quarta-feira, 8 de julho de 2026

 



Gula e avareza

 

Cornélio Pires
(autor espiritual)


Obsidiado em casa, Nhô Cordeiro

Comia angu e sopa de gamela,

Mas levado à sessão em Vila Bela

Melhorava, rezando o dia inteiro.

 

Já quase são, ouviu da irmã Biela:

— “Se quer ter mais saúde, companheiro,

Ajude alguém!… Reparta algum dinheiro,

Dê de seu prato aos órfãos da favela!…”

 

Ouvindo esse conselho, o velho, aflito,

Começou a berrar que nem cabrito.

E gritou: — “Ninguém toca a minha renda!”

 

E preferiu morrer, largado e louco,

Mastigando farelo, barro e coco,

Debruçado num cocho da fazenda.

 

 

Do livro Cartas do Alto, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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terça-feira, 7 de julho de 2026

 



Um coração mais espiritual

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Viver com a ideia de apenas uma vida é a mesma atitude de deixar fechada a janela pela qual entram os raios de sol e a paisagem infinita do horizonte; é, também, como não querer admirar a beleza das lindas e perfeitas flores nem se encantar com as crianças e os animais. 

Viver com essa ideia irreal limita o espírito causando-lhe e também ao corpo doenças cíclicas e, consequentemente, muito atraso e sofrimento, pois ele foi criado para a infinitude e a perfeição. Ainda se considerarmos única vida, de fato, a desigualdade seria comprovada em todos os momentos e lugares, e isso se torna tão inconcebível.

À medida que cremos na eternidade vivida por sucessivas e incontáveis existências, assim, também, cremos em Deus, Criador do Universo. E esta crença nos dá compreensão (de acordo com o estágio individual espiritual) dos acontecimentos, de que tudo está conforme deve ser e nada ocorre injustamente; de que somos os responsáveis exclusivos por aquilo que vivemos direta ou indiretamente; de que somos observados muito mais do que imaginamos, assim, como somos influenciados. E a espiritualidade amiga deseja, com grande alegria, o nosso progresso, e ilumina o caminho dos que procuram viver mais como espíritos do que somente humanos terrenos.

As respostas mais coerentes virão além do visível, pois somos seres universais, necessitamos apenas compreender como se faz o acesso à vida verdadeira, já que a materialidade pode anestesiar nossas tão valiosas faculdades espirituais. No entanto quando buscamos, por meio da oração e da boa conduta, proximidade com o invisível, de fato, este nos acolhe, orienta, protege e abençoa. E quanto mais nos encaminhamos para a luz divina, mais o nosso espírito vive o sentido completo para o que foi criado. E seguimos mais fortes e felizes, e cada vez mais experienciamos o júbilo que é a vida conforme o que o Mestre sempre anunciou.

Somos espíritos e estamos terrenos; a variação desses dois verbos já define a clara diferença de significado. E se iniciamos o propósito de nossa vida que é o desenvolvimento espiritual, então, a espiritualidade amiga, com a permissão maior de Deus, por intermédio de Jesus Cristo, nosso abençoado governador, sempre nos guiará e protegerá com muito amor. E à medida que mais nos aproximamos da verdade, mais fundamento os nossos dias conquistarão; os nossos necessários relacionamentos serão fortalecidos e protegidos; os nossos pensamentos serão de mais paz do que criação de conflito; o medo se dissipará, pois a coragem e a fé tomarão o espaço que lhes compete. E, naturalmente, a vida seguirá com mais cor, harmonia e luz, ou melhor, perceberemos com muito mais amor e felicidade o presente abençoado por Deus.

E quando o nosso olhar e sentimentos espirituais forem mais verdadeiros, maior será a luz em nossa vida.

 

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

 



O aparte

 

Hilário Silva
(autor espiritual)

 

Perante o enorme ajuntamento de sofredores desencarnados, no Plano Espiritual, o Dr. Bezerra de Menezes, apóstolo da Doutrina Espírita no Brasil, rematava a preleção.

Falara, com muito brilho, acerca dos desregramentos morais.

Destacara os males da alma e os desastres do espírito.

Dispunha-se à retirada, quando fino ironista o invectivou:

— Escute, doutor. O senhor disse que a calúnia é um braseiro no caluniador. Eu caluniei e nada senti. O senhor disse que o furto é um espinho no ladrão. Eu roubei e nada senti. O senhor disse que o destruidor de lares terrestres carrega a lâmina do arrependimento a retalhar-lhe o coração. Destruí diversos lares e nada senti. O senhor disse que o criminoso tem a nuvem do remorso a sufocá-lo. Eu matei e nada senti…

— Meu filho, — disse o pregador, — que sente um cadáver quando alguém lhe incendeia o braço inerte?

