domingo, 19 de novembro de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo





Esquizofrenia

Seria a esquizofrenia resultado de uma má influência espiritual, de um processo obsessivo, ou apenas uma enfermidade de natureza genética?
Antes de tudo, é bom esclarecer que a esquizofrenia não tem, em princípio, relação alguma com o fenômeno da obsessão. Segundo o Instrutor Calderaro, originando-se de sutis perturbações do organismo perispirítico, a esquizofrenia traduz-se no corpo físico por surpreendente conjunto de moléstias variáveis e indeterminadas. Seria essa a principal característica da enfermidade – a diversidade de moléstias variadas e indeterminadas. (No Mundo Maior, obra mediúnica de autoria de André Luiz, psicografada pelo médium Chico Xavier, cap. 12, pp. 169 e 170.)
Pensamento semelhante foi exposto em artigo publicado na revista O Consolador pelo confrade e médico Leonardo Machado, radicado no Recife (PE). Segundo ele, embora seja discutida como se fosse uma doença única, a esquizofrenia pode ser considerada como uma síndrome heterogênea, ou ainda, como um grupo de transtornos com causas heterogêneas. A sua história pode ser considerada a história da própria psiquiatria, uma vez que a quantidade de estudiosos dessa enfermidade é vasta. Nesse contexto, o psiquiatra francês Benedict Morel (1809-1873) foi quem primeiro se utilizou do termo démense precoce, o qual seria latinizado, mais tarde, por Emil Kraepelin (1856-1926) como dementia precox. Coube, porém, ao suíço Eugen Bleuer, em 1911, a criação do termo “esquizofrenia”, que indica a presença de um cisma entre pensamento, emoção e comportamento (esquizo = cisão, frenia = mente). Para ler na íntegra o artigo citado, clique neste link: http://www.oconsolador.com.br/25/leonardo_machado.html
Em setembro de 2011, durante seminário realizado pela Associação Médico-Espírita do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), o dr. Roberto Lúcio Vieira, então diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, de Belo Horizonte (MG), e vice-presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), apresentou o caso de um paciente internado com esquizofrenia grave que passou por um processo de regressão espontânea, o que trouxe dados importantes para a compreensão das enfermidades mentais do ponto de vista espiritual. Como causas gerais da esquizofrenia, foram apontadas então alterações energéticas, herança genética, comprometimentos graves do espírito em vida pretérita, muitas vezes com abuso da inteligência, homicídio ou mesmo o suicídio, e ainda fatores exógenos como químicos, traumáticos e sociofamiliares. Segundo o Dr. Roberto, nem todo doente mental fica enfermo pela ação espiritual, mas esta sim pode agravar quadros mentais. Eis o link que remete à matéria – http://www.oconsolador.com.br/ano5/227/especial2.html
Em entrevista concedida durante um programa de Hebe Camargo, na TV Bandeirantes, no dia 20 de junho de 1985, Chico Xavier respondeu a um questionamento feito pela convidada Nair Belo, no qual o saudoso médium referiu-se também ao tema de que tratamos.
Nair Belo perguntou-lhe se um filho excepcional é um carma ou uma prova para os pais. Chico Xavier assim respondeu:
“Nair, a criança excepcional sempre me impressionou pelo sofrimento de que ela é portadora, não somente em se tratando dela mesma, mas, também, dos pais e isso tem sido o tema de várias conversações minhas com o nosso Emmanuel, que é o guia espiritual de nossas tarefas. E ele, então, diz que, regra geral, a criança excepcional é o suicida reencarnado, reencarnado depois de um suicídio recente, porque a pessoa, quando pensa que se aniquila, está apenas estragando ou perdendo a roupa que a Providência Divina permite de que ela se sirva durante a existência, que é o corpo físico.
A verdade é que ela em si é um corpo espiritual; então, os remanescentes do suicídio acompanham a criatura que praticou a autodestruição para a vida do Mais Além. Lá ela se demora algum tempo amparada por amigos que toda criatura tem, afeições por toda parte, mas volta à Terra com os remanescentes que ela levou daqui mesmo, após o suicídio.
Se uma pessoa espatifou o crânio e se o projétil atingiu o centro da fala, ela volta com a mudez. Se atingiu apenas o centro da visão, ela volta cega, mas se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, ela vem em plena idiotia e aí os centros fisiológicos não funcionam. Se ela suicidou-se mergulhando-se em águas profundas, ela vem com a disposição para o enfisema, um enfisema infantil ou da mocidade, ou dos primeiros dias de vida. Se ela, por exemplo, se enforcou, ela vem com a paraplegia, depois de uma simples queda que toda criança cai do colo da ama, do colo da mãezinha; então, quando o processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada, no enforcamento, vem mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia.
Outras crianças que vêm completamente perturbadas – a esquizofrenia, por exemplo, diz-se que é o suicídio, depois do homicídio. O complexo de culpa adquire dimensões tamanhas que o quimismo do cérebro se modifica e vem a esquizofrenia como uma doença verificável, porque através dos líquidos expelidos pelo corpo é possível detectar os princípios da esquizofrenia.” 
Eis o link que remete à entrevista - http://www.oconsolador.com.br/ano6/268/umminutocomchico.html
Como dissemos inicialmente, não existe, em princípio, relação entre obsessão e esquizofrenia, mas um processo obsessivo de longo curso pode levar, sim, o obsidiado à esquizofrenia. Pelo menos é o que Dr. Bezerra de Menezes informou ao referir-se ao caso Ester, personagem central do livro Grilhões Partidos, obra de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada pelo médium Divaldo Franco.
De acordo com o cap. XXIII, item 254, d´O Livro dos Médiuns, a subjugação corporal pode ter como consequência uma espécie de loucura, cuja causa o mundo desconhece e que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Esse era o caso da jovem Ester. Se o socorro divino não a alcançasse imediatamente, a subjugação espiritual a conduziria “a uma situação esquizofrênica com possibilidades irreversíveis”, afirmou o venerável benfeitor espiritual. (Grilhões Partidos, cap. 13, pp. 115 e 116.)
Sobre o assunto sugerimos aos interessados que leiam também o interessante artigo intitulado “Esquizofrenia”, assinado por Ricardo Orestes Forni e publicado na revista O Consolador. Eis o link que remete ao texto do artigo: http://www.oconsolador.com.br/ano7/327/ricardo_forni.html




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sábado, 18 de novembro de 2017

Contos e crônicas




Hipocrisia e humildade II 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

— Sim, Joteli, agora lhe contarei outra história mal justificada... É o caso do técnico que foi chamado para consertar um computador defeituoso de determinada empresa e cobrou um valor muito alto pelo seu conserto, valendo a pena comprar outra máquina em vez de consertar a defeituosa.
A simples troca de um parafusinho fez o computador voltar a funcionar. Terminado o serviço, ante o preço escorchante cobrado, a gerência da empresa questionou o técnico desta forma:
— Tudo isto só pela troca de um parafuso do computador?
E foi-lhe respondido o seguinte:
— Pela troca do parafuso, o custo é de um por cento do valor cobrado, mas pelos conhecimentos técnicos para saber qual peça precisava ser trocada, mais 99 por cento...
— Essa história é ridícula, Machado, com todo o meu respeito à competência do profissional, o que ele fez é estelionato...
— Também penso assim, Joteli, mas nesta época materialista, qualquer explicação serve para tentar justificar uma ação má. Nem todo o mundo conhece seus direitos...
— O que acabo de ouvir está relacionado à hipocrisia. E a humildade, Bruxo?...
— Nessa grande empresa, vagara o cargo de diretor-geral, em virtude da renúncia do então ocupante da função. Muitos ambicionavam esse posto, mas para tal desiderato era preciso aprovar, em eleição, alguém de alto saber, aliado à boa convivência, dedicação extrema e muita cordialidade. Também, ali, criticava-se muito o orgulho... alheio.
Um dos postulantes ao cargo, pessoa de vastos conhecimentos, demonstrara aos funcionários da empresa sua competência, dedicação e humildade tão acentuadas, que não houve quem contestasse sua eleição para o cargo vago. Tão logo foi satisfeito seu desejo, essa pessoa passou a dedicar-se diuturnamente à elevação do conceito da empresa na cidade.
Mas teve um porém...
— Que porém, Machado?
— Não mais conseguindo ocultar seu desejo íntimo de mudança na empresa, contrário ao de todos os seus diretores veteranos, tentou impor sua vontade sem qualquer justificativa plausível. Ainda mais, teve a infelicidade de dizer a um de seus funcionários, muito influente, o seguinte: “Agora vocês vão saber quem sou eu...” Caiu a máscara. A falsa virtude ruiu e, com ela, foi também ao chão o diretor-geral daquela empresa, que não foi reeleito para a gestão seguinte.
Moral da história: humildade é algo que precisamos cultivar sempre e não por conveniência pessoal. Antes de recomendá-la a outrem, é preciso refletir se nossos próprios atos são coerentes com essa virtude.
Por fim, não se esqueça disto, Joteli: quem é humilde é simples, mas não simplório e nem hipócrita.
Adiós!






