domingo, 8 de fevereiro de 2026

 



De três ordens são as provas da reencarnação

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

As provas ou evidências da reencarnação baseiam-se essencialmente no seguinte:

1) Na regressão de memória, que pode efetuar-se por força de sugestão, indução hipnótica ou recordação espontânea de existências anteriores, sem que se identifique uma causa que a justifique; neste último caso, a recordação pode dar-se tanto no sono comum como no estado de vigília.

2) Nos ditados mediúnicos, em que o médium transmite revelações sobre existências anteriores, próprias ou de terceiros.

3) Nas ideias inatas e nas crianças-prodígio, fato que abalou e continua a abalar as bases científicas de hereditariedade.

As recordações espontâneas de existências passadas foram objeto de pesquisas realizadas, entre outros, pelos professores H. N. Banerjee e Ian Stevenson.

Professor na Universidade de Virgínia (EUA), Stevenson é o autor do livro Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação, em que relata experiências de pessoas que recordam espontaneamente episódios de existências anteriores, espécie de fenômeno a que se deu o nome de “memória extracerebral”.

Secundariamente, não como prova de sua existência, mas como indício óbvio de sua antiguidade no pensamento humano, a reencarnação é também ensinada por diversas escolas filosóficas e religiosas – notadamente as orientais. Pitágoras, por exemplo, foi um dos seus defensores mais ardorosos.

Alguns fatos registrados nos anais da história merecem ser aqui lembrados, por constituírem testemunhos importantes em favor da realidade da reencarnação:

Juliano, o Apóstata, lembrava-se de ter sido Alexandre da Macedônia.

O poeta Lamartine declara em sua “Viagem ao Oriente” ter tido reminiscências muito claras de suas existências passadas.

O escritor francês Mery recordava-se de ter combatido na guerra das Gálias e também na Germânia, quando então se chamara Minius.

O sensitivo Edgar Cayce, em transe mediúnico, revelava fatos de existências anteriores das pessoas que o procuravam e dele mesmo. Cayce afirma que numa existência imediatamente anterior fora John Bainbridge, nascido nas Ilhas Britânicas em 1742.

Pelo sono provocado através da hipnose, método muito usado atualmente por médicos e psicólogos para fins terapêuticos, têm-se obtido grandes e numerosas provas da reencarnação.

O psiquiatra inglês Denys Kelsey relata em seu livro Muitas Existências, escrito em parceria com sua esposa, o caso de um cliente, profissional liberal de meia-idade, afligido por persistente e invencível inclinação homossexual. Depois de aplicar os métodos clássicos da psicanálise, sem nenhum resultado, numa sessão de hipnose, já pela décima quarta consulta, o paciente começou a descrever episódios de uma existência vivida entre os hititas, quando, na qualidade de esposa de um dos chefes da época, acostumada ao luxo, exercera grande poder sobre o marido. Os hititas habitaram a Síria setentrional por volta de 1900 a.C. Quando a beleza física se foi e o marido deixou de interessar-se por ela, o choque emocional foi muito forte para a sua natureza apaixonada. Tentando atrair terríveis malefícios sobre seu esposo, ela pediu a um sacerdote de Baal que o amaldiçoasse, mas no final ela acabou assassinada, levando para o Além toda a frustração da sua humilhante posição de esposa orgulhosa e desprezada. Ao que parece, deduziu o dr. Kelsey, o episódio estava repercutindo na existência atual, na qual a mesma pessoa experimentava inclinação homossexual.

Como exemplos de provas da reencarnação por meio de ditados mediúnicos, Gabriel Delanne, em seu livro A Reencarnação, menciona vários casos.

Eis um deles, que lhe foi relatado pelo Sr. E. B. de Reyle, por meio de uma carta:

“Em agosto de 1886 – escreveu o Sr. de Reyle -, fizemos uma sessão de evocação, no curso da qual se apresentou, a princípio pela tiptologia, e depois, a nosso pedido, pela escrita medianímica, uma entidade que meus pais perderam, ainda de pouca idade...

“Assegurava esperar, para reencarnar-se, o nascimento do meu primeiro filho, especificando que seria rapaz e viria dentro de 18 meses. Não se esperava uma criança. Ora, em fevereiro de 1888, nascia o nosso filho mais velho, que recebeu o nome de Allan, na data prevista, com o sexo predito.”

A reencarnação permite-nos entender também as chamadas crianças-prodígio, tema estudado por Allan Kardec, que perguntou aos Espíritos Superiores: “Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das línguas, do cálculo, etc.?”

Os Espíritos responderam: “Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência. Donde queres que venham tais conhecimentos? O corpo muda, o Espírito, porém, não muda, embora troque de roupagem”.

Nessa citação encontramos mais uma evidência da reencarnação: a das ideias inatas. A História nos revela inúmeros exemplos de gênios, de sábios, de homens valorosos cujos pais, ou mesmo seus filhos, não foram grandiosos como eles. Alguns desses Espíritos foram na Terra o que costumamos chamar de meninos-prodígio, cujo talento conseguiu pôr em dúvida as leis da hereditariedade.

Evidentemente, o Espiritismo não nega a hereditariedade física ou genésica, mas repele a ideia de que exista uma herança moral ou intelectual transmissível de pais para filhos. E, de fato, sabemos que vários sábios nasceram em meios obscuros, como é o caso de Augusto Comte, Espinosa, Kleper, Kant, Bacon, Young, Claude Bernard etc., enquanto homens de valor tiveram como descendentes pessoas comuns ou mesmo medíocres. Péricles, por exemplo, procriou dois tolos. Sócrates e Temístocles tiveram filhos indignos de seus nomes, e os exemplos não param por aí, porque são muitos e conhecidos.

Segundo os ensinos espíritas, a reencarnação estimula o progresso coletivo e individual e nos revela o que fomos, o que somos e o que seremos, constituindo-se em um instrumento por excelência da lei do progresso e de aplicação da lei de causa e efeito.

A doutrina das vidas sucessivas – ao contrário da crença de que somos condenados a uma pena eterna depois de uma única oportunidade na vida – satisfaz, assim, todas as aspirações de nossa alma, que exige uma explicação lógica do problema do destino. E se concilia perfeitamente com a ideia de que existe uma Providência divina, ao mesmo tempo justa e boa, que não pune nossas faltas com suplícios eternos, mas nos enseja, a cada instante, o poder de reparar nossos erros, elevando-nos na escala evolutiva graças aos nossos próprios esforços.

 

Nota do Autor:

Para ler nossa última publicação, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/02/a-dedetizacao-seria-segundo-os-ensinos.html

 

 

 

 


 

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sábado, 7 de fevereiro de 2026



Veja estas construções:

1. Prefiro o barulho do que o calor.

2. Traga a revista para mim ler a reportagem.

3. Se você ver nosso amigo, dê-lhe um abraço.

Todas elas, embora tão comuns em nossas conversas diárias, contêm erros e, podemos afirmar, erros primários.

Ei-las depois de corrigidas:

1. Prefiro o barulho ao calor.

2. Traga a revista para eu ler a reportagem.

3. Se você vir nosso amigo, dê-lhe um abraço.

 

Explicações:

1. Quando usamos o verbo preferir, com o sentido de querer antes; achar melhor; ter predileção por; gostar mais de; dar primazia ou prioridade, o verbo exige dois complementos, um direto e outro indireto. O complemento direto indica o alvo da preferência, a coisa preferida. O indireto designa a outra coisa e é precedido da preposição “a”.

Exemplos:

Meu amigo prefere picanha a frutos do mar.

Preferiu morrer a ser traidor.

Ele prefere música popular à música clássica.

Preferimos o barulho ao calor.

2. O pronome “mim” não pode ser sujeito de oração, ou seja, ser utilizado em lugar do pronome “eu”. A construção estaria certa se fosse escrita assim: “Traga a revista para mim”. Todavia, no caso mencionado:  “... para mim ler”, o pronome  indicado é “eu”: para eu ler.

É fácil compreender essa regra. Basta mudar a pessoa citada na oração. Nesta construção: “Pega a revista para tu leres a reportagem” não ocorreria a ninguém a ideia de colocar:  “... para ti leres”.

3. O verbo ver apresenta no futuro do subjuntivo as formas: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem. Se a construção estivesse no plural, diríamos: “Se vocês virem nosso amigo, deem-lhe um abraço”.

 

*

 

O vocábulo qüinqüênio, com a eliminação do trema, é agora escrito assim: quinquênio. Sua pronúncia, porém, permanece como antes: kuinkuênio.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/01/como-dissemos-na-edicao-passada-muitas.html

 

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 


AS MAIS LINDAS CANÇÕES QUE OUVI

 

Foi Deus que fez você

 

Luiz Ramalho

 

 

Foi Deus que fez o céu, o rancho das estrelas,

Fez também o seresteiro para conversar com elas,

Fez a lua que prateia minha estrada de sorrisos

E a serpente que expulsou mais de um milhão do paraíso.

Foi Deus que fez você,

Foi Deus que fez o amor.

Fez nascer a eternidade num momento de carinho,

Fez até o anonimato dos afetos escondidos

E a saudade dos amores que já foram destruídos.

Foi Deus!...

 

Foi Deus que fez o vento,

Que sopra os teus cabelos,

Foi Deus que fez o orvalho,

Que molha o teu olhar, teu olhar.

Foi Deus que fez a noite

E o violão plangente,

Foi Deus que fez a gente

Somente para amar, só para amar

Só para amar...

 

 

Você pode ouvir a canção na voz do seu intérprete preferido clicando no link correspondente:

Chitãozinho e Xororó – https://www.youtube.com/watch?v=1PeDMMFKdYs&list=RD1PeDMMFKdYs&start_radio=1

Amelinha - https://www.youtube.com/watch?v=arYYCgIddbs&list=RDarYYCgIddbs&start_radio=1

Altemar Dutra - https://www.youtube.com/watch?v=A1Y5-oxi5gE&list=RDA1Y5-oxi5gE&start_radio=1

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

 



Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

9

 

Sugestão

 

Comenta-se o fenômeno da sugestão mental, qual se fora privativo de gabinetes magnéticos específicos, mobilizando-se hipnotizadores e hipnotizados, à conta de taumaturgos.

Grasset, o eminente neurologista da escola de Montpellier, chega a classificar as sugestões em duas categorias: — as intra-hipnóticas, que se efetuam no curso do sono provocado, e as pós-hipnóticas, que se realizam além do despertar. Entretanto, a sugestão é acontecimento de toda hora, na vida de todos os seres, com base na reflexão mental permanente.

Dela se apropriou com mais empenho a magia, que, significando o governo das forças ocultas, tem sido, antes de tudo, o clima de todas as cerimônias religiosas na Terra, cerimônias essas em que se conjugam as forças de poderosas mentes encarnadas e desencarnadas, gerando sucessos que impressionam a mente popular, disciplinando-lhe os impulsos.

Força mental pura e simples, carreando a ideia por imagem viva, a sugestão, como a eletricidade, o explosivo, o vapor e a desintegração atômica, não é boa nem má, dependendo os seus efeitos da aplicação que se lhe confere. Temo-la, assim, não apenas no altar da oração e nos símbolos sagrados do serviço religioso, aconselhando a virtude e o progresso ao coração do povo, mas também nos espetáculos deprimentes dos ritos bárbaros e na demagogia de arrastamento, ressumando o psiquismo inferior que inspira a licenciosidade e a rebelião.

Nossas emoções, pensamentos e atos são elementos dinâmicos de indução.

Todos exteriorizamos a energia mental, configurando as formas sutis com que influenciamos o próximo, e todos somos afetados por essas mesmas formas, nascidas nos cérebros alheios.

Cada atitude de nossa existência polariza forças naqueles que se nos afinam com o modo de ser, impelindo-os à imitação consciente ou inconsciente.

É que o princípio de repercussão nos comanda a atividade em todos os passos da vida.

A escola é um lar de iniciação para as almas que começam as lides do burilamento intelectual, constituindo, simultaneamente, um centro de reflexos condicionados para milhões de Espíritos que reencarnam para readquirir pelo alfabeto o trabalho das próprias conquistas na esfera da inteligência.

Com o auxílio dos múltiplos instrutores que nos guiam da cátedra e da tribuna, pelo livro e pela imprensa, retomamos no mundo a nossa realidade psíquica, determinada pela soma de nossas aquisições emocionais e culturais no passado, com a possibilidade de mais ampla educação da vontade para o devido ajustamento à Vida Superior.

Somos hoje, deste modo, herdeiros positivos dos reflexos de nossas experiências de ontem, com recursos de alterar-lhes a direção para a verdadeira felicidade.

Auxiliando a outrem, sugerimos o auxílio em nosso favor. Suportando com humildade as vicissitudes da senda regenerativa, instilamos paciência e solidariedade, para conosco, em todos aqueles que nos rodeiam.

Ajudando, ajudamo-nos.

Desservindo, desservimo-nos.

Por intermédio da sugestão espontânea, plantamos os reflexos de nossa individualidade, colhendo-lhes os efeitos nas individualidades alheias, como semeamos e obtemos no mundo o cânhamo e o trigo, a cenoura e a batata.

Somos, assim, responsáveis pela nossa ligação com as forças construtivas do bem ou com as forças perturbadoras do mal.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

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