segunda-feira, 27 de maio de 2019





Da série de erros frequentes no uso do idioma português, eis mais cinco exemplos:
1. Amigo, é cedo ainda. Não se vai; fica mais um pouco.
O correto: Amigo, é cedo ainda. Não se vá; fique mais um pouco.
Explicação: O erro advém do desconhecimento de como é formado o imperativo dos verbos utilizados no texto acima.
2. No parque central tem muitas árvores centenárias.
O correto: No parque central há muitas árvores centenárias. [Outra opção: No parque central existem muitas árvores centenárias.]
Explicação: Os verbos haver e existir são os mais indicados em frases assim.
3. Os demais desejavam se beneficiar da nossa ausência.
O correto: Os demais desejavam beneficiar-se da nossa ausência.
Explicação: Embora ignorada com frequência no português praticado no Brasil, a norma culta pede-nos que nas locuções verbais os pronomes oblíquos átonos não fiquem soltos entre os verbos.
4. A mãe, antes de sair, pediu ao filho para cuidar do avô.
O correto: A mãe, antes de sair, pediu ao filho que cuidasse do avô. [Outra opção: A mãe, antes de sair, pediu ao filho cuidar do avô.]
Explicação: A parte final do texto – “cuidar do avô” – é objeto direto de “pediu”. Não pode, pois, ser antecedida da preposição “para”, que não cabe em frases desse tipo.
5. O rapaz saiu de casa decidido a viajar pelo país a fora.
O correto: O rapaz saiu de casa decidido a viajar pelo país afora.
Explicação: O termo “afora”, seja como preposição, seja como advérbio, é escrito numa só palavra.




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domingo, 26 de maio de 2019




O amor cobre a multidão dos pecados

De vez em quando reaparece em nosso meio uma velha questão acerca da chamada pena de talião. Ela continua existindo ou foi revogada por Jesus?
A pena de talião, que outros chamam de lei de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena, apropriadamente chamada retaliação. Essa lei é frequentemente expressa pela máxima “olho por olho, dente por dente”.
Trata-se de uma das mais antigas leis existentes em nosso mundo, cuja origem encontramos no Código de Hamurabi, em 1780 a.C., na Babilônia. Moisés, algum tempo depois, a consagrou em Israel.
Conforme se lê na questão 764 de O Livro dos Espíritos, a pena de talião, tal como era aplicada na antiguidade, não mais vigora. O que vigora no mundo é, em verdade, a justiça de Deus e é, obviamente, Deus quem a aplica. Conhecida na doutrina espírita como lei de causa e efeito, ela aparece no Evangelho resumida numa frase que Jesus disse ao apóstolo Pedro: “Pedro, guarda a espada, porque todo aquele que matar com a espada perecerá sob a espada”.
O rigor de tal pena pode, contudo, ser suavizado por uma outra lei que se tornou conhecida graças ao citado apóstolo: “O amor cobre a multidão dos pecados”, frase que integra a 1ª Epístola de Pedro, cap. 4, versículo 8, o que significa que muitas pessoas podem alterar o mapa de sua vida amando, ajudando, fazendo o bem, uma ideia que Divaldo Franco resumiu numa frase bem conhecida: “O bem que fazemos anula o mal que fizemos”.
O tema foi examinado por Allan Kardec no texto intitulado “Código Penal da Vida Futura”, que faz parte do cap. VII da 1ª Parte do livro O Céu e o Inferno.
Segundo o Codificador, quando o assunto é a regeneração de quem lesou o próximo, o arrependimento, embora seja o primeiro passo, não basta. É preciso ajuntar ao arrependimento a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, pois, as condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências.
O arrependimento, afirma Kardec, suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; mas somente a reparação pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa. Não fosse assim, o perdão seria uma graça, não uma anulação.
Quando Pedro escreveu a epístola a que nos reportamos, ele certamente se referia à expiação, que pode ser perfeitamente amenizada e até excluída pela prática do bem e da caridade, que são a expressão maior do amor. Na literatura espírita encontramos diversos exemplos disso. Muitas vezes a pessoa deveria perder um braço inteiro, em face de um delito cometido no passado, e perde apenas um dedo. No tocante à reparação, isso, porém, não se dá.
Lembremos o que Kardec escreveu a respeito:

“A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se foi orgulhoso, amável se foi austero, caridoso se foi egoísta, benigno se foi perverso, laborioso se foi ocioso, útil se foi inútil, frugal se foi intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados”. (O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. VII.)

O importante, no entanto, é que tudo isso pode ser feito não necessariamente debaixo de um grande sofrimento, em face do abrandamento lembrado em boa hora pelo apóstolo Pedro, sintetizado na frase: “O amor cobre a multidão dos pecados”.





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sábado, 25 de maio de 2019




Conhecereis a verdade...

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Dona Maria de Sousa Feitosa e o senhor Manoel Alves Pinto, casados, sempre moraram no Alto Parnaíba, Maranhão. Em sua pequena roça, onde falta quase tudo, tiveram quinze filhos: nove mulheres e seis homens. Entretanto, pelo fato de três filhas terem morrido bem novas (9 meses, 1 ano e 3 anos), a família ficou reduzida a apenas doze criaturas, além dos pais: seis mulheres e seis homens.
Quando nasceu a última filha, a mais velha dos doze que sobraram estava com 24 anos. Era a Guimar. Alguns vieram para Brasília, como a Guimar, que trabalha conosco uma vez por semana, como diarista, e, noutras casas, nos demais dias. Seu importante serviço consiste em passar as roupas do casal, pois nossos filhos estão casados.
Por ironia do destino, a Guimar não teve filho. Está atualmente com 55 anos e casou-se com idade avançada, por isso não procriou.
Quando fala de sua família, nossa prestimosa auxiliar demonstra bem o que é a ausência de política pública, em nosso país, voltada para o planejamento familiar e investimento na educação básica de qualidade, além da valorização do trabalho operário e criação de empregos compatíveis com a aptidão de cada pessoa. Todos são pobres e lutam com dificuldade para sobreviver. Um dos irmãos nunca saiu da casa paterna e está sempre embriagado. Enfermou da alma, ante a vivência de tanta miséria.
São essas famílias que vivem de bolsas-família no Brasil. Muitas delas, por morarem em terras inférteis, devido à ação da alta temperatura, não conseguem sobreviver onde nasceram. Para isso, juntam seus trapos e vêm para as grandes cidades, onde, por não terem formação escolar adequada, quando não são analfabetas, ocupam qualquer espaço onde possam dormir. Durante o dia, vagam pela cidade à procura de emprego, sem possuírem qualquer qualificação para o trabalho. Quando têm sorte, fazem qualquer serviço. Aprendem fazendo...
Muitas dessas pessoas, não obtendo trabalho com remuneração mínima para sua sobrevivência, vivem de mendicância, de pequenos ou grandes furtos. Outras deprimem-se, por se sentirem inúteis socialmente, aliam-se a traficantes e passam a vender e consumir drogas.
Para muitos desses nossos irmãos e irmãs, a morte passa a ser considerada uma verdadeira bênção, pois sua existência é um mar de lágrimas e de lama. É então que o trabalho dos “bons samaritanos” surge em socorro dessas pessoas. Nem todos, porém, aceitam a humilhação de viver da caridade alheia. Os mais revoltados juntam-se a outros e formam quadrilhas que matam e roubam sem qualquer escrúpulo ou medo da morte.
O governo brasileiro precisa ser austero e diminuir os privilégios de alguns milhares de cidadãos que jamais passaram fome, para atender os milhões de desesperados que, com prole imensa, imploram um emprego simples, mas com salário digno. Criar escolas que abriguem os filhos dos proletários e lhes proporcionem instrução num turno e formação profissional noutro, oferecendo-lhes café da manhã, almoço e jantar diariamente. Nos intervalos dos trabalhos e estudos, que eles tenham lazer. E que a instrução valorize a ética, os princípios morais elevados, sem imposição de crença, mas de fé e amor a Deus e ao próximo, como nos ensinam as tradições de todas as religiões e os filósofos espiritualistas.
Proporcionar formação para o trabalho e criação de empregos para todos os brasileiros e brasileiras é fundamental. Cabeça vazia, mãos desocupadas e estômago faminto são porta aberta para os espíritos malignos.
Propomos, também, criar colônias de trabalho, com segurança máxima, nas grandes extensões de terras mal aproveitadas desse nosso imenso país, que mais é um continente. Enviar para lá os criminosos. Construir escolas, bibliotecas, quadras esportivas, templos de meditação e oração, para que tais excluídos da sociedade tenham sempre com o que ocupar suas horas cotidianas e não se sintam simplesmente punidos como párias sociais irrecuperáveis. 
Proporcionar infraestrutura nesses lugares, com oportunidade de trabalho, conforme a aptidão de cada um, proporcionar-lhes lazer e conhecimento, com certificados aos de bom aproveitamento nos estudos. Dar-lhes oportunidade de refletir que não vale a pena matar, roubar, viver em vadiagem, ainda que passem o resto de suas existências nessas colônias.
Não é pela vingança que se corrigirá o malfeitor e, sim, pelo amor e pelo esclarecimento de suas almas. Para tratamento dos enfermos e dos psicopatas, criem-se hospitais especializados, a fim de que possam ser tratados humanamente.
Justiça não é vingança, é dar a cada um segundo seu merecimento, mas sem crueldade. É nisso que está contida a mensagem do Cristo: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João, 8:32).





