domingo, 24 de junho de 2018



Dura lex, sed latex

A expressão acima integra uma frase atribuída ao grande escritor e jornalista Fernando Sabino, dita em um comentário que fez acerca da expressão latina “dura lex sed lex”, isto é, “a lei é dura, mas é lei”.
O significado da expressão latina é que, por mais dura que possa ser uma lei, ela deve ser cumprida, exija ou não da pessoa grandes sacrifícios.
Escreveu o saudoso escritor:
“Para os pobres é dura lex, sed lex. A lei é dura, mas é lei. Para os ricos, é dura lex, sed latex. A lei é dura, mas estica”.
Sabino fazia assim uma crítica ao sistema judiciário brasileiro, cuja atuação até então sinalizava que as pessoas de maiores posses eram tratadas de forma mais benigna do que os mais pobres, mesmo sendo os crimes destes mais brandos do que os dos ricos e abastados.
Os últimos acontecimentos em nosso país dão-nos algum alento de que esse estado de coisas esteja mudando e, por isso, os poderosos não mais têm, como antes, certeza de que a impunidade continuará beneficiando-os.
A expressão latina pode, realmente, ser ignorada – e certamente tem sido inúmeras vezes – no plano em que vivemos. No mundo da política, a história mostra com clareza que sempre se observou o que diz conhecido ditado: “Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei”.
É diferente, porém, o que ocorre quando nos referimos à justiça divina.
Ensinada como um dos princípios básicos do Espiritismo, a lei de causa e efeito não era estranha aos cristãos primitivos, que certamente conheciam a advertência contida no episódio abaixo relatado pelo evangelista Mateus:

“E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” (Mateus 26:51,52)

Nosso companheiro José Lucas, um dos colaboradores de nossa revista, radicado em Portugal, relatou oportunamente em um artigo intitulado E para onde vão os políticos? um fato que mostra com clareza como a justiça divina é aplicada naturalmente consoante as leis de Deus.
Diz ele que o conhecido professor e orador José Raul Teixeira, ao dirigir-se para almoçar num restaurante com um grupo de amigos espíritas, viu numa esquina próxima uma mulher andrajosa a procurar comida num cesto de lixo posto na calçada. A cena causou-lhe tamanha impressão, que ele perdeu a vontade de almoçar, conquanto a necessidade de fazê-lo. Enquanto tentava recompor-se mentalmente, já no restaurante, pensando naquela pessoa que nada tinha, apareceu-lhe, pelo fenômeno da vidência espiritual, um Espírito amigo que o acompanha em sua tarefa doutrinária. O benfeitor espiritual o acalmou, explicando que, mesmo que ele fosse dar comida limpa àquela senhora, ela recusaria. E contou-lhe, em breves pinceladas, a história daquela mulher, que era na atual existência a reencarnação de um famoso político brasileiro, ainda hoje muito conceituado, e que por haver prejudicado tanto o povo tinha reencarnado numa condição miserável, devido ao mecanismo do complexo de culpa que fez, após a morte do corpo de carne, no mundo espiritual, retornando naquela condição para aprender a valorizar o que tanto desprezara na existência: as dificuldades financeiras do próximo.
Não se tratava, obviamente, de um castigo divino, mas sim uma decorrência da lei de causa e efeito, segundo a qual cada um colhe de acordo com os seus atos, pensamentos e sentimentos.
A esse tipo de lei – a lei divina – a expressão latina dura lex, sed lex se aplica integralmente, quer acreditemos ou não. Fernando Sabino certamente concordaria com esta nossa conclusão.




