terça-feira, 17 de maio de 2022

 



Não o mesmo espírito para sempre

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

De Londrina-PR

 

Somos espíritos e podem passar existências a fio, mas nunca o mesmo espírito para sempre. Necessitamos avançar, crescer, melhorar, depurar, pensar no amor bem mais do que em qualquer outra coisa. Se paramos por certo tempo, envolvidos em nossos conflitos, e isso passa a se repetir ou, então, se cultivamos mais o estado de letargia em vez do desenvolvimento, infelizmente, mais apático, triste e sem brilho o nosso espírito estará.

É bem natural ainda não apresentarmos dinamismo frequente ‒ ainda somos novatos no campo do progresso disciplinado ‒, pois, com facilidade, desanimamos e até retomarmos demora um pouco. O problema é que essas nossas paradas são com frequência, mas, por outro lado, somos eternos e o que importa é tornarmo-nos luz. E a vida é ininterrupta. E continuamos.

E deveríamos seguir com o propósito de conquistarmos a cada dia, pelo menos, um pouquinho mais de intensidade para nossa luz, pois somente nós é que podemos assim nos iluminar. Os gestos benditos do outro iluminarão o seu caminho e os nossos gestos bondosos iluminarão o nosso. A vida é tão sábia que o seu impulso natural é sempre pelo progresso, porém, como somos filhos mais difíceis do que harmoniosos, insistimos pela estrada com pedras e mais opaca em lugar do caminho mais uniforme e colorido que está constantemente a nos aguardar.

Mas seguimos.

E há tanto a se viver, a conhecer, a sentir, há tanta luz a ser vista e quanto mais lapidados estivermos, mais entendedores e apreciadores da vida poderemos ser. Não nos deveria bastar a vivência dos dias, mas deveria ser comum desejarmos seguir com amor todos os dias. Sim, já muito ouvimos sobre isso, no entanto por ser a verdade.

Quando lá estivermos durante a nossa verificação quanto ao aproveitamento dos exames realizados na escola da Terra, tão mais precioso será o comentário do orientador em reconhecimento ao tempo frutífero de aprendizado em vez da observação de, novamente, termos desperdiçado mais do que usufruído outra existência.

Certo dia, li num livro ditado de lá que a vida não é coisa pouca não, mas, sim, a maior grandeza abaixo de Deus.

Se assim o é e se somos espíritos, então, que não sejamos o mesmo espírito, mas, a cada vez, um espírito reformado e melhorado.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 16 de maio de 2022

  



Trilhas da Libertação

 

Manoel Philomeno de Miranda

 

Parte 12

 

Prosseguimos neste espaço o estudo metódico e sequencial do livro Trilhas da Libertação, obra de autoria de Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 1995. Este estudo será publicado neste blog sempre às segundas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

89. Havia muita perturbação espiritual no recinto em que a menina Rosaly seria atendida e, além disso, suas dores eram intensas. Como o ambiente no local de repente se modificou?

Tudo se modificou graças à força da prece. Tomado de compaixão, dr. Carneiro transmitiu breve instrução ao dr. Hermann e se acercou da mãezinha da enferma, a quem inspirou fizesse uma oração. A senhora, comovida, levantou-se e pediu: “Oremos a Deus em favor da minha filhinha”. A prece sensibilizou a todos os presentes, que se recolheram também em oração. Lentamente o ambiente passou a ser visitado por vibrações de harmonia, que começaram a esbater as sombras dominantes. O amigo Ernesto, mentor do médium, utilizando-se da mudança mental dos presentes, exortou a Deus suas bênçãos e suplicou permissão para minorar as dores da menina, suavizar o seu sofrimento e confortar os pais. Ao silenciar, emocionado, pairavam outras vibrações no recinto. (Trilhas da Libertação. Últimas Advertências, pp. 242 a 244.)

90. É correto afirmar que o triunfo do mal somente é possível quando com ele as pessoas sintonizam?

