quarta-feira, 16 de janeiro de 2019




O bendito aguilhão

Irmão X

Atendendo a certas interrogações de Simão Pedro, no singelo agrupamento apostólico de Cafarnaum, Jesus explicava solícito:
– Destina-se a Boa Nova, sobretudo, à vitória da fraternidade. Nosso Pai espera que os povos do mundo se aproximem uns dos outros e que a maldade seja esquecida para sempre. Não é justo combatam as criaturas reciprocamente, a pretexto de exercerem domínio indébito sobre os patrimônios da vida, dos quais somos todos simples usufrutuários.
Operemos, assim, contra a inveja que ateia o incêndio da cobiça, contra a vaidade que improvisa a loucura e contra o egoísmo que isola as almas entre si. Naturalmente, a grande transformação não surgirá de inesperado. Santifiquemos o verbo que antecipa a realização.
No pensamento bem conduzido e na prece fervorosa, receberemos as energias imprescindíveis à ação que nos cabe desenvolver.
A paciência no ensino garantirá êxito à sementeira, a esperança fiel alcançará o Reino Divino, e a nossa palavra, aliada ao amor que auxilia, estabelecerá o império da Infinita Bondade sobre o mundo inteiro.
Há sombras e moléstias por toda a parte, como se a existência na Terra fosse uma corrente de águas viciadas. É imperioso reconhecer, porém, que, se regenerarmos a fonte, aparece adequada solução ao grande problema. Restaurado o espírito, em suas linhas de pureza, sublimam-se-lhe as manifestações.
Em face da pausa natural que se fizera espontânea, na exposição do Mestre, Pedro interferiu, perguntando:
– Senhor, as tuas afirmativas são sempre imagens da verdade. Compreendo que o ensino da Boa Nova estenderá a felicidade sobre toda a Terra... No entanto, não concordas que as enfermidades são terríveis flagelos para a criatura? E se curássemos todas as doenças? Se proporcionássemos duradouro alívio a quantos padecem aflições do corpo? Não acreditas que, assim, instalaríamos bases mais seguras ao Reino de Deus?
E Filipe ajuntou, algo tímido?
– Grande realidade!... Não é fácil concentrar ideias no Alto, quando o sofrimento físico nos incomoda. É quase impossível meditar nos problemas da alma, se a carne permanece abatida de achaques...
Outros companheiros se exprimiram, apoiando o plano de proteção integral aos sofredores.
Jesus deixou que a serenidade reinasse de novo, e, louvando a piedade, comunicou aos amigos que, no dia imediato, a título de experiência, todos os enfermos seriam curados, antes da pregação.
Com efeito, no outro dia, desde manhãzinha, o Médico Celeste, acolitado pelos apóstolos, impôs suas milagrosas mãos sobre os doentes de todos os matizes. No curso de algumas horas, foram libertados mais de cem prisioneiros da sarna, do cancro, do reumatismo, da paralisia, da cegueira, da obsessão... Os enfermos penetravam o gabinete improvisado ao ar livre, com manifesta expressão de abatimento, e voltavam jubilosos.
Tão logo reapareciam, de olhar fulgurante, restituídos à alegria, à tranquilidade e ao movimento, formulava Pedro o convite fraterno para o banquete da verdade e luz. O Mestre, em breves instantes, falaria com respeito à beleza da Eternidade e à glória do Infinito; demonstraria o amor e a sabedoria do Pai e descortinaria horizontes divinos da renovação, desvendando segredos do Céu para que o povo traçasse luminoso caminho de elevação e aperfeiçoamento na Terra.
Os alegres beneficiados, contudo, se afastavam céleres, entre frases apressadas de agradecimento e desculpa. Declaravam-se alguns ansiosamente esperados no ambiente doméstico e outros se afirmavam interessados em retomar certas ocupações vulgares, com urgência.
Com a cura do último feridento, a vasta margem do lago contava apenas com a presença do Senhor e dos doze aprendizes.
Desagradável silêncio baixou sobre a reduzida assembleia. O pescador de Cafarnaum endereçou significativo olhar de tristeza e desapontamento ao Mestre, mas o Cristo falou compassivo:
– Pedro, estuda a experiência e guarda a lição. Aliviemos a dor, mas não nos esqueçamos de que o sofrimento é criação do próprio homem, ajudando-o a esclarecer-se para a vida mais alta.
E sorrindo, expressivamente, rematou:
– A carne enfermiça é remédio salvador para o espírito envenenado. Sem o bendito aguilhão da enfermidade corporal é quase impossível tanger o rebanho humano do lodaçal da Terra para as culminâncias do Paraíso.

