domingo, 4 de dezembro de 2022

 


Curiosidades sobre programação reencarnatória

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

Uma pessoa pediu-me que lhe falasse algo em termos práticos sobre a chamada programação reencarnatória, um tema que tem sido focalizado bastante no meio espírita, sobretudo nos últimos anos.

A duração da existência corporal, a profissão a ser desempenhada, a família, os ascendentes, os descendentes, as provas de natureza material, as provas morais, eis tópicos que formam, como sabemos, a programação reencarnatória de uma pessoa, fato que não deveria causar surpresa alguma, uma vez que em nossas relações cotidianas o planejamento há muito passou a ocupar um lugar importante.

A família decidiu, por exemplo, passar o mês de férias no litoral catarinense. Onde ficarão seus componentes? Usarão um imóvel alugado ou emprestado? Em que dia partirão? Irão de carro ou de avião? Quando ocorrerá a volta? Há recursos financeiros suficientes? No local do veraneio há bancos? Chove ali nessa época do ano? Se chover, costuma fazer frio?

Todas as perguntas apresentadas e as respectivas respostas compõem um rol, que nada mais é do que o plano de férias. E note o leitor que se trata de uma simples viagem que durará talvez menos de 30 dias!

A reencarnação é, ao contrário disso, uma longa viagem cujo objetivo não é, como no exemplo mencionado, curtir férias. Trata-se de algo mais profundo, com metas psicológicas e objetivos complexos, que envolvem um grupo grande de pessoas, cujos destinos estão, por assim dizer, entrelaçados.

André Luiz relata num de seus livros o caso de uma família bem simples, casal e quatro filhos, que de repente passou a enfrentar uma dura provação com o falecimento por suicídio do chefe da casa. Como os suicídios não fazem parte de nenhuma programação, a evasão daquele pai causou uma dificuldade inesperada para a esposa e as crianças, o que tornou necessária para aquelas pessoas a revisão do programa, ou seja, uma reprogramação.

Fatos assim ocorrem no dia a dia de nossas existências. O veículo que nos transportava sofreu uma pane. Perdeu-se, assim, a conexão com o voo programado e, a partir daí, uma sucessão de problemas que exigirão, por sua vez, a revisão do plano antes estabelecido.

Quando vim para Londrina, aos 18 anos de idade, meu objetivo era um só: cursar a Faculdade de Matemática. Saí de Minas Gerais com esse propósito, que constituía, à época, o sonho de minha vida. Para tanto, demiti-me do emprego, deixei as aulas que ministrava no colégio da cidade e viajei para um lugar que não conhecia, situado a mais de 1.100 km de minha cidade natal.

Cheguei em um domingo. No dia seguinte, fui à Faculdade para me inscrever no vestibular. Ocorre que não existia Faculdade de Matemática em Londrina, nem em localidade alguma situada num raio de 150 km. A mais próxima ficava em Jacarezinho. Meu irmão, com quem vim morar, havia-se equivocado e, por causa disso, passou-me uma informação inexata.

A vontade, em face da frustração, foi voltar imediatamente. Mas acabei ficando, cursei outra faculdade e, com o passar dos anos, entendi que tinha de vir para Londrina e só viria dessa forma, seduzido por um sonho que não se realizou, mas deu lugar a outro que, sem dúvida alguma, estava previsto na chamada programação reencarnatória.

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.

 

 

sábado, 3 de dezembro de 2022

 



O sábio e a solução dos conflitos

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Alma amiga, ainda há pouco pensava no que escrever. Então, pedi a inspiração divina (fato real) para que me sugerisse um tema. Abri o livro Jesus no Lar, com mensagens de Neio Lúcio, psicografadas por Chico Xavier e, encantado, li a história do ministro sábio, que está no capítulo 15 dessa obra.

Relata o autor espiritual que Mateus falava sobre a missão dos administradores do povo, quando Jesus narrou a história do reino atacado por adversários do soberano, cuja rebeldia insuflada ao povo de grande província cresceu descontroladamente. Preocupado, o monarca apelou para um hábil juiz, que criou tantas leis, como seu primeiro-ministro, que nada mudaram em relação à situação reinante.