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sábado, 23 de junho de 2018




Saber e fazer: bases para uma sociedade melhor
   
JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Bom dia!
Você sabe a diferença entre saber e fazer? Recebi, há dias, um vídeo de entrevista gravada com o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, na qual ele nos recomenda a prática de dois princípios de generosidade mental e de humildade intelectual: 1º) Quem sabe, reparte; 2º) Quem não sabe, procura (Disponível em: www.pensador.com/ autor/mario_sergio_cortella).
Infelizmente, o que se vê por aí, em especial nos ambientes de trabalho, nos quais impera o desejo de ascensão sobre os demais colegas, quem sabe oculta suas fontes de informação. Já quem não sabe acomoda-se na ignorância.
Precisamos aprender uma coisa: tudo que pensamos e falamos resulta de ideias coletivas. A única coisa que nos diferencia é o que fazemos dessas ideias. Se forem boas, os resultados de nossa prática serão promissores, se más, as consequências serão danosas. É a lei de ação e reação, que, antes mesmo de serem reafirmadas pelo Cristo, os profetas e filósofos da antiguidade nos ensinavam. Pena que, nem sempre, a aplicavam ao que faziam, exceto Jesus.
Coisa típica de ditadores e maus governantes...
É por isso que profetas como João Batista, o qual possuía profundos conhecimentos das leis divinas e as pregava ao povo da Galileia, mesmo sendo admirado pela sua coerência entre o  dizer e o fazer, acabou com a cabeça cortada e entregue a Herodes numa bandeja. João fora Elias, profeta reencarnado que, após provar, em vida anterior, a 450 profetas seguidores do deus Baal que somente Jeová era o Deus único, mandou degolá-los (I Reis, 19:22- 40).
A Lei Divina, sempre presente em nossa consciência, é justa. Embora o amor cubra a multidão de nossos pecados e Saint Exupéry nos tenha dito que nos tornamos sempre responsáveis por aquilo que cativamos, também o somos pelo que destruímos ou escolhemos mal. Daí a vantagem da prática sobre a teoria moral presente apenas nos lábios ou no papel.
Diz ainda Mário Sérgio, no citado site, o seguinte, que nos faz refletir sobre o saber e o fazer: “As famílias confundem escolarização com educação. É preciso lembrar que a escolarização é apenas uma parte da educação. Educar é tarefa da família”.
Ora, se a educação começa de casa, e na escola somos instruídos, que é necessário saber para fazer uma sociedade melhor? Se, em casa, nossos pais ou responsáveis devem compartilhar conosco a melhor educação, a escola deve dar-nos a melhor instrução.
Por fim, a frase que considero primorosa metáfora de Cortella: “Se não quiser uma cidade suja, não deposite lixo na urna”.
Ou seja, a educação transmitida no lar, aliada à boa escolarização, que a família deve esforçar-se em nos proporcionar, ajudar-nos-ão a fazer um novo país, livre dos maus políticos e administradores corruptos. Nossa grande aliada é a internet, vigiada pelos pais que têm na ética os princípios basilares para a melhoria moral e material de nossa sociedade.
Por fim, que nossa procura do conhecimento, antes das novas eleições, tenha por base a criteriosa escolha de quem reparte o que sabe. Sobretudo, porém, que esse saber não seja baseado em mentiras e, sim, em atitudes que provem sua honestidade e competência. Para tal, temos quatro meses pela frente, que se escoarão rapidamente e não nos perdoarão a omissão e a desinformação, nos próximos quatro anos, até que venha a próxima Copa do Mundo e...






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sexta-feira, 22 de junho de 2018




A Alma é Imortal

Gabriel Delanne

Parte 13

Continuamos o estudo do clássico A Alma é Imortal, de Gabriel Delanne, conforme tradução de Guillon Ribeiro, publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Os Espíritos podem ver a si mesmos num espelho normalmente usado pelos encarnados?
B. Os pesquisadores dos fenômenos espíritas também relatam comunicações mediúnicas transmitidas por Espíritos encarnados?
C. Qual é o fenômeno que apresenta, segundo Delanne, o mais alto ponto de objetividade da ação extracorpórea do homem?

