deu a garçonete uma gorda quantia.
5. Cedo viajamos a Brasília, para uma rápida visita a parentes.
6. Alheio as críticas, o aluno reportou-se aquilo que ouviu de seu mestre.
7. Amar a verdade e a ela agarrar-se é preceito que devemos respeitar.
8. Viajou a terra dos seus pais, onde a muitos reconheceu.
9. Dez anos depois, voltou a Europa e foi a Roma, a Lisboa e a Madri das touradas.
10. Na volta, foi a Bahia assistir a festa de 70 anos do seu avô.
Eis as frases depois de feitas as correções aplicáveis:
1. Saímos às pressas e chegamos a tempo, pois a festa começou daí a instantes.
2. Presenciamos à tarde, à saída do colégio, um acidente impressionante.
3. Ele foi à procura de um restaurante e pediu arroz à portuguesa.
4. Paulo comeu à vontade e deu à garçonete uma gorda quantia.
5. Cedo viajamos a Brasília, para uma rápida visita a parentes.
6. Alheio às críticas, o aluno reportou-se àquilo que ouviu de seu mestre.
7. Amar a verdade e a ela agarrar-se é preceito que devemos respeitar.
8. Viajou à terra dos seus pais, onde a muitos reconheceu.
9. Dez anos depois, voltou à Europa e foi a Roma, a Lisboa e à Madri das touradas.
10. Na volta, foi à Bahia assistir à festa de 70 anos do seu avô.




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domingo, 29 de março de 2020



Cairbar e a necessidade que temos de estudar

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De Londrina-PR

As obras de autoria de Cairbar Schutel, que desencarnou no mês de janeiro de 1938, já pertencem, desde janeiro de 2009, ao domínio público e podem, portanto, nos termos do art. 41 da Lei n. 9.610, de 19/2/1998, ser publicadas por qualquer editora que se disponha a essa tarefa.
Os livros de Cairbar são, sem exceção, importantes e merecem uma maior atenção da parte de todos nós que militamos na imprensa ou nas casas espíritas.
Schutel não se destacou apenas por sua dedicação ao bem ou à divulgação da doutrina espírita. Seu apreço pelo estudo do Espiritismo ressalta de várias de suas obras, como, por exemplo, podemos ver no livro Médiuns e Mediunidades, do qual extraímos cinco pontos que interessam de perto a todas as pessoas que se dedicam à mediunidade.
Ei-los:
Influência do meio sobre a reunião mediúnica – Lembra Cairbar, na obra mencionada, que as comunicações com os Espíritos exigem muito recato, muito respeito, muita civilidade e muito recolhimento. (Médiuns e Mediunidades, pp. 73 e 74.)
O meio exerce ação considerável para o bom êxito das sessões e até Jesus tinha especial cuidado com isso.
No conhecido episódio do monte Tabor, o Mestre se fez acompanhar de três apóstolos somente. Em Betsaida (Marcos (8:22), conduziu o cego fora da aldeia antes de curá-lo. Fato idêntico ocorreu com o homem surdo e gago, que Jesus tirou da multidão e atendeu à parte (Marcos, 7:32), bem como com a filha de Jairo (Mateus, 9:18), a quem ele curou dentro de um aposento isolado da curiosidade alheia.
Apelo à privacidade das sessões mediúnicas – As sessões práticas devem ser privativas, com número reduzido de assistentes convencionados e assíduos, porque elementos estranhos prejudicam o resultado dos trabalhos. (Obra citada, pp. 53 e 72.)
Não se concebe, pois, a realização de sessões mediúnicas públicas, com portas abertas, sem circunspeção e critério exigidos para a prática mediúnica, algo que ainda se vê em muitas Casas Espíritas, sem nenhum motivo que o possa justificar.
O que compete aos médiuns observar – Primeiramente – diz Cairbar – os médiuns devem estudar, porque o estudo preparatório dos que se dedicam às sessões mediúnicas é indispensável ao exercício da mediunidade. (Obra citada, pp. 75 e 76.)
Os médiuns necessitam ter, ainda, muita persistência, muita paciência, muita perseverança nas reuniões e nos estudos, para melhor se relacionarem com o mundo invisível.
Orientação a doutrinadores e esclarecedores – Antecipando-se ao que modernamente se sabe sobre o assunto, Cairbar recomendava já em sua época, no atendimento aos comunicantes desencarnados: “Convém deixar o Espírito comunicante falar”. (Obra citada, p. 53.)
Ele sabia que a chamada doutrinação ou esclarecimento dos Espíritos equivale, no plano material, ao atendimento fraterno, em que o atendente mais ouve do que fala, possibilitando assim ao atendido dar ampla vazão aos sentimentos muitas vezes represados pelas condições do meio em que vive.
Condições do ambiente das sessões mediúnicas – As sessões mediúnicas – recomenda Cairbar – requerem um ambiente de semiobscuridade ou iluminado com uma lâmpada vermelha de luz fraca. (Obra citada, p. 51.)
Ele fazia, assim, uma recomendação que André Luiz iria fazer várias décadas mais tarde, em seu livro Desobsessão, psicografado em 1964.