Do livro Contos e Apólogos, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.




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terça-feira, 15 de janeiro de 2019




O coração sabe

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Há direções que nos são impostas; há outras que, de uma forma mais sutil, nos encaminham; há ainda as que, sem nos darmos conta, nos direcionam a situações e lugares nunca pensados; há a direção que o coração escolhe. E esta, tantas vezes, não é compreendida, mas é com a qual o nosso interior se identifica e, assim, ele se acalma, já que raramente o que é mais importante é o óbvio ou visto pelos olhos, mas sempre sentido pelo coração.
Nitidamente não sabemos o que precisamos, porém a vida, sábia como é, nos conduz para o objetivo. No entanto, como a imperfeição nos acompanha de perto, a demora à chegada é maior e a nossa estrada, muitas vezes, se apresenta com bem mais pedregulhos, frutos de nossas decisões, mas, ainda assim, o amor é maior e o fim que se destina ao início da felicidade é um só para todos.
Embora haja tantos apelos no dia a dia, o espírito, ser eterno e parte do universo, possui uma forma de sentir e quando, um pouco, o espírito procura conectar-se ao Criador e buscar as coordenadas mais acertadas, aí, sim, ele compreende as orientações por meio da energia que lhe é impressa, conhecida, por nós, como intuição. E nossa intuição raras vezes se equivoca, pois são as respostas devolvidas pelo universo por nossas perguntas feitas.
E quando tivermos mais dúvida do que certeza para algum caminho, voltemo-nos a Deus, por meio da oração, pois quando há a conexão universal, assim, também, haverá as respostas e soluções para o que tanto desejamos. Nosso coração e nossa intuição serão os primeiros a nos informarem. E quanto mais em paz estivermos, não importa a circunstância, mais próximos estaremos do caminho certo.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019





Da lista de erros comuns que se verificam no uso do nosso idioma, eis mais cinco exemplos:
1 - A promoção veio de encontro ao seu desejo.
O correto: A promoção veio ao encontro do seu desejo.
A explicação: A locução “ao encontro de” é que exprime uma situação favorável. A locução “de encontro a” indica uma condição desfavorável ou contrária às expectativas. Exemplo: Sua dispensa veio de encontro à sua expectativa.
2 - Comeu frango ao invés de peixe.
O correto: Comeu frango em vez de peixe.
A explicação: “Em vez de” indica substituição e não oposição. “Ao invés de” indica oposição, ação contrária, como nestes exemplos: Ao invés de entrar, ele saiu. Ao invés de beijar sua noiva, ele a esbofeteou. 
3 - Se eu ver meu filho fumando...
O correto: Se eu vir meu filho fumando...
A explicação: O futuro do subjuntivo do verbo “ver” é: se eu vir, se tu vires, se ele vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles virem. Exemplo: Se tu vires meu irmão, entrega-lhe este recado.
4 - Quem intermedia o negócio eu conheço.
O correto: Quem intermedeia o negócio eu conheço.
A explicação: O presente do indicativo do verbo “intermediar” é: intermedeio, intermedeias, intermedeia, intermediamos, intermediais, intermedeiam. O verbo intermediar, assim como o verbo mediar, conjuga-se como o verbo “odiar”: odeio, odeias, odeia, odiamos etc.
5 - Temos de dispensar todos, porque ninguém se adequa ao perfil exigido.
O correto: Temos de dispensar todos, porque ninguém se ajusta ao perfil exigido.
A explicação: Para alguns gramáticos, não existe a forma verbal “adequa”. O presente do indicativo do verbo adequar apresentaria, segundo essa visão, somente duas formas: adequamos e adequais, por ser um verbo defectivo, que se conjuga apenas nas formas arrizotônicas: adequamos, adequais; adequava; adequou; adequaremos etc. Arrizotônicas são as formas verbais em que o acento tônico não recai na raiz.
Há, no entanto, estudiosos do idioma português que discordam desse entendimento. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa participa dessa discordância. Confira: https://dicionario.priberam.org/Conjugar/adequar





