quinta-feira, 18 de julho de 2019




 A importância de cuidar do próprio corpo

Este é o módulo 141 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Utilizada por Jesus, a expressão “a carne é fraca” é correta ou não passa de um equívoco?
2. Como o Espiritismo sugere que cuidemos do nosso corpo material?
3. A proposta contida na velha máxima “mente sã em corpo são” deve ser interpretada de que modo?
4. A falta de cuidados com o próprio corpo pode acarretar consequências desagradáveis?
5. Por que, após haver examinado André Luiz, o médico Henrique de Luna, da colônia espiritual “Nosso Lar”, afirmou que André desencarnara devido a um suicídio? André foi suicida?

Texto para leitura

Macerar o próprio corpo não produz perfeição moral
1. Utilizada certa vez por Jesus, como podemos ler nos textos evangélicos, a expressão “a carne é fraca” tem sido repetida por pessoas que certamente atribuem ao corpo físico as atitudes infelizes e, por extensão, as quedas morais dos seres humanos. Provavelmente, outra não é a razão pela qual existem criaturas que procuram enfraquecer e mesmo flagelar o corpo, com o propósito de evitar as tentações.
2. A maceração do corpo, contudo, não produz nem significa perfeição moral porque, evidentemente, uma não leva à outra. O que se sabe é que o cuidado com o corpo material, promovendo a saúde e prevenindo as enfermidades, influi de maneira importante sobre a alma, porquanto para que essa prisioneira viva se expanda, e chegue a conceber as ilusões da liberdade, tem o corpo de estar sadio, disposto, forte.
3. Com efeito, temos no corpo humano o mais sublime dos santuários e uma das maravilhas da obra divina. Da cabeça aos pés, sentimos a glória do Supremo Idealizador que, no curso incessante dos milênios, organizou para o Espírito em crescimento o domicílio de carne em que a alma se manifesta.
4. Não há dúvida de que, durante o processo reencarnatório, aprisionado ao corpo material, o Espírito se encontra reduzido em suas percepções a limites que se fazem necessários. Visão, audição, tato padecem enormes restrições. O cérebro físico é gabinete escuro, que lhe proporciona ensejo de recapitular e reaprender. Conhecimentos adquiridos e hábitos arraigados aí jazem na forma estática de intuições e tendências.

O corpo físico é o instrumento passivo da alma
5. Dentro das grades dos sentidos fisiológicos, o Espírito recebe, todavia, gloriosas oportunidades de trabalho em busca da autossuperação. Entendamos, assim: O corpo material é instrumento de manifestação do Espírito encarnado. Não é ele – corpo – que é fraco no tocante às quedas morais, mas sim o Espírito.
6. O corpo nada mais é que um instrumento passivo e é de sua condição perfeita que depende a perfeita exteriorização das faculdades do Espírito. Da cessação da atividade desse ou daquele centro orgânico resulta o término da manifestação que lhe é correspondente. É daí que provém toda a sabedoria da velha máxima “mente sã em corpo são”.
7. O corpo material não funciona apartado da alma – ele é, em verdade, a sua representação. Suas células são organizadas segundo as disposições perispirituais do indivíduo, de modo que o organismo doente retrata um Espírito enfermo. 
8. No que se refere ao “corpo são”, tem o atletismo um papel importante e seria sua ação das mais edificantes no tocante à saúde humana, se o homem em sua vaidade e egoísmo não houvesse viciado também a fonte da ginástica e do esporte, transformando-a muitas vezes em tablado de entronização da violência e do abastardamento moral da mocidade, iludida com a força bruta e enganada pelos imperativos da chamada eugenia.  