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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas






Memórias do Padre Germano

Amalia Domingo Soler

Parte 12 e final

Concluímos o estudo metódico e sequencial do livro Memórias do Padre Germano, com base na 21ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo tenha constituído para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
O presente estudo compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Seis horas depois de nascer, um bebê foi arrojado ao mar por sua própria mãe. Há alguma explicação para isso?
B. Que ensinamento podemos extrair do caso Vilfredo?
C. Quem foi Maria do Milagre?
D. Padre Germano também fazia curas?
E. Em que ano foi concluída a redação deste livro?

Texto para leitura

157.  No cap. 31, Padre Germano relata uma história comovente de um bebê que, com seis horas apenas de nascido, foi arrojado ao mar por sua própria genitora, infeliz mãe desesperada que buscava fugir de si mesma. (P. 337)
158. Germano diz que o Espírito daquela criança foi um desses cegos que tropeçou e caiu repetidas vezes, mas chegou, finalmente, a reconhecer os próprios erros. Senhor dos mares, muita gente – crianças, mulheres, velhos... – sofreu sob o jugo do seu despotismo. Um dia, nascido na maior das misérias, ele cresceu a mendigar o próprio alimento, até à idade em que pôde entregar-se a trabalhos mais rudes. Empregou-se então como grumete de uma galera que fora aprisionada em águas da Índia, exatamente nas paragens onde, no passado, ele, como pirata, semeara o terror e a morte. (PP. 338 e 339)
159. A tripulação da nave foi toda passada ao fio da espada, ao passo que a ele concederam a vida, para o internar na Índia e submetê-lo, durante quarenta e cinco anos, aos mais horrendos tratos, em que sofreu, alternativamente, os suplícios da água e do fogo, o corpo picado de flechas, quando não arrastado à cauda de fogosos cavalos. Curiosamente, não havia tortura que lhe causasse a morte, pois que todas as feridas se lhe curavam naturalmente. (P. 339)
160. Vilfredo – eis o seu nome –, passados esses anos de crudelíssimos tormentos, teve, ainda, várias encarnações e em todas elas veio a perecer no mar, cenário dos seus crimes, lugar no qual contraiu as maiores responsabilidades. Ele, na verdade, desejaria viver para progredir, mas esse gozo não lhe pôde ainda ser outorgado, e é essa a razão por que a vida sempre se lhe frustra aos primeiros anos. Tantas crianças deitou ao mar quando estorvavam suas viagens, que justo é sucumbir do mesmo modo. Surdo aos lamentos de tantas mães desoladas, justo é que as ondas fiquem surdas aos lamentos de sua mãe arrependida. (P. 340)
161. Padre Germano, narrando o caso Vilfredo, ensina que a lei de Deus é sempre o bem e, para que um ser morra, não é preciso que haja assassinos. O homem morre, naturalmente, quando lhe chega a hora, e salva-se quando tem de salvar-se, ainda em meio aos maiores perigos. Quando isso se dá, dizem que foi obra do acaso ou um milagre. Mas não há milagre nem casualidade: o que há e haverá, eternamente, é justiça, e justiça infalível! (P. 340)
162. Todo aquele que se regozijou com as dores alheias não tem o direito de ser feliz. A ventura não se usurpa, mas obtém-se por direito divino, quando se têm cumprido todos os deveres humanos. Eis por que Vilfredo não pôde ainda ser feliz. Homem, não amou a Humanidade. Forte, oprimiu os fracos. Talentoso, só utilizou seu talento para o mal. Nada mais justo, portanto, que a vida lhe seja peregrinação penosíssima e que a Natureza só lhe proporcione pungentes espinhos. (P. 341)
163. A esperança, porém, existe para ele e todas as pessoas incursas nas penas da lei incorruptível. Também para ele haverá, um dia, uma família, na qual encontrará mãe amorosa que viva a espreitar os seus sorrisos, esperando, ansiosa, o balbucio primeiro dos seus lábios. Não há inverno que não tenha primavera, como não há outono que não tenha estio. Um dia, pois, despontará para Vilfredo a aurora! (P. 343)