Sim. Foi isso que o dr. Hermann (Espírito) disse à esposa do médium Davi. Ele lhe lembrou que é possível, sim, modificar os programas maléficos em desdobramento, através de radical transformação interior e alteração de conduta. “Colhem-se os frutos, doces ou amargos, das árvores que se plantam. O triunfo do mal somente é possível quando com ele as pessoas sintonizam, negando-se ao bem que podem e devem realizar”, acrescentou o médico. “Os servidores do Bem – concluiu o amigo espiritual – não necessitam empanturrar-se das coisas transitórias que deixarão com a morte, mas, sim, devem amealhar as moedas morais da coragem, da abnegação, da confiança em Deus, do amor, com que jamais lhes faltará na Terra e fora dela o necessário para serem felizes. O mais são engodo, fuga alucinada, abandono da realidade, sob os vapores da fantasia que os deixam nas horas decisivas, quando perceberão as mãos vazias...” (Obra citada. Últimas Advertências, pp. 245 e 246.)

91. É correto dizer que a morte não modifica a ninguém, apenas nos transfere a outra dimensão?

Sim. Os fatos demonstram que o fenômeno da morte, ao libertar o Espírito das amarras carnais, apenas o transfere de uma para outra dimensão, preservando-lhe os valores, positivos ou negativos, com os quais se houve no mundo. (Obra citada. Noite de Angústias, pp. 249 a 251.)

92. Que ocorre então ao Espírito cuja conduta na derradeira existência não primou pela correção e pela honestidade?

Deparando-se com a própria realidade, ele permanece errático, associando-se a outros com os quais se afina, formando assim, qual ocorre entre os homens, hordas e legiões perniciosas. Quando algum deles se dá conta da própria situação, caindo em si e decidindo pela mudança de comportamento, Benfeitores diligentes que o assistem, sem que o saiba, acorrem a auxiliá-lo, recambiando-o para outro campo vibratório no qual se reeduca, reconsidera atitudes e reprograma o futuro. Permanecendo na rebeldia, na insensatez, na ociosidade, além de perturbar-se em longo curso, torna-se vítima de sicários mais impenitentes que o exploram e o utilizam para fins hediondos, até o momento em que luz a divina misericórdia e a expiação o reconduz ao processo reencarnatório, que o irá depurar. (Obra citada. Noite de Angústias, pp. 249 a 251.)

93. Embora o livre-arbítrio seja apanágio do Espírito, há momentos em que, para evitar um mal maior, pode ser ele cerceado?

Sim. Pelo menos é o que se deu no caso de Estefânio, o hábil mistificador, que enganou o médium Davi. Ao se ver descoberto, ele começou a exigir: “Libertem-me. Sou peixe miúdo na sua rede. Não tenho valor. Apenas cumpro meu dever, obedecendo ordens superiores, poupando-me problemas”. Muito calmo, Fernando lhe respondeu: “Bem o sabemos. Conhecemos pessoalmente a organização a que você pertence e temos interesse em contatar com os seus chefes, especialmente com o Soberano”. E, em seguida, acrescentou: “Mesmo que o nosso Davi resvale na alucinação que vitaliza, e para a qual o amigo contribuiu, não mais lhe terá acesso à hospedagem mental nem acompanhará o desenrolar dos acontecimentos em pauta. Momento chega, no qual cessa o livre-arbítrio individual e se expressa a Lei. Toda liberdade tem limite e este é a fronteira do direito, da alheia liberdade, sem o que se abrem os fossos da libertinagem, do desvario. Você e os nossos irmãos, seus servidores, ficarão aqui detidos, para posterior remoção, no momento hábil”. (Obra citada. Noite de Angústias, pp. 251 a 253.)

94. Por que o médium Davi envolveu-se numa briga que, no final, acabou levando-o à morte?

Ele participava de um leilão em um elegante clube e, em dado momento, se interessou por uma peça antiga que decidiu adquirir. Um oponente dispôs-se a competir com ele. O preço tornou-se muito alto, mas Davi acabou arrematando o objeto, com júbilo e estardalhaço. Revoltado, o opositor explodiu com referências acusatórias: “O seu dinheiro é ganho pelo dr. Hermann, e, portanto, em grande quantidade, como charlatão e explorador da credulidade e da ignorância generalizada. Eu, não. Ganho e vivo do meu trabalho”. Gargalhadas ressoaram no recinto. Sacudido pela acusação intempestiva, Davi avançou, irado, e atirou-se contra o adversário, engalfinhando-se os dois em luta vulgar, até que alguns presentes e empregados da Casa os separaram, diante do constrangimento de todos. (Obra citada. Noite de Angústias, pp. 257 e 258.)