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domingo, 13 de janeiro de 2019





Como os planetas progridem

Nesta época em que se fala tanto na transformação do nosso globo em um mundo de regeneração, é interessante lembrar como se processa a evolução dos mundos, porque há quem entenda – mesmo em nosso meio – que o progresso de um planeta como a Terra depende tão somente do desejo do Criador.
Ora, a evolução de um planeta – seja no campo intelectual, seja no campo moral – é consequência direta do progresso individual daqueles que nele habitam. Se dependesse da vontade de Deus, é claro que a Terra estaria num estágio evolutivo muito mais acentuado.
Acresce ainda lembrar que o chamado progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência ou na aquisição de determinados conhecimentos. Tal não é senão uma parte do progresso, que não conduz necessariamente ao bem, uma vez que se veem homens instruídos fazerem muito mau uso do seu saber.
O progresso de uma pessoa consiste, fundamentalmente, no seu aperfeiçoamento moral, na depuração do seu Espírito, na extirpação da má índole que nela exista. E é esse o progresso capaz de assegurar a felicidade da Humanidade, porquanto é ele, em essência, a própria negação do mal. O homem mais avançado em inteligência pode fazer muito mal; aquele que é avançado moralmente não faz senão o bem. Eis por que existe interesse para todos no progresso moral da Humanidade.
Os atos de corrupção e malversação de recursos públicos, que têm sido denunciados e verificados em nosso País nos últimos anos, não foram e não são praticados por indivíduos analfabetos. Aliás, muitos deles são pessoas que cursaram o nível superior de ensino e não são poucos os que alcançaram projeção em sua área de atuação profissional.
É indispensável, portanto, que ao conhecimento e à técnica se alie o esforço de moralização do indivíduo e dos costumes, não sendo difícil compreender que a fé na vida futura, ensinada pelo Espiritismo, pode contribuir de modo efetivo para que isso se dê.
Com efeito, convencido de que existe um futuro para todos nós e que nossa vida não se restringe ao acanhado momento em que vivemos, o círculo das ideias necessariamente se alarga e o progresso espiritual passa a ter um objetivo, uma utilidade efetiva, nascendo daí, de forma natural, o sentimento de solidariedade e de fraternidade.
Cientes do que acima foi dito, não nos é difícil compreender que nossas atitudes e nosso comportamento nos mais diferentes momentos da vida são importantes – e mesmo fundamentais – na evolução do planeta em que vivemos, evolução essa que é naturalmente lenta porque também é lento o amadurecimento dos Espíritos.





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sábado, 12 de janeiro de 2019




Na esfera do reajuste

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

— Como vai, Machado?
— Eu não vou, eu estou, meu caro Emmanuel... eu estou perplexo com o que meu secretário me contou.
— E o que lhe contou Jó, meu irmão?
— Algo estarrecedor, Emmanuel. Segundo nosso amigo falou-me, a exposição de Marta, na FEB, sobre a questão do suicídio, em nosso querido Brasil, é calamitosa. Nossa Terra de Vera Cruz está colocada na oitava posição em número de suicídios neste período de transição do mundo.
— Também estive presente à exposição da Marta. Por isso estou aqui para relembrar ao leitor algo já informado por mim na obra Palavras de Vida Eterna, cap. 177:

Empeços e provações serão talvez os marcos que te assinalem a estrada hoje.
Diligenciemos, porém, com a reencarnação a retificar os erros e a ressarcir os débitos de ontem, para que a luz da verdade e o apoio da harmonia nos felicitem o caminho, amanhã...
A questão intrincada que te apoquenta agora, quase sempre, é o problema que abandonaste sem solução, entre os amigos que, em outro tempo, se rendiam, confiantes, ao teu arbítrio.
O parente complicado que julgas carregar, por espírito de heroísmo, via de regra, é a mesma criatura que, em outra época, arrojaste ao desespero e à perturbação.
Ideais nobilitantes pelos quais toleras agressões e zombaria, considerando-te incompreendido seareiro do progresso, em muitas ocasiões, são aqueles mesmos princípios que outrora espezinhaste, insultando a sinceridade dos companheiros que a eles se associavam.
Calúnias que arrostas, crendo-te guindado aos píncaros da virtude pela paciência que evidencias, habitualmente nada mais são que o retorno das injúrias que assacaste, noutras eras, contra irmãos indefesos.
Falhas do passado procuram-te o espírito responsável, seja no corpo, na família, na sociedade ou na profissão, pedindo-te reajuste.
Necessário vos é nascer de novo — disse-nos Jesus.
Bendizendo, pois, a reencarnação, empenhemo-nos a trabalhar e aprender, de novo, com atenção e sinceridade, para que venhamos a construir e acertar em definitivo (In: XAVIER, F. C. O Evangelho por Emmanuel: comentários ao Evangelho segundo João, FEB, 2015, p. 46).

— É isso mesmo, Emmanuel. Quando toda a humanidade estiver consciente de que tudo na vida tem uma consequência e de que os nossos erros e acertos de hoje implicarão amanhã nosso bem ou mal, as doenças psicossomáticas, as paixões e vícios degradantes darão lugar ao bem- estar mental, ao equilíbrio orgânico e à alegria de viver. Nesse dia, ninguém pensará em se matar...
— Até porque a morte não existe, meu caro Machado.
— Mas o que foi que a Marta disse em sua palestra que tanto impressionou Jó, que não me disse tudo, amigo Emmanuel?
— O espaço da crônica acabou, Machado. Na próxima edição comentarei o assunto. Tenha paciência, contar-lhe-ei tudo nas próximas semanas. Fique com Deus.
— Fico, então, “Na esfera do reajuste” de suas palavras acima, bondoso Emmanuel. Adeus.


Nota do autor: Nossa crônica, mimese do estilo machadiano, mistura ficção com realidade. Cabe ao leitor diferençar uma da outra.







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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019




O Fenômeno Espírita

Gabriel Delanne

Parte 5

Damos sequência ao estudo do clássico O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne, conforme o texto da 4ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, com base em tradução de Francisco Raymundo Ewerton Quadros. O estudo será aqui apresentado em 12 partes.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que resposta pode ser dada aos que atribuem a Satanás as manifestações espíritas?
B. Que conclusões foram obtidas na Europa e na América acerca da transmissão telepática?
C. William Crookes trabalhou com os médiuns Home e Kate Fox, dois dos mais famosos médiuns da história do Espiritismo. Que fenômenos produzidos por esses médiuns chamaram a atenção do grande cientista inglês?
D. Como foi possível obter uma música por meio do fenômeno das mesas girantes?

