quinta-feira, 6 de agosto de 2020



O Livro dos Médiuns

Allan Kardec

Parte 8

Continuamos o estudo metódico de “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, segunda das obras que compõem o Pentateuco Kardequiano, cuja primeira edição foi publicada em 1861.
Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.
Eis as questões de hoje:

57. Como se obtém a água magnetizada?
O Espírito pode operar sobre a matéria elementar, por sua vontade, dando-lhe propriedades determinadas. Assim é que uma substância salutar pode tornar-se venenosa por uma simples modificação; a química oferece-nos numerosos exemplos disso. Todo mundo sabe que duas proporções podem resultar numa que seja deletéria. Uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, todas as duas inofensivas, formam a água; ajuntem um átomo de oxigênio e terão um líquido corrosivo. Sem mudar as proporções, basta às vezes uma simples mudança no modo da agregação molecular para modificar as propriedades; é assim que um corpo opaco pode tornar-se transparente e vice-versa. Como o Espírito tem, por sua única vontade, uma ação tão possante sobre a matéria elementar, que dá origem a todos os corpos, concebe-se que ela possa não somente formar substâncias, mas ainda alterar suas propriedades, fazendo aí o efeito de um reativo. Na magnetização da água, o Espírito que age é o do magnetizador, as mais das vezes assistido por um Espírito estranho. Ele opera na água uma transmutação com o auxílio do fluido magnético que, como já sabemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica ou elemento universal. Como pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode igualmente produzir um fenômeno análogo sobre os fluidos do organismo, e daí o efeito curativo da ação magnética convenientemente dirigida. (O Livro dos Médiuns, itens 129 a 131.)
58. Os objetos usados pelos Espíritos em suas aparições são reais?
Sim. O Espírito tem sobre os elementos materiais espalhados por todo o espaço um poder que o homem longe está de suspeitar. Ele pode, à sua vontade, concentrar esses elementos e lhes dar a forma aparente própria a seus objetos, imitando assim os objetos terrenos necessários à sua identificação ante os que o veem. (Obra citada, item 128, parágrafos 2 a 4.)
59. As roupas usadas pelos Espíritos são cópias das terrestres?
Não é isto que acontece. As roupas e os objetos usados pelo Espírito são por ele mesmo produzidos, podendo ter ou não a aparência de peças usadas em sua última encarnação na Terra. O Espírito pode imprimir à matéria eterizada transformações à sua vontade e, assim, produzir os trajes, as joias e quaisquer adornos de que necessite num dado momento, subordinado tal poder ao seu grau evolutivo. (Obra citada, item 128, parágrafos 4 a 6.)
60. Todos os Espíritos sabem como se produzem os objetos que usam?
Não. Frequentemente concorrem para a formação de um objeto por um ato instintivo que eles mesmos não compreendem, se não estiverem bem esclarecidos para isto. Embora os Espíritos inferiores possam ter esse poder, quanto mais o Espírito é elevado, mais facilmente o faz. (Obra citada, item 128, parágrafos 14 a 16.)
61. Como ocorre o fenômeno da voz direta ou pneumatofonia?
Os sons espíritas ou pneumatofônicos têm duas maneiras bem distintas de se produzir: são algumas vezes uma voz íntima que ecoa na consciência, mas, ainda que as palavras sejam claras e distintas, elas não têm, contudo, nada de material; de outras vezes elas são exteriores e tão distintamente articuladas como se proviessem de uma pessoa colocada ao nosso lado. De qualquer forma que ele se produza, o fenômeno da pneumatofonia é quase sempre espontâneo e apenas raramente pode ser provocado. Experiências posteriores à codificação demonstraram que, no fenômeno da voz direta, o Espírito fala através de uma garganta ectoplásmica, podendo sua voz imitar a de sua precedente existência terrena. Os sons pneumatofônicos exprimem pensamentos, formam frases, e é por isso que podemos reconhecer que eles são devidos a uma causa inteligente e não acidental. (Obra citada, itens 150 e 151.)
62. Em que consiste o fenômeno da escrita direta?
A escrita direta, ou pneumatografia, é a que se produz espontaneamente sem o concurso nem da mão do médium, nem do lápis. Basta tomar uma folha de papel branco, dobrá-la e colocá-la em algum lugar, em uma gaveta, ou simplesmente sobre um móvel, e se estivermos em condições favoráveis, ao fim de um tempo mais ou menos longo, acharemos no papel caracteres traçados, sinais diversos, palavras, frases e mesmo discursos, frequentemente com uma substância cinzenta igual ao chumbo, outras vezes com lápis vermelho, tinta ordinária ou mesmo tinta de impressão. Nesse tipo de fenômeno, o Espírito não se serve nem de nossas substâncias, nem de nossos instrumentos: ele mesmo faz a matéria e os instrumentos de que precisa, tirando seus materiais do elemento primitivo universal ao qual ele imprime por sua vontade as modificações necessárias ao efeito que quer produzir. Ele, assim, pode muito bem fabricar tinta vermelha, tinta de impressão e mesmo caracteres tipográficos bastante resistentes para dar relevo à impressão, de que temos visto exemplos. É desse modo que podemos explicar a aparição das três palavras na sala do festim de Baltazar, de que nos fala a Bíblia. (Obra citada, itens 127 e 146 a 148.)
63. A escrita direta fica registrada permanentemente ou desaparece com o tempo?
Os traços da escrita direta não desaparecem, porque são sinais que é útil conservar e por isso se conservam. (Obra citada, item 128, parágrafos 17 e 18.)
64. Existem lugares assombrados?
Sim. Alguns Espíritos podem ser atraídos por coisas materiais. Podem sê-lo por certos lugares, aos quais parecem eleger por domicílio, até que cessem as circunstâncias que os levaram ali: a simpatia por algumas pessoas que ali comparecem ou o desejo de se comunicarem com elas. Suas intenções nem sempre são louváveis, porquanto podem querer exercer uma vingança sobre indivíduos dos quais têm motivos de queixas. A permanência num lugar determinado pode ser também, para alguns Espíritos, uma punição que lhes é infligida, sobretudo se eles cometeram algum crime ali, para que tenham constantemente esse crime diante dos olhos. Não se deve temer os lugares assombrados, porque os Espíritos que assombram certos lugares e neles fazem barulho procuram antes se divertir à custa da credulidade e do medo do que fazer mal. O melhor meio de afastá-los daí é atrair os bons Espíritos, o que se consegue fazendo o bem. Façamos sempre o bem e apenas teremos bons Espíritos ao nosso lado. (Obra citada, item 132, parágrafos 5 a 14.)