Desencantado, o rei substituiu o juiz por famoso doutrinador, que fez brilhantes discursos, mas não conseguiu modificar o estado de perturbação do reino. Então foi chamado um sacerdote, mas este, piorando a situação, amaldiçoou os opositores do rei.

Decepcionado, o soberano colocou um médico na direção geral dos negócios, mas este, visando à conquista dos benefícios régios, informou ao rei que seus adversários eram doentes mentais. “E fez disso propaganda tão ruinosa que a indisciplina se tornou mais audaciosa e a revolta mais desesperada.”

O rei, então, imaginou que somente um general célebre resolveria os conflitos. Este arremessou as forças armadas sobre os insubordinados da província e deu início à guerra civil. Foram tantas as mortes que o “imperante”, abatido moralmente, resolveu chamar um sábio para solucionar a crise no reino. O sábio, após refletir por um tempo, percebeu que nada do que fora feito resolveria o problema: “Não criou novas leis, não pronunciou discursos, não censurou os insurretos, não perdeu tempo em zombaria, nem estimulou qualquer cultura de vingança”.

Visitou a região conflituosa e passou a observar-lhe as necessidades prementes. Ali, inúmeras famílias não tinham teto, havia necessidade de trabalho e de instrução. Então, passou a construir lares, oficinas de trabalho e de estudo, abrir estradas, inaugurar escolas e incentivar o povo a estudar e trabalhar, “lutando, com valioso espírito de entendimento e fraternidade, contra a preguiça e a ignorância”.

Algum tempo depois disso, acabaram as discórdias, pois o bem em ação eliminou a desconfiança, dureza de coração e insegurança dos mais exaltados. Finalizando a história, ante a imensa satisfação de Mateus, concluiu Jesus:

— O ódio pode atear muito incêndio de discórdia no mundo, mas nenhuma teoria de salvação será realmente valiosa sem o justo benefício aos espíritos que a maldade ou a rebelião desequilibraram. Para que o bem possa reinar entre os homens, há de ser uma realidade positiva no campo do mal, tanto quanto a luz há de surgir pura e viva, a fim de expulsar as trevas.

Paz e luz aos nossos dias, com as bênçãos do Salvador do Mundo, Jesus, o Cristo de Deus!

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

 



A Evolução Anímica

 

  Gabriel Delanne

 

Parte 16

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico A Evolução Anímica, de Gabriel Delanne, conforme a 8ª edição da tradução de Manoel Quintão, publicada pela Federação Espírita Brasileira.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo é publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Se a obsessão se prolongar por muito tempo, podem daí surgir desordens físicas?

B. De que forma o perispírito se une ao corpo físico?

C. Onde se radica a memória?

 

Texto para leitura

 

166. Na subjugação, o domínio do Espírito é completo. O subjugado é um instrumento absolutamente dócil às sugestões do Espírito. A vontade do obsessor avassalou, substituiu totalmente a sua vontade. Com mais um pouco, acabará perdendo a noção de si mesmo, passando a crer-se um personagem célebre, um reformador do mundo; numa palavra, tornar-se-á louco, pois não é impunemente que a influência perturbadora se exerce por longo tempo e, uma vez sobrevindo as lesões do cérebro, a moléstia torna-se incurável. (Pág. 218) 

167. Kardec conheceu um homem que, impelido pelo Espírito obsessor, ajoelhava-se aos pés de todas as moças. Outro sentia nas costas e nos tornozelos uma pressão tão forte que o levava a ajoelhar-se e beijar o chão, em plena rua. O hipnotismo veio dar a chave desses fenômenos. O indivíduo obedece, mais ou menos passivo, a quem o imergiu nesse estado. Se essa situação se prolonga por semanas, meses, anos, podem surgir desordens físicas, difíceis de curar, mesmo depois de afastado o obsessor. É necessário, pois, o tratamento moral do enfermo, coincidente com a intervenção junto do obsessor, de tal modo que, em muitos casos, se a lesão não for irremediável, se torna possível restituir ao alienado o seu vigor orgânico e, com ele, a razão. (Págs. 218 e 219) 

