quinta-feira, 25 de abril de 2019




A missão de Jesus

Este é o módulo 129 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Em que consistiu, verdadeiramente, a missão de Jesus?
2. Diz Mateus que o povo israelita admirava o modo como Jesus falava. Por quê?
3. Que recurso estilístico Jesus utilizava costumeiramente em suas pregações?
4. Muitas revelações nos foram feitas por Jesus. Mencione, dentre elas, as que considere mais importantes.
5. O Espiritismo não considera milagres nem as curas nem os prodígios operados por Jesus. O verdadeiro milagre que ele operou foi outro. Que milagre foi esse?

Texto para leitura

O povo israelita achava que Jesus ensinava como quem tinha autoridade
1. Jesus veio ao mundo para, como profetizou Isaías, fazer raiar a luz aos que se achavam na região da morte, dar crença aos que não a tinham, guiar os que se haviam perdido e se achavam desviados da estrada da vida e, finalmente, apresentar-se a todos como o modelo, o paradigma, o enviado de Deus, o único capacitado a legar a nós um ensino puro e perfeito. É daí que surgiria a conhecida sentença que o evangelista João lhe atribuiu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim” (João, 14:6).
2. Descendo de Esfera Superior, Jesus surgiu entre os terráqueos, não entre sedas e alabastros, mas em humílima e tosca estrebaria. Apresentando-se como o Messias anunciado pelos profetas da Antiguidade, foi recebido com desconfiança, até mesmo por João Batista, o precursor, que certa vez enviou dois emissários para saberem se ele era, realmente, o esperado Filho de Deus. Iniciando a pregação do Reino do Céu, não conseguiu o entendimento imediato nem ao menos de seus discípulos. E desse modo exerceria seu ministério, entre incompreensão e desprezo, amargura e solidão.
3. Ninguém ignora a extrema simplicidade, a completa humildade, a pobreza, o desatavio e a singeleza com que Jesus marcou sua presença e seu messianato em nosso planeta. Sem ter sequer onde reclinar a cabeça e sem nada possuir em termos materiais, cercou-se de pessoas incultas e reuniu em torno de si amigos rudes e iletrados de uma das regiões mais pobres pertencentes ao Império Romano. Peregrino paupérrimo, sem bolsa nem cajado, jamais ocupou qualquer cátedra e, sem nada haver escrito, dividiu as eras terrestres em antes e depois dele, como ninguém jamais o fez, permanecendo para sempre como a maior presença, o mais alto marco, a mais elevada e imorredoura expressão de toda a história humana, em todas as épocas do mundo.
4. Um fato, porém, digno de nota é que, apesar da resistência dos israelitas em reconhecê-lo como o Messias predito nas Escrituras, o povo que o escutava admirava sua doutrina porque percebia que ele ensinava como quem tinha autoridade, uma qualidade que não se destacava nas explanações feitas pelos escribas (Mateus, 7:28-29).

Verdades transcendentais e importantes nos foram trazidas por Jesus
5. Com efeito, os escribas e os rabinos do mosaísmo, ao contrário, costumavam ser muito minudentes na explanação dos cerimoniais e das práticas exteriores do culto, mas nunca haviam exposto verdades tão profundas nem lhe sensibilizaram os corações com tão expressivos apelos à retidão do caráter, à brandura, à caridade, à misericórdia, ao perdão, à tolerância e ao desapego dos bens terrenos, como Jesus fez no sermão do monte e em inúmeras outras ocasiões.
6. Como sábio educador que sempre foi, o Mestre recorria com frequência às parábolas a fim de melhor interessar e impressionar seus ouvintes. Esse recurso fez com que seus ensinamentos atingissem diretamente as mentes e os corações dos homens e, além disso, se perpetuassem na memória dos povos ao longo dos séculos.
7. Verdades transcendentais e importantes nos foram trazidas por Jesus e registradas nos Evangelhos. O Cristo nos revelou a amorosa paternidade do Deus Eterno, conscientizou-nos de sua onipotente bondade, de sua misericórdia e infalível justiça, de sua presença onímoda e perene, ensinando-nos a elevar até Ele a força do nosso pensamento e a confiar com filial devoção na sua infatigável providência.
8. Ao proclamar esta síntese da justiça indefectível – “A cada um será dado segundo suas obras” –, o Cristianismo se firma como a doutrina da moralização dos costumes e da ética em seus aspectos mais excelentes. Longe de se constituir em uma nova seita ou um novo partido, é ele, na verdade, um código de moral que abrange o direito de todos e estabelece, ao mesmo tempo, a responsabilidade de cada indivíduo segundo as condições em que se encontra e a influência que exerce no seio da coletividade.

O verdadeiro milagre de Jesus não consistiu nas curas que operou
9. Para ser cristão, no verdadeiro sentido da palavra, é preciso, acima de tudo, ser fiel a Deus, não apenas nos momentos de tranquilidade, mas sobretudo nas horas tormentosas, em que tudo parece desabar e perecer. O divino legado de Jesus, que a Humanidade ainda não consegue entender, é o de um mundo feliz, de paz e de amor, sem injustiças, sem opróbrios, sem miséria, sem orfandade, sem crimes, sem ódios, sem fratricídios e sem guerras.
10. No exercício de sua missão de amor, Jesus operou fenômenos considerados milagrosos; no entanto, as curas e os prodígios por ele realizados pertencem em sua maioria à ordem dos fenômenos psíquicos, ou seja, fenômenos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma, razão pela qual muitos deles foram repetidos ao longo da história por indivíduos diversos, confirmando esta conhecida assertiva do Messias: “O que eu faço vós podeis fazer também, e muito mais”.
11. Espírito perfeito e sábio, Jesus operava prodígios aos olhos dos terrícolas ainda ignorantes, sem derrogar nenhuma lei da natureza. Manipulava os fluidos como lúcido conhecedor de suas propriedades e qualidades e, portanto, não há por que falar em milagres nas curas que operou. (Consulte-se sobre o assunto o livro “A Gênese”, de Allan Kardec, cap. XIV e XV.)
12. O verdadeiro milagre de sua passagem pela Terra foi outro, ou seja, ter conseguido em pouco mais de três anos, sem nada haver escrito e vivendo numa das regiões mais pobres de sua época, modificar a face espiritual do mundo em que vivemos, o qual, desde então, divide a sua história em “antes” e “depois” do Cristo.

Respostas às questões propostas

1. Em que consistiu, verdadeiramente, a missão de Jesus?
Jesus veio ao mundo para fazer raiar a luz aos que se achavam na região da morte, dar crença aos que não a tinham, guiar os que se haviam perdido e se achavam desviados da estrada da vida e, finalmente, apresentar-se a todos como o modelo, o paradigma, o enviado de Deus, o único capacitado a legar a nós um ensino puro e perfeito.
2. Diz Mateus que o povo israelita admirava o modo como Jesus falava. Por quê?
O povo que o escutava admirava sua doutrina porque percebia que ele ensinava como quem tinha autoridade, uma qualidade que não se destacava nas explanações feitas pelos escribas.
3. Que recurso estilístico Jesus utilizava costumeiramente em suas pregações?
O Mestre recorria com frequência às parábolas a fim de melhor interessar e impressionar seus ouvintes. Esse recurso fez com que seus ensinamentos atingissem diretamente as mentes e os corações dos homens e, além disso, se perpetuassem na memória dos povos ao longo dos séculos.
4. Muitas revelações nos foram feitas por Jesus. Mencione, dentre elas, as que considere mais importantes.
Ele nos revelou a amorosa paternidade do Deus Eterno, conscientizou-nos de sua onipotente bondade, de sua misericórdia e infalível justiça, de sua presença onímoda e perene, ensinando-nos a elevar até Ele a força do nosso pensamento e a confiar com filial devoção na sua infatigável providência. O divino legado de Jesus, que a Humanidade ainda não consegue entender, é o de um mundo feliz, de paz e de amor, sem injustiças, sem opróbrios, sem miséria, sem orfandade, sem crimes, sem ódios, sem fratricídios e sem guerras.
5. O Espiritismo não considera milagres nem as curas nem os prodígios operados por Jesus. O verdadeiro milagre que ele operou foi outro. Que milagre foi esse?
Espírito perfeito e sábio, Jesus operava prodígios aos olhos dos terrícolas ainda ignorantes, sem derrogar nenhuma lei da natureza. Mas o verdadeiro milagre de sua passagem pela Terra foi outro, ou seja, ter conseguido em pouco mais de três anos, sem nada haver escrito e vivendo numa das regiões mais pobres de sua época, modificar a face espiritual do mundo em que vivemos, o qual, desde então, divide a sua história em “antes” e “depois” do Cristo.

Bibliografia:
A Gênese, de Allan Kardec, cap. XIV, item 31, e cap. XV, itens 1 e 2.
Boa Nova, de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, p. 48.
O Espírito do Cristianismo, de Cairbar Schutel, p. 20.
Páginas de Espiritismo Cristão, de Rodolfo Calligaris, pp. 172 e 173.
O Sermão da Montanha, de Rodolfo Calligaris, pp. 209 e 210.
A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, p. 108.
Em torno do Mestre, de Vinícius, pp. 128, 229, 235 e 304.


Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:






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quarta-feira, 24 de abril de 2019




As três orações

Irmão X

Instado pela assembleia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:
- Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países...
Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes.
A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu.
Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.
Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.
Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade.
Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!...
Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores.
As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham...
No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas...
A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...
Simão silenciou, comovido.
E, depois de longa pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto:
- Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

Do livro Cartas e Crônicas, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.







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terça-feira, 23 de abril de 2019




Intercâmbio: preciosos presentes eternos

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Sabe naquelas noites em que, sem motivo aparente, o sono não se apresenta nem de longe? Normalmente se associa uma noite em claro a lembranças ou pensamentos não muito agradáveis e, para piorar, de madrugada tudo cria complexidade maior, mas nesta fiz diferente: busquei em minha memória as pessoas amadas, as felizes realizações e acabei criando outros objetivos para aquele momento. Nada de medo.
Para cada rosto conhecido e amado de agora que, mansamente, me visitava, um sorriso em meu semblante nascia. Esses rostos traziam pequenas partes dos mais recentes acontecimentos vividos, aqueles flashes que emendam em outros e outros e formam nossa história de vida.
Os minutos passavam e o clarão do dia começava a se aproximar. Quantas cenas vinham e iam, algumas eram reproduzidas com fidelidade e outras ganhavam lugar e cores diferentes, mas já as havia vivenciado.
De repente, no meio das pessoas conhecidas de agora, outros rostos começaram a aparecer em minha memória.
Não me eram conhecidos de imediato, mas havia uma ternura e um carinho que inundaram meu coração. Quanta saudade, quanta alegria de rever aqueles olhos, de sorrir para aqueles puros sorrisos, de encontrar... que alegria... reencontrá-los... como agora.
− Não me recordo... quem são vocês? − ingenuamente, perguntei em voz alta.
Com simplicidade, sorriram.
Em minha visão fantástica, os outros, com os quais agora não convivo fisicamente, devem ser queridos participantes de minha construção, imprimiram o doce sentimento do amor, ajudaram-me para o resultado atual.
Amores de hoje que se somam aos de ontem e todos aqueles que ainda amaremos.
Assustei-me. O despertador acabou de tocar. Pensei que passaria a noite em claro; na verdade, a mensagem passada pelo brilhante fio indelével é que nossos amados amores estão muito vivos e a vida transcende.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/






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segunda-feira, 22 de abril de 2019





Da série de erros frequentes no uso do idioma português, eis mais cinco exemplos:
1. O pescador havia armada a rede na varanda da casa.
O correto: O pescador havia armado a rede na varanda da casa.
Explicação: As formas verbais compostas são formadas, em nosso idioma, com os verbos auxiliares ter ou haver mais o particípio do verbo principal.
2. Quanto ao conteúdo do livro, tratam-se de comunicações entre vivos.
O correto: Quanto ao conteúdo do livro, trata-se de comunicações entre vivos.
Explicação: O trecho “de comunicações entre vivos” é objeto indireto do verbo “tratar-se”. Não existe a passiva pessoal com verbos transitivos indiretos.
3. Eu e meu amigo divergimos sobre essa frase: “João lutou muito na vida e alfim conseguiu vencer”.
O correto: Eu e meu amigo divergimos sobre esta frase: “João lutou muito na vida e alfim conseguiu vencer”.
Explicação: O demonstrativo “esta” é o aplicável quando nos referimos a algo que na frase aparece em seguida. A propósito, a frase “e alfim conseguiu vencer” está corretíssima.
4. Supermercado Aurora, a mais de 30 anos servindo à população.
O correto: Supermercado Aurora, há mais de 30 anos servindo à população.
Explicação: Com o sentido de “fazer” e referindo-se a um tempo que passou, o verbo “haver” é o correto. Em lugar de "há", seria correta a preposição "a" caso a frase se referisse a tempo futuro ou a distância. Exemplos: Jataizinho está a 25 km de Londrina. Estou a 40 minutos de Londrina. Estamos a um passo de viajar.
5. A aparição tinha ocorrida às 23 horas em ponto.
O correto: A aparição tinha ocorrido às 23 horas em ponto.
Explicação: As formas verbais compostas são formadas, em nosso idioma, com os verbos auxiliares ter ou haver mais o particípio do verbo principal.





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domingo, 21 de abril de 2019




A emancipação da alma após a morte corpórea

Toda vez que se comenta a dificuldade do desprendimento da alma de alguém que faleceu, surge na mente das pessoas a seguinte questão: - Por que o desprendimento da alma é facilitado no estado de sono, fato que ocorre todos os dias, e não o é na transição pós-morte?
A emancipação da alma por ocasião do sono corporal é, com efeito, um fato corriqueiro, mas é preciso lembrar que não passa de um desprendimento parcial, visto que a alma continua ligada ao corpo físico. O que ocorre então é apenas uma expansão do laço perispiritual que a une ao corpo material, permitindo-lhe, assim, deslocar-se a lugares distantes do local em que o corpo permanece em repouso.
No caso da morte corpórea, mesmo antes do desligamento completo da alma – fato que o Espiritismo chama de desencarnação – pode ocorrer a emancipação parcial semelhante à do sono, o que explica os fatos de comunicação espírita por ocasião da morte, estudados por vários pesquisadores, como Ernesto Bozzano e Frederic Myers.
O desprendimento completo da alma, ou seja, a desencarnação, é que requer algum tempo, visto que no processo reencarnatório o perispírito – envoltório da alma – liga-se ao corpo molécula a molécula, o que implica deduzir que é preciso tempo para que essa ligação molecular, em decorrência da morte corpórea, se desfaça.
Conforme nos é dito na questão 155 d´O Livro dos Espíritos, como regra geral, a separação da alma não se dá instantaneamente. Ela se liberta gradualmente e não como um pássaro cativo que, de repente, ganhasse a liberdade.
Em face disso, tudo, a princípio, é confuso nos momentos que se seguem à morte. O Espírito – nome com que nomeamos a alma revestida do seu corpo espiritual – necessita, ao desencarnar, de algum tempo para entrar no conhecimento de si mesmo. Ele se acha como que aturdido, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam aos poucos, à medida que se apaga a influência da matéria que ele acaba de deixar e se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
O processo de desprendimento espiritual pode ser mais ou menos demorado, conforme o temperamento, o caráter moral e as aquisições espirituais de cada pessoa. Não existem, pois, duas desencarnações exatamente iguais. Cada pessoa desperta ou se demora na perturbação, conforme as características próprias de sua personalidade.
Pode-se, assim, considerar a perturbação como o estado normal do Espírito nos instantes que se seguem ao transe da morte, variando tão somente a sua duração, que pode ser de algumas horas ou vários dias e até semanas, de conformidade com o estado evolutivo da pessoa. Breve no caso das almas elevadas, pode ser longa e penosa no caso das almas culpadas. Para aqueles que já na existência corpórea se identificaram com o estado que os aguardava, menos longa ela é, porque compreendem imediatamente a posição em que se encontram.





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sábado, 20 de abril de 2019




Ambição e castigo

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Quando era pequeno, ouvi um alerta de mamãe, gente de família simples, do qual nunca me esqueci, após papai cair na boa conversa de um vigarista que lhe vendeu um bilhete vencido da loteria. O farsante mostrou-lhe os números impressos no jornal do dia, Gazeta de Notícias, que lhe faziam supor serem os mesmos do bilhete. Era tudo falsificado, e meu velho gastou o salário do mês de minha família, pensando que havia encontrado um caipira bobo que lhe vendera, ao preço do salário mínimo, o bilhete do milhão. Eis o alerta: “Bobo é quem cai no conto do vigário”.
A partir daí, fiquei esperto e percebi que, em se tratando de dinheiro, besta é quem pensa ganhar milhão fácil à custa alheia. Em geral, os estelionatários, quando encontram alguém ambicioso e metido a esperto, fazem miséria com essa pessoa.
Não é à toa que existem milhares de fakes na internet. Vivemos num mundo bestial, em que para cada pessoa boa há cem más. Um dos meios de enganar os trouxas é publicar, nalguns desses diversos sites, de preferência os da última moda, um perfil falso, que depois será deletado. Ali, o 171 publica, sem pudor, tudo que quiser: títulos acadêmicos inexistentes, milhares de seguidores, negócios da China, lucros que forjam sua imagem como a de grande empresário etc.
Depois disso, é só ir atrás dos “espertos” e fazê-los crer que se tornarão, muito em breve, milionários. Então, começa a extorsão. Hoje é um empréstimo de x, amanhã de y e, quando a pessoa se dá conta de que caiu no conto do vigário, o prejuízo já é irreparável. Então, vem a vergonha de dizer a seus familiares que os milhões que esperava receber voaram mais alto do que Fernão Capelo Gaivota.
As únicas formas indiscutíveis que conheço de alguém ficar rico, sem tisnar suas mãos e consciência, é ganhar na loteria, com bilhete comprado em loja credenciada; herdar milhões de parente próximo ou a fortuna do Quincas Borba, personagem de um dos meus romances.
Ganhar na loteria não é bom para quem é pródigo, pois em pouco tempo distribuirá dinheiro a rodo. Herdar é coisa muito comum em  romances, contos, novelas e filmes. Mas se a herança é como a do Quincas, cuidado! Não faltarão parentes e amigos batendo na porta de sua casa para lhe pedir ajudinha na compra dum barraquinho, dum sitiozinho e... quando você se der conta, estará com ũa mão na frente e outra atrás. Então, ninguém mais quererá saber de você.
Fora disso, precisamos valorizar cada centavo conquistado com nosso suor e trabalhar muito. Não para ajuntar tesouro na Terra, onde “a traça rói, a ferrugem corrói e o ladrão rouba”, como nos alertou o Mestre, mas para legar as riquezas do espírito a nossos verdadeiros tesouros, que estão na família. Ganhar dinheiro fácil, como Rubião herdou do maluco Quincas Borba, pode ser um meio rápido de... ficar doido como ambos, que acabaram assim na terra dos pés juntos.
Eu sou Machado, e quem psicografou isto foi meu secretário, Jó.

Obs.: esta é obra de ficção; se algum dia o Espírito Machado de Assis ditar-me alguma coisa, não terei dúvida em creditar-lhe a autoria do texto, mas isso ainda não ocorreu.






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sexta-feira, 19 de abril de 2019




O Tesouro dos Espíritas

Miguel Vives y Vives

Parte 7

Damos sequência ao estudo do clássico O Tesouro dos Espíritas, de Miguel Vives y Vives, que está sendo aqui estudado em 16 partes, com base na tradução de J. Herculano Pires, conforme a 6ª edição publicada pela Edicel.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que é que as faltas graves acarretam?
B. Como encarar a dor e o sofrimento em nossa vida?
C. Que significa a existência material em um planeta como o nosso?

Texto para leitura

78. Se incorreu na falta por palavras, tendo sido indiscreto, intolerante ou brutal, o espírita não deve tomar-se de amor-próprio, mas, reconhecendo o seu erro, há de, sem mais tardar, procurar o ofendido e dar-lhe plena satisfação do seu erro. (P. 96)
79. Depois, ao fazer seu exame de conduta, o espírita tem mais o que pedir ao Pai e rogar ao Senhor, que tão amável foi para com todos. Deve chamar com veemência o seu guia espiritual, procurando tomar as boas resoluções que sejam necessárias para corrigir-se desse defeito, fazendo tudo para cumprir os bons propósitos que tomar. (P. 96)
80. A falta por ação apresenta maior gravidade e o espírita deve procurar, por todos os meios possíveis, evitar de nela incorrer de novo. As ações podem constituir faltas leves ou graves. As faltas mais leves podem ser corrigidas com a ajuda de Deus, dos Bons Espíritos e dos irmãos encarnados. Estes últimos podem, aliás, ajudar muito com seus conselhos. (P. 97)
81. Se a falta é grave, acarreta consequências que não se apagam apenas com bons propósitos, pois exigem também a expiação. Por isso, o espírita que tenha incorrido numa falta grave, deve praticar uma grande penitência, como único meio de apagá-la. Penitência é o esquecimento absoluto de tudo o que possa desviá-lo da correção necessária; uma vida de recato, de abnegação, sofrendo tudo por amor a Deus e como meio de reparação; dedicar-se à caridade para com os pobres, os doentes, os aflitos, sem pensar senão em agradar a Deus e ser útil ao próximo na medida de suas forças. Só assim conseguimos apagar as faltas graves. (P. 98)
82. Muito podem o arrependimento, a oração e a prática da caridade. Há, contudo, espíritas que vivem seguindo os impulsos do seu coração, sem preocupar-se com as faltas de pensamento e de palavras. O procedimento de hoje pode, no entanto, custar-lhes no futuro muitas lágrimas e muitos sofrimentos. Por isso, muitos espíritas desencarnados têm caído em má situação. (PP. 98 e 99)
83. É a falta de estudo de si mesmos, de cuidado na maneira de pensar, de falar e de agir, que acarreta essas consequências. É preciso, pois, viver apercebidos, não distrair-se na vida terrena, aproveitar-se dela para o progresso, para a conquista do verdadeiro bem-estar. (P. 100)
84. Todos os espíritas devem ter presente que é preciso não esquecer que o tempo de nossa vida na Terra é sumamente curto e que o tempo que teremos de passar, no Espaço, será sumamente longo, sendo felizes ou infelizes, segundo tenhamos cumprido ou deixado de cumprir nossos deveres espirituais. (P. 100)
85. A Terra é um lugar de expiação e dor. A dor purifica e eleva e é, por isso, um dos meios pelos quais progredimos mais rapidamente. Para isso, é preciso encarar as dores e os sofrimentos com calma, resignação e alegria. (P. 102)
86. Temos visto – diz Vives – espíritas que souberam sofrer com resignação e alegria, mas vimos também outros que, embora aparentassem resignação, choravam e lamentavam seus sofrimentos.  Esses espíritas, evidentemente, não andavam bem, porque a tristeza engendra o mau humor, que pode dar lugar à murmuração contra o destino. E quando chegamos à murmuração, estamos a um passo da revolta. (PP. 102 e 103)
87. O espírita deve encarar a existência material como um curso de provas de toda espécie: físicas e morais, que servem para levá-lo a um verdadeiro progresso. Nunca deve confundir essa existência com a verdadeira vida, mas como um período de estudos e provas, em que se prepara com vistas a esta última, que se encontra na erraticidade. Cada dia que passamos na carne corresponde a milhares de anos que iremos viver no Espaço. Que significa, pois, este pequeno período diante da vida espiritual imensa? (P. 104)
88. No Reino de Deus não se entra de surpresa, nem se atinge a felicidade senão depois da purificação. Assim, as comodidades, as alegrias mundanas, os gozos da Terra não são os caminhos indicados para alcançarmos a felicidade no espaço. (P. 105)
89. Quanto mais próximo o homem se acha da sua felicidade espiritual, mais submetido será a todas as provas terrenas. Basta recordar a vida dos grandes mártires, dos justos, e compará-la com a dos potentados do mundo. (P. 105)

Respostas às questões preliminares

A. Que é que as faltas graves acarretam?
Elas acarretam consequências que não se apagam apenas com bons propósitos, pois exigem também a expiação. Por isso, o espírita que tenha incorrido numa falta grave deve praticar uma grande penitência, como único meio de apagá-la. Penitência é o esquecimento absoluto de tudo o que possa desviá-lo da correção necessária; uma vida de recato, de abnegação, sofrendo tudo por amor a Deus e como meio de reparação; dedicar-se à caridade para com os pobres, os doentes, os aflitos, sem pensar senão em agradar a Deus e ser útil ao próximo na medida de suas forças. (O Tesouro dos Espíritas, 1ª Parte, Guia Prático para a Vida Espírita, pp. 97 e 98.)
B. Como encarar a dor e o sofrimento em nossa vida?
É preciso, ensina o Espiritismo, encarar o sofrimento e a dor com calma, resignação e alegria, porque sabemos que a Terra é um lugar de expiação e que a dor purifica e eleva, sendo, por isso, um dos meios pelos quais progredimos mais rapidamente. (Obra citada, pp. 102 e 103.)
C. Que significa a existência material em um planeta como o nosso?
A existência material deve ser considerada como um curso de provas de toda espécie – provas físicas e morais – cujo objetivo é levar as pessoas ao verdadeiro progresso. Não devemos confundir essa existência com a verdadeira vida, mas compreendê-la como um período de estudos e provas, em que as pessoas se preparam com vistas à vida espiritual.  No Reino de Deus não se entra de surpresa, nem se atinge a felicidade senão depois da purificação. Assim, as comodidades, as alegrias mundanas, os gozos da Terra não são os caminhos indicados para alcançarmos a felicidade verdadeira. (Obra citada, pp. 104 e 105.)


Observação:
Eis os links que remetem aos textos anteriores:




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