quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pílulas gramaticais (254)




O uso de palavras ou expressões estrangeiras é considerado, do ponto de vista gramatical, um dos vícios de linguagem mais comuns no país em que vivemos. Algumas delas, de tão usadas, nem imaginamos sejam consideradas vícios de linguagem. Evidentemente, caso soubéssemos disso, não as usaríamos.
Veja estes exemplos:
•   Repetir de ano
•   Namorar com a Renata
•   Somos em cinco
•   Entrar de sócio
•   Chegar justo na hora
•   Pôr dinheiro em cima de
•   De domingo.
Os sete casos são exemplos de italianismos, para os quais existem construções vernáculas, isto é, próprias do nosso idioma, a saber:
•   Repetir o ano
•   Namorar a Renata
•   Somos cinco
•   Entrar como sócio
•   Chegar bem na hora
•   Gastar ou desperdiçar dinheiro com
•   No domingo, ou aos domingos.

*

Há verbos que, conforme o sentido da frase, são pronominais, isto é, devem ser usados com pronome. É o caso dos verbos assinar e vencer, nas acepções abaixo indicadas.
Exemplos:
Como é que você assina seu nome? Eu me assino Francisco.
Qual o vencimento do empréstimo? Ele se vence dia 21 de março.





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terça-feira, 25 de abril de 2017

Contos e crônicas




Começando a conhecer tudo o que já existe

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Tanto ainda me falta. De fato, imensurável medida para sentir mais a paz do que a sua ausência. No entanto, começo a valorizar várias coisas a mais do que antes não podia sequer observá-las. Há o azul do céu para apreciar as diferentes tonalidades, há incontáveis estrelas para unirem seus pontos para a criação de figuras extraordinárias no fundo azul-escuro. Há a extensão do demorado horizonte a perder-se no infinito. Há os dias para a vida, há as noites para o descanso dos dias. Há a vida. Há a luz. Há Deus, razão de tudo.
E quando o amanhecer brilha, nasce mais uma vez a gratidão por tudo, pelo pouquíssimo que vivi e pelo infinito a conhecer. Renova-se a vontade de ser mais acerto que desacerto, mais otimismo, mais compreensão, mais bondade, mais amor, mais esperança, mais realização e menos ansiedade, menos impaciência, menos erros repetidos, menos distância da luz, menos dor, menos orgulho, penumbra da simplicidade.
Ainda quando minha cabeça tende a curvar-se mais para o chão que para o céu, o sopro do vento encontra-se com meu rosto e acorda-me dando o novo ar que minha alma necessita, acordando-me para o brilho eterno da mais nobre criação divina. Então, desperta, recobro a força para continuar a caminhada, para conseguir olhar mais para o azul leve e menos para o cinza da árida estrada das minhas dificuldades.
E se o eterno azul não for o suficiente para a força que busco, haverá a água para matar-me a sede, refrescar e limpar meus poros, purificar-me após atravessar os campos de terra, ora de capim seco, até aproximar-me dos campos de lavanda, coloridos, caminhando até chegar aos Campos Elísios, onde poderei ser mais essência com as próprias características do espírito sem a interferência da matéria; no entanto, hoje a reencarnação é a minha melhor oportunidade.
Caso a água não seja ainda a decisiva impulsão para eu seguir, determinada, haverá a palavra amorosa que me abrandará e revigorará em mim o alicerce para o meu crescimento. Essas palavras poderão vir de pessoas amadas ou estranhas, mas desde que já tenham o amor no coração. Palavras simples e sinceras que me trarão luz e paz para continuar adiante.
Há a amizade que irradia uma energia tão benéfica com alegria e bem-estar, pois já se sabe que quem tem um amigo tem ouro para a alma. E amigo, não em número exagerado, sempre se encontra quando pudermos ser amigos também. O olhar carinhoso, o amparo desinteressado, o tempo que se encontra num amigo para ouvir-nos, sem dúvida, são toques benéficos que fortalecem a alma.
Então, quando penso que não sei o melhor caminho a percorrer, procuro observar e em todas as direções incessantemente Deus quer mostrar-me a luz com as inúmeras formas para crescer. E em todos os lugares e tempo, por mais sutis para o meu rústico ser, haverá a vida que somente deseja viver, a luz que precisa brilhar, o amor que só existe para amar. E as flores também me lembrarão dos infinitos gestos do amor de Deus.
A partir de agora andarei mais devagar a fim de apreciar a nobreza e valorizar as incomparáveis características que compõem a maior obra da criação.


Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 24 de abril de 2017

As mais lindas canções que ouvi (239)


Oceano

Djavan

Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão,
Dava pra ver o tempo ruir...
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim...

Enfim,
De tudo que há na Terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar.
Longe de ti tudo parou,
Ninguém sabe o que eu sofri.

Amar é um deserto
E seus temores.
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar,
Me dá teu calor!

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo.
Você deságua em mim
E eu - oceano -
Esqueço que amar
É quase uma dor...

Só sei
Viver
Se for
Por você...


As cifras desta música você encontra em: http://www.cifras.com.br/cifra/djavan/oceano

 


Você pode ouvir a canção acima, na voz dos intérpretes abaixo, clicando no link indicado:




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domingo, 23 de abril de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo


Crianças desencarnadas manifestam-se aos vivos?

Há em nosso meio muitas pessoas que perguntam se existem na literatura espírita exemplos de intercâmbio mediúnico entre nós e Espíritos que ostentem na vida espiritual a forma infantil.
Antes de examinar a questão, informamos que já participamos de inúmeras sessões em que Espíritos de crianças se manifestaram.
É óbvio que em casos assim, excluída a possibilidade de mistificação, podem ocorrer duas situações.
A primeira é a comunicação de Espíritos que se fazem crianças para poderem, com a linguagem própria da criança, atingir com maior facilidade as pessoas a quem se dirigem. É tal qual se dá nas comunicações dos chamados pretos-velhos que, mesmo tendo tido outras experiências antes e depois, preferem manifestar-se numa forma em que seu modo de falar, simples e aparentemente ingênuo, toca mais profundamente as pessoas.
A segunda situação é a comunicação de Espíritos que ainda conservam no plano espiritual a forma infantil, fato mencionado por diversos autores, como Cairbar Schutel (A Vida no Outro Mundo), Irmão Jacob (Voltei), André Luiz (Entre a Terra e o Céu), Emmanuel (Crianças no Além), Cláudia Pinheiro Galasse (Escola no Além) e o próprio Allan Kardec, o codificador do Espiritismo (Revista Espírita de janeiro de 1859).
Como exemplo da segunda situação podemos mencionar a mensagem assinada pelo jovem Marcos Hideo Hayashi, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier no dia 12 de dezembro de 1975, 10 meses após seu falecimento, ocasião em que Marcos contava apenas 12 anos. No acidente que o vitimou, também faleceram seus irmãos João Batista e Sheila, com 11 e 7 anos, respectivamente.
A mensagem de Marcos, adiante transcrita, faz parte do livro Crianças no Além:

