segunda-feira, 30 de março de 2026

 



Carta paterna

 

Neio Lúcio (autor espiritual)

 

Meu filho, não tinhas razão em favor da cólera.

Vi, perfeitamente, quando o velhinho se aproximou para servir-te. Trazia um coração amoroso e atento que não soubeste compreender.

Deste uma ordem que o pobrezinho não ouviu tão bem, quanto desejavas. Repetiste-a e, porque novamente te perguntasse qualquer coisa, proferiste palavras feias, que lhe feriram as fibras mais íntimas.

Como foste injusto!…

Quando nasceste, o antigo servidor já vencera muitos invernos e servira a muita gente.

Enfraqueceram-se-lhe os ouvidos, ante as imperiosas determinações alheias.

Nunca refletiste na neblina que lhe enevoa o olhar? Adquiriu-a trabalhando à noite, enquanto dormias, despreocupado.

Sabes por que traz ele as pernas trêmulas? Devorou muitas léguas a pé, solucionando problemas dos outros.

Irritas-te, quando se demora a movimentar-se a teu mando. Contudo, exiges o automóvel para a viagem de dois quilômetros.

Em muitas ocasiões, queixas-te contra ele. É relaxado aos teus olhos, tem as mãos descuidadas e a roupa não muito limpa. Entretanto, nunca imaginaste que o apagado servidor jamais encontrou oportunidades iguais às que recebeste. Além disto, não lhe ofereces o ensinamento amigo e nem tempo para cogitar das próprias necessidades espirituais.

Reclamas longos dias para examinar pequenina questão, referente ao teu bem-estar; todavia, não lhe consagras nem mesmo uma hora por semana, ajudando-o a refletir…

Respondes, enfadado, quando o velho companheiro te pede alguns níqueis, mas não vacilas em despender pequenas fortunas com amigos ociosos, em noitadas alegres, nas quais te mergulhas em fantasioso contentamento.

Interrogas, ingrato: — Que fizeste do dinheiro que te dei?

Esqueces que o servo de fronte enrugada não dispôs de tempo e recurso para calcular, com exatidão, os processos de ganhar além do necessário e não conseguiu ensejo de ilustrar o raciocínio com o refinamento que caracteriza o teu.

Ah! meu filho, quando a impaciência te visita o espírito, recorda que o monstro da ira indesejável te bate à porta do coração. E quando a ele te entregas, imprevidente, tuas conquistas mais elevadas tremem nos alicerces. Chego a desconhecer-te, porque a fúria dos elementos interiores te altera a individualidade aos meus olhos e eu não sei se passas a condição de criança ou de demônio!…

Se não podes conter, ainda, os movimentos impulsivos de sentimentos perturbadores, chegado o instante do testemunho, cala-te e espera.

A cólera nada edifica e nada restaura… Apenas semeia desconfiança e temor, ao redor de teus passos.

Não ameaces com a voz, nem te insurjas contra ninguém.

É provável que guardes alguma reclamação contra mim, teu pai, porque eu também sou ainda humano. No entanto, filho, acima de nós ambos permanece o Pai Supremo, e que seria de ti e de mim, se Deus, um dia, se encolerizasse contra nós?

 

Do livro Luz no lar, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

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domingo, 29 de março de 2026

 



Só há um Deus e um único mediador entre Deus e os homens: Jesus

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

No primeiro Concílio de Niceia realizado no ano de 325 d.C., na cidade de Niceia (atual Iznik, Turquia), por convocação do imperador Constantino I, decidiu-se que Jesus, membro da Santíssima Trindade, é igual ao Pai e eterno como Deus.

Que devemos pensar sobre o assunto?

A frase que nos inspirou o título deste texto já diz tudo: Só há um Deus, e só há um mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem (1ª Epístola de Paulo a Timóteo, 2:5).

Não é preciso, portanto, ser teólogo nem especialista em estudos bíblicos para verificar que a Declaração de Niceia está em contradição formal com as opiniões dos apóstolos e com as próprias palavras de Jesus. Enquanto todos, sem exceção, acreditavam no Filho criado pelo Pai, os bispos proclamaram o Filho igual ao Pai e "eterno como ele”, ao contrário do que o próprio Jesus dizia de si mesmo:

 

"Se me amásseis, certamente havíeis de folgar que eu vá para o Pai, porque o Pai é maior do que eu" (João, 14:28);

"A mim, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, por que dizeis vós "Tu blasfemas", por eu ter dito que sou Filho de Deus?" (João, 10:36);

"Por esse motivo, os Judeus perseguiam a Jesus e queriam matá-lo, isto é, porque fizera tais coisas em dia de sábado.  Mas Jesus lhes disse: Meu Pai trabalha até ao presente e eu também trabalho" (João, 5:16);

"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Não busco a minha vontade, mas a vontade d' Aquele que me enviou" (João, 5:30);

"Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, porque foi de Deus que saí e foi de sua parte que vim; pois não vim de mim mesmo, foi Ele que me enviou" (João, 8:42);

"Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus; aquele que me renunciar diante dos homens, também eu mesmo o renunciarei diante de meu Pai que está nos céus" (Mateus, 10:32 e 33);

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Pelo que respeita ao dia e à hora, ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai" (Marcos, 13:31);

"Jesus então lhes disse: Ainda estou convosco por um pouco de tempo e vou em seguida para aquele que me enviou" (João, 7:33);

"Havendo Jesus dito estas coisas, elevou os olhos ao céu e disse: Meu Pai, a hora é vinda; glorifica a teu Filho, a fim de que teu Filho te glorifique" (João, 17:1);

"Então, soltando grande brado, Jesus disse: Meu Pai, às tuas mãos entrego o meu espírito. E, tendo pronunciado essas palavras, expirou" (Lucas, 23:46);

"(Após a ressurreição) Ele diz a Madalena: Vai a meus irmãos e dize-lhes que eu vou para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus" (João, 20:17).

