quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 



Fantasma

 

 

Augusto dos Anjos

(autor espiritual)


Há no universo um estranho dinamismo,

Na grandeza de todos os cenários,

Nos aspectos dos orbes multifários,

Cantando o hino triunfal do transformismo.

 

É o sagrado e divino esoterismo

Dos sublimes anseios unitários

Que vem do macrocosmo aos protozoários

E une o céu ao minúsculo organismo!

 

Tudo é beleza, da beleza ignota,

Seguindo a mesma estrada, a mesma rota

Da luz, fulgor de Deus no éter disperso!

 

E o homem, só, no seu dia miserando,

Solta o “ai” doloroso e formidando

De um fantasma gemendo no universo!

 

 

Do livro Lira Imortal, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

 



A confiança no processo da vida

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Enquanto não se aceita a realidade, e a rejeição continua, é certo que há um desgaste enorme e uma infelicidade presente, pois o tempo em que se pode viver com paz e progredir apreciando a vida é desperdiçado, lembrando que o tempo não retorna, assim, como inúmeras oportunidades. Libertar-se do controle é uma das mais extraordinárias conquistas; primeiro, porque não podemos controlar quase nada; segundo, se queremos controlar é porque não confiamos no processo universal. E enquanto não aceitamos algo perdemos tempo e energia que poderiam ser utilizados para o nosso avanço.

Antes de qualquer explanação, é imprescindível relembrar que a nossa maior responsabilidade é conosco, e não há controvérsia. Tanto acontecimentos quanto comportamentos alheios devem ser notáveis escolas para o nosso aprendizado sem a necessidade de passarmos por todas as situações, porém a observação com o maior número delas; há também o lembrete de que tudo está da melhor maneira que poderia ser para o nosso aprimoramento.

A maneira como vivemos independente da situação real determinará o grau de luz que escolhemos ver. Quando o otimismo e a aceitação tornam-se aliados, de fato que os dias se transformam em um tempo mais prazeroso e produtivo. E todos podem começar a sentir esse início de paz; e quem se queixa que isso não seja possível é por querer ainda muito controlar, avivando que a Bondade Divina atenua muito as nossas faltas.

E ainda a Sabedoria Divina é incontestavelmente sábia, por isso estamos no lugar correto, no tempo perfeito, vivendo o que devemos e com as mais apropriadas pessoas. Vale lembrar que o prolongamento em determinadas ocasiões mais difíceis também dependerá de nossa sabedoria, paciência, compreensão, resiliência e aceitação, ou seja, de nossa vontade verdadeira para o progresso. Por isso quanto mais vivemos mais devemos perceber que em nós é que está a centelha e toda a ação, e nunca fora.  Em meio às nossas lamentações, facilmente nos esquecemos de tudo o que já conquistamos na estrada dos infinitos séculos vividos. E, de fato, já foi bastante comparado ao que por muito tempo fomos.

Se tudo está em nós, basta o despertamento, e também temos em nós o reconhecimento para apreciar o que já conquistamos e observar com clareza que cada ser está em seu determinado momento e está construindo a sua própria história. Ver tudo com os melhores olhos sempre nos ajuda a completar os nossos próprios ciclos.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


 

 

 

 

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 



Algum serviço

 

Meimei
(autora espiritual)

 

Não afirmes que a vida na Terra se constitui unicamente de provas e sofrimentos.

A escola expõe o desafio das lições, mas é sempre lembrada por celeiro de alegrias inesquecíveis.

Observa e descobrirás a Bondade Eterna selando a vida em toda parte.

Existem montanhas ásperas, no entanto em seguida a cada uma habitualmente se estende a planície por imenso tapete de relva.

O espinheiral esconde farpas, mas oferece rosas.

O pântano é uma chaga no solo, porém a fonte é uma bênção.

A argila pode ser considerada na condição de barro obscuro, entretanto, quando devidamente trabalhada, faz-se o tesouro da porcelana.

Desafetos costumam surgir, contudo cada coração verdadeiramente amigo vale muito mais que a multidão dos adversários.

Cada lágrima que se verte ou que se vê está cercada por milhões de sorrisos.

Por vezes, repontam gritos de desespero, entre as criaturas, no entanto ninguém conseguirá contar as preces de paz e amor que se elevam, cada dia, da Terra para os Céus.

Em determinadas ocasiões, crises e conflitos explodem no caminho, porém as horas de tranquilidade e esperança, regozijo e beleza são inumeráveis no curso de cada existência.

Quando a tribulação te bata à porta responde com a paz que possas articular.