Minha querida Mamãe, meu querido Papai.
Estou obedecendo ao meu avô Joaquim, que me trouxe para escrever. Peço para que me abençoem.
Querida Mamãe, a senhora pede notícias e rogou tanto, mas tanto, perante as orações, que me vejo aqui para trazer a esperança ao seu coração e fortalecer em meu pai a confiança na vida. Não sei como fazer isso direito: escrever falando o que se passa. Meu avô está me auxiliando, mas, por dentro de mim, estou como quem traz o pensamento tropeçando na vontade de chorar.
É preciso ser forte e ser um homem para receber um compromisso desses. Papai sempre nos ensinou que devemos ser valorosos com a luz da coragem na frente de nossos passos, mas é tanta dor para vencer, querida Mamãe, que eu não tenho forças para remover a situação.
Meu avô diz que não devo procurar desculpas e sim tomar o assunto sem mais demora. Por isso, quero dizer a você, Mãezinha, para confiar em Deus e na vida.
Papai é calado e tantas vezes sem manifestações iguais às nossas, mas para ele também estou garatujando esta carta. Rogo a vocês para não se deixarem dominar pelo sofrimento, embora este conselho deva ser ditado para mim mesmo. Estamos assim como num telefone direto, em que o fio do lápis vai formando as minhas palavras, sem que eu possa receber as palavras de meus pais queridos, ao mesmo tempo.
Sei tudo o que tem acontecido. Sei, Mãezinha, que a senhora, está sendo considerada uma pessoa em perturbação mental. Mas nós entendemos daqui as suas aflições. Três filhos esmagados quase ao chegarem em casa... E a nossa separação de repente. Isso transtornaria o cérebro de um gigante, quanto mais os nossos corações sempre ligados pelo carinho.
Desde que acordei aqui, ouço os seus gritos do coração suas palavras que não são faladas, suas preces de aflição no silêncio e suas lágrimas que aí na Terra ninguém vê... Mas peço à senhora, em nome da nossa Sheilinha, do João Batista e em meu nome, para viver e viver com fé em nosso reencontro.
Mamãe, se não fosse a falta que a gente experimenta de casa, se não fosse a voz da senhora e do papai por dentro de mim, eu diria que tudo está bem. Mas posso dizer agora que tudo melhorará, quando melhorarem na paciência e na confiança. Estamos num parque de crianças que vieram para cá apressadamente. Temos tratamentos, exercícios, lições e muito carinho. Muitos meninos já crescidos ajudam os menores e são auxiliares de enfermeiras queridas que nos amparam, como sendo filhos do coração. Temos repouso, mas o repouso é atravessado pelas recordações que se fazem tão vivas como se fossem relâmpagos coloridos e parados em nossas lembranças.
Nessas telas da alma, vemos o que se passa à distância e, além disso, suas vozes, Mãezinha, nos alcançam por todos os meios.
Peço a você - a você que é nosso querido anjo da guarda - entregar a Deus os acontecimentos de fevereiro. Não chore mais com desânimo e aflição. A senhora, sempre carinhosa e sempre imensamente boa para nós, não choraria mais com tanta angústia se visse a nossa querida Sheila cair de aflição, querendo ir ao seu encontro sem poder...
Ajude-nos, querida Mamãe.
Aqui temos muita gente dedicada ao bem. A Irmã Luiza nos abençoa - benfeitora que não conheci - e um santo a quem devemos chamar por Irmão Ukuru nos cerca de muito amor, quase todos os dias. O tio Diogo e o avô Joaquim são companheiros que tudo fazem por nosso auxílio. De tia Maria nada sei. Pergunto por ela, mas recebo apenas a notícia de que ela vai bem.
De certo modo ainda não estou muito em mim. Se tivesse de retomar os estudos aí em casa, creio que não seria possível. Tenho a cabeça assim aflita, como quem não saiu de um susto muito grande e não posso lembrar com muita insistência aquela Veraneio e nem a nossa casa em Perus, porque me sobe uma emoção ao cérebro que dá para tontear; mas o avô Joaquim me diz que tudo vai melhorar quando a senhora e papai estiverem mais fortes. Nós estamos todos unidos sem que eu saiba como é isso. O pensamento é uma força, mas não sei ainda explicar o que sinto.
Mamãe, não fique parando o olhar em nossas lembranças. Tudo o que foi nosso – de nós três - dê a outras crianças em nosso nome. Ficará para nós o coração inteirinho, porque a senhora, papai, João Batista, Sheila e eu não nos separamos.
Peça energias para nós nas preces do seu carinho de sempre. Mamãe, as lágrimas são forças de Deus em nossa vida, e por isso, nenhum de nós está livre de chorar, mas as nossas lágrimas devem ser orações de gratidão e amor, paz e fé.
Um dia estaremos todos juntos, mas não deseje vir para cá como quem força a entrada de uma casa desconhecida. Pouco a pouco, entenderemos as razões de tudo o que sucedeu. Rogamos para que a ninguém seja atribuída qualquer culpa pelo acidente. O veículo poderia estar sendo guiado por nós. Ninguém cria problemas de trânsito por vontade própria, como no caso em que nos vimos.
Mamãe, queremos a paz de todos. Ajudem, a senhora e meu pai, a termos paz.
Não se queixem. Vamos cultivar a saudade na igreja do amor ao próximo.
Temos tantos irmãos nas calçadas e nas ruas, pedindo auxílio! Sejam eles, filhos também de seu coração. Aqui, muitos pais de meninos desamparados oram conosco pelos filhos que sofrem no mundo, mas eu sei que a senhora e meu pai serão auxílio e bênção para esses meninos, filhos de tantos amigos bons que nos amparam aqui.
Não posso continuar.
Mamãe, abençoe os filhos que somos nós aqui, sem você, mas contando sempre com a senhora para ficar mais fortes. Deus nos auxiliará. Hoje, tenho mais fé.
Em nome dos irmãos e em meu nome, deixo a vocês, em casa, o nosso beijo de respeito e de amor. E recebam, com o abraço do avô Joaquim, todo o coração do filho, sempre filho reconhecido. (Marcos)