 

A Declaração de Niceia contradiz não somente o que Jesus dizia de si mesmo, mas de igual modo o que os apóstolos e os evangelistas escreveram sobre o Mestre de Nazaré:

 

"Ao mesmo tempo, apareceu uma nuvem que os cobriu e dessa nuvem saiu uma voz que fez se ouvissem estas palavras: Este é meu filho bem-amado; escutai-o" (Transfiguração no monte Tabor. Marcos, 9:7);

"Respondendo-lhe, Simão Pedro disse: Tu és o Cristo, filho de Deus vivo. Jesus então lhe disse: Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem to revelou, mas sim meu Pai, que está nos céus" (Mateus, 16: 13 a 17);

"Varões israelitas - falou Pedro -, ouvi minhas palavras. Jesus Nazareno foi um varão, aprovado por Deus entre vós, com virtudes e prodígios e sinais que Deus obrou por ele no meio de vós" (Atos, 2:22);

"Jesus de Nazaré foi um profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo" (Lucas, 24:19);

"Só há um Deus - diz S. Paulo - e um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus-Cristo, homem" (I Epístola a Timóteo, 2:5).

 

Quanto ao Espiritismo, eis duas questões que retratam exatamente a concepção espírita a respeito de Deus e de seu Filho amado:

 

a) Que é Deus? “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” (O Livro dos Espíritos, questão 1.)

b) Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? “Jesus.” (O Livro dos Espíritos, questão 625.) [O negrito é de nossa autoria.]



Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/03/a-importancia-de-uma-mente-sadia-para.html

 

 

 

 

 

 

 

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sábado, 28 de março de 2026

 




A desencarnação de Kardec

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

O artigo “A desencarnação de Allan Kardec”, que publicamos na edição 49 da revista O Consolador, detalha a trajetória de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, apresentando sua biografia desde sua formação educacional com Pestalozzi até sua morte repentina, ocorrida em 31 de março de 1869.

O texto destaca seu perfil lógico, sério e dedicado, descrevendo como sua vasta produção de obras didáticas e espíritas ofereceu consolo e fé raciocinada a inúmeras pessoas.

Relatos emocionantes que integram o artigo ilustram o impacto prático de seus ensinamentos, exemplificado por um homem que desistiu do suicídio após ler O Livro dos Espíritos. O artigo menciona e transcreve homenagens espirituais psicografadas por Chico Xavier, que exaltam o papel de Kardec como um apóstolo da renovação moral.

Na parte final, o texto descreve o ambiente sereno de seu falecimento e o reconhecimento de seu legado como uma luz para a humanidade.

O resumo em vídeo que colocamos na abertura deste texto funciona aqui como uma espécie de introdução ao conteúdo do artigo. Na sequência, um áudio em forma de podcast busca aprofundar a análise da matéria.

Ambos os resumos – o vídeo e o áudio – podem ser vistos na parte inferior da coluna Estúdio, que faz parte do trabalho que realizamos com auxílio da I.A., que o leitor pode acessar clicando neste link: https://notebooklm.google.com/notebook/8f70ff9a-a78f-44b2-bca5-c0ba401e4e18

Quanto ao artigo que serviu de fonte a esse trabalho,  o leitor pode acessá-lo clicando aqui: https://www.oconsolador.com.br/49/especial.html

 

 

Observação:

Para acessar o texto publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/03/o-sermao-da-montanha-astolfo-o.html

 

 

 



 

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sexta-feira, 27 de março de 2026

 



O acordo ortográfico firmado pelos países que adotam o idioma português, em vigor desde o início de 2009, introduziu diversas mudanças nas regras de acentuação.

Continuam, no entanto, sendo acentuadas as letras “i” e “u”, independentemente da posição na palavra, quando formam hiato tônico com a vogal anterior. Exemplos: ruína, miúda, ataúde, saída, balaústre, juízo, suína.

Há, contudo, uma exceção: “xiita”, pois duas vogais idênticas formam necessariamente um hiato, não havendo necessidade de acento gráfico para indicar essa formação.

O acento também não se aplica quando houver consoante (exceto o “s”) ou semivogal na mesma sílaba. Exemplos: sair, sairmos, juiz, ruir, cair, caiu, ruim, instruir, instruiu.

Além disso, o “i” tônico, mesmo formando hiato, não recebe acento quando seguido de “nh”. Exemplos: ra-i-nha, mo-i-nho.

A principal novidade do acordo foi a eliminação do acento gráfico nas letras “i” e “u” quando precedidas de ditongo decrescente (ao, au, ei, ui etc.), nas palavras paroxítonas. Exemplos: feiura, bocaiuva, baiuca, taoismo, taoista, feiinho.

Por outro lado, se essas letras fizerem parte de palavras oxítonas, o acento permanece obrigatório. Exemplos: Piauí, tuiuiú, teiú.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta-feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/03/encerrando-recapitulacao-das-regras.html

 

 

 

 

 

 

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