95. Se a briga havia terminado, que fato levou Davi à morte?

Ambos continuavam no clube, onde a festa teria continuidade, mas Davi encontrava-se possesso pelo ódio, semi-incorporado por seu adversário desencarnado que, técnico em obsessão, seguia dominando os painéis mentais do sensitivo, que não tinha o menor controle sobre os próprios atos. Subitamente, acionado por um comparsa do obsessor, o oponente de Davi levantou-se e, aproximando-se da mesa em que ele se encontrava, golpeou-lhe a face. Davi ergueu-se e sacou da arma. O impacto da cólera, no entanto, foi de tal natureza, e o choque tão terrível, que, antes de acionar o gatilho, Davi levou a mão ao peito, deu um grito e tombou fulminado por violento e brutal enfarte do miocárdio, sobrevindo-lhe, momentos depois, a morte corpórea. (Obra citada. Noite de Angústias, pp. 258 e 259.)

96. Quem era o inimigo desencarnado de Davi que tivera participação direta na briga e, portanto, na sua morte?

Seu nome quando nasceu na Sibéria, no longínquo século XIV, fora Tuqtamich. Descendente de Gengis Khan, foi senhor absoluto da região de Qiptchaq, quando recebeu apoio de Timur Lang e devastou a Rússia. Posteriormente, seu aliado inimizou-se com ele e o venceu, arrasando o seu reino e espoliando-o terrivelmente. Havendo desencarnado em desgraça, por volta de 1406, sua impiedade competia com a dos adversários, cada qual mais cruento e sanguinário. Quando da eleição do Soberano das Trevas, fez parte do séquito que o apresentou, passando depois à condição de ministro do seu reino de vandalismo espiritual. (Obra citada. Novos Rumos, pp. 260 a 262.)

 

 

Observação:

Para acessar a parte 11 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/05/blog-post_09.html

 

  

 

 

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domingo, 15 de maio de 2022

 



Há remédio para insensatez?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

De Londrina-PR

 

Quem tem o hábito de navegar pela internet certamente se lembra de um texto que, anos atrás, circulou pela Web com o título “Amostras da insensatez”, que mostrou a todos nós, com exemplos diversos, como a invigilância e a ausência de bom senso têm dado azo a bobagens divulgadas no Brasil em nome do Espiritismo.

Previsões e revelações bombásticas, dietas para emagrecer, casamento em centro espírita, reencarnação no mundo espiritual, vacina espiritual contra a gripe suína, registro de uma nova pomada – Pomada Esperança – recomendada por seu autor para o tratamento de matéria fluídica infecciosa acumulada por elementos vivos de magia, e por aí vai.

Existe remédio para isso?

Remédio, para ser sincero, não sabemos se existe, mas há medidas preventivas que poderiam pelo menos evitar que esse mal se alastre.

A principal delas é não permitir que o Espiritismo perca seu caráter de ciência. Cabe-nos, a propósito, lembrar aqui o que Herculano Pires escreveu acerca do chamado método kardequiano, que nos permitiu surgisse no mundo a codificação da doutrina espírita, que o avanço dos anos cada vez mais confirma e reafirma, sem nela produzir o mais leve arranhão.

Herculano sintetizou em 4 pontos o método adotado por Kardec:

1º - Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, do ponto de vista moral, da pureza das faculdades e da assistência espiritual.

Allan Kardec submetia as respostas anteriormente obtidas ao crivo de outros Espíritos, por meio de médiuns diferentes. É devido a isso que ele trabalhou com inúmeros médiuns – Caroline e Julie Baudin, Japhet, Aline, Ermance Dufaux, sra. Schmidt, sr. Crozet, dentre muitos outros –, não se fiando apenas nesse ou naquele medianeiro para firmar suas conclusões.

2º - Análise rigorosa das comunicações e seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não pudesse ser logicamente justificado.

Kardec escreveu em “O Livro dos Médiuns” (cap. 24, item 266) que "não existe uma comunicação má que possa resistir a uma crítica rigorosa". E, na mesma obra, consignou a conhecida orientação de Erasto: “Mais vale repelir dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa” (LM, cap. 20, item 230).

3º - Controle dos Espíritos comunicantes, em face da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem.

4º - Consenso universal, isto é, concordância entre as várias comunicações recebidas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em diversos lugares, sobre o mesmo assunto.

