terça-feira, 27 de outubro de 2026

 



Bíblia: o manual de uma vida abençoada

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Se nos lembrássemos mais de Jesus em nossos dias, sem dúvida o nosso coração conheceria melhor a paz; o nosso corpo, a saúde; e o nosso espírito, a liberdade. Como Mestre amoroso, bondoso e justo, Ele nos transmite, por meio dos seus exemplos na Bíblia ‒ esta, para mim, é o mais sábio, completo e amoroso manual de como podemos progredir ‒, ensinamentos em relação a todos os aspectos da vida. Nenhum acontecimento de nosso cotidiano fica isento da aplicação desses valores, para tudo há uma passagem. Talvez o que muito nos dificulta é a falta de interesse em conhecer as escrituras, porém mais ainda, reformar o nosso coração, pois as passagens nos esclarecem que o mais decisivo é conhecer a nós mesmos e aceitar a nossa responsabilidade. Quando buscamos desculpas para os nossos erros, plantamos as sementes do atraso em nossa evolução.

A Bíblia nos mostra tão claramente a situação dos envolvidos em suas passagens permitindo-nos identificar a honestidade ou a deslealdade, o perdão ou a vingança, a bondade ou a crueldade, a fé ou a sua ausência, o amor ou a indiferença. E correlacionar esses sentimentos e práticas com a nossa própria vida, a partir da decisão de iniciar uma leitura bíblica sem a ansiedade de logo pará-la, pode ser o início da compreensão da verdadeira vida.

Quando lemos em Provérbios 3:5: "Confia no Senhor de todo o seu coração, e não se apoie em seu próprio entendimento", compreendemos uma passagem sobre a sabedoria em fortalecer nossa fé em Deus, que tudo sabe e tudo vê, e pode nos dar a direção divina em nossos dias. Quando confiamos em Deus, principalmente a nossa saúde é poupada e o nosso espírito, fortalecido, e podemos desenvolver com mais alegria o maior número de nossos propósitos.

Ainda em Provérbios 16:3: "Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos", temos uma clara afirmação do amor de Deus por nós. Afinal, o Pai, incomparável em tudo, grandioso e absoluto, quer sempre Seus filhos confiantes para alcançarem a luz da bondade e do amor.

E também esta passagem de Josué 1:9: "Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar" é mais um exemplo de que sempre somos amparados e amados, e quando confiantes, sem dúvida, seguiremos com esperança diante dos momentos mais doloridos e com menos tristeza, doença, medo, demora para o aprimoramento e distância da paz almejada por todo espírito.

Poderíamos citar milhares de passagens e todas teriam amparo, consolo e direção, pois a sabedoria da Bíblia é infindável. Os ensinamentos para uma existência mais proveitosa e harmoniosa estão reunidos no livro mais esclarecedor e amoroso que podíamos ter. Tão verdadeiro que até mesmo o tempo passa, e o livro continua atualizado. Acessível de todas as maneiras, a Bíblia é um dos nobres presentes de Deus por meio de Jesus.

 

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 



Ambição

 

Augusto Cezar

(autor espiritual)

 

Era noite.

O mentor Silvério Pires recomendou-me esperá-lo por instantes.

Em seguida, veio a mim explicando:

— Augusto, temos serviço urgente. Venha comigo. Trata-se de um pedido de mãe devotada, em apoio de um filho enfermo.

Obedeci, de imediato, mesmo porque o orientador é um desses professores diletos a que nos vinculamos por afetuoso reconhecimento.

Alguns minutos voaram e atingimos um palacete de primorosa estrutura, cercado por jardins que brilhavam ao luar, dentro da noite.

Entramos.

O mentor parecia familiarizado com os mínimos recantos do solar, enriquecido de tapetes e telas raras.

Em aposento próximo, mobiliado segundo os hábitos portugueses do século XVIII, um homem, aparentando cinquenta janeiros, escrevia e escrevia…

Porque estacássemos, de repente, perguntei surpreso ao meu condutor:

— Onde está o doente?

O amigo fez um gesto de proteção, sobre a cabeça do homem que me era desconhecido e acentuou:

— Este é o irmão Celestino que nos requisita assistência.

Fitei o desconhecido, da cabeça aos pés e não lhe notei qualquer anormalidade.

Entretanto, o mentor solicitou-me:

— Tome papel e lápis e copie a carta em andamento. Trata-se de um estudo que nos cabe fazer.

Sem vacilar, passei a escrever o texto que o desconhecido produzia à nossa frente.

Era uma carta que ele provavelmente endereçava a algum irmão distante, e assim dizia:

“Meu caro Aprígio:

“Segure os cinquenta mil sacos de arroz no armazém número dois e aguardemos mais preço. Os dez mil litros de óleo para cozinha, mantenha você em estoque e os dois mil sacos de café em grão guarde no armazém número quatro. Não venda bulhufas. Mais algumas semanas e estaremos numa boa. Tudo isso terá preços altos, nos próximos dias.

“E olhe: Não dê migalha alguma a ninguém. Religiosos têm vindo aqui a me pedir socorro. Dizem que os tutelados deles estão em carência. Até freiras já vieram aqui com petitórios. Não atenda a ninguém se você for procurado. Esse negócio de religião e caridade já era. Um certo amigo chegou a me dizer que a minha fazenda pela qual suei tanto, pertence a Deus, e a mim, que eu não passo de sócio. Eu queria que esse maluco visse os meus terrenos quando Deus estava aqui trabalhando sozinho. Era mato e cobras em toda parte. Fique tranquilo e nada de coração mole. Espero estar aí na próxima semana.

“Até quinta-feira.

“Um abraço do seu irmão

Celestino.”

Celestino, pois esse era o nome de nosso anfitrião, colocou a caneta em lugar adequado e, logo após, levou a mão ao peito. Gemia. Afigurava-se-me que ele sentia muita dor.

Em dado momento, pressionou o botão de uma campainha e estirou-se em larga poltrona.

Um servidor apareceu.

Celestino pediu um coronário-dilatador e a presença do seu médico particular.

O cardiologista surgiu com presteza e determinou a remoção do doente para um hospital.

Pires sentenciou:

— Devemos acompanhá-lo. Esta é a última noite de nosso amigo na vida física.

Internado, Celestino estava submetido a minuciosos exames.

Silvério se dispôs à retirada e disse-me simplesmente:

— Veja você. Tanta ambição e dentro de poucas horas o nosso amigo estará desencarnado, sob a suspeita de enfarte. Amanhã viremos buscá-lo.

Nada mais acrescentou e eu fiquei a meditar sobre a lição recebida.

 

Do livro Fotos da vida, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 






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domingo, 25 de outubro de 2026

 


Cuidados e impedimentos para a aplicação do passe

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor pergunta se pessoas com diabetes, hipertensão arterial ou arritmia cardíaca, bem como aquelas que fazem uso de medicamentos controlados, podem ministrar passes magnéticos.

A pergunta é bastante oportuna, mas a resposta não pode ser resumida a uma simples frase.

Em princípio, para ministrar passes magnéticos é necessário que a pessoa reúna condições adequadas, tanto físicas quanto emocionais e, sobretudo, espirituais.

Na questão 69 do livro Diretrizes de Segurança, Divaldo Franco explica:


“O passe significa, no capítulo da troca de energias, o que a transfusão de sangue representa para a permuta das hemácias, ajudando o aparelho circulatório. O passe é essa doação de energias que nós colocamos ao alcance dos que se encontram com deficiências, de modo que eles possam ter seus centros vitais reestimulados e, em consequência disso, recobrem o equilíbrio ou a saúde, se for o caso.

O passe magnético tem uma técnica especial, conhecida por todos aqueles que leram alguma coisa sobre o mesmerismo. É transfusão da energia do doador, do agente.

O passe que nós aplicamos, nos Centros Espíritas, decorre da sintonia com os Espíritos Superiores, o que convém considerar sintonia mental, não uma vinculação para a incorporação.

O passe deve ser sempre dado em estado de lucidez e absoluta tranquilidade, no qual o passista se encontre com saúde e com perfeito tirocínio, a fim de que possa atuar na condição de agente, não como paciente.” (Grifamos.)

 

Mesmo quem goza de boa saúde e possui excelentes condições para o exercício da tarefa deve abster-se de ministrar passes após a ingestão de bebidas alcoólicas. O motivo é que a energia a ser transmitida não deve estar comprometida pelo uso de substâncias que possam prejudicar o assistido, conforme indica a experiência.

Uma situação que merece atenção é a de pessoas enfermas que fazem uso de medicamentos. Cabe considerar, nesse caso, se o tratamento e as condições de saúde do passista interferem efetivamente na tarefa.

Os medicamentos são, em sua maioria, substâncias químicas e podem apresentar efeitos colaterais, o que recomenda prudência. Isso, porém, não significa que todo medicamento seja incompatível com a aplicação de passes.

Diversas obras abordam as condições necessárias à aplicação dos passes e os cuidados que devem ser observados nessa tarefa.

Entre elas, destacamos:

 

1- Estudando a Mediunidade, de Martins Peralva, pp. 144 e 145.

2- Passe e Passista, de Roque Jacintho, caps. 6 e 30.

3- Pontos da Escola de Médiuns, de Edgard Armond, tomo IV, p. 88.

4- A Gênese, de Allan Kardec, cap. XIV, item 31.

 

Na última obra citada, Allan Kardec explica, no capítulo XIV, item 31:

 

“Como se há visto, o fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Pela identidade da sua natureza, esse fluido, condensado no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. Depende ainda das intenções daquele que deseje realizar a cura, seja homem ou Espírito. Os fluidos que emanam de uma fonte impura são quais substâncias medicamentosas alteradas.” (Grifamos.)

 

Não obstante essas considerações, é possível que uma pessoa com algum dos problemas mencionados pelo leitor se encontre, apesar de sua condição de saúde, em condições adequadas para ministrar passes. Não convém, portanto, generalizar.

Há medicamentos que não comprometem a tarefa, ou cuja interferência seria insignificante. 

É o caso de tratamentos prescritos para restabelecer o equilíbrio do organismo, situação bastante diferente daquela em que a pessoa faz uso abusivo de substâncias, como álcool e outras drogas, ou apresenta dependências que podem estar associadas a desequilíbrios emocionais.

Em situações específicas, como hipertensão arterial, arritmias cardíacas e esclerose múltipla, consultamos especialistas e obtivemos a informação de que os medicamentos habitualmente empregados nesses casos não prejudicariam os efeitos do passe. Considerou-se, nessa avaliação, que nos passes de caráter misto, como os praticados nos centros espíritas, o passista recebe recursos espirituais destinados ao assistido e, nessa concepção, doa relativamente pouco de suas próprias energias.

Em conclusão, cabe ressaltar que, à luz dos ensinos espíritas, os principais impedimentos para a aplicação do passe estão relacionados às condições morais e emocionais do passista, como vícios, dependências prejudiciais e desequilíbrios que comprometam sua lucidez e tranquilidade. Isso não dispensa, contudo, a avaliação de cada situação concreta nem autoriza a estabelecer regras absolutas com base apenas no diagnóstico de uma doença ou no uso de medicamentos.

Nos casos de enfermidades infectocontagiosas, por sua vez, é necessário observar as medidas de prevenção indicadas pelos profissionais de saúde, a fim de evitar a transmissão a outras pessoas. Conforme a enfermidade e o risco de contágio, o afastamento temporário da tarefa poderá ser necessário até que haja condições seguras para o retorno.

Em todas essas situações, deve prevalecer o bom senso, aliado à prudência e ao cuidado com a saúde de quem ministra e de quem recebe o passe.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/10/as-aristocracias-que-imperaram-no-mundo.html

 

 




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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

 



Considere a seguinte oração: Otelo foi presa do ciúme. 

O texto significa que Otelo sentiu ciúme, tornou-se atormentado pelo ciúme.

O substantivo feminino presa tem, em casos assim, o significado de vítima, de pessoa explorada ou atormentada. E é, paradoxalmente, invariável, ou seja, aplica-se a homens e mulheres.

Exemplos:

- Maria, presa de forte emoção, desmaiou.

- Carlos, presa de grande angústia, desabou.

- O marido foi presa de um acesso de ciúme.

- A esposa foi presa de um ataque de raiva.

 

*


Duas observações importantes:

Resiliência. Esta palavra tem sido usada com certa frequência nos meios de comunicação. Trata-se de um substantivo feminino que designa a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica. Figuradamente, significa resistência ao choque. 

De frente. Esta locução significa “de face”, olhar de frente, olhar cara a cara. Devido a isso, não deve ser utilizada nas frases em que o predicado verbal seja o verbo encarar. 

Digamos, então, simplesmente:

- Ele encarou o ladrão. (E não “... encarou de frente o ladrão”.)

- Com redobrada disposição, encarou o novo desafio. (E não “... encarou de frente o novo desafio”.)

- Meu irmão não soube encarar com seriedade o assunto.

- Meu pai sempre encarou as adversidades com serenidade.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta–feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/10/quais-das-oracoes-abaixo-sao-corretas-1.html

 

 




 

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