quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019




Obsessão e loucura

Este é o módulo 121 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. A loucura é sempre resultado de uma lesão cerebral?
2. A obsessão pode levar o indivíduo à loucura?
3. Qual é basicamente a diferença entre loucura e obsessão?
4. A ação persistente do obsessor pode produzir lesões em sua vítima?
5. Por que Jesus conseguia com uma simples ordem desfazer os casos de obsessão relatados pelos evangelistas?

Texto para leitura

A loucura manifesta-se de duas maneiras distintas
1. A obsessão não é loucura, mas pode provocá-la. A ciência médica, no entanto, não leva em consideração este fato porque, em rigor, ainda não admite a sobrevivência da alma. A relutância na admissão do fenômeno obsessivo leva a sociedade científica, por isso, a considerar o problema da loucura limitadamente. Como ensinava Dr. Bezerra de Menezes, até hoje, a ciência só conhece a loucura que resulta, de um modo permanente, da perturbação do pensamento, com sua sede no cérebro.
2. As causas e as formas podem variar, mas o estado patológico do indivíduo é sempre o mesmo: a loucura caracterizada pela perturbação mental e com sede no cérebro. Sem que o cérebro sofra, não pode haver, para a ciência, o fenômeno psíquico-patológico da loucura, embora dentro da sociedade científica – conquanto não admitido claramente – exista também a constatação da loucura sem o comprometimento cerebral.
3. Quando os médicos conseguem detectar lesões no cérebro, podem estabelecer uma conduta clínica, seja terapêutica, seja cirúrgica. Se, porém, a loucura se manifesta e não se encontram lesões físicas no sistema nervoso, torna-se difícil, se não impossível, estabelecer um tratamento médico adequado. Essa é a razão pela qual, segundo os especialistas no assunto, o mais difícil no trato do problema é estabelecer com precisão o diagnóstico.
4. A loucura – esclarece Dr. Bezerra de Menezes – manifesta-se de duas maneiras distintas: com e sem lesão cerebral. Em face disso, ele sugere que haja, para casos distintos, tratamentos diferentes. Os problemas orgânico-cerebrais devem ser tratados por médicos. Nos casos em que o problema não é de ordem material, deve-se proceder de forma a levar em conta as causas extrafísicas atuantes.

A obsessão, quando não tratada, pode levar à loucura
5. O cérebro é meramente um órgão físico, não o centro da inteligência humana, Ele é, e assim deve ser visto, um instrumento material de que se serve a alma quando unida ao corpo físico. É a alma quem pensa, raciocina, imagina. O cérebro é meramente veículo de sua manifestação. Se o cérebro traz alguma perturbação ou lesão, é natural que o desempenho da alma seja afetado, por não poder ela manifestar-se adequadamente valendo-se de um instrumento danificado.
6. A obsessão, cuja causa imediata é a influência de um agente externo à pessoa, é coisa diversa, embora traga para o indivíduo que a padece complicações que dificultam e tornam mais complicado o problema. Ela em si não constitui loucura, mas sua progressão para estágios mais adiantados, e sem o devido tratamento, pode levar a casos de loucura.
7. Esse pensamento foi-nos legado por Allan Kardec, que em O Livro dos Médiuns afirma que entre os que são tidos como loucos muitos há que são apenas subjugados por Espíritos, necessitados, portanto, de um tratamento moral e espiritual, enquanto que com os tratamentos corporais equivocados podem tornar-se verdadeiros loucos.
8. Assim, nos casos de obsessão o que vai determinar a perturbação na transmissão do pensamento é a interposição de fluidos do obsessor entre o agente (alma) e o instrumento (cérebro), com o que fica interrompida a comunicação regular entre os dois. A alma pensa corretamente, mas seu pensamento só se manifesta de maneira truncada, imperfeitamente, devido à barreira criada pelos fluidos emanados do obsessor.