A "Revista Espírita", que Kardec redigiu e publicou de janeiro de 1858 a março de 1869, foi fundamental para isso. “O Livro dos Espíritos” surgiu inicialmente, em 18/4/1857, com 501 questões. Na segunda edição, ocorrida em março de 1860, já eram 1.019 questões. É que, graças à “Revista”, Kardec constituiu-se num centro que recebia mensagens e comunicações de todos os cantos, inclusive do Brasil.

Com efeito, ele escreveria em 1864, no item II da Introdução d’ “O Evangelho segundo o Espiritismo":

 

"A única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares."

 

*

 

Trazemos à lembrança as informações acima para dizer aos nossos colegas espíritas e também aos nossos leitores quão importante seria para o movimento espírita a observância do método kardequiano em nossas atividades, porque somente isso poderá evitar que novos exemplos de insensatez surjam em nosso meio.

O princípio da verificação da universalidade do ensino, por exemplo, deveria nortear os passos de todos nós que usamos a tribuna ou escrevemos para revistas e jornais. Se isso fosse seguido, toda teoria nova e assim os modismos ficariam esperando o momento certo para serem tratados ou descartados.

E seria ótimo se o mesmo cuidado tivéssemos com os livros de determinados médiuns que disseminam em nosso meio informações estranhas e duvidosas, que seguramente seriam evitadas caso o método kardequiano fosse levado realmente a sério pelos espiritistas daqui e de fora.

 

 

 

 

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sábado, 14 de maio de 2022

 



Histórias de vidas!

 

JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Quora: "Você já foi tratado diferente por causa do carro que dirigia?"

Sérgio: "[...] Aos 20 anos comprei meu primeiro carro, um Chevrolet Chevette velho e usado do modelo brasileiro [...]. [Vim] de uma família humilde que ajudei a sustentar, portanto não havia dinheiro para um carro melhor [...].

Bem, de volta aos meus 20 anos... Depois do trabalho, fomos a um bar para um happy hour [...]: uma mesa de garotos bem-vestidos. Ao lado havia outra mesa com uma festa, um grande grupo e entre eles uma das garotas mais bonitas que eu já tinha visto. Trocamos olhares e depois de um tempo ficou claro o nosso interesse mútuo, então pedi ao garçom que [lhe] entregasse um guardanapo onde escrevi “encontre-me lá fora”. Funcionou!

[...] Durante nossa breve conversa, descobri que ela estava fazendo um treinamento para ser comissária de bordo [...]. Bem, então finalmente vem a parte engraçada (ou infeliz) da história. Fui até a casa dela: era na verdade o que eu suspeito, um casarão, uma grande mansão que se destacava das outras também ricas casas vizinhas...[...]

A garota abriu a porta com um sorriso no início e, em seguida, seus olhos... [...] Tive a impressão de que a postura de seu corpo indicava que ela queria dar meia volta até a porta... [...]. Mas depois de uma fração de segundo, ela conseguiu respirar e seu rosto pálido quase voltou ao normal. Esta foi uma imagem que nunca esquecerei na minha vida.

Para resumir, sua frustração era óbvia. Tentei o meu melhor para mostrar quão charmoso e inteligente eu era, mas a conversa ficou meio truncada. Mesmo o bom restaurante não a impressionou muito e já bem cedo ela estava pronta para partir, e eu a levei de volta. Ela nunca retornou uma ligação posterior, como eu já esperava [...].

Bom para mim. Mais tarde me casei com minha atual esposa, também linda, que realmente me ama pelo que sou [...]. Espero que ela tenha encontrado seu príncipe rico, mas ela nunca imaginou que depois eu me tornaria um executivo internacional, "Level C" de grandes empresas, poliglota que viajou o mundo, que agora gosta de contar suas histórias no Quora." (Sérgio Diniz)

 

*

 

Vamos agora às diferenças entre este modesto escrevinhador e linda garota que conheci em viagem ao Rio de Janeiro, em ônibus executivo, quando servia em Salvador e me dirigia, nas férias, à cidade natal. Ela morava em Copacabana, em apartamento de luxo; eu, na Penha, em casinha pobre do Rio de Janeiro.

A jovem era formada, poliglota e exímia pianista, aos 21 anos de idade; e eu com 23, nem ao menos o atual ensino médio havia concluído.

Por outro lado, eu nem bicicleta tinha naquela época quando, a seu convite, visitei-a no apartamento onde ela morava. "Por que você não desce com o rapaz, para lhe mostrar a praia?" – propôs-lhe seu pai, após me "entrevistar", na ampla sala de seu apartamento...