Finalizando, lembramos ao leitor o interessante caso que Allan Kardec intitulou “O Fantasma de Bayonne”, constante da Revista Espírita de janeiro de 1859, em que são relatadas as manifestações de uma criança desencarnada, registradas na residência de uma família de Bayonne, cidade localizada no Sul da França, perto da fronteira com a Espanha.
Para aclarar os fatos, Kardec evocou o autor espiritual das manifestações, o qual, ao aparecer na Sociedade Espírita de Paris, foi visto com os traços de uma criança entre 10 e 12 anos de idade, cabelos negros e ondulados, tez pálida, olhos negros e vivos, traços esses que coincidiam com os que foram descritos pela irmã do jovem desencarnado, quando de suas aparições feitas a ela. No diálogo com Kardec, o Espírito confirmou ser o irmão daquela jovem, desencarnado na idade de 4 anos.
O interessado em se inteirar de todos os pormenores desse caso pode fazê-lo consultando a própria Revista Espírita de 1859, que pode ser baixada também na Web. Eis o link que remete à edição mencionada: http://goo.gl/764b8v




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sábado, 22 de abril de 2017

Destaques da revista “O Consolador”




Encontra-se disponível na Web a edição semanal da revista O Consolador, cujos destaques vão abaixo relacionados, seguidos dos respectivos links:

Destaques da edição 513

Eis o link que remete à nova edição semanal da revista O CONSOLADOR.
Luis Otávio Henrique, presidente do C.E. Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, de Pongaí (SP), é o nosso entrevistado.
“Jovens se engajam cada vez mais com a espiritualidade.” (Giovana Campos)
No dia 29 começa em Caldas da Rainha mais uma Jornada de Cultura Espírita do Oeste.
“Na obra do bem, não é preciso muito para se obter resultados notáveis.” (Editorial)
Resposta a uma leitora: - Como proceder para conhecer melhor a doutrina espírita.
Veja o noticiário geral do movimento espírita no Brasil.
Anote e acompanhe os próximos eventos espíritas internacionais.
Há músicos no plano espiritual onde vivem os Espíritos desencarnados?
Qual é a importância do trabalho em nossa vida?
Céu, Inferno, Purgatório e Umbral são meros estados de consciência?
“O homem e a geração do futuro.” (Altamirando Carneiro)
“Abraça nos deveres diários o caminho da ascensão...” (Emmanuel)
“A necessidade da coerência.” (Anselmo Ferreira Vasconcelos)
Os Espíritos sabem perfeitamente o que ocorre em nossas vidas?
“Celebrando o Centenário” – como foi nas esferas espirituais. (Irmão X)
“Atitudes corretas?” (Guaraci de Lima Silveira)
“Os esforços de mudança de um menino arteiro.” (Meimei)
“Seria um incompreensível desperdício de espaço só haver vida na Terra.” (Jorge Hessen)
Consoante os ensinos espíritas, ninguém foge de si mesmo. Por quê? 
Chico Xavier e o caso do irmão embriagado que ele procurou evitar...
Reflexões sobre “A Parábola do Bom Samaritano”. (Marcos Paulo de Oliveira Santos)
“Sanktulo ne kondamnas pekinton, sed helpas lin sen aroganteco.” (Andreo Ludoviko)
Compliance e a cura.” (Marcus Braga)
Os Espíritos têm sexo?
Monera e mônada são sinônimos?
“O Cristo no trabalho cotidiano.” (Temi Mary Faccio Simionato)
“A igreja em casa.” (João de Deus)
“Nos caminhos da evolução: a transformação planetária.” (Wagner Ideali)