Não cuidar do corpo é desatender à lei de Deus
9. O homem tem o dever de velar pela conservação do seu corpo. É esta uma lei absoluta, que não lhe é dado ab-rogar e, por esse motivo, não lhe assiste o direito de sacrificar ao supérfluo os cuidados que o veículo físico reclama.
10. Devemos amar nossa alma, sim, cuidando igualmente da saúde do corpo, instrumento que serve à evolução daquela. Desatender às necessidades que a própria Natureza prescreve é desatender à lei de Deus, e tal atitude gera efeitos inevitáveis, como André Luiz registrou em sua primeira obra.
11. Quando André, após ser examinado por Henrique de Luna, escutou-o a dizer-lhe que lamentava tivesse “vindo pelo suicídio”, André protestou: "Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal..." O médico espiritual explicou-lhe então que a oclusão radicava-se em causas profundas. "Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo", explicou-lhe Henrique. (Nosso Lar, cap. 4, p. 31 e 32.)
12. A oclusão – observou em seguida o facultativo – derivava de elementos cancerosos e estes, por sua vez, de algumas leviandades cometidas por André no campo da sífilis. A moléstia talvez não assumisse características tão graves se seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Seu modo especial de agir, muita vez exasperado e sombrio, captara destruidoras vibrações nos que o rodeavam. A cólera é manancial de forças negativas para nós mesmos. A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com as pessoas, a quem muitas vezes ofendera sem refletir, conduziam-no com frequência à esfera dos seres doentes e inferiores. Foi isso que agravou o seu estado. Todo o aparelho gástrico fora destruído à custa de excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas; a sífilis devorou-lhe energias essenciais; o suicídio era incontestável. (Obra citada, cap. 4, pp. 32 e 33.)

Respostas às questões propostas

1. Utilizada por Jesus, a expressão “a carne é fraca” é correta ou não passa de um equívoco?
A frase usada por Jesus não tem o sentido que alguns lhe atribuem. Ora, o corpo físico não é responsável pelas atitudes infelizes e pelas quedas morais do indivíduo. O Mestre referia-se, obviamente, à condição do Espírito reencarnado, que sofre muito a influência do meio em que vive e as restrições que a encarnação lhe impõe.
2. Como o Espiritismo sugere que cuidemos do nosso corpo material?
Temos o dever de velar pela conservação do corpo. É esta uma lei absoluta, que não é dado ao homem ab-rogar e, por esse motivo, não lhe assiste o direito de sacrificar ao supérfluo os cuidados que o veículo físico reclama. Devemos amar nossa alma, sim, cuidando igualmente da saúde do corpo, instrumento que serve à evolução daquela. 
3. A proposta contida na velha máxima “mente sã em corpo são” deve ser interpretada de que modo?
O corpo nada mais é que um instrumento passivo e é de sua condição perfeita que depende a perfeita exteriorização das faculdades do Espírito. Da cessação da atividade desse ou daquele centro orgânico resulta o término da manifestação que lhe é correspondente. O corpo material não funciona apartado da alma – ele é, em verdade, a sua representação. Suas células são organizadas segundo as disposições perispirituais do indivíduo, de modo que o organismo doente retrata um Espírito enfermo. 
4. A falta de cuidados com o próprio corpo pode acarretar consequências desagradáveis?
Sim. Desatender às necessidades que a Natureza prescreve é desatender à lei de Deus, e tal atitude gera efeitos desagradáveis.
5. Por que, após haver examinado André Luiz, o médico Henrique de Luna, da colônia espiritual “Nosso Lar”, afirmou que André desencarnara devido a um suicídio? André foi suicida?
Sim. Algumas leviandades cometidas por André Luiz no campo da sífilis, seu modo especial de agir, muita vez exasperado e sombrio, a ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com as pessoas, a quem muitas vezes ofendera sem refletir, conduziam-no com frequência à esfera dos seres doentes e inferiores. Todo o aparelho gástrico fora destruído à custa de excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas; a sífilis devorou-lhe energias essenciais; seu suicídio, embora não consciente, fora incontestável. 

Bibliografia:
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XVII, item 11.
Elucidações evangélicas, de Antônio Luiz Sayão, p. 459.
O Consolador, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, questão no 127.
Emmanuel, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, p. 184.
Livro da Esperança, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, p. 49.
Roteiro, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pp. 15, 16, 20 e 21.
Nosso Lar, de André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, cap. 4.


Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 17 de julho de 2019




Cultura de graça

Scheilla (espírito)

Além da cultura primária da inteligência, o homem paga na Terra todos os dotes do conhecimento mais elevado.
Pelo currículo de várias disciplinas, cobram-se-lhe matrículas, taxas, honorários e emolumentos diversos, nas casas de ensino superior.
Se quiser explicadores dessa ou daquela matéria em que se veja atrasado, é constrangido ao dispêndio de extraordinários recursos.
Se decidir penetrar o domínio das artes, é obrigado a remunerar as notas do solfejo ou a iniciação do pincel.
Entretanto, para as nossas aquisições sublimes, permite o Senhor que a Doutrina Espírita abra atualmente na Terra preciosos cursos de elevação, em que a cultura da alma nada pede à bolsa dos aprendizes.
Cada templo do Espiritismo é uma escola aberta às nossas mais altas aspirações e cada reunião doutrinária é uma aula, suscetível de habilitar-nos às mais amplas conquistas para o caminho terrestre e para a Vida Maior.
Pela administração desses valores eternos não há preço amoedado. Cada aluno da organização redentora pode comparecer de mãos vazias, trazendo simplesmente o sinal do respeito e o vaso da atenção.
Jesus, o Mestre dos Mestres, passou entre os homens sem nada cobrar por seus Divinos Ensinamentos.
E o Espiritismo, que Lhe revive agora as bênçãos de amor, pode ser comparado a instituto mundial de educação gratuita, conduzindo-nos a todos, sem exigência e sem paga, do vale obscuro da ignorância para os montes da luz.

Do livro Ideal Espírita, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.





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terça-feira, 16 de julho de 2019




No jardim particular pode-se ter a mais linda flor

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Em vez de desejar as flores do jardim vizinho, é mais proveitoso e coerente plantar as próprias begônias, rosas, margaridas, girassóis e todas com as quais se identificar. Criar um lindo jardim para as coloridas borboletas quererem visitar... mariposas... farfalle... butterflies... ah, como as amo!
A primeira conquista é a porção de terra. Feito isso, o agradecimento deve apenas se intensificar, logo, já deve ser existente. Para as sementes das flores preferidas, é necessário arar a terra. Após a preparação, com o espaço determinado entre cada uma delas, cobri-las com a terra, ajeitar essa porção e regar com um pouco de água para animá-las e fazê-las sentir o maravilhoso teor da vida.
Com cuidado e tempo, este que tudo cura e faz reviver, as pequeninas germinarão, renascerão da terra e enxergarão a luz do sol. E crescerão para o seu propósito de alegrarem o universo, perfumarem e suavizarem os lugares, colorirem, com muito entusiasmo, os jardins de cada família, de cada casa, também os individuais, os jardins de hospitais, clínicas, penitenciárias, os jardins da vida. E só pode ser uma flor, o símbolo de tanto sentimento. Até um pequeno príncipe teve uma rosa como sua grande amiga.
A flor do jardim particular se pode cultivar e ver sua transformação a cada dia; talvez não seja a mais rara ou esplendorosa, comparada a inúmeras espécies, mas será sempre uma flor plantada pelas próprias mãos, com tanto cuidado, e será tão amada e familiar. Quando se passa a valorizar e a amar o que se tem na vida, a felicidade entra e traz a fragrância da compreensão, tolerância, alegria, leveza e respeito que inundam os dias e afagam a existência.
Os outros jardins também são belos, porém a maioria das vezes é possível apenas a sua apreciação a distância, através de uma cerca e sem nenhum toque nesta mais delicada natureza.
Pessoas dizem que não se deve contentar só com o que já se possui, pois se torna favorável à estagnação, mas se não houver principalmente contentamento com essas aquisições como se entenderá o valor de cada conquista? Tudo o que se obtém no campo benéfico da vida, assim como nos campos das flores, deve ser muito festejado e reconhecido com felicidade.
E na própria vida tanto se pode melhorar e construir. Quando em casa está em harmonia e o jardim, mesmo que simples, já começa a florir, a rega da sabedoria está presente e o perfume da mais linda flor poderá ser sentido desde o amanhecer.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/







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segunda-feira, 15 de julho de 2019



