Mostrando postagens com marcador Iniciação à doutrina espírita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Iniciação à doutrina espírita. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 23 e final

 

Concluímos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo foi publicado neste blog sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

177. A atual ordem de coisas deixa muito a desejar. Que é que lhe falta?

Falta ainda, à atual ordem de coisas, fazer com que reinem no mundo a caridade, a fraternidade e a solidariedade. Mas os homens não podem consegui-lo com suas crenças e instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é, pois, somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho. Tal o período em que doravante a Humanidade deverá entrar e que marcará uma das fases principais de sua história. A geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada de elementos mais depurados, se achará possuída de ideias e de sentimentos muito diversos dos da geração presente, que se vai a passo de gigante. O velho mundo estará morto e apenas viverá na História, como o estão hoje os tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas. (A Gênese, cap. XVIII, itens 5 e 6.)

178. As mudanças preditas por Jesus realizar-se-ão sem comoções?

Não. Uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções. Haverá, inevitavelmente, luta de ideias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se ache aplainado e restabelecido o equilíbrio. É, portanto, da luta das ideias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais foram consequência do estado de formação da Terra. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade. A efervescência que por vezes se manifesta em toda uma população, entre os homens de uma mesma etnia, não é coisa fortuita, nem resultado de um capricho; tem sua causa nas leis da Natureza. Essa efervescência, inconsciente a princípio, não passando de vago desejo, de aspiração indefinida por alguma coisa melhor, de certa necessidade de mudança, traduz-se por uma surda agitação, depois por atos que levam às revoluções sociais, que têm também sua periodicidade, como as revoluções físicas, pois que tudo se encadeia no Universo. (Obra citada, cap. XVIII, itens 6 a 8.)

179. Os Espíritos têm participação ativa nas comoções do mundo corpóreo? 

Sim. Uma coisa que parece estranhável, mas que nem por isso deixa de ser rigorosa verdade, é que o mundo dos Espíritos experimenta o contrachoque de todas as comoções que abalam o mundo dos encarnados, mas não só isso: ele toma também parte ativa nessas comoções, o que nada tem de surpreendente para quem sabe que os Espíritos fazem corpo com a Humanidade; que eles saem dela e a ela têm de voltar, sendo, pois, natural se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Quando uma revolução social se produz na Terra, abala igualmente o mundo invisível, onde todas as paixões, boas e más, se exacerbam, como entre os homens. Indizível efervescência entra a reinar na coletividade dos Espíritos que ainda pertencem a este mundo e que aguardam o momento de a ele volver. (Obra citada, cap. XVIII, itens 9 e 10.)

180. Qual será a pedra angular da nova ordem social?

A fraternidade. Contudo, não existe fraternidade real, sólida, efetiva, senão quando assentada em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos e os povos, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres. (Obra citada, cap. XVIII, itens 17 a 19.)

181. Um dia os homens da Terra se estenderão as mãos uns aos outros?

Sim. Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; que não é dele, porém dos homens, que vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e se estenderão as mãos uns aos outros. (Obra citada, cap. XVIII, itens 17 a 19.)

182. Quais serão os sinais distintivos da nova geração? 

Como lhe cabe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distinguirá por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. A nova geração marchará, assim, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado. (Obra citada, cap. XVIII, itens 23 e 24.)

183. Está o Espiritismo apto para secundar o movimento de regeneração?

Sim. É preciso, no entanto, compreender que não é o Espiritismo que cria a renovação social. A madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Ocorre que, pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é, sem dúvida, mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração. Eis por que é ele contemporâneo desse movimento. (Obra citada, cap. XVIII, itens 25 a 27.)

184. A regeneração da Humanidade exigirá a renovação integral dos Espíritos?

Não. A regeneração da Humanidade não exigirá a renovação integral dos Espíritos, mas uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo. Por isso, nem sempre os que voltarão a reencarnar neste planeta serão outros Espíritos, mas, com frequência, os mesmos Espíritos, que estarão, então, pensando e sentindo de outra maneira, devido à modificação de suas disposições morais. (Obra citada, cap. XVIII, itens 28 a 35.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 22 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/12/blog-post_16.html

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/ZCUsF8, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 22

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

169. Que significa a frase "O céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não"?

Estas palavras atribuídas a Jesus não passarão, porque serão verdadeiras em todos os tempos. Será eterno o seu código de moral, porque consagra as condições do bem que conduz o homem ao seu destino eterno. O que não passará é, portanto, o verdadeiro sentido das palavras de Jesus. Mas, sim, passará o que os homens construíram sobre o sentido falso que deram a essas mesmas palavras. (A Gênese, cap. XVII, itens 24 a 26.)

