terça-feira, 13 de novembro de 2018




A confiança reflete o amor

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Como é importante sentir confiança, não só em si, mas também, em quem se ama, com quem se convive. Muitos estudiosos do assunto podem afirmar que a confiança basta estar em nós para tudo, de fato, fluir. Não há como discordar, porém, somos tão frágeis seres e tanto necessitamos desenvolver para completamente nos sentirmos seguros. Sem dúvida, isso é um dos desejados objetivos. No entanto, caminhamos e muito há a caminharmos, já que a bem tenra infância espiritual nos abraça.
Observo muito os animaizinhos e procuro compreender como eles se sentem todos os dias quando seus donos saem para o trabalho, passeio ou outra atividade sem levá-los. Mais uma vez ficam sós e acredito que sem a garantia de seu retorno sendo por isso a maneira tão alegre e sincera que os pequenos os recebem.
E o tempo tanto nos comprova que quanto mais compreensão também maior a responsabilidade, esta de quando se cativam corações e desperta-se a confiança. O amor é a energia mestra para toda verdadeira relação já que ele é a união dos mais nobres sentimentos e se ele está presente a sensação, de forma natural, será mais fortalecedora, segura, eterna.
Quantos exemplos de insegurança são vistos e vividos e nunca trazem benéficos resultados e memórias. Como as palavras sim é sim e não é não também sejamos muito responsáveis conosco e com os outros, com o universo, e que comecem a diminuir os tristes exemplos de insegurança na vida, como o ocorrido com o indefeso cachorrinho que não dormia, nos primeiros dias, na casa de seus novos adotantes porque no inseguro lugar onde antes vivia, seus infelizes donos o levaram para uma estrada numa noite estrelada e o abandonaram. Felizmente a lua o guiou até amorosos e confiantes braços que o enlaçam a toda hora com o verdadeiro amor.
“Faça ao outro o que deseja a si próprio.”
Como eu confio em corações, outros também confiam em mim.
   
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018




Da lista de erros corriqueiros que ocorrem com frequência no tocante ao uso do idioma que falamos, eis mais seis casos:
1 – Tratam-se de bons candidatos.
O correto: Trata-se de bons candidatos.
Explicação: Em frases assim, o verbo seguido de preposição não varia: Trata-se de boa pessoa. Trata-se de boas pessoas. Exemplos: Necessita-se de empregados. Apela-se para todos. Conta-se com os amigos. Trata-se de dois clubes importantes.
2 – Chegamos ontem em Londrina.
O correto: Chegamos ontem a Londrina.
Explicação: Verbos que expressam movimento exigem a preposição “a”. Exemplos: Chegou a Curitiba. Foi ao cinema. Levou todos ao teatro.
3 – Sua falta implicará em punição.
O correto: Sua falta implicará punição.
Explicação: É transitivo direto o verbo implicar quando tem o sentido de acarretar, gerar, ter consequência. Exemplos: O atraso implicará multa. Promoção implica responsabilidade.
4 – Ele ainda vive às custas do pai.
O correto: Ele ainda vive à custa do pai.
Explicação: A locução é “à custa de”.
5 – O trabalho está em vias de conclusão.
O correto: O trabalho está em via de conclusão.
Explicação: A locução é “em via de”.
6 – O ingresso é gratuíto.
O correto: O ingresso é gratuito.
Explicação: Na segunda sílaba (tui) há um ditongo (ui), não um hiato. Essa palavra tem a seguinte pronúncia: gra-túi-to, a exemplo de circuito (cir-cúi-to), fluido (flúi-do), fortuito (for-túi-to).




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domingo, 11 de novembro de 2018




Segundo o Espiritismo, não basta abster-nos de fazer o mal

Uma das questões mais interessantes examinadas pela doutrina espírita diz respeito à nossa responsabilidade quanto ao que fazemos ou deixamos de fazer em nossa passagem pelo planeta.
O pensamento corrente, comum a diversas doutrinas religiosas, é que o homem será punido pelo mal que houver aqui praticado. Se conseguir escapar à justiça dos homens, com certeza não escapará à justiça divina. Desse modo, embora se ignore como se dará tal punição, a ideia geral é que ele prestará contas dos males cometidos.
Esse pensamento não contraria os ensinos que os instrutores desencarnados nos trouxeram. De fato, à justiça divina ninguém escapa. Mas as diferentes vertentes religiosas se esquecem de dizer que seremos responsabilizados também pelo bem que deixamos de fazer, como nos é claramente mostrado na doutrina espírita.
O fato não passou despercebido nos ensinamentos de Jesus.
A parábola “Lázaro e o rico” narrada por Jesus – consoante o Evangelho de Lucas, 16:19-26 – diz que havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. À porta de sua mansão comparecia sempre um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas e ali vinha em busca de alimento. Um dia o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; pouco depois morreu também o rico, que se viu, porém, colocado no inferno, enquanto Lázaro desfrutava uma boa situação, no seio de Abraão. Quando chamado pelo rico, que ardia em sede e pedia que Lázaro ao menos refrescasse sua língua, Abraão foi peremptório: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.
Notemos que a parábola não diz que o rico houvera cometido algum delito; apenas informa que ele jamais dera atenção a Lázaro e, além disso, usufruíra, egoisticamente, os bens que recebera em vida.
O assunto é tratado de forma objetiva em diversas questões que compõem O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a principal obra da doutrina espírita.
Eis, sinteticamente, o que esse livro nos ensina:
  Cada indivíduo será punido não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar (LE, 639).
  Aquele que não pratica o mal, mas que se aproveita do mal praticado por outrem, é tão culpado quanto o outro (LE, 640).
  Não basta que o homem não pratique o mal; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem (LE, 642).
  O Espírito sofre por todo o mal que praticou, ou de que foi causa voluntária, por todo o bem que houvera podido fazer e não fez e por todo o mal que decorra de não haver feito o bem (LE, 975).
A perfeita compreensão de como funciona a justiça divina constitui o primeiro passo para que o indivíduo reformule seu programa de vida, consciente de que seu papel neste mundo exige ação, participação e solidariedade, que foi exatamente o que faltou ao rico focalizado na parábola narrada por Jesus.




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sábado, 10 de novembro de 2018





Que procuras?

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

— Boa noite, amigo, já estamos em seu lar para a entrevista de hoje.
— Boa noite, Emmanuel, boa noite, Machado. Alegro-me muito em vê-los. Passo a palavra ao Bruxo do Cosme Velho para iniciar a nova entrevista...
— Obrigado, Jó. Então, sem mais delonga, vamos ao que interessa. Gostaria de sua opinião, Emmanuel, sobre esta pergunta do Cristo: “Que buscais?” (João, 1: 38)
— Amigos, a vida tem por base imensurável quantidade de experiências. Em cada nova existência individual, aprende-se mais um pouco. Nada está estagnado. Observa o vegetal, aparentemente estático, quando o vento não lhe agita os galhos e as folhas. Sobre o solo que Jó pisa, imensa quantidade de seres microscópios se agitam. Aliás, mesmo na ponta de seu dedo, ou no ar que nosso irmão respira, a vida se manifesta invisível ao seu olhar... Todos os seres buscam a bênção e a misericórdia do Pai que está em toda parte. Onde o nada? Em lugar algum...
— Entretanto, Emmanuel, entre uma e outra leitura filosófica que fiz, após reencarnar no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, uma dúvida permanecia em minha mente sempre em busca do miúdo para dele fazer um grande e inefável acontecimento literário. Se Deus é bom, onisciente e onipotente, como defendia, um século antes do meu,  Rousseau, eu não sabia refutar Voltaire, que negava um destes atributos à Divindade, com base apenas na fé: segundo este, Deus não podia ser bom, onisciente e onipotente ao mesmo tempo, porque ante uma tragédia como a que ocorrera em Portugal, quando morreram, em terremoto, mais de cinquenta mil pessoas, uma dessas qualidades ficaria prejudicada.
Para Voltaire, se Deus fosse bom e onisciente, não seria onipotente, pois, se tudo pudesse, poderia evitar a catástrofe portuguesa, mas deixou que ela ocorresse. Se fosse onisciente e onipotente, não seria bom, pois tudo sabendo e tudo podendo, deixou que 50 mil dos seus filhos morressem sem qualquer chance de sobrevivência. E se fosse bom e onipotente, não seria onisciente, pois não saberia que, somente ali, em Portugal, tantas vidas, inocentes e pecadoras, seriam sacrificadas juntas. Onde estava o Pai, quando esse e outros desastres ecológicos ocorreram, desde que Ele criou o mundo?
— Machado, esse pensamento só seria racional sem a chave da vida trazida pelo Espiritismo. Essa chave está na reencarnação. Sem ela, as desigualdades sociais do mundo ficariam sem explicação racional. Quando Jesus se refere às bem-aventuranças para os aflitos, estava referindo-se às compensações na vida futura.  Deus não age por capricho, permitindo a alguns uma vida sem preocupações e a outros a fatalidade das tragédias. Todas as vicissitudes, todos os sofrimentos inevitáveis por que o Espírito imortal passa na existência física têm uma causa justa.
Coube aos Espíritos, sob a direção de Jesus, explicar-nos, racionalmente, aquilo que a crença na unicidade da existência não tinha condições de explicar. Somente remontando às causas pregressas das provas e expiações humanas, o que nos é concedido pela certeza da reencarnação, podemos evitar um raciocínio deturpado, que nega qualquer dos atributos Divinos e nos deixa entregues à revolta e a todo tipo de consequências baseadas em nossos atos contrários à lei do amor, única lei que nos libertará do mal e dos seus resultados nefastos.
— E foi por saber disso que Jesus perguntou aos que o seguiam o que eles buscavam, nobre Emmanuel?
— Sim, Jó, a lei de ação e reação explica o porquê de uns serem atendidos, imediatamente, no que pedem, e outros não...
— Mas então como explicar a seguinte afirmação de Jesus, narrada por Marcos, 11:24: “Por isso vos digo: tudo quanto suplicardes e pedirdes, crede que já o recebestes, e assim será pra vós”?
— Isso está na Bíblia de Jerusalém, que é mais clara, nesse ponto, que as demais bíblias traduzidas. Ora, se já recebemos algo que não temos, é porque, certamente, o que agora não temos, já obtivemos em outra ocasião, que pode ter sido existência anterior. Por outro lado, se seremos atendidos no que agora pedimos, certamente precisaremos ter crédito para que, no momento oportuno, a Bondade Divina nos conceda o bem do qual formos credores.
— Agora entendi o significado do provérbio: “Ajuda-te que o Céu te ajudará”.
— É isso, amigo Jó. A singela pergunta do Senhor não se restringe apenas aos que o seguiam. Aplica-se igualmente a todos os seus novos seguidores, estejam ou não nos templos do mundo. Em especial ao servidor espírita, cabem diversos compromissos ante a Boa-Nova renascente na Terra.
— Quais são esses compromissos, bondoso Emmanuel?
— Sintetizo-os na repetição destas frases finais:
A cada criatura que desperta em mais altos níveis da fé raciocinada, soa a interpelação do Senhor como sendo convite às obras em que se afirme a caridade real. Assim, escuta no íntimo, em cada lance das próprias atividades, a austera palavra do Condutor Divino, convocando-te à coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização.
Analisa o que fazes. Observa o que dizes. Medita em torno de tuas aspirações mais ocultas. Que resposta forneces à indagação do Senhor?
Quem segue o Cristo, vive-lhe o apostolado.
Serve, coopera e caminha avante, sem temor ou vacilação, lembrando-te de que o Verbo da Verdade incide sobre nós, a cada dia, perguntando incessantemente: Que buscais?
Quando voltei a cabeça, já não vi mais meus amigos. Agora busco suas palavras e exemplos de vida.

Referências:
BÍBLIA de Jerusalém. 3. imp. São Paulo: Paulus, 2004.
XAVIER, Francisco Cândido. O Evangelho de Emmanuel: comentários ao evangelho segundo João.  Coordenação de Saulo César Ribeiro da Silva. 1. ed. Brasília: FEB, 2015, p. 34 e 35.

O Evangelho segundo o Espiritismo em tradução no português atual

Conforme informamos no último número, damos continuidade à tradução livre, sem fins comerciais, em terceira pessoa, de L’Évangile selon le SpiritismeO Evangelho segundo o Espiritismo, 3. ed., rev., corr. e modif. Paris, 1866.
Parafraseando Allan Kardec, que os bons Espíritos nos auxiliem a concluir este trabalho, se essa for a Vontade de Deus.

Para os homens em particular, esta é uma regra de conduta que abrange todas as circunstâncias da vida privada ou pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas na justiça mais rigorosa; é, finalmente, e acima de tudo, o caminho infalível da felicidade que está por vir, uma ponta do véu sobre a vida futura que foi levantado. É essa parte que faz o objeto exclusivo deste livro.
Todos admiram a moral evangélica; cada um proclama sua sublimidade e necessidade, mas muitos o fazem confiados no que ouviram falar dele ou por fé em algumas máximas que se tornaram proverbiais; no entanto, poucos a conhecem completamente, menos ainda entendem e sabem deduzir suas consequências. A razão é, em grande parte, por causa da dificuldade de ler o Evangelho, que é ininteligível para número de pessoas. A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, fazem com que a maioria o leia por desencargo de consciência e por dever, como leem as preces sem entendê-las, ou seja, sem proveito.
Os preceitos da moral,  difundidos aqui e ali, se confundem com a massa de outras narrativas e passam despercebidos. Desse modo, é impossível fazer um estudo e meditação à parte desses preceitos.
É certo que já foram escritos tratados da moral evangélica, mas seu estilo literário moderno tira-lhes a simplicidade que lhes dá encanto e autenticidade. Ocorre o mesmo com as máximas destacadas, reduzidas à sua expressão proverbial mais simples; são, então, apenas aforismos que perdem parte de seu valor e interesse, pela ausência dos acessórios e pelas circunstâncias em que foram enunciados.
Para remediar esses inconvenientes, reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de culto; nas citações mantivemos tudo o que era útil para o desenvolvimento do pensamento, apenas excluindo o que era estranho ao assunto. Temos escrupulosamente respeitado a tradução original de Sacy, bem como a divisão do versículo. Mas, em vez de nos atermos a uma ordem cronológica impossível e sem qualquer vantagem real em tal assunto, as máximas foram agrupadas e classificadas metodicamente de acordo com sua natureza, de modo que sejam deduzidas tanto quanto possível uma da outra. A indicação dos números de ordem dos capítulos e versículos permite recorrer-se à classificação vulgar, se for considerado apropriado.
Este seria apenas um trabalho material de utilidade secundária somente. O essencial seria colocá-lo ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras e o desenvolvimento de todas as consequências, com o objetivo de aplicá-lo às diferentes posições da vida. É isso que tentamos fazer com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.







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sexta-feira, 9 de novembro de 2018





 O Grande Enigma

Léon Denis

Parte 6

Damos continuidade ao estudo do clássico O Grande Enigma, de Léon Denis, conforme o texto da 7ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira. O estudo ora iniciado será aqui apresentado em 10 partes.
Nossa expectativa é que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que é que a Natureza nos mostra?
B. Qual era a ideia fundamental do druidismo?
C. Qual deve ser o papel principal da ordem social?

Texto para leitura

91. Após referir-se de forma poética à beleza e à vastidão do Universo, Denis diz que as estrelas que povoam o firmamento parecem sorrir, qual se fossem amigas esquecidas. Seus mistérios nos atraem, contudo, mais tarde, nos séculos futuros, conheceremos essas maravilhas que nosso pensamento hoje apenas toca. (P. 126)
92. Tudo na floresta, segundo Léon Denis, é encanto, mas ela não constitui somente maravilhoso espetáculo: é também perpétuo ensinamento, pois nos fala das regras fortes, dos princípios augustos que regem toda a vida e presidem à renovação dos seres e das estações. (P. 132)
93. A Natureza mostra-nos, em toda a beleza da vida, o prêmio do esforço paciente e corajoso e a imagem dos nossos destinos sem-fim, e nos diz que tudo está em seu lugar no Universo, embora tudo evolua e se transforme, almas e coisas. A morte é apenas aparente; aos tristes invernos sucedem os dias primaveris, cheios de vida e de promessas. (P. 134)
94. A lei de nossas existências não é diferente das estações. Depois dos dias de sol, no verão, vem o inverno da velhice e, com ele, a esperança dos renascimentos e de nova mocidade. (P. 134)
95. A floresta é o adorno da Terra e a verdadeira conservadora do globo. Sem ela, o solo, arrastado pelas chuvas, cedo voltaria aos abismos do mar imenso. Ela retém as largas gotas da tempestade em seus tapetes de relva, no enredamento de suas raízes. Por toda parte em que as árvores desaparecem, a terra se empobrece, perde sua beleza e chegam, gradualmente, a monotonia, a aridez e depois a morte. (PP. 134 e 135)
96. Lembrando como os gauleses tratavam com carinho as suas florestas, Denis tece ligeiro comentário sobre a ideia fundamental do druidismo, que era a evolução, o progresso e o desenvolvimento, ideia essa tomada, até certa medida, à Natureza e completada pela Revelação. (P. 137)
97. Com efeito, a impressão geral que ressalta do espetáculo do mundo é um sentimento de harmonia, uma noção de encadeamento, uma ideia de fim e de lei, isto é, relações eternas dos seres e das coisas. “A concepção evolutiva - afirma Léon Denis - emana do estudo dessas leis. Há uma direção, uma finalidade na evolução, e esse rumo traz o conjunto das vidas, por gradações insensíveis e seculares, para um estado sempre melhor.” (P. 137)
98. O Catolicismo afastou essa ideia, mas a Ciência nos torna a levar para ela. Primeiramente, ela espiritualiza a matéria, reduzindo-a a centros de força, e nos mostra o sistema nervoso tornando-se cada vez mais complexo na escala dos seres, para chegar ao homem. (P. 137)
99. Considerando que a evolução é a lei central do Universo, o principal papel da ordem social é facilitá-la a todos os seus componentes. A vida é boa, útil e fecunda. Diante das perspectivas infinitas que ela nos abre, todos os sentimentos deprimentes, o pessimismo, a dúvida, a tristeza e o desespero desaparecem para dar lugar às inspirações imortais, à esperança imperecível. (P. 138)
100. O mar é um grande regenerador. Sem ele, a terra seria estéril e infecunda. Em seu seio se elaboram as chuvas benéficas; todo o sistema de irrigação do globo a ele deve o nascimento. Sua efusão de vida é sem limites. (P. 144)
101. O mar foi o cadinho gigantesco em que se elaboraram as primeiras manifestações da vida. Ainda hoje ele é a mãe, a nutriz fecunda por meio da qual se desenvolvem as existências prodigiosas, a seiva transbordante, da qual nada, nem a raiva destrutiva do homem, nem as causas reunidas de mortalidade, de luta, de guerra entre as espécies, pode minorar a intensidade. (P. 146)
102. O poder de reprodução de certas espécies é tal que, sem as forças que a combatem e lhe atenuam os efeitos, o mar se teria há muito tempo transformado em massa sólida. Cada fêmea de arenque contém em média cinquenta mil ovos e cada ovo se multiplica, por sua vez, por cinquenta mil. O bacalhau, que se alimenta do arenque, tem nove milhões de ovos - o terço do seu peso. Para o mundo dos mares, como se vê, a obra essencial é amar e multiplicar! O Oceano é comparável a imensa cuba sempre em fermentação de existências. A morte aí produz a vida; sobre os resíduos orgânicos dos seres destruídos, outros organismos aparecem e se desenvolvem incessantemente! (PP. 146 e 147)
103. A montanha é uma bíblia, cujas páginas apresentam um sentido oculto, um sentido profundo. Em suas camadas rochosas, enrugadas, revolvidas pelos abalos plutônicos, podemos ler a gênese do globo, as grandes epopeias da História do mundo, antes da aparição do homem. (P. 154)
104. As fontes quentes nos demonstram que as entranhas do globo encerram ainda a vida ardente, crepitante, prestes a jorrar, e que a ação do enorme e tenebroso ciclope(1) é sempre possível. (P. 155)
105. Do mesmo modo que a flor se abre às carícias do Sol e das lágrimas do rocio, a alma se expande sob a influência radiosa da grande Natureza. (P. 155)
106. Diante da beleza das montanhas, não é de admirar que os fatos mais consideráveis da história religiosa se tenham passado sobre os cimos. O Merom, o Gaya, o Sinai, o Nebo, o Tabor e o Calvário são os altares soberbos de onde sobe, em poderoso transporte, a prece dos iniciadores. (PP. 157 e 158)
107. Reportando-se ao mosteiro situado na Grande Chartreuse, Léon Denis lembra que nas épocas de ferro e de sangue a vida monástica era o único refúgio para uma alma delicada e estudiosa. Eis por que daquele santuário alpestre irradiam sobre todo o país benéficas influências, embora os monges hajam desaparecido e o sítio tenha sido abandonado, perdendo, assim, seu prestígio religioso. (PP. 167 e 168)

(1) Ciclope: Gigante fabuloso que só tem um olho no meio da testa. Dessa palavra surgiu, em linguagem figurada, o adjetivo ciclópico: gigante; enorme; rude.

Respostas às questões preliminares

A. Que é que a Natureza nos mostra?
Ela nos mostra, em toda a beleza da vida, o prêmio do esforço paciente e corajoso e a imagem dos nossos destinos sem-fim, e nos diz que tudo está em seu lugar no Universo, embora tudo evolua e se transforme, almas e coisas. (O Grande Enigma, p. 134.)
B. Qual era a ideia fundamental do druidismo?
Era a evolução, o progresso e o desenvolvimento, ideia essa tomada, até certa medida, à Natureza e completada pela Revelação. (Obra citada, p. 137.)
C. Qual deve ser o papel principal da ordem social?
Considerando que a evolução é a lei central do Universo, o principal papel da ordem social deve ser, na proposição de Léon Denis, facilitá-la a todos os seus componentes. (Obra citada, p. 138.)


Observação:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




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quinta-feira, 8 de novembro de 2018




Mistificação e animismo

Este é o módulo 105 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Em que consistem as mistificações?
2. É possível evitar as mistificações na prática espírita?
3. Que é animismo?
4. Podemos enquadrar o animismo no quadro da mistificação inconsciente?
5. Que deve fazer o dirigente espírita no caso em que ocorram no seu grupo manifestações anímicas?

Texto para leitura

A mistificação pode ser provocada por encarnados e desencarnados
1. O verbo mistificar significa “abusar da credulidade de; enganar, iludir, burlar, lograr, embair, embaçar”. Quem quer que se dedique à prática da mediunidade deve estar atento a essa ocorrência. A mistificação pode ser provocada pelo encarnado e também pelos desencarnados. Em ambos os casos, é preciso cautela para não se deixar ludibriar. 
2. As mistificações constituem, segundo Kardec, os escolhos mais desagradáveis do Espiritismo prático. É simples, porém, o meio de evitá-las: basta não pedir ao Espiritismo senão o que ele possa dar. Ora, sabendo que a finalidade maior do Espiritismo é o melhoramento moral da Humanidade, dificilmente seremos enganados se não nos afastarmos desse objetivo, visto que não existem duas maneiras diferentes de se compreender a verdadeira moral. 
3. Dessa forma, cientes de que os Espíritos superiores procuram sempre nos instruir e nos guiar no caminho do bem, saberemos rejeitar qualquer instrução que objetive apenas proporcionar-nos vantagens materiais ou favorecer nossas paixões mesquinhas, visto que instrução desse quilate não pode provir dos Benfeitores Espirituais comprometidos com a causa do bem e do progresso.
4. Os Espíritos levianos, no entanto, gostam de imiscuir-se em nossa vida e causar pequenos desgostos e induzir-nos maldosamente em erro, por meio de intrigas, mistificações e espertezas. A astúcia dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. A arte com que dispõem as suas baterias e combinam os meios de persuadir seria algo bastante curioso se nunca passassem dos simples gracejos; contudo, as mistificações podem ter consequências bem desagradáveis e prejudicar muita gente.
5. Entre os meios que tais Espíritos empregam podem ser colocados na primeira linha, como sendo os mais frequentes, os que têm por fim testar a cobiça, como a revelação de supostos tesouros, o anúncio de heranças inesperadas ou outras fontes de riqueza. Devem ser consideradas igualmente suspeitas as predições com época determinada e todas as indicações precisas relativas a interesses materiais.
6. É preciso que não se deem os passos prescritos ou aconselhados pelos Espíritos quando o fim não seja eminentemente racional. Importante também não se deixar deslumbrar pelos nomes que certos Espíritos tomam para dar aparência de veracidade às suas palavras. Cumpre, por fim, desconfiar de teorias e sistemas ousados e de tudo o que se afastar do objetivo moral das manifestações. Estes são, em tese, os meios de se evitar a mistificação na prática espírita.

No animismo quem opera o fenômeno é o próprio médium
7. Diferentemente da mistificação, que não passa de um logro, de uma burla, de uma farsa, o animismo é o estado ou fenômeno em que a própria alma do médium opera, em vez de um Espírito a ele estranho. Não se trata, portanto, de um fenômeno mediúnico, mas de um fenômeno anímico – vocábulo que tem sua origem em “anima”, que significa alma.
8. A cristalização da nossa mente em determinadas situações pode motivar, no futuro, a manifestação de fenômenos anímicos, do mesmo modo que tal cristalização ou fixação, se realizada no passado, pode exteriorizar-se no presente. 
9. Muitas vezes, aquilo que se assemelha a um transe mediúnico, com todas as aparências de que existe a interferência de um desencarnado, nada mais é do que o médium revivendo cenas e acontecimentos recolhidos do seu próprio mundo subconsciencial, fenômeno esse motivado pelo contato magnético, pela aproximação de entidades que lhe partilham as experiências pretéritas. 
10. Não se deve, pois, confundir mistificação com animismo. Na primeira, temos a mentira; no segundo, o desajuste psíquico. Poderíamos enquadrar tal fenômeno no quadro da mistificação inconsciente? Respondendo a essa indagação, ensina o Instrutor Aulus: “Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras mistificação inconsciente ou subconsciente para batizar o fenômeno”. (Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, cap. 22, p. 212.)
11. A pessoa passível de animismo, esclarece Aulus, é um “doente mental, requisitando-nos o maior carinho para que se recupere”. “Para sanar-lhe a inquietação, todavia, não nos bastam diagnósticos complicados ou meras definições técnicas no campo verbalista, se não houver o calor da assistência amiga.” (Obra citada, p. 213.) 
12. No fenômeno anímico o médium se expressa como se ali estivesse, realmente, um Espírito a se comunicar. O médium deve, pois, nessas condições, ser tratado com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam. O médium inclinado ao animismo é um vaso defeituoso, que pode ser consertado e restituído ao serviço se houver compreensão do dirigente. Se incompreendido, pode ser vitimado pela obsessão, o que mostra a importância da atenção que devemos dedicar ao assunto.

Respostas às questões propostas

1. Em que consistem as mistificações?
Vocábulo derivado do verbo mistificar, que significa “abusar da credulidade de; enganar, iludir, burlar, lograr, embair, embaçar”, as mistificações podem ser provocadas pelos encarnados e também pelos desencarnados e constituem, segundo Kardec, os escolhos mais desagradáveis do Espiritismo prático. 
2. É possível evitar as mistificações na prática espírita?
Sim, e é simples o meio de evitá-las: basta não pedir ao Espiritismo senão o que ele possa dar. Ora, sabendo que a finalidade maior do Espiritismo é o melhoramento moral da Humanidade, dificilmente seremos enganados se não nos afastarmos desse objetivo, visto que não existem duas maneiras diferentes de se compreender a verdadeira moral. 
3. Que é animismo?
O animismo é o estado ou fenômeno em que a própria alma do médium opera, em vez de um Espírito a ele estranho. Não se trata, portanto, de um fenômeno mediúnico, mas de um fenômeno anímico – vocábulo que tem sua origem em “anima”, que significa alma.
4. Podemos enquadrar o animismo no quadro da mistificação inconsciente?
Não. Respondendo a esta indagação, disse o Instrutor Aulus: “Muitos companheiros matriculados no serviço de implantação da Nova Era, sob a égide do Espiritismo, vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem; portanto, não nos cabe adotar como justas as palavras mistificação inconsciente ou subconsciente para batizar o fenômeno”. 
5. Que deve fazer o dirigente espírita no caso em que ocorram no seu grupo manifestações anímicas?
No fenômeno anímico o médium se expressa como se ali estivesse, realmente, um Espírito a se comunicar. Deve, portanto, nessas condições, ser tratado com a mesma atenção que ministramos aos sofredores que se comunicam. O médium inclinado ao animismo é um vaso defeituoso, que pode ser consertado e restituído ao serviço se houver compreensão do dirigente. Se incompreendido, pode ser vitimado pela obsessão, o que mostra a importância da atenção que é preciso dedicar ao assunto.

Bibliografia:
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, item 303.
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 103.
Animismo e Espiritismo, de Alexandre Aksakof.
Animismo ou Espiritismo?, de Ernesto Bozzano.
Mecanismos da Mediunidade, de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, pp. 163 a 169.
Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz, psicografia de Chico Xavier, pp. 212 e 213.
Estudando a Mediunidade, de Martins Peralva, pp. 186 e 187.
Mediunidade e Evolução, de Martins Peralva, p. 56.
Médium, quem é, quem não é, de Demétrio Pável Bastos, 2ª  parte, cap. XX a XXIII.

Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:




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