quarta-feira, 20 de março de 2024

 



Revista Espírita de 1865

 

Allan Kardec

 

Parte 5

 

Prosseguimos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1865, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1865 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que será apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. A atividade na vida espiritual é constante?

B. Que tarefas competem aos Espíritos puros?

C. A morte é capaz de afastar aqueles que se amam?

 

Texto para leitura

 

49. Nos Espíritos o progresso é fruto do próprio trabalho. São eles, pois, os artífices de sua situação, feliz ou infeliz, conforme o ensinamento do Cristo: “A cada um segundo as suas obras”. (Pág. 67.)

50. A suprema felicidade é apanágio dos Espíritos que chegaram à perfeição, isto é, dos Espíritos puros, condição que eles só atingem depois de haverem progredido em inteligência e moralidade. (Pág. 68.)

51. Como uma única existência corporal é manifestamente insuficiente para que o Espírito adquira tudo o que falta em bem e se desfaça de tudo o que em si é mau, Deus lhe concede tantas existências quantas forem necessárias para atingir o objetivo final, que é a perfeição. (Pág. 68.)

52. No intervalo das diferentes existências corpóreas, o Espírito entra no mundo espiritual, onde é feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal que haja feito. O estado corporal é transitório e passageiro. No estado espiritual o Espírito recolhe os frutos do progresso realizado durante a encarnação e se prepara para as novas lutas que deverá enfrentar no seu retorno à existência corporal. (Pág. 69.)

53. A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não é a ociosidade contemplativa, que seria uma eterna e fastidiosa inutilidade. Em todos os graus, a vida espiritual é uma atividade constante, embora isenta de fadigas. (Págs. 69 e 70.)

54. Os Espíritos puros são os Messias ou mensageiros de Deus; transmitem e executam a vontade do Pai; realizam as grandes missões; presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do universo, encargo glorioso a que só se chega pela perfeição. (Pág. 70.)

55. Como a felicidade depende das qualidades dos indivíduos e não do estado material do meio em que se acham, ela existirá em toda a parte onde houver Espíritos capazes de ser felizes e nenhum lugar circunscrito lhe é assinado no universo. Atraídos uns para os outros pela similitude de ideias, gostos e sentimentos, os Espíritos felizes formam grupos ou famílias homogêneas, no seio das quais cada indivíduo irradia suas próprias qualidades e se penetra dos eflúvios serenos e benéficos que emanam do conjunto. (Pág. 71.)

56. Na imensidade do universo onde fica, pois, o céu? Por toda a parte e nenhum muro o limita. Os mundos felizes são as últimas estações que a ele conduzem, visto que as virtudes abrem aos Espíritos o caminho, enquanto os vícios lhes barram o acesso. (Pág. 72.)

57. A 3 de fevereiro de 1865 se deu o falecimento da Sra. Foulon, que, três dias depois, se manifestou na Sociedade Espírita de Paris. Informando ter estado lúcida desde o trespasse, a Sra. Foulon não conheceu a perturbação pós-morte. “Só os que têm medo – explicou ela – são envolvidos por suas espessas trevas.” (Págs. 73 a 75.)

58. No dia 8 a Sra. Foulon comunicou-se pela segunda vez, quando então pôde descrever melhor as peripécias de sua desencarnação e o seu despertar no além-túmulo. “Sofri – disse ela –, mas meu Espírito era mais forte que o sofrimento material que o desprendimento o fazia experimentar.” Após o supremo suspiro, ela permaneceu, como em síncope, sem consciência do seu estado, sem pensar em nada, e numa vaga sonolência, que durou bastante tempo. Depois, como se voltasse de um longo desmaio, despertou entre irmãos que não conhecia, os quais lhe prodigalizaram cuidados e carícias e a informaram de que não mais pertencia à Terra. (Págs. 77 e 78.)

59. Reportando-se aos familiares que ainda se encontravam na Terra, ela esclareceu que tinha missão a cumprir junto aos seus netos e afirmou que a morte em nada afasta os que se amam, porque o amor aproxima as almas, seja no plano físico, seja no plano espiritual. “Só há distância para os corpos materiais; ela não existe para os Espíritos.” (Pág. 78.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. A atividade na vida espiritual é constante?

Sim. Em todos os graus, a vida espiritual é uma atividade constante, embora isenta de fadigas. (Revista Espírita de 1865, pp. 69 e 70.)

B. Que tarefas competem aos Espíritos puros?

Os Espíritos puros são os Messias ou mensageiros de Deus. Transmitem e executam a vontade do Pai; realizam as grandes missões; presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do universo, encargo glorioso a que só se chega pela perfeição. (Obra citada, pág. 70.) 

C. A morte é capaz de afastar aqueles que se amam?

Não. Os Espíritos, a exemplo do que disse a Sra. Foulon, pouco tempo depois de desencarnar, afirmam que a morte em nada afasta os que se amam, porque o amor aproxima as almas, seja no plano físico, seja no plano espiritual. “Só há distância para os corpos materiais; ela não existe para os Espíritos”, disse a Sra. Foulon. (Obra citada, pp. 77 e 78.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 4 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/03/revista-espirita-de-1865-allan-kardec_0670934332.html

 

 


 

 

  

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Para ler em Português, clique aqui:  TRADUÇÃO
Saiba como este Blog funciona, clicando em Século XXI

 

 

terça-feira, 19 de março de 2024

 



Considerações sobre emoção e sentimento

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

De uma maneira coerente mas não completa, de acordo com a complexidade do espírito , foram identificadas vinte e sete emoções humanas. Se não observamos um pouco a vida, vivemos com o mínimo de conhecimento, sendo que há infindáveis conteúdos a serem explorados. No entanto, dessas emoções, há seis primárias mais comuns: felicidade, surpresa, aversão, raiva, medo e tristeza. Algo a atentar-se é a percepção do que é emoção e do que é sentimento ainda essas significações são confundidas.

A emoção é uma reação imediata a um estímulo, ou seja, quando algo acontece, há um reflexo referente à energia do que se presenciou e isso é percebido externamente. A emoção demonstra a qualidade do sentimento em construção. Já o sentimento envolve observação, discernimento, elaboração, escolha, disciplina, reflexão, é um dos alicerces do crescimento espiritual, pois conforme a construção do sentimento também se inicia o desenvolvimento do espírito. Outra característica importante do sentimento é que ele é acessível apenas à própria pessoa, gerando a consciência tranquila ou desassossegada. O conhecimento é fundamental para a iluminação espiritual.

Quando se passa a analisar a qualidade tanto das emoções quanto dos sentimentos e se reflete acerca disso, o caráter será mostrado e a sua tendência dependerá totalmente dos objetivos internos, isto é, somos responsáveis integralmente pela nossa versão atual e em todas as anteriores e sucessivas. Sabe-se que tanto a emoção quanto o sentimento com baixa vibração desencadeiam sensações e um estado bastante infelizes. E para isso melhorar, há simplesmente de aprimorar também o pensamento e atitude. Se, há muito tempo, as emoções e os sentimentos não estão em paz, é momento oportuno para uma revisão e, consequentemente, uma renovação.

Por isso há necessidade real de conhecimento. A vida, por sua simples complexidade, deve ser vivida; e nós, por nossa eternidade, quanto antes compreendermos esse mecanismo viveremos mais o que realmente somos, espíritos.

Se somos os criadores do que sentimos, então que nossas emoções e sentimentos busquem a ascendência por meio de nossa reflexão e regeneração, pois a centelha, em nós, foi criada do maior amor universal.

Emoção, sentimento e criação são características determinantes nos espíritos. Logo, que o sentimento se desenvolva harmoniosamente, a emoção compartilhe luz, a criação seja de atitudes amorosas como as qualidades intrínsecas da centelha.

Algo tão maravilhoso é que Deus nos dotou de esplêndidas características e ainda com liberdade de escolha.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 


 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Para ler em Português, clique aqui:  TRADUÇÃO
Saiba como este Blog funciona, clicando em Século XXI

 

  

segunda-feira, 18 de março de 2024

 



No Evangelho nascente

 

Irmão X

 

Enquanto o Mestre ouvia alguns doentes na intimidade do lar de Simão Pedro, eis que um cavalheiro e duas damas se adiantam a consultá-lo.

Vinham de pontos diversos. Estranhos entre si. Contudo, partilhando a mesma expectativa, permutavam impressões dando-se a conhecer.

O rude pescador de Cafarnaum observava-os, atento. As ciciantes palavras que trocavam eram realmente chocantes. Supunham fosse Jesus um feiticeiro vulgar e buscavam-lhe os dons mágicos.

Eliakim, o recém-chegado, era um mercador de olhos astutos que projetava a obtenção de certa propriedade, pertencente a um dos tios que estava a morrer. Tratava-se de uma vinha fecunda, suscetível de aumentar-lhe os bens. Ambicionava-lhe a posse por baixo preço e não se resignaria a perdê-la. Ouvira tantas alusões a Jesus, que não vacilava em rogar-lhe a interferência. Na condição de mago eficiente, o Cristo, decerto, lhe facultaria a realização do negócio, sem maior sacrifício.

Dea, a mulher mais idosa, trazia assunto mais grave. Pretendia vingar-se de antiga companheira que lhe transviara o marido. Via-se agoniada, infeliz. Preferia a morte à renúncia. Não perdoaria à impostora que lhe deixara o lar deserto. Vinha ao famoso Mestre, suplicar-lhe a intercessão de modo a matá-la. Recompensá-lo-ia dignamente desde que pudesse ver Efraim, o esposo, humilhado aos seus pés.

Ruth, a mais nova, passou a expor o caso que a preocupava. Queria casar-se, mas Salatiel, o noivo, parecia esquivar-se. Mostrava-se desinteressado, frio. Esperava que Jesus lhe auxiliasse, infundindo ao homem amado mais intensa afetividade, de vez que o moço ganhava distância, pouco a pouco.

O apóstolo registrava um ou outro apontamento, agastadiço.

Ciente de que o Mestre atendia em sala próxima, demandou o interior e explicou-lhe a situação. Os consulentes revelavam o maior desrespeito. Eliakim era um negociante voraz e ambas as mulheres pareciam subjugadas por apetites inferiores.

Jesus meditou alguns instantes e, fixando o discípulo, solicitou, prestimoso:

– Pedro, as tarefas desta hora não me permitem serviços outros. Vai, porém, aos nossos hóspedes e socorre-os, ajudando-me a encontrar o caminho de melhor auxiliá-los.

O pescador voltou à presença dos forasteiros, dispondo-se a escutá-los, em nome do Salvador. Quando lhes anotou os propósitos de viva voz, enrubesceu, indignado. Levantou-se, trêmulo, e gritou sob forte crise de cólera:

– Malditos! Fora daqui! O Mestre não aceita ladrões e mulheres relapsas!

Cravando o olhar no comerciante, sentenciou:

– Vai roubar noutra parte! Que a vinha de teus parentes seja o inferno onde te cures da cupidez!

Aos ouvidos de Dea, bradou:

– Assassina! Não somos teus sequazes... Certamente foste abandonada pelo marido em razão das chagas de ódio que te consomem o coração!... Mata como quiseres e deixa-nos em paz.

Em seguida, concentrando a atenção sobre Ruth, que tremia de medo, o apóstolo ordenou:

– Saia daqui, amaldiçoada! A mulher que concorre à posse dos homens não passa de meretriz...

Amedrontados, os três abandonaram o recinto, precipitadamente. Impulsivo, Simão cerrou com estrépito a porta sobre eles. Ao se voltar, porém, para trás, na atitude de quem triunfara no serviço que lhe coubera fazer, deu com Jesus, que o contemplava tristemente.

Reparando que os olhos do amigo celeste se represavam de lágrimas que não chegavam a cair, o aprendiz, como criança estouvada que se humilha à frente do amor paterno, tentou afagar-lhe as mãos e falou em voz modificada:

– Senhor, porventura não estarás satisfeito? Poderemos, acaso, usar tratamento diverso para com aqueles que nos desfiguram o serviço? Não percebeste que os três se encontram sob o império de espíritos satânicos?