170. Que é que Jesus quis dizer com a frase "Haverá um só rebanho e um só pastor"? 

Por estas palavras “e haverá um só rebanho e um único pastor” Jesus anuncia claramente que os homens um dia se unirão por uma crença única. A unidade se fará em religião, como já tende a fazer-se socialmente, politicamente, comercialmente, pela queda das barreiras que separam os povos, pela assimilação dos costumes, dos usos, da linguagem. Os povos do mundo inteiro já confraternizam, como os das províncias de um mesmo império. Pressente-se essa unidade e todos a desejam. Ela, pois, se fará pela força das coisas, porque há de tornar-se uma necessidade, para que se estreitem os laços da fraternidade entre as nações; far-se-á pelo desenvolvimento da razão humana, que se tornará apta a compreender a puerilidade de todas as dissidências; pelo progresso das ciências, a demonstrar cada dia mais os erros materiais sobre que tais dissidências assentam e a destacar pouco a pouco das suas fiadas as pedras estragadas. (Obra citada, cap. XVII, itens 31 e 32.)

171. É verdade que Jesus afirmou textualmente que Elias voltou reencarnado como João Batista?

Sim. Ante a pergunta de seus discípulos: “Por que, pois, dizem os escribas ser preciso que, antes, venha Elias?”, Jesus respondeu: “É certo que Elias tem de vir e que restabelecerá todas as coisas. Mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram; antes o trataram como lhes aprouve. É assim que farão morrer o Filho do homem. Então, seus discípulos compreenderam que era de João Batista que ele lhes falara”. Elias havia voltado ao cenário terreno na pessoa de João Batista. Seu novo advento é anunciado de modo explícito. Ora, como ele não poderia voltar senão tomando um novo corpo, aí temos a consagração formal do princípio da pluralidade das existências. (Obra citada, cap. XVII, itens 33 e 34.)

172. O Espiritismo preenche todas as condições do Consolador prometido por Jesus?

Sim. O Espiritismo apresenta todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz com que se compreenda o que antes era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. (Obra citada, cap. XVII, itens 35 a 42.)

173. Como o Espiritismo analisa o quadro do fim dos tempos anunciado por Jesus? 

É, evidentemente, alegórico o quadro do fim dos tempos anunciado por Jesus, como, por sinal, a maioria dos que Jesus compunha. Pelo seu vigor, as imagens que ele encerra são de natureza a impressionar inteligências ainda rudes. Para tocar fortemente aquelas imaginações pouco sutis, eram necessárias pinturas vigorosas, de cores bem acentuadas. Ele se dirigia principalmente ao povo, aos homens menos esclarecidos, incapazes de compreender as abstrações metafísicas e de apanhar a delicadeza das formas. A fim de atingir o coração, fazia-se-lhe mister falar aos olhos, com o auxílio de sinais materiais, e aos ouvidos, por meio da força da linguagem. Entretanto, sob essas alegorias, grandes verdades se ocultam.

Há, primeiramente, a predição das calamidades de todo gênero que assolarão e dizimarão a Humanidade, calamidades decorrentes da luta suprema entre o bem e o mal, entre a fé e a incredulidade, entre as ideias progressistas e as ideias retrógradas. Há, em segundo lugar, a da difusão, por toda a Terra, do Evangelho restaurado na sua pureza primitiva; depois, a do reinado do bem, que será o da paz e da fraternidade universais, a derivar do código de moral evangélica, posto em prática por todos os povos. Esse será, verdadeiramente, o reino de Jesus, pois que ele presidirá à sua implantação, passando os homens a viver sob a égide da sua lei. Será o reinado da felicidade, porquanto disse ele que «depois dos dias de aflição, virão os de alegria».

Quando sucederão tais coisas? «Ninguém o sabe, diz Jesus, nem mesmo o Filho.» Mas, quando chegar o momento, os homens serão advertidos por meio de sinais precursores. Esses indícios não estarão, porém, nem no Sol, nem nas estrelas; mostrar-se-ão no estado social e nos fenômenos mais de ordem moral do que físicos e que, em parte, se podem deduzir das suas alusões.

Devendo a prática geral do Evangelho determinar grande melhora no estado moral dos homens, ela, por isso mesmo, trará o reinado do bem e acarretará a queda do mal. Será, pois, o fim do mundo velho, do mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo, pelo fanatismo, pela incredulidade, pela cupidez, por todas as paixões pecaminosas, que o Cristo aludia, ao dizer: «Quando o Evangelho for pregado por toda a Terra, então é que virá o fim». (Obra citada, cap. XVII, itens 47 a 58.)

174. Que significa a frase "Vossos filhos e filhas profetizarão"? 

Esta é a predição inequívoca do advento e da popularização da mediunidade, que presentemente se revela em indivíduos de todas as idades, de ambos os sexos e de todas as condições; a predição, por conseguinte, da manifestação universal dos Espíritos, pois que sem os Espíritos não haveria médiuns. Isso, conforme está dito, aconteceria nos últimos tempos. Ora, visto que não chegamos ao fim do mundo, mas, ao contrário, à época da sua regeneração, devemos entender aquelas palavras como indicativas dos últimos tempos do mundo moral que chega a seu termo. (Obra citada, cap. XVII, itens 59 a 61.)

175. Existe o chamado Juízo Final?

Não. A doutrina de um juízo final, único e universal, pondo fim para sempre à Humanidade, repugna à razão, por implicar a inatividade de Deus, durante a eternidade que precedeu à criação da Terra e durante a eternidade que se seguirá à sua destruição.

Moralmente, um juízo definitivo e sem apelação não se concilia com a bondade infinita do Criador, que Jesus nos apresenta de contínuo como um bom Pai, que deixa sempre aberta uma senda para o arrependimento e que está pronto sempre a estender os braços ao filho pródigo. Se Jesus entendesse o juízo naquele sentido, desmentiria suas próprias palavras.

Não existe, pois, juízo final, mas juízos gerais em todas as épocas de renovação parcial ou total da população dos mundos, por efeito das quais se operam as grandes emigrações e imigrações de Espíritos. (Obra citada, cap. XVII, itens 62 a 67.)

176. Como se opera o progresso da Humanidade? 

De duas maneiras se executa esse duplo progresso: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, a cada uma das quais corresponde um movimento ascensional mais rápido, que assinala, mediante impressões bem acentuadas, os períodos progressivos da Humanidade.

Esses movimentos, subordinados, quanto às particularidades, ao livre-arbítrio dos homens, são, de certo modo, fatais em seu conjunto, porque estão sujeitos a leis, como os que se verificam na germinação, no crescimento e na maturidade das plantas. Por isso é que o movimento progressivo se efetua, às vezes, de modo parcial, isto é, limitado a um povo ou a uma nação, doutras vezes, de modo geral.

O progresso da Humanidade se cumpre, pois, em virtude de uma lei. Ora, como todas as leis da Natureza são obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis resulta da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Quando, por conseguinte, a Humanidade está madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus, como se pode dizer também que, em tal estação, eles chegam para a maturação dos frutos e sua colheita. (Obra citada, cap. XVIII, itens 1 a 4; 7 a 13.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 21 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/12/blog-post_09.html

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/ZCUsF8, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 21

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

161. Qual foi, segundo Kardec, o maior milagre operado por Jesus?

O maior milagre que Jesus operou, e que verdadeiramente atesta a sua superioridade, foi a revolução que seus ensinos produziram no mundo, malgrado a exiguidade dos seus meios de ação. Com efeito, Jesus, obscuro, pobre, nascido na mais humilde condição, no seio de um povo pequenino, quase ignorado e sem preponderância política, artística ou literária, apenas durante três anos prega a sua doutrina; em todo esse curto espaço de tempo é desatendido e perseguido pelos seus concidadãos; vê-se obrigado a fugir para não ser lapidado; é traído por um de seus apóstolos, renegado por outro, abandonado por todos no momento em que cai nas mãos de seus inimigos. Só fazia o bem e isso não o punha ao abrigo da malevolência, que dos próprios serviços que ele prestava tirava motivos para o acusar.

Nada escreveu; entretanto, ajudado por alguns homens tão obscuros quanto ele, sua palavra bastou para regenerar o mundo; sua doutrina matou o paganismo onipotente e se tornou o facho da civilização. Tinha contra si tudo o que causa o malogro das obras dos homens, razão por que dizemos que o triunfo alcançado pela sua doutrina foi o maior dos seus milagres, ao mesmo tempo que prova ser divina a sua missão. Se, em vez de princípios sociais e regeneradores, fundados sobre o futuro espiritual do homem, ele apenas houvesse legado à posteridade alguns fatos maravilhosos, talvez hoje mal o conhecessem de nome. (A Gênese, cap. XV, item 63.)

162. Jesus teve um corpo carnal ou foi um agênere?

Jesus teve, como todo homem, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é atestado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que lhe assinalaram a existência.

A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, pelo que respeita à sua mãe, como nas condições ordinárias da vida. Desde o seu nascimento até a sua morte, tudo, em seus atos, em sua linguagem e nas diversas circunstâncias da sua vida, revela os caracteres inequívocos da corporeidade. São acidentais os fenômenos de ordem psíquica que nele se produzem e nada têm de anômalos, pois que se explicam pelas propriedades do perispírito e se dão, em graus diferentes, noutros indivíduos.

Depois de sua morte, ao contrário, tudo nele revela o ser fluídico. É tão marcada a diferença entre os dois estados, que não podem ser assimilados. O corpo carnal tem as propriedades inerentes à matéria propriamente dita, propriedades que diferem essencialmente das dos fluidos etéreos; naquela, a desorganização se opera pela ruptura da coesão molecular. Ao penetrar no corpo material, um instrumento cortante lhe divide os tecidos; se os órgãos essenciais à vida são atacados, cessa-lhes o funcionamento e sobrevém a morte do corpo.

Não existindo nos corpos fluídicos essa coesão, a vida aí já não repousa no jogo de órgãos especiais e não se podem produzir desordens análogas àquelas. Um instrumento cortante ou outro qualquer penetra num corpo fluídico como se penetrasse numa massa de vapor, sem lhe ocasionar qualquer lesão. Tal a razão por que não podem morrer os corpos dessa espécie e por que os seres fluídicos, designados pelo nome de agêneres, não podem ser mortos.

Após o suplício de Jesus, seu corpo se conservou inerte e sem vida; foi sepultado como o são de ordinário os corpos e todos o puderam ver e tocar. Após a sua ressurreição, quando quis deixar a Terra, não morreu de novo; seu corpo se elevou, desvaneceu e desapareceu, sem deixar qualquer vestígio, prova evidente de que aquele corpo era de natureza diversa da do que pereceu na cruz; donde forçoso é concluir que, se foi possível que Jesus morresse, é que carnal era o seu corpo. (Obra citada, cap. XV, itens 64 e 65.)

163. Que considerações de ordem moral levaram Allan Kardec a defender a tese de que Jesus teve mesmo um corpo físico? 

Se as condições de Jesus, durante a sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Supor que assim haja sido é tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação. Se tudo nele fosse aparente, todos os atos de sua vida, a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus para que lhe afastasse dos lábios o cálice de amarguras, sua paixão, sua agonia, tudo, até o último brado, no momento de entregar o Espírito, não teria passado de vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, numa comédia indigna de um homem honesto e, com mais forte razão, indigna de um ser tão elevado. (Obra citada, cap. XV, item 66.)

164. Como se explica o pressentimento que algumas pessoas têm acerca dos acontecimentos futuros? 

Como o homem tem de concorrer para o progresso geral e como certos acontecimentos devem resultar da sua cooperação, pode convir que, em casos especiais, ele pressinta esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o encaminhamento e de estar pronto a agir, em chegando a ocasião. Por isso é que Deus, às vezes, permite que se levante uma ponta do véu, mas sempre com fim útil, nunca para satisfação de vã curiosidade.  Tal missão pode, pois, ser conferida, não a todos os Espíritos, porquanto muitos há que do futuro não conhecem mais do que os homens, mas a alguns Espíritos bastante adiantados para desempenhá-la. Ademais, as revelações dessa espécie são sempre feitas espontaneamente e jamais, ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta. (Obra citada, cap. XVI, itens 1 a 5.)

165. As percepções dos Espíritos quanto ao passado e ao futuro dependem de qual fator?

A extensão das faculdades perceptivas dos Espíritos depende da efetiva elevação deles. Essa faculdade é inerente ao seu estado de espiritualização, ou, se o preferirem, de desmaterialização. Quer isto dizer que a espiritualização produz um efeito que se pode comparar, se bem muito imperfeitamente, ao da visão de conjunto que tem o homem colocado sobre a montanha.

Esta comparação objetiva simplesmente mostrar que acontecimentos pertencentes ainda, para uns, ao futuro, estão para outros no presente e podem assim ser preditos, o que não implica que o efeito se produza de igual maneira. Portanto, para gozar dessa percepção, não precisa o Espírito transportar-se a um ponto qualquer do espaço. Pode possuí-la em toda a sua plenitude aquele que na Terra se acha ao nosso lado, tanto quanto se achasse a mil léguas de distância, ao passo que nós nada vemos além do nosso horizonte visual. (Obra citada, cap. XVI, itens 7 a 10.)

166. A reencarnação do Espírito amortece suas percepções espirituais?

Sim. A reencarnação amortece-a, sem, contudo, a anular completamente, porque a alma não fica encerrada no corpo como numa caixa. O ser reencarnado a possui, embora sempre em grau menor do que quando se acha completamente desprendido; é o que confere a certos homens um poder de penetração que a outros falece inteiramente, maior agudeza de visão moral e compreensão mais fácil das coisas extramateriais. (Obra citada, cap. XVI, itens 8 a 10.)

167. Os obstáculos opostos à expansão do Espiritismo chegarão a deter sua marcha?

Não. Com relação ao futuro do Espiritismo, os Espíritos são unânimes em afirmar o seu triunfo, a despeito dos obstáculos que lhe criem. Fácil lhes é essa previsão, porque a sua propagação é obra pessoal deles. Concorrendo para o movimento, ou dirigindo-o, eles naturalmente sabem o que devem fazer. (Obra citada, cap. XVI, item 11.)

168. Se o futuro pode ser conhecido, isso significa que os acontecimentos da vida já se encontram predeterminados?

Não. As mais das vezes, os acontecimentos vulgares da vida privada são consequência da maneira de proceder de cada um, de modo que se pode dizer que cada um é o artífice do seu próprio futuro, futuro esse que jamais se encontra sujeito a uma cega fatalidade.

Os acontecimentos que envolvem interesses gerais da Humanidade têm a regulá-los a Providência. Quando uma coisa está nos desígnios de Deus, ela se cumpre a despeito de tudo, ou por um meio, ou por outro. Os homens concorrem para que ela se execute; nenhum, porém, é indispensável, pois, do contrário, Deus estaria à mercê de suas criaturas. Se faltar aquele a quem incumba a missão de a executar, outro será dela encarregado. Não há missão fatal; o homem tem sempre a liberdade de cumprir ou não a que lhe foi confiada e que ele voluntariamente aceitou.

Pode, portanto, ser certo o resultado final de um acontecimento, por se achar este nos desígnios de Deus. Como, porém, quase sempre os pormenores e o modo de execução se encontram subordinados às circunstâncias e ao livre-arbítrio dos homens, podem ser eventuais as sendas e os meios. Está nas possibilidades dos Espíritos prevenir-nos do conjunto, se convier que sejamos avisados; mas, para determinarem lugar e data, fora necessário que conhecessem previamente a decisão que tomará esse ou aquele indivíduo. Ora, se essa decisão ainda não estiver na sua mente, poderá apressar ou demorar a realização do fato, modificar os meios secundários de ação, embora o mesmo resultado chegue sempre a produzir-se. É assim, por exemplo, que, pelo conjunto das circunstâncias, podem os Espíritos prever que uma guerra se acha mais ou menos próxima ou que é inevitável, sem, contudo, poderem predizer o dia em que começará, nem os incidentes pormenorizados que possam ser modificados pela vontade dos homens. (Obra citada, cap. XVI, itens 12 a 15.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 20 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/12/blog-post_02.html

 

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/ZCUsF8, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 20

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

153. Qual a explicação dada pelo Espiritismo acerca da cura da mulher hemorroíssa?

Essa mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia, sofrera muito nas mãos dos médicos e, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira, como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto dizia: “Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada”. No mesmo instante o fluxo sanguíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade. De imediato, Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão e perguntou: “Quem me tocou as vestes?” Seus discípulos lhe disseram: “Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou?” Ele, porém, olhava em torno de si à procura daquela que o tocara. A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio lançar-se-lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. Disse-lhe Jesus: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade”.

Estas palavras "conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra" são significativas. Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de produzir-se. É de notar que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura. Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão? É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra, pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos. Razão, pois, tinha Jesus para dizer: «Tua fé te salvou».

Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural. (A Gênese, cap. XV, itens 10 e 11.)

154. O Espiritismo também promove curas?

Sim. O Espiritismo nos propicia a cura dos males físicos, mas, sobretudo, a cura das doenças morais, e são esses os maiores prodígios que lhe atestam a procedência. Seus mais sinceros adeptos não são os que se sentem tocados pela observação de fenômenos extraordinários, mas os que dele recebem a consolação para suas almas, aqueles a quem ele liberta das torturas da dúvida, aqueles a quem levanta o ânimo no momento da aflição e os que haurem forças na certeza que o Espiritismo lhes dá acerca do futuro e no conhecimento de sua natureza e de seu destino. (Obra citada, cap. XV, itens 26 a 28.)

155. Para libertar uma criança de uma possessão, Jesus disse que duas condições eram necessárias. Quais são elas? 

Referindo-se a essa criança, os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que não pudemos nós expulsar esse Espírito?” Jesus respondeu: Os Espíritos desta espécie não podem ser expulsos senão pela prece e pelo jejum, que é interpretado por autores espíritas como jejum das paixões e não a abstinência de alimentação, tal como podemos ver em Isaías, 58:5 e 6: “O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Curvar a cabeça como um junco, deitar sobre o saco e a cinza? Podeis chamar isso um jejum, um dia agradável ao Senhor? Sabeis qual é o jejum que eu aprecio? - diz o Senhor Deus: É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar embora livres os oprimidos, e quebrar toda espécie de jugo”. (Obra citada, cap. XV, itens 31 a 33.)

156. Como Jesus curou a filha de Jairo? 

Chegando à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu uma aglomeração confusa de pessoas que choravam e soltavam grandes gritos. Entrando, disse-lhes ele: “Por que fazeis tanto alarido e por que chorais? Esta menina não está morta, está apenas adormecida”. Em seguida, tendo feito com que toda aquela gente saísse, o Mestre chamou o pai e a mãe da menina e os que tinham vindo em sua companhia e entrou no lugar onde a menina se achava deitada. Tomou-lhe a mão e disse: Talitha cumi, isto é: Minha filha, levanta-te, eu to ordeno. No mesmo instante a menina se levantou e se pôs a andar, pois contava doze anos, e ficaram todos maravilhados e espantados. (Obra citada, cap. XV, itens 37 e 38.)

157. Como se explicam as ressurreições operadas por Jesus? 

É de todo provável que nos casos de ressurreição mencionados nos evangelhos houvesse somente uma morte aparente, uma síncope, uma letargia ou um fenômeno de catalepsia, e não a morte corpórea real, como em relação à filha de Jairo o próprio Jesus declarou, positivamente: “Esta menina não está morta, está apenas adormecida”.

Dado o poder fluídico que ele possuía, nada de espantoso há em que esse fluido vivificante por ele irradiado, acionado por uma vontade forte, houvesse reanimado os sentidos em torpor e que houvesse mesmo feito voltar ao corpo o Espírito prestes a abandoná-lo, uma vez que o laço perispirítico não se havia, ainda, desatado por completo. Para os homens daquela época, que consideravam morto o indivíduo desde que deixava de respirar, era compreensível que julgassem ter havido o fenômeno da ressurreição em tais casos. A ressurreição de Lázaro confirma este princípio, visto que, tal como no caso da filha de Jairo, João informa que, referindo-se ao amigo supostamente morto, o Mestre afirmou: “Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo”. (Obra citada, cap. XV, itens 37 a 40.)

158. Como se explica a transfiguração de Jesus e que outro fato inusitado ocorreu naquele mesmo momento?

Como sabemos, Jesus chamou Pedro, Tiago e João, levou-os consigo a um alto monte e se transfigurou diante deles. Enquanto orava, seu rosto pareceu inteiramente outro; suas vestes se tornaram brilhantemente luminosas e brancas qual a neve, como não há igual na Terra. E eles viram aparecer Elias e Moisés, que passaram a entreter palestra com Jesus. Além desse fato inusitado, apareceu também uma nuvem que os cobriu e, dessa nuvem, uma voz falou: “Este é meu Filho bem-amado; escutai-o”. Em seguida, olhando para todos os lados, a ninguém mais viram, senão a Jesus, que ficara a sós com eles.

É nas propriedades do fluido perispirítico que se encontra a explicação da transfiguração de Jesus. A irradiação fluídica pode modificar a aparência de um indivíduo, mas, no caso acima referido, a pureza do perispírito de Jesus permitiu ainda que seu Espírito lhe desse excepcional fulgor. (Obra citada, cap. XV, itens 43 e 44.)

159. Qual o significado da figura da tentação de Jesus por Satanás?

Jesus não foi, efetivamente, arrebatado por ninguém. O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do templo. Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico.

Quanto ao ato moral, será possível crer que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e seu poder: “Adora-me, que te darei todos os reinos da Terra?” Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Além disso, como pretender que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, às sugestões do demônio e que, como refere o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade?

A tentação de Jesus é, pois, somente uma figura e seria preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Com essa parábola ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. (Obra citada, cap. XV, itens 52 e 53.)

160. Como foi possível a Jesus, após a morte de seu corpo, aparecer tantas vezes a seus discípulos?

As aparições de Jesus, após sua morte, se explicam perfeitamente pelas leis fluídicas e pelas propriedades do perispírito e nada de anômalo apresentam em face dos fenômenos do mesmo gênero, de que a História, antiga e contemporânea, oferece numerosos exemplos, sem lhes faltar sequer a tangibilidade. Se notarmos as circunstâncias em que se deram as suas diversas aparições, nele reconheceremos, em tais ocasiões, todos os caracteres de um ser fluídico. Ele aparece inopinadamente e do mesmo modo desaparece; uns o veem, outros não, sob aparências que não o tornam reconhecível nem sequer aos seus discípulos; mostra-se em recintos fechados, onde um corpo carnal não poderia penetrar; sua própria linguagem carece da vivacidade da de um ser corpóreo; fala em tom breve e sentencioso, peculiar aos Espíritos que se manifestam daquela maneira; todas as suas atitudes, numa palavra, denotam alguma coisa que não é do mundo terreno.

Sua presença causa simultaneamente surpresa e medo; ao vê-lo, seus discípulos não lhe falam com a mesma liberdade de antes; sentem que já não é um homem. Jesus, portanto, se mostrou com o seu corpo perispirítico, o que explica que só tenha sido visto pelos que ele quis que o vissem. Se estivesse com o seu corpo carnal, todos o veriam, como quando estava vivo. Ignorando a causa originária do fenômeno das aparições, seus discípulos não se apercebiam dessas particularidades, a que, provavelmente, não davam atenção. Desde que viam o Senhor e o tocavam, haviam de achar que aquele era o seu corpo ressuscitado. (Obra citada, cap. XV, itens 58 a 61.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 19 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/11/a-genese-allan-kardec-parte-19.html

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/ZCUsF8, e verá como utilizá-lo.

 

 

 

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

 



A Gênese

 

Allan Kardec

 

Parte 19

 

Continuamos o estudo metódico do livro “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com base na 36ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, conforme tradução feita por Guillon Ribeiro.

Este estudo é publicado sempre às quintas-feiras.

Eis as questões de hoje:

 

145. Como se opera a cura através da ação magnética?

O fluido universal é o elemento primitivo do corpo carnal e do perispírito, os quais são simples transformações dele. Condensado no perispírito, ele pode fornecer princípios reparadores ao corpo físico. O Espírito é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância de seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada, mas depende também da energia da vontade do agente. Quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provoca e tanto maior força de penetração dá ao fluido.

Variados são os efeitos da ação fluídica sobre os doentes. Algumas vezes ela é lenta e reclama tratamento prolongado, como no magnetismo ordinário; doutras vezes é rápida, como uma corrente elétrica. Há pessoas dotadas de tal poder, que operam curas instantâneas nalguns doentes, por meio apenas da imposição das mãos, ou mesmo exclusivamente por ato da vontade. As curas desse gênero são variedades do magnetismo e o princípio é sempre o mesmo: o fluido, a desempenhar o papel de agente terapêutico, cujo efeito se acha subordinado a sua qualidade e a circunstâncias especiais. (A Gênese, cap. XIV, itens 31 a 34.)

146. Como se explicam as aparições de Espíritos?

Para nós que estamos encarnados, o perispírito, em seu estado normal, é invisível; mas, como é formado de substância etérea, o Espírito, em certos casos, pode, por ato de sua vontade, fazê-lo passar por uma modificação molecular que o torna momentaneamente visível. É assim que se produzem as aparições, que não ocorrem, do mesmo modo que os outros fenômenos, fora das leis da Natureza. Nada tem esse de mais extraordinário do que o do vapor que, quando muito rarefeito, é invisível, mas que se torna visível, quando condensado. Conforme o grau de condensação do fluido perispirítico, a aparição é às vezes vaga e vaporosa; doutras vezes, mais nitidamente definida; doutras, enfim, com todas as aparências da matéria tangível. Pode, mesmo, chegar até à tangibilidade real, a ponto de o observador se enganar com relação à natureza do ser que tem diante de si. (Obra citada, cap. XIV, itens 35 a 37.)

147. Como se dá o fenômeno da transfiguração?

Podendo o Espírito operar transformações na contextura de seu envoltório perispirítico e irradiando-se esse envoltório em torno do corpo qual atmosfera fluídica, pode produzir-se na superfície mesma do corpo um fenômeno análogo ao das aparições. Pode a imagem real do corpo apagar-se mais ou menos completamente, sob a camada fluídica, e assumir outra aparência; ou, então, vistos através da camada fluídica modificada, os traços primitivos podem tomar outra expressão. Se, saindo do terra a terra, o Espírito encarnado se identifica com as coisas do mundo espiritual, pode a expressão de um semblante feio tornar-se bela, radiosa e até luminosa; se, ao contrário, o Espírito é presa de paixões más, um semblante belo pode tomar um aspecto horrendo. Assim se operam as transfigurações, que refletem sempre qualidades e sentimentos predominantes no Espírito. O fenômeno resulta, portanto, de uma transformação fluídica; é uma espécie de aparição perispirítica, que se produz sobre o próprio corpo do vivo e, algumas vezes, no momento da morte, em lugar de se produzir ao longe, como nas aparições propriamente ditas. O que distingue as aparições desse gênero é o serem, geralmente, perceptíveis por todos os assistentes e com os olhos do corpo, precisamente por se basearem na matéria carnal visível, ao passo que nas aparições puramente fluídicas não há matéria tangível. (Obra citada, cap. XIV, itens 38 e 39.)