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sexta-feira, 24 de maio de 2019




O Tesouro dos Espíritas

Miguel Vives y Vives

Parte 12

Damos sequência ao estudo do clássico O Tesouro dos Espíritas, de Miguel Vives y Vives, que está sendo aqui estudado em 16 partes, com base na tradução de J. Herculano Pires, conforme a 6ª edição publicada pela Edicel.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que conselho Miguel Vives dá aos jovens espíritas?
B. Que disse Teresa de Ávila (Espírito) a Miguel Vives?
C. Que ocorre com quem foi na Terra egoísta e avaro, que tudo desejou no mundo e não foi misericordioso nem virtuoso?

Texto para leitura

138. Muito poderemos fazer se tivermos vontade. “Não deveis olvidar - diz Miguel Vives - que os que foram contados para este apostolado do Espiritismo são distinguidos pelo Alto.” (P. 147)
139. Destacando o papel dos jovens espíritas, a quem ele fala: “Sereis os mestres espíritas do futuro”, Miguel Vives adverte: “se quereis ser bons mestres no futuro, sede agora bons discípulos, até que a Providência vos chame a desempenhar mais alta missão”. (PP. 147 e 148)
140. Quando tivermos diante de nós o chamado do Espiritismo para o seu serviço, devemos aceitá-lo com gosto, recomenda Miguel Vives. “Não olheis para trás, nem para o que vos prejudica, porque às vezes, ao começar o desempenho de tão útil missão, faz-se presente a cruz, pois há de carregá-la quem tenha a missão de ensinar e conduzir os seus irmãos.” (P. 150)
141. Incentivando jovens e velhos a aceitar os encargos que lhes sejam oferecidos, Vives é categórico: “Todo o tempo que se passa na Terra, e que não serviu para o adiantamento do nosso espírito, é tempo perdido”. (PP. 151 e 152)
142. A reverência a Deus, nosso Pai, é uma constante também nas recomendações do autor, que adverte: “Tudo quanto tendes, sois e possuís, deveis a Deus, o Pai infalível e universal, autor de toda a Criação. Portai-vos, pois, como bons filhos”. (P. 152)
143. Jesus é tratado por Miguel Vives com o respeito que ele merece. “Lembrai-vos, diz ele, que o maior dos irmãos, que é o Mestre Sublime, o Senhor dos Senhores, antes que vós o conhecêsseis, antes que lhe désseis atenção, quando estávamos todos perdidos em veleidades e caprichos, deixou a Morada da Luz, afastou-se da felicidade e desceu para sofrer a brutalidade humana.” (P. 154)
144. Aos futuros mestres, Miguel Vives aconselha tomar por Mestre o Senhor: “Segui-o e amai-o muito, porque sem abnegação e sacrifício não podereis entrar no Reino de Deus. E, quando chegarem as horas de grandes provas, se o tomardes por Mestre, não ficareis órfãos da sua proteção”. (P. 154)
145. Jesus veio bem antes, para preparar os que deviam passar pelo sacrifício. E, depois do sacrifício, ficou, para guiar-nos no caminho. “Não o duvideis, jovens espíritas, o Senhor paira acima do apostolado espírita e se serve de todos os que amam e praticam a lei com justiça.” (PP. 154 e 155)
146. No último capítulo de seu livro, Miguel Vives deixa claro que a obra por ele assinada foi, na verdade, um trabalho dos Espíritos, que o inspiraram para elaborar os conselhos dirigidos aos irmãos espíritas. “Se eu – diz Vives – não pude ser fiel, se procedi como um mau intérprete dos irmãos que vivem na vida livre do espaço, este será um trabalho inútil. Não obstante, suplico: se neste trabalho houver algo de bom, que seja aproveitado, por ser obra dos seres de além-túmulo, aos quais devemos ser agradecidos. Eles não têm culpa se eu fui um mau intérprete, e, além do mais, ignorante.” (PP. 157 e 158)
147. Estando o médium em oração, apareceu-lhe Teresa de Ávila, muito formosa, que lhe disse: “Segundo as virtudes que praticardes na vida terrena, vivereis num estado mais feliz ou mais desgraçado no Espaço. Aquele que, na Terra, foi virtuoso, caridoso, compadecido, resignado e amoroso, quando deixa este mundo é semelhante ao viajor que empreende a sua viagem num dia primaveril. À medida que avança no seu caminho, o sol vai subindo majestoso no espaço e a sua viagem transborda de luz e formosura. Porque o espírito que se conduz bem, ao deixar a Terra, vai abrindo as suas faculdades à luz. E quando desperta, encontra-se em plena luz...” (PP. 160 e 161)
148. O oposto se dá com quem foi, na Terra, egoísta e avaro, que tudo desejou no mundo, que não foi misericordioso, nem virtuoso. Esse Espírito entra no mundo espiritual quando o sol se encontra no ocaso. “À medida que vai despertando, as trevas aumentam e, quando está completamente acordado, tudo ao seu redor é tenebroso e terrível. Quer saber onde está,  mas não é possível averiguá-lo. Vai de um lado para outro, e nada mais encontra, senão trevas, solidão e medo. Tudo, no espaço, lhe parece lúgubre, e então começa a desesperação.” (P. 161)
149. Concluindo a mensagem, Teresa de Ávila aconselha: “Habitantes da Terra: apressurai-vos a atrair a luz para vós, através das boas obras! Modificai vossas vidas, vós, que praticais o mal! Porque, do contrário, vossa derradeira hora será terrível e vosso despertar horroroso”. (P. 161)

