Deus não é um espectador passivo da obra que criou
ASTOLFO
O. DE OLIVEIRA FILHO
Qual a visão que nós, espíritas, temos de
Deus? Intervém o Criador diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?
A ideia que o Espiritismo nos apresenta sobre Deus — a
inteligência suprema do Universo e causa primária de todas as coisas — é a de
um Criador que jamais esteve inativo.
Por essa razão, o Espiritismo pode ser classificado como
uma doutrina teísta, e não deísta. Como se sabe, o deísmo admite a existência
de Deus, mas o concebe destituído de atributos morais e intelectuais e,
conforme a interpretação adotada, admite que Ele possa ou não ter influído na
criação do Universo.
A concepção
espírita, em perfeita sintonia com os ensinamentos de Jesus, é diversa: Deus
não apenas criou o Universo, mas dele participa continuamente, governando-o por
meio de suas leis e da ação dos Espíritos que executam seus desígnios.
Essa é também a
imagem de Deus que encontramos nos Evangelhos. Em diversas ocasiões, Jesus
afirmou sua inteira submissão à vontade do Pai e deixou claro que Deus
permanece em constante atividade. Entre muitas passagens, destacamos estas:
"Meu Pai
trabalha até ao presente e eu também trabalho." (João, 5:16)
"Eu não posso
de mim mesmo fazer coisa alguma. Não busco a minha vontade, mas a vontade
d'Aquele que me enviou." (João, 5:30)
"O céu e a
terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Pelo que respeita ao dia e
à hora, ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas
somente o Pai." (Marcos, 13:31)
Essas e muitas
outras passagens evangélicas mostram que Jesus jamais apresentou Deus como um
Criador distante ou alheio à obra que realizou. Ao contrário, revelou-o como um
Pai presente, atuante e soberano.
A mesma concepção
encontra amplo respaldo em O Livro dos Espíritos, obra fundamental da
Codificação Espírita. Nela aprendemos que Deus dirige permanentemente a
Criação, utilizando, para isso, a colaboração dos Espíritos que já alcançaram
elevado grau de evolução.
Entre as inúmeras
referências da obra, merecem destaque as seguintes:
"Há uma
coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e
caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início
de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?" (L.E., 21)
"... os
Espíritos são uma das potências da natureza e os instrumentos de que Deus se
serve para execução de seus desígnios providenciais." (L.E., 87)
"Eles (os
Espíritos puros) são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens
executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos
que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes
designam as suas missões." (L.E., 113)
"Pode-se orar
aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de suas
vontades. O poder deles, porém, está em relação com a superioridade que tenham
alcançado e dimana sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada
se faz. Eis por que as preces que se lhes dirigem só são eficazes, se bem
aceitas por Deus." (L.E., 666)
Esses e muitos
outros ensinamentos da Codificação mostram que Deus exerce sua ação sobre o
Universo por intermédio das leis que instituiu e da atuação dos Espíritos que
lhe servem de mensageiros e ministros.
Quanto à ação
providencial de Deus em nossa vida, recomendamos a quem nos lê a leitura do texto
A Providência Divina, publicado na edição 13 da revista O Consolador.
Para acessá-lo, clique em https://www.oconsolador.com.br/13/esde.html
Também examinamos
aspectos da participação divina na obra da Criação no editorial A Teoria do
Design Inteligente e o Espiritismo, publicado na edição 248 d’O
Consolador, que o leitor pode acessar clicando em https://www.oconsolador.com.br/ano5/248/editorial.html
Como ali foi dito,
tudo leva a crer que os chamados processos evolutivos contaram — e continuam
contando — com a intervenção de inteligências extracorpóreas. Essa ideia foi
afirmada expressamente por Emmanuel em A Caminho da Luz, obra
psicografada por Chico Xavier em 1938, muitos anos antes de a moderna corrente
do Design Inteligente ganhar notoriedade ao defender a existência de um
projetista inteligente como explicação para a extraordinária complexidade e
harmonia da Criação.
Resta, porém,
responder objetivamente à pergunta formulada no início deste artigo: intervém
Deus diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?
Segundo o
entendimento espírita, Deus não governa o Universo por meio de intervenções
arbitrárias ou pela suspensão das leis que Ele próprio estabeleceu. Sua ação se
exerce de forma permanente e perfeita por intermédio dessas leis, da
Providência Divina e da atuação dos Espíritos incumbidos de executar seus
desígnios. Nada ocorre fora de sua soberana vontade ou sem que sua infinita
sabedoria o permita.
Isso não significa
que Deus permaneça distante de suas criaturas. Ao contrário, sua presença
manifesta-se incessantemente no funcionamento harmonioso da Criação, na justiça
de suas leis, na misericórdia que oferece novas oportunidades de progresso e na
assistência espiritual que jamais falta àqueles que sinceramente procuram o
bem.
Compreende-se,
assim, que Deus não é um espectador passivo da obra que criou, nem um
governante que atue apenas por intervenções ocasionais. É o Pai de infinita
sabedoria e amor, presente em toda a Criação, dirigindo-a sem cessar por meio
de leis perfeitas e da ação dos Espíritos que lhe servem de ministros e
mensageiros.
Nota
do Autor:
Para
ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/a-terra-nao-e-um-resort-e-uma-escola.html
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