domingo, 30 de junho de 2024

 




O acaso na visão de Joanna de Ângelis

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Quem conhece e aceita a doutrina espírita sabe perfeitamente que o chamado acaso não existe, embora quase sempre, em conversa com as pessoas, o acaso seja mencionado quando algo inesperado ou inusitado deparamos.

Sim, é verdade! A ideia de que somente o acaso pode explicar certos acontecimentos de nossa vida é mais comum do que se pensa. E desse pensamento não escapam nem mesmo os intelectuais, os jornalistas, os escritores e muitas pessoas que pelo que escrevem ou falam influenciam multidões.

Ao suposto acaso o historiador austríaco Erik Durschmied dedicou o livro Fora de Controle – Como o Acaso e a Estupidez Mudaram a História do Mundo, no qual menciona, entre outros exemplos, que a decisão de despejar a primeira bomba atômica sobre Hiroshima foi fruto de puro acaso. Teria sido o mau tempo que, segundo ele, poupara da destruição outras cidades, o que levou o historiador a concluir: “Por um capricho da natureza, uma cidade foi escolhida para ser destruída”.

Tema de vários estudos de pensadores espíritas encarnados e desencarnados, o acaso, no entanto, não existe.

Jâmblico, filósofo neoplatônico assírio, que viveu entre os anos 245 e 325, já afirmava, tantos séculos atrás, que nem acaso nem fatalidade existem, mas sim a aplicação de uma justiça inflexível que regula a existência de todos os seres.

Se alguns se veem em meio a aflições, dizia Jâmblico, isso não se dá em virtude de uma decisão arbitrária da Divindade, mas como consequência inelutável de faltas anteriores, antecipando-se desse modo à doutrina espírita, que nos ensina que a vida é causal, não casual, embora no planeta em que vivemos existam vicissitudes decorrentes das provas a que estamos submetidos, e não apenas de expiações. É por isso que a Terra é chamada pelo Espiritismo de mundo de provas e expiações.

Os Espíritos influiriam então em certos acontecimentos da vida?

Sim, quanto a isso, ensina o Espiritismo, não existe nenhuma dúvida e aí se encontra um dos motivos da realização de certas coisas aparentemente casuais – o inesperado, o insuspeitável, o imprevisível –, como Joanna de Ângelis explana no texto seguinte, extraído do cap. 3 de seu livro Alerta, obra psicografada por Divaldo P. Franco:

“O imprevisível é a presença divina, surpreendendo a infração.

“O insuspeitável pode ser considerado como a interferência divina sempre vigilante.

“O inesperado deve ser levado em conta como a ocorrência divina trabalhando pela ordem.”

Quando o táxi não pôde prosseguir porque algo no carro ocorreu, fazendo com que o passageiro perdesse o voo e não fizesse a viagem considerada inadiável, o aborrecimento momentâneo logo seria substituído pelo alívio ao ser divulgado que, minutos depois da decolagem, o avião precipitou-se no oceano.

O leitor já assistiu pela TV a relatos desse tipo?

Se nunca viu, certamente é porque não assiste aos noticiários.

 

 



 

 

  

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sábado, 29 de junho de 2024

 




Qual é o correto: “O show contou com as presenças de Gil e Caetano” ou “O show contou com a presença de Gil e Caetano”?

A regra, pouco conhecida de todos, recomenda que, quando uma propriedade se refere a duas ou mais pessoas, o vocábulo deve ficar no singular.

Eis alguns exemplos:

- O show contou com a presença de Gil e Caetano. (E não: ........ as presenças.)

- A polícia apurou a identidade dos mortos.

- No domingo ocorre a volta de Gabi e Arrascaeta ao time do Flamengo.

- Todos aguardam o comparecimento do prefeito e do governador.

- O time sentiu a ausência de João e Thiago.

 

*

 

Algo parecido ocorre quando nos referimos às partes do corpo de um grupo de pessoas, as quais devem ficar no singular:

- Todos os presentes balançaram a cabeça. (E não: ............ as cabeças.)

- O coração dos brasileiros pulsou acelerado na hora do pênalti.

- Todos os alunos daquela escola tiveram problemas no estômago.

 

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/06/como-devemos-dizer-maria-possui-quatro.html

 

 

 

 

 

 

 

 

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sexta-feira, 28 de junho de 2024

 




Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 21

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo será publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. A quem se deve a primazia de haver narrado o primeiro exemplo de “correspondência cruzada” obtida espontaneamente? 

B. É certo que a telepatia implica a existência de duas pessoas em ação? 

C. Por que o fenômeno chamado de “correspondência cruzada” não pode ser explicado simplesmente pela telepatia? 

 

Texto para leitura

 

302. O primeiro exemplo de “correspondência cruzada” obtida espontaneamente, isto é, sem que ninguém a tivesse desejado ou nela houvesse pensado, é narrado pela Sra. De W.:

Ao principiar a sessão, às escuras, de 22 de agosto, a Sra. T. apanha papel e lápis e logo observa: “Parece-me que algum espírito já se apoderou do lápis, pois sinto a mão como que morta”, respondendo eu: “Tanto melhor. Então me abstenho de acender a luz.” Passada meia hora, ilumino a sala e percebo, traçadas numa folha de papel, algumas linhas escritas, mas ao lê-las, verifico que se trata de duas frases tão incoerentes que, se não tivesse lido, no fim delas, um aviso para guardá-las cuidadosamente, eu as teria rasgado, sem mais exame. No dia seguinte, recebi de Wimereux a seguinte carta, na manhã de um sábado: “Apenas duas palavras para acompanhar a comunicação da noite de ontem. Sinto-me muito cansada, porque não dormi a noite inteira. É a primeira vez, desde que me acho em férias, que me acontece semelhante fato e pergunto a mim mesma se a causa não seria uma experiência tentada por “Rodolfo”. Observo, porém, que no começo da sessão, tinha uma forte dor de cabeça que já no fim desapareceu; todavia, hoje de manhã sinto-me esgotada.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

303. Eis a comunicação de “Rodolfo”, dirigida à Sra. De W.:

“Eis-me aqui, minha amiga. Esta noite proponho-me a ir e vir de um grupo ao outro, por meio dos filamentos fluídicos que teci, de maneira que escreverei a minha mensagem ora com a mão da médium R. e ora com a mão da médium T., subtraindo fluido da primeira para adicionar à segunda, a fim de chegar a escrever com a mão desta última.

Estou muito satisfeito com o bom êxito de nossas experiências e devo participar-vos que aqui se encontram condições bem favoráveis para tentá-las. A senhorita R. vive em um ambiente completamente... (Aqui a mão se detém e eu espero muito tempo. Depois “Rodolfo” recomeça.)

... próprios deveres quotidianos e dificuldades a vencer. Se assim não fosse, eu não teria tentado estas experiências. “Carlos” ajuda-me. Seu fluido tão doce e tão calmo... (Aqui se dá nova interrupção, que também dura muito tempo, e depois “Rodolfo” recomeça.)

... que poderiam perturbá-la. Por esta noite basta, senhorita R., e, portanto, me proponho a restabelecer a corrente. Boa noite aos amigos dos dois grupos. Rodolfo.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

304. As duas frases interrompidas, recebidas no grupo de Paris pela Sra. T., eram estas:

“... diferente do seu. Toda preocupação é deixada de parte e ela não é mais afligida pelo pensamento penoso dos ...

... isola a nossa preparação fluídica contra as correntes perniciosas, ...” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

305. Nota-se, portanto, que, intercalando essas duas frases nos pontos em que se deram as interrupções na mensagem escrita pela senhorita R. em Wimereux, obtemos a seguinte mensagem completa: “A senhorita R. vive em um ambiente completamente diferente do seu. Toda preocupação é deixada de parte e ela não é mais afligida pelo pensamento penoso dos próprios deveres quotidianos e dificuldades a vencer. Se assim não fosse, eu não teria tentado estas experiências. “Carlos” ajuda-me. Seu fluido tão doce e tão calmo isola a nossa preparação fluídica contra as correntes perniciosas, que poderiam perturbá-la.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

306. Tais são os fatos. Acrescento que no começo da sessão do dia 22 de agosto a Sra. T. havia dito à Sra. De W.: “A Srta. R. está-me escrevendo, mas deve estar sofrendo dor de cabeça, porque leva constantemente a mão esquerda à testa e tem os cabelos soltos.”, o que lhe foi inteiramente confirmado posteriormente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

307. Eis um segundo exemplo deste gênero:

Na sessão de 16 de setembro, a médium Sra. T. assinala um ir e vir de dois “núcleos luminosos”, que representam os espíritos, e sente que se preparam para fazê-la escrever. E, de fato, escreve ela as seguintes frases destituídas de sentido aparente:

... prudentes como um convento de jovens educandos ... (longa interrupção).

... seus grandes olhos tão doces estão habituados a ver passar ... (nova interrupção).

... a moderna cortesã, cujos olhos ... (outra interrupção, e nada mais).

Encerramos a sessão, pouco satisfeitos com seu resultado, porque o significado do que fora escrito era indecifrável; mas no dia seguinte recebemos de Wimereux algumas grandes folhas cobertas de escrita mediúnica da Srta. R., escrita à mesma hora em que a Srta. T. escrevia as frases também interrompidas. Tais folhas continham uma espécie de apólogo ditado mediunicamente por “Rodolfo”, no qual a significação dos períodos ficava suspensa em três pontos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

308. Intercalando as interrupções às três frases incoerentes, obteve-se a seguinte narração com o título “As cervas do bosque”:

“Atravessando as densas moitas dos nossos parques, nunca vos encontrastes com as cervas que ali habitam por entre as densas folhagens, ora prudentes, como um convento de jovens estudantes bem comportadas, ora tímidas, medrosas, fugindo aos saltos, em bandos compactos, porém mais graciosas, mais sedutoras do que nunca? Nunca vos perguntastes em que pensam essas belas criaturas e qual é o destino que as espera? Longe de mim a ideia de traçar-lhes o horóscopo, do qual não saberiam elas o que fazer, mas me parece que a sua mentalidade deve ser muito diversa da que anima as cervas selvagens das matas. Seus grandes olhos tão doces estão habituados a ver passar estranhos carros que voam sem cavalos e, dentro dos carros ou pelas veredas dos bosques, estão acostumadas a divisar mulheres de grandes olhos semelhantes aos seus, mulheres delicadas, lânguidas, elegantes. Quem nos poderia dizer se a moderna cortesã, cujos olhos parecem desmesuradamente grandes pela obra genial de um pincel, não seria uma cerva da mata que já não se recorda do passado?”

“Cara amiga, tive alguma dificuldade em levar a cabo esta minha experiência porque a Srta. R. a buscava compreender, porém creio que o consegui. Rodolfo.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

309. Da mesma fonte, eis outro exemplo:

No dia 5 de setembro, antes de se apagarem as luzes, a Sra. T. e eu pegamos juntas o lápis, como nos havia sido indicado fazer, de modo que a mão esquerda da Sra. T. se sobrepôs à minha direita, que escreveu a seguinte frase: “Designa, em uma folha de papel, com uma só palavra, o tema que deseje que eu vá imediatamente desenvolver com a Srta. R.” em Wimereux.

Tiro uma folha do caderno que se acha em minha frente, reflito um instante e depois escrevo a palavra “sonho”.

Nesse ínterim a Sra. T. havia saído da sala e ficara fora todo o tempo que eu levara a pensar no tema a escolher. Quando voltou, eu já havia fechado no cofre a folha de papel em que escrevera a palavra “sonho”, folha que ninguém mais viu até chegar de Wimereux a carta correspondente.

Reentrando, nota a Sra. T. que desaparecera um dos “núcleos luminosos”. No dia seguinte, chega de Wimereux um grande envelope contendo algumas folhas, com a seguinte comunicação:

“Tenha paciência, Srta. R. Era preciso que eu arranjasse todas as coisas para a nova experiência. Espere um pouco. Neste momento estou muito ocupado. Não me faça perguntas. Quando estiver pronto, partirei.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

310. Depois de algumas garatujas do lápis, a comunicação continua:

“Cara amiga, não te direi com que sonham as meninas, pois isto não poderia interessar-te muito, tanto mais que já o disse De Musset em forma um tanto leviana, como era usual na literatura de seu tempo. Dir-te-ei antes que, por volta da meia-noite, quando adormeces, o espírito levanta voo para regiões mais ou menos encantadas, segundo os casos. Um de nós te estende a mão para ajudar-te a transpor a fronteira fluídica que separa o estado consciente do estado de sonho e empregamos o nosso melhor esforço a fim de auxiliar-te a transpor rapidamente a região de nevoeiro que não te poderia proporcionar prazer. Em outros termos, conduzimos-te a nós, às regiões encantadas, cuja lembrança se apaga logo de tua memória. Não te deves, porém, queixar da lacuna que fica, pois que, para recordar os sonhos de tal natureza é necessária uma têmpera muito mais impressionável do que a tua. Se conservasses a recordação das belezas entrevistas em nossa morada, a existência terrena se tornaria repulsiva a ti. Quando algumas vezes te levantas pela manhã, triste e desanimada, é porque, no fundo de tua consciência, persiste uma lembrança inconsciente de um país encantado, que, com as sombras da noite, desaparece de ti.

Cara amiga, não te parece que “Rodolfo” se torna um literato de fundo terrestre, embora trate de assunto astral? Sou eu mesmo quem dita as reflexões expostas, porque “Carlos” neste momento não está aqui em Wimereux e sim junto de ti, em Paris. Tudo isto eu escrevi para limitar-me ao tema que me propuseste. Até outra vez. Rodolfo.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

311. Ao relato dos fatos, o Dr. Geley faz considerações muito interessantes, das quais extraio o trecho seguinte:

O que se depreende destas experiências? Um fato primordial, cujas consequências filosóficas são discutíveis, mas que se impõe à atenção. O fato é o seguinte: Nas “correspondências cruzadas” tudo concorre para presumir que uma inteligência autônoma, independente do médium e dos assistentes, tenha tomado a iniciativa das experiências no sentido de prepará-las, dirigi-las e levá-las a bom termo.

Toda vez que se refletir convenientemente sobre as experiências em exame reconhecer-se-á que tais conclusões se impõem irresistivelmente. Poder-se-ia talvez manter conclusões ilusórias? Não! De qualquer modo reconheço que não poderia excluir, sem reservas, a hipótese telepática e isto pela boa razão de não conhecermos, ou melhor, de não podermos estabelecer limites à telepatia. De qualquer modo, na circunstância do caso exposto, tal hipótese acha-se à frente de dificuldades insuperáveis.

Convém observar, a propósito, que as duas médiuns nunca haviam feito experiências juntas e que as relações existentes entre elas, puramente de conhecimento, não implicavam uma simpatia particular entre si, o que, de resto, não basta para excluir-se a hipótese telepática. Mas eis o que torna o caso mais grave: esta hipótese, na aparência tão simples, impõe, ao contrário, excessivas complicações ao nosso caso. Procuremos, portanto, analisar praticamente, de que modo se deveria ter desenvolvido uma ação telepática nas circunstâncias em exame.

Como se sabe, a telepatia implica a existência de duas pessoas em ação: uma ativa, outra passiva; uma transmissora, ou melhor, emanadora, se nos permitirem este neologismo, outra receptora. De que forma, então, se realizaram tais atribuições nas experiências de Wimereux?

Nos casos das “correspondências cruzadas” ou simultâneas, parece logicamente impossível atribuir-se o papel de agente ativo a uma ou outra das médiuns, visto que ambas ignoravam a ideia, a natureza, o conteúdo das mensagens que escreviam e que ambas eram incapazes de compreender, isoladamente, o sentido e o fim de tais mensagens. Na realidade, ambas se portavam literalmente como duas máquinas postas em ação por uma direção única e por uma inteligência independente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. A quem se deve a primazia de haver narrado o primeiro exemplo de “correspondência cruzada” obtida espontaneamente? 

Segundo Bozzano, devemos o relato à Sra. De W. O autor da comunicação teria sido “Rodolfo”, nome com que se apresentava determinado Espírito. A explicação do fenômeno pode ser deduzida por esta informação prestada por ele à Sra. De W.: “Eis-me aqui, minha amiga. Esta noite proponho-me a ir e vir de um grupo ao outro, por meio dos filamentos fluídicos que teci, de maneira que escreverei a minha mensagem ora com a mão da médium R. e ora com a mão da médium T., subtraindo fluido da primeira para adicionar à segunda, a fim de chegar a escrever com a mão desta última”. Vê-se que as lacunas existentes numa mensagem e supridas na outra não foram fruto do acaso, mas criadas de caso pensado. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

B. É certo que a telepatia implica a existência de duas pessoas em ação? 

Segundo o Dr. Geley, citado por Bozzano, sim. A telepatia implica a existência de duas pessoas em ação: uma ativa, outra passiva; uma transmissora, ou melhor, emanadora, outra receptora. É isso que caracteriza o fenômeno telepático. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

C. Por que o fenômeno chamado de “correspondência cruzada” não pode ser explicado simplesmente pela telepatia? 

Bozzano cita neste livro as considerações feitas pelo Dr. Geley, que entende que nas “correspondências cruzadas” por ele examinadas tudo concorre para presumir que uma inteligência autônoma, independente do médium e dos assistentes, tenha tomado a iniciativa das experiências no sentido de prepará-las, dirigi-las e levá-las a bom termo. Nas experiências em causa, ambas as médiuns ignoravam a ideia, a natureza, o conteúdo das mensagens que escreviam e eram, portanto, incapazes de compreender, isoladamente, o sentido e o fim de tais mensagens. Na realidade, elas portavam-se literalmente como duas máquinas postas em ação por uma direção única e por uma inteligência independente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo F)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 20 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/06/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_01589987253.html

 

 

 

  

 

 

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quinta-feira, 27 de junho de 2024

 



CINCO-MARIAS

 

Mãe doente, filho pequeno

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com



Toda criança no mundo

deve ser bem protegida

contra os rigores do tempo

contra os rigores da vida.

Ruth Rocha

 

João tem 7 anos e soube recentemente que sua mãe está gravemente doente. Como psicanalista, acompanho a mãe do menino e a ajudei a encorajar o filho a expressar seus sentimentos, medos e preocupações.

A doença de um dos pais é um grande desafio para o próprio casal, em primeiro lugar. E é preciso que eles a aceitem primeiro, antes de tentar explicá-la aos filhos de uma maneira adequada. Embora existam muitas maneiras de contar essa situação às crianças, é importante encontrar a forma mais apropriada e, na maioria das vezes, sem esperar a “hora certa”, porque talvez ela não exista…

As crianças confiam naturalmente que os pais sempre estarão com elas, nos bons e nos momentos difíceis. A doença de um dos pais pode ser um dos momentos mais duros de sua vida. Como explicar que a mãe ou o pai está doente de uma forma que a criança possa aceitar essa situação da melhor maneira possível?

De início, é fundamental sanar com o médico todas as dúvidas possíveis sobre a doença e suas consequências. Ainda, o médico pode ajudar a estruturar a explicação que o casal poderá oferecer aos filhos, bem como sanar as possíveis dúvidas que possam surgir depois...

Quando um dos pais está enfermo, no geral vivencia mudanças emocionais e físicas, e que as crianças certamente notarão. Elas se sentirão mais seguras se souberem os motivos dessas mudanças. A quantidade de informações sobre a doença e a transparência/profundidade sobre o nível de gravidade dela devem ser adaptadas à idade e maturidade da criança. Enquanto a maioria das crianças se adapta rapidamente a essas mudanças, para algumas isso é mais complicado e os pais necessitam atuar com paciência e afeto no dia a dia da casa.

O que é essencial? Que sejam os pais que contem às crianças o que está acontecendo. Atenção e comunicação honesta tornarão mais fácil a aceitação da notícia. As explicações dadas às crianças sobre a doença devem ser adaptadas à sua idade, utilizando linguagem apropriada à sua maturidade e considerando o fato de que quanto menor elas são, menos compreensão elas têm. Nesse sentido, o auxílio do médico (ou de uma pessoa com uma boa capacidade de comunicação com a criança) será vital para a construção da explicação dada à criança. Ainda, é essencial evitar metáforas, pois as crianças costumam entender as coisas de forma literal…

Por mais que a conversa comece a partir do adulto, é muito importante dar espaço para a criança falar ou fazer perguntas. Não existe certo ou errado, mas a ideia é sempre oferecer a escuta, buscando entender o que a criança quer saber, do que ela tem medo. E isso mediado por uma linguagem adequada ao desenvolvimento dela.

Na nossa última sessão, a mãe do João me contou que se emocionou muito com as palavras escritas no cartão que foi feito com carinho pelo filho: “mãe, eu te amo e fique bom logo”.


Notinhas

As crianças de 2 a 3 anos precisam saber apenas que a mãe ou o pai não está bem, que está doente. Como nesta idade as crianças ainda não são capazes de expressar seus sentimentos, é importante tentar notá-los observando no dia a dia o seu comportamento.  As crianças de 3 a 5 anos temem se separar de seus pais. Se a mãe ou o pai precisar ser internado em um hospital e as crianças terão de ser cuidadas por outra pessoa, é importante que isso seja bem explicado para elas. Embora nesta idade as crianças já entendam o que é estar doente, não conseguem compreender ainda a diferença entre uma doença leve e outra grave. Crianças de 6 a 11 anos podem entender uma explicação simples sobre o que é a doença e como ela afeta o corpo. Descobrir o que eles já sabem e, a partir daí, estabelecer a explicação, pode ser uma alternativa. É importante que os pais incentivem a expressão de suas emoções, medos e preocupações.

Durante a adolescência (entre os 12 e os 17 anos), os filhos são capazes de compreender a complexidade da doença sofrida pelos pais e os tratamentos necessários, por isso é essencial que os pais sejam honestos e lhes forneçam informação suficiente, procurando não causar preocupação excessiva. Nessa fase é difícil para eles expressarem seus sentimentos, e é por isso que os pais têm que fazer esforços reiterados para encorajá-los a desabafar.

 

*

 

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 


 

 

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quarta-feira, 26 de junho de 2024

 



Revista Espírita de 1865

 

Allan Kardec

 

Parte 16

 

Prosseguimos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1865, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1865 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Benjamin Franklin era reencarnacionista?

B. Deus fornece aos homens as provisões materiais de que eles carecem?

C. Todos detemos a possibilidade de suavizar certos sofrimentos por meio da imposição das mãos?

 

Texto para leitura

 

182. A Revista reproduz do jornal Indépendant de Douai de 6 e 8 de julho de 1865 reportagem a respeito de manifestações de efeitos físicos ocorridas em Fives, perto de Lille, segundo a qual uma chuva de projéteis que caíam a certos intervalos quebravam vidraças de casas e atingiam até mesmo pessoas, sem que se pudesse determinar sua causa. Depois de alguns dias, em vez de pedras e pedaços de tijolos, passaram a cair moedas belgas, enquanto os móveis de uma das casas se moviam. (Págs. 230 a 233.)

183. Comentando o fato, Kardec lembra sua analogia com os fenômenos verificados em Poitiers, Marselha, Noyers e uma porção de outras localidades, observando que em presença de fatos tão contundentes e vistos por numerosas testemunhas a negação já não é mais possível. Os Espíritos disseram que manifestações de toda natureza iriam produzir-se em todos os pontos, e é o que fazem. Os incrédulos não pedem fatos? Ei-los! E têm a vantagem de não serem provocados. Se apesar disso não creem, que é que se pode fazer? (Pág. 233.)

184. A Revista focaliza o caso de duas crianças nascidas numa família de operários de Paris e atingidas, após o nascimento, de idiotia. Alfredo, o mais velho, então com 17 anos, fora normal até os três anos de idade. Após uma ligeira doença, perdeu o dom da palavra e as faculdades mentais. Paulino, de 15 anos, conservou a razão até os seis anos, quando adoeceu e passou pelas mesmas fases do irmão mais velho.  (Págs. 234 e 235.)

185. Em julho de 1865, reportando-se ao caso, Moki (Espírito) disse que os dois irmãos cumpriam juntos aquela expiação porque juntos estavam quando dos fatos que a motivaram. “Não esqueçais também – disse Moki – que os pais têm sua parte no que aqui se passa.” Mas eles deveriam ser felicitados por não haverem falido, porque essa compensação que não encontram neste mundo eles a encontrarão mais tarde. Os cuidados e a afeição que prodigalizam aos dois filhos bem poderiam ser uma reparação feita a eles, reparação que o estado de constrangimento da família tornava ainda mais meritória. (Pág. 236.)

186. Após transcrever o epitáfio que Benjamin Franklin redigiu e pediu fosse colocado em seu túmulo, Kardec destaca o fato de que Franklin, um dos principais vultos dos EUA, era reencarnacionista e não só acreditava em seu renascimento na Terra, como cria voltar ao mundo melhorado por seu trabalho. Eis o teor do epitáfio: “Aqui jaz, entregue aos vermes, o corpo de Benjamin Franklin, tipógrafo, como a capa de um velho livro cujas folhas foram arrancadas e cujo título e dourado se apagaram. Mas nem por isso a obra ficará perdida, porque há de reaparecer, como ele acreditava, em nova e melhor edição, revista e corrigida pelo autor.” (P. 237.)

187. Na seção de livros, a Revista alude ao livro O Manual de Xéfolius, obra atribuída a Félix de Wimpfen, guilhotinado em 1793, a qual se presume publicada em 1788. Embora seja anterior à codificação do Espiritismo, a obra traz inúmeras passagens concordantes com a doutrina espírita, como as referências à lei de causa e efeito, à reencarnação e à importância do amor na felicidade humana. (Págs. 237 a 241.)

188. Evocado na Sociedade Espírita de Paris, o autor do Manual de Xéfolius diz ter sido, em sua existência terrena, um médium inconsciente, como muitos que existem no mundo e não o sabem. A obra, portanto, não lhe podia ser atribuída com exclusividade, porque, ao escrevê-la, ele o fez na condição de instrumento, em parte passivo, do Espírito que então o dirigia. (Págs. 241 a 243.)

189. Duas dissertações mediúnicas encerram o número de agosto de 1865. Na primeira, intitulada “A chave do céu” e assinada pelo Espírito de Lacordaire, o instrutor trata de forma admirável do tema caridade, para ele “o sinal de nossa grandeza moral”, “a chave do céu”. Consolar aflições, por boas palavras ou por sábios conselhos, vale infinitamente mais que consolar por socorros materiais; mas a fome, o frio, a doença não se curam apenas com palavras: requerem algo mais daquele que presta o socorro. (Págs. 244 e 245.)

190. Lembrando que Deus, ao colocar o homem no mundo, fornece-lhe também as provisões materiais, de que carece, Lacordaire exalta a importância da caridade e o dever que temos de praticá-la. Se algo nos detém, não há dúvida: é o egoísmo, e Deus o descobre facilmente sob os falaciosos pretextos com que procuramos desculpar-nos. Despojados de nossa opulência, reapareceremos então outra vez na Terra, curvados ao peso da indigência e sofrendo do rico o desdém e a indiferença que no passado mostramos pelo pobre. (Págs. 245 e 246.)

191. Na parte final da mensagem, Lacordaire assinala os deveres que – independentemente da ajuda prestada aos pobres – temos para com os nossos familiares, a quem devemos ensinar que ninguém pode viver egoisticamente no mundo, mas, sim, sob a égide da solidariedade. “A justiça, diz Lamennais, é a vida; a caridade também é a vida, mais bela e mais doce.” A caridade é a vida dos santos, é a chave do céu. (Págs. 246 e 247.)

192. Dr. Demeure assina a segunda dissertação, intitulada “A fé”. Dizendo que a fé cega teve, durante muito tempo, sua utilidade e sua razão de ser, ele entende que hoje a fé se alia à razão, e ambas, juntas, impedirão que o homem se perca de novo nos caminhos da vida. “É a vossa época, meus amigos – diz o conhecido médico –; segui o caminho, Deus está no fim.” (Págs. 247 e 248.)

193. Um confrade de Lyon pediu a Kardec orientação a respeito da prática da mediunidade curadora pela imposição das mãos. Dizendo que o assunto fora esboçado no Livro dos Médiuns e em muitos artigos da Revista, e resumido no Evangelho segundo o Espiritismo, na parte que trata das preces pelos enfermos e dos médiuns curadores, Kardec lembra que o conhecimento da mediunidade curadora é uma das conquistas que devemos ao Espiritismo, mas que se liga ao magnetismo e abarca não apenas as doenças propriamente ditas, como também as numerosas variedades de obsessões. (Págs. 249 a 251.)

194. Eis de forma sintética os princípios fundamentais que, segundo Kardec, a experiência consagrou relativamente à mediunidade curadora: I – Os médiuns que recebem indicações de remédios da parte dos Espíritos não são médiuns curadores; são simples médiuns escreventes ou médiuns consultores. A mediunidade curadora é exercida pela ação direta do médium sobre o doente, com o auxílio de uma espécie de magnetização de fato ou pelo pensamento. II – O médium curador magnetiza com o fluido dos Espíritos, ao qual serve de condutor. O magnetismo produzido pelo fluido do homem é o magnetismo humano. O que provém do fluido dos Espíritos chama-se magnetismo espiritual. III – O fluido humano está sempre mais ou menos impregnado de impurezas físicas e morais do encarnado; o fluido dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e por isso tem propriedades mais ativas, que acarretam uma cura mais pronta. Daí a necessidade absoluta que tem o médium curador de trabalhar a sua depuração moral, segundo o princípio vulgar: “limpai o vaso antes de vos servirdes dele”. IV – O fluido espiritual será tanto mais depurado e benfazejo quanto mais o Espírito que o fornece for puro e desprendido da matéria. O fluido emanado de um corpo malsão pode inocular princípios mórbidos no magnetizado. As qualidades morais do magnetizador, isto é, a pureza de intenção e de sentimento, o desejo ardente e desinteressado de aliviar, aliados à saúde do corpo, dão ao fluido um poder reparador que pode, em certos indivíduos, aproximar-se das qualidades do fluido espiritual. V – Gastando o seu próprio fluido, o magnetizador se esgota e se fatiga, pois dá de seu próprio elemento vital. O fluido espiritual, mais poderoso, em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos. Não sendo esse fluido do magnetizador, resulta que a fadiga é quase nula. VI – O Espírito pode agir diretamente sem intermediário sobre as pessoas. Caso aja por um intermediário, trata-se da mediunidade curadora. VII – O médium curador recebe o influxo fluídico do Espírito, ao passo que o magnetizador tudo tira de si mesmo. Os médiuns curadores, na estrita acepção da palavra, isto é, aqueles cuja personalidade se apaga completamente ante a ação espiritual, são extremamente raros, porque essa faculdade, elevada ao mais alto grau, requer um conjunto de qualidades morais raramente encontradas na Terra. Só esses podem obter, pela imposição das mãos, essas curas instantâneas que nos parecem prodigiosas. Essa faculdade é o privilégio exclusivo da modéstia, da humildade, do devotamento e do desinteresse. VIII – Sendo a mediunidade curadora uma exceção aqui na Terra, resulta daí que, nessas tarefas, existe quase sempre ação simultânea do fluido espiritual e do fluido humano. Todo magnetizador pode tornar-se médium curador, se souber fazer-se assistir por bons Espíritos. Neste caso os Espíritos lhe vêm em ajuda, derramando sobre ele seu próprio fluido, que pode decuplicar ou centuplicar a ação do fluido puramente humano. IX – Nenhuma vontade pode constranger os Espíritos a participar dessa tarefa. Eles se rendem à prece, se fervorosa, sincera, mas nunca por injunção. X – Reconhece-se o médium curador pelos resultados que obtém e não por sua pretensão de o ser. XI – A vontade, embora ineficaz quanto ao concurso dos Espíritos, é onipotente para imprimir ao fluido uma boa direção e uma energia maior. No homem mole e distraído, a corrente é mole, a emissão é fraca. No homem de vontade enérgica, a corrente produz o efeito de uma ducha. XII – A prece, quando fervorosa, ardente, feita com fé, produz o efeito de uma magnetização, que dirige ao doente uma salutar corrente fluídica. XIII – Embora a mediunidade curadora pura seja privilégio das almas de escol, a possibilidade de suavizar certos sofrimentos, e mesmo de os curar, é dada a todos, sem que haja necessidade de ser magnetizador. O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, mas não indispensável. Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, basta muitas vezes impor as mãos sobre a dor para a acalmar. É o que pode fazer qualquer pessoa, se tiver fé, fervor, vontade e confiança em Deus. Apenas a ignorância de alguns lhes faz crer na influência desta ou daquela fórmula. XIV – Não há médiuns curadores universais. Este terá restituído a saúde a um doente e nada fará ao outro. XV – A mediunidade curadora é uma aptidão, como todos os gêneros de mediunidade, inerente ao indivíduo. Ela se desenvolve pelo exercício, mas sobretudo pela prática do bem e da caridade. XVI – A mediunidade curadora racional está intimamente ligada ao Espiritismo, visto que repousa essencialmente no concurso dos Espíritos. Os que não creem nos Espíritos, nem na alma e, ainda menos, na eficácia da prece, não se colocam nas condições requeridas para essa tarefa. (Págs. 251 a 255.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Benjamin Franklin era reencarnacionista?

Franklin, um dos principais vultos da história dos Estados Unidos, era reencarnacionista e não só acreditava em seu renascimento na Terra, como acreditava que voltaria ao mundo melhorado por seu trabalho. A prova disso é seu próprio epitáfio que pediu fosse posto em seu túmulo: “Aqui jaz, entregue aos vermes, o corpo de Benjamin Franklin, tipógrafo, como a capa de um velho livro cujas folhas foram arrancadas e cujo título e dourado se apagaram. Mas nem por isso a obra ficará perdida, porque há de reaparecer, como ele acreditava, em nova e melhor edição, revista e corrigida pelo autor.” (Revista Espírita de 1865, pág. 237.)

B. Deus fornece aos homens as provisões materiais de que eles carecem?

Lacordaire diz em mensagem publicada na Revista que Deus, ao colocar o homem no mundo, fornece-lhe as provisões materiais de que carece. Na mensagem, ele exalta também a importância da caridade e o dever que temos de praticá-la. Se algo nos detém, não há dúvida: é o egoísmo, e Deus o descobre facilmente sob os falaciosos pretextos com que procuramos desculpar-nos. Despojados de nossa opulência, reapareceremos então outra vez na Terra, curvados ao peso da indigência e sofrendo do rico o desdém e a indiferença que no passado mostramos pelo pobre. (Obra citada, pp. 245 e 246.)

C. Todos detemos a possibilidade de suavizar certos sofrimentos por meio da imposição das mãos?

Sim. Diz Kardec que, embora a mediunidade curadora pura seja privilégio das almas de escol, a possibilidade de suavizar certos sofrimentos, e mesmo de os curar, é dada a todos, sem que haja necessidade de ser magnetizador. O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, mas não indispensável. Como a todos é dado apelar aos bons Espíritos, orar e querer o bem, basta muitas vezes impor as mãos sobre a dor para a acalmar. É o que pode fazer qualquer pessoa, se tiver fé, fervor, vontade e confiança em Deus. (Obra citada, pp. 251 a 255.)  

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 15 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/06/revista-espirita-de-1865-allan-kardec_0545495125.html

 

 

 

 

 

 

 

 

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