168. Importa reconhecer, no entanto, que a loucura é devida, em muitos casos, a uma lesão do sistema nervoso e se manifesta em certas fases da vida, provinda dos pais por vias hereditárias. Em casos assim, não há que presumir se trate de Espíritos obsessores. Trata-se do próprio organismo viciado, deteriorado, e que, não mais obedecendo à alma, pode engendrar alucinações radicadas no falseado mecanismo cerebral. É frequente também a complicação do fenômeno, podendo a hereditariedade apresentar metamorfoses. Assim, um alcoólatra pode procriar idiotas, caso em que o encéfalo fica parcialmente destruído por influência do álcool. Outras vezes, as convulsões dos genitores transmudam-se em histeria ou epilepsia nos descendentes. (Págs. 219 e 220) 

169. Casos assim, diz Delanne, são abundantes. É que o perispírito não é criador, é simplesmente organizador da máquina. Ora, se a hereditariedade lhe faculta apenas materiais viciados ou incompletos, ele é incapaz de os regenerar e sempre restarão partes do cérebro forradas à sua influência. Vê-se, no entanto, que são as enfermidades e não as faculdades propriamente ditas que se transmitem por via seminal. O Espírito, ao encarnar-se, traz consigo as aquisições de vidas anteriores, mas é preciso ter em conta as disposições orgânicas, que podem ser favoráveis ou prejudiciais ao desenvolvimento de suas faculdades inatas. Dr. Moreau, de Tours, que não admite a hereditariedade senão do ponto de vista fisiológico, afirma que é a transmissão hereditária das falhas orgânicas que produz as moléstias mentais nos descendentes. (Págs. 220 e 221) 

170. Acreditamos, diz Delanne, na independência constitutiva da alma e dizemos que ela não adoece jamais e que somente não pode manifestar suas faculdades num corpo mal aparelhado, a que faltem elementos indispensáveis ao bom funcionamento do Espírito. Estamos, pois, com a Ciência, no convir que a loucura resulta, as mais das vezes, de uma lesão ou perturbação nervosa, transmissível por hereditariedade, mas a nossa explicação do fenômeno – assevera o autor desta obra – difere totalmente, visto que a alma é uma entidade independente e sobrevivente à morte. (Págs. 221 e 222) 

171. Firmemo-nos bem, diz Delanne, neste ponto importante para nós outros: 1º – O que prova a reencarnação é que, por vezes, tendo os pais uma inteligência assaz limitada, os filhos revelam as mais auspiciosas disposições; 2º – Filhos indignos têm nascido de pais ilustres; 3º – As raças inferiores podem produzir grandes homens; 4º – É muito comum observar que, a despeito de grandes semelhanças físicas, os filhos podem, moralmente, em nada se parecer com os pais. (Pág. 223) 

172. Quais as causas dessa metamorfose? Por qual transmutação misteriosa a natureza extrai o melhor do pior? Ribot se diz impotente para responder a tais perguntas, que ele considera questões fora do alcance da ciência atual, mas – diz Delanne – não do Espiritismo, que as explica com meridiana clareza. As disposições orgânicas herdadas são vantajosas ou nefastas, e o Espírito, ao encarnar-se, submete-se a uma família ou escolhe a que lhe permita realizar na Terra as suas aspirações. Desse modo se explicam as enfermidades terríveis que parecem assaltar tantas famílias, e que nos levariam a duvidar da Justiça Divina, se o Espiritismo não aclarasse o porquê da aparente iniquidade. (Págs. 224 e 225) 

173. Resumo – Fechando o cap. V, Delanne resume os pontos principais das lições nele contidas e que adiante sintetizamos:

I – No momento da encarnação, o perispírito une-se, molécula a molécula, à matéria do gérmen.

II – Este possui uma força vital cuja energia, mais ou menos rigorosa, determina a longevidade do indivíduo.

III – É, pois, sob a influência da força vital que o perispírito desenvolve as suas propriedades funcionais.

IV – O gérmen material contém em si a impressão indefectível de todos os sucessivos estados do perispírito. A ideia diretriz que determina a forma está, desse modo, contida no fluido vital.

V – Impregnando-se dele e se transfundindo nele, o perispírito materializa-se o bastante para tornar-se o diretor, o regulador, o suporte da energia vital modificada pela hereditariedade. É também graças a ele que o tipo individual se forma, desenvolve-se, conserva-se e se destrói.

VI – É ao perispírito que o Espírito deve a conservação de sua identidade física e moral. A memória é atributo do invólucro fluídico, ou perispírito.

VII – A alma, com o seu invólucro, não atinge o período humano senão quando apta para dirigir um corpo humano.

VIII – As afinidades fluídicas têm grande importância no ato do nascimento.

IX – Os Espíritos não podem encarnar onde desejam.

X – Todos os seres evoluem por gradações insensíveis, por transições imperceptíveis. Se quisermos avaliar o caminho percorrido, basta comparar os extremos de uma série: o selvagem e o homem civilizado. Veremos, então, a diferença que separa o homem contemporâneo do seu ancestral quaternário.

XI – As disposições mórbidas são transmissíveis, constituindo isso uma das mais dolorosas provações.

XII – Sucede, porém, que a loucura não é, às vezes, real, não se radica no organismo, mas é produzida por Espíritos obsessores, cuja influência vai da obsessão à subjugação. (Págs. 225 a 227) 

174. O Universo – Graças aos progressos da ciência, sabemos hoje que a Terra não passa de pequeno planeta caudatário do sistema solar e que mundos outros, em profusão, se estendem por todas as regiões do espaço. Foi a lente astronômica o primeiro aparelho que revelou a nossa verdadeira posição no Universo. Galileu mostrou que, em vez de pontos luminosos, há terras no céu, com seus continentes, atmosferas e satélites, tal como aqui mesmo. (Págs. 229 e 230) 

175. Tudo no Universo nos induz a crer na eternidade do movimento e da vida. As descobertas astronômicas atestam que a matéria existe em todos os graus de condensação e que, muito antes da formação da Terra, as estrelas já fulgiam no firmamento. (Pág. 233) 

176. Matéria e espírito – Se admitirmos que a força é uma maneira de ser, um aspecto da matéria, não haverá mais que dois elementos distintos no Universo – matéria e espírito – irredutíveis entre si. O que caracteriza essencialmente o espírito é a consciência, isto é, o eu, mediante o qual ele se distingue do que não está nele, isto é, da matéria. Desde as primeiras manifestações vitais, o eu evidencia a sua existência reagindo, espontaneamente, a uma excitação exterior. (Pág. 234) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Se a obsessão se prolongar por muito tempo, podem daí surgir desordens físicas?

Sim. Se a situação se prolongar por semanas, meses, anos, podem surgir desordens físicas difíceis de curar, mesmo depois de afastado o obsessor. É necessário, pois, o tratamento moral do enfermo, coincidente com a intervenção junto do obsessor, de tal modo que, em muitos casos, se a lesão não for irremediável, torna-se possível restituir ao alienado o seu vigor orgânico e, com ele, a razão. (A Evolução Anímica, pp. 218 e 219.)

B. De que forma o perispírito se une ao corpo físico?

O perispírito une-se à matéria do gérmen, molécula a molécula. (Obra citada, pp. 225 a 227.)

C. Onde se radica a memória?

A memória é atributo do invólucro fluídico, ou perispírito. E é a esse invólucro, a que Kardec chama de perispírito, que o Espírito deve a conservação de sua identidade física e moral. (Obra citada, pp. 225 a 227.) 

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 15 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/11/blog-post_25.html

 

 

 

 


 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Criança não precisa de celular

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com



Todas as crianças aprendem por meio da brincadeira, pois o brincar é o seu trabalho. Maria Montessori

 

Muitos pais argumentam: “meu filho tem oito anos, o coleguinha já tem um celular e ele quer um também.”