164. O cap. 32, intitulado “Os mantos de espuma”, é assinado por Maria do Milagre, que na última encarnação, tendo nascido menina, foi arrojada ao mar, numa cestinha de vime, em formosa manhã de primavera. Um menino, que contava então doze anos de idade, viu o berço e o recolheu, salvando a criança das águas, a qual, no mesmo dia, foi batizada com o nome de Maria do Milagre, visto que o povo simples daquela região considerara milagrosa a sua salvação. (PP. 345 e 346)
165. Filha do opulento amo do casal que a adotou e de nobre dama, que houve de ocultar a desonra dentro das paredes de um convento, Maria cresceu nos braços de Augusto, seu salvador, que mais tarde a ela se uniu em matrimônio. Aos dezesseis ela deu à luz um menino, que se chamou Rafael, cuja vinda tornou completa a felicidade da jovem mãe. (P. 346)
166. Certa tarde, estando Maria e o menino na praia, de repente uma onda mais violenta arrebatou o garoto e, vendo-o desaparecer nas águas, a mãe, sem medir o perigo, atirou-se no mar, vindo ambos a serem salvos por alguns pescadores que presenciaram a cena. O susto foi, porém, tão grande, que Maria perdeu inteiramente a razão, para só recuperá-la dois anos depois. (P. 347)
167. Maria enfrentou, inicialmente, um longo período de apatia, quando nada, nem mesmo o chamamento do filho, lhe despertava a menor emoção. Daí passou ela ao estado de loucura violentíssima, a reclamar internação, o que Augusto não consentiu, vivendo ele a penar dois anos, sem jamais perder a esperança de sua cura. Curiosamente, o verdadeiro pai da jovem contribuiu com largas somas de dinheiro para que não lhe faltasse o tratamento médico indispensável. E foi uma experiência do doutor que pôs fim à enfermidade, quando o médico fez com que mãe e filho passassem por situação idêntica à que originou a doença. (P. 347)
168. Desde então a cura de Maria do Milagre acentuou-se rapidamente e o melhor dos remédios era ver seu filho, mais formoso que os anjos, com seus cabelos de ouro, correndo daqui ou dali, para refugiar-se em seus braços. (P. 348)
169. No último capítulo, o de número 33, Padre Germano enaltece o valor do trabalho, dizendo: “O desenvolvimento de forças é a vida; a atividade é para o crescimento do homem o que o Sol é para a fecundação da Terra. Um dos vossos sábios contemporâneos afirmou que quem trabalha ora”. Considerando o sacerdote católico-romano como árvore seca e entendendo que todas as cerimônias religiosas eram insuficientes para engrandecer a alma, Germano buscava o trabalho onde o encontrasse. Era bastante ouvir falar de uma calamidade, para acorrer, solícito, e consolar os que sofriam. (PP. 350 e 351)
170. Foi assim que ele buscou socorrer uma família vitimada pela peste numa aldeia afastada da sua, de nome Santa Eugênia, de onde até o pároco havia fugido, de medo da doença. Valendo-se de sua força de vontade e da força magnética com que muitas vezes operou curas com um simples olhar, Germano foi e salvou todos aqueles a quem ali pôde acudir. (PP. 353 a 359)
171. No capítulo intitulado “Um adeus”, firmado por Amalia Domingo Soler em 12 de março de 1884, ela alude à sua experiência de quase um ano, durante o qual, numa casa à beira-mar, manteve contacto com o Espírito do Padre Germano, fato que deu origem a este livro. “Quantas vezes aí chegáramos lamentando as misérias humanas – diz Amalia –, para deixá-lo, lábios entreabertos em venturoso sorriso, murmurando com íntima satisfação: - A vida é bela, quando se confia no progresso infinito e se ama a verdade suprema, a eterna luz!” (PP. 361 a 365)
172. “Recordações”, página psicografada por Francisco Cândido Xavier e publicada inicialmente em “Reformador” no ano de 1932, narra a triste história do conde Henoch e sua mulher Margarida, que envenenou o próprio esposo para, dois anos depois, casar-se com seu cúmplice. Em tom comovente, o relato feito pelo Espírito do Padre Germano mostra a vida de Margarida no plano espiritual, onde durante vinte e cinco anos sofreu muito, e sua posterior reencarnação como Fera, nome pelo qual era conhecida a mulher andrajosa que, embora jovem, fazia rir quem lhe contemplasse o rosto monstruoso. A volta de Henoch, como filho de Margarida, constitui um dos pontos culminantes deste livro, pelo desprendimento, pelo amor e pelo carinho com que o rapaz se houve, submetendo-se a uma vida de privações apenas para socorrer aquela que fora sua mulher no passado. (PP. 367 a 378)