Respostas às questões preliminares

A. Que conselho Miguel Vives dá aos jovens espíritas?
Afirmando que os jovens de hoje serão os mestres espíritas do futuro, Miguel assevera: “se quereis ser bons mestres no futuro, sede agora bons discípulos, até que a Providência vos chame a desempenhar mais alta missão”. Quando tivermos diante de nós o chamado do Espiritismo para o seu serviço, devemos aceitá-lo com gosto. “Todo o tempo que se passa na Terra, e que não serviu para o adiantamento do nosso espírito, é tempo perdido”. (O Tesouro dos Espíritas, 1ª Parte, Guia Prático para a Vida Espírita, pp. 147 a 152.)
B. Que disse Teresa de Ávila (Espírito) a Miguel Vives?
Teresa de Ávila, muito formosa, apareceu-lhe num momento de prece e disse: “Segundo as virtudes que praticardes na vida terrena, vivereis num estado mais feliz ou mais desgraçado no Espaço. Aquele que, na Terra, foi virtuoso, caridoso, compadecido, resignado e amoroso, quando deixa este mundo é semelhante ao viajor que empreende a sua viagem num dia primaveril. À medida que avança no seu caminho, o sol vai subindo majestoso no espaço e a sua viagem transborda de luz e formosura. Porque o espírito que se conduz bem, ao deixar a Terra, vai abrindo as suas faculdades à luz. E quando desperta, encontra-se em plena luz...” (Obra citada, pp. 160 e 161.)
C. Que ocorre com quem foi na Terra egoísta e avaro, que tudo desejou no mundo e não foi misericordioso nem virtuoso?
Teresa de Ávila diz que tal pessoa entra no mundo espiritual quando o sol se encontra no ocaso. “À medida que vai despertando, as trevas aumentam e, quando está completamente acordado, tudo ao seu redor é tenebroso e terrível. Quer saber onde está, mas não é possível averiguá-lo. Vai de um lado para outro, e nada mais encontra, senão trevas, solidão e medo. Tudo, no espaço, lhe parece lúgubre, e então começa a desesperação.” (Obra citada, pág. 161.)

Observação:
Eis os links que remetem aos textos anteriores:




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quinta-feira, 23 de maio de 2019




Adoração a Deus

Este é o módulo 133 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Onde podemos encontrar, segundo o Espiritismo, a prova da existência de Deus?
2. O pensamento que formulamos acerca de Deus é ainda muito primário. Chegaremos um dia a compreender Deus e dirimir todas as dúvidas que essa questão ainda nos apresenta?
3. Por que razão diz o Espiritismo que o homem da nossa época não pode compreender a natureza íntima de Deus?
4. Em que consiste a adoração a Deus e quais as suas consequências para os homens?
5. Que forma de adoração é mais agradável ao Criador?

