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domingo, 23 de novembro de 2025

 

Notas de família

 



O retorno de Anita à pátria verdadeira

 

Dez anos atrás, em julho de 2015, nosso irmão Arthur Bernardes regressou à pátria espiritual. Na última sexta, dia 21, aos 86 anos, chegou a vez de nossa irmã Anita, a quem dedicamos no dia do seu aniversário de 80 anos a nota abaixo, publicada em nosso Blog em 17 de agosto de 2019:

 

O aniversário de 80 anos de minha irmã Anita

 

Neste dia minha irmã Anita de Oliveira Cazetta completou 80 anos.

Devido a uma virose que me acometeu dois dias antes, não pude estar presente em sua festa, mas escrevi e enviei-lhe a mensagem abaixo, que foi reproduzida no mesmo dia em meu perfil no Facebook: (Veja a foto ao lado, em que Anita está com seus quatro filhos) 

Anita querida,

80 anos não são oitenta dias!

Trata-se de uma vida, uma existência recheada de desafios e experiências diversas:

- A infância difícil, que registrou, entre outras coisas, a perda física de nossa querida mãe, quando você contava apenas 10 anos...

- A adolescência com seus variados sonhos...

- O casamento e, com ele, a mudança para um estado distante...

- A chegada dos filhos...

- As dificuldades financeiras...

- O trabalho árduo para pôr o alimento na mesa...

- O casamento dos filhos e, por causa disso, sua mudança para lugares distantes...

- A vinda dos netos (Ah! meu Deus, como são lindos os netos...)

- As doenças, as preocupações, as dúvidas...

- A despedida do Nem (José Jesus Cazetta Júnior), que cedo retornou à pátria espiritual. 

O fato é que não é fácil chegar, sem se perder, aos 80 anos de idade. (A foto ao lado, tirada em 28/9/2016, mostra o momento em que Anita desatava a fita na homenagem que o Ministério Público de SP prestou ao Nem.)

Quantos políticos que nos pareciam pessoas idealistas, honestas e justas, revelam-se hoje, aos 80, indivíduos como aqueles a quem eles combatiam prometendo-nos um país melhor!

Mas você chega a esta idade plenamente realizada.

E chega com saúde, com disposição para o trabalho, sem medir esforços para ajudar aqueles que precisam, honrando, dessa forma, o exemplo que recebemos de nossos pais, que jamais negaram ajuda a quem quer que fosse.

Você certamente não ignora o carinho e o respeito que nós seus irmãos temos por sua pessoa, especialmente nós que ainda não chegamos aos 80 e que tivemos em você a figura de uma segunda mãe quando nossa mãe teve de partir.

Jamais esqueceremos, Ali (nosso irmão caçula) e eu, que era você quem nos dava banho, quem nos punha para dormir, quem estava sempre ao nosso lado naqueles difíceis tempos... e, no entanto, sabemos hoje que você era ainda uma criança...

Deus lhe pague por tudo que você fez por nós!

Deus estique seus anos para podermos tê-la por muito tempo ainda!

Deus lhe fortaleça o espírito para que possa com a humildade que lhe é característica manter unida a sua e a nossa família.

Parabéns pela data e um beijo carinhoso, querida irmã.

 

*


Meses transcorreram e o mundo se assustou com a chegada da pandemia do novo coronavírus e, como sabemos, a vida aqui em nosso plano jamais foi a mesma.

Pouco tempo depois vieram as vicissitudes, as provas e os problemas de saúde que culminaram, anteontem, com o encerramento de um ciclo vitorioso de sua vida imortal e o consequente retorno ao convívio de uma multidão de familiares e amigos, porque – como Jesus ensinou e exemplificou – a vida prossegue além-túmulo e são muitas as moradas na Casa do nosso Pai.

A Anita, o nosso abraço, as nossas preces, o nosso agradecimento por tudo que fez por todos nós e – jamais poderíamos esquecer – o nosso Até breve!

 



 

 

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domingo, 13 de agosto de 2023

 



Ao nosso saudoso pai o nosso abraço, o nosso carinho, a nossa gratidão

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Quando nosso pai faleceu, em setembro de 1975, contávamos apenas 31 anos e fazia mais de 12 anos que havíamos saído de casa.

Residindo em Minas Gerais, viemos para o Paraná com o objetivo de cursar uma faculdade e ainda não tínhamos completado 19 anos de idade. No Paraná nos casamos e jamais voltamos a morar em terras mineiras.

Dizemos isso para mostrar que, em face das contingências da vida, não tivemos o privilégio de conviver um tempo maior com nossos pais. Como as pessoas próximas sabem, Anita, nossa mãe, faleceu antes que fizéssemos 6 anos. (Veja a foto abaixo.)

Recorremos, então, a trechos de um texto que uma pessoa amiga escreveu sobre ele. Intitulado Um homem obstinado, o texto fornece-nos um ligeiro perfil daquele que nos orientou e continua a orientar-nos com todo o amor e interesse ao longo de nossa atual existência.

O texto refere-se a ele como todos nós costumávamos chamá-lo: A.O., uma forma carinhosa com que designávamos nosso pai (Astolfo Olegário de Oliveira):

“A vida se encarrega de nos dar lições que nos elevam ao encontro do Pai. A.O. precisou, por longo período de sofrimentos íntimos, provar na dor a sua fé. Era um homem obstinado, que não viveu apenas pelas causas da doutrina, mas pelas causas cristãs. Poderíamos dizer que dentro e fora do Centro Espírita ou do círculo de companheiros de luta era sempre o mesmo. Severo, amigo, direto e objetivo, ríspido até, quando necessário. Sua franqueza doía nas almas sensíveis. Seu natural bom humor se alterava ao deparar com injustiças de qualquer natureza. Era politicamente correto, lutou bravamente pelo progresso e tinha liderança na alma. Sua cultura era inegável e sua sabedoria, incalculável. Não tinha a docilidade de Anita e Abel, mas boa vontade e disciplina. Sua integridade moral foi responsável pela credibilidade do seu trabalho. Orador de renome, quando falava fazia almas desencarnadas iluminar-se através de sua lógica. Fez da Fundação Espírita Abel Gomes sua segunda morada e, respeitando sempre os preceitos do antigo mestre, procurava tornar-se melhor hoje do que fora ontem. Sua trajetória é recheada por belos casos, alguns até cômicos, mas sempre de grande lição.” 

(...)

“A.O. era figura divertida demais. Com os fanáticos e apegados à prática excessiva tinha uma argumentação sempre pronta, que destruía qualquer excesso. Grande vulto, grande figura. Sempre quis conviver com ele, mas a distância entre nossas cidades era enorme. Nessa época eu já vivia em Aparecida e nem em sonho A.O. sabia de minha existência.”

(...)

“O trabalho no Porto de Santo Antônio seguia seu ritmo normal. A.O. adquiria a cada dia o tom melhor nas suas explanações. Assíduo leitor e investigador tenaz, iluminava os corações aflitos. Na Fundação Espírita Abel Gomes as meninas eram criadas e saíam somente para o casamento, tornando-se boas e prendadas donas-de-casa. Os problemas financeiros eram contornados, mas o que mais aborrecia A.O. eram as crises no meio espírita. O favoritismo, a fofoca, a indisciplina, tudo isso o preocupava. 

“No esforço de cada dia pela causa espírita, A.O. encontrou muitas amarguras. Ora um comentário malicioso, uma falsidade no próprio círculo de companheiros, ora uma cobrança de atitudes. Certos momentos foram desestimuladores para ele, um homem que gostava do desafio, mas abominava a hipocrisia. A.O., poderíamos definir como aquele de quem se tiravam até as calças, quando a causa era nobre, mas que fechava completamente o semblante para aquele que se apresentava com falsidade. Jamais admitiu o uso do Espiritismo em favor próprio e, mesmo se esforçando, custava a sorrir para aqueles que o feriam profundamente. Muitas vezes bem que tentou, mas não se muda da noite para o dia, embora controlasse bem suas emoções. Hoje, na espiritualidade, ele reconhece que deveria ter sido mais tolerante, menos exigente, pois só depois do desligamento do corpo físico compreendeu que não se pode cobrar daqueles que não se conscientizam da dívida, que valores nobres não se impõem a ninguém, que a boca professa, mas o coração nem sempre sente.”

(...)

“Hoje, na espiritualidade, conta esse episódio para ilustrar a companheiros de jornada que nós temos o péssimo hábito de julgar, de exigir. Ele mesmo reconhece que, embora em seu lar todos tenham comido do mesmo pão e sorvido os mesmos ensinamentos, muitos de seus descendentes pouco sabem da Doutrina iniciada por ele e Anita. Muitos tiveram e têm deslizes com valores e comportamentos, mas só hoje pode compreender que nada é hereditário, a individualidade escolhe o que quer ser e fazer de sua jornada. Que os preceitos são passados pelos pais, mas os valores são escolhidos pelos filhos. Não se pode exigir de um filho, um neto, o mesmo pensamento, o mesmo gosto, e, embora leiamos os mesmos livros, a interpretação é individual, o sentimento é pessoal e a maneira de ver a vida terrena e espiritual é particular. Podemos apenas dar conselhos, controlar por algum tempo, mas viver a vida do outro jamais, impor religião nunca. Exemplificar apenas.” (Do livro Memórias de Padre Vítor, primeira parte, cap. 9, obra psicografada por Ana Paula Cazetta, de autoria do Espírito de Padre Vítor Coelho.)

 

*

 

Eis aí uma pequena amostra do que foi nosso pai, que todos que o conheceram, dentro e fora do meio espírita, definiriam como um grande homem, um orador extraordinário, uma pessoa devotada aos seus ideais como maçom e espírita e que – como pudemos comprovar de perto – era extremamente generoso, adorava uma boa pescaria e exultava com as vitórias do Botafogo, seu clube de coração. Aliás, se ainda curte futebol, deve estar felicíssimo com a campanha que o time da Estrela Solitária realiza este ano.

A você, querido pai e amigo, o nosso abraço, o nosso carinho e a nossa eterna gratidão neste dia abençoado em que aqui, na crosta da Terra, festejamos o Dia dos Pais.

 

 

 

 


  

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quinta-feira, 25 de junho de 2020




Amaury de Oliveira: exemplo de generosidade e solidariedade

Há pessoas que passam pelo mundo e não deixam marca alguma. Do jeito que chegam, acabam indo, sem deixar saudade nem lembranças.
Não foi esse, obviamente, o caso do nosso mano Amaury, segundo filho do casal Astolfo Olegário/Anita Borela, em uma prole de 11 filhos. (Na foto ao lado, tirada em setembro de 1984, ele está com sua neta Gabriella.)
Nascido em 25 de junho de 1929, Amaury casou-se com Maria Luiza Imbeloni em 29 de janeiro de 1951 e com ela viveu 48 anos, até 12 de maio de 1999, quando retornou à pátria espiritual.
Em janeiro de 1963, antes de fazer 34 anos, Amaury e Maria Luiza (foto ao lado) me acolheram em seu lar e pude, então, por mais de 36 anos, partilhar a seu lado dos seus planos, dos seus sonhos, dos seus atos. Juntos, estudamos para dois concursos federais e juntos fomos aprovados, fato que marcou de forma definitiva o caminho profissional que seguimos a partir de então.
Agradeço a Deus ter-me concedido a oportunidade de viver a seu lado, porque com ele aprendi como é importante ser generoso, solidário, participativo, e também compreender que ninguém pode ser feliz sozinho e que a felicidade só vale realmente quando partilhada com o nosso próximo, seja ou não parte de nossa família.
Meu irmão Arthur Bernardes, dois anos mais moço e que conviveu desde criança com ele, registrou em um de seus livros três momentos em que o personagem principal é o Amaury. (Na foto ao lado, Amaury - de camisa branca - está junto de seus 4 irmãos homens e dois cunhados.)
De suas anotações valho-me aqui para destacar em nosso homenageado três importantes facetas: a inteligência, a afabilidade e a generosidade.
Vejamos a primeira: a inteligência.
Escreveu o Arthur:
Meus dois irmãos mais velhos, a Marília e o Amaury, brilhavam na escola. Estavam no 1º e 2º anos do antigo curso primário (hoje esse curso é chamado de ensino fundamental). Só tiravam, nas provas de desempenho, dez com distinção e louvor. Era mais que dez. Mas como na avaliação eles só utilizavam valores até dez, para dizer que aquela prova valia mais que dez, eles inventaram essa forma de dizer isso, acrescentando ao número dez essa expressão “distinção e louvor!” com uma exclamação enorme para chamar mais atenção ainda. Meu pai espumava de tanta alegria. (Uma estrela em forma de flor, Apêndice, cap. 2.)
Segundo o depoimento insuspeito do próprio irmão, Amaury já mostrava desde criança uma inteligência marcante e, quando adulto, comprovou-o ao ser aprovado em um concurso público para a Receita Federal, em que muitos doutores jamais conseguiram sucesso. Na ocasião do concurso, ele só ostentava o 2º grau e estava afastado dos bancos escolares havia mais de 17 anos.
Na sequência, fez brilhante carreira na Receita, estudou, conseguiu o diploma superior e chegou a Delegado da Receita Federal em Curitiba, em que teve uma atuação marcante e digna do elogio dos seus superiores em Brasília, DF.
Eis a segunda: a afabilidade.
Anotou o Arthur no livro já mencionado:
Há uma diferença fundamental entre o mano do meu coração – o Amaury – e mim. Dizia o Panza que, quando o Amaury ri, todos os dentes se mostram claros. Aqueles dentes branquinhos, sadios, admiráveis. E tem-se a impressão de que o Amaury não tem apenas 32 dentes, o que seria normal, mas 64, tal o brilho que através do seu sorriso invade a nossa alma e encanta os nossos olhos. É um sorriso aberto, franco, espontâneo de quem não teme mostrar pela boca a alma linda que tem. (Uma estrela em forma de flor, cap. XVIII – O impulso e a flor.)
Seu sorriso franco, aberto e espontâneo estava presente sempre, todas as vezes em que abria as portas do seu lar para receber os familiares e os amigos. Churrascos inesquecíveis, os jogos de cartas, as canções que ele adorava cantar... Esses foram momentos que os mais jovens da família certamente desconhecem, mas constituem para nós lembranças imorredouras, dessas que o tempo não tem competência para apagar. (Na foto acima, ele está com a esposa e alguns de seus netos.)
Eis, por fim, a terceira e principal: a generosidade.
Escreveu o Arthur:
Os planos do Amaury... Qual! Só encostando estas teclas. Falaria a vida inteira sobre os planos do Amaury. Planos fabulosos e irrealizáveis, quase todos, mas sempre belos, puros, fulgurantes.
A pureza de seus ideais! A preocupação obsessiva com todos, indagando, perquirindo, analisando, bisbilhotando, para descobrir necessidades, e supri-las com a sua bondade. (Uma estrela em forma de flor, cap. XI – Vem ver a família.)
De fato, os planos do Amaury eram como água descendo por uma enorme cachoeira...
No tocante a reunir os recursos financeiros, jamais teve sucesso. E quando parecia que isso ocorreria, veio um gatuno disfarçado de amigo e surripiou tudo o que ele ajuntara, deixando-o ainda com dívidas imensas que só pôde quitar ao longo dos anos, valendo-se dos seus próprios vencimentos de funcionário público.
Contudo, embora destituído de grandes recursos, jamais deixou de ajudar a quem precisasse, fosse ou não da família. 
Quando surgia uma necessidade, era ele o primeiro a se manifestar e com isso, com seu exemplo, fazia com que vários de nós também participássemos, minorando as dificuldades daqueles que o vulgo costuma chamar de desfavorecidos da sorte...
Assim era Amaury de Oliveira.
Tinha defeitos?
Claro! quem não os tem? Mas as qualidades sobrepujavam com larga margem todos eles.





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sábado, 17 de agosto de 2019





 O aniversário de 80 anos de minha irmã Anita

Neste dia minha irmã Anita de Oliveira Cazetta completou 80 anos.
Devido a uma virose que me acometeu dois dias antes, não pude estar presente em sua festa (veja a foto ao lado, em que Anita está com seus quatro filhos), mas escrevi e enviei-lhe a mensagem abaixo, que foi reproduzida no mesmo dia em meu perfil no Facebook:
Anita querida,
80 anos não são oitenta dias!
Trata-se de uma vida, uma existência recheada de desafios e experiências diversas:
- A infância difícil, que registrou, entre outras coisas, a perda física de nossa querida mãe, quando você contava apenas 10 anos...
- A adolescência com seus variados sonhos...
- O casamento e, com ele, a mudança para um estado distante...
- A chegada dos filhos...
- As dificuldades financeiras...
- O trabalho árduo para pôr o alimento na mesa...
- O casamento dos filhos e, por causa disso, sua mudança para lugares distantes...
- A vinda dos netos (Ah! meu Deus, como são lindos os netos...)
- As doenças, as preocupações, as dúvidas...
- A despedida do Nem (José Jesus Cazetta Júnior), que cedo retornou à pátria espiritual. 
O fato é que não é fácil chegar, sem se perder, aos 80 anos de idade. (A foto ao lado, tirada em 28/9/2016, mostra o momento em que Anita desatava a fita na homenagem que o Ministério Público de SP prestou ao Nem.)
Quantos políticos que nos pareciam pessoas idealistas, honestas e justas, revelam-se hoje, aos 80, indivíduos como aqueles a quem eles combatiam prometendo-nos um país melhor!
Mas você chega a esta idade plenamente realizada.
E chega com saúde, com disposição para o trabalho, sem medir esforços para ajudar aqueles que precisam, honrando, dessa forma, o exemplo que recebemos de nossos pais, que jamais negaram ajuda a quem quer que fosse.
Você certamente não ignora o carinho e o respeito que nós seus irmãos temos por sua pessoa, especialmente nós que ainda não chegamos aos 80 e que tivemos em você a figura de uma segunda mãe quando nossa mãe teve de partir.
Jamais esqueceremos, Ali (nosso irmão caçula) e eu, que era você quem nos dava banho, quem nos punha para dormir, quem estava sempre ao nosso lado naqueles difíceis tempos... e, no entanto, sabemos hoje que você era ainda uma criança...
Deus lhe pague por tudo que você fez por nós!
Deus estique seus anos para podermos tê-la por muito tempo ainda!
Deus lhe fortaleça o espírito para que possa com a humildade que lhe é característica manter unida a sua e a nossa família.
Parabéns pela data e um beijo carinhoso, querida irmã.
(Astolfo O. de Oliveira Filho)


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Notas de família





O passamento de Marcelo Cazeta de Oliveira

Uma triste notícia acordou-nos na madrugada de ontem, dia 12 de outubro: o falecimento de nosso filho caçula, Marcelo Cazeta de Oliveira, ocorrido à 1h30 do mesmo dia, no Hospital do Coração de Balneário Camboriú, cidade onde ele vivia com sua esposa Queila (foto ao lado).
Marcelo completou em agosto último 43 anos. Nascido em 16 de agosto de 1974, é nosso quarto filho. Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Londrina, era casado com Queila Aparecida da Silva.
Todos que o conheciam o estimavam muito e admiravam seu conhecimento em muitas áreas, especialmente em matéria de doutrina espírita.
Nas lides espíritas, além de palestrante muito apreciado por quem o ouvia, teve excelente participação no trabalho de assistência espiritual prestado aos detentos da Penitenciária Estadual de Londrina, bem como no grupo mediúnico – o Grupo Esperança – que funciona nas dependências do Hospital do Câncer da cidade.
Atuou também, desde a juventude, no Centro Espírita Nosso Lar e foi um dos fundadores, quando ainda adolescente, da Comunhão Espírita Cristã de Londrina, onde participava dos trabalhos matinais realizados aos domingos.
Por motivos profissionais, residia ultimamente em Balneário Camboriú, onde participava das atividades realizadas pela Centro Espírita Casa de Jesus, uma das principais instituições espíritas do vizinho estado de Santa Catarina.
Nos últimos anos de sua existência fez parte da equipe de redação da revista “O Consolador”, à qual dava seu concurso sempre com grande competência, anonimamente, sem nenhuma questão de ver seu nome divulgado.
O sepultamento do corpo de Marcelo Cazeta de Oliveira realizou-se nesta sexta-feira, às 10h30, no Cemitério Jardim da Saudade, localizado na Av. Saul Elkind, 2805 - Conj. Vivi Xavier, em Londrina.
Momentos antes do fechamento da urna, perante um público numeroso, fizemos, em nome da família e do filho que ora volta à pátria espiritual, uma breve saudação, seguida de sentida prece feita por nossa amiga Jane Martins Vilela, diretora do jornal O Imortal, de Cambé (PR).
Na saudação, além de agradecer as mensagens de apoio recebidas de centenas de pessoas, seja pela internet, seja pessoalmente, lembramos que ali estava o corpo não apenas de um filho querido, mas também de um companheiro de trabalho, cuja dedicação às tarefas espíritas era conhecida e admirada por todos.
Esta nota tem por finalidade registrar o nosso sincero agradecimento aos familiares e aos amigos pelo apoio que nos deram, pelas vibrações que nos enviaram e pelo carinho com que nosso filho foi lembrado pelas pessoas que nos deram a honra de sua presença na singela cerimônia que precedeu o funeral.
Desejamos, por fim, agradecer a excepcional ajuda que recebemos de dois casais: Rosana e Renato Brogin – filha e genro –, que cuidaram de todas as providências necessárias à liberação e ao traslado do corpo de Balneário Camboriú para Londrina; e Sílvia e Bruno de Oliveira – nora e filho –, que diligenciaram junto à Acesf para que o sepultamento do corpo fosse realizado a tempo e hora.




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sábado, 28 de janeiro de 2017

Especial 50 anos de casamento



Bodas de Ouro

(Astolfo O. de Oliveira Filho)

Amigos, num dia igual a este – 28 de janeiro – mas cinquenta anos atrás, Célia e eu nos casamos. A foto abaixo não nos deixa mentir. Célia estava linda, como linda sempre esteve desde o dia em que nos conhecemos. Isso se deu em 1960, quando a primogênita de minha irmã Anita era ainda um bebê. 
Ocorre que a primeira impressão que ela teve de mim foi péssima. Ela mesma me contou. O motivo é hilário. O bebê estava com o rosto muito vermelho, até hoje não sei por quê. Talvez uma alergia. Anita a conduzia num carrinho próprio para crianças pequenas; Célia estava com ela. Eram cunhadas, e eu ainda não fazia parte de sua família, mas duas irmãs lá de casa, sim. Anita primeiro, depois a Eunice, casaram-se com Jésus e Adilson, irmãos da Célia.
Vendo a Anita e o bebê, aproximei-me e fiz o seguinte comentário: “Nossa! Como a Mariângela é vermelhinha!” Minha futura esposa, que não me conhecia até aquele dia, falou de si para consigo, sem que ninguém a ouvisse: “Que moço tolo! Será que ele não vê que o bebê está doente?!”
Era o amor que se manifestava, mas ela ainda não sabia... Digo isso porque poucos meses depois, nas férias de julho de 1960, começamos aquilo que antigamente era chamado de namoro, coisa que os jovens de hoje não conhecem. Ela havia feito no mês anterior apenas 15 anos.
Mas foi um namoro de altos e baixos. A menina era muito brava! Por qualquer coisa, terminava tudo. “Era definitivo”, dizia ela, e exigia que lhe devolvesse até os retratos que carinhosamente me havia dado...
Assim as coisas caminharam por dois anos e meio, até que chegou o momento da despedida, que tudo indicava ser, essa sim, definitiva.
Findo o ano de 1962, seus pais decidiram que ela iria para um internato católico, dirigido por freiras, na cidade mineira de Rio Novo, onde por três anos cursaria a chamada Escola Normal, em que se formavam antigamente  os professores do curso primário. E ela foi, enquanto na mesma ocasião decidi vir para o Paraná, a 1.160 km de distância de nossa cidade natal, onde um novo trabalho profissional e a faculdade de Ciências Econômicas me esperavam.
A distância e o tempo conseguem fazer muita coisa, mas não são capazes de apagar a chama do amor, quando a chama existe.
Foi assim que no final de 1965, quando ela concluía a Escola Normal, ao receber o diploma de formatura, pôde exibir, radiante, para suas colegas o anel de noivado. E eu estava lá, para que suas companheiras de internato conhecessem quem era o autor das cartas que chegavam misteriosamente, driblando a vigilância das freiras, às mãos da jovem interna.
O noivado, que começou em dezembro de 1965 (foto ao lado), durou pouco mais de um ano. Mas que noivado!
Os jovens de hoje não sabem do que estou falando. O período de noivado é algo que deveria durar mais tempo. São dias de enlevo, de sonhos, de planos... a prenunciar os dias felizes que virão com o casamento, os filhos, os netos e até, como no nosso caso, os bisnetos. Já temos um, mas logo virão os outros.
Bodas de Ouro! Quem diria?
Jamais pensei que viveria tanto, porque os adultos da época de nossa juventude dificilmente chegavam aos 60, 65 anos.
O fato é que chegamos e só temos, neste dia especial, que agradecer. Agradecer a Deus, aos benfeitores espirituais, aos nossos pais e a todos os que concorreram para que neste dia pudéssemos de novo dizer um ao outro: - Eu te amo! E se pudesse voltar no tempo, faria tudo outra vez.





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