segunda-feira, 16 de setembro de 2019



Da lista de erros frequentes no uso do idioma português, eis mais seis exemplos:
1. Diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
O correto: Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
Explicação: As formas verbais devem ter correlação com a pessoa a que se refere o texto: no caso, a 2ª pessoa do singular.
2. O banco concedeu à minha empresa um vultuoso empréstimo.
O correto: O banco concedeu à minha empresa um vultoso empréstimo.
Explicação: O adjetivo “vultoso” – de vulto, de grande importância, muito grande – é o que se aplica em frases desse tipo.
3. Viva as férias! Podemos agora fazer a viagem sonhada.
O correto: Vivam as férias! Podemos agora fazer a viagem sonhada.
Explicação: Vivam as férias, vivam os campeões – eis o certo, porque estamos lidando com o verbo “viver”. Não confundir a forma verbal “viva” com a interjeição “viva”, palavra invariável, presente em frases como estas: Viva! Vovó chegou... Viva! O perigo passou...
4. Um dia um homem disse que aonde estiver nosso tesouro aí estará o nosso coração.
O correto: Um dia um homem disse que onde estiver nosso tesouro aí estará o nosso coração.
Explicação: A palavra “aonde” é empregada quando se utilizam verbos de movimento, a exemplo de ir e chegar. Exemplos: Aonde foi o João?
5. O acidente foi feio, mas não houve vítimas fatais.
O correto: O acidente foi feio, mas não houve vítimas.
Explicação: É um equívoco dizer “vítimas fatais”. A vítima sofre a morte, mas não a produz. O que pode ser fatal é o acidente, é a pancada, o choque, a batida. Exemplo: Ontem ocorreram na BR 369 dois acidentes fatais.
6. Não pude assistir o filme que você me sugeriu.
O correto: Não pude assistir ao filme que você me sugeriu.
Explicação: O verbo assistir, com o sentido usado no texto, pede objeto indireto. Ele é transitivo direto quando significa prestar assistência a uma pessoa. Exemplo: O filho assistiu o pai durante toda a doença.






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domingo, 15 de setembro de 2019



Coisas que não se dizem às crianças

Toda vez que se discute o tema da educação da criança, logo nos vem à mente o papel dos pais, que são, sem nenhuma dúvida, os maiores interessados em que seus filhos se tornem pessoas dignas, de bom caráter e conduta ilibada. É preciso entender, contudo, que são também eles – os pais – os grandes responsáveis para que isso se dê. Afinal, a tarefa que lhes foi conferida não pode jamais ser negligenciada ou ignorada, visto que não se trata apenas de uma tarefa, mas de verdadeira missão.
Atentemos para o que nos é ensinado na questão 582 d´O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:

Pode-se considerar como missão a paternidade?
“É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

Dias atrás chegou-nos à mão um texto interessante, intitulado 10 coisas que não devemos dizer para as crianças. Enviado por alguém ligado à Biblioteca Virtual da Antroposofia, de Florianópolis-SC, a única informação a respeito de sua autoria diz apenas que se trata de textos judaicos. Se isso for verdade, não existe neles influência das ideias cristãs e, obviamente, das ideias espíritas, fato que não lhes retira a importância e a atualidade, motivo pelo qual desejamos compartilhá-los com o leitor:

1 – Não rotule seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjetivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso pode fazer com que ele se torne realmente isso.
2 – Não diga apenas sim. Os nãos e os porquês são essenciais para o desenvolvimento da criança.
3 – Não pergunte à criança se ela quer fazer uma atividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.
4 – Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma.
5 – Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que seja gotinha, diga que será rápido ou apenas uma picadinha, mas não a engane.
6 – Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as palavras de baixo calão que ouvir.
7 – Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.
8 – Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.
9 – Não diga que foi apenas um pesadelo e a mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho ruim, acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo-lhe companhia até dormir.
10 – Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.

Falando sobre a finalidade da infância, ensina o Espiritismo (O Livro dos Espíritos, questão 385) que é nessa fase da vida que se pode reformar o carácter e reprimir os maus pendores de uma criança. E é precisamente esse o dever que Deus conferiu aos pais, missão sagrada de que terão de prestar contas.
Os conselhos que acima reproduzimos não esgotam o assunto, mas podem perfeitamente ajudar-nos nessa missão, cuja eficácia dependerá diretamente do esforço e da dedicação com que a realizarmos.








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sábado, 14 de setembro de 2019





Sexo e responsabilidade

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Vivemos numa época em que tudo se faz, socialmente, em nome do Estado Democrático de Direito e da democracia no Brasil. Conforme cita o art. 1º da Carta Magna brasileira: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito [...]”.
E que é democracia? É o “governo do povo; governo em que o povo exerce a soberania (o controle do regime político é exercido pelo povo)”; “sistema político cujas ações atendem aos interesses populares. Definições do Houaiss e do Aurélio.
Conclui o artigo citado, de nossa Constituição Federal: “[...] e tem como fundamentos: [...] III – a dignidade da pessoa humana”.
Respeito à dignidade não significa que, em nome da liberdade de expressão, também constitucional, se atente contra os seres em formação psicofísica e social, como ocorre com nossas crianças e adolescentes, a quem se propôs, na Bienal do Livro, a aquisição de obra com imagem de dois jovens do mesmo sexo beijando-se na boca. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu art. 1º prevê a “proteção integral à criança e ao adolescente”. O art. 2º define criança como “pessoa até doze anos de idade incompletos e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”.
A Psicologia já comprovou cientificamente que até seus sete ou oito anos de idade, o psiquismo da criança ainda está se formando. Somente a partir daí podemos dizer que a alma infantil já está completamente de posse do corpo e de suas manifestações psicológicas. Como submeter essas pessoas a matérias que tragam fotos de beijos entre pessoas do mesmo sexo, ainda que estas mereçam todo o nosso respeito?
Os incisos anteriores e os seguintes da Lex Magna não serão citados, por não serem o caso desta análise. O parágrafo único, entretanto, confirma a definição de democracia dos dicionários: “Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituição”.
Eis o que diz o preâmbulo de nossa Lei Maior:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (destaque em negrito meu).

 Também reza o art. 227 da Constituição Federal vigente que

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
[...] § 4º A lei punirá severamente o abuso, a violação e a exploração sexual da criança e do adolescente.

 Conclusão: Nossa Constituição evoca a fé do povo, que está “sob a proteção de Deus”, para lembrar aos nossos políticos e aos representantes dos três poderes a necessidade de respeito à nação cristã brasileira. No caso da criança e do adolescente, além do art. 227 da Constituição Federal de 1988, existe a Lei 8.069, de 13 jul. 1990 (ECA), que assegura à criança e ao jovem “proteção integral”. Ou seja, física, orgânica, mental e espiritual.
Então, não cabe alegar-se “Estado democrático de direito” para interpretar as nossas leis, segundo a vontade de uma minoria da população. É preciso respeitar a tradição cristã do nosso povo e as normas estatuídas.
Há uma frase célebre que diz: “O meu direito vai até onde eu não ameace o direito de outrem”. Nesse caso, creio que a vontade do nosso povo, de quem emana o poder, não pode ser substituída por sofismas que alegam a democracia para justificar manifestações deturpadas do pensamento e comportamento. Em nome da liberdade de expressão não é lícito, a meu ver, utilizar-se do critério monocrático de Ministro do Supremo Tribunal Federal para garantir um “direito enviesado” que mais atenta contra a moral e os bons costumes do que garante o suposto direito das minorias.
Muito ainda se pode dizer sobre esse assunto, mas fico por aqui, ainda que com todo o respeito à diversidade de gêneros, cuja gênese extrapola o corpo físico de cada digno ser humano. Não posso, entretanto, deixar de relembrar as seguintes orientações do Espírito Emmanuel, citadas por um psiquiatra espírita em brilhante palestra sobre o assunto:

[...] em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes:
Não proibição, mas educação.
Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo.
Não indisciplina, mas controle.
Não impulso livre, mas responsabilidade.
Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência.
Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um.1

[1] XAVIER, Francisco Cândido. Vida e Sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 27. ed. – 3. imp. Brasília: FEB, 2016,  p. 8.