Texto para leitura

65. Um fato observado pelos pesquisadores é que os movimentos da mesa são muitas vezes produzidos intencionalmente e que as pancadas que se ouvem não são devidas ao acaso, mas, sim, dadas com a intenção evidente de manifestarem uma vontade. Crookes relata várias experiências em que esse fato é verificado de forma nítida. (PP. 73 e 74)
66. O juiz Edmonds confirma essa tese e menciona a respeito um caso muito interessante em que o Espírito respondeu perguntas que ele havia redigido, mas não havia ainda retirado do bolso. (P. 74)
67. Uma experiência relatada por Wallace alia-se na mesma tese da inteligência do fenômeno. (PP. 75 e 76)
68. O engenheiro-chefe das linhas telegráficas da Inglaterra, Cromwell Varley, relatou perante a Comissão da Sociedade Dialética de Londres as cinco razões pelas quais acreditava piamente que eram os Espíritos os agentes das manifestações psíquicas. Uma delas era porque ele os vira distintamente, em diversas ocasiões. Outra razão é o fato de terem eles respondido até a questões mentais que ele formulara, sem disso dar conhecimento a ninguém. (PP. 76 e 77)
69. Delanne diz que a principal objeção oposta pelo clero à tese espírita baseia-se na ideia de que é Satanás que se reveste de múltiplas formas para enganar as pessoas e desviá-las da Igreja. A isso, o autor responde com dois argumentos: I) A existência de Satanás é puramente hipotética. Ora, se devemos escolher entre duas crenças, é mais racional admitir-se, após uma verificação, que são os Espíritos que se manifestam, pois que eles nos dão provas da sua existência; II) Se se acredita em Satanás, é preciso convir que ele age de um modo bastante ilógico, conduzindo materialistas à crença em uma vida futura e ensinando-lhes o amor ao próximo, o desprendimento das coisas deste mundo, a repressão dos vícios e a prática das virtudes. Ora, agindo assim, ele se combate a si mesmo, não sendo de boa lógica atribuir-lhe tais ações.  (PP. 77 e 78)
70. Na Inglaterra, dez anos atrás, foi fundada a Society for Psychical Research, com o objetivo de compilar e examinar minuciosamente os fatos designados com o nome de telepáticos. Nos relatórios dessa Sociedade, publicados semestralmente, sob o título de “Proceedings”, pode-se contar 1.653 experiências dessa ordem, resultando das provas obtidas que a transmissão do pensamento é um fato incontestável. Delanne descreve os processos utilizados pela Sociedade. (PP. 79 e 80)
71. Lombroso repetiu com Pickmann as experiências dos sábios ingleses, e na América do Norte uma Sociedade de investigações psíquicas fundada em 1885 chegou, como ele, aos mesmos resultados, firmando porém uma conclusão importante: que o estado céptico do agente (o operador) é desfavorável à transmissão telepática. (P. 80)
72. Com base nas experiências realizadas, Delanne mostra que as três experiências espíritas referidas por Russell Wallace não podem ser atribuídas à mera telepatia e que somente a tese espírita é que pode explicá-las. (PP. 80 a 82)
73. Na sequência, o autor apresenta várias provas nas quais se reconhece ser impossível que a inteligência que se manifesta seja a dos assistentes. Uma das experiências foi extraída do livro “Spirit Identify”, do sr. Oxon, eminente professor de Oxford. (N.R.: Oxon é pseudônimo utilizado pelo Sr. Stainton Moses.) (PP. 82  e 83)
74. Três outros casos narrados por Crookes e pelo Sr. Oxon mostram que o agente da manifestação é alguém estranho ao grupo de experimentadores, tais as informações contidas nas mensagens. (PP. 84 a 88)
75. A transmissão do pensamento, que é o cavalo de batalha dos contraditores, é invocada muitas vezes para explicar a resposta que o médium dá a uma questão mental. Ora, quando a comunicação revela fatos completamente desconhecidos dos assistentes, não se pode atribuir isso a uma transmissão qualquer do pensamento. (P. 85)
76. Delanne relata ainda os casos do alfaiate esmagado (Berlim, 1883) e do Capitão Wheatcroft (Cambridge, l857), que constituem provas rigorosas, perfeitamente documentadas, da comunicação dos Espíritos. (PP. 88 a 93)
77. Como já visto, os próprios Espíritos indicaram um meio de comunicação mais rápido que pela mesa: o próprio médium toma um lápis e deixa a mão completamente passiva, que passa a escrever. (P. 94)
78. Delanne relata então como a mediunidade escrevente se desenvolveu no dr. B. Cyriax, de Berlim. (PP. 94 a 97)
79. William Crookes, falando da jovem Kate Fox, diz que enquanto ela escrevia automaticamente uma mensagem para um dos assistentes, outra comunicação, sobre outro assunto, lhe era dada para outra pessoa, por meio do alfabeto e das pancadas. E, durante todo o tempo, a senhorita Fox conversava com uma terceira pessoa, sobre outro assunto. (P. 97)
80. O caráter automático da escrita, diz Delanne, é, sem dúvida, muito importante para julgar-se da boa-fé do médium; mas, neste caso, o verdadeiro característico da mediunidade está nas provas de identidade fornecidas pelo Espírito que se manifesta. (P. 97)
81. Após transcrever uma poesia atribuída ao Espírito de Alfred de Musset, Delanne fala da possibilidade de haver mistificação por parte dos Espíritos que se comunicam, asseverando que o investigador imparcial não se deterá ante esses resultados, senão para constatar que os Espíritos são, na verdade, entes humanos e que o número de mistificadores e dos imbecis não diminui na erraticidade. (PP. 99 a 101)
82. Em “Choses de l’Autre Monde”, Eugène Nus fornece uma prova evidente da inteligência do fenômeno, quando a mesa, a seu pedido, formulou diversos conceitos em frases de apenas doze palavras. Delanne as transcreve. (PP. 101 e 102)
83. Uma produção nova e curiosa da mesa foi haver ditado música. Uma pancada significava a nota dó, duas pancadas, a nota ré, e assim por diante. Inicialmente, a mesa dizia quantas notas compunham a melodia. Em seguida, ditava as notas, que eram grafadas em cifras. Depois, dividia os compassos, designando, uma após outra, a quantidade de notas que cada compasso devia conter. Os acidentes eram indicados a seguir, assim como o tom e, enfim, o título. (PP. 102 e 103)
84. Findo o ditado, Bureau executava a melodia em um órgão alugado para esse fim. A mesa, sobre a qual as mãos se mantinham colocadas, indicava o movimento, batendo o compasso e retificando os erros, quando existiam. Terminada a audição, se estava satisfeita com o trabalho, a inteligência manifestava a sua aprovação dando várias pancadas no soalho; se não gostava, erguia a tripeça e a deixava imóvel. (P. 103)
85. Às vezes, diz Delanne, os Espíritos escrevem eles mesmos a música, em lugar de ditá-la. (P. 103)
86. Crookes, falando de sua experiência a esse respeito, diz que entre os notáveis fenômenos produzidos sob a influência do médium Home os mais frisantes são: 1º - a alteração do peso dos corpos; 2º - a execução de árias por instrumentos de música (geralmente pelo acordeão), sem intervenção direta do homem. (P. 104)

