quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 



Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

12

 

Família

 

A família consanguínea, entre os homens, pode ser apreciada como o centro essencial de nossos reflexos. Reflexos agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve.

Certo, não incluímos aqui os Espíritos pioneiros da evolução que, trazidos ao ambiente comum, superam-no, de imediato, criando o clima mental que lhes é peculiar, atendendo à renovação de que se fazem intérpretes. Comentamos a nossa posição no campo vulgar da luta.

Cada criatura está provisoriamente ajustada ao raio de ação que é capaz de desenvolver ou, mais claramente, cada um de nós apenas, pouco a pouco, ultrapassará o horizonte a que já estenda os reflexos que lhe digam respeito.

O homem primitivo não se afasta, de improviso, da própria taba, mas aí renasce múltiplas vezes, e o homem relativamente civilizado demora-se longo tempo no plano racial em que assimila as experiências de que carece, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações.

É assim que na esfera do grupo consanguíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu para si próprio, na linha mental em que se lhe caracterizam as tendências.

A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos Espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações.

Um grande artista ou um herói preeminente podem nascer em esfera estranha aos sentimentos nos quais se avultam. É a manifestação do gênio pacientemente elaborado no bojo dos milênios, impondo os reflexos da sua individualidade em gigantesco trabalho criativo.

Todavia, na senda habitual, o templo doméstico reúne aqueles que se retratam uns nos outros.

Uma família de músicos terá mais facilidade para recolher companheiros da arte divina em sua descendência, porque, muita vez, os Espíritos que assumem a posição de filhos na reencarnação, junto deles, são os mesmos amigos que lhes incentivavam a formação musical, desde o reino do Espírito, refletindo-se reciprocamente na continuidade da ação em que se empenham através de séculos numerosos.

É ainda assim que escultores e poetas, políticos e médicos, comerciantes e agricultores quase sempre se dão as mãos, no culto dos melhores valores afetivos, continuando-se, mutuamente, no genes familiar, preservando para si mesmos, mediante o trabalho em comum e segundo a lei do renascimento, o patrimônio evolutivo em que se exprimem no espaço e no tempo. Também é aí, de conformidade com o mesmo princípio de sintonia, que vemos dipsômanos e cleptomaníacos, tanto quanto delinquentes e enfermos de ordem moral, nascendo daqueles que lhes comungam espiritualmente as deficiências e as provas, porquanto muitas inteligências transviadas se ajustam ao campo genético daqueles que lhes atraem a companhia, por força dos sentimentos menos dignos ou das ações deploráveis com que se oneram perante a Lei.

A tara familiar, por esse motivo, é a resultante da conjunção de débitos, situando-nos no plano genético enfermiço que merecemos, à face dos nossos compromissos com o mundo e com a vida. Dessa forma, somos impelidos a padecer o retorno dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela, que no-los devolvem por aflitivos processos de sofrimento.

Temos assim, no grupo doméstico, os laços de elevação e alegria que já conseguimos tecer, por intermédio do amor louvavelmente vivido, mas também as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

 



Perdoa

 

Irene Sousa Pinto (Espírito)

 

 

Recebe a provação de alma serena.

Desculpa todo golpe que te doa,

Guarda contigo a paz singela e boa,

Inda mesmo ante a voz que te condena.

 

Tudo no mundo é caridade plena.

A fonte beija a pedra que a magoa,

A estrela mostra o brilho na lagoa,

A rosa enfeita o acúleo que envenena.

 

A árvore esquece o vento que a desnuda,

A Terra inteira serve, humilde e muda,

A chuva desce ao bojo da cisterna…

 

Perdoa e quebrarás grilhões e algemas,

Buscando, enfim, as vastidões supremas

Para a glória do amor na vida eterna.

 

 

Do livro Antologia dos Imortais, poema psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 




 

 

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 



A nossa paz depende de nossos sentimentos

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Quando se compreende que a felicidade principalmente depende da boa qualidade dos sentimentos, de fato, compreendeu-se, então, uma das grandes sabedorias da vida. Não se deve depender de nada externo para encontrar a paz ou ser feliz, tudo do que se precisa já está no interior, ou seja, a conexão com o Universo, com Deus, pois se houver dependência dos acontecimentos externos, sinceramente muito pouco haverá de harmonia.

Embora haja certa dificuldade no estágio atual, se o coração estiver mais amoroso e esperançoso é seguro que a vida pessoal estará mais harmônica. Ao passo que o externo pode estar em pleno equilíbrio, porém se o interior não estiver, nem mesmo uma multidão próxima e alegre contagiará o infeliz coração.

Perceber a qualidade dos pensamentos e sentimentos é a revelação de um dos segredos para a felicidade. E o mais precioso é que depende exclusivamente da nossa vontade de querer melhorar ou do desgaste que é sofrer por causa de sentimentos desprovidos de luz. À medida que começamos a percebê-los e buscamos a sua erradicação não é um trabalho fácil, mas imprescindível , um bem-estar ainda desconhecido ou raramente sentido começa timidamente a querer instalar-se em nós e todo o nosso ser começa a sentir uma leveza que só faz bem. No entanto se essa observação não for disciplinada, é natural que o padrão antigo e muito conhecido tenderá a voltar.

Haverá os dias com maior facilidade, outros completamente impossíveis, mas é assim mesmo, até o momento da convicção de que se desejamos ver a predominância da luz teremos de compreender que depende de nossa vontade, pois amparo para crescermos sempre haverá. E uma vez sentida a paz, o nosso coração se encantará com a harmonia vivida.

E ainda quando passamos a observar os nossos sentimentos, compreendemos que, como tudo é energia, atraímos acontecimentos e criaturas de mesma sintonia. E a sabedoria de Deus também se revela dessa maneira justa para todos, como em todos os segundos e a presença divina é tudo para mim.

Quando cultivamos sentimentos bons, o nosso interior se acalma e ao mesmo tempo se dilata para viver realmente como deve ser, e não mais ressecado e encolhido como também muito já sentimos.

E essa pré-conquista da felicidade não é limitada por algumas vezes e já consagrada eternamente, mas, sim, é trabalho diário na senda da evolução até o momento da emancipação espiritual.

Conquanto necessite de disciplina e esforço de certa forma ainda não estamos completos disso , ou seja, do nosso trabalho, sentir-se em harmonia é um dos sentimentos mais abençoados que podemos vivenciar.

E seguramente a paz de espírito também é criada pela boa qualidade do sentimento.

 

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 



 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 



Podia ser pior

 

Hilário Silva (Espírito)

 

O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.

Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.

Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espírita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces.

Inquirido por Filgueiras, começou a explicar-se:

— Imagine você que minha infelicidade começou quando o meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre…

— Mas podia ser pior! — Falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.

— Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me…

— Podia ser pior… — Atalhou Filgueiras.

— O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recurso, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis…

— Podia ser pior…

— Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me com amargas palavras…

— Podia ser pior…

— Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.

— Mas podia ser pior… — Acentuou Filgueiras, calmo.

O outro sorriu, mal-humorado, e objetou:

— Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão… Que podia ser pior, Filgueiras?

O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente:

— Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho em que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa…

O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.

 

Do livro Almas em desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 

 

 

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