Observação:
Para acessar a Parte 7 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/07/o-livro-dos-mediuns-allan-kardec-parte_30.html


  

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020


Libertação

André Luiz

Parte 4

Estamos publicando neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar.
Concluído o estudo dos cinco primeiros livros da Série, prosseguimos nesta data o estudo da obra Libertação, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicada originalmente em 1949 pela Federação Espírita Brasileira.
Eis as questões de hoje:

25. Que tipo de discurso foi ouvido pelos Espíritos nos instantes que precederam seu julgamento?
As palavras do juiz naquele dia foram enfáticas: "Nem lágrimas, nem lamentos. Nem sentença condenatória, nem absolvição gratuita. Esta casa não pune, nem recompensa. A morte é caminho para a justiça. Escusado qualquer recurso à compaixão, entre criminosos. Não somos distribuidores de sofrimento, e, sim, mordomos do Governo do Mundo. Nossa função é a de selecionar delinquentes, a fim de que as penas lavradas pela vontade de cada um sejam devidamente aplicadas em lugar e tempo justos. Quem abriu a boca para vilipendiar e ferir, prepare-se a receber, de retorno, as forças tremendas que desencadeou através da palavra envenenada. Quem abrigou a calúnia, suportará os gênios infelizes aos quais confiou os ouvidos..." O discurso foi todo nesse tom, mostrando que a consequência do mal é sempre o mal, sem nenhuma complacência ou esperança de melhora. "Seguidores do vício e do crime, tremei!", eis uma das frases proferidas pelo orador. (Libertação, cap. V, pp. 68 a 70.) 
26. Como se dá o fenômeno chamado licantropia?
Conforme o relato de André Luiz, o juiz determinou que uma determinada pessoa se aproximasse. Depois, incidindo toda a força magnética que lhe era peculiar, através das mãos, sobre ela, ordenou-lhe que confessasse. A mulher, batendo no peito e pedindo perdão a Deus, em desespero, falou em voz alta e pausada: "Matei quatro filhinhos inocentes e tenros... e combinei o assassínio de meu intolerável esposo... O crime, porém, é um monstro vivo. Perseguiu-me, enquanto me demorei no corpo... Tentei fugir-lhe através de todos os recursos, em vão... e por mais buscasse afogar o infortúnio em bebidas de prazer, mais me chafurdei... no charco de mim mesma..." O juiz, então, diante daquele quadro, considerou: "Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?" Em seguida, fixando sobre ela as irradiações que lhe emanavam do olhar, asseverou, peremptório: "A sentença foi lavrada por si mesma! não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba..." A mulher, à medida que o juiz repetia aquelas palavras, foi modificando a expressão fisionômica. A boca entortou-se, a cerviz curvou-se para a frente, os olhos alteraram-se; simiesca expressão revestiu-lhe o rosto. Via-se patente o efeito do hipnotismo sobre o perispírito. Gúbio explicou: "O remorso é uma bênção, sem dúvida, por levar-nos à corrigenda, mas também é uma brecha, através da qual o credor se insinua, cobrando pagamento". Disse então que ali estava a gênese dos fenômenos de licantropia, inextricáveis, ainda, para a investigação dos médicos encarnados. (Obra citada, cap. V, pp. 71 e 72.)  
27. Como são considerados os homens de cultura que não utilizam seus conhecimentos em benefício dos outros?
No julgamento post mortem, o homem que ajunta letras e livros, teorias e valores científicos, sem distribuí-los a benefício dos outros, é irmão infortunado daqueles que amontoam moedas e apólices, títulos e objetos preciosos, sem ajudar a ninguém. São tratados, pelas leis eternas, como o são os avarentos. (Obra citada, cap. V, pp. 75 e 76.)
28. O Espírito Seletor usava pequeno instrumento cristalino. Que aparelho era aquele?
Gúbio disse tratar-se de um captador de ondas mentais. Como a seleção individual exigiria longas horas, as autoridades que dominavam a região preferiam a apreciação em grupo, o que era possível pelas cores e vibrações do círculo vital que rodeia cada um. O instrumento não era, porém, suscetível de marcar a posição das mentes que já se transferiram para uma esfera espiritual mais elevada. Era recurso para a identificação de perispíritos desequilibrados e não atingia a zona superior. (Obra citada, cap. V, pp. 76 a 78.)
29. As entidades desencarnadas daquela região exercem alguma influência sobre os encarnados?
Sim; uma influência considerável, visto que, segundo Gúbio, a determinadas horas da noite, três quartos da população da Crosta se acham nas zonas de contacto com os Espíritos e a maior percentagem permanecia detida em círculos de baixas vibrações, como aquele. "Por aqui – disse ele – muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas." (Obra citada, cap. VI, pp. 79 e 80.)
30. Como pode uma pessoa obsidiada por um Espírito libertar-se?
Gúbio diz que para isso lhe é preciso manter-se num padrão de firmeza superior, com suficiente disposição para o bem. Com esse esforço, nobre e contínuo, melhorará intensivamente seus princípios mentais e, ao invés de converter-se em material absorvente de irradiações enfermiças e depressivas, passará a emitir raios transformadores e construtivos, em benefício de si mesma e das entidades que se lhe aproximarem do caminho. "Em todos os quadros do Universo – aduziu o Instrutor – somos satélites uns dos outros. Os mais fortes arrastam os mais fracos, entendendo-se, porém, que o mais frágil de hoje pode ser a potência mais alta de amanhã, conforme nosso aproveitamento individual." (Obra citada, cap. VI, pp. 82 a 84.) 
31. Que significa o fenômeno chamado “segunda morte”?
Essa denominação é aplicada no plano espiritual aos casos em que há perda do veículo perispiritual, que é, segundo o Instrutor Gúbio, transformável e perecível, embora estruturado em um tipo de matéria mais rarefeita. Assim como há companheiros que se desfazem dele rumo a esferas sublimes, os ignorantes e os maus, os transviados e os criminosos também perdem, um dia, a forma perispiritual. Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem elevar-se e gravitam em derredor das paixões absorventes que por muitos anos elegeram em centro de interesses fundamentais. "Grande número, nessas circunstâncias, mormente os participantes de condenáveis delitos, imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes", informou Gúbio. De fato, diz André, pequenas esferas ovoides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano, estavam ligadas a duas mulheres que conversavam, rente à cela em que ele se encontrava. Grande número de entidades, em desfile nas vizinhanças da grade, transportavam essas esferas vivas, como que imantadas às irradiações que lhes eram próprias. As formas variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento. (Obra citada, cap. VI, pp. 84 a 86.)
32. Em que, afinal, consiste a existência terrestre?
Ela não passa de um estágio educativo, dentro da eternidade, e a ela ninguém é chamado para candidatar-se a paraísos de favor e, sim, à moldagem viva do céu no santuário do Espírito, pelo máximo aproveitamento das oportunidades recebidas no aprimoramento de nossos valores mentais, com o desabrochar e evolver das sementes divinas que trazemos conosco. Para tanto, faz-se indispensável a disciplina dos impulsos pessoais, o esforço perseverante no infinito bem e a aquisição de luz para a vida imperecível. "Cada criatura nasce na Crosta da Terra para enriquecer-se através do serviço à coletividade”, diz Gúbio. “Sacrificar-se é superar-se, conquistando a vida maior. Por isso mesmo, o Cristo asseverou que o maior no Reino Celeste é aquele que se converter em servo de todos." (Obra citada, cap. VI, pp. 86 e 87.)