Respostas às questões preliminares

A. Que resposta pode ser dada aos que atribuem a Satanás as manifestações espíritas?
A isso podemos opor dois argumentos: 1º.) A existência de Satanás é puramente hipotética. Ora, se devemos escolher entre duas crenças, é mais racional admitir-se, após uma verificação, que são os Espíritos que se manifestam, pois que eles nos dão provas da sua existência; 2º.) Se se acredita em Satanás, é preciso convir que ele age de um modo bastante ilógico, conduzindo materialistas à crença em uma vida futura e ensinando-lhes o amor ao próximo, o desprendimento das coisas deste mundo, a repressão dos vícios e a prática das virtudes. Ora, agindo assim, ele se combate a si mesmo, não sendo de boa lógica atribuir-lhe tais ações. (O Fenômeno Espírita, págs. 77 e 78.)
B. Que conclusões foram obtidas na Europa e na América acerca da transmissão telepática?
Nos relatórios da Society for Psychical Research, de Londres, publicados sob o título de “Proceedings”, pode-se contar 1.653 experiências dessa ordem, resultando das provas obtidas que a transmissão do pensamento é um fato incontestável. Lombroso repetiu com Pickmann as experiências dos sábios ingleses, e na América do Norte uma Sociedade de investigações psíquicas fundada em 1885 chegou, como ele, aos mesmos resultados, firmando porém uma conclusão importante: que o estado céptico do agente (o operador) é desfavorável à transmissão telepática. (Obra citada, págs. 79 a 85.)
C. William Crookes trabalhou com os médiuns Home e Kate Fox, dois dos mais famosos médiuns da história do Espiritismo. Que fenômenos produzidos por esses médiuns chamaram a atenção do grande cientista inglês?
Sobre Kate Fox, William Crookes disse que, enquanto ela escrevia automaticamente uma mensagem para um dos assistentes, outra comunicação, sobre outro assunto, lhe era dada para outra pessoa, por meio do alfabeto e das pancadas. E, durante todo o tempo, a senhorita Fox conversava com uma terceira pessoa, sobre outro assunto. Sobre Home, Crookes disse que, entre os notáveis fenômenos produzidos sob a influência desse médium, os mais frisantes eram a alteração do peso dos corpos e a execução de árias por instrumentos de música (geralmente pelo acordeão), sem intervenção direta do homem. (Obra citada, págs. 97 e 104.)
D. Como foi possível obter uma música por meio do fenômeno das mesas girantes?
O fenômeno ocorria assim: uma pancada significava a nota dó, duas pancadas, a nota ré, e assim por diante. Inicialmente, a mesa dizia quantas notas compunham a melodia. Em seguida, ditava as notas, que eram grafadas em cifras. Depois, dividia os compassos, designando, uma após outra, a quantidade de notas que cada compasso devia conter. Os acidentes eram indicados a seguir, assim como o tom e, enfim, o título. Findo o ditado, executava-se a melodia em um órgão. A mesa, sobre a qual as mãos se mantinham colocadas, indicava o movimento, batendo o compasso e retificando os erros, quando existiam. Terminada a audição, se estava satisfeita com o trabalho, a inteligência manifestava a sua aprovação dando várias pancadas no soalho; se não gostava, erguia a tripeça e a deixava imóvel. Às vezes, diz Delanne, os Espíritos escreviam eles mesmos a música, em lugar de ditá-la. (Obra citada, págs. 102 e 103.)