*

A preocupação com o estudo e a pesquisa não se limitou, no entanto, à obra mencionada, porque seria de novo enfatizada em um de seus livros mais importantes – A Vida no Outro Mundo, em que Cairbar nos apresenta, na parte final, esta importante e atualíssima mensagem:
“O túmulo não é o ponto final da existência.
Nosso destino é grandioso.
Existem mundos de luz, onde reina a verdade; mundos que serão nossas futuras moradas!
Assim como o progresso caracteriza perfeitamente a evolução gradativa do nosso planeta, que será um dia paraíso terrenal, assim também essa Lei inflexível, que rege os mundos que se balouçam no Éter, nos prepara moradas felizes, dispersas na Casa de Deus, que é o Cosmo infinito.
Tenhamos fé e estudemos!
Ignoramos? Progridamos! Porque do estudo e da pesquisa vem a verdade que esclarece a inteligência, e, desta, a evolução espiritual, que nos guinda às alturas, para compreendermos as coisas do Espírito, coisas que Deus reserva para todos os que procuram crescer no Seu conhecimento e na Sua graça.
Que as luzes da caridade, que vamos conquistando, nos ilumine toda a Ciência, toda a Religião, toda a Filosofia, para podermos, com justos títulos, observar as magnificências do Universo e cientificarmo-nos da imortalidade e da Eternidade da Vida.” (A Vida no Outro Mundo, pág. 126.)




