quinta-feira, 16 de julho de 2026

 



Ligações familiares

 

Emmanuel
(autor espiritual)

 

Quanto possível, esforça-te – mas esforça-te de verdade – para viver em harmonia com os parentes que te pareçam menos afinados com os teus pontos de vista.

No Plano Físico, não nos achamos vinculados com alguém, nos laços da consanguinidade, sem justa razão de ser.

Aqueles que alimentam ódio e aversão, quando desejosos de melhoria, são induzidos por Benfeitores da Vida Sublimada a se reencarnarem juntos, a fim de apagarem as labaredas de discórdia que lhes atormentam a vida íntima, através de provações atravessáveis em comum.

Se os propósitos desse ou daquele familiar te parecem claramente opostos aos ideais superiores que abraças, abençoa-o com os teus melhores pensamentos e não lhe barres os passos no caminho das experiências que se lhe fazem precisas.

Não desprezes teus pais ou teus filhos por serem desorientados ou doentes, porque talvez tenhas sido, em existências já transcorridas, a causa direta ou indireta dos desequilíbrios ou enfermidades que patenteiam.

Em muitas ocasiões, terás renascido em consanguinidade com parentes rudes e, às vezes, cruéis, unicamente por amor a eles, de modo a auxiliá-los na transformação necessária, com as tuas demonstrações de tolerância e paciência, devotamento e humildade.

Se depois de sacrifícios inumeráveis em favor de parentes determinados – e isso acontece frequentemente entre pais e filhos – notas, no íntimo, que a tua consciência se reconhece plenamente quitada para com eles, sem que esses mesmos familiares, após longo tempo de convivência, demonstrem o mínimo sinal de renovação para o bem, deixa que sigam a estrada que melhor se lhes adapte ao modo de ser, porque as Leis da Vida não te obrigam a morrer, pouco a pouco, a pretexto de auxiliar aos que te recusam o amor.

Uma criança terna e inesquecível que retorna ao Mais Além, nos primeiros tempos da infância, quase sempre é um coração profundamente dedicado ao teu progresso espiritual que apenas regressou ao teu convívio doméstico, a fim de acordar-te, para as realidades da alma, através da saudade e da afeição.

Se não tens a devida força para carregar os compromissos que assumes diante de uma pessoa, com quem partilhaste as alegrias do sentimento, nunca abandones a criança ou as crianças que houverem nascido de semelhante união. 

Educa ou reeduca os pequeninos, sob a tua responsabilidade, enquanto na infância tenra, facilmente amoldável aos teus princípios de natureza superior, mas, diante dos familiares erguidos à condição de adultos, respeita-lhes a liberdade de caminhar no mundo, conforme as suas próprias escolhas, porque nem todos conseguem trilhar o mesmo caminho para a união com Deus.

 

 Do livro Calma, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

 



Cantigas do coração

 

Ormando Candelária
(autor espiritual)


Por mais aflito e cansado,

Não lamentes, coração!...

Todo pranto de amargura

É fonte de redenção.

 

Quem ama com sacrifício

Alcança a luz de apogeus...

Amor que sustenta a via -

Alento do próprio Deus.

 

Ante a morte, ante os adeuses,

Ante os espinhos à frente,

Coração, chora de leve!...

Quem partiu está presente.

 

Sofre muito quem bem ama...

E não existe outro jeito.

Sem amor, o coração

Seria pedra no peito.

 

Suporta as mágoas do mundo,

Não te lastimes em vão!...

O céu refulge mais lindo

Nas horas da escuridão.

 

 

Do livro Trovas do Outro Mundo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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terça-feira, 14 de julho de 2026

 



Sentimento de lar para o espírito

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Toda vez que nos sentimos enfraquecidos, impotentes, desfavorecidos, desanimados, desamparados, desprovidos, infelizes, sufocados, limitados, não é por sermos os escolhidos para sofrer, simplesmente nos sentimos assim porque nos afastamos da fonte única e verdadeira da vida: Deus. Não sofremos porque assim é, mas porque, à medida que nos distanciamos da fonte da verdadeira vida nos aproximamos de tudo o que é o seu contrário, infelicidade, vazio, desespero, desesperança e de todas as mazelas tão conhecidas do ser humano. E saber que Deus é Onipotente e Onipresente, pois bem, então, percebemos como nos distanciamos assustadoramente.

No entanto a Bondade infinita e consoladora, amorosa e piedosa sempre nos cuida e ama, pois de todo amparo vivenciado, se observarmos, méritos ainda não temos para tanto, porém, assim mesmo, recebemos a direção ao longo da vida. Tantas vezes reincidimos em débitos idênticos, entretanto novas ocasiões de melhoria ressurgem sempre. E desanimamos com facilidade espantosa; e Deus nos envia socorros de formas abençoadas.

E no tempo em que recordamos conscientemente que somos espíritos, ainda assim no campo material, e passamos a nos comportar como eternos seres e com a grandeza a nós concedida pelo Pai, tudo o que tanto nos apavora, enfraquece, esgota e limita se dissipará e a luz iluminará o que tanto já foi escuridão nos nossos dias. As dificuldades (assim vistas por nós) não deixarão de existir, já que são os degraus de nosso progresso, mas a maneira como as passaremos será muito mais compreensiva e, naturalmente, sem o apavorado sofrimento com que as vivenciamos agora.

E quando ouvimos ou lembramos as palavras do Mestre Jesus, O meu Reino não é deste mundo, e se continuamos a viver com a penúria criada na materialidade, de fato, não teremos um segundo de paz, visto que mais caos ainda predomina no Planeta e somos bastante influenciáveis por energias inferiores. No entanto se avivamos em nós a veracidade de que Deus é de natureza espiritual e divina, completo na verdade e no amor, então, começaremos a sentir um breve e pequenino sentimento feliz, início da felicidade maior preparada para nós.

A completude será acessada quando, ao longo de nossa vivência, houver a certeza, a assimilação e o comportamento de que somos espíritos e estamos, por tempo bastante definido, encarnados, e que a lei divina é a que realmente sempre regeu e regerá a vida como o seu todo. Então, as sombras do mundo terreno não mais assolarão a nossa vida, pois a nossa fé será restaurada e contínua, e o nosso coração sentirá o bem-estar de que tanto o Mestre nos lembra. Esta existência, bênção divina, deve ser mais um presente para o progresso em nossa evolução, e não um martírio de dor e infelicidade.

E quando nos sentirmos ainda pequeninos, elevemos o nosso coração ao Alto, e tudo mais nos será acrescentado.

 

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


 

 



 

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

 



O homem que não se irritava

 

Irmão X
(autor espiritual)

 

Existiu um rei, amigo da sabedoria, que, depois de grande trabalho para subjugar a natureza inferior, convidou um filósofo para socorrê-lo no aperfeiçoamento da palavra.

Conseguira indiscutível progresso na arte de sublimar-se. Fizera-se portador de primorosa cultura e, tanto no ministério público, quanto na vida privada, caracterizava-se por largos gestos de bondade e inteligência.

Fazia quanto lhe era possível para exercer a justiça, segundo os padrões da reta consciência, e demonstrava inexcedível carinho na defesa e proteção do povo, através de reiteradas distribuições de lã e trigo, a fim de que as pessoas menos favorecidas pela fortuna não sofressem frio ou fome.

Não sabia acumular tesouros exclusivamente para si e, em razão disso, obedecendo às virtudes sociais de que se fizera o exemplo vivo, instituíra escolas e abrigos e incentivara a indústria e a lavoura, desejando que todos os súditos, ainda os mais humildes, encontrassem acesso à educação e à prosperidade.

No círculo das manifestações pessoais, contudo, o valoroso monarca se sentia atrasado e hesitante.

Não sabia disfarçar a cólera, não continha a franqueza rude e nem sopitava o mau humor.

Admirado e querido pelas qualidades sublimes que pudera fixar na personalidade, sofria, no entanto, a mágoa e a desconfiança de muitos que passaram a temer-lhe a frase contundente.

Interessado, porém, na própria melhoria, solicitou ao filósofo que lhe acompanhasse a lide cotidiana.

Quando se descontrolava, caindo nas amargas consequências do verbo impensado, o orientador observava, com humildade:

— Poderoso senhor, tenha paciência e continue trabalhando no aprimoramento das próprias manifestações. A expressão serena e sábia revela grandeza interior que reclama tempo para ser devidamente consolidada. Quem alcança a ciência de falar, pode conviver com os anjos, porque a palavra é, sem dúvida, a continuação de nós mesmos.

O monarca não se conformava e, em desespero passivo, confiava-se a rigoroso silêncio, que prejudicava consideravelmente os negócios do reino.

De semelhante posição vinha roubá-lo o filósofo, advertindo, respeitoso:

— Amado soberano, a extrema quietude pode traduzir traição aos nossos deveres. A pretexto de nos reformarmos espiritualmente, não será lícito desprezar os nossos compromissos com o progresso comum. Fale sempre e não desdenhe agir! O verbo é a projeção do pensamento criador.

O rei voltava a conversar, beneficiando o extenso domínio que lhe cabia dirigir, mas lá chegava outro momento em que se perdia na indignação excessiva, humilhando e ferindo ministros e vassalos que desejaria ajudar sinceramente.

Lamentando-se, aflito, vinha o filósofo conselheiral, afirmando, prestimoso:

— Grande soberano, tenha paciência consigo mesmo. O reajustamento da alma não é obra para um dia. Prossiga, esforçando-se. Toda realização pede o concurso abençoado das horas… O rio deixaria de existir sem a congregação das gotas… Guarde calma, muita calma e não desanime…

O monarca, no entanto, desacoroçoado, depois de regular experimentação com o filósofo, exonerou-o das funções que ocupava e expediu dois emissários às suas províncias extensas para que lhe trouxessem a palácio algum homem incapaz de se irritar. Pretendia entrar em contato com o espírito mais equilibrado de suas terras, a fim de melhor orientar-se no autoburilamento.

Os mensageiros iniciaram as investigações, mas impacientavam-se desiludidos. O homem que observavam ponderado na via pública era colérico no lar. Quem se revelava gentil em casa, costumava irar-se na rua. Alguns se mostravam distintos e agradáveis junto da família consanguínea, todavia, eram azedos no trato social. Diversos exibiam formosa máscara de serenidade com os estranhos, no entanto, dirigiam-se aos domésticos com deplorável aspereza.

Depois de trinta dias de porfiada pesquisa, descobriram, jubilosos, o homem que nunca se exasperava.

Seguiram-no, cuidadosamente, em toda parte.

Nunca falava alto e mantinha silêncio comovedor, no domicílio que lhe era próprio e fora dele.

Durante quatro semanas foi examinado sob atenção vigilante, não perdendo um til na conduta irrepreensível.

Trabalhava, movimentava-se, alimentava-se e atendia aos menores deveres, imperturbavelmente.

Apressaram-se os mensageiros em levar a boa-nova ao monarca, e o rei, satisfeito, convocou assessores e áulicos de sua casa para receber a personagem admirável, com a dignidade que lhe era devida.

O vassalo venturoso foi trazido à real presença, entretanto, quando o soberano lhe dirigiu a palavra, esperando encontrar um anjo num corpo de carne, verificou, sob indefinível assombro, que o homem incapaz de irritar-se era mudo.

Sob o respeito manifesto de todos, o rei sorriu, desapontado, e mandou buscar novamente o filósofo, resignando-se a ter paciência consigo mesmo, a fim de aprender a conquistar-se pouco a pouco.

 

Do livro Contos e apólogos, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 


 

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