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sexta-feira, 13 de setembro de 2019






Nada como um dia depois do outro

O blog Espiritismo Século XXI, invadido de forma irresponsável por um site situado no estrangeiro, esteve fora de atividade durante 4 dias, no período de 10 a 13 de setembro.
A mensagem de cunho comercial inserida no blog à nossa revelia, na manhã de 10 de setembro, ocupou no período citado a tela inteira, impedindo a leitura de qualquer das matérias postadas no blog e também a postagem de novas matérias.
Hoje - dia 13 - pela manhã o blog foi restaurado.
Quem o refez foi o mesmo jovem que, aos 16 anos de idade, o planejou e colocou no ar: nosso neto Matheus Carvalho, filho da Alda Oliveira, radicado em Curitiba, capital do nosso estado.
Repaginado, o visual do blog, além de mais atraente, parece-nos tornar mais fácil a leitura das matérias que divulga, como nossos leitores poderão conferir.
A eles, nossas desculpas pelos quatro dias de inatividade.
Ao Matheus, um forte e especial abraço e o nosso muito obrigado.









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segunda-feira, 9 de setembro de 2019




Equívocos, cochilos e erros quanto ao uso do idioma português, eis algo que aparece com frequência em nosso meio.
Aqui estão mais sete exemplos:
1. Todos os meus irmãos já faleceram, ou seja, já se despediram desse plano.
2. Nossa escola foi fundada a 31 anos exatamente.
3. O pedido foi então levado a diretoria, que o acolheu.
4. Nosso grupo reúne-se aos domingos a noite.
5. Paulo disse à certa altura que estava arrependido.
6. Amigos, gostaria nesse momento de falar-lhes algo.
7. Muito embora o patrão não tenha me demitido, decidi mesmo assim sair.
Eis os textos propostos depois de corrigidos e, entre parênteses, a explicação pertinente:
1. Todos os meus irmãos já faleceram, ou seja, já se despediram deste plano. (Como a referência é ao plano em que nos encontramos, o correto é “deste plano”.)
2. Nossa escola foi fundada há 31 anos exatamente. (Em se referindo a tempo passado usa-se a forma verbal “há” e não a preposição “a”.)
3. O pedido foi então levado à diretoria, que o acolheu. (A crase em situações assim é obrigatória. Se em vez de diretoria fosse usado o vocábulo “conselho”, diríamos: “levado ao conselho”.)
4. Nosso grupo reúne-se aos domingos à noite.(A locução “à noite” é grafada desse modo, com crase. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.)
5. Paulo disse a certa altura que estava arrependido. (Não cabe crase antes do pronome indefinido “certa”. Se em vez de altura fosse usado o vocábulo “momento”, diríamos: “a certo momento”.)
6. Amigos, gostaria neste momento de falar-lhes algo. (Como a referência é ao momento presente, o correto é “neste momento”.)
7. Muito embora o patrão não me tenha demitido, decidi mesmo assim sair. (A partícula “não” atrai o pronome “me”, determinando assim a próclise.)





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domingo, 8 de setembro de 2019




Gratidão a Deus

Algumas pessoas costumam dizer que há dias em que gostariam de sumir, morrer, desaparecer, envolvidas por um sentimento de desgosto da vida, de enfado, de vazio, quando em muitos casos, em verdade, inexistem motivos reais para isso.
Na principal obra da doutrina espírita, Kardec propôs aos imortais uma questão que diz respeito ao assunto.
Ei-la:

– Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?
“Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera.” (O Livro dos Espíritos, questão 943.)

Se tal sentimento não se verifica todos os dias, é evidente que pode ser consequência do estresse a que muitos de nós acabamos nos submetendo, em face da agitação da vida moderna, ou, então, uma decorrência direta de alguma influência espiritual negativa.
O leitor deve compreender que uma influência espiritual dessa natureza nem sempre advém de alguém que nos queira prejudicar. Pode decorrer da simples presença de uma entidade desencarnada que, envolvida pelo mesmo sentimento, irradia em torno de si vibrações equivalentes que nos atingem ou não.
Que fazer ante ocorrências assim?
A prece, uma boa leitura, a meditação – eis medidas capazes de afastar o sentimento ruim, as quais podem ser facilitadas com o uso da música, sobretudo quando a música, por sua melodia e por sua letra, consegue atingir as fibras do nosso sentimento.
João Cabete, saudoso compositor que já retornou à pátria espiritual, compôs uma canção que tem esse poder.
A canção intitula-se “Gratidão a Deus” e parece que foi composta exatamente para nos confortar quando o desgosto da vida, o enfado e o vazio desejam tomar nossa alma.
Eis a letra de “Gratidão a Deus”:

Quando a sombra da tristeza
Cobrir seus sonhos de ventura,
Quando você quiser chorar
Diante da taça da amargura...
Quando a dor bater à porta,
Ferindo bem fundo o coração,
Quando a esperança é morta
E a vida, amarga ilusão.
Olhe para trás,
Veja quanta dor,
Súplicas de paz
Clamando amor...
Olhos sempre em trevas,
Mãos mendigam pão,
Bocas que não falam
E risos sem razão...
Deixe de chorar,
Volte a sorrir,
Você é tão feliz,
Volte a cantar!
Faça uma prece,
Seja grato a Deus,
Ele sempre abençoa
Os filhos seus...

A canção acima pode ser ouvida, na voz da cantora Célia Tomboly, clicando neste link: https://www.youtube.com/watch?v=2Mna583-vr0
Trata-se de um medicamento de natureza não química que todos podemos utilizar, e não existe para remédio assim nenhuma contraindicação, como o leitor pode pessoalmente conferir.




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sábado, 7 de setembro de 2019





Coerência, virtude difícil (II)

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Em conversa espiritual com H. Campos sobre as incoerências relatadas em meu blog, ele contou-me a seguinte parábola, extraída de uma das crônicas arquivadas em biblioteca do Mundo Maior, que fora narrada por Jesus, mas não citada pelos evangelistas:
— Residiam em Jericó um fariseu idoso, usurário, com sua esposa também idosa. Ambos, diariamente, subiam dessa cidade para Jerusalém, onde ele fazia suas pregações. A mulher era possuidora de grande bondade e o auxiliava nos trabalhos do templo.
Em suas palestras, Joseph Jacobson, o fariseu, sempre ressaltava aos seus ouvintes a importância de auxiliar os pobres, não somente com denários, como também na aquisição de seus produtos, para lhes garantir a sobrevivência digna. E concluía com lindas orações.
Algo, porém, inquietava Joseph: sua esposa, atenta às suas palavras, não perdia oportunidade de ajudar as pessoas diariamente. Como a carência material encontrada pelo caminho era grande, sempre que a rica carruagem com o casal, puxada por três lindos corcéis, parava numa vila, Mariah, a generosa mulher, dava esmolas e comprava algo dos vendedores ambulantes do local. Nada além de um denário.
Joseph, embora mesquinho com o próximo, gostava de usar roupas caras, para causar boa impressão aos seus ouvintes. Certa ocasião, na noite anterior à subida para o Templo de Salomão, gastou, na compra de ricas roupas para si, 100 denários (aproximadamente R$ 3.000,00).
No dia seguinte, seguia com a esposa para Jerusalém. Ao passarem pela primeira vila, a mulher, com dó de vendedor de banquinhos de madeira, embora não precisasse, comprou um dos pequenos móveis, pelo qual pagou o equivalente a um denário (R$ 30,00). Joseph, como bom fariseu, não perdeu tempo:
— Desse jeito, mulher, quando voltarmos a Jericó, você já terá gastado todo o nosso dinheiro. É como dizem: as mulheres, quando envelhecem, acham que precisam comprar o céu, antes de morrer. Assim não é possível. Como você é pródiga! Estou pensando em contratar uma curadora para você, Mariah. Não tem um dia que não dê esmola ou que não compre algo no valor desse banquinho, que não nos serve para nada.
E a mulher calada estava, calada ficou. Apenas pensou: Que é um denário diário, para quem ganha 900 denários todo mês?
Somos bem o retrato desse fariseu. Com os desafortunados, somos muito mesquinhos e com nós mesmos, bastante pródigos. Coerência é virtude de poucos, muito poucos...
Lembrete: Nossas crônicas são fruto de nossos devaneios literários, ainda que, por vezes, baseados na recriação de fatos reais.