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sábado, 28 de março de 2020



O governador da Ilha de Aparecida

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Existe uma rica ilha famosa num país conhecido mundialmente por seu combate ao Comunismo e suas correntes ideológicas nefastas. Ali, terroristas tentaram implantar, na marra, o pseudogoverno do proletariado (na verdade, massa de manobra de seus líderes, que jamais quiseram residir nos países aos quais essa nefasta ideologia levou a miséria, a ditadura e o terrorismo).
Não conseguiram. Militares que tinham a missão de proteger a ilha, com o apoio maciço da população local, reprimiram energicamente a ação terrorista. Houve baixas fatais de ambos os lados; mas as Forças Armadas, reforçadas pela polícia local e pela aprovação popular, conseguiram prender alguns terroristas e banir outros.
Depois dessa vitória heroica da lei contra o crime, a ilha foi governada, durante alguns anos, com "mão de ferro", por militares. Todos eles eram religiosos, honestos, disciplinados e patriotas. O país, entretanto, enfrentou uma crise econômica, e a ilha não ficou de fora dessa crise. Como o povo julgou que a culpa de suas dificuldades materiais era do governo militar, resolveu pressioná-lo para permitir que, em eleições diretas, candidatos civis pudessem ser eleitos e os substituíssem, resolvendo, desse modo, os problemas socioeconômicos da ilha.
Novos governadores, todos civis, passaram a gerir a economia da ilha. Infelizmente, porém, em vez de apenas resolverem os problemas econômicos do povo, passaram também a usar os recursos do erário em proveito próprio, de parentes e de amigos. Alguns desses governadores eram anistiados políticos dos militares, que passaram a considerar ditadores, desde quando estes não mais governaram a ilha.
Um desses civis, após implantar a ideologia comunista, retocada com a aparência de governo democrático, chegou mesmo a afirmar, após indicar para substituí-lo ex-militante da era terrorista, que a "apropriação" de dinheiro público em proveito próprio não era roubo, se o "apropriador" houvesse sido eleito "democraticamente". Outro, em defesa de seus colegas, disse que o bom administrador "rouba, mas faz". E a corrupção chegou ao extremo...
Por fim, com a ajuda de grande emissora de TV, que subsidiavam, criaram lei proibindo toda a população civil da ilha de possuir arma de fogo em casa, ainda que fosse para defesa própria e de sua família, mesmo nos locais mais perigosos, como o dos sítios isolados da ilha. A ideia era desarmar a população. Com qual finalidade? Os comunistas sabem a resposta...
Concomitantemente a isso, criaram leis subvertendo tudo o que a moral considerava correto. Criminoso comprovado passou a ser chamado, indiscriminadamente, de "suspeito", "réu" tornou-se "paciente", bandido virou "vítima", policial tornou-se "criminoso". O suspeito preso em flagrante vai para a delegacia, mas compra um "habeas corpus" e volta às ruas, livremente, para cometer novos crimes.
As religiões passaram a ser ridicularizadas, assim como Deus e Jesus Cristo. Imagens são quebradas nas igrejas, que também são invadidas por "vândalos", que se despem e mantêm relações sexuais em suas salas de orações. As cruzes são arrancadas dos altares e transformadas em objetos sexuais...
Em consequência disso, o povo da ilha reviu seus conceitos, rejeitou essas ideologias nefastas e elegeu novo governador militar, que quase foi assassinado com um tiro à queima-roupa antes de ser eleito e empossado. Deus, assim, em sua onisciência e poder, além de preservar a vida do atual governador, inspira-lhe a indicação de homens de bem para auxiliá-lo, nos trabalhos de restauração da dignidade, da moral e do progresso de todos.
Insatisfeitos, os comunistas, guerrilheiros e simpatizantes passaram a criticar todos os apoiadores do militar eleito. Em especial, com o apoio do canal de TV e seus associados, que até hoje buscam hostilizá-lo e desestabilizá-lo, para isso contando com o despreparo de seus familiares, que se imiscuem indevidamente nos assuntos governamentais, alimentando, assim, a oposição.
Há três diferenças básicas, no caráter do novo governante, chamado Joel Isaías, em relação aos seus antecessores: 1ª) amor a Deus e respeito às religiões; 2ª) honestidade acima de qualquer suspeita; e 3ª) amor à sua ilha e aos cidadãos de bem ali residentes, tudo fazendo para o crescimento socioeconômico do local. Portanto, escolheu pessoas da mais alta competência e honestidade para auxiliá-lo na gestão das diversas regiões administrativas da ilha, seja na economia, na justiça, na saúde, na educação...
Após pouco mais de um ano do novo governo, o povo da ilha percebeu que grandes avanços socioeconômicos surgiram no território: pavimentação de inúmeras ruas antes intransitáveis; recolhimento de cartilhas meramente ideológicas nas escolas; conclusão de obras públicas abandonadas há anos; nomeação de concursados para cargos públicos, em substituição dos militantes partidários, nomeados antes sem prestarem concurso etc.
Tudo isso vinha sendo conseguido graças à escolha criteriosa por Joel Isaías dos seus representantes administrativos. "De repente, não mais que de repente", como diria o poetinha Vinícius de Moraes, veio da China um vírus mutante terrível, que começou a dizimar os idosos da ilha e jogou no abismo a economia local.
Nem tudo é elogio a Joel. Muito preocupado em aparecer na mídia como o "salvador da ilha", em vez de atuar na resolução das grandes questões do local, preocupa-se em responder às "pegadinhas" que lhe são armadas pela oposição. Parece esquecer que a maioria dos eleitores que o elegeram optaram, não por sua pessoa simpática, mas pela expectativa de mudança de rumos socioeconômicos e morais necessários à vitória do bem contra o mal na ilha de seu governo. Deveria lembrar-se, portanto, de que foi eleito em virtude de suas boas intenções em restaurar a "ordem e o progresso" da ilha...
Joel, entretanto, após sobreviver à tentativa de homicídio que seus adversários tramaram contra ele, alega eterna gratidão a seus eleitores e expõe algumas centenas de bajuladores ao perigo de contágio de sua saúde, ainda que seja imune, mas porte o vírus da doença infectocontagiosa. Sai, então, ao encontro desses desocupados e oferece prato cheio aos comunistas e simpatizantes para tentar defenestrá-lo do poder, ou, ao menos, voltar a este.
Por falar sem refletir, a imprensa tendenciosa pinça apenas a parte negativa de suas respostas, ainda que figuradas, e passa dias martelando o povo da ilha com isso.
Seria interessante que o bem-intencionado governador da Ilha de Aparecida desse uma lida nos poemas do Boca do Inferno, apelido do poeta Gregório de Matos Guerra em relação à ordem na própria casa, para que não venham depois dizer, como Torquemada, o bispo da Inquisição que mandava torrar nas fogueiras seus inimigos, sob a infame denominação de hereges: "De boas intenções, o inferno está cheio".
Conselho de desinteressado amigo e ex-colega menor de farda: confie mais em seus auxiliares, fale menos e trabalhe mais... Nesta época virótica, seria melhor atuar em casa. Para isso, a tecnologia é forte. E o povo aplaude.
                                      




