terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 



Falar menos e observar mais

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A paz nasce da gentileza, da simplicidade, da bondade, do amor. Não há registro de ações rudes que pacificaram situações ou conversas insensatas que resultaram em finais felizes. No início, é um trabalho árduo pensar antes de reagir, porém é a mais coerente reação; se toda provocação for devolvida com a mesma dura intensidade, a paz ficará ainda mais distante. Quando alguém fala muito e sem a consciência do que expõe, ou pensa que sabe bem mais do que realmente conhece, tanto melhor deixar a criatura falar sozinha e perder-se na própria ainda imaturidade. Porque é sábio que enquanto a criatura não desejar o seu crescimento, assim não haverá melhoria alguma.

De fato, um dos mais indelicados e inconvenientes contextos é o da pessoa que não permite que outrem exponha a sua ideia, o seu pensamento, ou seja, em sua minúscula redoma ainda deseja controlar e amedrontar outras formas de ver e pensar que não se assemelham com a sua. E continuam com a inoportunidade, naturalmente, tornando-se cada vez mais irrelevantes sem ao menos querer perceber.

Para todos, há muito mais para aprendizagem do que o conteúdo por si só já aprendido. No entanto algumas pessoas sem a mínima sensatez continuam a infeliz conversação e exposição de ideias rasas e limitadas. E novamente lembramos que temos apenas uma boca, dois olhos e dois ouvidos, uma soma métrica da sabedoria.

Ainda outro fator determinante é quando há o monólogo barulhento pode-se comparar com a carroça vazia que faz muito barulho no caminho enquanto a cheia, silenciosamente útil, desempenha com habilidade o seu trabalho , já que tudo fala, pois pensa que sabe tudo. E o tempo passa e a criatura começa a observar que se encontra estagnada, e ao seu lado encontram-se apenas pessoas aprisionadas, por alguma questão, e limitadas.

Então, percebemos que mais vale a paz em nosso coração do que ganhar uma discussão; mais vale a consciência calma do que desequilibradamente impor um pensamento a qualquer criatura que seja. Sempre valerá mais o crescimento interior silencioso do que a estrondosa imposição sem razão de ser.

A sabedoria de observar mais do que falar é tão milenar e rica que devemos sempre trazê-la à memória. E quanto ao outro, nada se pode fazer apenas desejar que se observe e compreenda a sua real condição. Para isso, é necessário querer observar-se e a humildade precisa ser alimentada e fortalecida. É muito gratificante tornar-se mais sensato.

E todos os dias são o tempo para a retomada de uma estrada melhor, com comportamento mais bem delineado na sabedoria e no início de todos os ensinamentos do Mestre Jesus. Não estamos aqui para convencer ninguém, mas estritamente para o nosso aprimoramento.

A observação de que temos mais ouvidos e olhos do que apenas uma boca nos traz a certeza de que a reflexão deve ser maior do que a conversação.

E à medida que nos observamos aprendemos mais, e a paz começa a se intensificar em nosso coração.

 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 



Tentações

 

Hilário Silva (Espírito)

 

A conferência no templo espírita versara sobre tentações, compromissos, faltas, culpas…

Antônio Gama, distinto corretor, e a esposa, Dona Cornélia, caminhavam de volta a casa, ao lado de Artur Ramos, companheiro de fé. E Antônio comentava:

— O orador não precisava ser assim exigente. Expôs, por mais de uma hora, como se nós, os da assembleia, fôssemos malfeitores.

— Entretanto, — disse Ramos, — cautela nunca é demais. Todos somos capazes de cair…

— Ah! mas não temos a prece e o conhecimento? — Falou Dona Cornélia. — É impossível que estejamos assim tão atrasados!…

— Não! — Tornou Gama, — não somos tão ruins! Já subimos um degrauzinho…

A chegada ao lar interrompeu a conversação.

Logo, porém, depois de instalados em casa, enquanto Dona Cornélia preparava o chá, o telefone tilintou.

Gama atendeu.

— Quem é? — Perguntou.

E a voz veio macia e familiar:

— Pois você estranha, Antônio? Somos nós…

E ouvindo referência ao nome de certa firma, conhecida por grandes negócios, e com a qual já operara algumas vezes, Gama ajuntou, satisfeito:

— Dê as ordens.

E falaram do outro lado:

— É um negocião. Basta apenas um recibo assinado por você e receberá oitocentos mil cruzeiros…

A voz continuou, explicando que se tratava da venda de vários automóveis para determinada companhia.