Respostas às questões preliminares

A. Seis horas depois de nascer, um bebê foi arrojado ao mar por sua própria mãe. Há alguma explicação para isso?
Fatos como esse têm sua causa no passado. O Espírito do bebê mencionado foi um desses cegos que tropeçou e caiu repetidas vezes, mas chegou, finalmente, a reconhecer os próprios erros. Senhor dos mares, muita gente sofreu sob o jugo do seu despotismo. Vilfredo (eis o seu nome) passou por diversos tormentos e em inúmeras encarnações veio a perecer no mar, cenário dos seus crimes, lugar no qual contraiu as maiores responsabilidades. Ele, na verdade, desejaria viver para progredir, mas esse gozo não lhe podia ainda ser outorgado, e é essa a razão por que a vida sempre se lhe frustra aos primeiros anos. Tantas crianças deitou ao mar quando estorvavam suas viagens, que justo é sucumbir do mesmo modo. Surdo aos lamentos de tantas mães desoladas, justo é que as ondas ficassem surdas aos lamentos de sua mãe arrependida. (Memórias do Padre Germano, pp. 337 a 340.)
B. Que ensinamento podemos extrair do caso Vilfredo?
Ao narrar esse caso, Padre Germano ensina-nos que a lei de Deus é sempre o bem e, para que um ser morra, não é preciso que haja assassinos. O homem morre, naturalmente, quando lhe chega a hora, e salva-se quando tem de salvar-se, ainda em meio aos maiores perigos. Quando isso se dá, dizem que foi obra do acaso ou um milagre. Mas não há milagre nem casualidade: o que há e haverá, eternamente, é justiça, e justiça infalível! Ademais, todo aquele que se regozijou com as dores alheias não tem o direito de ser feliz. A ventura não se usurpa, mas obtém-se por direito divino, quando cumprimos todos os deveres humanos. Eis por que Vilfredo não pôde ainda ser feliz. Homem, não amou a Humanidade. Forte, oprimiu os fracos. Talentoso, só utilizou seu talento para o mal. Nada mais justo, pois, que a vida lhe seja peregrinação penosíssima e que a Natureza só lhe proporcione pungentes espinhos. (Obra citada, pp. 340 e 341.)
C. Quem foi Maria do Milagre?
Maria do Milagre, em sua anterior encarnação, tendo nascido menina, foi arrojada ao mar, numa cestinha de vime, numa manhã de primavera. Um menino, que contava então doze anos de idade, viu o berço e o recolheu, salvando a criança das águas, a qual, no mesmo dia, foi batizada com o nome de Maria do Milagre, visto que o povo simples daquela região considerara milagrosa a sua salvação. (Obra citada, pp. 345 e 346.)
D. Padre Germano também fazia curas?
Sim. Dedicado sempre à tarefa de ajudar as pessoas, bastava-lhe ouvir falar de uma calamidade para acorrer, solícito, e consolar os que sofriam. Foi assim que ele buscou socorrer uma família vitimada pela peste numa aldeia afastada da sua, de nome Santa Eugênia, de onde até o pároco havia fugido, de medo da doença. Valendo-se de sua força de vontade e da força magnética com que muitas vezes operou curas com um simples olhar, Germano foi e salvou todos aqueles a quem ali pôde acudir. (Obra citada, pp. 350 a 359.)
E. Em que ano foi concluída a redação deste livro?
Em 1884. Em 12 de março de 1884 Amalia Domingo Soler aludiu à sua experiência de quase um ano, durante o qual, numa casa à beira-mar, manteve contacto com o Espírito do Padre Germano, fato que deu origem ao livro. “Quantas vezes aí chegáramos lamentando as misérias humanas – diz Amalia –, para deixá-lo, lábios entreabertos em venturoso sorriso, murmurando com íntima satisfação: - A vida é bela, quando se confia no progresso infinito e se ama a verdade suprema, a eterna luz!” O livro contém, no entanto, um relato posterior à sua publicação na Espanha. Trata-se de uma mensagem intitulada “Recordações”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e publicada inicialmente em “Reformador” no ano de 1932, na qual Padre Germano narra a triste história do conde Henoch e sua mulher Margarida. Essa mensagem foi incorporada à edição brasileira do livro e constitui um dos pontos altos desta obra. (Obra citada, pp. 361 a 368.)