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sexta-feira, 27 de março de 2020



O Espiritismo perante a Ciência

Gabriel Delanne

2ª Parte

Continuamos o estudo do clássico O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, conforme tradução da obra francesa Le Spiritisme devant la Science.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. As transformações da matéria obedecem a alguma lei?
B. Que dedução se pode tirar quando se examina o desenvolvimento da vida ao longo dos períodos geológicos?
C. A força e a matéria são princípios independentes um do outro?

Texto para leitura

35. Existem terras como a nossa, que obedecem a regras invariáveis, cuja harmonia é de tal forma grandiosa, que o espírito, espantado e confuso diante de tantas maravilhas, não pode duvidar de que uma profunda sabedoria tenha presidido ao seu planejamento. Não é preciso lembrar a um sábio como Moleschott a extrema complicação da máquina celeste e a harmonia que a caracteriza, a qual, obviamente, não pode ter nascido do caos nem ser fruto do acaso.
36. As transformações da matéria se fazem em virtude de leis imutáveis, guiadas pela mais inflexível lógica; eis por que acreditamos em uma inteligência suprema, reguladora do Universo.
37. Sabemos, como Moleschott, que nada se cria, que nada se perde em nosso pequeno mundo. A Astronomia nos ensina que a Terra rodopia em torno do Sol através dos campos da extensão e sabemos que a gravidade retém em sua superfície todos os corpos que a compõem. Podemos compreender perfeitamente, portanto, que ela não adquire nem perde coisa alguma em sua incessante carreira. Provam-nos as novas descobertas que todas as substâncias se transformam umas nas outras, que os corpos, estudados à luz da química, diferem pelo número e pela proporção dos elementos simples que entram em sua composição. Nada é mais exato e ninguém pensa em contestar essas verdades demonstradas.
38. Se encararmos a multiplicidade enorme das trocas que se realizam entre todos os corpos, o que mais nos surpreende não são essas combinações em si, mas o maravilhoso conhecimento das necessidades de cada ser que elas atestam. Nada se perde no imenso laboratório da Natureza. Todos os seres, por ínfimos que nos pareçam, têm sua utilidade para o bom funcionamento do conjunto da criação; cada substância é utilizada de forma a produzir seu máximo de efeito, e a “circulação da matéria” entretém a vida na superfície do nosso Globo. Esse movimento perpétuo é a alma do mundo e, quanto mais complicado ele é, quanto mais variado, tanto mais testemunha em favor de uma ação diretriz.
39. A ciência contemporânea descobriu nossas origens; sabemos que, desde quando a Terra não era mais que um amontoado de matéria cósmica, produziram-se metamorfoses que a trouxeram lentamente, gradualmente, à época atual. É em razão dessa progressão evolutiva que reconhecemos a necessidade de uma influência que se exerce de maneira constante, para conduzir os seres e as coisas da fase rudimentar a estados cada vez mais aperfeiçoados.
40. Não se pode negar, quando examinamos o desenvolvimento da vida através dos períodos geológicos, que uma inteligência haja dirigido a marcha ascendente de tudo o que existe, para um fim que ignoramos, mas cuja existência é evidente. E é fácil verificar que os seres se têm modificado de maneira contínua, em virtude de um plano grandioso, à medida que as condições da vida se transformam na superfície do Globo.
41. A que agente atribuir essa marcha progressiva? É o acaso que combina, com tanto cuidado, a ação de todos os elementos? Seria absurdo supô-lo, pois o acaso é uma palavra que significa a ausência de todo o cálculo, de toda a previsão. Afastada esta hipótese, restam-nos as leis físico-químicas de que fala Moleschott.
42. Nunca se admitiu que o oxigênio se combinasse por prazer com o hidrogênio; o azoto, o fósforo, o carbono etc. têm propriedades que possuem de toda a eternidade, é evidente; mas não é menos verdade que se trata de forças cegas, que não se dirigem em virtude de um impulso próprio, e se estas energias passivas ao se aliarem produzem resultados harmônicos, bem coordenados, é que elas são postas em ação por um poder que as domina. A Química, a Física, a Astronomia, explicando os fatos que pertencem às suas respectivas esferas, de forma alguma atingiram a causa primária. A Biologia moderna também não toca nessa causa e não suprime Deus; ela o vê mais longe e, sobretudo, mais alto.
43. Examinemos, agora, a segunda proposição de Moleschott, que pretende seja a força um atributo da matéria, isto é, que impossível seja conceber uma sem a outra. Em sua opinião, estudar separadamente a força e a matéria é uma falta de senso, donde resulta que, estando a energia contida na matéria, as forças como a alma, o pensamento, Deus, não são mais que propriedades dessa matéria. Se demonstrarmos que tal asserção é falsa, estabeleceremos, implicitamente, a realidade da alma.