Texto para leitura

129. Kardec consigna na Revista Espírita muitos exemplos de comunicações de pessoas vivas, como a do Espírito do Dr. Vignal que, espontaneamente, deu por um médium escrevente pormenores sobre esse modo de manifestação. Descrevendo como percebia a luz, as cores e os objetos materiais, Dr. Vignal informou que não podia ver a si mesmo num espelho, sem a operação pela qual o Espírito se torna tangível, e comprovou a sua individualidade pela existência do perispírito, que - embora fluídico - tinha para ele a mesma realidade que o seu envoltório material. (Págs. 146 e 147)
130. Em outra comunicação relatada pela Revista Espírita, a srta. Indermulhe, surda e muda de nascença, consegue exprimir com clareza seus pensamentos. Por certas particularidades características que estabelecem a sua identidade, um irmão a reconheceu. Pode-se, portanto, evocar o Espírito de um cretino ou o de um alienado e convencer-se experimentalmente de que o princípio pensante, o seu Espírito, não é louco. É o corpo que se acha enfermo e não obedece por isso às volições da alma, donde dolorosa e horrível situação que constitui uma das mais temíveis provas. (Pág. 147)
131. Alexandre Aksakof também relata em sua obra acima citada numerosos casos de encarnados manifestando-se a amigos ou a estranhos pelos processos espiríticos. Eis alguns desses casos mencionados neste livro por Delanne: I) O conhecido escritor russo Wsevolod Solowiof conta que frequentemente sua mão era presa de uma influência estranha à sua vontade e, então, escrevia com extrema rapidez e clareza, mas da direita para a esquerda, de sorte a não se poder ler o escrito senão colocando-o diante de um espelho ou por transparência. II) Um dia, sua mão escreveu o nome Vera, uma prima que o avisou de que teriam um encontro no dia seguinte, no Jardim de Verão. À família, a jovem disse ter visitado seu primo em sonho e anunciado o encontro que teriam, o que efetivamente se deu. III) A srta. Sofia Swoboda, julgando estar na presença de sua professora, a sra. W..., transmitiu-lhe, sem saber, uma mensagem, no momento em que a professora tomara do lápis para tentar um contato com seu defunto marido. No dia seguinte, Sofia reconheceu não só a sua caligrafia como o assunto que ficou registrado na mensagem psicografada pela professora. (Págs. 147 a 149)
132. Exemplos de Espíritos de pessoas vivas manifestando-se pela incorporação são referidos pela conhecida escritora Hardinge Britten e pelo sr. Damiani. (Pág. 151)
133. Conta a sra. Britten que, numa sessão realizada em casa do sr. Cuttler, em 1853, um médium feminino pôs-se a falar em alemão, embora ignorasse completamente esse idioma. A individualidade que por ela se manifestava dizia-se mãe da srta. Brant, jovem alemã que se achava presente. Passado algum tempo, um amigo da família, vindo da Alemanha, trouxe a notícia de que a sra. Brant, após prolongado sono letárgico decorrente de séria enfermidade, declarara, ao despertar, ter estado com a filha num aposento espaçoso, na América. (Pág. 151)
134. O sr. Damiani diz, a seu turno, que nas sessões da baronesa Cerrapica, em Nápoles, receberam-se muitas vezes comunicações provindas de pessoas vivas, como se deu com o Dr. Nehrer, que vivia na Hungria e se comunicou com ele por intermédio da baronesa. (Págs. 151 e 152)
135. O capítulo é encerrado com o relato de vários casos de materializações de duplos de pessoas vivas, fenômeno esse que apresenta, segundo Delanne, o mais alto ponto de objetividade da ação extracorpórea do homem, visto que se traduz por efeitos intelectuais, físicos e plásticos. (Pág. 152)
136. Eis alguns dos casos relatados por Delanne: I) Nas experiências realizadas em presença do prof. Mapes, este pôde comprovar o desdobramento do braço e das mangas do médium. II) Diz o sr. Cox que, enquanto uma corrente elétrica permanecia jungida ao médium, uma forma humana completa foi vista por todos: era a forma da sra. Fay, integral, com sua cabeleira, seu porte, seu vestido de seda azul, seus braços nus até ao cotovelo, adornados com braceletes de finas pérolas. III) Nas experiências feitas com Eusápia Paladino foi possível comprovar-se materialmente o seu desdobramento. (Págs. 152 a 154)
137. A par das narrativas dos sonâmbulos e dos videntes, as comunicações dos Espíritos, confirmadas pelas fotografias e pelas materializações de vivos e de desencarnados, atestam que a alma tem sempre uma forma fluídica. (Pág. 155) (Continua no próximo número.)

Respostas às questões preliminares

A. Os Espíritos podem ver a si mesmos num espelho normalmente usado pelos encarnados?
Não. Conforme Kardec consignou na Revista Espírita, o Espírito do Dr. Vignal informou que não podia ver a si mesmo num espelho, sem a operação pela qual o Espírito se torna tangível. (A Alma é Imortal, págs. 146 e 147.)
B. Os pesquisadores dos fenômenos espíritas também relatam comunicações mediúnicas transmitidas por Espíritos encarnados?
Sim. O fato foi relatado por diversos pesquisadores, a exemplo de Alexandre Aksakof, Hardinge Britten e o Sr. Damiani. (Obra citada, págs. 147 a 152.)
C. Qual é o fenômeno que apresenta, segundo Delanne, o mais alto ponto de objetividade da ação extracorpórea do homem?
É o chamado fenômeno de materialização do duplo de pessoas vivas, o qual, na opinião de Delanne, apresenta o mais alto ponto de objetividade da ação extracorpórea do homem, visto que se traduz por efeitos intelectuais, físicos e plásticos. (Obra citada, págs. 152 a 155.)

Nota:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




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quinta-feira, 21 de junho de 2018




Natureza e propriedades
do perispírito

Este é o módulo 85 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que é perispírito?
2. De onde os Espíritos tiram os elementos que constituem o seu perispírito?
3. A natureza do envoltório fluídico é idêntica em todas as pessoas?
4. Podemos dizer que o perispírito possui um peso específico próprio?
5. A matéria – tal como a conhecemos em nosso mundo – oferece algum obstáculo ao perispírito?

Texto para leitura

A natureza do perispírito guarda relação com a evolução da pessoa
1. O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é uma condensação do fluido cósmico em torno da alma. O corpo físico, ou carnal, resulta de uma maior condensação do mesmo elemento, fato que o transforma em matéria tangível. 
2. Embora tenham origem comum, que é o fluido cósmico, as transformações moleculares são diferentes nesses dois corpos, resultando daí ser o perispírito etéreo e imponderável. Ambos são, portanto, matéria, mas em estados diferentes. Conforme ensina o ministro Clarêncio, da colônia espiritual "Nosso Lar", o corpo perispiritual é constituído à base de princípios químicos semelhantes, em suas propriedades, ao hidrogênio, a se expressarem através de moléculas significativamente distanciadas umas das outras (Entre a Terra e o Céu, cap. XXIX).
3. O Espírito forma seu envoltório perispirítico com os fluidos retirados do ambiente em que vive. Como a natureza dos mundos varia conforme o seu grau de evolução, será maior ou menor a materialidade dos corpos físicos dos seus habitantes. O perispírito guarda relação, quanto à sua composição, com esse grau de materialidade. Admitindo-se que um Espírito emigre da Terra, aí ficará o seu envoltório fluídico, porquanto o Espírito precisa tomar um outro envoltório fluídico apropriado ao planeta em que passará a viver.
4. A natureza do envoltório fluídico guarda sempre relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. À condição moral do Espírito corresponde, por assim dizer, uma determinada densidade do perispírito. Maior elevação, menor densidade fluídica. Maior inferioridade, maior densidade, isto é, perispírito mais grosseiro, com maior condensação fluídica. É claro que, apesar de mais densos, os envoltórios fluídicos mais grosseiros continuam imponderáveis. 

Cada perispírito tem uma densidade, um peso específico próprio
5. No cap. XIII da obra acima citada, Clarêncio diz que o veículo espiritual é, por excelência, vibrátil e se modifica profundamente, segundo o tipo de emoção que lhe flui do âmago. Como ninguém ignora, em nosso próprio meio a máscara física altera-se na alegria ou no sofrimento, na simpatia ou na aversão. No plano espiritual, semelhantes transformações são mais rápidas e exteriorizam aspectos íntimos do ser, com facilidade e segurança, porque as moléculas do perispírito giram em mais alto padrão vibratório, com movimentos mais intensivos que as moléculas do corpo carnal. 
6. Pode-se, assim, dentro da relatividade das coisas, admitir um peso específico para o perispírito. Os de maior peso específico chumbam os Espíritos às regiões inferiores, impossibilitando-lhes o acesso a planos mais elevados e, por isso mesmo, o ingresso em mundos de maior elevação espiritual. A acentuada densidade do perispírito de grande número de Espíritos leva-os a confundi-lo com o corpo material que utilizaram durante sua última encarnação. Esse é um dos motivos que levam muitos a se considerarem vivos, isto é, ainda encarnados e a viverem na Terra, imaginando-se entregues a ocupações que lhes eram habituais.
7. O perispírito dos Espíritos superiores, de reduzido peso específico, confere-lhes uma leveza que lhes permite viver em planos mais elevados e deslocar-se a outros mundos. Eles podem, evidentemente, descer aos planos inferiores e, dada a sutileza do seu envoltório, não serão percebidos pelas entidades desencarnadas inferiores.
8. Quando encarnado, o Espírito mantém o envoltório perispirítico, constituindo o corpo material um segundo envoltório, mais grosseiro, apropriado ao meio físico em que vive. O perispírito serve, em tal situação, de intermediário entre a alma e o corpo. É o órgão de transmissão de todas as sensações, quer partam do Espírito, quer venham do exterior, através do corpo físico. Devido ao estado grosseiro da matéria, os Espíritos não podem agir diretamente sobre ela. Fazem-no, então, por meio do seu perispírito. Os fluidos perispiríticos constituem, dessa forma, sob a ação da vontade, verdadeiras alavancas que lhes permitem produzir ruídos, pancadas, deslocamentos de objetos etc.