Celular não tem finalidade para quem é criança e, por isso, deve ser mantido a distância. Além disso, é função dos pais também saber dizer não.

Desde os anos 1980 as pessoas têm conhecimento de que mais tempo na frente da TV se traduz em menos paciência e autocontrole, pior desenvolvimento maturativo da atenção e maiores taxas de fracasso escolar – e por isso agrada tanto ao ser humano, criança ou adulto, ver TV ou grudar no celular: os eletrônicos nos entretêm, ou seja, nos distraem.

Nos últimos anos, os celulares são cada vez mais usados para distrair a criança – para o bebê terminar a papinha; para a mãe conseguir terminar de vestir a meninazinha; para o menino esperar quieto no consultório do dentista…

Dar o celular para uma criança é um desserviço para o seu desenvolvimento. Pois o cérebro dessa criança aprenderá que a cada vez que tiver que se esforçar, que se concentrar ou esperar quieta, ele, o cérebro, poderá se distrair. Ou seja, pais que habituam seus filhos pequenos com o celular estão educando a criança segundo o estilo de atenção monkey mind – uma mente que pula de uma coisa para outra e que estará bastante inclinada a não desenvolver a capacidade de atenção sustentada, de concentração.

Que podem os pais fazer? Levar a sério o fato de que a criança, para se desenvolver, para crescer bem e saudável, tem o direito de brincar e ter brinquedos, interagindo com seus pais, irmãos, o seu entorno… Logo, celular não combina com a infância.

 

Notinhas

 

Há vários problemas relacionados ao uso de celular na infância: distúrbios de aprendizado, diminuição da habilidade de regulação própria das emoções; obesidade; problemas relacionados ao sono; problemas emocionais (ansiedade, agressividade, depressão etc.); demência digital (problemas de concentração e memória).

Monkey mind é um termo que procede do budismo e informa a mente que pula de uma coisa para a outra, segundo uma incapacidade de concentração ou de atenção sustentada. Não esquecer que a origem da criatividade, ou das ideias originais/criativas, depende de uma pessoa cuja mente é capaz de concentração.

Quando uma criança desenha, por exemplo, o cérebro precisa manter a atenção voluntariamente na atividade de desenhar. Por sua vez, quando criança gruda no celular, ele captura a atenção da criança e faz todo o trabalho, dando a ela ininterruptas lições de desatenção.  A criança aprende? Sim, ela aprende a desaprender…

 

*

 

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise. Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 


 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.

 

 

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

 



Revista Espírita de 1861

 

Allan Kardec

 

Parte 14 e final

 

Concluímos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1861, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1861 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, sempre apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que é preciso para que um grupo espírita seja estável?

B. Quais são, segundo Kardec, os verdadeiros espíritas?

C. Quem são os melhores propagadores do Espiritismo?

 

Texto para leitura

 

244. Na constituição dos grupos, uma das primeiras condições é a homogeneidade: uma reunião não pode ser estável, nem séria, se não houver simpatia entre os componentes. (P. 392)

245. O que uma reunião espírita requer, acima de tudo, é o recolhimento. Ora, como estar recolhido se, a cada momento, a gente é distraída por uma polêmica acrimoniosa, e se há, no grupo, pessoas hostis umas às outras? (P. 393)

246. Kardec repete então a classificação dos espíritas constantes do item 28 d’O Livro dos Médiuns. (P. 393)

247. O Codificador chama de verdadeiros espíritas, ou melhor, espíritas cristãos, os que não se limitam a admirar a moral espírita, mas a praticam e aceitam. E diz que um grupo formado exclusivamente por elementos desta última classe estaria nas melhores condições, porque entre praticantes da lei de amor e de caridade é que se pode estabelecer uma séria ligação fraternal. (PP. 393 e 394)

