quinta-feira, 15 de novembro de 2018





O exercício irregular
da mediunidade

Este é o módulo 106 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que é preciso a uma pessoa para desenvolver em si o precioso dom da mediunidade?
2. Quem se entrega sem reservas e cuidados às experimentações espíritas corre perigo?
3. O exercício da mediunidade tem inconvenientes por si mesmo, ainda que não ocorra abuso na sua prática?
4. A faculdade mediúnica constitui indício de um estado patológico qualquer?
5. Pode a prática mediúnica levar o indivíduo à loucura?

Texto para leitura

É preciso ter prudência no trato com o mundo invisível
1. Ensina Léon Denis que o homem tem de se submeter a uma complexa preparação e observar certas regras de conduta para desenvolver em si o precioso dom da mediunidade. É preciso para isso, simultaneamente, a cultura da inteligência, a meditação, o recolhimento e o desprendimento das coisas humanas. 
2. Os Espíritos inferiores, incapazes de aspirações elevadas, comprazem-se em nosso meio, imiscuem-se em nossa vida, participam dos prazeres e trabalhos daqueles a quem se sentem unidos por analogia de caráter ou de hábitos. E chegam mesmo, algumas vezes, a dominar e subjugar as pessoas fracas que não sabem resistir às suas influências, podendo em certos casos impelir suas vítimas ao crime e à loucura. 
3. Corre perigo quem se entrega sem reservas e cuidados às experimentações espíritas. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, pode daí recolher consolações inefáveis e preciosos ensinamentos; mas aquele que fosse inspirado tão somente pelo interesse material, ou que visse nesses fatos apenas uma ocasião de divertimento, tornar-se-ia objeto de uma infinidade de mistificações e joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, captariam sua confiança para, mais tarde, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.
4. Convém, pois, ter grande prudência no trato com o mundo invisível. O bem e o mal, a verdade e o erro nele se misturam, e para distingui-los é preciso passar todas as revelações, todos os ensinos, pelo crivo de um julgamento severo. 

A mediunidade nada tem a ver com doença ou com loucura
5. Outro ponto importante para aquele que se dedica à mediunidade é evitar que ocorram abusos na sua prática. O exercício muito prolongado de qualquer faculdade acarreta fadiga, e o mesmo se dá com a mediunidade, principalmente a que se aplica aos efeitos físicos, a qual ocasiona necessariamente um dispêndio de fluido, que produz a fadiga e precisa, assim, ser reparado pelo repouso.  
6. Pode o exercício da mediunidade ter inconvenientes por si mesmo, ainda que não ocorra abuso na sua prática? Respondendo a essa questão, esclarecem os Espíritos superiores: “Casos há em que é prudente e mesmo necessário abster-se ou, pelo menos, fazer um uso moderado. Isto depende do estado físico e moral do médium. Aliás, em geral o médium o sente e, ao sentir fadiga, deve abster-se”. (O Livro dos Médiuns, item 221, questão 3.)
7. A informação precedente não significa dizer que a faculdade mediúnica constitua indício de um estado patológico qualquer. Mediunidade nada tem a ver com doença. Existem médiuns de saúde robusta; os que estão doentes devem isso a outras causas, não à mediunidade.
8. A mesma observação deve ser feita com relação à ideia de que a prática mediúnica pode levar o indivíduo à loucura. “A mediunidade não produzirá loucura quando esta não existir em princípio. Mas se o princípio existir – o que será fácil de reconhecer pelo estado moral – diz o bom senso que é necessário tomar cuidado em todos os sentidos, porque qualquer causa de abalo pode ser prejudicial.” (O Livro dos Médiuns, item 221, questão 5.)

