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quarta-feira, 16 de julho de 2025

 


Revista Espírita de 1869

 

Allan Kardec

 

Parte 8 e final

 

Concluímos o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1869, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. 

O estudo foi baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1869 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que foi apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Com a desencarnação de Kardec, quem assumiu a presidência da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas?

B. Que frase se destaca no dólmen erguido no túmulo de Kardec?

C. Os desencarnados conservam no Espaço suas simpatias e seus hábitos terrenos?

 

Texto para leitura

 

72. Em face da desencarnação de Kardec, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas nomeou como membros de sua diretoria para o período 1869–1870 os srs. Levent, Malet, Canaguier, Ravan, Desliens, Delanne e Tailleur, incumbindo a presidência ao sr. Malet, que era, segundo o sr. Levent, o candidato de preferência de Kardec. Se não houvesse ocorrido o seu falecimento, Kardec aceitaria tão-somente a presidência honorária da Sociedade – pelo menos é isto que foi dito aos confrades pelo sr. Levent.  A posse do novo presidente, cujo discurso foi transcrito no número de maio, ocorreu no dia 9-4-1869. (Págs. 146 a 152)

73. Desejando contribuir para a realização dos planos elaborados por seu marido, a sra. Allan Kardec, única proprietária legal das obras e da Revista, decidiu: I – Doar anualmente à Caixa Geral do Espiritismo o excedente dos lucros provenientes da venda dos livros espíritas e das assinaturas da Revista Espírita, isto é, das operações da Livraria Espírita. II – Colocar a Revista à disposição da publicação dos artigos que a Comissão Central julgar úteis à causa espírita, com a condição expressa de serem eles previamente sancionados pela proprietária e a Comissão de Redação. A Sociedade Espírita de Paris, em sua sessão de 16 de abril, aplaudiu por unanimidade as decisões da viúva. (Págs. 152 e 153)

74. A Revista reproduz carta que o sr. Guilbert, presidente da Sociedade Espírita de Rouen, enviou no dia 14-4-1869 à Sociedade Espírita de Paris. Na missiva, os confrades de Rouen deram uma mostra do seu apreço pelo trabalho realizado em Paris, contribuindo com mil francos para a Caixa Geral do Espiritismo, que, segundo eles, necessitaria do concurso moral e material de todos os espíritas. (Págs. 153 e 154)

75. O número de maio de 1869 se encerra com a transcrição de uma comunicação recebida do Espírito de Allan Kardec em abril de 1869 na Sociedade Espírita de Paris e três avisos. O primeiro diz respeito à Livraria Espírita, cujo catálogo das obras ali expostas seria enviado a todas as pessoas que o pedissem. O segundo comunica que foram inúmeros os testemunhos de simpatia recebidos pela sra. Allan Kardec das várias partes da França e do estrangeiro, em razão do passamento do Codificador do Espiritismo. A sra. Amélie Boudet aproveitou a oportunidade para agradecer e expressar a todos seus sentimentos de reconhecimento. O derradeiro aviso reitera a informação já divulgada na edição de abril de que o escritório de assinaturas e expedição da Revista Espírita fora transferido para a sede da Livraria Espírita, na rua de Lille, no 7, onde funcionava também a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. (Págs. 154 a 157)

76. Na edição de junho de 1869, além do artigo intitulado “O caminho da vida”, escrito por Kardec, mais tarde incluído no livro Obras Póstumas (11ª edição da editora da FEB, págs. 170 a 175), a Revista transcreve outra comunicação recebida do Espírito de Allan Kardec e duas notas relacionadas com o Codificador. (Págs. 159 a 176)

77. A primeira trata do dólmen que vários integrantes da Sociedade Espírita de Paris e outros confrades decidiram erguer no túmulo de Kardec, para que ficasse consagrado por um monumento imperecível o lugar onde repousariam os seus restos mortais. O monumento, por alusão aos antigos druidas, se comporia de duas pedras de granito bruto, erectas, encimadas por uma terceira posta sobre as duas primeiras. Na face inferior da pedra superior seria gravado o nome Allan Kardec, com esta epígrafe: “Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito”. (N.R.: O dólmen foi afinal erguido e tem sido visitado por muita gente no cemitério Père-Lachaise, em Paris; contudo, além da frase citada, posta na parte central do monumento, figura na pedra superior uma frase bem conhecida: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”, cuja autoria é atribuída por alguns aos espíritas do interior da França.) (Págs. 173 e 174)

78. A segunda nota evoca a ideia de Kardec a respeito de um museu onde fossem reunidos as primeiras obras de arte espírita, os trabalhos mediúnicos mais notáveis e os retratos dos adeptos mais devotados, para informar ao público que seis dos quadros citados pelo Codificador poderiam – até que fosse adquirido um local apropriado – ser apreciados na residência da sra. Allan Kardec, todas as quartas-feiras, das 14 às 16 horas. Seu autor, o sr. Monvoisin, tinha ainda em suas mãos os dois outros quadros referidos por Kardec e que ele havia generosamente doado para integrar o acervo do citado Museu. (Págs. 174 a 176)

79. Embora nada tenha a ver com os trabalhos da lavra de Kardec, é digna de registro a nota publicada pela Revista em outubro de 1869 sobre o surgimento do primeiro jornal espírita do Brasil, “O Echo d’Além Túmulo”, fundado e dirigido por Luiz Olympio Telles de Menezes, em Salvador-BA. Na edição de dezembro do mesmo ano, a Revista enaltece a iniciativa e a coragem dos responsáveis pelo periódico, como se pode ver no trecho seguinte: “O Echo d’Além Túmulo aparece seis vezes por ano, em cadernos de 56 páginas in-4o., sob a direção do Sr. Luiz Olympio Telles de Menezes, ao qual nos apressamos imediatamente a endereçar vivas felicitações, pela iniciativa corajosa de que nos dá prova. É necessário, com efeito, uma grande coragem, a coragem da opinião, para lançar num país refratário como o Brasil um órgão destinado a popularizar os nossos ensinamentos". O autor dessa nota jamais imaginou que o Brasil, tão refratário ao Espiritismo em 1869, se tornaria no século seguinte o maior país espírita do mundo. (Págs. 199 e 200)

80. São sete as comunicações transmitidas por Allan Kardec (Espírito) que figuram na Revista Espírita de 1869. A 1a. comunicação ocorreu em abril de 1869 (págs. 154 a 156). A 2a. mensagem, psicografada a 30-4-1869, diz que o exemplo é o mais poderoso agente de propagação (págs. 179 e 180). A 3a. foi transmitida em 20-6-1869 e tem por título “A regeneração” (págs. 191 e 192). A 4a., datada de 14-9-1869, intitula-se “O Espiritismo e a literatura contemporânea” (págs. 192 a 194). A 5a., intitulada “O Espiritismo e o espiritualismo”, foi recebida também em 14-9-1869,  na casa de Anne Blackwell (págs. 194 e 195). A 6a. comunicação, dada a 21-9-1869, tem por título “Os aniversários” (págs. 195 a 197). A 7a. e última, recebida em novembro de 1869, trata do tema “Os desertores”, mesmo assunto que Kardec desenvolveu quando encarnado em um artigo que integra o livro “Obras Póstumas” (págs. 197 a 199).

81. Das sete mensagens atribuídas ao Espírito de Allan Kardec extraímos, de forma resumida, os conceitos e observações que se seguem: I – Não basta querer hoje, amanhã, depois de amanhã: para ser digno da Doutrina é preciso querer sempre. A vontade que age por impulsos não é mais vontade: é capricho no bem; mas quando a vontade se exerce com a calma que nada perturba, com a perseverança que nada detém, eis aí a verdadeira vontade, inquebrantável em sua ação, frutuosa em seus resultados (pág. 155). II – Sede confiantes em vossas forças: elas produzirão grandes efeitos se as empregardes com prudência; sede confiantes na força da ideia que vos une, pois ela é indestrutível. Pode-se ativar ou retardar o seu desenvolvimento, mas é impossível detê-la (pág. 155). III – Nossos trabalhos como Espíritos são muito mais extensos do que podeis supor e os instrumentos de nossos pensamentos nem sempre estão disponíveis (pág. 179). IV – O que vos aconselho antes de mais nada é a tolerância, a afeição, a simpatia de uns para com os outros e também para os incrédulos (pág. 180). V – As brochuras, os jornais, os livros, as publicações de toda a espécie são meios poderosos de introduzir a luz por toda a parte, mas o mais seguro, o mais íntimo e o mais acessível a todos é o exemplo da caridade, a doçura e o amor (pág. 180). VI – As Humanidades são todas chamadas a se unirem e a se identificarem na perfeição, pois todas partem da ignorância e da inconsciência de si mesmas e avançam indefinidamente para um mesmo objetivo: Deus, para atingirem a felicidade suprema pelo conhecimento do amor (pág. 191). VII – Tal como a terra, que se modifica pela cultura e pelos tratos que recebe, e ainda pelos cataclismos periódicos que sobre ela se abatem, as Humanidades se transformam e progridem pelo estudo perseverante e pela permuta de pensamentos; mas os cataclismos morais que regenerem o pensamento são necessários para determinar a aceitação de certas verdades (pág. 191). VIII – É necessária uma conjugação imensa de esforços para que novos princípios sejam aceitos. Assim também, para avançar, o homem tem de quebrar as cadeias que o prendem ao pelourinho do passado através do hábito, da rotina e dos preconceitos (págs. 191 e 192). IX – Na Terra, o passado e o futuro são os dois braços de uma alavanca que tem no presente o seu ponto de apoio. Enquanto a rotina e os preconceitos dominam, o passado está no apogeu. Quando a luz se faz, a alavanca se move e o passado que já escurecia desaparece, para dar lugar ao futuro que alvorece (pág. 192). X – O Espiritismo é, de sua própria natureza, modesto e pouco rumoroso. Existe pelo poder da verdade e não pelo barulho feito em seu redor por adversários e partidários (págs. 192 e 193). XI – Utopia ou sonho de uma imaginação desordenada, após um breve sucesso ele teria desaparecido sob a conspiração do silêncio, ou do ridículo, que, segundo se pretende, tudo aniquila em França. Mas o silêncio só destrói as obras sem consistência e o ridículo só mata o que é mortal (pág. 193). XII – Alguém é materialista, católico ou livre-pensador por sua vontade ou sua convicção, mas basta existir para ser espírita ou estar sujeito ao Espiritismo. Pensar, refletir, viver são realmente atos espíritas, e isto prontamente se justifica após alguns minutos de exame por aqueles que admitem uma alma, um corpo e um intermediário entre essa alma e esse corpo (pág. 193). XIII – Admitir esses três princípios constitutivos do ser humano é admitir uma das bases fundamentais da Doutrina, é ser espírita ou pelo menos ter um ponto de contato com o Espiritismo, uma crença comum com os espíritas (pág. 193). XIV – Os Espíritos conservam no Espaço suas simpatias e seus hábitos terrenos. Os Espíritos dos americanos mortos são ainda americanos, como os desencarnados que viveram na França são ainda franceses do Espaço. Daí as diferenças dos ensinos em alguns centros (pág. 195). XV – (Dirigindo-se a Anne Blackwell) Traduzi as minhas obras! Só se conhecem na América os argumentos contra a reencarnação. Quando as demonstrações em favor desse princípio ali se tornarem populares, o Espiritismo e o Espiritualismo não tardarão a se confundir e se tornarão, por sua fusão, na Filosofia natural adotada por todos (pág. 195). XVI – A glória dos conquistadores se extingue com a fumaça do sangue que eles derramaram, com o esquecimento das lágrimas que fizeram correr. A dos regeneradores aumenta sem cessar, porque o espírito humano, engrandecendo-se, recolhe as folhas esparsas em que estão inscritos os atos gloriosos desses homens de bem (pág. 197). XVII – Se é justo censurar os que tentaram explorar o Espiritismo ou desnaturá-lo, quanto mais culpáveis são os que, não contentes de abandoná-lo, se puserem a combatê-lo! É sobretudo para os desertores dessa categoria que precisamos apelar à misericórdia divina (pág. 198). 

 

Respostas às questões propostas

 

A. Com a desencarnação de Kardec, quem assumiu a presidência da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas?

Foram nomeados pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas como membros de sua diretoria para o período 1869–1870 os srs. Levent, Malet, Canaguier, Ravan, Desliens, Delanne e Tailleur, incumbindo a presidência ao Sr. Malet, que era, segundo o Sr. Levent, o candidato de preferência de Kardec. A posse do novo presidente, cujo discurso foi transcrito no número de maio, ocorreu no dia 9-4-1869. (Revista Espírita de 1869, pp. 146 a 152.)

B. Que frase se destaca no dólmen erguido no túmulo de Kardec?

O dólmen, por alusão aos antigos druidas, compõe-se de duas pedras de granito bruto, erectas, encimadas por uma terceira posta sobre as duas primeiras. Na face inferior da pedra superior foi gravado o nome Allan Kardec, com esta epígrafe: “Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito”. Mas foi posta ali uma frase bem conhecida: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”, cuja autoria é atribuída por alguns aos espíritas do interior da França. (Obra citada, pp. 173 e 174.)

C. Os desencarnados conservam no Espaço suas simpatias e seus hábitos terrenos?

Sim. Os Espíritos os conservam, de modo que os Espíritos dos americanos mortos são ainda americanos, como os desencarnados que viveram na França são ainda franceses do Espaço. Daí as diferenças dos ensinos obtidos em alguns centros conforme o país em que se situam. (Obra citada, pág. 195.)

 

Observação:

Para acessar a parte 7 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/07/revista-espirita-de-1869-allan-kardec_0472250902.html

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 9 de julho de 2025

 



Revista Espírita de 1869

 

Allan Kardec

 

Parte 7

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1869, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1869 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que disse Lamartine acerca de sua desencarnação?

B. Que conselho deu o Espírito de Charles Fourier a um de seus discípulos?

C. A ideia da evolução da alma por meio de uma série de existências nos reinos inferiores da Natureza era partilhada por outros autores contemporâneos de Kardec?

 

Texto para leitura

 

62. O jornal Le Progrès Thérapeutique, especializado em Medicina, relata em seu número de 1o de março de 1869 um fenômeno bizarro ocorrido em Bois-d’Haine, na Bélgica. Trata-se de uma jovem de 18 anos que todas as sextas-feiras cai em um estado cataléptico e assim fica por três horas deitada, braços estendidos, um pé sobre o outro, na posição de Jesus na cruz. A insensibilidade e a rigidez dos membros foram constatadas por diversos médicos. Durante a crise, cinco feridas se abrem nos mesmos lugares onde havia as chagas de Cristo, e deixam minar sangue real. Finda a crise, o sangue cessa de correr, as chagas se fecham e cicatrizam-se em 24 horas. Kardec não comentou o assunto. (Págs. 112 e 113)

63. Duas novas comunicações transmitidas na Sociedade de Paris, a 12 de fevereiro e a 5 de março de 1869, pelo Espírito de Louis Desnoyers, revelaram que finalmente o citado Espírito compreendeu que havia desencarnado. Como já vimos, ele pensava anteriormente que apenas sonhava e jamais admitiu estivesse desligado do corpo físico. Na segunda mensagem, o comunicante fala sobre Lamartine, recentemente desencarnado, informando ter sido um dos que o acolheram no além-túmulo, junto de outros que o haviam apreciado e estimado. (Págs. 113 a 116)

64. A 14 de março foi o próprio Lamartine que se manifestou na Sociedade Espírita de Paris, trazendo ao mundo a prova indiscutível da imortalidade da alma. Em sua mensagem refere Lamartine: “Há um ano, eu tinha uma profunda intuição. Falava pouco, mas viajava sem cessar pelas planícies etéreas, onde tudo se refunde sob o olhar do Senhor dos mundos; o problema da vida se desenrolava majestosamente, gloriosamente. Compreendi o pensamento de Swedenborg e da escola dos teósofos, de Fourier, de Jean Reynaud, de Henri Martin, de Victor Hugo, e o Espiritismo, que me era familiar, embora em contradição com os meus preconceitos e o meu nascimento, preparava-me para o desligamento, para a partida”. A transição, explicou Lamartine, não lhe foi penosa. (Págs. 116 a 118)

65. Atendendo a uma consulta formulada por um de seus discípulos, o Espírito de Charles Fourier disse em Paris, a 9-3-1869, que seu mais sério título foi ter partilhado com Jean Reynaud, Joseph de Maistre, Ballanche e tantos outros o pressentimento de que a regeneração humana se efetua pela sucessão de existências reparadoras, ideia que eles tinham previsto e que agora era confirmada pelo Espiritismo. Finalizando sua comunicação, Fourier deu ao confrade o seguinte conselho: “Se quiserdes uma demonstração séria de uma lei universal, buscai a sua aplicação individual. Quereis a verdade? Buscai-a em vós mesmos, e na observação dos fatos de vossa própria vida. Todos os elementos da prova lá estão. Que aquele que quer saber se examine, e encontrará”. (Págs. 118 a 120)

66. Na seção de livros, o número de abril reporta-se à obra “Há uma vida futura?”, escrita por um ilustre engenheiro que a assina com o pseudônimo de Fantasma. O livro prova que a Ciência não conduz ninguém fatalmente ao materialismo e demonstra com uma clareza absoluta a necessidade da reencarnação para o progresso. (Págs. 120 a 123)

67. A outra obra focalizada pela Revista, na edição de abril, intitula-se “A alma, sua existência e suas manifestações”, de autoria do sr. Dyonis. Este livro tende para o mesmo objetivo do precedente, mas sob uma forma mais didática, mais científica. A refutação do materialismo e das doutrinas de Büchner e Maleschott ocupa aí largo espaço. O autor defende em seu livro a perfectibilidade da alma e diz que ela progrediu desde a primeira manifestação da vida, passando alternativamente pelas plantas, os animálculos, os animais e o homem. (Págs. 123 e 124)

68. Fechando o número de abril de 1869, a Revista informa, de modo sucinto, a constituição de duas novas sociedades espíritas, uma em Sevilha, Espanha, a outra em Florença, Itália, e o surgimento dos jornais espíritas El Espiritismo, de Sevilha, e Il Veggente (O Vidente), de Florença. (Págs. 124 e 125)

69. O número de maio de 1869, escrito após a desencarnação de Kardec, foi integralmente dedicado ao passamento do Codificador do Espiritismo e à repercussão que esse acontecimento teve na imprensa em geral e nas atividades da Sociedade Espírita de Paris. (Págs. 127 a 133)

70. As matérias constantes do número de maio, relativas a Kardec e ao seu sepultamento, são estas: I – Biografia de Allan Kardec (págs. 127 a 133). II – Discurso pronunciado pelo sr. Levent, vice-presidente da Sociedade Espírita de Paris, no momento do sepultamento do corpo de Kardec o Codificador (págs. 133 e 134). III – Discurso proferido pelo sr. Camille Flammarion à beira do túmulo de Kardec (págs. 135 a 139). IV – Discurso feito pelo sr. Alexandre Delanne na mesma oportunidade, em nome dos espíritas dos centros distantes (págs. 140 e 141). V – Alocução que o sr. E. Müller fez na despedida a Kardec, em nome da família e de seus amigos (págs. 141 a 143).

71. Os jornais franceses, em sua maioria, noticiaram o falecimento de Kardec e alguns deles adicionaram ao relato dos fatos comentários sobre o caráter e os trabalhos realizados pelo Codificador do Espiritismo. Por falta de espaço, o número de maio de 1869 transcreveu apenas dois dos artigos referidos: o publicado em Le Journal Paris de 3-4-1869 pelo sr. Pagès de Noyez, e o artigo do sr. A. Bauche, constante do jornal L’ Union Magnétique de 10-4-1869. (Págs. 143 a 146) 

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que disse Lamartine acerca de sua desencarnação?

Primeiro, ele disse em sua mensagem: “Há um ano, eu tinha uma profunda intuição. Falava pouco, mas viajava sem cessar pelas planícies etéreas, onde tudo se refunde sob o olhar do Senhor dos mundos; o problema da vida se desenrolava majestosamente, gloriosamente. Compreendi o pensamento de Swedenborg e da escola dos teósofos, de Fourier, de Jean Reynaud, de Henri Martin, de Victor Hugo, e o Espiritismo, que me era familiar, embora em contradição com os meus preconceitos e o meu nascimento, preparava-me para o desligamento, para a partida”. A transição para o plano espiritual, disse ele, não lhe foi penosa. (Revista Espírita de 1869, pp. 116 a 118.)

B. Que conselho deu o Espírito de Charles Fourier a um de seus discípulos?

Ao discípulo que lhe havia enviado uma consulta, Charles Fourier disse, em uma comunicação transmitida em 9-3-1869: “Se quiserdes uma demonstração séria de uma lei universal, buscai a sua aplicação individual. Quereis a verdade? Buscai-a em vós mesmos, e na observação dos fatos de vossa própria vida. Todos os elementos da prova lá estão. Que aquele que quer saber se examine, e a encontrará”. Fourier, quando ainda encarnado, fora reencarnacionista. (Obra citada, pp. 118 a 120.)

C. A ideia da evolução da alma por meio de uma série de existências nos reinos inferiores da Natureza era partilhada por outros autores contemporâneos de Kardec?

Sim. Na edição de abril de 1869, a Revista menciona o livro “A alma, sua existência e suas manifestações”, de autoria do Sr. Dyonis, que refuta nele as doutrinas materialistas e defende a perfectibilidade da alma afirmando que ela progrediu desde a primeira manifestação da vida, passando alternativamente pelas plantas, os animálculos, os animais e o homem. (Obra citada, pp. 123 e 124.) 

 

Observação:

Para acessar a parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/07/revista-espirita-de-1869-allan-kardec.html

 

 


 

 

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

 



Revista Espírita de 1869

 

Allan Kardec

 

Parte 6

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1869, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1869 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que diferença havia, segundo Kardec, entre o Espiritismo europeu e o americano?

B. A propósito da causa dos fenômenos espíritas, quais foram as hipóteses emitidas ao longo dos anos em todo o mundo?

C. Que fato se deu com padre que andou fazendo curas na região dos Hautes-Alpes?

 

Texto para leitura

 

52. A música e as harmonias celestes são o tema de duas comunicações transmitidas por Rossini em reuniões realizadas em janeiro de 1869 em Paris, das quais extraímos resumidamente os conceitos que se seguem: I – Para ser músico não basta alinhar notas sobre um pentagrama; assim só se consegue produzir ruídos agradáveis. Para dar alma à música, para fazê-la chorar, rir, uivar, é preciso que ele próprio tenha experimentado esses diferentes sentimentos, dores, alegria, cólera. II – A harmonia é difícil de definir e muitas vezes a confundem com a música, com os sons resultantes de um arranjo de notas e das vibrações dos instrumentos. Mas a harmonia não é isto, como a chama não é a luz. III – A chama resulta da combinação de dois gases e é tangível. A luz que ela projeta é um efeito dessa combinação e é intangível, mas o efeito é superior à causa. IV – Dá-se o mesmo com a harmonia, que resulta de um arranjo musical e é um feito igualmente superior à causa. V – Pode-se conceber a luz sem a chama e a harmonia sem a música. A harmonia é um sentido íntimo da alma e é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido. VI – Fora do mundo material, a luz e a harmonia são de essência divina. A harmonia do espaço é tão complexa e tem tantos graus, que muitos me são ocultos. VII – O Espírito produz efeitos musicais agindo sobre o éter e obtém os sons que deseja. VIII – A harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do Espírito. A primeira o deslumbra, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. IX – A harmonia é, contudo, tão indefinível quanto a felicidade, o medo, a cólera: é um sentimento, que não se compreende senão quando se possui, e não se possui senão quando se adquiriu. X – A música, que é a causa secundária da harmonia percebida, penetra e transporta alguns, enquanto deixa outros frios e indiferentes. XI – Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é mais elevado, mais depurado que aquele que ela não consegue penetrar. Sua alma está mais apta para sentir, desprende-se mais facilmente da matéria e a harmonia a ajuda a desprender-se, de onde se conclui que a música é essencialmente moralizadora, desde que leva a harmonia às almas e a harmonia as eleva e engrandece. XII – A influência da música sobre a alma e sobre o seu progresso é reconhecida por todo o mundo. A razão dessa influência é que é ignorada: a harmonia coloca a alma sob o poder um sentimento que a desmaterializa. XIII – Se a música exerce uma influência benéfica sobre a alma, a alma que a concebe exerce igualmente influência sobre a música. É assim que a alma virtuosa, imbuída do sentimento do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e comovê-las. XIV – Se o compositor estiver terra-a-terra, como expressará a virtude que desdenha, o belo que ignora e a grandeza que não compreende? Suas composições serão o reflexo de seus gostos sensuais, de sua leviandade, de sua despreocupação. XV – Moralizando as criaturas, o Espiritismo exercerá então uma grande influência sobre a música, produzindo mais compositores virtuosos que comunicarão suas virtudes às suas composições e aos que as ouvirem. XVI – O Espiritismo terá, ninguém duvide, grande influência sobre a música futura. Seu advento mudará a arte, depurando-a. Como sua fonte é divina, tornar-se-á o ideal e o objetivo dos artistas, que lhe pedirão suas inspirações. (Págs. 84 a 90)

53. Mensagem assinada pelo Espírito de Halévy e dada em Paris no dia 16-2-1869 encerra o número de março. Examinando o tema: A mediunidade e a inspiração, diz o comunicante: I – A mediunidade abarca a humanidade inteira, como um feixe ao qual ninguém pode escapar. II – Não há um só homem que possa dizer: Não fui, não sou ou não serei médium. III – Sob a forma intuitiva, cada um está em relação com várias influências espirituais, que podem ser boas ou más. IV – Quando o homem faz mais do que ocupar-se de pequenos detalhes de sua existência e quando se trata de trabalhos que veio realizar mais especialmente, de provas decisivas que deva suportar, ou de obras destinadas à instrução e elevação gerais, a intuição – também chamada de voz da consciência – não se limita aos conselhos, mas atrai o Espírito para certos assuntos, provoca certos estudos e colabora na obra, fazendo ressoar certos compartimentos cerebrais pela inspiração. V – A obra será, pois, coletiva, embora só um deva assiná-la. Mas que importa isso? A obra jamais é uma criação; é sempre uma descoberta. Por muito tempo o músico ouviu a cotovia e o rouxinol antes de inventar a música. VI – Sob este ponto de vista, é-se médium de todos, é-se médium da natureza, médium da verdade, e por vezes médium muito imperfeito, porque ela aparece de tal modo desfigurada pela tradução, que se torna irreconhecível. (Págs. 91 e 92)

54. Um aviso muito importante abre o número de abril de 1869: a partir de 1o de abril o escritório da Revista Spirite seria o mesmo da Livraria Espírita, na rua de Lille, no 7, onde seriam realizadas também as sessões da Sociedade Espírita de Paris O domicílio pessoal de Kardec ficaria, a partir da mesma data, na Avenue et Villa Ségur, no 39, atrás dos Inválidos. (N.R.: Como já vimos, o número de abril foi escrito antes da desencarnação de Kardec, ocorrida a 31-3-1869.) (Pág. 95)

55. A criação da Livraria Espírita é noticiada em seguida. Diz Kardec que o interesse cada vez maior que as ideias espíritas tinham despertado indicou a necessidade de uma casa especial para a concentração dos documentos concernentes ao Espiritismo. Fora das obras fundamentais da doutrina espírita havia um grande número de livros, antigos e modernos, úteis ao complemento desses estudos e que eram ignorados do grande público. Foi visando preencher essa lacuna que se fundou a Livraria Espírita, uma empresa de caráter não comercial, criada por uma sociedade de espíritas que renunciavam, pelo contrato que os liga, a toda especulação pessoal. Os lucros auferidos pela Livraria pertenceriam à Caixa Geral do Espiritismo. (Págs. 95 e 96)

56. A Revista reproduz do jornal Salut, de Nova Orléans, Estados Unidos, a declaração de princípios aprovada na 5a Convenção Nacional ou Assembleia dos delegados dos espíritas das diversas cidades dos Estados Unidos. A declaração é composta de 19 itens, dos quais destacamos, de forma resumida, os seguintes: I – O homem tem uma natureza espiritual e uma natureza corporal; ele é, na verdade, um Espírito revestido de uma forma orgânica. II – O Espírito é imortal. III – Há um mundo ou estado espiritual, com suas realidades objetivas e subjetivas. IV – A morte não transforma a constituição mental ou o caráter moral de nenhuma pessoa. V – A felicidade, tanto no estado espiritual quanto neste, depende do caráter, das aspirações e do grau de harmonia do indivíduo com a lei divina. VI – O crescimento, o desenvolvimento e a progressão são o destino infinito do espírito humano. VII – O mundo espiritual não está afastado de nós, mas nos rodeia; por conseguinte estamos constantemente sob a vigilância dos seres espirituais. VIII – Há no estado espiritual todos os graus de caracteres, desde o mais baixo ao mais elevado de desenvolvimento intelectual e moral. IX – Cada indivíduo gravita em seu próprio lugar, por uma lei natural de afinidade; o céu e o inferno, a felicidade e a infelicidade dependem antes dos sentimentos íntimos que das circunstâncias exteriores. X – As comunicações recebidas dos Espíritos não são necessariamente verdades infalíveis. XI – Todos os seres angélicos ou demoníacos que se manifestaram nos negócios dos homens, no passado, eram simples Espíritos humanos desencarnados, em diversos graus de progressão. XII – Os chamados milagres dos tempos passados, a cura das moléstias pela imposição das mãos, a ressurreição dos que estavam aparentemente mortos etc. foram produzidos em harmonia com as leis universais e podem repetir-se em todos os tempos. (Págs. 96 a 99)

57. Kardec, para tornar mais fácil a análise dos princípios que compõem a declaração aprovada pelos espíritas americanos, repassou, um a um, ditos princípios comparando-os com os ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos e no cap. II de O que é o Espiritismo. Em seguida, observou que as diferenças havidas entre o Espiritismo europeu e o americano resumiam-se a questões de palavras, verificando-se concordância sobre os pontos fundamentais. (Págs. 99 a 103)

58. A única diferença entre as duas escolas limitava-se à questão da pluralidade das existências, admitida também pelos americanos, porém em mundos cada vez mais adiantados, enquanto o Espiritismo europeu admite a pluralidade de existências na Terra, até que o Espírito tenha aqui atingido o grau de adiantamento que comporta este globo, após o que o deixa por outros mundos. O princípio da reencarnação na Terra não era, contudo, peculiar ao Espiritismo europeu. Constituía um ponto fundamental da doutrina druídica e foi proclamado antes do Espiritismo por filósofos ilustres, como Dupont de Nemours, Charles Fourier, Jean Reynaud, Benjamin Franklin e tantos outros. As causas que se opuseram à introdução dessa lei no Espiritismo americano já foram explicadas anteriormente. Faltou aos Estados Unidos um centro de ação para coordenar os princípios. É por isso que não existe ali, a bem dizer, um corpo metódico de doutrina, ao contrário do que se verificou no movimento espírita europeu, sobretudo na França. (Págs. 103 a 105)

59. As conferências proferidas pelo sr. Chevillard sobre o Espiritismo foram objeto de um artigo do sr. Pagès de Noyez, publicado no jornal Paris de 7/3/1869. Comentando o fato, Kardec diz que já havia dado sua apreciação sobre o assunto no número de março e que seria supérfluo refutar uma teoria que nada tinha de novo. Entre os que admitem a realidade dos fenômenos – que é o caso do sr. Chevillard – quatro hipóteses foram emitidas ao longo dos anos a respeito de sua causa: 1ª. A ação exclusiva do fluido nervoso, magnético, elétrico ou qualquer outro. 2ª. O reflexo do pensamento dos médiuns e dos assistentes. 3ª. A intervenção dos demônios. 4ª. A intervenção dos Espíritos humanos, desprendidos do corpo físico, sobre o mundo corporal. Todas essas hipóteses já haviam sido amplamente discutidas. Os que não aceitam a 4a. hipótese, que é a hipótese pregada pelo Espiritismo, têm todo o direito de manifestar-se, cientes de que, desses diversos sistemas, o defendido pelo Espiritismo é o que encontrou maior número de simpatizantes e é o único admitido pela imensa maioria dos observadores em todos os países do mundo. (Págs. 105 a 108)

60. Um taumaturgo que passara sua última existência a brincar de pessoa santa, em meio aos prodígios que realizava, quis nascer, como menino, em condições excepcionais para atrair o respeito e a veneração das pessoas. Essa é a explicação dada na Sociedade de Paris pelo dr. Morel Lavallée (Espírito) a respeito da “criança elétrica”, o bebê nascido na aldeia de Saint-Urbain, nos limites do Loire e do Ardèche, que apresentava desde o primeiro dia fenômenos muito curiosos e inusitados. Por vezes seu berço parecia encher-se de uma claridade esbranquiçada; não se podia tocá-lo sem sentir uma viva reação; de suas extremidades se escapavam, por momentos, eflúvios brilhantes que o tornavam luminoso; quando, em certos dias, se aproximava dele algum objeto, este era tomado de um frêmito e de uma vibração sutil, que nada podia explicar. Dr. Morel disse, no entanto, que o fenômeno em si mesmo teria pouca duração e quem quisesse estudá-lo deveria apressar-se. (Págs. 109 a 111)

61. Um dos assinantes da Revista residente no departamento dos Hautes-Alpes enviou a Kardec interessante relato sobre as curas que um padre andava fazendo naquela região. O fato tivera grande repercussão, mas, por punição, o pároco fora enviado para La Chalpe, comuna vizinha de Abriès, na fronteira do Piemonte, onde, contudo, continuava a curar, sem nada receber por seu trabalho.  (Págs. 111 e 112) 

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que diferença havia, segundo Kardec, entre o Espiritismo europeu e o americano?

Segundo ele, as diferenças que existiam entre o Espiritismo europeu e o americano resumiam-se a questões de palavras, verificando-se concordância sobre os pontos fundamentais. A única divergência real entre as duas escolas limitava-se à questão da pluralidade das existências, admitida também pelos americanos, porém em mundos cada vez mais adiantados, enquanto o Espiritismo europeu admitia a pluralidade de existências na Terra, até que o Espírito tenha aqui atingido o grau de adiantamento que comporta este globo. O princípio da reencarnação na Terra não era, contudo, peculiar ao Espiritismo europeu. Constituía um ponto fundamental da doutrina druídica e foi proclamado antes do Espiritismo por filósofos ilustres, como Dupont de Nemours, Charles Fourier, Jean Reynaud, Benjamin Franklin e tantos outros. As causas que se opuseram à introdução dessa lei no Espiritismo americano já foram explicadas anteriormente. (Revista Espírita de 1869, pp. 99 a 105.)

B. A propósito da causa dos fenômenos espíritas, quais foram as hipóteses emitidas ao longo dos anos em todo o mundo?

Entre os que admitem a realidade dos fenômenos quatro hipóteses foram emitidas ao longo dos anos a respeito de sua causa: 1ª. A ação exclusiva do fluido nervoso, magnético, elétrico ou qualquer outro. 2ª. O reflexo do pensamento dos médiuns e dos assistentes. 3ª. A intervenção dos demônios. 4ª. A intervenção dos Espíritos humanos, desprendidos do corpo físico, sobre o mundo corporal. O sistema defendido pelo Espiritismo foi, porém, segundo Kardec, o que encontrou maior número de simpatizantes e o único admitido pela imensa maioria dos observadores em todos os países do mundo. (Obra citada, pp. 105 a 108.)

C. Que fato se deu com padre que andou fazendo curas na região dos Hautes-Alpes?

Um dos assinantes da Revista residente no departamento dos Hautes-Alpes disse que as curas feitas pelo padre tiveram grande repercussão naquela região, mas, por punição, o pároco fora enviado para La Chalpe, comuna vizinha de Abriès, na fronteira do Piemonte, onde, contudo, continuava a curar, sem nada receber por seu trabalho. (Obra citada, pp. 111 e 112.) 

 

Observação:

Para acessar a parte 5 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/revista-espirita-de-1869-allan-kardec_0261992316.html

 

 

 



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