Ela, então, como filha muito educada, desceu comigo do andar onde morava e fomos dar uma brevíssima volta na praia. Ao passarmos por um rapaz acompanhado, que estava sentado tomando uma cerveja, este fez-lhe a seguinte observação: "Que rapaz bonito, seu namorado?" Ela respondeu-lhe: "Não, apenas conhecido". Ele ainda se atreveu: "Por que não namora ele? Parece ser boa pessoa". Ela respondeu-lhe secamente: "Não, obrigada". E afastou-se rapidamente, comigo a seu lado. Ao chegarmos próximos do bloco de sua residência, despediu-se de mim para sempre... 

Anos depois, casei-me com linda mulher, formei-me, tivemos três belos filhos, que nos deram, até agora, cinco belos netos: quatro meninos e uma menina.

Creio que haja bons motivos para nossas diferenças. Órfão de pai quando eu estava com onze anos, tudo o que consegui na vida foi à custa de muito estudo e trabalho próprio, pois descendo de família paupérrima, que jamais pôde custear meus estudos. A jovem de Copacabana, pelo que percebi, tinha pai amoroso, que a educara nos melhores colégios. Trajava roupas de grife, alimentava-se bem, ia a restaurantes de luxo e, se preciso, não lhe faltaria atendimento médico especializado.

Não sei se está casada e torço para que seja feliz por tudo o que conquistou com o amparo dos bens familiares, mas citando frase da letra de música Carango, do cantor Wilson Simonal, "pra ter fon fon, trabalhei, trabalhei". Minha riqueza é minha família na convivência de 43 anos com a mulher que sempre amei e que, junto comigo, construiu o espaço modesto, mas confortável, em que moramos.

Acesse Carango em: https://www.letras.mus.br/wilson-simonal/679871/

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 

 


 

 

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

 



A Vida no Outro Mundo

 

Cairbar Schutel

 

Parte 16

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial do livro A Vida no Outro Mundo, de autoria de Cairbar Schutel, publicado originalmente em 1932 pela Casa Editora O Clarim, de Matão (SP). 

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Este estudo será publicado neste blog sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Como explicar as convulsões da agonia que se observam, às vezes, no momento da morte? 

B. Há Espíritos que, mesmo após a desencarnação, pensam que não morreram e acreditam que continuam a viver em um corpo material?

C. De forma didática, como definir o estado do Espírito por ocasião da morte?

 

Texto para leitura

 

198. Nos casos de morte natural, o Espírito pode já ter recuperado a sua lucidez, de molde a tornar-se testemunha consciente da extinção do corpo, considerando-se feliz por tê-lo deixado. Para ele, a perturbação é quase nula, ou antes, não passa de ligeiro sono calmo, do qual desperta com indizível impressão de esperança e ventura. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XIV - O Passamento.)

199. No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do espírito, para o qual a vida espiritual nada significa, nem sequer lhe toca o pensamento, tudo contribui para estreitar os laços materiais. Quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também, demanda contínuos esforços. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

200. As convulsões da agonia são indícios da luta do Espírito que, às vezes, procura romper os elos resistentes, e, em outras, se agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

201. Quanto menos vê o Espírito além da vida corporal, tanto mais se lhe apega, e, assim, sente que ela lhe foge e quer retê-la; em vez de se abandonar ao movimento que o empolga, resiste com todas as forças e pode mesmo prolongar a luta por dias, semanas e meses inteiros. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

202. Claro que, nesse momento, o Espírito não possui toda a lucidez, visto como a perturbação de muito se antecipou à morte; mas nem por isso sofre menos, e o vácuo em que se acha, e a incerteza do que lhe sucederá, agravam-lhe as angústias. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

203. Chega, então, a morte, e nem por isso está tudo terminado; a perturbação continua, ele sente que vive, mas não define se material ou espiritualmente, e luta, e luta ainda, até que as últimas ligações do perispírito se tenham de todo rompido. A morte pôs termo à moléstia efetiva, mas não lhe sustou as consequências e, enquanto existirem pontos de contato do perispírito com o corpo, o Espírito se ressentirá e sofrerá com suas impressões. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