A loucura tem sua origem nos atos perpetrados no passado
9. Assevera Kardec: “Todas as grandes preocupações do Espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica no cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em ideia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso se houvera tornado um louco espírita, se o Espiritismo fora a sua preocupação dominante”. “Digo, pois, que o Espiritismo não tem privilégio algum a esse respeito. Vou mais longe: digo que, bem compreendido, ele é um preservativo contra a loucura.” (O Livro dos Espíritos, Introdução, item XV.)
10. Quando se afirma que a loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica no cérebro, queremos deixar claro que o cérebro do encarnado tem essa deficiência devido a causas cármicas, ou seja, a loucura em si tem sua origem em atos perpetrados pelo Espírito em existências passadas.
11. Dá-se o nome “causas cármicas” àquelas que precedem a existência atual e que vêm impressas no perispírito ou psicossoma do enfermo vinculado pelos débitos transatos àqueles a quem usurpou, abusou, prejudicou, como Manoel Philomeno de Miranda esclarece em seu livro “Grilhões Partidos”, psicografado por Divaldo P. Franco.
12. Não há, pois, razão para pensar que a mediunidade provoque loucura. Ao contrário, como observou Kardec, a mediunidade esclarecida pelas luzes do Espiritismo constitui um preservativo da loucura, porque o espírita vê as coisas desde mundo de um ponto de vista mais elevado e suas convicções lhe dão, diante das vicissitudes e do sofrimento, uma resignação que o preserva do desespero que poderia levar outros ao desequilíbrio e mesmo ao suicídio.

Respostas às questões propostas

1. Que é preciso a uma pessoa para desenvolver em si o precioso dom da mediunidade?
Segundo Léon Denis, ela tem de se submeter a uma complexa preparação e observar certas regras de conduta para desenvolver em si o precioso dom da mediunidade. É preciso para isso, simultaneamente, a cultura da inteligência, a meditação, o recolhimento e o desprendimento das coisas humanas. 
2. Quem se entrega sem reservas e cuidados às experimentações espíritas corre perigo?
Sim. O homem de coração reto, de razão esclarecida e madura, pode daí recolher consolações inefáveis e preciosos ensinamentos; mas aquele que fosse inspirado tão somente pelo interesse material, ou que visse nesses fatos apenas uma ocasião de divertimento, tornar-se-ia objeto de uma infinidade de mistificações e joguete de Espíritos pérfidos que, lisonjeando suas inclinações, captariam sua confiança para, mais tarde, acabrunhá-lo com decepções e zombarias.
3. O exercício da mediunidade tem inconvenientes por si mesmo, ainda que não ocorra abuso na sua prática?
Respondendo a essa questão, os Espíritos superiores disseram: “Casos há em que é prudente e mesmo necessário abster-se ou, pelo menos, fazer um uso moderado. Isto depende do estado físico e moral do médium. Aliás, em geral o médium o sente e, ao sentir fadiga, deve abster-se”. (O Livro dos Médiuns, item 221, questão 3.)
4. A faculdade mediúnica constitui indício de um estado patológico qualquer?
Não. Mediunidade nada tem a ver com doença. Existem médiuns de saúde robusta; os que estão doentes devem isso a outras causas, não à mediunidade.
5. Pode a prática mediúnica levar o indivíduo à loucura?
Não. Inexistem razões para pensar que a mediunidade provoque loucura. Ao contrário, como observou Kardec, a mediunidade esclarecida pelas luzes do Espiritismo constitui um preservativo da loucura, porque o espírita vê as coisas desde mundo de um ponto de vista mais elevado e suas convicções lhe dão, diante das vicissitudes e do sofrimento, uma resignação que o preserva do desespero que poderia levar outros ao desequilíbrio e mesmo ao suicídio.

Bibliografia:
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 221.
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, Introdução, item XV.
No Invisível, de Léon Denis, p. 352.
Depois da Morte, de Léon Denis, pp. 190 e 191.
Grilhões Partidos, de Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo P. Franco, pp. 34 e 35.

Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 14 de novembro de 2018




Mãos enferrujadas

Irmão X

Quando Joaquim Sucupira abandonou o corpo, depois dos sessenta anos, deixou-nos a impressão de que subiria incontinenti aos Céus.
Vivera arredado do mundo, no conforto precioso que herdara dos pais. Falava pouco, andava menos, agia nunca. Era visto invariavelmente em trajes impecáveis. A gravata ostentava sempre uma pérola de alto preço, pequena orquídea assinalava a lapela, e o lenço, admiravelmente dobrado, caía irrepreensível, do bolso mirim. O rosto denunciava-lhe o apurado culto às maneiras distintas. Buscava no barbeiro cuidadoso, cada manhã, renovada expressão juvenil. Os cabelos bem postos, embora escassos, cobriam-lhe o crânio com o esmero possível.
Dizia-se cristão e, realmente, se vivia isolado, não fazia mal sequer a uma formiga. Assegurava, porém, o pavor que o possuía, ante os religiosos de todos os matizes.
Detestava os padres católicos, criticava as organizações protestantes e categorizava os espíritas no rol dos loucos. Aceitava Jesus a seu modo, não segundo o próprio Jesus. As facilidades econômicas transitórias adiavam-lhe as lições benfeitoras do concurso fraterno, no campo da vida.
E cada vez mais se convencia de que as melhores diretrizes eram as dele mesmo. Afastamento individual para evitar complicações e desgostos. Admitia, sem rebuços, que assim efetuaria preparação adequada para a existência depois do sepulcro.
Em vista disso, a desencarnação de homem tão cauteloso em preservar-se passaria por viagem sem escalas com o destino à Corte Celeste.
Dava aos familiares dinheiro suficiente para aventuras e fantasias, a fim de não ser incomodado por eles; distribuía esmolas vultosas, para que os problemas de caridade não lhe visitassem o lar; afastava-se do mundo para não pecar.
Não seria Joaquim Sucupira, perguntavam amigos íntimos, o tipo religioso perfeito?
Distante de todas as complicações da experiência humana, pela força da fortuna sólida que herdara dos parentes, seria impossível que não conquistasse o paraíso. Contudo, a responsabilidade que o defrontava agora não correspondia à expectativa geral.
Joaquim Sucupira, desencarnado, ingressava numa esfera de ação, dentro da qual parecia não ser percebido pelos grandes servidores celestiais. Via-os em movimentação brilhante, nos campos e nas cidades. Segredavam ordens divinas aos ouvidos de todas as pessoas em serviço digno. Chegara a ver um anjo singularmente abraçado a uma velha cozinheira analfabeta.
Em se aproximando, todavia, dos Mensageiros do Céu, não era por eles atendido.
Conseguia andar, ver, ouvir, pensar. No entanto, desventurado Joaquim!!! As mãos e os braços mantinham-se inertes, semelhavam-se a antenas de mármore, irremediavelmente ligadas ao corpo espiritual.
Se intentava matar a sede ou a fome, obrigava-se a cair de bruços porque não dispunha de mãos amigas que o ajudassem.
Muito tempo suportara semelhante infortúnio, multiplicando apelos e lágrimas, quando foi conduzido por entidade caridosa a pequeno tribunal de socorro, que funcionava de tempos em tempos, nas regiões inferiores onde vivia compungido.
O benfeitor que desempenhava ali funções de juiz, reunida a assembleia de Espíritos penitentes, declarou não contar com muito tempo, em face das obrigações que o prendiam nos círculos mais altos e que viera até ali somente para liquidar casos mais dolorosos e urgentes.
Devotados companheiros do bem selecionaram a meia dúzia de sofredores que poderiam ser ouvidos, dentre os quais, por último, figurou Joaquim Sucupira, a exibir os braços petrificados.
Chorou, rogou, lamuriou-se. Quando pareceu disposto a fazer o relatório geral e circunstanciado da existência finda, o julgador obtemperou:
- Não, meu amigo, não trate de sua biografia. O tempo é curto. Vamos ao que interessa.      
Examinou-o detidamente e observou, passados alguns instantes:
- Joaquim, você era casado?       
- Sim.       
- Zelava a residência?       
- Minha mulher cuidava de tudo.       
- Foi pai?       
- Sim.       
- Cuidava dos filhos em pequeninos?       
- Tínhamos suficiente número de criadas e amas.       
- E quando jovens?       
- Eram naturalmente entregues aos professores.       
- Exerceu alguma profissão útil?       
- Não tinha necessidade de trabalhar para ganhar o pão.   
- Nunca sofreu dor de cabeça pelos amigos?
- Sempre fugi, receoso das amizades. Não queria prejudicar, nem ser prejudicado.
O julgador interrompeu-se, refletiu longamente e prosseguiu:
- Você adotou alguma religião?
- Sim, eu era cristão - esclareceu Joaquim Sucupira.
- Ajudava os católicos?
- Não. Detestava os sacerdotes.
- Cooperava com as Igrejas reformadas?
- De modo algum. São excessivamente intolerantes.
- Acompanhava os espíritas?
- Não. Temia-lhes a presença.
- Amparou os doentes em nome do Cristo?
- A Terra tem numerosos enfermeiros.
- Auxiliou criancinhas abandonadas?
- Há creches por toda parte.
- Escreveu alguma página consoladora?
- Para quê? O mundo está cheio de livros e escritores.
- Utilizava o martelo ou o pincel?
- Absolutamente.
- Socorreu animais desprotegidos?
- Não.
- Agradava-lhe cultivar a terra?
- Nunca.
- Plantou árvores benfeitoras?
- Também não.
- Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas?
Joaquim Sucupira fez um gesto de desdém e informou:
- Jamais pensei nisto.
O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta.
Ao fim do interrogatório, opinou sem delongas:
- Seu caso explica-se: - Você tem as mãos enferrujadas.
Ante a careta de Joaquim Sucupira amargurado, esclareceu:
- É o talento não usado, meu amigo. Seu remédio é regressar à lição. Repita o curso terrestre.
Joaquim Sucupira, confundido, desejava mais amplas elucidações.
O juiz, porém, sem tempo de ouvi-lo, entregou-o aos cuidados de outro companheiro.
Rogério, carioca desencarnado, recebeu-o de semblante amável e feliz, após escutar-lhe as compridas lamentações, convidou, pacientemente:
- Vamos, Joaquim Sucupira. Você entrará na fila em breves dias.
- Fila? - interrogou Joaquim Sucupira, boquiaberto.
- Sim - acrescentou o alegre ajudante -, na fila da reencarnação.
E, puxando Joaquim Sucupira pelos ombros, disse-lhe:
- O que você precisa, Joaquim Sucupira, é de movimento...