Observação:
Para acessar a Parte 3 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/07/libertacao-andre-luiz-parte-3-estamos.html





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terça-feira, 4 de agosto de 2020



A alma dos seres

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Todo ser possui única essência, assim como a digital de um dedo ou a íris dos olhos. Determinados seres – ainda que, diante de nossa rusticidade, pareçam idênticos – possuem características totalmente particulares e mesmo diante dos milhares idênticos, certamente cada ser é único, dotado de energia universal, mas com sua identidade particular.
Tantas vezes nos observamos pensando como poderia ser diferente algum comportamento alheio, com o qual não concordamos e, infelizmente, julgamos pelos nossos tão limitados critérios e, mais uma vez, olhamos o cisco no olho do outro e não reconhecemos a trave nos nossos olhos, não percebemos os grandes obstáculos postos por nós.
A alma das flores possui o objetivo de levar alegria, consolo, de celebrar momentos felizes, de chegadas e de partidas, de colorir o ambiente branco e preto e de recomeçar de um ponto parado, mas que tanto deseja continuar. Quando se vê de longe ou de perto um jardim, na mesma hora um sorriso nasce, olhos brilham, mãos querem tocar as lindas flores e deseja-se estar lá entre elas.
Também acontece com os animais, sua doçura, mesmo sob o disfarce de tamanha valentia em alguns, faz com que se queira acariciar, estar perto, pois sua essência desperta proteção, aconchego, leveza e carinho. Assim é a alma dos animais que desmancha em nós nódoas bobas que criamos durante passos pueris.
Se todos os seres possuem alma, as crianças possuem uma linda e renovadora essência. As crianças trazem em si a luz que a vida constantemente insiste em mostrar. A alma das crianças, muitas vezes, salva a dos adultos. Elas nos lembram que a simplicidade, a paciência, a pureza salvam vidas e encaminham outras ao passo da evolução, progresso nos dias. Há de concordarmos que normalmente os adultos se afastam tanto da leveza por perderem as características de criança. Sempre é tempo.
E todo ser possui sua particularidade. Em vez da crítica, melhor a compreensão de que nossa essência necessita tanto ser aprimorada.
A alma da vida nos ensina a sermos mais amor do que qualquer outro sentimento material humanizado. Tão claramente a alma da vida nos ensina que para progredirmos precisamos ser mais alma do que matéria.
Todo, todo ser animado possui sua alma, sua característica, sua essência, sua luz.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020



Observemos estas frases:
Estive em Recife. Vim de Recife. Vou a Recife ver meus pais.
Estive no Recife. Vim do Recife. Vou ao Recife ver meus pais.
Qual das formas acima é a correta?
Para Napoleão Mendes de Almeida, o nome da capital de Pernambuco não deve ser antecedido do artigo definido “o”. Então, a forma correta, para ele, seria: Estive em Recife. Vim de Recife. Vou a Recife ver meus pais. (Cf. Dicionário de Questões Vernáculas, p. 263.)
Na grande imprensa, as opiniões se dividem, embora a maioria admita o artigo definido “o” antes do nome da capital pernambucana. Assim, segundo tal pensamento, a forma certa é: Estive no Recife. Vim do Recife. Vou ao Recife ver meus pais.
Há quem diga que nada irrita mais o pernambucano do que ler textos que seguem o modelo sugerido por Napoleão Mendes de Almeida. A esse respeito, vários intelectuais pernambucanos já se pronunciaram, entre eles Gilberto Freyre, em seu livro "O Recife, sim! Recife, não!", em 1960.
Sobre o tema pronunciou-se o historiador pernambucano José Antônio Gonçalves de Melo: "Porque se originou de um acidente geográfico - o recife ou o arrecife - a designação do Recife não prescinde do artigo definido masculino: o Recife e nunca Recife".
Aplicar-se-ia a esse nome o mesmo critério adotado com os nomes que identificam a cidade do Rio de Janeiro, o Crato, o Cabo de Santo Agostinho e vários outros.




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domingo, 2 de agosto de 2020



O Espiritismo e sua feição consoladora 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De Londrina-PR

Atribui-se à conhecida confreira Guiomar Albanese, que dirigiu por muitos anos o Centro Espírita Perseverança, da Capital paulista, o pensamento de que, de todas as aflições que acometem as pessoas que buscam a Casa espírita, o que mais perturba a criatura humana não é a dor em si, mas o desconhecimento dos motivos pelos quais se sofre.
Muitos que chegam ao Espiritismo são motivados a buscá-lo pela dor, pelo sofrimento, pelas aflições, que muitas vezes parecem insuportáveis até que se lhes conhece a gênese, a origem, um dado importante para que a resignação acompanhe os momentos difíceis.
Encontra-se aí, como bem sabemos, o caráter consolador do Espiritismo, que foi apresentado a Kardec, pelos Espíritos superiores que orientaram a codificação, como a confirmação da promessa feita por Jesus sobre o Consolador que o Pai enviaria em seu nome para dar continuidade à tarefa iniciada com o Evangelho.
É essa feição confortadora que encanta e prende as pessoas que tomam contato com a Doutrina Espírita.
Doutrinadas por adversários gratuitos do Espiritismo, quando entram numa Casa espírita verificam que nada do que ouviram antes de seus detratores corresponde à verdade. As palestras, os conselhos, as orientações são todas revestidas da proposta de que é preciso transformar-se e praticar o bem, certos de que no Evangelho encontraremos sempre o rumo para sermos efetivamente felizes.
Foi precisamente isso que se deu com Andréa Salgado, a professora carioca que, aos 33 anos de idade, teve as pernas decepadas alguns anos atrás, quando uma lancha colidiu com o banana boat em que ela passeava numa das praias do litoral fluminense.
Andréa, que surpreendeu a todos por sua força de vontade e o otimismo com que enfrentou a situação, viu o rumo de sua existência alterar-se por completo, mas nem por isso perdeu a serenidade e o entusiasmo diante da vida.
Em entrevista concedida posteriormente à revista VEJA, o repórter perguntou-lhe o que ela fazia para espantar a tristeza e Andréa respondeu: “Eu sempre gostei muito de viver. Sou alegre, espontânea e guerreira, sempre fui. O acidente me deixou com algumas limitações. Mas estou aprendendo a conviver com elas e aceitando bem. Gosto de ler, cuidar dos meus filhos, da minha casa. Isso me distrai. Tenho lido muitos livros kardecistas, livros com mensagens de otimismo. Sou católica, mas depois do acidente encontrei muitas respostas no Espiritismo". "Aprendi que nada acontece por acaso.”




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sábado, 1 de agosto de 2020



Provações, Deus e vida eterna

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Paz e bem, leitora e leitor amigo.
O mundo atual bombardeia-nos com tantas informações que, em poucas horas, o que era tido como verdade científica é desmentido por novas informações. Isso ocorre, principalmente, na medicina. Então, resolvi entrevistar o Espírito Joanna de Ângelis sobre três temas básicos: provações, Deus e vida eterna. Suas respostas podem ser lidas ampliadas, depois, em sua profunda obra: Lampadário Espírita, nos capítulos 21, 22, 23 e 25.
Eis a primeira pergunta:
— Sendo as provações instrumento de nossa evolução, como consequências do uso do nosso livre-arbítrio, como suportá-las sem desespero?
Resposta de Joanna:
— Aumenta a dosagem de tua paciência. Cada madrugada anuncia nova oportunidade para a tua prática do bem. Pratica-o. Então, o Amor divino abençoará tua vida e conduzir-te-á à felicidade cada vez maior.
— Como podemos evitar as doenças?
E ela responde:
— Embora curando os enfermos do corpo e da alma, Jesus jamais se contaminou com nenhum deles. Não imponhas, pois, condições para amar, como Ele amou. Não aflijamos os que nos amam. Sirvamos sem imposições...
O medicamento de nosso corpo e de nossa alma será sempre, primordialmente, a Doutrina de Jesus. Nas horas difíceis de nossa atual existência, oremos e meditemos sem cessar, como Ele nos recomendou.
— Onde podemos identificar a presença de Deus?
E, novamente, Joanna nos socorre com sua sábia orientação:
— Deus está no micro e no macrocosmo. Tudo, em Sua Obra, evolui e se aperfeiçoa. E nós, como Seus filhos, fomos criados para ser felizes e cooperar com Ele, quando, então nos sublimaremos.
— Por que, sendo eternos, tememos tanto a morte, irmã Joanna?
— Medo da mudança de nosso estado vibratório – respondeu-nos ela —. Cada pessoa morre como vive. Ligada às venturas da esperança ou acorrentada às paixões extenuantes dos sentidos físicos.
Temendo ou não a morte, ela é uma fatalidade a todos os que renascem na carne. Sábio é quem cultiva ideias otimistas e se prepara espiritualmente para a continuação da vida aqui e no Além — concluiu.
Satisfeito com a sabedoria e conselhos de Joanna, despedimo-nos com os votos de paz, alegria e muita saúde a todos, ante a certeza de que fomos criados para a felicidade nas bases do Amor maior que está dentro de nós: Nosso Pai Eterno, como nos ensinou Jesus Cristo.





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sexta-feira, 31 de julho de 2020



O Espiritismo perante a Ciência

Gabriel Delanne

Parte 20

Continuamos o estudo do clássico O Espiritismo perante a Ciência, de Gabriel Delanne, conforme tradução da obra francesa Le Spiritisme devant la Science.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Qual é, dos princípios do Espiritismo, o primeiro mencionado por Delanne?
B. Qual o segundo princípio da doutrina espírita citado pelo autor desta obra?
C. Que disse Delanne sobre a alma e sua essência?

Texto para leitura

488. O clero de todas as religiões entrou em guerra com o Espiritismo, porque ele destrói a crença no inferno e, por consequência, as penas eternas. Mina a teoria do pecado original e faz um Deus bom e misericordioso da divindade zangada e cruel dos padres. A filosofia espírita não se apoia na fé, mas nas luzes da razão, e para combater o dogma esteia-se na observação científica.
489. Pode-se daí julgar o acolhimento que tem. Lembramos a história do arcebispo de Barcelona, fazendo queimar os livros de Allan Kardec, sob pretexto de feitiçaria. Esse processo renovado da Inquisição mostra bem o que seria dos espiritistas, se houvesse o poder de destruí-los.
490. Em França, as imunidades do clero não vão até lá. Evitamos a fogueira, mas os sacerdotes não deixam de pregar contra nossa doutrina, que dizem inspirada por Satanás. Essas invectivas não exercem influência alguma sobre nós, porque há muito tempo não acreditamos mais em deus do mal. Esse sombrio gênio, inventado pela casta sacerdotal com o fim de amedrontar os povos infantis da Idade Média, está hoje fora da moda e suas caldeiras vingadoras fogem diante das luzes do progresso. Fazemos muito alta ideia da divindade, para não supor que ela criasse seres eternamente votados ao mal. Aliás, a antiga concepção do inferno está desmentida pelo testemunho cotidiano dos Espíritos; ela não poderia, pois, influenciar-nos de maneira alguma.
491. Os Espíritos ensinam a fraternidade, o perdão das injúrias, à mansuetude para amigos e inimigos. Dizem-nos que o caminho único da felicidade é o do bem e que os sacrifícios agradáveis ao Senhor são os que fazemos a nós mesmos. Exortam-nos a vigiar cuidadosamente nossos atos, a fim de evitar a injustiça; recomendam-nos o estudo da Natureza e o amor de nossos semelhantes, como meios únicos de elevar-nos rapidamente para um futuro mais brilhante.
492. Longe de nos dizerem que a salvação é pessoal, fazem-nos encarar a felicidade de nossos irmãos como o objetivo superior para o qual se devem dirigir nossos esforços; colocam, enfim, a felicidade suprema na mais sublime fraternidade, a do coração.
493. Se forem estes os processos empregados por Satã para perverter-nos, é preciso declarar que eles se assemelham estranhamente aos que Jesus empregava para reformar os homens, e o anjo das trevas conduz mal seus negócios, trazendo-nos à virtude pela austeridade da moral que recomenda em suas comunicações.
494. Se nos é impossível acreditar na legião dos condenados, não se segue que os maus gozem de impunidade. Em O Céu e o Inferno, Allan Kardec descreveu o sofrimento dos Espíritos infelizes, e, se o inferno não existe, nem por isso deixam as almas perversas de sofrer terríveis castigos. Mas essas penas não serão eternas. Deus permite ao pecador abreviá-las, dando-lhe a faculdade de resgatá-las por expiações proporcionais às faltas.
495. Não há mais dolorosas incertezas sobre o nosso futuro; o além misterioso, velado sob as ficções das religiões, aparece-nos em toda sua realidade. Não mais inferno, não mais céu, mas a continuação da vida, que prossegue no tempo e no espaço, eterna como tudo que existe. A perene ascensão para destinos sempre mais elevados, eis a verdadeira felicidade. Longe de acreditar em uma beatitude ociosa, colocamos a ventura em uma atividade incessante e no conhecimento cada vez mais perfeito das leis universais.
496. Não há mais dogmas, não há mais coisas incompreensíveis, senão uma harmonia sublime que se revela nos melhores detalhes dessa imensa máquina que se chama o Universo! E a satisfação profunda por perceber qual é, em suma, a nossa finalidade na Terra é o resultado do estudo atento das manifestações espíritas.
497. Para melhor tornar compreensível o caráter e o alcance científico do Espiritismo, vamos resumir em algumas palavras os pontos principais sobre que ele se apoia, enviando aos livros de Alan Kardec os leitores desejosos de estudar mais profundamente esta crença.
498. O Espiritismo ensina, em primeiro lugar, a existência de Deus, motor inicial e único do Universo; nele se resumem todas as perfeições, levadas ao infinito. Ele é eterno e todo poderoso. Ninguém o pode conhecer na Terra, mas todos experimentam suas leis; nosso entendimento é bem fraco, ainda, para elevar-nos até essas sublimes alturas, mas nos diz a razão que ele existe, e os Espíritos, mais bem colocados que nós para lhe apreciarem a grandeza, inclinam-se com respeito diante de sua majestade infinita.
499. O desejo de conhecer desenvolve nos corações as aspirações mais nobres e, mais tarde, desembaraçado da matéria, gravitando para a perfeição, o Espírito fará ideia cada vez mais elevada desse Onipotente, que ele pressente hoje e que conhecerá um dia.
500. Foi-se o tempo em que se concebia Deus como potência implacável e vingadora, condenando eternamente o homem pela falta de um momento. A sombria divindade bíblica não plaina mais sobre nós como ameaça perpétua; não é mais o Jeová terrível que ordenava o degolamento dos que não criam nele e que fazia curvar milhares de homens ao sopro de sua cólera, como uma floresta de caniços, batida pelo aguilhão furioso.
501. O Deus moderno nos aparece como a expressão perfeita de toda ciência e de toda virtude. Sua inteligência se manifesta no admirável conjunto das forças que dirigem o Universo, sua bondade pela lei da reencarnação, que nos permite remir as faltas com expiações sucessivas e elevar-nos gradativamente até sua infinita majestade.
502. O Deus que compreendemos é a infinita grandeza, o infinito poder, a infinita bondade, a infinita justiça! É a iniciativa criadora por excelência, a força incalculável, a harmonia universal! Paira acima da criação, envolve-a com sua vontade, penetra-a com sua razão; é por ele que os universos se formam, que as massas celestes rolam seus esplendores nas profundezas do vácuo, que os planetas gravitam nos espaços formando radiantes auréolas em torno dos sóis. Deus é a vida imensa, eterna, indefinível, é o começo e o fim, o alfa e o ômega.
503. O Espiritismo ensina, em segundo lugar, a existência da alma, isto é, do eu consciente, imortal e criado por Deus. Ignoramos a origem desse eu, mas, qualquer que seja, cremos que Deus fez todos os Espíritos iguais e os dotou de iguais faculdades para chegarem ao mesmo fim – a felicidade. Deu-nos, do mesmo passo que a consciência, o livre-arbítrio, que nos permite apressar mais ou menos nossa evolução para destinos superiores. Sabemos que a alma do homem existia antes de seu corpo, que este poderia não ter existido, que a natureza inteira poderia não existir sem que a alma fosse atingida por isso; em suma, ela é imaterial e indestrutível.
504. É o eu consciente que adquire, por sua vontade, todas as ciências e todas as virtudes, que lhe são indispensáveis para elevar-se na escala dos seres. A criação não está limitada à fraca parte que nossos instrumentos permitem descobrir; ela é infinita em sua imensidade. Longe de considerar-nos como habitantes exclusivamente do pequeno Globo, o Espiritismo demonstra que devemos ser os cidadãos do Universo.
505. Vamos do simples ao composto. Partidos do estado rudimentar, elevamo-nos, pouco a pouco, à dignidade de seres responsáveis. A cada conhecimento novo entrevemos mais vastos horizontes e experimentamos maior felicidade. Longe de pôr nosso ideal numa ociosidade eterna, cremos, ao contrário, que a suprema felicidade consiste na atividade incessante do espírito, no seu conhecimento cada vez maior e no amor que se desenvolve à proporção que avançamos na estrada árdua do progresso. É o amor o motor divino que nos arrasta para esse foco radiante que se chama Deus!
506. Compreende-se que essas ideias nos obriguem a admitir a pluralidade das existências, ou seja, a lei da reencarnação. Quando se pensa, pela primeira vez, na possibilidade de viver grande número de vezes na Terra, em corpos humanos diferentes, a ideia parece bizarra; quando, porém, se reflete na soma enorme de aquisições que devemos possuir para habitar a Europa, na distância que separa o selvagem do homem civilizado e na lentidão com a qual se adquire um hábito, logo se vê desenhar a evolução dos seres e se concebem as vidas múltiplas e sucessivas, como uma necessidade absoluta imposta ao Espírito, tanto para adquirir o saber como para resgatar as faltas que se tenham podido cometer anteriormente.
507. A vida da alma, sob este ponto de vista, demonstra que o mal não existe, ou melhor, que ele é criado por nós, em virtude de nosso livre-arbítrio. Deus estabelece leis eternas que não devemos transgredir, mas se não nos conformamos com elas, ele nos deixa a faculdade de remir, por novos esforços, as faltas ou crimes cometidos. É assim que os Espíritos, ajudando-se uns aos outros, chegam à felicidade, que é o apanágio de todos os filhos de Deus.
508. Nossa filosofia enriquece o coração; ela considera os infelizes, os deserdados do mundo como irmãos a quem devemos socorrer. Pensamos, pois, que uma simples questão de tempo separa os mais embrutecidos selvagens dos homens geniais das nações civilizadas. O mesmo acontece no ponto de vista moral, e os monstros como os Neros e os Calígulas podem chegar ao mesmo grau de São Vicente de Paulo.
509. O Espiritismo destrói completamente o egoísmo. Ele proclama que ninguém pode ser feliz se não ama seus irmãos e não os ajuda a progredir moral e materialmente. Na lenta evolução das existências, podemos ser por diversas vezes e reciprocamente: pai, mãe, esposa, filho, irmão... Cimentam-se, assim, os poderosos laços do amor. É pelo auxilio mútuo que adquirimos as virtudes indispensáveis ao nosso adiantamento espiritual.
510. Nenhuma filosofia se elevou a mais alta concepção da vida universal, nenhuma pregou moral mais pura. É por isso que, detentores de uma parte da verdade, apresentamo-la ao mundo apoiada sobre as bases inabaláveis da observação física.
511. Ciência progressiva, o Espiritismo se baseia na revelação dos Espíritos. Ora, estes, à medida que progridem, descobrem verdades novas, de modo que seu ensino é gradativo e se amplia à medida que eles próprios se tornam mais instruídos.
512. Não temos dogmas nem pontos de doutrina inabaláveis; fora das comunicações dos mortos e da reencarnação, que estão absolutamente demonstradas, admitimos todas as teorias que se ligam à origem da alma e ao seu futuro. Em uma palavra, somos positivistas espirituais, o que nos dá incontestável superioridade sobre as outras filosofias, cujos adeptos estão encerrados em estreitos limites.
513. Demonstramos anteriormente que a alma é imortal, isto é, que quando o corpo que ela habita se destrói, ela não é atingida por essa transformação, conserva sua individualidade e pode ainda manifestar sua presença por intervenções físicas. Levanta-se aqui uma dificuldade. Como fazer compreender a ação da alma sobre o corpo?
514. Segundo a filosofia e segundo os Espíritos, a alma é imaterial, ou seja, não tem ponto algum de contato com a matéria que conhecemos. Não se pode conceber que a alma tenha propriedades análogas às dos corpos da natureza, pois que o pensamento, que dela é a imagem, a emanação, escapa a qualquer medida, a toda análise física ou química.
515. A fim de precisar bem o nosso pensamento, desejamos instruir nossos leitores sobre o sentido desta palavra imaterial, para que ela não se preste à confusão.
516. Pretendemos que nenhum estado da matéria pode fazer-nos compreender o da alma e, entretanto, a Ciência chegou a resultados surpreendentes quanto à divisão da matéria. Eis o que resulta das experiências de Crookes, na Academia de Ciências.
517. Sabe-se que esse físico tem uma teoria especial, segundo a qual as moléculas dos corpos gasosos podem mover-se por suas próprias forças, quando se lhes diminui o número, fazendo o vácuo. Para chegar a esse resultado é preciso operar com precisão extrema e empregar manipulações numerosas e complicadas. Crookes chegou a fazer o vazio de tal forma, que a pressão do ar no aparelho foi reduzida a um milionésimo de atmosfera. Nessas condições, manifestam-se os caracteres do estado radiante.
518. Habitualmente, os fenômenos novos, em física ou química, são produzidos por adição de matéria; é curioso verificar que aqui, ao contrário, efeitos de extrema energia resultam de uma subtração de matéria; foi reduzindo-a quase a nada, rarificando-a além do verossímil, que Crookes obteve os singulares fenômenos. Quanto mais ele retira a matéria, tanto mais surpreendente se toma a ação. É a física do nada, e fica-se tentado a perguntar se ele tem o direito de atribuir à matéria efeitos tão poderosos, quando fez tantos esforços por desembaraçar-se dela. Não deve subsistir equívoco a este respeito e não devemos julgar segundo a impressão de nossos sentidos aquilo que pode perfeitamente lhes escapar.
519. A Natureza vai muito além de nossas sensações; é preciso, pois, pormo-nos ao abrigo de nossos erros. Quando as mais aperfeiçoadas máquinas subtraíram de um espaço fechado tanto ar, tanto gás quanto foi possível, não se segue que muito ainda não possa lá ficar.
520. Crookes reduziu o conteúdo de seus tubos a um milionésimo do ar que conhecemos, e que é tão impalpável que o deslocamos a cada instante, sem ter consciência de que ele está em torno de nós. Pareceria que o milionésimo de coisa tão insignificante fosse para nós menos que nada. Esse julgamento é falso, como vamos ver.