Observação:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019





Sono e sonhos

Este é o módulo 114 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que se entende por emancipação da alma?
2. Qual é a finalidade principal do sono?
3. Que outro fato importante o sono possibilita à criatura humana?
4. Que são os sonhos?
5. Por que nem sempre sonhamos?

Texto para leitura

O sono é necessário ao refazimento das energias físicas
1. Chama-se emancipação da alma o desprendimento do Espírito encarnado, o que lhe possibilita afastar-se momentaneamente do corpo físico a que se encontra ligado. É preciso entender, porém, que durante a existência corporal nunca o Espírito se acha completamente separado do corpo. Existe a ligá-los o veículo perispiritual e é por meio desse laço que o Espírito recebe o aviso, qualquer que seja a distância a que se ache do corpo material, de que se faz necessária a sua presença. Seu retorno ao invólucro corporal faz-se então com a rapidez do relâmpago.  
2. A emancipação da alma é fenômeno que pode ocorrer em várias circunstâncias da existência corporal. O sono é uma delas, o qual é, para a grande maioria das pessoas, o estado em que o corpo material repousa para refazimento das suas energias físicas. 
3. Se a atividade do Espírito, valendo-se do seu instrumento corpóreo, fosse incessante, sem nenhuma trégua, o corpo seria levado à exaustão e, por consequência, à morte. Foi por isso que Deus, em sua sabedoria, estabeleceu na existência humana a fase noturna do sono, na qual o corpo físico repousa e pode, assim, reparar suas energias. 
4. O sono tem, contudo, uma significação muito mais profunda e consequências muito mais amplas no conjunto integral da vida humana. Enquanto o corpo material jaz adormecido, não necessitando da presença do Espírito para comunicar-lhe atividades físicas ou mentais, este se liberta, afasta-se do corpo, reintegra-se em suas faculdades perceptivas e ativas diretas, passando a agir a distância. É comum, logo que se desprendem da matéria, irem os Espíritos, durante o sono, para junto de seres que lhes são afins e mesmo superiores, com os quais viajam, conversam e se instruem.

Durante o sono, a alma não repousa como o corpo físico
5. Evidentemente, há muitos que, enquanto o corpo repousa, vão a mundos inferiores à Terra ou a regiões espirituais do próprio planeta onde os chamam velhas afeições, em busca de gozos muitas vezes mais baixos do que os conhecidos em nosso mundo e com os quais se deleitam. 
6. Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em contato com o mundo dos Espíritos, e essa é uma das razões que fazem com que os Espíritos superiores concordem, sem grande repugnância, em reencarnar entre nós. Quis Deus que, tendo de entrar em contato com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem. O sono é a porta que Deus lhes concede para que possam ir ter com seus amigos espirituais. É uma espécie de recreio depois do trabalho, enquanto aguardam a grande libertação que os restituirá ao meio que lhes é próprio.
7. Entendamos, assim, do modo mais claro possível em assunto tão delicado: Durante o sono, a alma não repousa como o corpo. O Espírito jamais está inativo. Estando afrouxados os laços que o prendem ao corpo material, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos, sejam estes amigos, familiares ou companheiros de trabalho. E desse fato temos o testemunho dos sonhos, uma experiência conhecida e vivenciada por muitas pessoas. 
8. Com efeito, se o corpo físico dorme, como pode o indivíduo, durante o sono, sentir-se vivo, movimentar-se, perceber ambientes diversos e entrar em relação com outras pessoas, até mesmo com criaturas que já partiram para o mundo espiritual? Que são os sonhos senão o resultado de nossa atividade espiritual durante o sono? 