Nota:
Links que remetem aos 3 textos anteriores:





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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




O Universo, o espaço e o tempo

Este é o módulo 54 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Como podemos definir o Universo?
2. Quem, segundo o Espiritismo, é o autor do Universo?
3. O espaço universal é limitado ou infinito?
4. Como definir o tempo?
5. Podemos dizer que o tempo é, do mesmo modo que o espaço, uma coisa objetiva?

Texto para leitura

O espaço universal é, segundo Galileu, infinito
1. O Universo é o conjunto de tudo o que existe e não é obra do homem. O Universo - ensina o Espiritismo - é obra de Deus e dele faz parte o próprio homem, ser pensante e racional, mas que é apenas uma criatura, um filho do Criador. No Universo há que considerar desde logo o espaço, que é a extensão onde tudo existe, e, ligado ao espaço, é preciso considerar ainda o tempo. Espaço e tempo, em termos universais e em relação a Deus, têm as dimensões do infinito e da eternidade.
2. É isso que nos ensina a Doutrina Espírita, conforme podemos ler na questão 35 de O Livro dos Espíritos:
“O espaço universal é infinito ou limitado? R.: Infinito. Supõem-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo.”
3. Por infinito devemos entender “o que não tem começo nem fim: o desconhecido”, tal como afirmaram os Espíritos Superiores no questão 2 de O Livro dos Espíritos. No cap. VI de A Gênese, de Allan Kardec, o Espírito de Galileu, valendo-se da mediunidade de Camille Flammarion, trata do assunto.
4. Eis nos itens seguintes, de forma resumida, o que Galileu escreveu sobre o espaço e sua infinitude.
5. Espaço é uma dessas palavras que exprimem uma ideia primitiva e axiomática, de si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. Todos sabemos o que é o espaço e apenas queremos firmar que ele é infinito.
6. Dizemos que o espaço é infinito pela simples razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer e porque, apesar da dificuldade que temos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer.

Deus semeou mundos por toda a parte no espaço infinito
7. Para figurarmos a infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da Terra para um ponto qualquer do Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica [1] , e que, havendo percorrido milhões de léguas [2]  desde que deixamos o globo, nos achamos num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela. Passado mais algum tempo, seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas que mal percebemos de nossa estação terrestre. A partir de certo momento, não só a Terra nos desaparece inteiramente ao olhar, como também o próprio Sol com todo o seu esplendor.
8. Animados sempre da mesma velocidade, a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mundos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou as plantas nas pradarias imensas.
9. Ora, há apenas poucos minutos que caminhamos e já centenas de milhões de milhões de léguas nos separam da Terra, bilhões de mundos nos passaram sob as vistas e, entretanto, em realidade, não avançamos um só passo que seja no Universo.
10. Se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago, nem um passo igualmente teremos avançado, qualquer que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos encaminhemos, a partir deste grãozinho invisível donde saímos e a que chamamos Terra. Eis aí o que é o espaço!