Texto para leitura

Somente com a evolução é que veremos Deus de forma diferente
1. Tema de abertura da principal obra do Espiritismo, Deus é definido de forma bastante clara pelos imortais como sendo a Inteligência suprema e a Causa primária de todas as coisas. A prova de sua existência, explicam os Espíritos superiores, pode se encontrar num axioma que utilizamos em nossas ciências: “Não há efeito sem causa”. “Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.” (O Livro dos Espíritos, questões 1 e 4.)
2. A questão de Deus é, com efeito, o mais grave de todos os problemas suspensos sobre nossas cabeças e cuja solução se liga, de maneira estrita e imperiosa, ao problema do ser humano e seu destino. O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e sobre a vida é – no dizer de Léon Denis – o que há de mais essencial, de mais necessário, porque é Ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia.
3. Diz-nos Pietro Ubaldi que só gradualmente conseguiremos entender a essência das manifestações do Criador, quando pelo desenvolvimento de nossas capacidades perceptivas e conceptuais formos aprendendo a penetrar na profundidade das coisas. É, por isso, realmente maravilhoso que Espíritos ainda em acanhada condição evolutiva, como a nossa, tenhamos concebido desde sempre a certeza da existência de um Ser Superior que a tudo governa. 
4. A princípio, essa ideia – inata no homem – é vaga e bastante abstrata. Com a evolução, através de múltiplas experiências reencarnatórias, passamos a ver Deus de maneira diferente. A sábia natureza limitou nossas percepções e nossas sensações e é de degrau a degrau, lentamente, que ela nos conduz no caminho do saber, ao conhecimento do Universo, seja o visível, seja o oculto.

Falta ao homem um sentido que lhe permita compreender Deus
5. Esse pensamento pode ser colhido nas respostas dadas pelos imortais às questões 10 e 11 de O Livro dos Espíritos: 
Questão 10 – Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus? – “Não, porque lhe falta para isso um sentido.”
Questão 11 – Um dia será dado ao homem compreender o mistério da Divindade? – “Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver próximo dele, então ele o verá e o compreenderá.”
6. Para bem entender o significado da questão 10 – que afirma que falta ao homem um sentido que lhe permita a compreensão da Divindade – basta-nos lembrar que um cego de nascença não tem condições de definir a luz ou distinguir as cores, algo que as criancinhas podem fazer, justamente porque falta ao cego o sentido da visão. Se além de cego, fosse ele surdo, também lhe seria impossível distinguir os sons. Lembremos também que existem no reino animal seres que só possuem o sentido do tato e, no entanto, conseguem viver e sobreviver no meio em que se encontram.
7. Chegaremos assim um dia, partindo de uma ideia primitiva de Deus, a um entendimento mais dilatado e superior, mas desde já podemos compreender que Deus, tal qual o concebemos, não é o deus do panteísmo oriental nem o deus antropomorfo, monarca do céu, exterior ao mundo, de que nos falam as religiões do Ocidente, visto que Deus, embora tenha criado o Universo, com ele não se confunde.

Adorar a Deus é elevar o pensamento até Ele, é aproximar-se dele
8. Esse grande Ser, absoluto, eterno, soberanamente justo e bom, que conhece nossas necessidades, que é sensível a nossas dores, é qual o imenso foco em que todos os seres, pela comunhão do pensamento e do sentimento, vêm haurir forças, o socorro, a inspiração necessária para os guiar na senda do destino, para os sustentar em suas lutas, consolar em suas misérias, levantar em seus desfalecimentos e quedas. 
9. Se, como vimos anteriormente, a ideia de Deus é inata no ser humano, não é possível descrer da afirmação contida na questão 651 de O Livro dos Espíritos segundo a qual nunca houve povos ateus, porque sempre os homens compreenderam que acima de tudo há um Ente Supremo no Universo. 
10. É evidente que, individualmente considerados, existem homens que negam a Deus, mas esses, em número ínfimo, nada mais são que indivíduos transitoriamente envoltos pelo manto da ignorância. Propõe-nos Pietro Ubaldi que digamos a alguém que pense assim: “Desperta e sentirás que Deus está a teu lado, está dentro de ti, é a tua vida, a vida de tudo”, porque a concepção da paternidade divina traz benefícios enormes ao Espírito e é dessa paternidade que decorre a necessidade da fraternidade humana. 
11. Em decorrência de tudo o que vimos não é difícil entender e justificar a adoração que os homens devem ter para com o Criador, entendendo-se por adoração a elevação do pensamento a Deus, um tema que Kardec examinou em O Livro dos Espíritos, questões 649 e seguintes, adiante resumidas:
a. Adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. Pela adoração a alma se aproxima do Criador.
b. A adoração resulta de um sentimento inato como o da Divindade. A consciência de sua fraqueza leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger.
c. A adoração tem sua origem na lei natural. Por isso, ela se encontra em todos os povos, ainda que sob formas diferentes.
d. A verdadeira adoração está no coração. Imaginemos sempre que em todas as nossas ações um senhor nos observa.
e. A adoração é útil quando não passa de vã simulação.
f. Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, e não os que creem honrá-lo por meio de cerimônias que não os tornam melhores para seus semelhantes.
g. Aquele que não tem senão a piedade exterior é um hipócrita. Os cânticos não chegam a Deus senão pela porta do coração.
h. Os homens reunidos por uma comunhão de pensamentos e de sentimentos têm mais força para chamarem para si os bons Espíritos. Dá-se o mesmo quando se reúnem para adorar a Deus. Não acreditemos, porém, que a adoração particular seja menos boa, porque cada um pode adorar a Deus pensando nele.
i. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele, aproximar-se dele e colocar-se em comunicação com Ele.