44. Para responder a um sábio não há melhor método que o de lhe opor outros sábios. Diz d'Alembert, secundando Newton, “que um corpo abandonado a si próprio deve persistir eternamente em seu estado de movimento ou de repouso uniforme”. Em outras palavras: estando um corpo em repouso, não poderia por si mesmo deslocar-se. Laplace assim exprime o mesmo pensamento. Um ponto em repouso não pode dar a si o movimento, pois que não dispõe de raciocínio que o faça mover num sentido em vez de outro. Solicitado por uma força qualquer e, em seguida, abandonado a si mesmo, move-se constantemente de maneira uniforme, na direção dessa força; não experimenta nenhuma resistência; em todo o tempo, sua força e sua direção de movimento são as mesmas. Essa tendência da matéria para perseverar em seu estado de movimento e de repouso é o que se chama inércia. É esta a primeira lei do movimento dos corpos.
45. Newton, d'Alembert e Laplace reconhecem, pois, que a matéria é indiferente ao movimento e ao repouso, que só se move quando uma força atua sobre ela, porque, naturalmente, é inerte. É, portanto, uma afirmação gratuita e sem fundamento científico atribuir força à matéria. Cremos que dificilmente podem recusar-se o testemunho e a competência dos três grandes homens acima citados. Para dar mais peso, entretanto, à nossa asserção, diremos que o Cardeal Gerdil e Euler estabeleceram, por cálculos matemáticos, a certeza da inércia dos corpos.
46. Mas não só os matemáticos trataram dessa questão: M. H. Martin, em seu livro As ciências e a filosofia, demonstra, segundo o Sr. Dupré, que em virtude das leis da termodinâmica é necessário admitir uma ação inicial exterior e independente da matéria. Aliás, é fácil a convicção, raciocinando de acordo com o método positivo, de que o testemunho dos sentidos não pode fazer-nos ver a força como um atributo da matéria; ao contrário, verificamos pela experiência cotidiana que um corpo fica inerte e permanecerá eternamente na mesma posição se nada lhe vier dar o movimento. Uma pedra, que lançarmos, permanece, depois de sua queda, no estado em que se achava quando a força que a animava cessou de atuar. Uma bola não rolará sem o primeiro impulso que lhe determine o deslocamento. Sendo o Universo o conjunto dos corpos pode-se dizer do conjunto da criação o que se diz de cada corpo em particular, e se o Universo está em movimento, é impossível achar que a causa desse movimento esteja nele próprio.
47. Vê-se, pois, que Moleschott não foi feliz na escolha de suas afirmações. Erige como verdade os pontos mais contestáveis; não é, pois, de surpreender que, partindo de dados tão falsos, chegue a conclusões absolutamente errôneas. O estudo imparcial dos fatos nos leva, em verdade, a encarar o mundo como formado de dois princípios independentes um do outro: a força e a matéria. E é preciso, além disso, observar que a força é a causa efetiva a que obedecem os seres, orgânicos ou não. Todas as forças, portanto, designadas sob os nomes de Deus, alma, vontade, têm uma existência real fora da matéria e esta nada mais é do que instrumento passivo, sobre o qual elas se exercem.
48. Continuando a análise do livro de Moleschott, ver-se-á que em suas apreciações sobre o homem ele não mostra mais perspicácia do que em seu estudo sobre a Natureza. O grande argumento que ele oferece como prova de convicção é o mesmo que o dos materialistas em geral. Consiste em dizer que é o cérebro que segrega o pensamento.
49. Os materialistas se encontram em face desse problema: o homem pensa; o pensamento não tem nenhuma das qualidades da matéria; é invisível, não tem forma, nem peso, nem cor; entretanto, existe. É preciso, pois, por se mostrarem coerentes, que o façam provir da matéria. Mas é grande a dificuldade para explicar como uma coisa material, o cérebro, pode engendrar uma ação imaterial, o pensamento. Vemos, então, desfilarem os sofismas, com o auxílio dos quais nossos adversários dão a aparência de um arrazoado.
50. Que o cérebro é necessário à manifestação do pensamento, os filósofos gregos já o sabiam, mas não caíam, por isso, no erro dos céticos de hoje, pois eles estabeleceram a distinção entre a causa e o instrumento que serve para produzir o efeito.
51. Certos fisiologistas, como Cabanis, não encaram o assunto dessa maneira. Diz ele: “Vemos as impressões chegarem ao cérebro por intermédio dos nervos; elas se acham, então, isoladas e sem coerência. O órgão entra em ação, age sobre as impressões e as reenvia metamorfoseadas em ideias, que se manifestam, exteriormente, pela linguagem da fisionomia ou do gesto, pelos sinais da palavra ou da escrita. Concluímos, com a mesma segurança, que o cérebro digere, de alguma sorte, estas impressões; que ele faz, organicamente, a secreção do pensamento”.