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sexta-feira, 6 de setembro de 2019




O porquê da vida

Léon Denis

Parte 11

Damos sequência ao estudo do clássico O porquê da vida, de Léon Denis, com base na 14ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira. O estudo será aqui apresentado em 13 partes.
Nossa expectativa é que ele sirva para o leitor como uma forma de iniciação ao estudo dos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Quem era Giovana Speranzi?
B. Por que, embora formado em Direito, Maurício Ferrand passou a viver no campo, longe da sociedade e da profissão que havia abraçado?
C. A um jovem ainda abatido devido ao falecimento do pai, que é que Giovana disse?

Texto para leitura

133. Na Lombardia (Itália) é conhecido o lago de Como, esse espelho do céu caído entre montanhas, esse maravilhoso éden em que a Natureza se entroniza, preparada para uma festa eterna. Pietro Gerosi habitava num casebre situado nessa região, ao Norte do lago, nas proximidades dos Alpes, onde os jardins e as plantações de oliveiras são substituídos por sombrios pinheirais. (PP. 121 a 124)
134. Um grande cercado estendia-se por trás da choupana. Alguns anos antes, o aspecto ali era inteiramente diferente. O jardim, cultivado com desvelo, era produtivo, e o curral – agora vazio e abandonado – dava abrigo a duas belas cabras e a um vigoroso jumento. (P. 124)
135. Pietro Gerosi morava em seu pardieiro com Marta, sua mulher, e três filhas. Após anos de abundância, sobrevieram para a família os maus dias. Acometido de moléstia grave, Pietro foi definhando aos poucos, até que morreu. Marta o substituiu, mas, submetida a um trabalho incessante e minada por afanosos cuidados, sentiu também suas forças rapidamente desaparecerem.  (P. 125)
136. Presa ao leito, Marta tinha junto de si a companhia de Lena, a filha mais velha, de quinze anos, e duas irmãzinhas menores, todas a passar por enormes privações. A família não estava, porém, só e abandonada, porque uma jovem - Giovana Speranzi -, a providência dos que choravam, levava-lhes regularmente sua ajuda. (PP. 125 a 127)
137. Nascida na vila de Lentisques, Giovana contava nessa época dezoito anos. Órfã aos treze, conservava uma saudade sempre viva pela perda dos pais e tornara-se uma criatura inteiramente voltada para a caridade e a ajuda aos sofredores. Ela não conhecia – diz o autor da novela – alegria mais doce, nem tarefa mais atraente do que socorrer e consolar os infelizes. (P. 128)
138. Um dia, logo que Giovana entrara na choupana dos Gerosi, um temporal desabou com violência sobre a região. A corrente, engrossando extraordinariamente, misturava o murmúrio de suas águas com o troar da tempestade. Foi então que apareceu ali um jovem vestido à caçador, que buscou abrigo no casebre. (P. 128)
139. Chamava-se ele Maurício Ferrand, filho de um exilado político francês, que viera para aquela região havia muitos anos, com o menino Maurício, então com oito anos de idade e órfão de mãe. Levado pelo pai, o rapaz estudou em Milão, onde fez rápidos progressos, culminando seus estudos na Universidade de Pavia. (PP. 129 e 130)
140. Formando-se em Direito, Maurício começou a exercitar a carreira de advogado em Milão, em que teria feito fortuna caso se amoldasse às condições da época, onde a corrupção, a desonestidade e a especulação desenfreada lhe abafaram os mais belos ideais. Um desgosto profundo apoderou-se então do jovem advogado que, rejeitando as causas mais duvidosas que lhe queriam confiar, viu reduzir-se o número dos clientes. (P. 134)
141. Invadia-o sombrio abatimento quando lhe chegou a notícia de que o pai, gravemente doente, o chamava para perto de si. A morte do genitor ocorreu logo depois e isso fez com que uma sombra ainda mais espessa descesse sobre a fronte de Maurício. Sua tristeza e sua melancolia natural cresceram. Renunciando definitivamente ao foro, o rapaz instalou-se na pequena herdade deixada pelo pai, onde seu tempo era dividido entre leituras e excursões. E foi num desses passeios que ocorreu o encontro com Giovana, fato que mudou inteiramente, a partir daí, a sua vida. (PP. 134 e 135)
142. A presença de Giovana arrancava-o da sua misantropia e fazia emanar de si uma onda de pensamentos benfazejos e generosos, que lhe davam um ardente desejo de ser bom e de consolar. (N.R.: Misantropia significa: melancolia, hipocondria; aversão aos homens e à sociedade.) (P. 136)
143. Maurício, vendo o exemplo de Giovana, sentia a inutilidade de sua própria vida e compreendia que havia muito que fazer na Terra, não sendo admissível a um homem fugir das pessoas ou encerrar-se numa indiferença egoística. (P. 136)
144. Durante suas entrevistas, ainda que pouco se falassem, eles trocavam mil pensamentos. É que a alma tem meios de exprimir-se, de comunicar-se ocultamente, que a ciência humana não pode definir nem analisar. Uma atmosfera fluídica, em correlação íntima com o seu estado moral, circunda todos os seres e, segundo sua natureza, simpática ou adversa, eles se atraem, se repelem, se expandem ou se concentram, e é por este modo que se explicam as impressões que experimentamos à vista de pessoas desconhecidas. (P. 137)
145. Algum tempo depois, quando Marta, a viúva de Pietro Gerosi, já se havia recuperado, graças à ajuda dos dois jovens, Giovana e Maurício se encontraram no cemitério de Gravedona, onde estavam sepultados os restos de seus pais. Foi ali que Giovana iniciou o rapaz nas suas crenças espiritistas, ensinando-lhe, com toda a convicção, que os Espíritos queridos voltam e se associam às alegrias e às dores dos familiares retidos na Terra. “Se Deus o permitisse – acrescentou Giovana –, nós os veríamos muitas vezes ao nosso lado regozijarem-se com as nossas boas ações e entristecerem-se com as nossas faltas.” (P. 140)