Tanto na loucura como na obsessão o Espírito pode estar lúcido
9. Segundo Dr. Bezerra de Menezes, tanto na loucura como na obsessão o Espírito pode estar lúcido, mas se verifica uma irregularidade na transmissão ou manifestação do pensamento. Essa irregularidade é devida, no primeiro caso (loucura), à incapacidade material do cérebro para receber e transmitir fielmente as cogitações da alma do paciente. No segundo caso (obsessão), tudo se limita a não poderem tais cogitações chegar integralmente ao cérebro, tendo em vista a interposição de fluidos irradiados pelo perseguidor espiritual.
10. Devemos considerar, ainda, que a ação persistente e malfazeja de um Espírito sobre outro poderá, com o passar do tempo, produzir lesões físicas, às vezes irreversíveis.
11. Citadas largamente no Novo Testamento, as obsessões e as possessões eram muito comuns à época de Jesus. Eis alguns exemplos bastante conhecidos:
Marcos (1:21-27) e Lucas (4:31-37) narram a cura que Jesus proporcionou a um “endemoninhado” em Cafarnaum.
Mateus (10:32-34) relata a cura de um “mudo endemoninhado”.
Mateus (12:22-28) fala de um indivíduo que, subjugado por seu obsessor, ficou mudo e cego.
12. Em todas essas narrativas destaca-se a figura ímpar de Jesus, que com sua bondade e força moral libertava a todos eles – obsidiados e obsessores – curando-os, visto que a imensa superioridade do Cristo dava-lhe tal autoridade sobre os Espíritos imperfeitos, que lhe bastava ordenar que se retirassem e eles de imediato obedeciam.

Respostas às questões propostas

1. A loucura é sempre resultado de uma lesão cerebral?
Não.
2. A obsessão pode levar o indivíduo à loucura?
Sim. Sua progressão para estágios mais adiantados, e sem o devido tratamento, pode levar a casos de loucura.
3. Qual é basicamente a diferença entre loucura e obsessão?
Tanto na loucura como na obsessão verifica-se uma irregularidade na transmissão ou manifestação do pensamento. Essa irregularidade é devida, no primeiro caso (loucura), à incapacidade material do cérebro para receber e transmitir fielmente as cogitações da alma do paciente. No segundo caso (obsessão), tudo se limita a não poderem tais cogitações chegar integralmente ao cérebro, tendo em vista a interposição de fluidos irradiados pelo perseguidor espiritual.
4. A ação persistente do obsessor pode produzir lesões em sua vítima?
Sim.
5. Por que Jesus conseguia com uma simples ordem desfazer os casos de obsessão relatados pelos evangelistas?
Tal fato se devia a sua imensa superioridade sobre todas as demais pessoas, tanto os obsidiados quanto os chamados obsessores.

Bibliografia:
O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, cap. 23, item 254.
A Gênese, de Allan Kardec, cap. 15, itens 33 e 34.
A Loucura sob novo prisma, de Adolfo Bezerra de Menezes, 4a. edição, pp. 11, 163 e 164.

Observação:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019




Dez maneiras de amar a nós mesmos

André Luiz

1 - Disciplinar os próprios impulsos.
2 - Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.
3 - Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.
4 - Aceitar sem revolta a crítica e a reprovação.
5 - Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.
6 - Evitar as conversações inúteis.
7 - Receber no sofrimento o processo de nossa educação.
8 - Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.
9 - Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.
10 - Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.

Do livro Paz e Renovação, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.




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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019





O pescador e o mundo

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

O mar, naquele dia, estava mais calmo que de costume. O pescador, em seu barco, aguardava o momento propício para puxar a rede e se sentir satisfeito ou não com o volume recolhido de peixes. Com aquele trabalho, sustentava a família e escrevia a história de sua vida.
Enquanto aguardava, os seus olhos buscavam o horizonte de quase amanhecer; alguns raios começavam a ensaiar para a nova manhã, ganhavam força os acontecimentos favoráveis, os desejos ainda não alcançados criavam o colorido para a sua realização, ou seja, a crença de que o que tanto se deseja pode tornar-se, sim, realidade.
O seu entendimento, naquele momento, lhe permitiu agradecer a Deus as tantas alegrias, oportunidades, algumas delas como a família que tanto amava, a família necessária; a casinha para voltar; os olhos para olharem o mar; o sustento pelo trabalho valorizado e amado, pois os peixes multiplicados cessam a fome de um povo; o abraço do vento do mar, abraço profundo que cura; sentir-se aquecido pelo sol e ainda fortalecer o seu humano corpo. Agradecimento infindo, pois como se agradece a vida?
Com calma, os sais se misturaram na pele morena de seu rosto, pele queimada de sol, sal de lágrima e sal de mar. O pescador tinha seus tesouros, ele passou a compreender que somente o que pudesse carregar seria, então, a sua riqueza em todos os lugares.
Ele não precisava de tanto mais. Criara o seu mundo com sabedoria, apenas o necessário. O pescador e a vida, ambos deixando os melhores exemplos para quem, com eles, quisesse aprender. Eu, enfim, comecei a querer aprender.
Os raios de sol já estavam fortalecidos, era hora de puxar a rede e continuar a jornada sobre as ondas bravas ou as mansas marolas.


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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019





As doze frases seguintes contêm erros de conjugação ou de concordância verbal. Veja se consegue detectá-los:
1. Andamos por mares e terras desconhecida.
2. As armas e os barões assinaladas.
3. Declarou criminoso a ré e o réu.
4. Comércio e navegação costeiro.
5. Será proibido a entrada aos retardatários.
6. Dado às circunstâncias, ele retirou-se.
7. Seguem anexo três certidões.
8. Eu mesmo, disse ela, cuidarei disso.
9. Da terra brotou água e fogo miraculoso.
10. Percebi que a porta estava meia aberta.
11. Os filhos, de um modo geral, são tal qual os pais.
12. Envio-lhe anexo os atestados de nascimento.
Eis as frases depois de feitas as correções necessárias:
1. Andamos por mares e terras desconhecidos.
2. As armas e os barões assinalados.
3. Declarou criminosos a ré e o réu.
4. Comércio e navegação costeira.
5. Será proibida a entrada aos retardatários.
6. Dadas as circunstâncias, ele retirou-se.
7. Seguem anexas três certidões.
8. Eu mesma, disse ela, cuidarei disso.
9. Da terra brotou água e fogo miraculosos.
10. Percebi que a porta estava meio aberta.
11. Os filhos, de um modo geral, são tais quais os pais.
12. Envio-lhe anexos os atestados de nascimento.





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domingo, 24 de fevereiro de 2019





O padre François Brune e a reencarnação

Para um determinado grupo de católicos, a reencarnação não existe; trata-se de uma farsa, porquanto Paulo disse: “Está determinado que os homens morram uma só vez e logo em seguida o juízo.” (Hebreus 9,27.)
Argumentos como esse podem ser vistos em artigos divulgados na Web por defensores radicais das ideias católicas, cujo especial prazer é, quase sempre, denegrir os que não pensam como eles, a exemplo dos espíritas e dos protestantes.
A refutação à doutrina da reencarnação não é, contudo, compartilhada por todos os pensadores católicos. Não nos referimos aos simples frequentadores de missas, mas a seus autores e teólogos, como, por exemplo, o padre François Brune, autor do livro Os Mortos nos Falam, publicado no Brasil em 1991 pela Edicel (capa ao lado).
No cap. VIII, págs. 213 a 226, do seu livro, padre Brune tece considerações em torno do assunto.
Inicialmente, ele cita o pensamento do Espírito de Pierre Monnier, astrônomo francês, que faleceu em 1799 e foi, em vida, membro da Royal Society e também da Academia de Ciências da Prússia.
Segundo Monnier, Deus concede uma segunda oportunidade aos que se recusam a praticar o amor e permite-lhes voltar à Terra. É a reencarnação. Segundo ele, a reencarnação ocorre, às vezes, em famílias inteiras, ou quase. Pais que arrastaram seus filhos em sua infelicidade, pedem para reparar a falha dando à luz, novamente, os mesmos filhos. Ela é muitas vezes aconselhada como sendo o meio mais rápido de realização da evolução espiritual, obrigatória para que se atinja a felicidade para a qual tendemos todos, e que só conheceremos na fusão com Deus.
Além de declarar-se favorável à doutrina da reencarnação, o padre Brune afirma que no tempo do Cristo a doutrina começava a nascer, porquanto, segundo Flávio Josefo, os fariseus acreditavam em suplícios eternos, destinados aos maus, e na reencarnação destinada aos bons. Além disso, mais tarde, na Cabala tal doutrina ocuparia um lugar importante.
Um depoimento que abona o pensamento expresso por Pierre Monnier nos é dado pelo poeta Silva Ramos no soneto intitulado “Vinculação redentora”, psicografado pelo médium Chico Xavier e publicado do cap. 8 do livro Astronautas do Além, no qual o poeta relata a seguinte história:

O fidalgo, ao partir, diz à jovem senhora:
“Eu sou teu, tu és minha!… Espera-me, querida!…”
Longe, ergue outro lar… Vence, altera-se, olvida…
Ela afoga em suicídio a mágoa que a devora.

Falece o castelão… Vê a noiva esquecida…
Desencarnada e aflita, é uma sombra que chora…
Ele pede outro berço e quer trazê-la agora
Em braços paternais ao campo de outra vida!…

O século avançou… Ei-los de novo em cena…
Ele o progenitor; ela, a filha pequena
A crescer retardada, abatida, insegura…

Hoje, ele, em tudo, é sempre o doce pajem dela
E a noiva de outro tempo é a filha triste e bela
Agarrando-se ao pai nos traumas da loucura.

O Espiritismo, como já dissemos inúmeras vezes, baseia-se em fatos, não nas Escrituras. Contudo, para as pessoas que gostam de encontrar na Bíblia o fundamento de suas crenças, eis o que o evangelista Mateus registrou no cap. 17 de suas anotações:
“E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas; mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João o Batista.” (Mateus 17:10-13.) [Negritamos.]





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sábado, 23 de fevereiro de 2019




Diferença entre ser e dizer

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos antes de julgar os outros. (Kardec, A. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 15, item. 3.)

Tenho um primo mineiro que é espírita de berço. Fundou e dirigiu  centro espírita, casou-se, adotou quatro filhas e escreveu cinco livros. Seu nome é Jair Ribeiro de Oliveira. Sua mãe chamava-se Auta, mas era tão baixa que mal chegava a metro e meio de altura. Era, como outros irmãos seus, espírita-cristã. Quando eu era jovem, passei uns dias em sua casa, em Juiz de Fora, MG, e pude constatar pessoalmente a bondade de tia Auta e suas duas filhas, Gessy e Conceição, que, como seus dois irmãos, Jair e Altair, seguiram a crença materna e paterna. Todos dedicados à obra da caridade material e espiritual.
Jair aposentou-se do Banco do Estado de Minas Gerais há algumas décadas. Sua vida, além do zelo com a família, acrescida atualmente de dois bisnetos, é dedicada ao estudo e divulgação do Espiritismo. O mesmo acontecia com sua esposa, excelente médium, já falecida. Ao lado de sua casa, Jair montou uma biblioteca espírita e ali passa agradáveis horas de estudo. Atualmente, está com 89 anos, mas vai, quase todo dia, ao Grupo Espírita Luz Divina, em Contagem, MG, no qual já exerceu diversos cargos: diretor, passista, evangelizador, expositor e, ainda hoje, editor do jornal da instituição: Pirilampo. Em Belo Horizonte, fundou o Centro Espírita Paz e Amor.
O primeiro caso que narra em sua obra intitulada Crer ou não crer é o do famoso orador religioso que arrancava lágrimas na plateia, com suas brilhantes palestras. Certo dia em que preparava o sermão sobre a importância do amor, tema que desenvolveria no domingo seguinte, tocaram a campainha de sua casa. Ao atender, deparou-se com um mendigo, que lhe pediu comida. Em resposta, disse ao pobre homem que se encontrava só em sua casa e não sabia se havia ali sobra de comida. O pedinte insistiu e, nervoso, o religioso bateu a porta em sua cara.
No lindo domingo de céu azulado, o templo regurgitava de gente para ouvir a palestra do religioso, que fez emocionante sermão. Tão logo ele concluiu sua pregação, porém, ouviu-se uma voz troar no final do salão:
“— Gente, não acredite nesse homem. Ele é um enganador. Estive em sua residência pedindo comida e ele, com esse amor mentiroso, além de não me socorrer, bateu a porta na minha cara sem nenhum sentimento de caridade” (OLIVEIRA, J. R. Crer ou não crer. Contagem, MG: Itapuã, 2003).
Jair conclui que é perigoso receitar a outrem o que, para nós, não passa de teoria brilhante. Por isso, é importante refletir no ensinamento desta mensagem que recebi pelo WhatsApp: “É mais fácil ensinar do que educar. Para ensinar, você precisa saber, mas para educar você precisa ser”.
Há muita gente, no meio religioso, como esse pregador. Entusiasma com a beleza da mensagem, mas não se esforça em praticá-la... exceto quanto à recomendação a outrem.








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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019




O Fenômeno Espírita

Gabriel Delanne

Parte 11

Damos sequência ao estudo do clássico O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne, conforme o texto da 4ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, com base em tradução de Francisco Raymundo Ewerton Quadros. O estudo será aqui apresentado em 12 partes.
Nosso objetivo é que este estudo possa servir para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Que motivos podem impedir que um Espírito por nós evocado responda ao nosso apelo?
B. Devemos examinar com rigor as comunicações recebidas dos Espíritos?
C. De acordo com o entendimento de Delanne, que Espíritos deveríamos evocar?
D. Após mencionar os nomes de alguns expoentes da escola materialista do século 19, que conselho lhes deu Delanne?

Texto para leitura

163. A perseverança e a paciência são fundamentais ao êxito do trabalho, sendo de notar que os mais poderosos médiuns podem ficar por muito tempo sem emitir a indispensável força psíquica, sem a qual nada se produz. Crookes diz que a mediunidade de Daniel D. Home era sujeita a suspensões que duravam mais ou menos tempo. (P. 203)
164. Acontece também que os Espíritos evocados nem sempre podem responder ao apelo que lhes é feito, e isso por muitas razões, como as suas ocupações ou mesmo a falta de vontade de se manifestarem. (P. 203)
165. Outra razão é que muitos deles desconhecem seu estado na Erraticidade e experimentam sensações às vezes muito vivas, sem poder explicá-las. Uns não se acreditam mortos e vivem ao nosso lado, admirando-se de que não se responda às suas perguntas. Outros acham-se em obscuridade profunda e buscam, em vão, conhecer o lugar em que se encontram. Erram então em silêncio e no seio de trevas espessas, que nenhum ruído, nenhuma claridade pode romper. (PP. 203 e 204)
166. Um escolho contra o qual se deve estar prevenido consiste no fato de se dar exagerada importância às comunicações dos Espíritos e em se acreditar cegamente em tudo o que eles contam. (P. 204)
167. O mundo espiritual é como o nosso: nele há inteligências em todos os graus de adiantamento. Os Espíritos nada mais são que os homens que viveram na Terra; a morte não lhes determinou outra mudança que não fosse a de criar-lhes condições físicas diferentes, mas sua ciência ou sua moralidade em nada ficaram aumentadas. (P. 205)
168. Existem, pois, entre os Espíritos seres ignorantes, sistemáticos, religiosos e ateus. Mais do que nunca a palavra de Buffon é aplicável: é bem aí que o estilo é o homem. Não podendo vê-los, temos de julgá-los por seus discursos, cumprindo-nos rejeitar as comunicações frívolas, tolas e insípidas, vindas de Espíritos pouco elevados. (P. 205)
169. Uma das causas do descrédito do Espiritismo, em certos Centros, é o fato de muitas vezes as comunicações espíritas serem assinadas por nomes pomposos. É preciso reagir fortemente contra essa facilidade de crer em assinaturas. Por isso, não devemos evocar senão Espíritos que conhecemos, com os quais estivemos em relação, porque o Espírito de alguém conhecido é tão interessante quanto o de Confúcio, e talvez ainda mais. (P. 206)
170. Não se pode avaliar a alegria de alguém que pode conversar com um ser amado que volta do além-túmulo. Com que satisfação uma mãe verá o seu filho! Com que prazer se verá a esposa bem-amada que se foi! Em vez de arrebicadas páginas de filosofia, dar-se-ão, então, diálogos comoventes, ternos, de dois seres que se amam, que se reveem e que conversam, graças à mediunidade! (PP. 206 e 207)
171. Evoquemos, pois, os nossos afeiçoados, aqueles cuja vida nos foi familiar, cujas circunstâncias nos são conhecidas, e peçamo-lhes detalhes da sua nova situação, de sua existência, de suas ocupações, instruindo-nos acerca do mundo espiritual para o qual teremos de ir. Verificaremos, assim, que o Espiritismo é uma grande verdade, uma imensa consolação e que ele se baseia na mais alta e interessante ciência: a do ser humano em todas as suas manifestações anímicas, tanto na Terra quanto no Espaço. (P. 207)
172. O movimento científico que caracteriza o século 19, diz Delanne, é o da investigação positiva. Longe de quererem, como outrora, firmar hipóteses admitidas a priori e fazer que os fenômenos da natureza concordem com suas ideias preconcebidas, os sábios buscaram, no estudo meticuloso dos fatos, sua norma de conduta e chegaram aos maravilhosos resultados que temos verificado. (P. 209)
173. Se quiserem, contudo, aplicar o positivismo às realidades espirituais, os sábios esbarrarão em dificuldades invencíveis. Eis os exemplos: a escola alemã, com Büchner e Moleschott, declara que as velhas concepções de Deus e da alma já estão fora do seu tempo e que a Ciência reduziu a nada essas crenças. Moleschott aplicou-se, até mesmo, a demonstrar que a ideia é produto direto de um trabalho molecular do cérebro e Karl Vogt não teme dizer que o cérebro segrega o pensamento, mais ou menos como a urina é segregada pelos rins. Haeckel dissera o mesmo em sua época. (PP. 209 e 210)
174. Nós, espíritas, dizemos, porém, aos positivistas: “Somos vossos discípulos; adotamos o vosso método e só aceitamos como reais as verdades demonstradas pela análise, pelos sentidos, pela observação”. Mas, longe de nos conduzirem aos resultados a que chegastes, esses instrumentos de investigação fizeram-nos descobrir um novo modo de vida e esclareceram-nos sobre os pontos controversos. As grandes vozes dos Crookes, dos Wallace, dos Zöllner proclamam que, do exame positivo dos fenômenos espíritas, resulta claramente a convicção de que a alma é imortal e que não só ela não morre, como pode manifestar-se aos homens, por meio de leis ainda pouco conhecidas que regem a matéria imponderável. (P. 210)
175. Não lhes diremos, lembra Delanne: É preciso fé para compreender a nossa revelação, mas, ao contrário: Vinde instruir-vos, fazei experiências, buscai compreender os fenômenos e chegareis às mesmas conclusões. (P. 210)

Respostas às questões preliminares

A. Que motivos podem impedir que um Espírito por nós evocado responda ao nosso apelo?
Há casos em que os Espíritos evocados não podem responder ao apelo que lhes é feito, e isso por muitas razões, como, por exemplo, suas ocupações ou mesmo a falta de vontade de se manifestarem. Outra razão é que muitos deles desconhecem seu estado na Erraticidade e experimentam sensações às vezes muito vivas, sem poder explicá-las. Uns não se acreditam mortos e vivem ao nosso lado, admirando-se de que não se responda às suas perguntas. Outros acham-se em obscuridade profunda e buscam, em vão, conhecer o lugar em que se encontram. (O Fenômeno Espírita, págs. 203 e 204.)
B. Devemos examinar com rigor as comunicações recebidas dos Espíritos?
Sim. Um escolho contra o qual se deve estar prevenido consiste no fato de se dar exagerada importância às comunicações dos Espíritos e em se acreditar cegamente em tudo o que eles contam, visto que o mundo espiritual é como o nosso: nele há inteligências em todos os graus de adiantamento. Os Espíritos nada mais são que os homens que viveram na Terra; a morte não lhes determinou outra mudança que não fosse a de criar-lhes condições físicas diferentes, mas sua ciência ou sua moralidade em nada ficaram aumentadas. Não podendo vê-los, temos de julgá-los por seus discursos, cumprindo-nos rejeitar as comunicações frívolas, tolas e insípidas, vindas de Espíritos pouco elevados. (Obra citada, págs. 204 e 205.)
C. De acordo com o entendimento de Delanne, que Espíritos deveríamos evocar?
Deveríamos evocar Espíritos que conhecemos, com os quais estivemos em relação, porque o Espírito de alguém conhecido é tão interessante quanto o de Confúcio, e talvez ainda mais. Não se pode avaliar a alegria de alguém que pode conversar com um ser amado que volta do além-túmulo. Com que satisfação uma mãe verá seu filho! Com que prazer se verá a esposa bem-amada que se foi! Em vez de arrebicadas páginas de filosofia, dar-se-ão, então, diálogos comoventes, ternos, de dois seres que se amam, que se reveem e que conversam, graças à mediunidade! Evoquemos, pois, os nossos afeiçoados, aqueles cuja vida nos foi familiar, cujas circunstâncias nos são conhecidas, e peçamo-lhes detalhes da sua nova situação, de sua existência, de suas ocupações, instruindo-nos acerca do mundo espiritual para o qual teremos de ir. (Obra citada, págs. 206 e 207.)
D. Após mencionar os nomes de alguns expoentes da escola materialista do século 19, que conselho lhes deu Delanne?
O conselho foi direto e objetivo: “Vinde instruir-vos, fazei experiências, buscai compreender os fenômenos e chegareis às mesmas conclusões.” (Obra citada, págs. 209 e 210.)


Observação:
Eis os links que remetem aos três últimos textos:




Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/h85Vsc, e verá como utilizá-lo e os vários recursos que ele nos propicia.