O tempo existe por causa dos movimentos celestes
11. Vista a lição do Espírito de Galileu sobre o espaço, vejamos agora o tempo, que, segundo Kardec, “é a sucessão das coisas” e está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito. 
12. O tempo - adverte Hermínio C. Miranda - é apenas uma medida relativa de sucessão das coisas transitórias. A eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração, porque para ela não há começo nem fim: tudo lhe é presente.
13. O espaço existe por si mesmo, mas se passa o contrário com relação ao tempo. Se é impossível supor a supressão do espaço, não é assim com relação ao tempo. O tempo, assevera Camille Flammarion, é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro algum, se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que nos permitiu determiná-lo. Suprimido o Universo, continuará a existir o espaço, mas o tempo cessará, desvanecer-se-á, desaparecerá.
14. Albert Einstein descartou-se do conceito de tempo absoluto – um fluxo universal, inexorável de tempo, firme, invariável, que corre de um passado infinito para um futuro infinito. Muito da obscuridade que envolve a Teoria da Relatividade procede da relutância do homem em reconhecer que o senso do tempo, como o senso da cor, é uma forma de percepção.
15. Assim como não há cor sem olhos para observá-la, de igual forma uma hora ou um dia nada são sem um evento que os assinale. Como o espaço é simplesmente uma ordem possível de objetos materiais, o tempo é simplesmente uma ordem possível de eventos.
16. O tempo seria, então, um conceito meramente subjetivo; estaria exclusivamente na dependência de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e, portanto, inescapavelmente subordinado à relatividade de sua posição quanto a tudo o mais no Universo que o cerca. 

Respostas às questões propostas

1. Como podemos definir o Universo?
O Universo é o conjunto de tudo o que existe, e não é obra do homem, que dele também faz parte.
2. Quem, segundo o Espiritismo, é o autor do Universo?
Segundo o Espiritismo, o autor do Universo é Deus.
3. O espaço universal é limitado ou infinito?
Conforme aprendemos na questão 35 de O Livro dos Espíritos, o espaço universal é infinito.
4. Como definir o tempo?
O tempo é a sucessão das coisas e está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito. O tempo é uma medida relativa de sucessão das coisas transitórias.
5. Podemos dizer que o tempo é, do mesmo modo que o espaço, uma coisa objetiva?
Não. O tempo é um conceito meramente subjetivo. Depende da existência de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e encontra-se, portanto, inescapavelmente subordinado à relatividade de sua posição quanto a tudo o mais que o cerca. 

Referências:
[1] A velocidade da luz foi medida no século XIX. No vácuo, ela é de 300 mil km por segundo. Na água, sua velocidade cai para 225 mil km por segundo.
[2] Légua é uma antiga unidade brasileira de medida itinerária, equivalente a 3.000 braças, ou seja, 6.600 metros.

Fontes:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 2, 3, 13 e 35.  
A Gênese, de Allan Kardec, cap. VI.
Sonhos Estelares, de Camille Flammarion, FEB, p. 97.
A Memória e o Tempo, de Hermínio C. Miranda, Edicel, p. 28.

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:



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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pílulas gramaticais (283)





Há no meio espírita quem pense e até propague que o termo reencarnação teria sido, como ocorreu com alguns outros vocábulos, criado por Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.
Não é verdade. Não se trata de um neologismo decorrente do advento do Espiritismo. Kardec introduziu realmente na linguagem espírita diversos neologismos, mas esse não é o caso do termo reencarnação.
Vejamos o que ele escreveu a respeito do assunto, ao lançar sua primeira obra espírita:
“Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.
Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos  espírita e  espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas.
Como especialidade, O Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão por que traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.” (O Livro dos Espíritos, Introdução, parte  I.)
Além dos neologismos citados no texto acima, a obra de Kardec apresenta mais os seguintes, bastante conhecidos dos nossos leitores:
Mediunato [do latim medium + actu]: termo criado pelos Espíritos, para significar a missão providencial dos médiuns, a ação mediúnica que eles desenvolvem durante a reencarnação.
Perispírito [do latim peri= em redor + spiritus= espírito]: invólucro semimaterial da alma que ela conserva mesmo depois de sua separação do corpo. Nos encarnados, serve de laço ou intermediário entre a alma e a matéria.
Psicofonia (do gr. psyché, alma e phonê, som ou voz): transmissão do pensamento dos Espíritos pela voz de um médium falante.
Psicografia (do gr. psyché, borboleta, alma, e graphô, eu escrevo): transmissão do pensamento dos Espíritos por meio da escrita, pela mão de um médium.
Quanto à palavra reencarnação, atribuir sua origem a Allan Kardec é um equívoco que é preciso esclarecer.
Foi entre os séculos XVI e XVIII que surgiu, no Latim tardio, o termo erudito e acadêmico reincarnatio, reincarnationis, que, em seguida, passou para as línguas românicas e para o inglês. Em francês é "réincarnation". Essa informação pode ser conferida acessando-se o website http://www.latin-dictionary.net/definition/33192/reincarnatio-reincarnationis
Ora, a codificação do Espiritismo teve início em meados do século XIX, mais precisamente a partir de 1855, quando o professor Rivail teve o primeiro contato com os fenômenos espíritas e passou a estudá-los de forma metódica, do que resultou aquilo que chamamos de codificação da doutrina espírita.




