segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 



Podia ser pior

 

Hilário Silva (Espírito)

 

O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.

Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.

Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espírita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces.

Inquirido por Filgueiras, começou a explicar-se:

— Imagine você que minha infelicidade começou quando o meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre…

— Mas podia ser pior! — Falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.

— Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me…

— Podia ser pior… — Atalhou Filgueiras.

— O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recurso, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis…

— Podia ser pior…

— Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me com amargas palavras…

— Podia ser pior…

— Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.

— Mas podia ser pior… — Acentuou Filgueiras, calmo.

O outro sorriu, mal-humorado, e objetou:

— Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão… Que podia ser pior, Filgueiras?

O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente:

— Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho em que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa…

O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.

 

Do livro Almas em desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 

 

 

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

 





O corpo espiritual ou perispírito não é parte, mas sim invólucro da alma

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Alguém nos enviou a seguinte pergunta: “O espírito nasce com perispírito, como se fosse o coração para nós?”

A relação entre Espírito e perispírito é colocada de modo muito claro na obra de Allan Kardec, como, por exemplo, no cap. II, Noções elementares de Espiritismo, itens 8 a 14, do  livro O que é o Espiritismo, em que o leitor encontrará as informações seguintes.

Os Espíritos não são seres vagos e indefinidos, nem chamas semelhantes a fogos fátuos, muito menos fantasmas como é dito nos contos sobre as almas do outro mundo. São seres semelhantes a nós, tendo como nós um corpo, conquanto seja ele fluídico e invisível no seu estado normal aos nossos olhos.

Quando a alma está unida ao corpo, durante nossas existências corpóreas, ela tem duplo invólucro: um pesado, grosseiro e destrutível – o corpo físico; e outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito. Paulo de Tarso em sua 1ª epístola aos Coríntios refere-se a esse corpo fluídico, a que ele chamou de corpo espiritual. (Cf. 1 Coríntios, 15:44.)

Há assim três elementos essenciais no homem:

1.° A alma, princípio inteligente em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral;

2.° O corpo, invólucro material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;

3.° O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, que serve de laço e de intermediário entre a alma e o corpo.

A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito.

Em seguida às informações acima, Kardec acrescentou uma nota cujo teor ele já havia publicado na Revista Espírita. A nota diz o seguinte:

A alma é assim um ser simples; o Espírito um ser duplo e o homem um ser triplo. Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e Espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, do mesmo modo por que se diz que uma cidade é povoada de tantas almas, uma vila composta de tantas famílias; filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença.” (O que é o Espiritismo, cap. II.) [Negritamos.]

Com relação ao perispírito, especialmente considerado, lemos na principal obra espírita as informações que seguem:

93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer? “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.” Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

94. De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial? “Do fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”

a) Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro? “É necessário que se revistam da vossa matéria, já o dissemos.”

95. O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível? “Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.” (O Livro dos Espíritos, questões 93 a 95.)

Respondendo assim, de forma objetiva, à pergunta mencionada no preâmbulo, esclarecemos que o Espírito não nasce com perispírito; o termo “Espírito” designa o ser constituído de dois elementos, alma e perispírito.

Quanto ao perispírito, ou corpo espiritual, trata-se de um invólucro, um revestimento de natureza fluídica de que a alma necessita para atuar no meio onde se encontre, estando ou não entre nós, como um ser reencarnado, ou no plano espiritual, como um ser desencarnado.

 

Nota do Autor:

Para ler nossa última publicação, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/02/como-entender-o-sofrimento-dos-nossos.html

 

 

 

 

 

 

 

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

 



AS PIONEIRAS DO ESPIRITISMO

 

Astolfo O. de Oliveira Filho

 

Em matéria de Espiritismo, duas datas são importantes: 31 de março de 1848, que assinala o início dos fenômenos que deram origem à Doutrina Espírita, e 18 de abril de 1857, data em que surgiu “O Livro dos Espíritos”, contendo os princípios da doutrina espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens.

Sobre o assunto produzimos com ajuda da I.A, tendo por fonte um texto de nossa autoria, o trabalho abaixo. Para acessá-lo, clique neste link: https://notebooklm.google.com/notebook/2a88f3ef-7d47-4caa-91b5-723c980fbc76

Na sequência, aparecerá na tela do smartphone ou de seu computador pessoal uma página com uma breve apresentação sobre o assunto e – clicando na coluna Estúdio – o leitor poderá acessar, na parte inferior da coluna, 3 resumos bem interessantes pertinentes ao tema:

- um VÍDEO de curta duração (7 minutos)

- um ÁUDIO com formato de podcast (15 minutos) e

- uma APRESENTAÇÃO em slides, ótima para uso em palestras e grupos de estudos.

Ciente de como surgiu no mundo a Doutrina Espírita, temos certeza de que nascerá no leitor a vontade de saber um pouco mais a respeito do Espiritismo, de seus princípios fundamentais e de sua proposta, que tem como lema a conhecida frase “Fora da caridade não há salvação”.

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 



Existem muitas palavras para as quais as normas gramaticais aceitam dupla prosódia.

Eis algumas delas:

Acrobata / acróbata

Alopata / alópata

Anidrido / anídrido

Autocrata / autócrata

Azaleia / azálea

Fisiocrata / fisiócrata

Hieroglifo / hieróglifo

Homilia/ homília

Oceania / Oceânia

Ortoepia / ortoépia

Projetil / projétil

Reptil / réptil

Reptis / répteis

Soror / sóror

Transistor / transístor

Xerox / xérox

Zangão / zângão

Necropsia / necrópsia.



Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/02/embora-nao-sejam-recentes-as-mudancas.html

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 




Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

11

 

Berço

 

Excetuando-se os planos organizados para as obras especiais, em que Espíritos missionários senhoreiam as reservas fisiológicas para a criação de reflexos da Vida Superior entre os homens, impelindo-os a maior ascensão, todo berço de agora retrata o ontem que passou.

O caminho que iniciamos em determinada existência é o prolongamento dos caminhos que percorremos naquelas que a precederam.

Esfalfa-se a investigação científica na Terra, estudando o continuísmo biológico.

Núcleos de cromossomas e veículos citoplásmicos, fatores de ambiente e genealogias familiares são chamados pelos geneticistas à equação dos problemas da origem e é natural que de suas indagações surjam resultados notáveis, quais sejam aqueles que tangem aos caracteres morfológicos e às surpresas da adaptação.

O escalpelo da observação humana, porém, não consegue, por agora, ultrapassar o recinto externo da constituição orgânica, detendo-se no exame da conformação e da estatura, da pigmentação e do grupo sanguíneo, alusivos à filiação corpórea, já que os meandros da hereditariedade psíquica são, por enquanto, quase que integralmente inacessíveis à sondagem da inteligência terrestre.

É que as células germinais, por sementes vivas, reproduzem os nossos clichês da consciência no trabalho impalpável da formação de um corpo novo.

Na câmara uterina, o reflexo dominante de nossa individualidade impressiona a chapa fetal ou o conjunto de princípios germinativos que nos forjam os alicerces do novo instrumento físico, selando-nos a destinação para as tarefas que somos chamados a executar no mundo, em certa quota de tempo.

Nisso não vai qualquer exaltação ao determinismo absoluto, porque ninguém pode suprimir o livre-arbítrio, com o qual articulamos as causas de sofrimento ou reparação em nossos destinos, dentro do determinismo relativo em que marchamos para mais altas formas de emoção e pensamento, na conquista da liberdade suprema.

Pelo transe da morte física, regressamos à Vida Maior com a soma de realizações que nem sempre são aquelas que devêramos efetuar. Em muitas circunstâncias, as imagens trazidas da permanência na carne são fantasmas temíveis, nascidos de nossas próprias culpas, exigindo reajuste e pagamento, a modelarem para os nossos sentidos o inferno torturante em que se nos revolvem as queixas e aflições.

Eis, porém, que a Justiça Fiel, por misericórdia, nos concede o retorno para a bênção do reinício. Retomamos, assim, através do berço, o contato direto com os nossos credores e devedores para a liquidação dos débitos que contraímos, cujo balanço efetivo jaz devidamente contabilizado nas Leis Divinas.

É desta maneira que comumente renascemos na Terra, segundo as nossas dívidas ou conforme as nossas necessidades, assimilando para esse fim a essência genética daqueles que se nos afinam com o modo de proceder e de ser.

Os problemas da hereditariedade, em razão disso, descendem, de forma geral, dos reflexos mentais que nos sejam próprios.

Em verdade, por vezes, abnegados corações, cultivando a leira do amor pelo sacrifício, trazem a si corações desditosos, guardando transitoriamente, nos braços, monstruosas aberrações que destoam do elevado nível em que já se instalaram; contudo, devemos semelhantes exceções ao espírito de renúncia com que fazem emergir das regiões infernais velhos laços afetivos, distanciados no tempo, usando o divino atributo da caridade.

De conformidade com a regra, porém, nosso berço no mundo é o reflexo de nossas necessidades, cabendo a cada um de nós, quando na reencarnação, honrá-lo com trabalho digno de restauração, melhoria ou engrandecimento, na certeza de que a ele fomos trazidos ou atraídos, segundo os problemas da regeneração ou da mordomia de que carecemos na recomposição de nosso destino, perante o futuro.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

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