terça-feira, 30 de junho de 2026

 



Um sopro para continuar

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

E por mais que o momento atual pareça limitado e difícil, também é passageiro. Nos tempos árduos, a luz está mais próxima ainda, nós é que não conseguimos observá-la afundados na própria criação mental , e tanto sofrimento criamos incessantemente, ora por medo, pai legítimo da ansiedade; ora por impaciência; por falta de bondade. No entanto Deus completude, perfeição e amor quer sempre ver os filhos progredindo e felizes e, incansavelmente, envia recursos inimagináveis para o auxílio dos filhos amados.

E o céu nos abençoa todos os dias com seu azul dourado, nublado de água, noturno, matutino e vespertino. E nós, criaturas benditas, somente devemos continuar com um pouco de agradecimento e empenho, pois ainda não temos condição de reconhecer todos os milagres de um dia, imagine de uma existência, quem dera, então, da eternidade.

Se pensarmos na grandeza universal mas quase nada entendemos até agora , e acolhermos que somos parte da vida eterna, que nosso corpo, inteligente e maravilhoso, fornece a condição exata para o aprimoramento espiritual, que estamos no local e no meio indicados para o nosso progresso e que tudo, embora, às vezes, difícil ainda, está perfeitamente alinhado com o propósito divino, de fato, sorriremos com agradecimento por sermos também criaturas abençoadas e amadas.

E se o Pai tanto confia em nós, pois somos os Seus filhos, então, resta-nos a valorização de tudo o que está em nós quanto tudo o que existe fora, todas as maravilhas, as emoções abençoadas, as ocasiões repletas de luz, o ar, a água, o amparo, o abraço, a renovação, o alimento, as flores, os animais, o recomeço, o perdão, o nascimento e a partida (para o reencontro), a presença amiga daqui e de lá, o socorro, a oração, o bálsamo físico e o espiritual, as estrelas, as montanhas em busca do céu, a natureza (exímia professora), e o mais magnífico: a existência da eternidade, pois além de seu próprio esplendor, poderemos reencontrar amores verdadeiros.

Somos a nossa melhor versão até aqui e, infinitamente, podemos melhorar até nos tornarmos espíritos mais iluminados, cujo importante objetivo é o amparo dos irmãos menores, assim como estamos hoje, e a colaboração benéfica para o Universo. E cada vez mais o nosso coração presenciará o sentimento real que o Mestre nos fala e tanto nos falou. Então, começaremos a viver o sentido da vida.

E se por hoje ainda está difícil, acalmemos o coração, pois já somos centelhas divinas e apenas por isso basta o agradecimento eterno. Há algo ainda a reconhecermos: somos fadados à perfeição e ao amor puro, pois Deus em Sua incomparável grandeza sempre realiza o melhor a todas as suas criaturas.

 

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

 



Anotação fraterna

 

F. Purita
(autor espiritual)

 

Nós, os espíritas desencarnados, via de regra estamos perante a Vida Superior como alunos envergonhados, que se despediram da escola com baixa média de aproveitamento, apesar da excelência do curso preparatório, colocado na Terra à nossa disposição.

Conhecemos, mais que os profitentes de outros credos, a paternidade de Deus, a orientação de Jesus e a bênção do Evangelho, com livre interpretação pessoal.

Permanecemos convencidos, quanto à lei de causa e efeito que estudamos de perto, nas consciências exoneradas do vaso físico; sabemos que a vida continua com todo o império do raciocínio e da emoção, além do túmulo; e somos aquinhoados por todo um tesouro de revelações do mundo suprafísico, capaz de transformar-nos, entre os homens, em verdadeiros apóstolos do bem.

Contudo, a morte, — que é sempre o examinador exato da vida, — encontra-nos em condição deficitária.

Proclamamo-nos detentores de uma doutrina com tríplice aspecto, totalizando a Ciência, a Filosofia e a Religião; no entanto, dela fazemos uma ciência discutidora, uma filosofia de dúvidas e uma religião de hábitos cristalizados.

Gritamos que “fora da caridade não há salvação”, mas a nossa caridade, comumente, é aquela do supérfluo ao necessitado, assim como a do viajante enfastiado em navio superfarto, que atira pão ao peixe faminto.

Asseveramos que Jesus é o nosso Divino Mestre e Supervisor de nossas atividades, todavia entregamo-nos, bastas vezes, ao intercâmbio de fascinação, dominados pela fome doentia de reconforto individual, ouvindo oráculos subservientes e enganosos e desertando sistematicamente da luta que nos é necessária à renovação.

E em muitas ocasiões bradamos, ociosos e ingratos:

— Não quero reencarnar.

— Não tornarei à Terra.

Entretanto, descerrado o véu que nos encobre a realidade, encontramo-nos estupefatos diante do tempo que despendemos em vão, dos recursos terrestres que consumimos debalde, das maravilhas da vida a nos desafiarem o esforço e da situação desagradável da alma, nas Esferas inferiores, nas quais somos compelidos a estágio longo, como resultante de nossa rebeldia e indiferença.

Não falamos aqui como quem repreende. Somos ainda um simples companheiro que volta, necessitado de mais luz. Isso, porém, não impede que a nossa palavra se converta em anotação fraterna, para compreendermos que a função essencial de nossos princípios é aquela da reconstrução do Espírito, para que se nos eleve a senda do destino.

Sem Espiritismo no campo íntimo, para que a nossa recuperação se faça tão completa quanto possível, na obra do Senhor, nossas convicções e predicações podem valer para os outros, que se inclinem a aproveitá-las, mas não para nós mesmos que nos situaremos voluntariamente distantes do trabalho a realizar.

É por esse motivo que a reencarnação quase que imediata, para todos nós, trânsfugas dos deveres maiores, é impositivo urgente e recomendável, de vez que, se ainda não nos liberamos do purgatório da afetividade mal conduzida e se ainda não abraçamos a lavoura do bem por amor ao bem, a volta ao educandário da carne é a maior concessão que a Divina Providência pode facultar-nos à sede de progresso.

Todos os companheiros, candidatos a mais ampla incursão no campo da verdade e do estudo, depois da morte física, devem aproveitar o tempo da encarnação como período valioso de aprendizado, adotando a disciplina como norma indispensável à construção que pretendem levar a efeito.

Em suma, os espíritas receberam, na atualidade da Terra, o quinhão máximo de talentos do Céu. E para que possam assimilar em definitivo a herança do Céu é necessário se disponham a viver no esforço máximo. Isso equivale a dizer cultura constante do cérebro e cultura infatigável do coração.

 

Do livro Vozes do Grande Além, mensagem recebida psicofonicamente pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

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domingo, 28 de junho de 2026

 



Deus não é um espectador passivo da obra que criou 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Qual a visão que nós, espíritas, temos de Deus? Intervém o Criador diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?

A ideia que o Espiritismo nos apresenta sobre Deus — a inteligência suprema do Universo e causa primária de todas as coisas — é a de um Criador que jamais esteve inativo.

Por essa razão, o Espiritismo pode ser classificado como uma doutrina teísta, e não deísta. Como se sabe, o deísmo admite a existência de Deus, mas o concebe destituído de atributos morais e intelectuais e, conforme a interpretação adotada, admite que Ele possa ou não ter influído na criação do Universo.

A concepção espírita, em perfeita sintonia com os ensinamentos de Jesus, é diversa: Deus não apenas criou o Universo, mas dele participa continuamente, governando-o por meio de suas leis e da ação dos Espíritos que executam seus desígnios.

Essa é também a imagem de Deus que encontramos nos Evangelhos. Em diversas ocasiões, Jesus afirmou sua inteira submissão à vontade do Pai e deixou claro que Deus permanece em constante atividade. Entre muitas passagens, destacamos estas:

"Meu Pai trabalha até ao presente e eu também trabalho." (João, 5:16)

"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Não busco a minha vontade, mas a vontade d'Aquele que me enviou." (João, 5:30)

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Pelo que respeita ao dia e à hora, ninguém o sabe, nem os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai." (Marcos, 13:31)

Essas e muitas outras passagens evangélicas mostram que Jesus jamais apresentou Deus como um Criador distante ou alheio à obra que realizou. Ao contrário, revelou-o como um Pai presente, atuante e soberano.

A mesma concepção encontra amplo respaldo em O Livro dos Espíritos, obra fundamental da Codificação Espírita. Nela aprendemos que Deus dirige permanentemente a Criação, utilizando, para isso, a colaboração dos Espíritos que já alcançaram elevado grau de evolução.

Entre as inúmeras referências da obra, merecem destaque as seguintes:

"Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo. Por mais distante que logreis figurar o início de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que seja?" (L.E., 21)

"... os Espíritos são uma das potências da natureza e os instrumentos de que Deus se serve para execução de seus desígnios providenciais." (L.E., 87)

"Eles (os Espíritos puros) são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões." (L.E., 113)

"Pode-se orar aos bons Espíritos, como sendo os mensageiros de Deus e os executores de suas vontades. O poder deles, porém, está em relação com a superioridade que tenham alcançado e dimana sempre do Senhor de todas as coisas, sem cuja permissão nada se faz. Eis por que as preces que se lhes dirigem só são eficazes, se bem aceitas por Deus." (L.E., 666)

Esses e muitos outros ensinamentos da Codificação mostram que Deus exerce sua ação sobre o Universo por intermédio das leis que instituiu e da atuação dos Espíritos que lhe servem de mensageiros e ministros.

Quanto à ação providencial de Deus em nossa vida, recomendamos a quem nos lê a leitura do texto A Providência Divina, publicado na edição 13 da revista O Consolador. Para acessá-lo, clique em https://www.oconsolador.com.br/13/esde.html

Também examinamos aspectos da participação divina na obra da Criação no editorial A Teoria do Design Inteligente e o Espiritismo, publicado na edição 248 d’O Consolador, que o leitor pode acessar clicando em  https://www.oconsolador.com.br/ano5/248/editorial.html

Como ali foi dito, tudo leva a crer que os chamados processos evolutivos contaram — e continuam contando — com a intervenção de inteligências extracorpóreas. Essa ideia foi afirmada expressamente por Emmanuel em A Caminho da Luz, obra psicografada por Chico Xavier em 1938, muitos anos antes de a moderna corrente do Design Inteligente ganhar notoriedade ao defender a existência de um projetista inteligente como explicação para a extraordinária complexidade e harmonia da Criação.

Resta, porém, responder objetivamente à pergunta formulada no início deste artigo: intervém Deus diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?

Segundo o entendimento espírita, Deus não governa o Universo por meio de intervenções arbitrárias ou pela suspensão das leis que Ele próprio estabeleceu. Sua ação se exerce de forma permanente e perfeita por intermédio dessas leis, da Providência Divina e da atuação dos Espíritos incumbidos de executar seus desígnios. Nada ocorre fora de sua soberana vontade ou sem que sua infinita sabedoria o permita.

Isso não significa que Deus permaneça distante de suas criaturas. Ao contrário, sua presença manifesta-se incessantemente no funcionamento harmonioso da Criação, na justiça de suas leis, na misericórdia que oferece novas oportunidades de progresso e na assistência espiritual que jamais falta àqueles que sinceramente procuram o bem.

Compreende-se, assim, que Deus não é um espectador passivo da obra que criou, nem um governante que atue apenas por intervenções ocasionais. É o Pai de infinita sabedoria e amor, presente em toda a Criação, dirigindo-a sem cessar por meio de leis perfeitas e da ação dos Espíritos que lhe servem de ministros e mensageiros.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/a-terra-nao-e-um-resort-e-uma-escola.html

 

 

 

 

 

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sábado, 27 de junho de 2026

 




Visão espírita da assistência social

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

A assistência social na visão do Espiritismo é vista como uma prática que transcende o simples auxílio material e foca primordialmente na evangelização e no despertar da consciência.

Segundo essa visão, o socorro material deve estar sempre acompanhado do esclarecimento moral, visando à transformação interior e à felicidade duradoura da pessoa. E não se restringe ao plano material, estendendo-se às colônias espirituais, onde equipes socorristas atuam na reabilitação dos Espíritos por meio do amor e do trabalho dignificante.

A fonte do estudo é um artigo que publicamos na edição 217 da revista O Consolador, que o leitor pode acessar clicando em https://www.oconsolador.com.br/ano5/217/especial.html

O VÍDEO exibido logo acima apresenta em poucos minutos um resumo do que o texto nos diz sobre o tema. 

O vídeo e o PODCAST pertinentes ao assunto foram produzidos com ajuda da I.A.

 

 




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