Respostas às questões preliminares

A. Qual é, dos princípios do Espiritismo, o primeiro mencionado por Delanne?
A existência de Deus, motor inicial e único do Universo, em que se resumem todas as perfeições, levadas ao infinito. Deus é eterno e todo poderoso. Ninguém o pode conhecer na Terra, mas todos experimentam suas leis. Nosso entendimento é bem fraco, ainda, para elevar-nos até essas sublimes alturas, mas nos diz a razão que Ele existe, e os Espíritos, mais bem colocados que nós para lhe apreciarem a grandeza, inclinam-se com respeito diante de sua majestade infinita. (O Espiritismo perante a Ciência, Terceira Parte, Cap. III - As objeções.)
B. Qual o segundo princípio da doutrina espírita citado pelo autor desta obra?
A existência da alma, isto é, do eu consciente, imortal e criado por Deus. Deus fez todos os Espíritos iguais e os dotou de iguais faculdades para chegarem ao mesmo fim – a felicidade. É o eu consciente que adquire, por sua vontade, todas as ciências e todas as virtudes, que lhe são indispensáveis para elevar-se na escala dos seres.  (Obra citada, Terceira Parte, Cap. III - As objeções.)
C. Que disse Delanne sobre a alma e sua essência?
Primeiro, ele demonstrou que a alma é imortal, isto é, quando o corpo que ela habita se destrói, ela não é atingida por essa transformação, conserva sua individualidade e pode ainda manifestar sua presença por intervenções físicas. Segundo, que a alma é imaterial, ou seja, não tem ponto algum de contato com a matéria que conhecemos. (Obra citada, Quarta Parte, Cap. I – Que é o perispírito?)


Observação:
Para acessar a parte 19 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2020/07/o-espiritismo-perante-ciencia-gabriel_24.html




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