Erros na fala ou na escrita são, infelizmente, muito comuns em jornais, revistas e programas de rádio e TV.
Aqui estão mais seis exemplos, seguidos da correção e das explicações pertinentes:
1. Como já disse anteriormente, na vida nada é fácil.
O correto: Como já disse, na vida nada é fácil.
Explicação: Não existe razão para o emprego na frase do advérbio “anteriormente”. Ora, se eu já disse alguma coisa só pode ter sido anteriormente.
2. O meio ambiente pede-nos que cuidemos da mata atlântica.
O correto: O meio ambiente pede-nos que cuidemos da Mata Atlântica.
Explicação: Na designação dos biomas, as iniciais são maiúsculas: Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga. Confira: https://portuguessemmisterio.com.br/2015/07/24/maiusculas-e-minusculas/
3. Lá têm muitas crianças fora da escola.
O correto: Lá existem [ou há] muitas crianças fora da escola.
Explicação: Embora bastante comum na linguagem popular, o uso do verbo “ter” em construções do tipo mencionado deve ser evitado.
4. Espero que bons exemplos assim possam se reproduzir.
O correto: Espero que bons exemplos assim possam reproduzir-se.
Explicação: Os gramáticos e estudiosos do idioma português recomendam que nas locuções verbais, sempre que possível, o pronome átono não fique solto entre os verbos: ou faz ênclise com o primeiro verbo ou faz ênclise com o segundo, adotando-se a forma mais eufônica.
5. Muitos vocábulos do nosso idioma originam-se do tupi guarani.
O correto: Muitos vocábulos do nosso idioma originam-se do tupi-guarani.
Explicação: Tupi-guarani escreve-se com hífen. Em caso de dúvida, recomenda-se a consulta ao VOLP - eis o link: http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario?sid=23
6. O livre arbítrio das pessoas deve ser respeitado.
O correto: O livre-arbítrio das pessoas deve ser respeitado.
Explicação: Livre-arbítrio se escreve com hífen, do mesmo modo que livre-docência, livre-câmbio, livre-iniciativa e livre-pensador.





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domingo, 14 de julho de 2019




A parábola dos talentos e o que temos feito

Anos atrás veio falar em nossa região um renomado orador espírita radicado na Capital de São Paulo. Numa das cidades em que ele proferiu vibrante palestra o público presente fora bem pequeno; não havia na plateia mais do que dez pessoas.
Finda a palestra, um amigo, que havia transportado o orador até àquela localidade, tocou no assunto e lamentou o fato. Afinal o visitante viera de longe, deixara seus afazeres e o conforto do próprio lar e, no entanto, as pessoas da cidade não valorizaram, como deviam, sua presença.
Assim que ouviu tais palavras, o orador virou-se para o amigo e lhe disse: “Você sabe para quantas pessoas o Cairbar Schutel palestrava no início de suas tarefas na seara espírita? E o Chico Xavier? Quantas vezes leu e comentou o Evangelho para um salão vazio! Ora, se Cairbar e Chico passaram por isso, quem somos nós para lamentar tais coisas?!”
Esse assunto foi suscitado devido a um fato muito comum que ocorre nas lides espíritas, em que trabalhadores diversos – palestrantes, coordenadores de estudo, evangelizadores e cooperadores em geral – desistem de determinada tarefa devido ao número diminuto de pessoas ou de crianças que comparecem à atividade que realizam.
O voluntário da tarefa espírita começa muitas vezes com todo o entusiasmo, mas em seguida desanima, entendendo que não vale a pena deslocar-se do seu lar para participar de uma atividade que considera desimportante...
Na conhecida parábola dos talentos, anotada por Mateus no cap. 25:14-30 do seu Evangelho, há uma passagem que deveríamos ter sempre à vista. Referimo-nos à frase que foi dita pelo Senhor ao seu servo: “Servidor bom e fiel; pois que foste fiel em pouca coisa, confiar-te-ei muitas outras; compartilha da alegria do teu senhor”.
Quando somos convidados a trabalhar na seara cristã, não importa quantos adultos ou quantas crianças iremos atender. O que importa é a nossa participação, é o nosso empenho, é a boa vontade com que realizamos a tarefa, porque todo trabalho feito com amor e abnegação tem igual peso, seja numa grande instituição localizada na Capital da República, seja numa singela casa espírita situada na periferia de qualquer uma das cidades do Brasil ou do exterior.
Sendo fiel no cumprimento da tarefa que supomos humilde ou desimportante, estaremos preparando-nos para tarefas mais complexas ou de maior responsabilidade que um dia certamente nos serão delegadas.




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sábado, 13 de julho de 2019




A arte e a novela dos nossos dias

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Numa das aulas de literatura a que assisti, anos atrás, na UnB, uma de nossas professoras disse-nos que “literatura é mentira”. Como aluno disciplinado que sempre me esforcei em ser, ouvi calado o que a mestra disse, embora intimamente discorde disso. História e literatura, muitas vezes, se confundem, embora a segunda seja considerada ficção, irrealidade. Quantas vezes, porém, a história não é “irreal” e reformulada, sobretudo pelos que assumem o poder? Nesse caso, o vencedor enxerga as coisas sob forma diferente da que é vista pelo vencido.
Do meu modesto ponto de vista, a mimese literária, termo criado por Platão, ampliado em sua conceituação por Aristóteles e apropriado, entre outros, pelo francês René Girard, é a própria “realidade” trabalhada artisticamente. “Realidade” acontecida, acontecendo ou possível de  acontecer. Salvo casos especiais, como os da literatura fantástica. Por isso, a mimese objetiva imitar algo visto ou representar a natureza e as ações dos seres, estejam eles vivos ou mortos. Mas a visão pode ser real ou imaginária. E aqui entram os devaneios de Gaston Bachelard (A poética do espaço).
O Dicionário Aurélio informa-nos alguns conceitos de literatura que ratificam meu juízo sobre essa palavra: “1. Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou em verso. 2. O conjunto de trabalhos literários dum país ou duma época [...]”. Literário, esclarece-nos Aurélio, é também adjetivo “respeitante a letras, à literatura ou a qualquer espécie de cultura adquirida pelo estudo ou pela leitura”. Ou seja, tudo o que se escreve, lato sensu, é literatura.
Nesse sentido, os roteiros de filmes e novelas enquadram-se na definição literária. Como as novelas imitam a realidade, ou, pelo menos, tentam convencer o telespectador atual de que “agora é assim”, observamos uma mudança radical entre o que era encenado anos atrás e o que vemos agora no Brasil. Refiro-me à representação do amor.
Antes, era o rapaz que se ajoelhava aos pés da dama e a pedia em casamento. Agora é esta quem o pede em matrimônio ou para ficarem juntos. Antes, nos filmes e novelas, um beijo dado, inesperadamente, pelo amado, era retribuído com um forte tapa da musa. Agora, é ela quem se atira aos braços dele, para beijá-lo, sem qualquer pudor... Quando não lhe desabotoa a roupa em caliente encontro.
As consequências disso têm sido desastrosas, para quem confunde “ficção” com “realidade”. Como exemplo, cito as novelas da Globo. Elas não retratam mais o amor e sim o sexo. No último sábado, 6 de julho, liguei rapidamente a TV no canal citado, enquanto preparava meu jantar e, em poucos minutos, o que vi passar, na novela das dezenove horas, confirmou minha impressão atual sobre a mensagem de tais programas, abertos ao público em geral.
Eis a cena que presenciei, representada, num quarto, entre uma jovem e um rapaz seminus: ela de calcinha e soutien; ele, só de cueca. O rapaz, com a cara apalermada, já de pé; a moça, deitada na cama.
Ele: — Fulana, acorda, vamos continuar a tese. Não sei o que aconteceu comigo. Dormi e não me lembro de mais nada.
Ela: — Fulano, espera... Não sei como adormeci e também não me recordo do que aconteceu conosco... Acho que colocaram alguma droga em nossa bebida. Depressa, vamos voltar à tese.
Desliguei a TV...
Au revoir, amour!





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sexta-feira, 12 de julho de 2019




O porquê da vida

Léon Denis

Parte 3

Damos sequência ao estudo do clássico O porquê da vida, de Léon Denis, com base na 14ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira. O estudo será aqui apresentado em 13 partes.
Nossa expectativa é que ele sirva para o leitor como uma forma de iniciação ao estudo dos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Como Léon Denis conceitua a dor?
B. Onde se situa o inferno?
C. Por que não nos lembramos das vidas passadas?

Texto para leitura

27. A imortalidade desenrola-se para cada um de nós na imensidade dos tempos e cada existência liga-se, pela frente e por detrás, a vidas distintas e diferentes, porém solidárias umas às outras, sendo o futuro a consequência do passado. (P. 30)
28. A lei superior do Universo é o progresso incessante, a ascensão dos seres até Deus, foco das formas mais rudimentares da vida. Por uma escala infinita, por meio de transformações inumeráveis, nos aproximamos do Criador. No íntimo de cada alma está depositado o germe de todas as faculdades, de todas as potências, competindo-nos o dever de fazê-las frutificar pelos nossos esforços e trabalhos. (P. 31)
29. A nossa obra é a do adiantamento e da felicidade futura. Cada globo que rola pelo espaço é um vasto laboratório onde a substância espiritual é incessantemente trabalhada. No meio das provações retemperam-se os grandes caracteres. A dor é a purificação suprema, a fornalha onde se fundem os elementos impuros que nos maculam. (PP. 31 e 32)
30. É ela a escola - única escola - onde se depuram as sensações, onde se aprendem a piedade e a resignação estoica. Enquanto os gozos sensuais, prendendo-nos à matéria, retardam a nossa elevação, o sacrifício e a abnegação nos liberam. (P. 32)
31. Cada conquista que o homem faça sobre suas paixões, cada passo que der para diante, fará alargar seus horizontes e aumentar sua esfera de ação, e para isso concorre a pluralidade das existências, lei que dá a chave de problemas até então insolúveis e explica a desigualdade das condições e a variedade infinita das aptidões e dos caracteres. (PP. 32 e 33)
32. Conhecemos ou teremos de conhecer sucessivamente todas as fases da vida terrestre. No passado, éramos como os selvagens que povoam as regiões atrasadas; no futuro, poderemos elevar-nos à altura dos gênios imortais que clareiam o caminho da Humanidade. A história da Humanidade é a nossa própria história. (P. 33)
33. A reencarnação mostra de um modo notável a soberana justiça reinando sobre os seres. Alternadamente construímos e quebramos os nossos próprios grilhões. As provas terríveis suportadas por certas pessoas são consequentes da sua conduta passada. O déspota renascerá como escravo; a mulher vaidosa habitará um corpo enfermo; o ocioso se tornará mercenário. (P. 33)
34. Quem tiver feito sofrer, sofrerá a seu turno. É inútil procurar o inferno em regiões longínquas, pois ele está em nós, oculta-se nos recessos de nossa alma culpada, e somente a expiação pode fazer cessar  suas dores. Não há penas eternas. (P. 33)
35. Alguns perguntam por que razão, se tivemos outras vidas, não nos recordamos delas? Como poderemos fazer a nossa expiação, desconhecendo a origem das faltas passadas? (P. 34)
36. Tais pessoas não sabem o que falam, porque a lembrança do passado seria antes um pesado fardo preso aos nossos pés. Ora, se há pouco saímos das épocas do furor e da bestialidade, qual poderia ter sido o passado de cada um de nós? (P. 34)
37. Deus fez bem ao apagar dos nossos cérebros a lembrança de um passado temível, porque, depois de beber as águas do Letes, renascemos para uma nova vida, o que seria impraticável se víssemos a todo momento os crimes cometidos. (P. 34)
38. Esse passado não está, contudo, inteiramente apagado e podemos até entrever-lhe alguns vestígios, expressos por nossos gostos, nossas tendências, nossas aspirações. As ideias inatas não são mais que a herança intelectual e moral que vêm das nossas vidas anteriores. (P. 35)
39. Sendo o alvo da vida o aperfeiçoamento intelectual e moral do ser, que condições, que meios nos convirão melhor para atingi-lo? Evidentemente, o homem pode trabalhar pelo seu aperfeiçoamento em qualquer condição e em qualquer meio social, mas será mais bem sucedido sob certas e determinadas condições. (P. 36)

Respostas às questões preliminares

A. Como Léon Denis conceitua a dor?
A dor é a purificação suprema, a fornalha onde se fundem os elementos impuros que nos maculam. É ela a escola - única escola - onde se depuram as sensações, onde se aprendem a piedade e a resignação estoica. Enquanto os gozos sensuais, prendendo-nos à matéria, retardam  nossa elevação, o sacrifício e a abnegação nos liberam. É no meio das provações que se retemperam os grandes caracteres. (O porquê da vida, pp. 31 e 32.)
B. Onde se situa o inferno?
O inferno está em nós, oculta-se nos recessos de nossa alma culpada, e somente a expiação pode fazer cessar as suas dores. É inútil, pois, procurá-lo em regiões longínquas. A reencarnação mostra de um modo notável a soberana justiça reinando sobre os seres. As provas terríveis suportadas por certas pessoas são consequentes da sua conduta passada. O déspota renascerá como escravo; a mulher vaidosa habitará um corpo enfermo; o ocioso se tornará mercenário. Quem tiver feito sofrer, sofrerá a seu turno. (Obra citada, pág. 33.)
C. Por que não nos lembramos das vidas passadas?
Não nos lembramos do passado porque essa lembrança seria um pesado fardo preso aos nossos pés. Ora, se há pouco saímos das épocas do furor e da bestialidade, qual poderia ter sido o passado de cada um de nós? Deus, portanto, fez bem ao apagar dos nossos cérebros a lembrança de um passado temível, porque, depois de beber as águas do Letes, renascemos para uma nova vida, o que seria impraticável se víssemos a todo momento os crimes cometidos. (Obra citada, pág. 34.)






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