terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 



A nossa paz depende de nossos sentimentos

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Quando se compreende que a felicidade principalmente depende da boa qualidade dos sentimentos, de fato, compreendeu-se, então, uma das grandes sabedorias da vida. Não se deve depender de nada externo para encontrar a paz ou ser feliz, tudo do que se precisa já está no interior, ou seja, a conexão com o Universo, com Deus, pois se houver dependência dos acontecimentos externos, sinceramente muito pouco haverá de harmonia.

Embora haja certa dificuldade no estágio atual, se o coração estiver mais amoroso e esperançoso é seguro que a vida pessoal estará mais harmônica. Ao passo que o externo pode estar em pleno equilíbrio, porém se o interior não estiver, nem mesmo uma multidão próxima e alegre contagiará o infeliz coração.

Perceber a qualidade dos pensamentos e sentimentos é a revelação de um dos segredos para a felicidade. E o mais precioso é que depende exclusivamente da nossa vontade de querer melhorar ou do desgaste que é sofrer por causa de sentimentos desprovidos de luz. À medida que começamos a percebê-los e buscamos a sua erradicação não é um trabalho fácil, mas imprescindível , um bem-estar ainda desconhecido ou raramente sentido começa timidamente a querer instalar-se em nós e todo o nosso ser começa a sentir uma leveza que só faz bem. No entanto se essa observação não for disciplinada, é natural que o padrão antigo e muito conhecido tenderá a voltar.

Haverá os dias com maior facilidade, outros completamente impossíveis, mas é assim mesmo, até o momento da convicção de que se desejamos ver a predominância da luz teremos de compreender que depende de nossa vontade, pois amparo para crescermos sempre haverá. E uma vez sentida a paz, o nosso coração se encantará com a harmonia vivida.

E ainda quando passamos a observar os nossos sentimentos, compreendemos que, como tudo é energia, atraímos acontecimentos e criaturas de mesma sintonia. E a sabedoria de Deus também se revela dessa maneira justa para todos, como em todos os segundos e a presença divina é tudo para mim.

Quando cultivamos sentimentos bons, o nosso interior se acalma e ao mesmo tempo se dilata para viver realmente como deve ser, e não mais ressecado e encolhido como também muito já sentimos.

E essa pré-conquista da felicidade não é limitada por algumas vezes e já consagrada eternamente, mas, sim, é trabalho diário na senda da evolução até o momento da emancipação espiritual.

Conquanto necessite de disciplina e esforço de certa forma ainda não estamos completos disso , ou seja, do nosso trabalho, sentir-se em harmonia é um dos sentimentos mais abençoados que podemos vivenciar.

E seguramente a paz de espírito também é criada pela boa qualidade do sentimento.

 

 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

 



Podia ser pior

 

Hilário Silva (Espírito)

 

O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.

Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.

Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espírita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces.

Inquirido por Filgueiras, começou a explicar-se:

— Imagine você que minha infelicidade começou quando o meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre…

— Mas podia ser pior! — Falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.

— Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me…

— Podia ser pior… — Atalhou Filgueiras.

— O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recurso, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis…

— Podia ser pior…

— Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me com amargas palavras…

— Podia ser pior…

— Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.

— Mas podia ser pior… — Acentuou Filgueiras, calmo.

O outro sorriu, mal-humorado, e objetou:

— Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão… Que podia ser pior, Filgueiras?

O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente:

— Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho em que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa…

O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.

 

Do livro Almas em desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 

 

 

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

 





O corpo espiritual ou perispírito não é parte, mas sim invólucro da alma

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Alguém nos enviou a seguinte pergunta: “O espírito nasce com perispírito, como se fosse o coração para nós?”

A relação entre Espírito e perispírito é colocada de modo muito claro na obra de Allan Kardec, como, por exemplo, no cap. II, Noções elementares de Espiritismo, itens 8 a 14, do  livro O que é o Espiritismo, em que o leitor encontrará as informações seguintes.

Os Espíritos não são seres vagos e indefinidos, nem chamas semelhantes a fogos fátuos, muito menos fantasmas como é dito nos contos sobre as almas do outro mundo. São seres semelhantes a nós, tendo como nós um corpo, conquanto seja ele fluídico e invisível no seu estado normal aos nossos olhos.

Quando a alma está unida ao corpo, durante nossas existências corpóreas, ela tem duplo invólucro: um pesado, grosseiro e destrutível – o corpo físico; e outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito. Paulo de Tarso em sua 1ª epístola aos Coríntios refere-se a esse corpo fluídico, a que ele chamou de corpo espiritual. (Cf. 1 Coríntios, 15:44.)

Há assim três elementos essenciais no homem:

1.° A alma, princípio inteligente em que residem o pensamento, a vontade e o senso moral;

2.° O corpo, invólucro material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior;

3.° O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, que serve de laço e de intermediário entre a alma e o corpo.

A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito.

Em seguida às informações acima, Kardec acrescentou uma nota cujo teor ele já havia publicado na Revista Espírita. A nota diz o seguinte:

A alma é assim um ser simples; o Espírito um ser duplo e o homem um ser triplo. Seria mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e o termo Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico; mas, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e Espírito são, no uso, indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, do mesmo modo por que se diz que uma cidade é povoada de tantas almas, uma vila composta de tantas famílias; filosoficamente, porém, é essencial fazer-se a diferença.” (O que é o Espiritismo, cap. II.) [Negritamos.]

Com relação ao perispírito, especialmente considerado, lemos na principal obra espírita as informações que seguem:

93. O Espírito, propriamente dito, nenhuma cobertura tem, ou, como pretendem alguns, está sempre envolto numa substância qualquer? “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.” Envolvendo o gérmen de um fruto, há o perisperma; do mesmo modo, uma substância que, por comparação, se pode chamar perispírito, serve de envoltório ao Espírito propriamente dito.

94. De onde tira o Espírito o seu invólucro semimaterial? “Do fluido universal de cada globo, razão por que não é idêntico em todos os mundos. Passando de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”

a) Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perispírito mais grosseiro? “É necessário que se revistam da vossa matéria, já o dissemos.”

95. O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível? “Tem a forma que o Espírito queira. É assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.” (O Livro dos Espíritos, questões 93 a 95.)

Respondendo assim, de forma objetiva, à pergunta mencionada no preâmbulo, esclarecemos que o Espírito não nasce com perispírito; o termo “Espírito” designa o ser constituído de dois elementos, alma e perispírito.

Quanto ao perispírito, ou corpo espiritual, trata-se de um invólucro, um revestimento de natureza fluídica de que a alma necessita para atuar no meio onde se encontre, estando ou não entre nós, como um ser reencarnado, ou no plano espiritual, como um ser desencarnado.

 

Nota do Autor:

Para ler nossa última publicação, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/02/como-entender-o-sofrimento-dos-nossos.html

 

 

 

 

 

 

 

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