148. Na tiptologia, como ocorre a ação do Espírito?

Por meio de seu corpo espiritual ou perispírito é que o Espírito – durante a encarnação – atua sobre seu corpo vivo; e é ainda por intermédio dele que – quando desencarnado – ele se manifesta. Atuando sobre a matéria inerte, produz ruídos, movimentos de mesa e outros objetos, que pode levantar, derrubar ou transportar. É igualmente com o concurso de seu perispírito que o Espírito faz com que os médiuns escrevam, falem, desenhem. Já não dispondo de corpo tangível para agir ostensivamente quando quer manifestar-se, ele se serve do corpo do médium, cujos órgãos toma de empréstimo, corpo ao qual faz que atue como se fora seu, mediante o eflúvio fluídico que verte sobre ele. Pelo mesmo processo atua o Espírito sobre a mesa, quer para que esta se mova, sem que seu movimento tenha significação determinada, quer para que dê pancadas inteligentes, indicativas das letras do alfabeto, a fim de formarem palavras e frases, fenômeno esse denominado tiptologia. A mesa não passa de um instrumento de que o Espírito se utiliza, como se utiliza do lápis para escrever. Para esse efeito, dá-lhe ele uma vitalidade momentânea, por meio do fluido que lhe inocula. Quando a mesa se destaca do solo e flutua no espaço sem ponto de apoio, o Espírito não a ergue com a força de um braço; envolve-a e penetra-a de uma espécie de atmosfera fluídica que neutraliza o efeito da gravitação, como faz o ar com os balões e papagaios. O fluido que se infiltra na mesa dá-lhe momentaneamente maior leveza específica. Quando fica pregada ao solo, ela se acha numa situação análoga à da campânula pneumática sob a qual se fez o vácuo. Quando pancadas são ouvidas na mesa ou em outro lugar, não é que o Espírito esteja a bater com a mão ou com qualquer objeto. Ele apenas dirige sobre o ponto donde vem o ruído um jato de fluido e este produz o efeito de um choque elétrico. (Obra citada, cap. XIV, itens 41 a 43.)

149. Como podemos conceituar a obsessão? 

Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e cuja origem frequentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência.  (Obra citada, cap. XIV, itens 45 e 46.)

150. Que é possessão? 

Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado e constrangido a proceder contra sua vontade. Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado por seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, visto que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele, ou seja, fala por sua boca, vê por seus olhos, opera com seus braços, conforme o faria se estivesse encarnado.

Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria uma vestimenta a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado de seu substituto para ouvi-lo.

Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam de outro modo. Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, mas sim o arrebata, se este não possui bastante força moral para lhe resistir. Age então por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo, já por estrangulação, já atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata os que o cercam, além de entregar-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da loucura furiosa. (Obra citada, cap. XIV, itens 47 e 48.)

151. Como o Espiritismo explica os fatos considerados milagrosos do Evangelho?

Os fatos que o Evangelho relata e que são até hoje considerados milagrosos pertencem, em sua maioria, à ordem dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como causa primária as faculdades e os atributos da alma. O princípio dos fenômenos psíquicos repousa nas propriedades do fluido perispiritual, que constitui o agente magnético; nas manifestações da vida espiritual durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente, no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos esses elementos e comprovados seus efeitos, tem-se, como consequência, de admitir a possibilidade de certos fatos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma origem sobrenatural. (Obra citada, cap. XV, item 1.)

152. Como era Jesus do ponto de vista orgânico?  

Como homem, Jesus tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. Sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares de seu corpo, mas das de seu Espírito e de seu perispírito, elaborado com a parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres. Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem. (Obra citada, cap. XV, itens 1 e 2.)

 

 

Observação: Para acessar a Parte 18 deste estudo, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2021/11/blog-post_18.html

 

 

 

 

 

Como consultar as matérias deste blog? Se você não conhece a estrutura deste blog, clique neste link: https://goo.gl/ZCUsF8, e verá como utilizá-lo.