204. Bem diversa é a situação do Espírito desmaterializado, mesmo nas enfermidades mais cruéis! Sendo frágeis os laços fluídicos que o prendem ao corpo, eles desfazem-se suavemente; depois, a confiança no futuro entrevisto em pensamento ou na realidade, como sucede algumas vezes, fá-lo encarar a morte qual redenção, advindo-lhe daí uma calma resignada, que lhe ameniza o sofrimento. Após a morte, rotos os laços, nem uma só reação dolorosa existe que o afete; o despertar é lépido, desembaraçado; por sensações únicas, o alívio, a alegria! (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

205. Na morte violenta, as sensações não são precisamente as mesmas. Nenhuma desagregação inicial se deu com vistas à separação do perispírito, ao passo que a vida orgânica em plena exuberância de força é, subitamente, aniquilada. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

206. Nessas condições, o desprendimento só começa depois da morte e não se completa rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido, e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda seu estado. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

207. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes, porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito que julga material seu corpo fluídico, experimentando, ao mesmo tempo, todas as sensações da vida orgânica! Além disso, dentro desse caso, há uma série infinita de modalidades, que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

208. Para aqueles que se purificam em alto grau, a situação pouco dura, porque já possuem, em si, como que um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais súbita não faz senão apressar. Outros há para os quais a situação se prolonga por anos inteiros. É situação, aliás, muito frequente, até nos casos de morte comum, que, nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, torna-se horrível para os atrasados. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

209. No suicida, principalmente, excede toda a expectativa. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir no Espírito todas as sensações daquele, com sofrimentos cruciantes. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

210. O estado do Espírito, por ocasião da morte, pode então ser assim resumido: - Tanto maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito; a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

211. Para que cada qual trabalhe na sua purificação, reprima as más tendências e domine as paixões, abdicando das vantagens imediatas em prol do futuro, não basta crer, mas compreender. Devemos considerar esta vida sob um ponto de vista que satisfaça, ao mesmo tempo, a razão, a lógica, o bom senso e o conceito em que temos a grandeza, a bondade, e a justiça de Deus. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

212. Considerado deste ponto de vista, o Espiritismo, pela fé inabalável que insinua, é, de quantas doutrinas filosóficas que conhecemos, a que exerce mais poderosa influência. O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e compreende porque raciocina; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos; uma realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo, de modo que a dúvida não pode empolgá-lo, ou ter guarida em sua alma. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

213. A vida corporal, tão limitada, amesquinha-se diante da vida espiritual, da verdadeira vida. Que lhe importam os incidentes da jornada se ele compreende a causa e utilidade das vicissitudes humanas, quando suportadas com resignação? A alma eleva-se nas relações com o mundo invisível; os laços fluídicos, que o ligam à matéria, enfraquecem-se, operando-se, por antecipação, um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação consequente à transição pouco perdura, porque, uma vez franqueada o passado, logo se reconhece no seu novo estado, nada estranhando, antes compreendendo a situação em que se encontra. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

214. Com certeza, não é só o Espiritismo que nos assegura tão auspicioso resultado, nem ele tem a pretensão de ser o meio exclusivo, a garantia única de salvação para as almas. Força é confessar, porém, que pelos conhecimentos que fornece, pelos sentimentos que inspira, como pelas disposições em que coloca o Espírito, fazendo-lhe compreender a necessidade de melhorar-se, facilita enormemente a salvação. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

215. E ele dá algo mais, e a cada um: os meios de facilitar o desprendimento de outros Espíritos ao deixarem o invólucro material, abreviando-lhes a perturbação pela evocação e pela prece. Pela prece sincera, que é magnetização espiritual, provoca-se a desagregação mais rápida do fluido perispiritual; pela evocação criteriosa, sábia, prudente, com palavras de benevolência e conforto, combate-se o entorpecimento do Espírito, ajudando-o a reconhecer-se mais cedo, e, se é sofredor, insinua-se-lhe o arrependimento, único meio de abreviar seus sofrimentos. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Como explicar as convulsões da agonia que se observam, às vezes, no momento da morte?  

Essas convulsões são indícios da luta do Espírito que, às vezes, procura romper os elos resistentes, e, em outras, se agarra ao corpo do qual uma força irresistível o arrebata com violência, molécula por molécula. Quanto menos vê o Espírito além da vida corporal, tanto mais se lhe apega, e, assim, sente que ela lhe foge e quer retê-la; em vez de se abandonar ao movimento que o empolga, resiste com todas as forças e pode mesmo prolongar a luta por dias, semanas e meses inteiros. (A Vida no Outro Mundo – Cap. XIV - O Passamento.)