Os sonhos são a prova de que a alma se emancipa durante o sono
9. Respondendo diretamente a uma questão formulada por Kardec a respeito do assunto, os Espíritos superiores ensinaram que é pelos sonhos que podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono corporal. O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono, o que tanto pode ser um fato ocorrido no passado como algo que ainda vá ocorrer na presente existência. 
10. Nem sempre nos lembramos do que ocorre durante o sono devido à grosseria da matéria que compõe o nosso corpo físico, que dificilmente conserva as impressões registradas pelo Espírito, porque estas não lhe chegaram por intermédio dos órgãos corporais, mas sim por meio do veículo perispiritual. 
11. Não é difícil compreender tal explicação. No estado de vigília, as percepções se fazem com o concurso da organização corporal. Os estímulos são selecionados pelos órgãos dos sentidos e transmitidos através das vias nervosas sensitivas ao cérebro, onde se gravam as impressões, para serem reproduzidas a cada evocação no fenômeno da memória biológica. No estado de sono, nada chega ao Espírito pelas vias corporais; as impressões não lhe passam pelo cérebro. Dada, porém, a permanência da ligação entre o Espírito e o corpo, nada impede que, excepcionalmente, as percepções da alma emancipada repercutam no cérebro e, então, ocasionalmente, o homem se lembra do que presenciou, viu ou ouviu durante o sono. Ele dirá então que sonhou. 
12. Provam também a emancipação da alma durante o sono as visitas espíritas entre pessoas vivas, do que há vários relatos na literatura espírita, especialmente nos clássicos. 

Respostas às questões propostas

1. Que se entende por emancipação da alma? 
Chama-se emancipação da alma o desprendimento do Espírito encarnado, o que lhe possibilita afastar-se momentaneamente do corpo físico a que se encontra ligado. A emancipação da alma é fenômeno que pode ocorrer em várias circunstâncias da existência corporal. O sono é uma delas.
2. Qual é a finalidade principal do sono?
Se a atividade do Espírito, valendo-se do seu instrumento corpóreo, fosse incessante, sem nenhuma trégua, o corpo seria levado à exaustão e, por consequência, à morte. Foi por isso que Deus estabeleceu na existência humana a fase noturna do sono, na qual o corpo físico repousa e pode, assim, reparar suas energias. Esse, o principal objetivo do sono.
3. Que outro fato importante o sono possibilita à criatura humana?
Enquanto o corpo material jaz adormecido, não necessitando da presença do Espírito para comunicar-lhe atividades físicas ou mentais, este se liberta, afasta-se do corpo, reintegra-se em suas faculdades perceptivas e ativas diretas, passando a agir a distância. Esse fato é que permite que os Espíritos, durante o sono, entrem em contato direto com seres que lhes são afins e mesmo superiores, com os quais viajam, conversam e se instruem.
4. Que são os sonhos?
Como vimos na questão anterior, durante o sono a alma não repousa como o corpo. O Espírito jamais está inativo. Estando afrouxados os laços que o prendem ao corpo material, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono, o que tanto pode ser um fato ocorrido no passado como algo que ainda vá ocorrer na presente existência. 
5. Por que nem sempre sonhamos?
Isso se dá porque nem sempre nos lembramos do que ocorre durante o sono devido à grosseria da matéria que compõe o nosso corpo físico, que dificilmente conserva as impressões registradas pelo Espírito, porque estas não lhe chegaram por intermédio dos órgãos corporais, mas sim por meio do veículo perispiritual. 

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 401 a 403.
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 118.
O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, p. 76.
Mecanismos da Mediunidade, de André Luiz, obra psicografada por Chico Xavier, p. 151.


Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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