Jesus acariciou-lhe os ombros, de leve, e respondeu:

– Pedro, todos podem descobrir feridas, onde as feridas se destacam. Contudo, raros sabem remediá-las. Não te solicitei formulasses acusações. Para isso, o mundo está repleto de críticos e censores. Eliakim, efetivamente, traz consigo o gênio perverso da usura. Dea está sob a influência do monstro da vingança e Ruth sofre o assédio de vampiros da carne. Entretanto, notei que, ao ouvi-los, deste, por tua vez, guarida ao demônio da intolerância e da crueldade. Sombra por sombra, dá sempre um total de treva.

– Senhor, não me recomendaste, porém, socorrê-los?

– Sim – acentuou Jesus, melancólico –, mas não te roguei desiludi-los ou desprezá-los. Pedi me ajudasse a encontrar o caminho do auxílio e, como sabes, Pedro, eu não vim para curar os sãos...

Pesado silêncio invadiu a sala. E porque o Mestre regressasse aos enfermos, com paciência e humildade, o discípulo mergulhou a cabeça entre as mãos e, olhando para dentro de si mesmo, começou a enxugar as próprias lágrimas.

 

Do livro Relatos da Vida, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Para ler em Português, clique aqui:  TRADUÇÃO
Saiba como este Blog funciona, clicando em Século XXI

 

 

domingo, 17 de março de 2024

 



Crença e fé parecem termos sinônimos, mas  exprimem coisas distintas

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Por exprimirem coisas distintas, pode-se dizer que existe substancial diferença entre crença e fé.

O termo “fé” tem várias acepções.

No sentido comum, significa a confiança do indivíduo em si mesmo, pois os que disso são dotados são capazes de realizações que pareceriam impossíveis àqueles que de si duvidam. Dá-se também o nome de fé à crença nos dogmas dessa ou daquela religião, casos em que recebe adjetivação específica: fé cristã, fé judaica, fé católica etc.

No livro O Consolador, obra mediúnica psicografada por Chico Xavier, Emmanuel diz que crer diz respeito à crença. Mas, diferentemente da simples crença, a fé tem o mérito de despertar numa pessoa todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem e, nesse sentido, é a base da regeneração.

Idêntico ensinamento encontramos no cap. VII, 2ª Parte, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, no qual o guia da médium que serviu de intermediário no caso Xumene diz que a crença é o primeiro passo; a fé vem em seguida e, por último, a transformação, mas para isso é preciso que muitos tenham de revigorar-se no mundo espiritual. 

É possível comunicar a fé a alguém por meio da imposição?

Não. Segundo Kardec, a fé não se impõe nem se prescreve, a fé se adquire, e não existe ninguém que esteja impedido de possuí-la. Para crer é preciso compreender, porquanto – adverte o Codificador do Espiritismo – a fé cega já não tem lugar em nosso mundo.

A importância da fé em nossa vida foi destacada, entre outros, por Jesus de Nazaré. “Tudo é possível àquele que tem fé”, afirmou Jesus, consoante lemos em Marcos, 9:23.

Sobre a fé Emmanuel escreveu na obra a que nos reportamos linhas acima:

 

– Poder-se-á definir o que é ter fé?

Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade.

Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer “eu creio”, mas afirmar “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento. Essa fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida e sabe trabalhar sempre, intensificando a amplitude de sua iluminação, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido.

Traduzindo a certeza na assistência de Deus, ela exprime a confiança que sabe enfrentar todas as lutas e problemas, com a luz divina no coração, e significa a humildade redentora que edifica no íntimo do espírito a disposição sincera do discípulo, relativamente ao “faça-se no escravo a vontade do Senhor”. (O Consolador, pergunta 354.)

– A esperança e a fé devem ser interpretadas como uma só virtude?

A esperança é a filha dileta da fé. Ambas estão uma para outra, como a luz reflexa dos planetas está para a luz central e positiva do Sol. A esperança é como o luar que se constitui dos bálsamos da crença. A fé é a divina claridade da certeza. (O Consolador, pergunta 257.)

 

Concluindo, pensamos que poucos textos são capazes de exprimir melhor a importância da fé do que este lindo poema escrito por Cármen Cinira (Espírito), uma das pérolas literárias que compõem a obra Parnaso de Além-Túmulo, livro psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier:

 

O viajor e a Fé

 

Cármen Cinira

 

— “Donde vens, viajor triste e cansado?”

— “Venho da terra estéril da ilusão.”

— “Que trazes?”

— “A miséria do pecado,

De alma ferida e morto o coração.

Ah! quem me dera a bênção da esperança,

Quem me dera consolo à desventura!”

 

Mas a fé generosa, humilde e mansa,

Deu-lhe o braço e falou-lhe com doçura:

— “Vem ao Mestre que ampara os pobrezinhos,

Que esclarece e conforta os sofredores!...

Pois com o mundo uma flor tem mil espinhos,

Mas com Jesus um espinho tem mil flores!”

 

 

 


 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Para ler em Português, clique aqui:  TRADUÇÃO
Saiba como este Blog funciona, clicando em Século XXI

 

 

 

sábado, 16 de março de 2024



Ponderações bíblicas e espíritas sobre a política


JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Alma amiga, um dos atributos de Deus é a onisciência; desse modo, muito antes de nós, Ele já sabe o que acontecerá no futuro da Terra. Diversas pessoas perderam sua fé nestes dias turbulentos, em que atitudes bárbaras vêm provocando conflitos bélicos em diversos países, após uma pandemia devastadora, com a morte de milhões de seres humanos. Nada que não esteja, também, previsto por Jesus Cristo, a quem Deus confiou os destinos da Terra.

O espírita cristão não deve envolver-se diretamente em questões políticas, embora não se deva alienar sobre o que existe nesse sentido, em virtude da facilidade de informações que a internet nos proporciona atualmente. Nosso líder máximo, porém, é Jesus.  

Vejamos, por exemplo, os conceitos de esquerda ou direita que traz a Bíblia. Como a maioria das pessoas é destra, os canhotos, ou seja, aqueles que usam os membros esquerdos, são minorias. Milênios antes das denominações atuais, a direita representava a maioria destra e a esquerda a minoria canhota da população; mas o significado dessas palavras era figurado e não político.

Foi no sentido de retidão do caráter que Salomão, em Provérbios, 4:28, afirmou: “Não te desvies nem para a direita e nem para a esquerda, afasta os teus passos do mal” (Bíblia de Jerusalém).

Na mesma bíblia, lemos no Eclesiastes que “O sábio se orienta bem, o insensato se desviac”. No rodapé da página, está escrito: c) Lit. “o coração do sábio para a direita, o do insensato para a esquerda”. Ainda assim, o sentido é figurado, como dissemos acima.

Em João, 7:24, lemos o seguinte: “Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamento justo”.

Paulo, em Romanos, 14:12 afirma: “Assim,  cada um de nós prestará contas a Deus de si próprio” (Bíblia de Jerusalém).

Não custa lembrar o que também disse Jesus aos discípulos dos fariseus que lhe apresentaram uma moeda com o desenho da face de César num dos lados e lhe perguntaram se seria “lícito pagar o tributo a César”: “— [...] Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mateus, 22:15 a 21).

Com relação à política, consideramos, pois, atualíssima a recomendação de Allan Kardec na Revista Espírita de fevereiro de 1862, após chamar a atenção para a tática dos adversários do Espiritismo de nos afastar do objetivo verdadeiro da Doutrina Espírita: “Procurai, no Espiritismo, aquilo que vos pode melhorar; eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais verdadeiramente úteis serão uma consequência natural”.

No mais, fico por aqui com meu esforço de “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros e perdão das ofensas” (Kardec, Allan. O livro dos espíritos, questão 886).

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com

 



 


 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Para ler em Português, clique aqui:  TRADUÇÃO
Saiba como este Blog funciona, clicando em Século XXI