Respostas às questões propostas

1. Onde podemos encontrar, segundo o Espiritismo, a prova da existência de Deus?
A prova da existência de Deus pode ser encontrada num axioma que utilizamos em nossas ciências: “Não há efeito sem causa”. Disseram-nos os imortais: “Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá”.
2. O pensamento que formulamos acerca de Deus é ainda muito primário. Chegaremos um dia a compreender Deus e dirimir todas as dúvidas que essa questão ainda nos apresenta?
Sim. Chegaremos um dia a um entendimento mais dilatado e superior a respeito do Criador.
3. Por que razão diz o Espiritismo que o homem da nossa época não pode compreender a natureza íntima de Deus?
O motivo disso é que falta ao homem de nossa época um sentido que lhe permita a compreensão da Divindade. Somos ainda, em relação ao Criador, como um cego de nascença em face da luz ou das cores, que ele não tem condições de definir ou distinguir justamente por lhe faltar um sentido: o sentido da visão. 
4. Em que consiste a adoração a Deus e quais as suas consequências para os homens?
A adoração consiste na elevação do pensamento a Deus. Pela adoração a alma se aproxima do Criador, mas ela somente é útil quando não passa de vã simulação.
5. Que forma de adoração é mais agradável ao Criador?
A verdadeira adoração está no coração. Deus prefere os que o adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, e não os que creem honrá-lo por meio de cerimônias que não os tornam melhores para seus semelhantes. 

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 1 a 16, 649 a 657.
As Leis Morais, de Rodolfo Calligaris, p. 46.
O Grande Enigma, de Léon Denis, pp. 25 a 70.
Deus na Natureza, de Camille Flammarion, p. 392.
Deus e Universo, de Pietro Ubaldi, pp. 292 a 317.
A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi, p. 201.


Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 22 de maio de 2019




Nada de bom sem esforço

Batuíra

Empenhemos alma e coração na sementeira bendita da vida nova.
À frente de um mundo atormentado, à face da carência de compreensão e de amor, saibamos servir ao Senhor na reformulação dos valores da existência.
Por vezes nos imaginamos à frente de uma casa incendiada, em contemplando a Terra de hoje.
Não desconhecemos que tudo isso – dores, flagelações, problemas e dificuldades – vem a ser o preço do progresso.
Nada construímos de bom sem esforço.
Não existe luz sem fonte de combustível.
Ainda assim, somos no Planeta uma família só perante o Senhor.
Conquanto cada um de nós permaneça no lugar que nos caracteriza a posição em serviço evolutivo, embora estejamos individualmente na colheita particular daquilo que plantamos no solo do destino, somos todos irmãos uns dos outros no intercâmbio incessante da vida.
Necessário, assim, auxiliar sem impor.
Fácil comentar os desastres em que tombam tantas esperanças na sombra da criminalidade ou da frustração, mas é preciso saber o que temos feito para que as trevas se dissipem.
Doar a precisa orientação no caminho será talvez o mais substancial apoio que sejamos capazes de oferecer aos que nos partilham a marcha.
Auxiliemo-nos, pois, uns aos outros, acendendo lâmpadas que nos clareiem a estrada – o coração humano é sempre uma lâmpada viva.
Basta que se lhe comunique luz para que irradie de si mesmo a necessária claridade com que se ilumina, iluminando os que se lhe fazem companheiros no dia a dia.

Do livro Mais luz, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.





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