Do livro Luz Acima, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.




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terça-feira, 13 de novembro de 2018




A confiança reflete o amor

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Como é importante sentir confiança, não só em si, mas também, em quem se ama, com quem se convive. Muitos estudiosos do assunto podem afirmar que a confiança basta estar em nós para tudo, de fato, fluir. Não há como discordar, porém, somos tão frágeis seres e tanto necessitamos desenvolver para completamente nos sentirmos seguros. Sem dúvida, isso é um dos desejados objetivos. No entanto, caminhamos e muito há a caminharmos, já que a bem tenra infância espiritual nos abraça.
Observo muito os animaizinhos e procuro compreender como eles se sentem todos os dias quando seus donos saem para o trabalho, passeio ou outra atividade sem levá-los. Mais uma vez ficam sós e acredito que sem a garantia de seu retorno sendo por isso a maneira tão alegre e sincera que os pequenos os recebem.
E o tempo tanto nos comprova que quanto mais compreensão também maior a responsabilidade, esta de quando se cativam corações e desperta-se a confiança. O amor é a energia mestra para toda verdadeira relação já que ele é a união dos mais nobres sentimentos e se ele está presente a sensação, de forma natural, será mais fortalecedora, segura, eterna.
Quantos exemplos de insegurança são vistos e vividos e nunca trazem benéficos resultados e memórias. Como as palavras sim é sim e não é não também sejamos muito responsáveis conosco e com os outros, com o universo, e que comecem a diminuir os tristes exemplos de insegurança na vida, como o ocorrido com o indefeso cachorrinho que não dormia, nos primeiros dias, na casa de seus novos adotantes porque no inseguro lugar onde antes vivia, seus infelizes donos o levaram para uma estrada numa noite estrelada e o abandonaram. Felizmente a lua o guiou até amorosos e confiantes braços que o enlaçam a toda hora com o verdadeiro amor.
“Faça ao outro o que deseja a si próprio.”
Como eu confio em corações, outros também confiam em mim.
   
Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/




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segunda-feira, 12 de novembro de 2018




Da lista de erros corriqueiros que ocorrem com frequência no tocante ao uso do idioma que falamos, eis mais seis casos:
1 – Tratam-se de bons candidatos.
O correto: Trata-se de bons candidatos.
Explicação: Em frases assim, o verbo seguido de preposição não varia: Trata-se de boa pessoa. Trata-se de boas pessoas. Exemplos: Necessita-se de empregados. Apela-se para todos. Conta-se com os amigos. Trata-se de dois clubes importantes.
2 – Chegamos ontem em Londrina.
O correto: Chegamos ontem a Londrina.
Explicação: Verbos que expressam movimento exigem a preposição “a”. Exemplos: Chegou a Curitiba. Foi ao cinema. Levou todos ao teatro.
3 – Sua falta implicará em punição.
O correto: Sua falta implicará punição.
Explicação: É transitivo direto o verbo implicar quando tem o sentido de acarretar, gerar, ter consequência. Exemplos: O atraso implicará multa. Promoção implica responsabilidade.
4 – Ele ainda vive às custas do pai.
O correto: Ele ainda vive à custa do pai.
Explicação: A locução é “à custa de”.
5 – O trabalho está em vias de conclusão.
O correto: O trabalho está em via de conclusão.
Explicação: A locução é “em via de”.
6 – O ingresso é gratuíto.
O correto: O ingresso é gratuito.
Explicação: Na segunda sílaba (tui) há um ditongo (ui), não um hiato. Essa palavra tem a seguinte pronúncia: gra-túi-to, a exemplo de circuito (cir-cúi-to), fluido (flúi-do), fortuito (for-túi-to).




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domingo, 11 de novembro de 2018




Segundo o Espiritismo, não basta abster-nos de fazer o mal

Uma das questões mais interessantes examinadas pela doutrina espírita diz respeito à nossa responsabilidade quanto ao que fazemos ou deixamos de fazer em nossa passagem pelo planeta.
O pensamento corrente, comum a diversas doutrinas religiosas, é que o homem será punido pelo mal que houver aqui praticado. Se conseguir escapar à justiça dos homens, com certeza não escapará à justiça divina. Desse modo, embora se ignore como se dará tal punição, a ideia geral é que ele prestará contas dos males cometidos.
Esse pensamento não contraria os ensinos que os instrutores desencarnados nos trouxeram. De fato, à justiça divina ninguém escapa. Mas as diferentes vertentes religiosas se esquecem de dizer que seremos responsabilizados também pelo bem que deixamos de fazer, como nos é claramente mostrado na doutrina espírita.
O fato não passou despercebido nos ensinamentos de Jesus.
A parábola “Lázaro e o rico” narrada por Jesus – consoante o Evangelho de Lucas, 16:19-26 – diz que havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. À porta de sua mansão comparecia sempre um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas e ali vinha em busca de alimento. Um dia o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; pouco depois morreu também o rico, que se viu, porém, colocado no inferno, enquanto Lázaro desfrutava uma boa situação, no seio de Abraão. Quando chamado pelo rico, que ardia em sede e pedia que Lázaro ao menos refrescasse sua língua, Abraão foi peremptório: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.
Notemos que a parábola não diz que o rico houvera cometido algum delito; apenas informa que ele jamais dera atenção a Lázaro e, além disso, usufruíra, egoisticamente, os bens que recebera em vida.
O assunto é tratado de forma objetiva em diversas questões que compõem O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a principal obra da doutrina espírita.
Eis, sinteticamente, o que esse livro nos ensina:
  Cada indivíduo será punido não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar (LE, 639).
  Aquele que não pratica o mal, mas que se aproveita do mal praticado por outrem, é tão culpado quanto o outro (LE, 640).
  Não basta que o homem não pratique o mal; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem (LE, 642).
  O Espírito sofre por todo o mal que praticou, ou de que foi causa voluntária, por todo o bem que houvera podido fazer e não fez e por todo o mal que decorra de não haver feito o bem (LE, 975).
A perfeita compreensão de como funciona a justiça divina constitui o primeiro passo para que o indivíduo reformule seu programa de vida, consciente de que seu papel neste mundo exige ação, participação e solidariedade, que foi exatamente o que faltou ao rico focalizado na parábola narrada por Jesus.




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sábado, 10 de novembro de 2018





Que procuras?