248. Tendo por objetivo a melhora dos homens, o Espiritismo não vem procurar os perfeitos, mas os que se esforçam em se aprimorar pondo em prática os ensinos dos Espíritos. “O verdadeiro espírita – assevera Kardec – não é o que alcançou a meta, mas o que seriamente quer atingi-la.” (P. 394)

249. A simples lógica demonstra, a quem quer que conheça as leis do Espiritismo, quais os melhores elementos para a composição dos grupos realmente sérios, e são estes que têm a maior influência na propagação da Doutrina. (P. 394)

250. Aquele, pois, que tem a intenção de organizar um grupo em boas condições deve, antes de tudo, assegurar-se do concurso de alguns adeptos sinceros, que levem a doutrina a sério e cujo caráter conciliatório e benevolente seja conhecido. Formado esse núcleo, far-se-ão as regras precisas para as admissões e a ordem dos trabalhos. (P. 395)

251. Essas regras, segundo Kardec, podem sofrer modificações, mas há algumas que são essenciais à unidade de princípios: o estudo prévio, uma profissão de fé categórica e uma adesão formal à doutrina d’ O Livro dos Espíritos. (P. 395)

252. A ordem e a regularidade dos trabalhos – afirma Kardec – são igualmente essenciais. (P. 396)

253. Kardec diz também que seria útil que houvesse entre os grupos um ponto de ligação, um centro de ação, formado de delegados de todos os grupos, o que ajudaria de forma significativa a união de todos. (P. 397)

254. O ponto principal, contudo, é para Kardec a composição dos grupos primitivos. Se formados de bons elementos, serão boas raízes que darão bons renovos. Se, porém, forem formados de elementos heterogêneos e antipáticos, de espíritas duvidosos, mais ocupados com a forma do que com o fundo, que consideram a moral como parte acessória e secundária, há que esperar polêmicas irritantes e sem saída, estremecimentos, suscetibilidades e conflitos. (P. 397)

255. A verdadeira propagação, a que é útil e frutífera – reitera Kardec –, é feita pelo ascendente moral das reuniões sérias. “Sede, pois – aconselha o Codificador –, sérios em toda a acepção da palavra e as pessoas sérias virão a vós: são os melhores propagadores, porque falam com convicção e tanto pregam pelo exemplo quanto pela palavra.” (P. 398)

256. Dizendo que alguns grupos falaram em filiar-se à Sociedade Espírita de Paris, Kardec explica que essa palavra - filiação - seria imprópria, porque suporia uma espécie de supremacia material que não deve existir. As relações da Sociedade de Paris com as demais são relações morais, científicas e de mútua benevolência, mas sem sujeição. (P. 400)

257. Finalizando suas instruções, Kardec lembra que muitos o acusavam de querer fazer escola no Espiritismo. Ora, por que não teria ele esse direito? “Que haja, pois, uma escola, já que assim o querem”, responde-lhes o Codificador. “Para nós – assevera ele – será uma glória escrever em sua fachada: Escola do Espiritismo Moral, Filosófico e Cristão. E convidamos todos os que têm por divisa amor e caridade. A todos que se ligam a esta bandeira, todas as nossas simpatias e o nosso concurso jamais faltará.” (PP. 401 e 402)

258. A Revista noticia o falecimento, aos 69 anos de idade, do Sr. Jobard, de Bruxelas, presidente honorário da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. (P. 402)

259. Ao abraçar o Espiritismo, Jobard disse que a doutrina da reencarnação o havia ferido como um traço de luz, porque, tudo explicando de maneira tão lógica, era ela a chave que lhe faltava para chegar à verdade tão buscada. (P. 404)

260. Como prometido, a Revista traz passagens de alguns jornais espanhóis que se indignaram com o auto de fé de Barcelona, classificado pela imprensa da Espanha como um repugnante espetáculo. (PP. 404 a 407)

261. A Revista traz outra fábula do Sr. Dombre: “A Toutinegra, o Pombo e o Peixinho”, na qual o peixe, ao ajudar o pássaro, a quem o pombo recusara auxílio, diz:

“No porvir, pelo menos

Nos grandes não confieis; o clamor da miséria

Só fracamente ecoa em corações em férias;

Seus dons são o conselho e a condolência.

Mas a cordial assistência

Só se encontra nos pequenos”. (N.R.: Toutinegra: espécie de pássaro, de plumagem escura e canto ameno.) (P. 410)

262. Lamennais assevera: “As ideias mudam, mas as ideias e os desígnios de Deus, nunca. A religião, isto é, a fé, a esperança, a caridade, uma só coisa em três, o emblema de Deus na Terra, fica inabalável em meio às lutas e preconceitos”. “A religião existe, antes de tudo, nos corações, e assim não pode mudar.” (PP. 415 e 416)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que é preciso para que um grupo espírita seja estável?

A homogeneidade, diz Kardec, é uma das primeiras condições à constituição de um grupo, cujas reuniões não podem ser estáveis, nem sérias, se não houver simpatia entre seus componentes. (Revista Espírita de 1861, p. 392.)

B. Quais são, segundo Kardec, os verdadeiros espíritas?

Os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos, são os que não se limitam a admirar a moral espírita, mas a praticam e aceitam. Um grupo formado exclusivamente por elementos desta classe estaria nas melhores condições, porque entre praticantes da lei de amor e de caridade é que se pode estabelecer uma séria ligação fraternal. (Obra citada, pp. 393 e 394.)

C. Quem são os melhores propagadores do Espiritismo?

A verdadeira propagação do Espiritismo, a que é útil e frutífera, é a que se faz pelo ascendente moral das reuniões sérias. Os melhores propagadores são os que falam com convicção e tanto pregam pelo exemplo quanto pela palavra. (Obra citada, p. 398.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 13 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/11/blog-post_23.html

 

 

  

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

 



Mente humana

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

A nossa mente é maravilhosa, exagerada, apavorada, sonhadora e muito preocupada. Graças a Deus que, a bem da verdade, muito pouco se concretiza da montanha de problemas que criamos. E tão interessante é a dimensão tomada pelos nossos desassossegos e, subitamente, eles, que tanto nos atormentaram, num novo amanhecer, nem mais deles nos lembramos. Oh, mente humana, tão ansiosa e desassossegada.

De repente, descobrimos a meditação, mas a nossa mente ainda é só quase preocupação. Mas meditar é preciso e viver melhor e com mais paz já é questão de sobrevivência, então nos acalmemos. E suscitamos em nós que somos espíritos, eternos, criados por Deus e que, mais uma vez, recebemos esta dádiva: a reencarnação. Olhamos para o céu e agradecemos. E quando vemos a infinitude do alto, nosso coração começa a acalmar e vem a admiração.

E com tranquilidade, mais da metade dos monstros que nos afligia evaporou-se e o restante já traz certo manual de resolução. Para tudo há um caminho. Menos devaneio e mais fé amorosa. Crer que estamos amparados e não sozinhos já nos traz a segurança do amor e vem à mente que na vida se vive um dia de cada vez.

Menos desespero e ansiedade, mais confiança; menos preocupação e mais a lembrança do Mestre Jesus. Estamos em outro precioso momento de nossa eternidade, já passamos tantas vezes por essa ocasião, porém, a cada uma, o reconhecimento deve ser expandido, cada momento vivido deve ser celebrado.

A nossa mente deve ser direcionada para um caminho mais agradável, calmo, e com segurança, no entanto algo a lembrar-se é a lei do livre-arbítrio, pois, decerto, se as escolhas não forem favoráveis, as suas consequências tampouco serão. A nossa mente pode ser educada, mas a nossa consciência mostrará claramente o belo e o mal de nossas ações. Isso é fato.

Assim, para os pensamentos negativos, daremos um basta já que dificilmente nos ajudarão. Daremos asas apenas aos pensamentos felizes, criadores de boas realizações e amorosos, pois esses, sim, é que nos aproximarão do alto, esses, sim, é que nos deixarão bem mais pertinho de Deus.

Há tanto sentido nesta frase: uma mente sã num corpo são.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo.