domingo, 4 de outubro de 2026

 



A "mediunidade inconsciente" e seus dois sentidos 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Dúvida que nos veio de um leitor: - Mediunidade inconsciente existe ou não existe?

Sim, a mediunidade inconsciente existe. Ocorre que, no tocante à palavra “inconsciente”, existem dois conceitos diferentes na literatura espírita.

Em O Livro dos Médiuns, item 188, ao tratar das variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade, Allan Kardec informa que existem médiuns sensitivos, médiuns naturais ou inconscientes e médiuns facultativos ou voluntários.

Médiuns naturais ou inconscientes são, segundo o codificador da Doutrina Espírita, os que produzem fenômenos espontaneamente, sem nenhuma participação da vontade e, na maioria das vezes, sem o saberem. É assim que muitas pessoas que jamais ouviram falar de Espiritismo podem ser médiuns sem se darem conta disso.

Na obra de André Luiz, porém, ao tratar da psicofonia, o conceito atribuído ao adjetivo “inconsciente” é diferente. O assunto é abordado nos capítulos 6 a 8 de Nos Domínios da Mediunidade, obra psicografada por Francisco Cândido Xavier.

Para compreender essa diferença, vejamos os casos de psicofonia consciente e inconsciente descritos por André Luiz.

Na psicofonia consciente, André compara a associação entre o Espírito sofredor e o corpo do médium a um sutil processo de enxertia neuropsíquica. No caso da médium Eugênia, leves fios brilhantes ligavam a fronte de sua alma, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante.

Embora senhoreando as forças da médium, o Espírito permanecia sob o controle dela, que recebia, pela corrente nervosa, as palavras que ele mentalizava e pretendia dizer. Segundo o instrutor Áulus, Eugênia podia, desse modo, corrigir qualquer inconveniência, fiscalizando os propósitos e as expressões do comunicante.

A alma do médium conservava-se próxima do corpo físico, pois, em situações envolvendo entidades em desajuste, o medianeiro não deve afastar-se demasiado. “Com um demente em casa, o afastamento é perigoso”, explicou Áulus.

Na psicofonia inconsciente, os fatos se processam de maneira diferente.

A médium agora chama-se Celina. Descrevendo o fenômeno, André Luiz diz que, assim que viu o Espírito sofredor, a alma da médium desvencilhou-se do corpo físico, como alguém que se entregasse a sono profundo, e conduziu consigo a aura brilhante de que se coroava. Fitando o desesperado visitante com simpatia, abriu-lhe os braços, auxiliando-o a senhorear o veículo físico, então em sombra. Como se fora atraído por vigoroso ímã, o sofredor arrojou-se sobre a organização física de Celina, colando-se a ela, instintivamente. Auxiliado por outro Espírito, ele sentou-se com dificuldade, afigurando-se a André Luiz estar intensivamente ligado ao cérebro físico da médium.

No caso anterior, a médium Eugênia revelara-se benemérita enfermeira. Neste, Celina surgia como abnegada mãezinha, tal a devoção afetiva para com o hóspede infortunado. Partiam dela fios brilhantes a envolvê-lo inteiramente e o recém-chegado, em vista disso, não obstante senhor de si, demonstrava-se criteriosamente controlado, assemelhando-se a um peixe furioso entre os estreitos limites de um recipiente. O comunicante projetava de si estiletes de treva, que se fundiam na luz com que a alma de Celina o rodeava, dedicada. Ele tentava gritar impropérios, mas em vão. Celina era um instrumento passivo no exterior, entretanto, nas profundezas do ser, mostrava as qualidades morais positivas que lhe eram conquista inalienável, impedindo aquele irmão de qualquer manifestação menos digna.

O instrutor Áulus explicou que Celina constituía um exemplo de sonâmbula perfeita e explicou: "A psicofonia, em seu caso, se processa sem necessidade de ligação da corrente nervosa do cérebro mediúnico à mente do hóspede que o ocupa". A espontaneidade dela é tamanha na cessão de seus recursos, que não tem qualquer dificuldade para desligar-se de maneira automática do campo sensório, perdendo provisoriamente o contacto com os centros motores da vida cerebral. Sua posição medianímica era de extrema passividade. Por isso mesmo, revelava-se o Espírito comunicante mais seguro de si na exteriorização da própria personalidade. Esse fato não significa que a médium estivesse ausente ou irresponsável. Junto de seu corpo, agia como mãe generosa, auxiliando o sofredor que por ela se exprimia, qual se fora frágil protegido de sua bondade.

Concluindo as observações sobre o caso, Áulus explicou: "O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. A psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessão, sempre nociva, e que, por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes".

Temos, portanto, dois sentidos para a expressão “mediunidade inconsciente”.

Em Kardec, como vimos inicialmente, ela designa principalmente a faculdade que se manifesta espontaneamente, sem que o médium tenha consciência de sua condição, não havendo, por conseguinte,  contradição entre as duas concepções, que se aplicam ou se referem a situações distintas. 


 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/o-porque-da-mudanca-de-temperamento-do.html

 

 




 Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

sábado, 3 de outubro de 2026


 

Alvorada Cristã


 

NEIO LÚCIO

(autor espiritual)


 

Publicado em 1949 pela editora da Federação Espírita Brasileira, o livro Alvorada Cristã é de autoria de Neio Lúcio, mesmo autor dos livros Mensagem do Pequeno Morto, de 1947, e Jesus no Lar, de 1950, todos eles  psicografados pelo médium Chico Xavier.

Neio Lúcio escreveu Alvorada Cristã com o pensamento voltado em especial para a juventude, como observou Emmanuel, ao prefaciar a obra. São dele estas palavras: “As páginas de Neio Lúcio, consagradas à mente juvenil em todos os padrões da experiência física, são, em verdade, valioso curso de iluminação espiritual. Sementeira de princípios renovadores, aqui  encontramos avançadas noções de justiça e bondade para a elevação da vida.”

No conhecido site Bíblia do Caminho, a obra de Chico Xavier, em sua quase totalidade, é disponibilizada para o público, facilitando assim o acesso a livros que em muitos casos se encontram esgotados nas distribuidoras. Alvorada Cristã pode, pois, ser acessado, sem nenhum custo, bastando para isso clicar neste link:  https://bibliadocaminho.com/ocaminho/TX/Alc/AlcIndex.htm

O vídeo que abre este texto apresenta, em poucos minutos, um resumo da obra. O vídeo e o podcast pertinente à fonte foram produzidos com o auxílio da inteligência artificial.




 

  

Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

 


Das frases abaixo, qual está correta?

1. Vamos debater sobre a questão do aborto.

2. Vamos debater a questão do aborto.

O verbo debater pode ser:

Intransitivo (sem complemento algum), quando significa discutir, porfiar, contender.

Exemplos:

- Os candidatos debateram o dia inteiro.

- Os políticos debatem, debatem, e não chegam a conclusão nenhuma.

Pronominal, quando significa agitar-se muito, resistindo ou procurando libertar-se ou fugir de uma situação penosa.

Exemplos:

- O pássaro debatia-se na armadilha.

- Anos a fio Maria debateu-se na miséria. 

- O enfermo, jungido ao leito, debatia-se todo.

Transitivo direto, quando seu complemento dispensa o uso de preposição.

Exemplos:

- Os deputados debateram a nova lei do trânsito. 

- O advogado, de forma enfática, debateu a ordem absurda. 

- Vamos debater no evento a eutanásia e suas consequências.

Conclusão

Com respeito à questão proposta, a frase correta é a segunda:

- Vamos debater a questão do aborto.

Não cabe o uso da preposição “sobre” em construções formadas com o verbo debater.

*

Axioma [do gr. axioma], cuja pronúncia tanto pode ser assioma como ac-ssioma, significa: premissa imediatamente evidente que se admite como universalmente verdadeira sem exigência de demonstração; proposição que se admite como verdadeira porque dela se podem deduzir as proposições de uma teoria ou de um sistema lógico ou matemático. Por extensão: máxima, sentença.

Exemplo:

- Não há efeito sem causa.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta–feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/qual-e-o-texto-correto-1.html

  

 

 




Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

 



Ante a família maior

 

Emmanuel
(autor espiritual)

Se podes transportar as dificuldades que te afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos irmãos da família maior que a penúria vergasta.

Diante deles, não permitas que considerações de natureza inferior te cerrem as portas do sentimento.

Se algo possuis para dar, não atrases a obra do bem e nem baseies nas aparências para sonegar-lhes cooperação.

Aceitemo-los como sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fôssemos para eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um socorro que lhes afigurava impossível e deixaram que a desesperação os enceguecesse.

Outros se apresentam marcados por hábitos lastimáveis; todavia, não admitas estejam na posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.

Surpreendemos os que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a ideia de criaturas destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e enfermidade, tristeza e desilusão.

Não duvidamos de que existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice; no entanto, isso nunca sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós, os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.

Se rogam auxílio, não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir. Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes os todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo d’água para ganhar energia e seguir adiante.

Esse pede uma frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura ou um pedaço de pão...

Abençoa-os e faze, em favor deles, quanto possas, sem te esqueceres de que o Eterno Amigo nos segue os passos, em divino silêncio, após haver dito a cada um de nós, na acústica dos séculos: “Em verdade, tudo aquilo que fizerdes ao menor dos pequeninos é a mim que o fizestes”.

 

Do livro Estude e Viva, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e  Francisco Cândido Xavier.

  

 





Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

 



Romance

 

Júlia Cortines Laxe

(autora espiritual)


No vetusto solar da longínqua Provença,

Ao pajem disse a dama, ante pálida lua:

– “Nunca te esquecerei!... Sou tua, sempre tua!...”

No outro dia, porém, deu-lhe escárnio e descrença.

 

Relegado no campo ao suor da charrua,

Entre a mágoa do amor e a humilhação da ofensa,

O jovem busca a morte... A morte, em sombra imensa,

Endoidece-lhe o sonho e a vida continua...

 

Mais tarde, a castelã parte igualmente e, ao vê-lo,

Desgrenhado e infeliz, no infeliz pesadelo,

Implora outra existência à Bondade Divina…

 

Hoje, mãe triste e pobre, em lágrimas no arado,

Aconchega no colo um menino entrevado

Que a doença consome e a loucura domina.

 

Do livro Antologia dos Imortais, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

   

 




Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

 


As bênçãos são incontáveis

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Normalmente nem percebemos as inumeráveis bênçãos diárias. Estamos distraídos e ansiosos demais por mais um desejo material e individualista a ser cumprido. Quando realizamos algo, em questão de muito pouco tempo, já queremos outra suposta realização. Não observamos os detalhes do que já existe nem de cada simples acontecimento, tampouco valorizamos o que ocorre sem esforço algum de nossa parte. Nem sequer percebemos que o nosso abençoado corpo físico está trabalhando responsável e ininterruptamente.

A partir do momento em que começamos a enxergar todos os presentes diários, também criamos condições para desfrutar as infinitas bênçãos. Se ainda não olhamos para o céu nem nos encantamos com a sua grandeza e beleza, é a hora; se não contemplamos ainda uma flor, não conhecemos os traços mais sensíveis da beleza natural; se ainda não sentimos o vento fresco em nossa pele, não é possível degrau alto na evolução; se não nos contentamos com um copo de água limpa para beber, então que reflitamos; se não observamos pequeninos detalhes da vida em sua imensidão, que a prece nos desperte para tantos presentes divinos.

A vida segue com cada pormenor que não percebemos ou não nos interessamos mesmo, pois somos mais observadores dos nossos próprios desejos. E raramente imaginamos que o andamento da vida é tão perfeito, e os seres, o tempo e as ocorrências estão completamente entrelaçados e nos esquecemos de todas as bênçãos de cada hora. Já é mais do que chegado o momento de agradecermos a Deus, pois há outras atitudes nos esperando em nossa evolução. A partir do reconhecimento é necessário retribuição e uma das formas mais coerentes é servir a vida, as pessoas, os animais, a natureza. A nossa responsabilidade é notável na existência e quanto mais nos esquivamos de nosso compromisso espiritual mais protelamos  a conquista de nossa paz.

Somos seres pequeninos, no entanto com condição de crescer e fazer o bem. E uma das atitudes bastante propícias para degraus mais altos é a não vitimização que nos tira do papel limitador e infeliz e nos dá condição para o crescimento livre. E pensar que inúmeras pessoas se limitam para receber migalhas sendo que poderiam receber as bênçãos diárias e inesgotáveis da vida.

E a bondade divina é tanta que podemos retomar o caminho próspero a qualquer segundo, basta que a nossa observação perceba o todo iluminado e não mais somente o halo individualista. E agora estamos no momento mais importante de nossas vidas, pois é no presente que curamos o passado e plantamos sementes frutíferas para o amanhã.

E darmos graças a Deus e servirmos a vida são atitudes inteiramente compatíveis com a felicidade que muito desejamos, mas sem o nosso esforço. A vida possui lei absoluta para todos e o que for plantado será colhido.

É o tempo exato para a renovação e o avanço para a eternidade, pois os milagres amorosos acontecem o tempo todo.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


  

 




Conheça meus livros e saiba como o Blog Espiritismo Século XXI funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG