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sexta-feira, 9 de agosto de 2024




Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 27 e final

 

Concluímos hoje o estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo tenha servido para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo foi publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Qual é, segundo Bozzano, a principal característica das comunicações mediúnicas entre vivos, isto é, entre indivíduos reencarnados? 

B. Que dedução pode ser extraída dessa ordem de fenômenos? 

C. Podemos dizer, assim, que tais manifestações servem para fortalecer a convicção de que é possível comunicar-nos mediunicamente com os chamados mortos?

 

Texto para leitura

 

377. Dissemos que os fenômenos das “manifestações mediúnicas entre vivos” se dividem em duas grandes categorias. Quanto à segunda das categorias indicadas, observou-se que ela é composta de manifestações que se diferenciam notavelmente entre si, de modo que pareceu indispensável dividi-las em seis subgrupos, nos quais foram consideradas, sucessivamente, as mensagens transmitidas inconscientemente  ao médium por pessoas imersas em sono e por pessoas em estado de vigília; depois as mensagens obtidas por expressa vontade do médium; outras transmitidas ao médium por vontade expressa de pessoas distantes; depois, os casos de transmissão em que o vivo comunicante estava moribundo e finalmente as mensagens mediúnicas entre vivos transmitidas com o auxílio de uma entidade espiritual. (Conclusões) 

378. Já no primeiro subgrupo, em que foram examinadas as mensagens inconscientemente transmitidas ao médium por pessoas imersas no sono, tivemos oportunidade de salientar uma das maiores aquisições teóricas trazidas à luz pela presente classificação, ou seja, que a característica das comunicações mediúnicas entre vivos consiste no fato de que o agente e o percipiente desenvolvem comumente longos diálogos, os quais demonstram que já não se trata de fenômeno de transmissão telepática do pensamento e sim de uma verdadeira e própria conversa entre duas personalidades integrais, ou espirituais, com as consequências teóricas que daí decorrem. (Conclusões) 

379. Os casos pertencentes ao segundo subgrupo, no qual foram consideradas as mensagens inconscientemente transmitidas ao médium por pessoas em estado de vigília, oferecem-nos ocasião de demonstrar a inexistência presumível de tal forma de comunicações, porquanto não se conhecem exemplos precisos e definidos que sirvam para demonstrar que uma pessoa em estado de vigília chegue, involuntariamente, a entrar em comunicação mediúnica com um sensitivo a distância, sem pensar nele. Como resultado do fato, dever-se-ia dizer, ao contrário, que para atingir tal fim é necessário pelo menos que a pessoa em estado de vigília e afastada pense no mesmo instante e mais ou menos intensamente no sensitivo. (Conclusões) 

380. Os casos do terceiro subgrupo, nos quais são consideradas as mensagens obtidas por vontade expressa do médium, revestem grande valor teórico. O modo de interpretá-los reflete sua influência sobre o modo de interpretar uma importante classe de casos de identificação espírita: a identificação fundada sobre os informes fornecidos pelos mortos a respeito de sua vida terrena. (Conclusões)

381. Seu valor teórico emerge da circunstância de que as comunicações entre vivos, quando determinadas por expressa vontade do médium, confirmam, na aparência, a hipótese pela qual os informes pessoais verídicos fornecidos pelos supostos espíritos, de mortos comunicantes por meio dos médiuns, são, ao contrário, retirados pelos médiuns nas subconsciências dos vivos que conheceram o morto que se afirma presente (telemnesia). (Conclusões) 

382. Contudo, ao contrário disso, surge a confirmação incontestável de que as comunicações mediúnicas entre vivos não consistem, absolutamente, em um processo telepático, de seleção inquiridora nas subconsciências alheias por parte dos médiuns, mas consistem, sim, em uma conversação entre duas personalidades integrais ou espirituais subconscientes, o que muda completamente os termos da questão, tornando-se insustentável a hipótese adversa. Abstenho-me de resumir as conclusões a que se chega a tal propósito, pois que a sua importância exorbita dos limites de uma síntese conclusiva e reclama ser desenvolvida à parte, o que faremos em breve. (Conclusões)

383. Os casos do quarto subgrupo, que se referem às mensagens transmitidas ao médium por expressa vontade de uma pessoa afastada, realizam-se muito raramente, enquanto que tal espécie de mensagens, com caráter espontâneo, é, ao contrário, bem frequente nos casos de sono notório ou disfarçado do agente e estes últimos são muito mais importantes do que o primeiro. (Conclusões)

384. No caso de mensagem transmitida ao médium por vontade expressa de uma pessoa que se acha a distância, trata-se, limitadamente, de um fenômeno de transmissão telepático-mediúnica e, portanto, de mensagem pura e simples, que não assume nunca o desenvolvimento de um diálogo. (Conclusões) 

385. No caso de uma pessoa em sono notório ou disfarçado, as manifestações tomam muitas vezes proporções de diálogos e, quando assumem tal caráter, isto significa que já não se trata de um fenômeno de transmissão telepático-mediúnica do pensamento, mas sim de uma conversação verdadeira e própria entre duas personalidades espirituais subconscientes, a menos que se trate de mensagem de vivo transmitida com o auxílio de uma entidade espiritual. (Conclusões) 

386. De qualquer modo, o significado dos casos pertencentes ao subgrupo em apreço não deixa, por sua vez, de confirmar a hipótese espírita, porque, se a vontade consciente de um espírito de vivo pode agir a distância sobre a mão de um médium psicógrafo de modo a ditar o seu próprio pensamento, nada impede que a vontade consciente de um espírito de morto consiga agir de maneira semelhante. (Conclusões) 

387. Do mesmo modo, se, com base nas comunicações mediúnicas entre vivos, em que é possível certificar-se da autenticidade do fenômeno, interrogando as pessoas colocadas nos dois extremos do fio, fica positivamente demonstrado que a mensagem mediúnica provinha de um espírito de vivo afastado, que se dizia presente no momento, então quando no outro extremo do fio se encontre uma entidade mediúnica que afirme ser um espírito de morto e o prove fornecendo dados ignorados dos presentes, torna-se teoricamente legítimo inferir daí que, no outro extremo do fio, deve achar-se efetivamente a entidade do morto que se afirma presente. (Conclusões) 

388. Em outras palavras, para ambas as categorias indicadas deve-se excluir a hipótese das “personificações subconscientes” da qual tanto se tem abusado atualmente. Nada, portanto, de personificações efêmeras de ordem onírico-sonambúlica em relação com as comunicações entre vivos e, em consequência disto, nada de semelhança com respeito às comunicações com a entidade do morto, que fornecem a prova precisa de identificação pessoal. (Conclusões)

389. No quinto subgrupo foram considerados os casos, por sua vez muito raros, em que a pessoa que se comunica mediunicamente morreu naquele momento ou se encontra moribunda. Esses casos representam a via de transição entre os fenômenos anímicos e espíritas, e isto porque, tratando-se de vivos no leito de morte, fica claro que a telepatia entre vivos por manifestação mediúnica aparece em semelhante circunstância como o último grau de uma longa escala de manifestações anímicas pela qual se chega ao limiar da grande fronteira, além da qual não pode haver senão manifestações telepáticas de mortos, demonstrando-se mais uma vez que não há solução de continuidade entre as modalidades pelas quais se dão as comunicações mediúnicas entre vivos e as dos mortos. Em outras palavras, mais uma vez somos levados a reconhecer que o Animismo prova o Espiritismo. (Conclusões)

390. Finalmente, no sexto subgrupo, no qual são examinadas as mensagens mediúnicas entre vivos, transmitidas com o auxílio de uma entidade espiritual, entra-se de velas soltas no grande oceano das manifestações transcendentais e pode-se demonstrar, a propósito, que a existência de semelhantes formas de comunicações mediúnicas entre vivos não pode ser contestada, porque se conhece uma longa série de experiências que não podem ser explicadas, absolutamente, nem pela telepatia nem pela clarividência telepática. (Conclusões)

391. Baseados no complexo inteiro das manifestações analisadas, observo que as comunicações mediúnicas entre vivos constitui uma das questões mais interessantes e sugestivas que surgem no campo das pesquisas metapsíquicas, porque por ele é possível chegar-se à certeza científica sobre o fato muito importante da possibilidade do eu integral subconsciente ou, em outros termos, para o espírito humano, de entrar em relação com outros espíritos de vivos, seja mediúnica, seja telepaticamente, ora separando-se temporariamente de seu próprio corpo somático (bilocação), ora comunicando-se ou conversando telepaticamente a distância, depois de ser estabelecida a “relação psíquica”. (Conclusões) 

392. Todas essas circunstâncias concorrem para fornecer as provas da independência que existe entre o espírito humano e o organismo corpóreo. E, em consequência disto, a demonstração de que o espírito humano pode passar sem o organismo corpóreo nas suas relações espirituais com outras pessoas desencarnadas, depois da crise da morte. (Conclusões) 

393. Além disto, pela lei da analogia, servem para desembaraçar o caminho de qualquer obstáculo teórico em relação à possibilidade de comunicar-se mediunicamente com espíritos de mortos, pois que, uma vez conseguida a certeza científica da realidade das comunicações mediúnicas entre vivos, então as comunicações análogas com entidade de mortos tornam-se o complemento natural das primeiras, salvo sempre a cláusula de que o morto comunicante demonstre a sua identidade pessoal, fornecendo a seu próprio respeito informes suficientes, do mesmo modo que os espíritos dos vivos os fornecem. (Conclusões) 

394. Seja dito tudo isto em tese geral, mas, para conferir toda eficácia às conclusões expostas, é necessário investigar posteriormente a questão dos limites em que se pode desenvolver a ação telepaticomediúnica entre pessoas vivas, a fim de determiná-los, eliminando qualquer perplexidade que porventura se possa suscitar a propósito da autenticidade espírita das comunicações análogas com as entidades de mortos. (Conclusões) 

395. Em nota, a Editora que publicou esta obra no idioma português lembra que as comunicações mediúnicas de pessoas vivas foram objeto de longa e minuciosa pesquisa de Allan Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Paris. As comunicações obtidas foram publicadas na íntegra, pois sempre eram psicografadas, na seção Palestras Familiares de Além-túmulo, da Revue Spirite. Foram essas as primeiras pesquisas e as primeiras demonstrações históricas da independência do espírito em relação ao corpo. Toda a coleção da Revista Espírita, referente à fase dirigida por Kardec, num total da doze volumes, foi publicada pela Edicel na coleção das Obras Completas de Allan Kardec. Essas pesquisas, cuja natureza científica se evidencia nas publicações referidas, feitas pela Revista, receberam a sanção posterior de outros investigadores, como Bozzano, que foi um dos que mais compreenderam a importância científica e procuraram aprofundar a sua significação no campo do conhecimento. (Nota da Editora) 

(Fim)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Qual é, segundo Bozzano, a principal característica das comunicações mediúnicas entre vivos, isto é, entre indivíduos reencarnados?  

A principal característica desse fenômeno consiste no fato de que o agente e o percipiente desenvolvem comumente longos diálogos, que demonstram que já não se trata de fenômeno de transmissão telepática do pensamento e sim de uma verdadeira e própria conversa entre duas personalidades integrais, ou espirituais, com as consequências teóricas que daí decorrem. (Conclusões) 

B. Que dedução pode ser extraída dessa ordem de fenômenos?  

As circunstâncias em que tais manifestações se dão concorrem para fornecer as provas da independência que existe entre o espírito humano e o organismo corpóreo. E, como consequência disso, a demonstração de que o espírito humano pode agir sem se valer do organismo corpóreo em suas relações espirituais com outras pessoas desencarnadas. (Conclusões) 

C. Podemos dizer, assim, que tais manifestações servem para fortalecer a convicção de que é possível comunicar-nos mediunicamente com os chamados mortos? 

Sim. Pela lei da analogia, elas servem para desembaraçar o caminho de qualquer obstáculo teórico em relação à possibilidade de comunicar-se mediunicamente com espíritos de mortos, pois que, uma vez conseguida a certeza científica da realidade das comunicações mediúnicas entre vivos, então as comunicações análogas com entidade de mortos tornam-se o complemento natural das primeiras, salvo sempre a cláusula de que o morto comunicante demonstre a sua identidade pessoal, fornecendo a seu próprio respeito informes suficientes, do mesmo modo que os espíritos dos vivos os fornecem. (Conclusões) 

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 26 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/08/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos.html

 

 

 

 

  

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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

 



Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 26

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo é publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A.  Por que a leitura do pensamento a distância (“clarividência telepática”) não consegue abarcar as recordações remotas de incidentes insignificantes e já esquecidos?

B. Pode-se afirmar que os fenômenos de “clarividência telepática” são governados por leis indispensáveis que os circunscrevem em limites bem definidos e relativamente estreitos? 

C. As manifestações mediúnicas entre vivos podem constituir-se em uma base inabalável e formidável em favor da existência e sobrevivência da alma?

 

Texto para leitura

 

352. Isto posto, querendo tirar-se as conclusões que os fenômenos da “leitura do pensamento nas subconsciências alheias” necessariamente encerram, dever-se-á reconhecer, em primeiro lugar, que, se os fenômenos em exame, que se realizam com o sensitivo e as pessoas juntas umas das outras, podem ser cientificamente demonstrados, contudo isto se refere, limitadamente, a incidentes ainda frescos na mente, consciente e subconsciente, da pessoa. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

353. Fica entendido que um incidente pode conservar-se vivo por efeito de sua realização recente, ou porque tenha ficado assinalado numa data marcante na mente, consciente e subconsciente, da pessoa. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 354. Repito que os fenômenos da natureza em questão não vão além de tais condições mnemônicas que predispõem a pessoa, isto é, que nunca se deu o caso de um sensitivo ter livremente retirado informes insignificantes e totalmente esquecidos na memória subconsciente de um consultante e ainda menos que da subconsciência do consultante tenha tirado informes insignificantes e totalmente esquecidos referentes a terceiras pessoas por ele conhecidas em épocas remotas, como pressupõem, constantemente, os opositores da hipótese espírita. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

355. Tal impossibilidade seria de presumir-se mesmo a priori, visto que somente as coisas pessoais podem constituir, na subconsciência, uma série sistematizada de recordações latentes, com uma “tonalidade vibratória”, para assim nos expressarmos, suficientemente viva para ser perceptível aos sensitivos. As simples recordações longínquas de incidentes insignificantes e totalmente esquecidos, sucedidos a terceiras pessoas conhecidas do consulente, não poderiam ter essa “tonalidade vibratória”. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 356. Em segundo lugar, deve-se afirmar o mesmo, e com maior razão, a respeito dos fenômenos de leitura do pensamento a distância (clarividência telepática), fenômenos que, por sua vez, podem ser considerados cientificamente averiguados, conquanto se realizem raramente em comparação com os primeiros, em que o sensitivo e a pessoa estão juntos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

357. Ademais, compreende-se, como mais do que nunca se deve observar a respeito, que não se conhecem exemplos em que um sensitivo tenha retirado, das subconsciências de pessoas distantes, informes insignificantes e esquecidos, ocorridos à pessoa em épocas remotas e muito menos ainda informes insignificantes e totalmente esquecidos referentes a terceiros conhecidos no passado pela pessoa. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

358. À vista do exposto, mais do que nunca se deve repetir agora que os fenômenos de “clarividência telepática” são governados por leis indispensáveis que os circunscrevem em limites bem definidos e relativamente estreitos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 359. A propósito, relembro que, nos comentários aos casos expostos no subgrupo C, ficou demonstrado que, de qualquer modo, nas comunicações mediúnicas entre vivos, não se trata absolutamente de “clarividência telepática” em que o médium surrupiasse informes às subconsciências alheias, mas sim de verdadeiras e próprias conversações entre duas personalidades integrais subconscientes. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 360. Depois disso, nos mesmos comentários, foram comparadas as comunicações mediúnicas entre vivos com as comunicações análogas obtidas dos mortos, fazendo salientar a absoluta identidade delas, visto que estas últimas são obtidas, na sua imensa maioria, com o auxílio da “psicografia” e sob a forma de conversação, do mesmo modo que as comunicações entre vivos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 361. Resulta daí que, se no primeiro caso se chega à certeza científica com relação ao fato de que as manifestações de vivos, longe de consistirem em efêmeras personalidades sonambúlicas, são autênticas personalidades de vivos, então deve-se concluir em sentido idêntico, nas manifestações de mortos que provem as suas identidades, fornecendo informes pessoais ignorados por todos os presentes. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 362. Chegados a este ponto, fizemos notar que aos opositores restava uma única argumentação para confirmarem e era a de que, se as comunicações mediúnicas entre vivos se realizavam em forma de conversação entre duas personalidades subconscientes, isto não excluía que os médiuns pudessem igualmente retirar de terceiras pessoas afastadas, sob essa forma, informes que forneciam em nome dos supostos espíritos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 363. A tal argumentação, respondemos observando que a ela se opunha, acima de tudo, a grande lei da “relação psíquica”, que é impossível de ser estabelecida com pessoas afastadas e desconhecidas do médium e dos presentes, o que fica provado pelos processos da análise comparada aplicados às manifestações telepáticas e clarividentes, impossibilidade essa que deveria ser considerada, ao contrário, muitíssimo possível, a fim de chegar a explicar, de algum modo, o montante de casos de identificação pessoal de mortos, sem admitir a hipótese espírita. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

364. Depois acrescentemos que a ela se contrastava o outro fato de que, se a objeção em exame tivesse fundamento, então o automatismo psicográfico, no que tem de automatismo, deveria transcrever, inevitavelmente, as respostas obtidas das personalidades que dão os informes aos vivos distantes, visto que as manifestações mediúnico-psicográficas consistem nisso e em nada mais do que isso e, portanto, deveriam trair a origem “telemnésica” dos presumidos episódios de identificação espírita. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 365. Estas observações chegam a condições resolutivas a cujas consequências os opositores não têm meios de subtrair-se, levando-se em conta que, se os casos de identificação pessoal dos vivos, em sua grande maioria, são obtidos por meio da “psicografia” e da “tiptologia”, do mesmo modo que nos casos de identificação pessoal dos vivos, então o que fica cientificamente demonstrado com respeito às manifestações dos vivos deve estar cientificamente demonstrado com respeito às manifestações dos mortos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 366. Depois do que fica dito acima, é quase inútil observar que, do ponto de vista científico, deve ser excluída, de modo absoluto, a possibilidade teórica de explicar, pela clarividência telepática, entrando pela telemnesia, os casos em que as personalidades dos mortos comunicantes fornecem informes insignificantes e ignorados sobre a sua vida térrea, possibilidade teórica que deve ser excluída porque não existem manifestações supranormais que a confirmem, enquanto que existem numerosas manifestações de ordem análoga que a contradizem. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

367. Além disso, deve ser excluída porque se revela inconciliável com as modalidades de realização das manifestações em exame e, finalmente, deve ser excluída porque é igualmente inconciliável com a lei fatal da “relação psíquica”. E tudo isto basta para a demolição de qualquer hipótese. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

368. Uma vez desocupado o terreno com a retirada das hipóteses insustentáveis, então surge, em toda a sua evidência, o grande valor teórico das “comunicações mediúnicas entre vivos”, as quais apresentam sobre as comunicações análogas dos mortos, a imensa vantagem de se prestarem a fornecer inferências teóricas incontestáveis, porquanto são baseadas em dados de fatos verídicos e completos, fornecendo a possibilidade de edificar, sobre fundamentos solidíssimos, a nova Ciência da alma. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

369. Ora, se pela força das manifestações mediúnicas entre vivos somos forçados a admitir que, entre duas personalidades integrais subconscientes, podem desenrolar-se conversações espirituais a qualquer distância, então com isto vem-se a criar uma base inabalável e formidável em favor da existência e sobrevivência da alma. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

370. Digo inabalável porque os fatos, sobre os quais se funda, são verificáveis não só nos seus efeitos, mas igualmente nas suas causas, e formidável, porque apenas encontrado um fundamento teórico de tanta solidez, então a inferência de que as manifestações mediúnicas entre vivos subentendem a existência subconsciente de uma personalidade integral, ou espiritual, independente das leis biológicas que governam o corpo somático, torna-se a dita inferência uma necessidade lógica igualmente irrefutável, tanto mais quando se considerem as manifestações em exame cumulativamente com as outras manifestações inerentes à subconsciência humana, como a “clarividência no tempo e no espaço”, os fenômenos de “bilocação”, as criações “ideoplásticas” e a “visão panorâmica” no momento da morte. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

371. Uma vez admitida a existência subconsciente de uma entidade espiritual e integral, capaz de existir, de agir e de pensar independentemente dos laços da matéria, deste ponto até admitir-se-lhe a sobrevivência à morte do corpo não há senão um breve passo, inspirado antes de tudo pelo complexo das manifestações indicadas, mas depois tornado necessário pela existência das correspondentes manifestações de mortos que fornecem informes pessoais em tudo conformes com os fornecidos pelos vivos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

372. Em outras palavras, uma vez provado que as personalidades dos vivos que se comunicam mediunicamente, longe de serem personificações efêmeras de ordem onírico-sonambúlica, são os espíritos dos vivos em cujo nome se manifestam, e uma vez demonstrado que a “telemnesia” não existe, então dever-se-á concluir em igual sentido quanto aos espíritos de mortos, toda vez que provem, com fatos, a sua identidade pessoal. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

373. Conclusões – Chegados ao fim desta longa classificação, convém lançar um olhar retrospectivo às etapas ascensionais percorridas, para depois nos determos a discutir as questões teóricas de ordem particular e geral que derivam da mesma classificação. Vimos que os fenômenos das “manifestações mediúnicas entre vivos” se dividem em duas grandes categorias, na primeira das quais figuram as mensagens obtidas quando o agente e o percipiente estão longe um do outro. (Conclusões)

374. A primeira categoria, que é análoga, quanto aos fatos, aos fenômenos de “leitura de pensamento”, salvo a circunstância de que as manifestações do gênero se realizam mediunicamente, varia muito pouco nas modalidades pelas quais se manifesta, de sorte que bem pouco tivemos que observar a respeito, porquanto os referidos casos apresentaram ocasião para formular considerações importantes sobre a gênese presumível de algumas mistificações anímicas que se dão nas comunicações mediúnicas entre vivos, como também sobre a natureza presumível do “controle mediúnico”, o qual consistiria, quase sempre, na transmissão telepática do pensamento e não em uma posse temporária do organismo do médium pelo espírito comunicante. (Conclusões)

375. Conclui-se, portanto, que os fenômenos examinados trazem uma primeira indução a favor da autenticidade das comunicações mediúnicas com os mortos, pois que, se a vontade de um vivo chega a ditar mentalmente uma carta inteira, palavra por palavra, servindo-se do cérebro e da mão de outrem (caso 3), então não se pode mais negar a possibilidade de que as personalidades dos mortos transmitam as suas mensagens, exercendo telepaticamente a vontade sobre o cérebro e a mão do médium. (Conclusões)

376. Enquanto os fenômenos de tal natureza abalavam os fundamentos da hipótese das “personificações subconscientes”, pela qual todas as personalidades que se manifestam no domínio mediúnico não seriam mais do que efêmeras personificações, ou mistificações onírico-sonambúlicas da subconsciência, casos como estes em exame demonstram a origem positivamente extrínseca das manifestações de mortos. (Conclusões) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A.  Por que a leitura do pensamento a distância (“clarividência telepática”) não consegue abarcar as recordações remotas de incidentes insignificantes e já esquecidos?

Segundo o entendimento de Bozzano, somente as coisas pessoais podem constituir, na subconsciência, uma série sistematizada de recordações latentes, com uma “tonalidade vibratória” suficientemente viva para ser perceptível aos sensitivos. As simples recordações longínquas de incidentes insignificantes e totalmente esquecidos, sucedidos a terceiras pessoas conhecidas do consulente, não teriam essa “tonalidade vibratória”. Estaria aí a resposta à pergunta proposta. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

B. Pode-se afirmar que os fenômenos de “clarividência telepática” são governados por leis indispensáveis que os circunscrevem em limites bem definidos e relativamente estreitos? 

Sim. Mas Bozzano reitera sua posição de que – nos comentários feitos acerca dos casos expostos no subgrupo C – ficou demonstrado que nas comunicações mediúnicas entre vivos não se trata absolutamente de “clarividência telepática” em que o médium surrupiasse informes às subconsciências alheias, mas sim de verdadeiras e próprias conversações entre duas personalidades integrais subconscientes. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

C. As manifestações mediúnicas entre vivos podem constituir-se em uma base inabalável e formidável em favor da existência e sobrevivência da alma?

Sim. Inabalável porque os fatos, sobre os quais se funda, são verificáveis não só nos seus efeitos, mas igualmente nas suas causas, e formidável porque as manifestações mediúnicas entre vivos subentendem a existência subconsciente de uma personalidade integral, ou espiritual, independente das leis biológicas que governam o corpo somático, inferência que mais se fortalece quando se consideram as manifestações em exame cumulativamente com as outras manifestações inerentes à subconsciência humana, como a “clarividência no tempo e no espaço”, os fenômenos de “bilocação”, as criações “ideoplásticas” e a “visão panorâmica” no momento da morte. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 25 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/07/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_01408792604.html

 

 

 

 

  

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sexta-feira, 26 de julho de 2024

 




Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 25

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo será publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Um sensitivo clarividente, além de ver à distância, pode ter acesso a fatos passados da vida de outra pessoa? 

B. Quer dizer então que a clarividência telepática não se limita a fatos ocorridos no mesmo momento, à chamada “clarividência no presente”? 

C. Que condições são necessárias à ocorrência dos fenômenos de “clarividência telepática”?

 

Texto para leitura

 

341. Eis um segundo exemplo do mesmo gênero, relatado pelo célebre estadista suíço Zshokke, que possuía qualidades excepcionais de sensitivo clarividente:

Sucede-me frequentemente que, ao esbarrar pela primeira vez com uma pessoa desconhecida e enquanto, em silêncio, eu escuto as suas palavras, vejo passar diante de meus olhos, sem procurar, e perfeitamente distinta, uma visão da sua vida passada, enquadrada no ambiente em que se desenrolou, porém quase sempre vejo uma cena principal de sua vida e nada mais. Quando isso acontece, sinto-me de tal modo absorvido na contemplação da visão que se desenvolve na minha frente, que quase não percebo mais o vulto da pessoa que me fala, embora continue contemplando o seu rosto, bem como não ouço mais a sua voz. Durante muito tempo eu tive menos confiança do que qualquer outro na veracidade de tais visões e, quando me decidia a revelar ao meu interlocutor o que estava vendo a seu respeito, esperava naturalmente ouvi-lo responder-me: “Nada disso é verdade”, e muitas vezes sentia um calafrio de horror percorrer-me os ossos quando o interlocutor respondia confirmando a minha descrição, mas, outras vezes, o espanto que lhe aparecia no rosto punha-me informado da exatidão da minha visão antes que ele a confirmasse. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

342. Eis como ele relatou um desses fatos que mais o impressionaram:

O incidente que passo a relatar foi um dos que mais me pasmaram: Cheguei certo dia à pequena cidade de Waldshut e fui hospedar-me no hotel Vine Inn, em companhia de dois jovens estudantes. Jantamos na Table d’Hôte, juntamente com numerosos outros viajantes que davam grandes gargalhadas quando se falava no Magnetismo de Mesmer e na Fisiognomia de Laváter (estudo do caráter de uma pessoa pelos traços fisionômicos). Um dos meus companheiros, que se sentia ofendido no seu orgulho nacional por aquelas risadas estúpidas, pediu-me que os contestasse e especialmente que fizesse calar um jovem que estava sentado na minha frente e que, mais do que qualquer outro, se permitia debochar e proferir ditos espirituosos contra os nomes desses dois grandes homens. No mesmo instante tive uma visão da vida do jovem e por isso lhe dirigi a palavra, perguntando-lhe se podia estar certo de que ele me responderia sinceramente se eu lhe revelasse coisas notáveis do seu passado, embora me fosse desconhecido, fazendo-lhe notar que, se eu obtivesse bom resultado, seria ir muito mais longe do que Laváter com os seus estudos.

Ele me prometeu que se as minhas revelações estivessem corretas, ele o confirmaria sem restrições. Então lhe descrevi tudo o que me havia aparecido na visão e todos os presentes ficaram, desse modo, informados da vida passada de um jovem viajante comercial a começar dos seus anos de escola para passar pelos seus muitos erros juvenis e terminar com uma falta muito mais grave com relação ao cofre de seu chefe e lhe descrevi ainda um quarto sem móveis, com as paredes caiadas de branco, onde à direita de quem entrava, em cima da mesa, se achava um pequeno cofre preto, etc., etc.

Durante a minha narração, um silêncio mortal reinava no ambiente, silêncio esse que só era por mim interrompido de vez em quando para interrogar o meu interlocutor se estava correta a minha descrição. O jovem, cheio do maior espanto, não fazia outra coisa senão confirmar as minhas palavras, todas as vezes que eu o interrogava, com frequentes movimentos da cabeça, o que fez também – e isso eu não esperava – quando lhe descrevi o último quadro. Surpreendido e comovido pela sua sinceridade, levantei-me e fui apertar-lhe a mão, do outro lado da mesa.

Dir-se-ia que cada homem traz consigo a história completa de sua vida como se ficasse escrita, em caracteres espirituais, em sua mente, onde outra pessoa, em “relação psíquica” com ele, pode lê-la. (William Howitt – History of the Supernatural, Vol. I, págs. 99/100). (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

343. Também quanto a este segundo episódio, deve-se observar o que foi dito com relação ao primeiro, isto é, que os informes sobre a existência passada da pessoa submetida à indagação do sensitivo representam as coisas mais salientes do seu passado e, acima de tudo, dizem respeito exclusivamente à pessoa em questão e nunca a terceira pessoa que ele tenha conhecido quando viva. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

344. Passo a narrar um exemplo igualmente notável de leitura a distância em subconsciências alheias (clarividência telepática). O célebre mitólogo Andrew Lang em sua obra intitulada The Making of Religion (págs. 83/104) relata experiências de “visão no cristal” por ele feitas com a distinta senhorita inglesa Angus, que possuía delicados dotes dessa categoria de visões supranormais. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

345. Entre outras coisas, narra ele o seguinte episódio:

A última visão que apareceu no cristal interessava muito à sensitiva, mas desapareceu para dar lugar à aparição de uma senhora vestida com um penteador e deitada em um sofá, com os pés descalços. A Srta. Angus não conseguia distinguir o rosto dela, porque a imagem lhe aparecia voltada de costas, de modo que anunciou a nova visão com manifesta contrariedade, uma vez que estava interessada na imagem anterior. A Sra. Cockburn, entretanto, para quem nenhuma visão havia aparecido, mostrou-se contrariada com isso e particularmente me manifestou o seu cepticismo sobre a veracidade das imagens aparecidas no cristal. Em um sábado, dia 5 de fevereiro de 1897, porém, tive novamente ocasião de fazer experiências com a Srta. Angus, juntamente com a Sra. Bissott, e quando esta anunciou que havia pensado em certa coisa para aparecer no cristal, a Srta. Angus divisou no mesmo uma alameda de bosque ou de jardim perto de um rio, em um céu perfeitamente sereno e completamente azul. Na referida alameda achava-se uma senhora elegantemente vestida que, passeando, fazia girar sobre o seu ombro uma sombrinha belíssima, tendo os seus passos um encadeamento rítmico algo curioso. Ao lado dela estava um jovem cavalheiro, vestido com uma roupa branca leve como a que se usa na Índia. Tinha os ombros largos, pescoço curto, nariz afilado e escutava sorrindo, mas indiferente, as palavras da sua companheira, evidentemente muito viva e bem loquaz. O rosto dessa senhora estava um tanto pálido e descarnado, como de uma pessoa em más condições de saúde. Depois a cena mudou e apareceu o mesmo moço, sozinho, tomando conta de um grupo de trabalhadores ocupados em derrubar árvores.

A Sra. Bissott reconheceu logo, na imagem que apareceu no cristal, sua própria irmã Sra. Clifton, que se achava na Índia, e ficou muito espantada quando a Srta. Angus imitou o andar da pessoa vista no cristal, andar peculiar causado por uma enfermidade que a Sra. Clifton havia sofrido anos antes. Além disso, a Sra. Bissott e o seu marido reconheceram o cunhado no homem visto pela sensitiva e então apresentaram à Srta. Angus uma fotografia da Sra. Clifton quando noiva e a Srta. Angus observou que o retrato parecia muito com a senhora por ela vista no cristal, conquanto nele parecesse mais bonita. Depois mostrou um novo retrato da Sra. Clifton, recebido na Índia, no qual aparecia perfeitamente o rosto magro da visão no cristal. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F) (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

346. No episódio exposto, fica excluído que se pudesse tratar-se de “clarividência no presente”, visto que, no incidente dos “pés descalços”, verificou-se que havia acontecido três horas antes de ser visto no cristal, indício notório de que, uma vez estabelecida a “relação psíquica” (produzida por meio da progenitora presente à experiência), a sensitiva, ou melhor, as suas faculdades subconscientes retiraram tal incidente ainda vivo na memória da senhora afastada, incidente esse visto no cristal e transmitido pela personalidade subconsciente da sensitiva à sua própria personalidade consciente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

347. Diga-se o mesmo do episódio realizado entre a Inglaterra e a Índia e isto porque, tendo a sensitiva visto duas pessoas quando passeavam em um jardim e logo depois a outra visão de uma só delas quando dirigia um serviço de derrubada de matas, tal demonstra que, em um caso como em outro, não se podia tratar de “clarividência no presente”, mas sim de “clarividência telepática”, isto é, leitura do pensamento subconsciente de pessoas afastadas. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

348. No dia seguinte, domingo, 6 de fevereiro, a Sra. Bissott recebeu inesperadamente, da Índia, uma carta de sua irmã, datada de 20 de janeiro, carta em que a Sra. Clifton descrevia uma localidade indiana para onde ela havia ido para uma grande cerimônia e passeara num jardim, à margem de um rio. Acrescentava que, juntamente com o marido, deveria partir para outra localidade, de onde iriam para pleno campo, até o fim de fevereiro, pois que uma das atribuições de seu marido era superintender um trabalho de derrubada de matas, preparatório para a formação de novos campos de cultura. Era precisamente o que a Srta. Angus vira no cristal. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

349. Quando a cética Sra. Cockburn foi informada de tais coincidências verídicas, teve uma ideia. Escreveu à sua filha para perguntar-lhe se na quinta-feira, 2 de fevereiro, porventura ela se achava sentada em um sofá, com os pés descalços. A moça respondeu-lhe que o fato era verdadeiro, mas, quando veio a saber da forma como isso chegara a conhecimento de terceiros, expressou toda a sua reprovação por essa forma de invasão ilícita na intimidade doméstica. O incidente dos pés descalços se verificara entre as 4:30 e as 7:30 horas da tarde, ao passo que a visão correspondente se dera perto das 10 horas da noite. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

350. Do ponto de vista teórico, convém recordar, antes de tudo, que os fenômenos de “clarividência telepática” são condicionados pela necessidade imprescindível da “relação psíquica” que só pode ser produzida nas seguintes circunstâncias: quando o sensitivo conheça a pessoa afastada com a qual deseja entrar em relação ou quando a pessoa afastada, desconhecida do sensitivo, seja conhecida de outra pessoa que se encontre em companhia do sensitivo ou em relação com ele, ou quando ao sensitivo seja apresentado um objeto usado, durante muito tempo, pela pessoa afastada (psicometria). Recordemos, portanto, que fora de tais condições não é possível que um sensitivo entre em relação com uma pessoa afastada (entretanto, muitas vezes os opositores presumem que aconteça). (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

351. Além disto, convém notar que, no caso exposto, como nos casos precedentes, as visões da sensitiva se referiam unicamente a incidentes estritamente pessoais dos indivíduos vistos, bem como a incidentes ainda vivos em sua subconsciência. Finalmente, não se deve esquecer que os referidos episódios representam os limites extremos a que chegam, potencialmente e rarissimamente, as faculdades inquiridoras da “leitura do pensamento” e da “clarividência telepática”. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Um sensitivo clarividente, além de ver à distância, pode ter acesso a fatos passados da vida de outra pessoa? 

Sim. O relato feito pelo estadista suíço Zshokke, que possuía qualidades excepcionais de sensitivo clarividente, dá conta de um fato dessa natureza. Segundo ele mesmo contou, era comum, ao esbarrar pela primeira vez com uma pessoa desconhecida, ver passar diante de seus olhos, perfeitamente distinta, uma visão de sua vida passada, enquadrada no ambiente em que se desenrolou. O incidente dessa natureza que mais o surpreendeu é relatado neste livro. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

B. Quer dizer então que a clarividência telepática não se limita a fatos ocorridos no mesmo momento, à chamada “clarividência no presente”? 

Evidentemente. No incidente da senhora que aparecia com os “pés descalços”, a ocorrência visualizada no cristal havia acontecido três horas antes de ser vista, indício notório de que, uma vez estabelecida a “relação psíquica” (produzida por meio da progenitora presente à experiência), a sensitiva, ou melhor, suas faculdades subconscientes retiraram tal incidente ainda vivo na memória da senhora afastada, incidente esse visto no cristal. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

C. Que condições são necessárias à ocorrência dos fenômenos de “clarividência telepática”?

Segundo Bozzano, os fenômenos de “clarividência telepática” são condicionados pela necessidade imprescindível da “relação psíquica”, que só pode ser produzida nas seguintes circunstâncias: quando o sensitivo conheça a pessoa afastada com a qual deseja entrar em relação ou quando a pessoa afastada, desconhecida do sensitivo, seja conhecida de outra pessoa que se encontre em companhia do sensitivo ou em relação com ele, ou quando ao sensitivo seja apresentado um objeto usado, durante muito tempo, pela pessoa afastada, fato pertencente ao campo da psicometria. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 24 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/07/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_01905175814.html

 

 

 

 

  

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