Respostas às questões preliminares

A. Quem era Giovana Speranzi?
Giovana, então com dezoito anos, órfã aos treze, era uma jovem inteiramente voltada para a caridade e a ajuda aos sofredores. “Ela não conhece – diz o autor da novela – alegria mais doce, nem tarefa mais atraente do que socorrer e consolar os infelizes.” (O porquê da vida, pág. 128.)
B. Por que, embora formado em Direito, Maurício Ferrand passou a viver no campo, longe da sociedade e da profissão que havia abraçado?
Primeiro, ele se decepcionou com a profissão de advogado, em face da corrupção, da desonestidade e da especulação desenfreada reinantes na sociedade da época, fato que ele não aceitava. Invadia-o sombrio abatimento quando lhe chegou a notícia de que o pai, gravemente doente, o chamava para perto de si. A morte do genitor ocorreu logo depois e isso fez com que uma sombra ainda mais espessa descesse sobre a fronte de Maurício. Sua tristeza, sua melancolia natural cresceram. Renunciando definitivamente ao foro, o rapaz instalou-se na pequena herdade deixada pelo pai, onde seu tempo era dividido entre leituras e excursões. (Obra citada, pp. 134 e 135.)
C. A um jovem ainda abatido devido ao falecimento do pai, que é que Giovana disse?
Foi no cemitério de Gravedona, onde estavam sepultados os restos de seus pais, que Giovana iniciou o rapaz nas suas crenças espiritistas, ensinando-lhe, com toda a convicção, que os Espíritos queridos voltam e se associam às alegrias e às dores dos familiares retidos na Terra. “Se Deus o permitisse – disse-lhe Giovana –, nós os veríamos muitas vezes ao nosso lado regozijarem-se com as nossas boas ações e entristecerem-se com as nossas faltas.” (Obra citada, pág. 140.)

Observação:
Eis os links que remetem aos textos anteriores:





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