Deus criou todas as instalações e vantagens, suportes e benefícios que sustentam a vida e garantem o equilíbrio do mundo, mas há sempre, em nosso próprio favor, algum serviço que nos compete fazer.

 

Do livro Aulas da Vida, mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 






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domingo, 23 de agosto de 2026

 



Onde e quando se iniciaram as chamadas Semanas Espíritas?


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Esta pergunta foi-nos enviada por uma leitora do Rio de Janeiro (RJ), estado onde nasceram as Semanas Espíritas. Com efeito, foi em 1939, na cidade fluminense de Três Rios, que surgiram as Semanas Espíritas.

Segundo depoimento de Antenor de Souza, testemunha ocular desse acontecimento, a inspiração do evento veio por meio de alguns confrades, como o Assis Faria, o Cerqueira e outros, que resolveram fazer um ciclo de palestras, de domingo a domingo. A informação foi-nos dada pessoalmente por Antenor em resposta a uma pergunta que lhe fizemos.

Respondeu-nos o saudoso confrade, que hoje já não se encontra em nosso meio:

– A primeira Semana Espírita foi realizada em 1939 na cidade de Três Rios (RJ). Vários oradores ali compareceram para as suas pregações; depois Três Rios parou com esse movimento. 

Em 1944, Leopoldo Machado sugeriu que nos reuníssemos e fizéssemos uma espécie de Liga Hanseática, que é, salvo engano, algo parecido com as Nações Unidas de hoje, em que cada um defenderia os interesses dos outros. Leopoldo lançou essa proposta juntamente com a ideia de cada cidade assumir o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. 

Então, passaram a ser seis Semanas Espíritas: Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e Barra do Piraí (RJ), que não conseguiu realizá-la. Por causa disso, Barra do Piraí saiu do circuito e entrou Astolfo Dutra (MG). Havia naquela época companheiros que achavam que realizar mais do que duas Semanas Espíritas por ano era um exagero, um absurdo...

A resposta acima faz parte de uma entrevista publicada em fevereiro de 1993 no jornal O Imortal, reproduzida anos depois na edição nº 11 da revista O Consolador, que o leitor pode acessar clicando aqui:  http://www.oconsolador.com.br/11/entrevista.html

Para quem não sabe, esclarecemos que Antenor de Souza, que viveu na cidade de Cruzeiro (SP), foi uma lenda viva do movimento espírita brasileiro. Não havia então em todo o país um dirigente espírita de expressão que ele não conhecesse pessoalmente. Amigo de Leopoldo Machado, a quem se ligou pelos laços afetivos logo que se viram pela primeira vez, Antenor acompanhou o surgimento das Semanas Espíritas e foi exatamente por isso que o ouvimos na sede da Fundação Espírita Abel Gomes, por ocasião da Semana Espírita realizada em Astolfo Dutra (MG) em julho de 1992.

Segundo Antenor, bem diferentes do modelo atual, as Semanas Espíritas daquela época eram muito mais fraternas. Cada atividade era precedida do hino "Alegria Cristã". Por sugestão e obra de Leopoldo Machado, peças de teatro eram encenadas e, no que constituiu realmente uma ideia original, cada cidade assumiu o compromisso de realizar uma Semana Espírita por ano. Assim é que os confrades de Cruzeiro (SP), Nova Iguaçu (RJ), Macaé (RJ), Juiz de Fora (MG), Três Rios (RJ) e mais tarde Astolfo Dutra (MG) começaram a promovê-las, embora não tivessem o apoio da chamada Casa-Máter do Espiritismo, a Federação Espírita Brasileira, cujos dirigentes eram refratários à realização de estudos nos centros espíritas e a todo movimento cultural espírita que não tivesse seu aval. Para eles, as semanas espíritas não mereciam apoio. Qual seria o motivo?

Eis o que Antenor declarou:

– Porque o deles era um Espiritismo conservador, um Espiritismo que não tinha muita fraternidade e que não realizava um trabalho que devia ser realizado, porque, se é fato e digno de nota que não se deve aceitar, a priori, tudo aquilo que aparece com o rótulo de Espiritismo, também não se pode negar tudo.

Curiosamente, foi em julho de 1992 – época da entrevista mencionada – que se iniciaram as Semanas Espíritas de Londrina, evento que, apesar de tantas dificuldades e da falta de apoio de vários centros espíritas da cidade, acabou tornando-se – enquanto foi realizada - a principal iniciativa no campo da divulgação espírita da região a que pertence a cidade de Londrina.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/08/a-relevancia-da-fe-nas-questoes-de.html

 

 

 

 

 

 

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