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

— Boa noite, amigo, já estamos em seu lar para a entrevista de hoje.
— Boa noite, Emmanuel, boa noite, Machado. Alegro-me muito em vê-los. Passo a palavra ao Bruxo do Cosme Velho para iniciar a nova entrevista...
— Obrigado, Jó. Então, sem mais delonga, vamos ao que interessa. Gostaria de sua opinião, Emmanuel, sobre esta pergunta do Cristo: “Que buscais?” (João, 1: 38)
— Amigos, a vida tem por base imensurável quantidade de experiências. Em cada nova existência individual, aprende-se mais um pouco. Nada está estagnado. Observa o vegetal, aparentemente estático, quando o vento não lhe agita os galhos e as folhas. Sobre o solo que Jó pisa, imensa quantidade de seres microscópios se agitam. Aliás, mesmo na ponta de seu dedo, ou no ar que nosso irmão respira, a vida se manifesta invisível ao seu olhar... Todos os seres buscam a bênção e a misericórdia do Pai que está em toda parte. Onde o nada? Em lugar algum...
— Entretanto, Emmanuel, entre uma e outra leitura filosófica que fiz, após reencarnar no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, uma dúvida permanecia em minha mente sempre em busca do miúdo para dele fazer um grande e inefável acontecimento literário. Se Deus é bom, onisciente e onipotente, como defendia, um século antes do meu,  Rousseau, eu não sabia refutar Voltaire, que negava um destes atributos à Divindade, com base apenas na fé: segundo este, Deus não podia ser bom, onisciente e onipotente ao mesmo tempo, porque ante uma tragédia como a que ocorrera em Portugal, quando morreram, em terremoto, mais de cinquenta mil pessoas, uma dessas qualidades ficaria prejudicada.
Para Voltaire, se Deus fosse bom e onisciente, não seria onipotente, pois, se tudo pudesse, poderia evitar a catástrofe portuguesa, mas deixou que ela ocorresse. Se fosse onisciente e onipotente, não seria bom, pois tudo sabendo e tudo podendo, deixou que 50 mil dos seus filhos morressem sem qualquer chance de sobrevivência. E se fosse bom e onipotente, não seria onisciente, pois não saberia que, somente ali, em Portugal, tantas vidas, inocentes e pecadoras, seriam sacrificadas juntas. Onde estava o Pai, quando esse e outros desastres ecológicos ocorreram, desde que Ele criou o mundo?
— Machado, esse pensamento só seria racional sem a chave da vida trazida pelo Espiritismo. Essa chave está na reencarnação. Sem ela, as desigualdades sociais do mundo ficariam sem explicação racional. Quando Jesus se refere às bem-aventuranças para os aflitos, estava referindo-se às compensações na vida futura.  Deus não age por capricho, permitindo a alguns uma vida sem preocupações e a outros a fatalidade das tragédias. Todas as vicissitudes, todos os sofrimentos inevitáveis por que o Espírito imortal passa na existência física têm uma causa justa.
Coube aos Espíritos, sob a direção de Jesus, explicar-nos, racionalmente, aquilo que a crença na unicidade da existência não tinha condições de explicar. Somente remontando às causas pregressas das provas e expiações humanas, o que nos é concedido pela certeza da reencarnação, podemos evitar um raciocínio deturpado, que nega qualquer dos atributos Divinos e nos deixa entregues à revolta e a todo tipo de consequências baseadas em nossos atos contrários à lei do amor, única lei que nos libertará do mal e dos seus resultados nefastos.
— E foi por saber disso que Jesus perguntou aos que o seguiam o que eles buscavam, nobre Emmanuel?
— Sim, Jó, a lei de ação e reação explica o porquê de uns serem atendidos, imediatamente, no que pedem, e outros não...
— Mas então como explicar a seguinte afirmação de Jesus, narrada por Marcos, 11:24: “Por isso vos digo: tudo quanto suplicardes e pedirdes, crede que já o recebestes, e assim será pra vós”?
— Isso está na Bíblia de Jerusalém, que é mais clara, nesse ponto, que as demais bíblias traduzidas. Ora, se já recebemos algo que não temos, é porque, certamente, o que agora não temos, já obtivemos em outra ocasião, que pode ter sido existência anterior. Por outro lado, se seremos atendidos no que agora pedimos, certamente precisaremos ter crédito para que, no momento oportuno, a Bondade Divina nos conceda o bem do qual formos credores.
— Agora entendi o significado do provérbio: “Ajuda-te que o Céu te ajudará”.
— É isso, amigo Jó. A singela pergunta do Senhor não se restringe apenas aos que o seguiam. Aplica-se igualmente a todos os seus novos seguidores, estejam ou não nos templos do mundo. Em especial ao servidor espírita, cabem diversos compromissos ante a Boa-Nova renascente na Terra.
— Quais são esses compromissos, bondoso Emmanuel?
— Sintetizo-os na repetição destas frases finais:
A cada criatura que desperta em mais altos níveis da fé raciocinada, soa a interpelação do Senhor como sendo convite às obras em que se afirme a caridade real. Assim, escuta no íntimo, em cada lance das próprias atividades, a austera palavra do Condutor Divino, convocando-te à coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização.
Analisa o que fazes. Observa o que dizes. Medita em torno de tuas aspirações mais ocultas. Que resposta forneces à indagação do Senhor?
Quem segue o Cristo, vive-lhe o apostolado.
Serve, coopera e caminha avante, sem temor ou vacilação, lembrando-te de que o Verbo da Verdade incide sobre nós, a cada dia, perguntando incessantemente: Que buscais?
Quando voltei a cabeça, já não vi mais meus amigos. Agora busco suas palavras e exemplos de vida.