52. Tal doutrina tão bem se implantou no espírito dos materialistas que, segundo Carl Vogt, os pensamentos têm com o cérebro quase “a mesma relação que a bílis com o fígado ou a urina com os rins”.
53. Moleschott, seguindo nessa linha de pensamento, diz a seu turno, variando um pouco a argumentação: “O pensamento não é mais que um fluido, como o calor ou o som; é um movimento, uma transformação da matéria cerebral; a atividade do cérebro é uma propriedade do cérebro, tão necessária como a força, por toda parte inerente à matéria, de que é caráter essencial e inalienável. É tão impossível que o cérebro intacto não pense, como é impossível seja o pensamento ligado a outra matéria que não o cérebro”.
54. Segundo ele, qualquer alteração do pensamento modifica o cérebro, e qualquer dano a esse órgão suprime o pensamento no todo ou em parte. Afirma ele: “Sabemos, por experiência, que a abundância excessiva do líquido cefalorraquidiano produz o estupor; a apoplexia é seguida do aniquilamento da consciência; a inflamação do cérebro provoca o delírio; a síncope, que diminui o movimento do sangue para o cérebro, provoca a perda do conhecimento; a afluência do sangue venoso para o cérebro produz a alucinação e a vertigem; uma completa idiotia é o efeito necessário, inevitável, da degenerescência dos dois hemisférios cerebrais; enfim, toda excitação nervosa na periferia do corpo só desperta uma sensação consciente no momento em que repercute no cérebro”.
55. Toda a argumentação de Moleschott consiste em dizer que, com órgãos sãos, os atos intelectuais se exercem facilmente; ao contrário, se o cérebro adoece, a alma não pode mais se servir dele, e as faculdades reaparecem quando as causas que o alteravam cessam de agir. É sempre a história do piano. Se uma das cordas chega a quebrar-se, será impossível fazer vibrar a nota que lhe corresponde; substitua-se a corda e imediatamente o som voltará a produzir-se. Mas, quando fosse demonstrado que o pensamento é sempre a resultante do estado do cérebro, não bastaria isso para afirmar-se que o encéfalo produz o pensamento. Quando muito, daí se poderiam induzir as relações íntimas existentes entre ambos, pois não está ainda provado que a integridade do cérebro seja indispensável à produção dos fenômenos espirituais.
56. Afirma Longet, cuja competência em fisiologia é unanimemente reconhecida: “Nunca se negou a solidariedade dos órgãos sãos com uma inteligência sã – mens sana in corpore sano; mas essa dependência tão natural não é de tal forma absoluta que se não encontrem numerosos exemplos do contrário; veem-se débeis crianças assombrar pela precocidade da inteligência e extensão do espírito; velhos decrépitos, já vizinhos da tumba, conservar intactos os julgamentos, a memória, o fogo do gênio, o ardor da coragem”.
57. Segundo Longet, a loucura é acompanhada, muitas vezes, de uma lesão apreciável dos centros nervosos, mas há casos em que Esquirol e os autores mais conscienciosos afirmaram não haver encontrado nenhum vestígio de alteração no cérebro, o que mostra que suas conclusões não são inteiramente a favor de Moleschott e que não é possível afirmar que o pensamento esteja sempre em harmonia com a integridade do cérebro; logo, ele não é produzido pelo cérebro.
58. Outra tese do sábio holandês atribui o pensamento a uma vibração da matéria cerebral. Seria essa teoria mais justa que as precedentes? Desde logo esbarramos numa dificuldade: é difícil compreender como uma sensação gera uma ideia. A sensação é uma impressão produzida nos nervos sensitivos por um abalo externo; este determina um movimento ondulatório que se propaga até o cérebro pelas fibras nervosas. Lá chegado, esse movimento faz vibrar as células. Mas como pode o movimento mecânico das células determinar uma ideia? Como compreender que esse abalo seja percebido pelo ser pensante?
59. As células nervosas não são, por si mesmas, inteligentes; o movimento vibratório é simples ação material. Como pode o pensamento nascer desse abalo das células nervosas? Foi o que se esqueceram de ensinar-nos.
60. Os espiritualistas, por sua vez, interpretam os fatos dizendo que há em nós uma individualidade intelectual, que é advertida por essa vibração de que uma ação foi exercida sobre o corpo, e é quando a alma tem consciência desse movimento vibratório que nós experimentamos a percepção.
61. O fenômeno tão comum da distração mostra que tudo se passa assim. Quando trabalhamos num aposento, não acontece frequentemente ficarmos insensíveis ao tique-taque de um relógio? Não sucede, mesmo, ficarmos insensíveis às horas que batem? Por que não as ouvimos? As vibrações, produzidas pelo som impressionaram nosso ouvido, propagaram-se através do organismo até o cérebro, mas, estando a alma preocupada por outros pensamentos, não pôde transformar a sensação em percepção, de sorte que não tivemos consciência dos ruídos produzidos pelo relógio. Esse simples fato demonstra, de maneira concludente, a existência da alma.