— Nada, — disse, rindo, o opositor sarcástico, — pois cadáver não reage.

E a conversação prosseguiu.

— Que sente um cadáver se lhe enterram um espinho no peito?

— Coisa alguma.

— Que sente um cadáver se o mergulham num lago de piche?

— Absolutamente nada, ora essa! O cadáver é a imagem da morte.

Doutor Bezerra fitou o triste interlocutor e, meneando paternalmente a cabeça, concluiu:

— Pois olhe, meu filho, quando alguém não sente o mal que pratica, em verdade carrega consigo a consciência morta. É um morto-vivo.

 

 Do livro A Vida Escreve, obra psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.

 

 




 

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domingo, 5 de julho de 2026

 



Espíritos que conservam no plano espiritual a forma infantil também se comunicam

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Muitas pessoas nos perguntam se a literatura espírita registra exemplos de intercâmbio mediúnico entre encarnados e Espíritos que, na vida espiritual, ainda conservam a forma infantil.

Já abordamos esse tema neste espaço. Pessoalmente, participamos de inúmeras reuniões mediúnicas nas quais se manifestaram Espíritos de crianças.

Excluída, naturalmente, a hipótese de mistificação, essas manifestações podem enquadrar-se em duas situações distintas.

A primeira ocorre quando Espíritos adotam a aparência infantil para, utilizando a linguagem própria da criança, alcançar com maior facilidade as pessoas a quem se dirigem. O mesmo acontece nas comunicações dos chamados pretos-velhos que, embora tenham vivido outras experiências antes e depois dessa existência, preferem apresentar-se dessa forma porque seu modo de falar, simples e aparentemente ingênuo, sensibiliza mais profundamente os ouvintes.

A segunda situação diz respeito a Espíritos que efetivamente conservam, no plano espiritual, a forma infantil. 

Esse fato é mencionado por diversos autores, entre eles Cairbar Schutel, em A Vida no Outro Mundo; Irmão Jacob, em Voltei; André Luiz, em Entre a Terra e o Céu; Emmanuel, em Crianças no Além; Cláudia Pinheiro Galasse, em Escola no Além; e o próprio Codificador do Espiritismo, na Revista Espírita de janeiro de 1859.

Como exemplo dessa segunda hipótese, podemos citar a mensagem assinada pelo jovem Marcos Hideo Hayashi, psicografada por Francisco Cândido Xavier em 12 de dezembro de 1975, apenas dez meses após sua desencarnação. Marcos tinha então apenas 12 anos. No acidente que o vitimou, também desencarnaram seus irmãos João Batista e Sheila, de 11 e 7 anos, respectivamente.

A mensagem de Marcos, publicada no livro Crianças no Além, inicia-se com estas palavras:


Minha querida Mamãe, meu querido Papai.

Estou obedecendo ao meu avô Joaquim, que me trouxe para escrever.

Peço para que me abençoem.

Querida Mamãe, a senhora pede notícias e rogou tanto, mas tanto, perante as orações, que me vejo aqui para trazer a esperança ao seu coração e fortalecer em meu pai a confiança na vida.

Ao encerrar sua comunicação, Marcos escreveu:


Aqui, muitos pais de meninos desamparados oram conosco pelos filhos que sofrem no mundo, mas eu sei que a senhora e meu pai serão auxílio e bênção para esses meninos, filhos de tantos amigos bons que nos amparam aqui.

Não posso continuar.

Mamãe, abençoe os filhos que somos nós aqui, sem você, mas contando sempre com a senhora para ficar mais fortes. Deus nos auxiliará.

Hoje, tenho mais fé.

Em nome dos irmãos e em meu nome, deixo a vocês, em casa, o nosso beijo de respeito e de amor. E recebam, com o abraço do avô Joaquim, todo o coração do filho, sempre filho reconhecido. (Marcos)

Para concluir, vale recordar o interessante caso que Allan Kardec intitulou "O Fantasma de Bayonne", publicado na Revista Espírita de janeiro de 1859. Nele são relatadas as manifestações de uma criança desencarnada ocorridas na residência de uma família da cidade de Bayonne, no sul da França, próxima à fronteira com a Espanha.

Com o objetivo de esclarecer os fatos, Kardec evocou o Espírito responsável pelas manifestações. Ao apresentar-se na Sociedade Espírita de Paris, ele foi visto com a aparência de uma criança de 10 a 12 anos, cabelos negros e ondulados, tez pálida e olhos negros e vivos — características que coincidiam com as descritas pela irmã do menino ao relatar suas aparições. No diálogo travado com Allan Kardec, o Espírito confirmou ser o irmão daquela jovem e informou haver desencarnado aos quatro anos de idade.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/deus-nao-e-um-espectador-passivo-da.html

 

 

 


 

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