quinta-feira, 18 de junho de 2026

 



Pensamento e vida

 

Emmanuel

 

28

 

Enfermidade

 

Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças.

Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de purificação do espírito, surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a, por anos a fio, na direção do túmulo.

As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as enfermidades dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela das provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem.

Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.

Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico.

Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa.

O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo.

Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo.

Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.

Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais que se fazem acompanhar do suicídio indireto.

 

Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

 



Mensagem de irmã

 

Auta de Souza

(autora espiritual)

 

 Enquanto a carne em treva brande a vara

Da amargurosa dor que te alanceia,

Acende, em paz, a lúcida candeia

Da sublime esperança que te ampara.

 

A fé transforma a noite em manhã clara.

Não te canse o deserto... Ara e semeia

E arrancarás da imensidão de areia

A flor da primavera e o pão da seara...

 

Que o grilhão do passado te não prenda.

Faze do amor a rútila oferenda

Do próprio ser ao mundo estranho e escuro!

 

E ave de luz tornando ao pátrio ninho,

Encontrarás, feliz, o áureo caminho

Para a esfera de glórias do Amor Puro!

 

 Do livro Auta de Souza, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 


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terça-feira, 16 de junho de 2026

 




A força da palavra falada

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

A observação do que se faz, pensa, fala e sente deveria ser lei para conquistar uma vida mais em paz e feliz. E, principalmente, quanto à conversação, as palavras são usadas sem muita parcimônia, e quando desarmonizam mais do que deveriam, quem as propaga tenta redimi-las com outras palavras ainda que põem tudo a perder de fato. Quando não se reflete antes de falar, até mesmo relações importantes podem enfraquecer-se, pois uma das mais decisivas formas de relacionamento é por meio da palavra. E quando se conhece o seu poder deve-se ter cuidado aumentado em toda conversação.  

Cada palavra possui a sua bagagem e da mesma maneira ela retorna para quem as profere muitas vezes, o orgulho impede essa reflexão. E aquela desculpa que se utiliza falei sem pensar ou falei sem querer, sinceramente, nunca reconfortou o coração de quem a ouviu ou reparou uma situação desconcertante. A melhor opção em todo momento é refletir antes de falar, já que somos seres racionais.

Quando se propõe a renovar-se, a ser alguém mais elaborado em seu progresso, fator indiscutível é a melhora da escolha das palavras, e sempre com o cuidado de que toda palavra é um ser vivo com energia e mensagem específica. Toda palavra proferida bendirá ou não, elevará ou não, curará ou não, amará ou não, e, especialmente, com fé, transporá a montanha e sentirá o Reino que tanto Jesus fala, pois o Céu está em nós agora mesmo, ou não.

Tão mais precioso falar palavras pensadas antes mesmo de pronunciá-las se bem que ao pensar já se libera a sua energia, no entanto sem aspergir tanto ao próximo. E se ainda não é possível a disciplina do pensamento antecipado, o silêncio é a forma mais diligente de conhecimento. Sabedoria é pensar antes de fazer.

Entretanto fazer uso de palavras aparentemente belas, mas com energia invertida, não é nada aconselhável, já que em questão de energia, nunca é possível enganar o Universo criado por Deus. Faz-se necessária a reforma juntamente de palavras mais bem escolhidas. A receita infalível é a das palavras harmoniosas, verdadeiras e claras em todo tempo e lugar.

E à medida que compreendemos e sentimos interiormente como a vida se desenvolve e que tudo o que falamos nos retorna antes de tudo, especialmente, sobre nós e que somos o grande tesouro criado pelo Pai, então, é chegado o tempo de proferir palavras verdadeiras, positivas e agradecidas, porque quando utilizamos a expressão Eu sou, esta ganha vida.

Deus nos criou com a capacidade de infinitas realizações e Jesus afirmou que sois deuses, logo, depende de nós buscá-la e usufruir.



Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 


 



 

 

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segunda-feira, 15 de junho de 2026


Oração e serviço

 

Albino Teixeira

(autor espiritual)

 

Oração é requerimento da criatura ao Criador.

Serviço é condição que a lei estabelece para todas as criaturas, a fim de que o Criador lhes responda.

Meditação estuda.

Trabalho realiza.

Observemos a propriedade do asserto em quadros simples.

Semente nobre é pedido silencioso da natureza a que se faça verdura e pão, mas, se o cultivador não desenvolve esforço conveniente, a súplica viva desaparece.

Livro edificante é apelo sublime do espírito a que se ergam instrução e cultura, mas, se o homem não lhe perlustra as folhas no aprendizado, a sábia rogativa fenece, em vão.

Música, ainda mesmo divina, se mora exclusivamente na pauta, é melodia que não nasceu.

Invenção sem experimento é raciocínio morto.

Oremos, meus irmãos, mas oremos servindo.

Construção correta não se concretiza sem planta adequada.

Mas a palavra, por mais bela, sem construção que lhe corresponda, será sempre um sonho mumificado em tábuas de geometria.

 

Do livro Caminho espírita, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 


 

 

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domingo, 14 de junho de 2026

 




Debilitar o corpo com privações inúteis contraria a lei de Deus 

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Uma leitora de São Paulo (SP) pede-nos que comentemos o conceito de sacrifício à luz da doutrina espírita. Na mensagem ela fez referência também a alguns sacrifícios que, embora seja espírita, costuma fazer durante o período da chamada Quaresma.

Para os não afeitos à liturgia católica, lembramos que a Quaresma faz parte do ano litúrgico e compreende os 40 dias que vão da quarta-feira de cinzas até o domingo de Páscoa, período esse que deve ser destinado, por católicos e ortodoxos, à penitência. É aí, então, que dentro da penitência surge a ideia da realização de sacrifícios.

O vocábulo sacrifício tem, conforme a etimologia, o sentido de se “fazer alguma coisa sagrada”. Em seu sentido primitivo e unicamente religioso, representa uma oferenda que se faz à Divindade por meio de rituais.

O propósito declarado do sacrifício varia muito entre as diferentes culturas. Por extensão, pode ele ser considerado como uma renúncia ou privação voluntária de alguma coisa, como a privação dos gozos inúteis, que a doutrina espírita considera ato meritório, porque desprende da matéria o homem e eleva sua alma. 

Resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis, tirar do que temos para dar aos que carecem do bastante, fazer o bem aos nossos semelhantes – eis algumas práticas que apresentam grande mérito dentro do rol das chamadas privações voluntárias.

A realização de sacrifícios religiosos está geralmente relacionada com as mortificações e as penitências. O verbo mortificar é sinônimo de afligir, atormentar, castigar, macerar o próprio corpo com penitências. A mortificação ocorreria devido ao arrependimento ou à dor resultante do pecado que a pessoa tenha cometido. 

Em função do arrependimento, certas autoridades religiosas impõem uma pena ao arrependido para remissão de seus pecados, pena essa representada por jejuns, orações, macerações do corpo e outras tantas mortificações inerentes às manifestações de culto externo.

Em seu livro Elucidações Evangélicas, Antônio Luiz Sayão examina o assunto “penitência” e diz que essa prática é, segundo algumas religiões, necessária ao pecador que não deseja agravar sua culpa e tornar-se, por conseguinte, passível de maiores castigos. 

A penitência, tal como a entendia Jesus, não consiste, porém, na reclusão em claustros, nos cilícios e em outras tribulações materiais. Ela consiste no arrependimento sincero e profundo e no propósito firme em que a criatura se coloca de não tornar a cometer as faltas que a arrastaram à mísera condição humana e esforçar-se por repará-las.

O Espírito penitente – afirma Sayão – “absorve-se todo na oração e na vigilância que Jesus recomendava e que formam uma espécie de antemural às ondas de paixões que nos lançam no abismo do infortúnio”. 

No intuito de obter favores ou mesmo agradar a Deus ou aos Bons Espíritos, algumas pessoas executam determinadas ações ou se impõem certas privações a que chamam de promessa. Ora, as promessas já tiveram sua época e já vai distante o tempo das supersticiosas imposições da teocracia. Ao seu reinado sucedeu o império da inteligência e da razão, únicos fundamentos inabaláveis da fé esclarecida e ativa. Sacrifícios, mortificações e promessas são, portanto, manifestações materiais do culto externo, praticadas por pessoas ainda distantes das verdades espirituais.

Falando sobre a mortificação e seu mérito, aconselham os Espíritos superiores: “Procurai saber a que ela aproveita”. “Se somente serve para quem a pratica e a impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã.” (O Livro dos Espíritos, 721.)

Debilitar o corpo com privações inúteis e macerações sem objetivo, torturar e martirizar voluntariamente o corpo material são atos que, evidentemente, contrariam a lei de Deus, porquanto enfraquecer o veículo corpóreo sem necessidade é verdadeiro suicídio.

Sobre o tema sugerimos a quem nos lê que consulte, também, as questões 669 a 673 d´O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/06/lacos-de-familia-porque-as-vezes-sao.html

 

 

 

 


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