B. Há Espíritos que, mesmo após a desencarnação, pensam que não morreram e acreditam que continuam a viver em um corpo material?

Sim. Na morte violenta, por exemplo, o desprendimento da alma só começa depois da morte e não se completa rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido, e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda seu estado. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes, porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito que julga material seu corpo fluídico, experimentando, ao mesmo tempo, todas as sensações da vida orgânica! (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

C. De forma didática, como definir o estado do Espírito por ocasião da morte?

Esse estado pode ser assim resumido: - Tanto maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito; a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo. (Obra citada – Cap. XIV - O Passamento.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 15 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2022/05/a-vida-no-outro-mundo-cairbar-schutel.html

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 12 de maio de 2022

 



CINCO-MARIAS

 

Situações de medo na infância

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com


A educação desde o início da vida poderia realmente mudar o presente e o futuro da sociedade
. Maria Montessori

 

Na cidade onde eu cresci conheci a senhora Nicola. Uma moça ruiva e uma criança de minha idade vinham visitá-la às vezes. Minha mãe se referia a eles como a família da senhora Nicola.

A senhora Nicola não falava conosco normalmente. Mas quando a família dela aparecia, da janela da cozinha, ela gritava logo cedo meu nome, me oferecia café com leite e me chamava para brincar com o neto dela nos fundos da casa, onde havia um balanço preso num cinamomo, que dava para a rua.

Na verdade, eu não me lembro da aparência desse menino, mas lembro do medo que ele tinha de cachorro.  Desde o começo, quando ele escutou meu cachorro latindo ansioso na varanda da minha casa, comunicou-me a aversão que sentia por esses animais. Disse que os odiava, e a senhora Nicola perguntou: “Como assim? O que os cachorros fizeram a você?”

Lastimável.

As crianças usam a palavra “ódio” para se referir a temas variados. No caso desse menino, na época pressenti que ele estava bastante apavorado. Em vez de ser empática, a senhora Nicola ameaçou castigá-lo caso ele insistisse no ódio. 

Aquilo não fez sentido para mim. Se na época eu fosse habilidosa na arte da persuasão, explicaria à senhora Nicola que não ajudamos uma criança com medo fazendo-lhe ameaças… Porque isso só reforça o medo. Para mim não havia dúvida que de certa forma o medo que o neto da senhora Nicola nutria por cachorro naquela manhã de sol só se fizera mais invencível. E, muito aérea, eu o imaginei velhinho sem ter passado pela feliz experiência de brincar com um cão, amigo divertido e fiel. Coitadinho, pensei e suspirei.

No verão seguinte, a senhora Nicola se mudou para a capital e nunca mais a vi e nem a família dela.

 

Notinha

 

Os medos são frequentes na infância e variam de acordo com a idade, o temperamento e a história de cada criança. Nos primeiros anos, as crianças se inquietam ao separar-se de seus pais ou ao ter contato com pessoas ou objetos desconhecidos. Entre quatro e seis anos, as crianças geralmente podem se impressionar frente a animais diversos, personagens fantásticos, escuridão. As mudanças associadas aos medos se devem a aspectos cognitivos e psicológicos relacionados a cada etapa de desenvolvimento.

Os pais podem/devem ajudar a criança que sente medo assumindo certas atitudes criativas, como, por exemplo, atuar com empatia, explicando à criança que às vezes todos nós sentimos medo, sem depreciar o que ela sente, pois isso pouco a pouco lhe dará certeza de que essas situações são comuns e é possível superá-las. Os pais não devem nunca ridicularizar a criança, nem a ameaçar, nem forçar situações, isto é, não é decente obrigar uma criança se aproximar de coisas/situações que a perturbem. Infelizmente, essa atitude só agravará o temor e causará dano à sua autoestima. Dar tempo ao tempo; afinal os pais, para educar a criança, precisam sempre demonstrar amor, paciência e respeito.

 

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Esta seção, cuja estreia neste blog ocorreu no dia 6 de janeiro deste ano, traz sempre textos dedicados à infância, seus cuidados, sua educação. O título – Cinco-marias – é uma alusão a um conhecido brinquedo que integra um conjunto de brincadeiras e atividades lúdicas conceituadas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), está concluindo em São Paulo a formação em Psicanálise.

Ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

 

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