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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Contos e crônicas





Família ao longo dos séculos

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Família não deve ser apenas um grupo vivendo junto, como muitos definem, mas, sim, um elo entre corações que explícita ou implicitamente reconhecem a importância. E isso não pertence à classe humana apenas, no entanto, a todos os seres que sentem, mesmo que muito sutil, a emoção, o sentimento.
Há tantos tipos de família. Há as que simplesmente se amam. Há as que brigam, e se aceitam; as que se toleram, porém, pelo desconhecido motivo certo, não se afastam; há as que tranquilamente convivem e há tantas outras formas. Nenhum membro da família está no núcleo por acaso, aliás, todo núcleo é composto sabiamente, e sabemos por Quem.
A composição familiar tradicional está compartilhando lares com outros tipos de formação os quais o amor está fortalecido e radiante. Os lares se compõem também por dois pais cujos filhos são amados tão profundamente. Há os lares compostos por duas mães tão carinhosas, zelosas e orientadoras para a felicidade de seus pequenos. Há os avós que são pais por duas vezes cuidando de seus netos-filhos. Também há o lar de mãe e filhos e o de filhos e pai. Se tudo se transforma, então, o arranjo familiar tão positivamente acompanha a transformação. Sem sequer mencionar que essas famílias contemporâneas têm atitudes extraordinárias que famílias tradicionais, às vezes, não se dispõem.
O que sempre será indiscutível é a necessidade do amor em família. Passarão séculos, entretanto, a essência do bom relacionamento sempre será o amor e onde este houver também haverá a luz e a alegria. E principalmente quando compreendermos o valor da mais importante sociedade, então, seremos mais felizes.
Cada membro familiar é protagonista da história; o pai ou a mãe não serão mais notáveis, porém, cada um deverá ter a sua notabilidade natural e respeitada. Os pais devem respeitar os filhos e vice-versa, sem esquecermo-nos de que o exemplo é a lição mais observada e copiada. A inaceitação de uma atitude talvez reprovável de um ente requer um exame pessoal nosso para constatarmos que a ação não foi simplesmente uma assimilação do que na família já se viu.
Da mesma maneira que a observação pessoal é muito necessária e nos toma grande parte do tempo, também a observação de como nossa família se desenvolve é necessária para, cada vez mais, aprimorarmos o andamento próprio e o do nosso núcleo. Tenho bem certeza de que quando cuidarmos do nosso quintal não teremos tempo para observarmos se no quintal do vizinho existem folhas secas para varrer, muito menos interesse nisso.
Sabemos que quanto melhor estiver o lar mais vontade temos de voltar para casa a fim de estarmos próximos das pessoas que nos dão esse motivo. E o aprimoramento começa em nós; não esperemos a mudança do outro, mas realizemos quanto antes a nossa. E os dias afirmarão como a família é indispensável em todas as fases do desenvolvimento de um coração.
Ao longo dos séculos, a composição familiar muito se transformou e ainda continuará. Não será a composição a definir como felicidade ou não, será a poção de amor que definirá a alegria no lar, será o nível de respeito, carinho, paciência, doação, compreensão e aceitação pelo próximo.
E quando o amor for maior do que todo o atraso que a ignorância conserva, então, a sociedade humana poderá dizer com sorriso: somos uma família.

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