Respostas às questões preliminares

A. As transformações da matéria obedecem a alguma lei?
Sim. Elas se fazem em virtude de leis imutáveis, guiadas pela mais inflexível lógica. Prova disso é a harmonia grandiosa que caracteriza a máquina celeste, fato que não pode ter nascido do caos nem ser fruto do acaso. (O Espiritismo perante a Ciência, Primeira Parte, Cap. I.)
B. Que dedução se pode tirar quando se examina o desenvolvimento da vida ao longo dos períodos geológicos?
A dedução que daí decorre é de que uma inteligência haja dirigido a marcha ascendente de tudo o que existe, para um fim que ignoramos, mas cuja existência é evidente. É fácil verificar que os seres se têm modificado de maneira contínua, em virtude de um plano grandioso, à medida que as condições da vida se transformam na superfície do Globo. A que agente atribuir essa marcha progressiva? É o acaso que combina, com tanto cuidado, a ação de todos os elementos? Seria absurdo supô-lo, pois o acaso é uma palavra que significa a ausência de todo o cálculo, de toda a previsão. (Obra citada, Primeira Parte, Cap. I.)
C. A força e a matéria são princípios independentes um do outro?
Sim. A experiência e o raciocínio indicam que a força não é simples atributo da matéria; ao contrário, o estudo dos fatos nos leva a considerar a força e a matéria como princípios independentes. A força é a causa efetiva a que obedecem os seres, orgânicos ou não. A matéria é instrumento passivo, sobre o qual ela se exerce. (Obra citada, Primeira Parte, Cap. I.)


Observação:
Para acessar a 1ª Parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/03/o-espiritismoperante-ciencia-gabriel.html




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