O porquê da mudança de temperamento do
jovem ao final da adolescência
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
Um leitor,
surpreso com a mudança de temperamento que se verifica em alguns jovens no
final da adolescência, pergunta-nos se o Espiritismo oferece alguma explicação
para esse fenômeno.
Sim. O assunto é tratado com clareza em O Livro dos
Espíritos, de Allan Kardec.
Questionados sobre o que motiva a mudança que se opera no
caráter do indivíduo ao sair da adolescência e se isso significaria uma mudança
do Espírito, os instrutores espirituais responderam:
“É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e
se mostra qual era.” (O Livro dos Espíritos, questão 385.)
Na sequência, explicaram que a infância constitui uma
espécie de período de preparação, durante o qual o Espírito se apresenta sob o
aspecto da inocência, o que favorece o amor e a proteção dos pais. À medida que
o filho cresce e já não necessita dos mesmos cuidados, seu caráter real vai-se
revelando.
É por isso que, segundo os Espíritos, “desde que, porém,
os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram
dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e
individual em toda a nudez”. (O Livro dos Espíritos, questão
385.)
A infância tem, entretanto, outra finalidade fundamental.
Os Espíritos, ao reencarnarem, vêm ao mundo para se aperfeiçoar, e a delicadeza
própria da idade infantil os torna mais acessíveis aos conselhos e à educação.
É nesse período que se podem reformar caracteres e corrigir más tendências,
tarefa confiada especialmente aos pais.
Em O Consolador, obra psicografada por Francisco
Cândido Xavier, Emmanuel retoma o assunto e destaca a importância dos primeiros
anos de vida na formação do caráter. Segundo ele, até os sete anos o Espírito
ainda se encontra em fase de adaptação à nova existência, razão pela qual é
mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novos rumos.
Por isso, acrescenta Emmanuel, “o lar é tão importante
para a edificação do homem”, pois é nele que devem ser lançados os fundamentos
da educação moral. Passada a infância, esse trabalho se torna mais difícil, à
medida que o Espírito se integra plenamente ao organismo físico e retoma
gradualmente as tendências que traz do passado. (O Consolador, questão
109.)
Em resumo, para o Espiritismo, o jovem que chega ao final
da adolescência não se tornou outra pessoa. É o mesmo Espírito que reencarnou,
embora sob novo nome e nova personalidade social. Se durante a infância e a
adolescência conseguiu modificar algumas de suas tendências, isso se refletirá
em seu comportamento. Se não houve progresso significativo, antigas inclinações
poderão reaparecer com maior nitidez.
Daí a importância decisiva da educação na infância: é
justamente nesse período que o Espírito se mostra mais acessível à formação de
novos hábitos e à superação de suas imperfeições.
Nota
do Autor:
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