domingo, 26 de maio de 2024

 



A ideia espírita acerca do destino

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Há, em nosso meio, quem entenda que a ideia de destino conflita com o conceito de livre-arbítrio proposto pelo Espiritismo como um atributo inerente ao ser humano.

Afinal, o chamado destino existe ou não?

A questão do destino, consoante seu significado vulgar, é tratada de modo especial nos itens 259, 851, 866 e 872 d´O Livro dos Espíritos.

Resumidamente, ensina o Espiritismo que nem todas as provas da vida são previstas ou propostas pelo Espírito que se prepara para reencarnar e, com esse objetivo, elabora sua programação reencarnatória.

A chamada fatalidade existiria, assim, somente em face da escolha que o Espírito fez de enfrentar, ao reencarnar, essa ou aquela prova. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado.

Na aludida programação são, porém, previstos apenas os fatos principais, os que influem no destino humano, assim como o gênero das provas. As particularidades correm por conta da posição em que a pessoa se achar e são, geralmente, consequências de suas próprias ações.

Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabe a que arrastamentos se exporá. Ignora, porém, quais os atos que virá a praticar. Esses atos resultarão do exercício de sua vontade, ou seja, de seu livre-arbítrio.

Sabe também que, escolhendo tal caminho, terá de sustentar lutas de determinada espécie e não ignora, desse modo, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão.

Os acontecimentos secundários de uma existência corpórea originam-se quase sempre das circunstâncias e da força mesma das coisas. Se tomamos uma estrada cheia de sulcos profundos, sabemos que teremos de andar cautelosamente, porque há grande probabilidade de cairmos. Mas, obviamente, ignoramos em que ponto cairemos e bem pode suceder que não caiamos, se formos bastante prudentes. 

Em seu livro Depois da Morte, Léon Denis alude ao tema, confirmando o pensamento exposto na principal obra da doutrina espírita. Segundo Denis, a fatalidade aparente que semeia de males o caminho da vida não é mais que a consequência lógica do nosso passado, o cumprimento do destino por nós mesmos aceito antes de reencarnarmos. “O destino é consequência de nossos atos e de nossas livres resoluções, tomadas na vida espiritual”, afirma o conhecido e respeitado escritor.

Quando usada, pois, com as ressalvas a que nos reportamos, a palavra destino não apresenta nada de antidoutrinário e pode ser perfeitamente utilizada pelos espiritistas, como, aliás, é comum vermos nas obras de diferentes autores espíritas.

 

 

 


 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como este Blog funciona, clicando em SÉCULO XXI

 

 

 

sábado, 25 de maio de 2024

 



Nos textos abaixo verificam-se erros gramaticais que são, infelizmente, muito comuns na construção de frases em nosso idioma. Veja se os descobre e depois confira o resultado: 

 

1. Entre eu e ela não existe mais nada.

2. Está tudo bem entre tu e teu pai?

3. Há dez anos atrás eu comecei a estudar.

4. Vou assistir o filme com meus amigos.

5. Prefiro ler do que praticar esporte.

6. Joana caiu e quebrou o óculos.

7. Nunca lhe vi mais gordo.

8. Chegamos em Londrina bem cedo.

9. O atraso implicará em uma multa pesada.

10.      Pedro vive às custas do pai.

 

Eis os textos corrigidos e, entre parênteses, as explicações pertinentes:

 

1. Entre mim e ela não existe mais nada.

Depois das preposições “entre” e “para” não se usa o pronome “eu”, mas sim o pronome oblíquo “mim”.

2. Entre ti e teu pai está tudo bem?

A mesma restrição citada no item anterior aplica-se ao pronome “tu”, devendo-se usar no caso o pronome oblíquo “ti”.

3. Há dez anos eu comecei a estudar.

A frase “há dez anos” já implica a ideia de passado; por isso, o vocábulo “atrás” é inteiramente redundante.

4. Vou assistir ao filme com meus amigos.

O verbo assistir, com o sentido de presenciar, pede objeto indireto. Quando o sentido é a assistência a uma pessoa enferma, aí sim o objeto será direto: O enfermeiro assistiu meu pai com muito carinho.

5. Prefiro ler a praticar esporte.

Toda vez que se usa o verbo preferir, a preposição “a” se torna inevitável, como se vê nestes dois exemplos: Prefiro andar a ficar sentado. Prefiro feijoada a pizza.

6. Joana caiu e quebrou os óculos.

O vocábulo óculos usa-se sempre no plural e o artigo concorda com ele, indo também para o plural.

7. Nunca o vi mais gordo.

O verbo ver pede objeto direto. A gente vê algo, e não vê a algo.

8. Chegamos a Londrina bem cedo.

O verbo chegar exige a preposição “a” em construções deste tipo: Chegou à cidade. Chegou ao país. Chegou à repartição. A única exceção admitida por alguns gramáticos é quando se refere à casa: Chegamos em casa.

9. O atraso implicará uma multa pesada. O verbo implicar, quando usado com este sentido, pede objeto direto. Existe ainda “implicar com”, usado nestes exemplos: Ela vive implicando com o pai. João implica com todo mundo.

10. Pedro vive à custa do pai.

À custa, e não “às custas”, é o correto.

 

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/05/nas-frases-abaixo-ha-em-cada-uma-pelo.html

 

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como este Blog funciona, clicando em SÉCULO XXI

 

 

 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

 





Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 16

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo será publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. De um ponto de vista rigorosamente científico, que é preciso para que as comunicações mediúnicas com os mortos tenham um valor probante? 

B. Bozzano relaciona nesta obra casos em que a comunicação entre vivos tenha ocorrido por iniciativa do comunicante e não do médium?

C. Podemos concluir que o significado teórico desses casos se mostra favorável à hipótese espírita das manifestações dos chamados mortos?

 

Texto para leitura

 

233. De tudo o que vimos, concluímos que nas comunicações mediúnicas de que tratamos existem três categorias bem distintas. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

234. A primeira consiste nos chamados fenômenos de mistificação subconsciente, nos quais a faculdade supranormal do sensitivo não chega a superar o obstáculo interposto em cada mensagem mediúnica pelo “extrato onírico” da subconsciência, determinando-se assim, uma ação de sonho, que se desenvolve segundo a direção do pensamento do consulente ou do estado de ânimo do médium, em cujo caso a falsa personificação sonambúlico-hipnótica é facilmente reconhecível, tanto que o médium não se acha em situação de representá-la mais que com os elementos informativos por ele conhecidos e alguma vez com os dos consulentes (leitura do pensamento). (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

235. A segunda categoria consiste nas comunicações mediúnicas entre vivos, cuja natureza é facilmente reconhecível, enquanto a personalidade do vivo comunicante revela espontaneamente a sua personalidade e fornece dados de identificação, exclusivamente seus. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

236. A terceira categoria consiste nas comunicações mediúnicas com os mortos, em favor das quais deve ser observado que, de um ponto de vista rigorosamente científico, só as coisas em que a personalidade comunicante proporciona dados ignorados de todos os presentes podem assumir o valor de identificação espírita, ao passo que a prova crucial se obtém quando os dados fornecidos só sejam conhecidos de pessoas distantes desconhecidas do médium e dos presentes, prova que se deve considerar crucial, tendo em vista que a lei imprescindível da “relação psíquica” não permite admitir que possam se dar comunicações mediúnicas com pessoas afastadas desconhecidas do médium e dos presentes, salvo por meio de um objeto largamente usado pela pessoa distante, com a qual se desejaria entrar em comunicação (psicometria). (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

237. Existem críticos dispostos a passar por cima da lei da “relação psíquica” para assim fantasiarem livremente, até conceder onisciência divina à subconsciência humana, porém como, segundo o critério da análise comparada dos fatos, tais elucubrações arbitrárias se situam fora da órbita científica, devem ser excluídas inexoravelmente, em honra à Verdade, na expectativa de que esses opositores cheguem a produzir algum rudimento de prova em apoio das suas fantasias. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

238. Mensagens transmitidas por vontade expressa de pessoa distante – No presente subgrupo são estudados episódios que, pela sua gênese, se mostram diametralmente opostos aos do subgrupo precedente, ou seja, em lugar de ser o médium que se propôs entrar em relação com a subconsciência de pessoas distantes, aqui são estas que querem entrar em relação com a subconsciência do médium. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

239. Estes casos formam o complemento necessário dos enumerados na primeira categoria deste trabalho, na qual se consideram as mensagens experimentais em que o agente e o percipiente “se acham na mesma casa”. Aqui, ao contrário, se consideram as mensagens experimentais de natureza análoga, porém transmitidas a distância. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

240. Saliento que as transmissões telepáticas mediúnicas a distância entre pessoas vivas nas quais o agente se acha em estado de vigília, se mostram bem raras, ao passo que são relativamente frequentes na condição de sono manifesto ou disfarçado do agente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

241. De todos os modos, faço notar que as comunicações transmitidas ao médium pela vontade consciente de uma pessoa próxima ou afastada diferem grandemente daquelas transmitidas ao médium pela vontade subconsciente de uma pessoa em estado de sono manifesto ou disfarçado, pois, no primeiro caso, trata-se limitadamente de uma transmissão telepático-mediúnica e, portanto, de uma mensagem simples e pura, que não assume o caráter de diálogo, ao passo que, no segundo caso, as manifestações assumem com frequência esse caráter e, quando o fazem significa que não se trata de uma transmissão telepático-mediúnica e sim de uma conversa verdadeira entre duas personalidades espirituais subconscientes, a não ser que se trate de uma mensagem de vivo transmitida com o auxílio de uma entidade espiritual, casos que examinaremos no subgrupo F. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

242. O significado teórico dos casos em exame se mostra nitidamente favorável à hipótese espírita, pois deles se pode inferir que, se a vontade consciente de um “espírito de vivo” opera à distância sobre a mão de um médium psicógrafo até poder ditar-lhe o próprio pensamento, nada se opõe a que a vontade consciente de um “espírito de morto” chegue, por sua vez, a operar de forma semelhante. E, como das comunicações entre vivos é dado comprovar a realidade integral do fenômeno, interrogando as pessoas colocadas “nos dois extremos de um fio transmissor” se depreende que, quando “no outro extremo do fio” se acha uma entidade afirmando ser um “espírito de morto” e o prova dando detalhes pessoais ignorados do médium e dos presentes, pode-se legitimamente inferir que “no outro extremo do fio” deva encontrar-se a entidade de morto que se afirma presente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

243. Isto dito, passo à exposição dos casos que, como afirmei, se verificam raramente na modalidade aqui examinada, tanto que só disponho de três deles e assim mesmo dois deficientes. No livro de Aksakof, Animismo e Espiritismo, são citados outros três casos em tudo análogos aos aqui relatados, salvo a particularidade de que as mensagens mediúnicas entre vivos foram obtidas com o auxílio de uma entidade espiritual intermediária. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

244. Tal particularidade pode ou não ser certa, mas constitui uma variante que se tem de levar em consideração, coisa que faremos no estudo do subgrupo F. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

245. Caso 20 – Assim foi publicado em Light (1893, pág. 464); quem escreveu foi o diretor da revista Constancia, de Buenos Aires:

 

O Sr. Horácio Catucci era membro de um círculo experimental existente na cidade de Paplanta, Estado de Vera-Cruz. Teve de transferir sua moradia para Jalapa-Enriquez, mas não deixou de dedicar-se a pesquisas psíquicas. Certa noite, quando conversava com um seu companheiro de pesquisas, o Sr. C. G. lembrou-se de que, naquele dia e hora, os seus amigos de Vera-Cruz se achariam reunidos em sessão e teve a ideia de tentar uma experiência. Pediu ao amigo que o deixasse a sós, escreveu uma linha e procurou transmiti-la telepaticamente aos seus amigos de Vera-Cruz, concentrando, para tal fim, toda a sua vontade.

O Sr. E. M., presidente do grupo de Vera-Cruz, costumava enviar semanalmente ao autor da redação umas notas do ocorrido em suas sessões e, quando enviou aquela que coincidia com a experiência do Sr. Catucci, leu este o seguinte trecho: “Tudo ia bem, porém pouco faltou para intrometer-se um espírito mistificador, que procurou enganar-nos, transmitindo-nos uma mensagem firmada nada menos que por você que está tão vivo quanto eu. Envio-lhe uma cópia do que nos disse (Anexo nº 3), para que se divirta, lendo-a”. A referida cópia continha a reprodução exata da comunicação transmitida pelo Sr. Catucci. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

246. No caso exposto, mostra-se interessante a circunstância de haver o agente se concentrado e identificado com a experiência, a ponto de ter a visão subjetiva dos amigos distantes, reunidos em sessão, bem como a sensação de agir em pessoa sobre a mesa, transmitindo telepaticamente a sua mensagem. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

247. Em tais condições de concentração psíquica e na falta de informes suplementares, impossível é decidir se se tratava de pura visão alucinatória ou de uma legítima visão clarividente ou ainda de um autêntico fenômeno de “bilocação”, pois que as condições de intensa concentração da vontade são igualmente propícias à manifestação das três categorias dos fenômenos indicados. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

248. Caso 21 – Tomo-o do livro de Sarah Underwood, Automatic or Spiritual Writing (págs. 281-282), livro dos melhores até agora publicado sobre as revelações mediúnicas. Escreve uma amiga a Sarah Underwood:

Li com prazer o artigo na Arena, do Prof. Underwood, no qual descreve a sua escrita automática. Tal fenômeno já se deu comigo, mas sem nenhum sofrimento físico. Também a minha irmã teve, certo tempo, a dita faculdade, que diminuiu lentamente, até desaparecer. No breve período de sua mediunidade escrevente, achava-se ela como mestra-escola, longe de casa, o que me desgostava.

Ao voltar para umas breves férias, eu lhe disse: “Quando você voltar, vamos ver se podemos comunicar-nos por meio da escrita automática”. E combinamos tentar a coisa, em certo dia e hora de cada semana. Cada uma devia escrever a sua mensagem e esperar a respectiva resposta.

Três de suas mensagens foram fielmente recebidas por mim, mas notavam-se palavras que não correspondiam, pelo seu significado, pois não eram as que haviam sido transmitidas. Também se notavam variantes sutilíssimas no desenvolvimento de pensamento idêntico. Minha mente e minha vontade não entravam, de forma alguma, no processo da escrita, a qual correria desembaraçada e era absolutamente automática. Minha irmã, ao contrário, só recebeu uma das sete mensagens enviadas, provavelmente porque o ambiente em que se encontrava não era favorável a tais experiências. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

249. O caso citado seria interessante se houvesse sido narrado com todos os pormenores. Assim como está, não oferece bases seguras para argumentações teóricas e, portanto, só serve como exemplo de correspondência mediúnica entre vivos, com desenvolvimento recíproco. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

250. Caso 22 – A Sra. Fred. Maturin, autora do interessante livro de revelações mediúnicas Rachel Conforted, no qual estão reunidas mensagens recebidas de seu falecido filho, com o auxílio de sua própria mediunidade, narra o seguinte episódio:

Durante os anos em que me comunicava mediunicamente com o meu filho “Sunny”, conforme mensagens por mim reunidas no livro Rachel Conforted, aconteceu certo dia que, quando estava sentada diante da mesa com minha amiga, posta a mão sobre a prancheta e conversando com ele, aconteceu o seguinte fato, o qual, junto ao outro do menino “Ciril”, que se havia apoderado da prancheta e não queria deixá-la, foram os únicos casos de interferência espírita ocorridos durante as nossas experiências.

Certo dia, durante a guerra anglo-bôer, eu e minha amiga tínhamos as mãos sobre a prancheta e conversávamos com “Sunny”, quando inesperadamente notamos que outra personalidade se havia apossado do aparelho, com brusca mudança de caligrafia e movimentos. O incidente se deu na metade de uma frase que “Sunny” ditava, interrompida que foi por um salto violento da prancheta, ao que se seguiu uma breve pausa, para continuar com esta palavra ditada três vezes, em amplos caracteres: “Madrinha! Madrinha! Madrinha!”

Fiquei muito impressionada, pois tais palavras me indicavam quem era a entidade comunicante. Era com este nome que certa parente minha costumava chamar-me. Não a via há meses e sabia que se achava no continente, como sabia que seu filho estava combatendo na África do Sul. Naquela ocasião era ainda novata nas investigações espíritas, motivo pelo qual supus que havia ela falecido. Procurei dirigir-lhe algumas perguntas, mas não obtive mais que a tríplice repetição da palavra “Madrinha” e o meu “Sunny” pôde retomar a conversa interrompida.

Escrevi, na mesma noite, à minha parente, relatando o fato ocorrido, com o dia e a hora, porém, como temia que houvesse morrido, dirigi a carta ao seu marido. Recebi resposta da pretensa desencarnada, que me comunicava estar viva e que, no dia e hora indicados, se achava presa de grande ansiedade pela falta de notícias de seu filho. Pensara então em mim, com a ideia de que eu fosse ao Ministério da Guerra, a fim de saber notícias. (Acrescento, entre parênteses, que o filho voltou vivo da guerra.) Parece-me, pois, que o caso exposto se mostra um exemplo interessante de um espírito encarnado, que transmite uma mensagem mediúnica a distância. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. De um ponto de vista rigorosamente científico, que é preciso para que as comunicações mediúnicas com os mortos tenham um valor probante? 

Que a personalidade comunicante revele dados ignorados de todos os presentes, sendo que a prova crucial se obtém quando os dados fornecidos só sejam conhecidos de pessoas distantes desconhecidas do médium e dos presentes. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo C)

B. Bozzano relaciona nesta obra casos em que a comunicação entre vivos tenha ocorrido por iniciativa do comunicante e não do médium?

Sim. As mensagens constantes do Subgrupo D, relatadas neste livro, são decorrentes de episódios em que a pessoa distante é que se propôs entrar em relação com a subconsciência do médium. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

C. Podemos concluir que o significado teórico desses casos se mostra favorável à hipótese espírita das manifestações dos chamados mortos?

Evidentemente, porque deles se pode inferir que, se a vontade consciente de um “espírito de vivo” opera à distância sobre a mão de um médium psicógrafo até poder ditar-lhe o próprio pensamento, nada se opõe a que a vontade consciente de um “espírito de morto” chegue, por sua vez, a operar de forma semelhante. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo D)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 15 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/05/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_02086252178.html


 

 

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como este Blog funciona, clicando em SÉCULO XXI

 

 


quinta-feira, 23 de maio de 2024

 




CINCO-MARIAS

 

Tolerância desde a infância

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com



É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar.
 Antonie de Saint-Exupéry

 

A raiz da intolerância está no lar, na educação da criança. Sim, porque ninguém nasce preconceituoso, ninguém nasce odiando raça ou determinada crença. Na infância, os filhos aprendem a ser intolerantes vendo as atitudes cotidianas de seus pais. (*)

Mas o que é ser tolerante?

Segundo a Declaração de Princípios sobre a Tolerância da Unesco, aprovada em 1995, ser tolerante é ter uma atitude ativa e de reconhecimento dos direitos universais da pessoa e suas liberdades. Assim, a tolerância seria o respeito e a aceitação da diversidade das diferentes culturas e modos de expressão (crenças e convicções).

A falta de tolerância, por sua vez, é bastante prejudicial, pois gera discussões, desentendimentos e pode, até mesmo, dar nascimento a atos de violência. Saber respeitar as diferenças é um dos caminhos garantidores da paz social.

Pais que desejam que seus filhos sejam pessoas tolerantes, portanto pessoas civilizadas, adeptas do espírito da concórdia e da paz, devem começar por ser tolerantes com eles desde o começo da vida. Em seguida, devem oferecer-lhes no contexto doméstico exemplos baseados na solidariedade, no respeito, na compreensão, que guiam o espírito da tolerância.

No dia a dia, os filhos precisam, por exemplo, ver os pais aceitarem as demais pessoas com as suas diferenças, pois ninguém é igual a ninguém e o mundo é composto por uma rica diversidade, sejamos brancos, negros, católicos, evangélicos, espíritas, ateus etc.

Para ensinar ao seu filho a tolerância, o respeito pela diversidade, é preciso também ensinar seu filho a pensar e agir de maneira inclusiva. É importante explicar reiteradamente aos filhos sobre a importância de respeitar as diferenças em casa (irmãos que gostam de coisas diferentes), na escola, na sociedade, de não criticar os outros por pensarem de forma distinta da nossa e mostrar a eles que cada um tem sua história e que merece respeito por isso.

Somos seres únicos. Cada um de nós tem sua raça, religião, crenças, escolhas e pontos de vista. E embora respeitar não signifique concordar, para vivermos em sociedade de forma saudável e construtiva, precisamos entender – e ajudar nossos filhos a entenderem – que, apesar de diferentes, temos os mesmos direitos à igualdade e à liberdade de expressão.

Como a criança pode aprender a ser (mais) tolerante:

através de contos e histórias;

na convivência com outras crianças;

conhecendo diferentes culturas;

através das viagens em família;

aprendendo a não zombar dos outros;

conhecendo os benefícios da conciliação e da paz.

 

Notinha

 

A palavra tolerância vem do latim tolerare (sustentar, suportar). É termo que define, portanto, o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil etc.

Ser tolerante é o mesmo que ser respeitoso.

 

(*) Na educação da criança o papel dos pais é, como sabemos, fundamental. Ensina o Espiritismo: "Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar­se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. Se deixarem se desenvolvam o egoísmo e o orgulho, não se espantem de serem mais tarde pagos com a ingratidão." - O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, n. 9, mensagem de Santo Agostinho - espírito. (Nota da Redação)

 

*

 

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como este Blog funciona, clicando em SÉCULO XXI