Antônio percebeu que se tratava de operação inconfessável, e pediu um momento.

Emocionado, explicou a Dona Cornélia de que se tratava, e, alarmados, conversaram rapidamente. Oitocentos mil cruzeiros!

— Afinal, — concluiu Dona Cornélia, — é um negócio como os outros.

— Sim, — falou o marido, — se eu não aceitar, outros aceitarão.

E piscando os olhos:

— Deve ser o amparo de algum amigo espiritual para que possamos comprar, enfim, o nosso apartamento.

Em seguida, correu ao fone e avisou:

— Aceito.

— Muito bem! — Responderam, — encontrar-nos-emos amanhã, no mesmo lugar.

Gama perguntou então:

— Explique-me. Onde estarei para o entendimento?

O amigo desconhecido mudou o tom de voz e falou, claramente preocupado:

— Mas ouça! Você não está compreendendo? Diga! É você mesmo quem fala?

— Sim, — aclarou Antônio, — sou eu, Antônio Gama, o corretor…

— Ah! — Concluiu o outro com inflexão de profundo desapontamento — desculpe, cavalheiro, houve erro de ligação…

Só então o casal de incipientes na Doutrina reconheceu que ambos haviam fragorosamente caído em perigosa tentação…

 

Do livro Almas em desfile, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 



 

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domingo, 1 de fevereiro de 2026

 



 A dedetização seria, segundo os ensinos espíritas, um equívoco?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Recebemos de um leitor uma pergunta curiosa e ao mesmo tempo oportuna: “Já que, segundo o senso comum, somos todos irmãos, qual é a visão espírita a respeito do ato de matarmos um pernilongo? Tal atitude é correta?”

O leitor citou um único inseto – o pernilongo – mas poderia ter mencionado outros seres viventes que nós humanos costumeiramente procuramos erradicar de nossas casas, como a formiga, a barata, o rato, o Aedes aegypti etc.

O tema destruição é tratado no cap. VI d´O Livro dos Espíritos, a principal obra espírita, publicada inicialmente por Allan Kardec no dia 18/4/1857 e complementada no início de 1860. Fazem parte desse capítulo as questões adiante reproduzidas:

731. Por que, ao lado dos meios de conservação, colocou a Natureza os agentes de destruição?

“É o remédio ao lado do mal. Já dissemos: para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.”

732. Será idêntica, em todos os mundos, a necessidade de destruição?

“Guarda proporções com o estado mais ou menos material dos mundos. Cessa, quando o físico e o moral se acham mais depurados. Muito diversas são as condições de existência nos mundos mais adiantados do que o vosso.”

733. Entre os homens da Terra existirá sempre a necessidade da destruição?

“Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral.”

734. Em seu estado atual, tem o homem direito ilimitado de destruição sobre os animais?

“Tal direito se acha regulado pela necessidade, que ele tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constituiu direito.” (Negritamos.)

735. Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam? Da caça, por exemplo, quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade?

“Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.”

Prover ao seu sustento e garantir a sua segurança – eis os dois únicos casos em que assiste ao homem o direito de matar um ser vivente pertencente ao reino animal.

Ora, é exatamente essa a situação mencionada na pergunta do leitor, visto que o combate aos insetos capazes de transmitir doença aos seres humanos enquadra-se perfeitamente na questão 734 d´O Livro dos Espíritos.

Sobre o pernilongo, especificamente, é bom que o leitor tome conhecimento de uma reportagem publicada pela BBC Brasil sobre a descoberta feita pela bióloga Constância Ayres, da Fiocruz Pernambuco, segundo a qual o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como muriçoca ou pernilongo doméstico, pode também transmitir o vírus que causa microcefalia e malformações em bebês. A matéria é complementada por uma entrevista à BBC Brasil em que a bióloga fala sobre sua pesquisa e as implicações de sua descoberta. Eis o link que leva à matéria publicada:  http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36871848

Informações como essa mostram que podemos e devemos, sim, tomar as medidas saneadoras necessárias para evitar que tais insetos, ao saírem do seu habitat, sejam veículos de doenças perfeitamente evitáveis e que, como ninguém ignora, podem assumir a forma de uma epidemia, com consequências desastrosas para as pessoas por ela atingidas.

 

Nota do Autor:

Para ler nossa última publicação, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/01/o-ceu-o-inferno-o-purgatorio-e-o-umbral.html

 

 

 

 

 

 

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