A matéria não oferece obstáculo algum ao perispírito e aos Espíritos
9. Em condições normais, o perispírito é invisível, mas pode tornar-se visível em razão das modificações que venha a experimentar pela ação da vontade do Espírito. Essas modificações consistem numa espécie de condensação ou em novos arranjos das moléculas que o compõem, mas isso requer a existência de certas circunstâncias que não dependem apenas do Espírito. Para tornar-se visível a alguém, ele precisa de permissão, que nem sempre lhe é dada. Nas aparições, o perispírito apresenta-se comumente com aspecto vaporoso e diáfano. De outras vezes, tem as formas delineadas e os traços bem nítidos, podendo apresentar a solidez de um corpo físico, isto é, tangível, o que não o impede de retomar instantaneamente o estado normal de invisibilidade e intangibilidade.
10. A matéria – tal como a conhecemos em nosso mundo – não oferece obstáculo algum ao perispírito, porque a condição etérea do corpo espiritual lhe confere a propriedade de penetrabilidade. Ele atravessa a matéria como a luz atravessa os corpos transparentes. Eis por que portas e janelas fechadas não impedem que ali penetrem os Espíritos.
11. Como já foi dito, é das camadas de fluidos espirituais que envolvem a Terra que os Espíritos formam o seu envoltório perispirítico. Esses fluidos não são homogêneos; por isso, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito se formará das partes mais puras ou mais grosseiras do fluido peculiar ao planeta em que vai reencarnar. Nesse processo, o Espírito atrai automaticamente as moléculas que se afinam com o seu padrão vibratório.
12. Não é, pois, idêntica a constituição íntima do perispírito dos indivíduos que povoam a Terra e o espaço que a circunda, fato que não se dá com o corpo material, formado pelos mesmos elementos, independentemente da elevação espiritual das pessoas. O envoltório perispirítico dos Espíritos modifica-se com o progresso moral que eles realizam em cada existência, ainda que reencarnem no mesmo meio. Assim, os Espíritos superiores, mesmo quando reencarnem em mundos inferiores, terão perispírito menos grosseiro do que o perispírito dos Espíritos vinculados, em face do seu nível evolutivo, a esses mundos.

Respostas às questões propostas

1. Que é perispírito?
O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é uma condensação do fluido cósmico em torno da alma. 
2. De onde os Espíritos tiram os elementos que constituem o seu perispírito?
O Espírito forma seu envoltório perispirítico com os fluidos retirados do ambiente em que vive. Como a natureza dos mundos varia conforme seu grau de evolução, o perispírito guarda relação, quanto à sua composição, com esse grau de materialidade. Admitindo-se que um Espírito emigre da Terra, aí ficará seu envoltório fluídico, porquanto o Espírito precisa tomar um outro envoltório fluídico apropriado ao planeta em que passará a viver.
3. A natureza do envoltório fluídico é idêntica em todas as pessoas?
Não. A natureza do envoltório fluídico guarda sempre relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. À condição moral do Espírito corresponde, por assim dizer, uma determinada densidade do perispírito. Maior elevação, menor densidade fluídica. Maior inferioridade, maior densidade, isto é, perispírito mais grosseiro, com maior condensação fluídica. 
4. Podemos dizer que o perispírito possui um peso específico próprio?
Sim. Podemos, dentro da relatividade das coisas, admitir um peso específico para o perispírito. Os de maior peso específico chumbam os Espíritos às regiões inferiores, impossibilitando-lhes o acesso a planos mais elevados e, por isso mesmo, o ingresso em mundos de maior elevação espiritual. 
5. A matéria – tal como a conhecemos em nosso mundo – oferece algum obstáculo ao perispírito?
Não. A matéria peculiar ao nosso plano não oferece obstáculo algum ao perispírito, porque a condição etérea do corpo espiritual lhe confere a propriedade de penetrabilidade. Ele atravessa a matéria como a luz atravessa os corpos transparentes. Eis por que portas e janelas fechadas não impedem que ali penetrem os Espíritos.

Bibliografia:
A Gênese, de Allan Kardec, itens 7 a 10, pp. 276 a 279.
Obras Póstumas, de Allan Kardec, itens 10 a 16, pp. 45 a 47.
Entre a Terra e o Céu, de André Luiz, cap. XIII e XXIX.

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 20 de junho de 2018




A coroa

Emmanuel

“E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça.” (Marcos, 15:17.)

Quase incrível o grau de invigilância da maioria dos discípulos do Evangelho, na atualidade, ansiosos pela coroa dos triunfos mundanos.
Desde longo tempo, as Igrejas do Cristianismo deturpado se comprazem nos grandes espetáculos, através de enormes demonstrações de força política.
E forçoso é reconhecer que grande número das agremiações espiritistas cristãs, ainda tão recentes no mundo, tendem às mesmas inclinações.
Individualmente, os prosélitos pretendem o bem-estar, o caminho sem obstáculos, as considerações honrosas do mundo, o respeito de todos, o fiel reconhecimento dos elevados princípios que esposaram na vida, por parte dos estranhos.
Quando essa bagagem de facilidades não os bafeja no serviço edificante, sentem-se perseguidos, contrariados, desditosos.
Mas... e o Cristo? não bastaria o quadro da coroa de espinhos para atenuar-nos a inquietação?
Naturalmente que o Mestre trazia consigo a Coroa da Vida; entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar que a coroa da Terra ainda é de espinhos, de sofrimento e trabalho incessante para os que desejem escalar a montanha da ressurreição divina.
Ao tempo em que o Senhor inaugurou a Boa Nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas; mas, legando-nos a sublime lição, Jesus dava-nos a entender que seus discípulos fiéis deveriam contar com distintivos de outra natureza.


Do livro Caminho, Verdade e Vida, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.





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terça-feira, 19 de junho de 2018




Inclusive a amar

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Aos poucos podemos melhorar-nos, isso é tão real; porém, essa realidade só se dará quando a consciência quiser despertar e a vontade esforçar-se. Ninguém crescerá a não ser por si próprio; somos responsáveis inteiramente por nós. E há ainda certo agravante: nossos exemplos podem favorecer ou não outros seres.
Tudo se pode aprender, e quem disser que não é capaz de melhorar-se, de fato, não houve despertamento e a postergação continua. Pode-se aprender a ser mais paciente, tolerante, disciplinado, a ter mais respeito, pode-se também aprender tantas coisas novas, tantas coisas boas, a conhecer mais a natureza e sua fauna e flora e ainda a humana. Pode-se, com todo amparo, aprender, inclusive, a amar, pois muitos pensam ser impossível. Amar é extraordinário e fundamental.
Há quem necessite de mais tempo para uma mudança positiva, mas o que importa é desejar a melhora. Como o rio que corre e nunca passa pelo mesmo lugar, o tempo não se repete, no entanto, o amor de Pai transcende todo entendimento. E como as grandes lições que normalmente deveriam ser aprendidas em casa, nada mais natural que os conteúdos e companheiros necessários estejam no ambiente familiar.
Um dos primeiros conteúdos é o relacionado a mudar-se a si e não aguardar a mudança alheia; os pássaros no alto já sabem disso. E já sabem também que o amor pode ser aprendido junto com a simplicidade de outros nobres sentimentos. Na verdade, tudo se pode aprender, é necessário atenção para discernir qual o caminho mais desejado.
E por falar em aprender, a natureza ensina constantemente.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/




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segunda-feira, 18 de junho de 2018




Confissão de amigo

Jésus Gonçalves (Espírito)

Era um homem violento,
Ligado às trevas do mal,
Espalhando o sofrimento
Em seu caminho triunfal.

Dispunha de muitas vidas,
Trazendo chicote à mão,
Era o retrato do crime,
No quadro da ingratidão.

Trazia os olhos em fúria,
Mostrando o orgulho na face,
Decretava a própria morte
A quem o desagradasse.

Revelando-se entre os homens
O adversário do bem,
Depois de desencarnado
Era um déspota do Além.

Se amigos lhe conseguiam
Um berço novo no mundo,
Voltava, de novo, a ser
O ódio mordente e profundo.

De nada valia a fé
A induzi-lo para o amor,
Era o fidalgo cruel,
Terrível, dominador…

Um dia, porém, chegou
Em que veio a se cansar
De suscitar tanto pranto,
Tanta ferida a sangrar…

Humilhou-se em oração,
Rogou aos Céus vida nova,
Desejava renovar-se
A fogo de angústia e prova.

Jesus escutou-lhe a prece.
Viu-lhe a mágoa desmedida
E deu-lhe a bênção da lepra
A fim de amparar-lhe a vida.

Ninguém suponha na história
Outro alguém que conheceu,
Devo dizer claramente
Que esse leproso sou eu.


Do livro Estradas e Destinos, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.





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