Referências:
BÍBLIA de Jerusalém. 3. imp. São Paulo: Paulus, 2004.
XAVIER, Francisco Cândido. O Evangelho de Emmanuel: comentários ao evangelho segundo João.  Coordenação de Saulo César Ribeiro da Silva. 1. ed. Brasília: FEB, 2015, p. 34 e 35.

O Evangelho segundo o Espiritismo em tradução no português atual

Conforme informamos no último número, damos continuidade à tradução livre, sem fins comerciais, em terceira pessoa, de L’Évangile selon le SpiritismeO Evangelho segundo o Espiritismo, 3. ed., rev., corr. e modif. Paris, 1866.
Parafraseando Allan Kardec, que os bons Espíritos nos auxiliem a concluir este trabalho, se essa for a Vontade de Deus.

Para os homens em particular, esta é uma regra de conduta que abrange todas as circunstâncias da vida privada ou pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas na justiça mais rigorosa; é, finalmente, e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade que está por vir, uma ponta do véu sobre a vida futura que foi levantado. É essa parte que faz o objeto exclusivo deste livro.
Todos admiram a moral evangélica; cada um proclama sua sublimidade e necessidade, mas muitos o fazem confiados no que ouviram falar dele ou por fé em algumas máximas que se tornaram proverbiais; no entanto, poucos a conhecem completamente, menos ainda entendem e sabem deduzir suas consequências. A razão é, em grande parte, por causa da dificuldade de ler o Evangelho, que é ininteligível para número de pessoas. A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, fazem com que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como leem as preces sem entendê-las, ou seja, sem proveito.
Os preceitos da moral,  difundidos aqui e ali, se confundem com a massa de outras narrativas e passam despercebidos. Desse modo, é impossível fazer um estudo e meditação à parte desses preceitos.
É certo que já foram escritos tratados da moral evangélica, mas seu estilo literário moderno tira-lhes a simplicidade que lhes dá encanto e autenticidade. Ocorre o mesmo com as máximas destacadas, reduzidas à sua expressão proverbial mais simples; são, então, apenas aforismos que perdem parte de seu valor e interesse, pela ausência dos acessórios e pelas circunstâncias em que foram enunciados.
Para remediar esses inconvenientes, reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de culto; nas citações mantivemos tudo o que era útil para o desenvolvimento do pensamento, apenas excluindo o que era estranho ao assunto. Temos escrupulosamente respeitado a tradução original de Sacy, bem como a divisão do versículo. Mas, em vez de nos atermos a uma ordem cronológica impossível e sem qualquer vantagem real em tal assunto, as máximas foram agrupadas e classificadas metodicamente de acordo com sua natureza, de modo que sejam deduzidas tanto quanto possível uma da outra. A indicação dos números de ordem dos capítulos e versículos permite recorrer-se à classificação vulgar, se for considerado apropriado.
Este seria apenas um trabalho material de utilidade secundária somente. O essencial seria colocá-lo ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras e o desenvolvimento de todas as consequências, com o objetivo de aplicá-lo às diferentes posições da vida. É isso que tentamos fazer com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.







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