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Contos e crônicas


A adesão espírita de Machado

Mímese da crônica de 5 out. 1885 (Balas de estalo)

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Bem adivinham meus amigos onde estive nesta terça-feira. Fui assistir à excelente palestra de Haroldo Dutra Dias em comemoração do nascimento de Allan Kardec, ocorrido em 3 de outubro de 1804.
O orador esclareceu-nos sobre algo que eu ainda não sabia: Hippolyte Léon Denizard Rivail adotou o pseudônimo Allan Kardec, que foi o seu nome numa de suas encarnações passadas, como divisória entre sua missão de pedagogo renomado, na França, e a de Codificador da Nova Revelação ou Consolador Prometido por Jesus, que é o Espiritismo cristão.
Confesso minha verdade. Desde que assisti à palestra do Haroldo, distinto juiz e tradutor da versão grega do Novo Testamento, além de profundo conhecedor e divulgador da obra de Kardec, não mais tive qualquer dúvida: estava diante da Verdade, que viria dissipar todas as nossas dúvidas e permanecer para sempre conosco, como cumprimento da promessa de Jesus Cristo, anotada por João.
Eis a promessa de Jesus, registrada no Evangelho desse seu bem-amado apóstolo nos versículos 15 e 16 do capítulo 14: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.
Estava à porta do Espiritismo; a conferência de sexta-feira abriu-me a Sala da Verdade. Ante o que já havia lido e o que agora via e ouvia, não tive mais qualquer dúvida: converti-me, de toda a minha alma...
Terminada a exposição, entrei na fila do passe. Os fluidos recebidos por mim abriram ainda mais minha mente e, “de repente, não mais que de repente”, como diria o poetinha Vinícius de Moraes, percebi que
“Eu não tinha este rosto de hoje, /assim calmo, assim triste, assim magro, /nem estes olhos tão vazios, /nem o lábio amargo”. Mas essa é a primeira estrofe do poema de Cecília Meireles, intitulado Retrato, e, após identificar-me com essa descrição, percebi que eu já não era mais Machado de Assis e, sim, o conhecido escritor inglês Laurence Sterne, de quem, agora, copiava o modo galhofeiro de ironizar...
Que eu me lembre, já tive 1857 encarnações, a penúltima foi a desse inglês...
Sim, porque, como Sterne, estive “[...] firmemente persuadido de que cada vez que um homem sorri — mas, mais ainda, quando ele ri —  isso acrescenta algo a esse Fragmento de Vida”. [1] 
Sorrindo, olhei para um espelho, a ver se me via, e nada vi; estava totalmente espiritual. Foi quando o Espírito Zêus Wantuil surgiu e recomendou-me, livro em mãos: “Lê a obra intitulada As mesas girantes e o espiritismo, publicada pela FEB.” 
Eu estava diante do próprio autor desse livro exemplar, ou desse exemplar de livro, o que dá no mesmo.
Despertei do sonambulismo com o passista alertando-me: “Não digas a ninguém o que viste e ouviste até que tuas convicções se tornem inabaláveis”.
Fui para casa, abri O Evangelho segundo o Espiritismo e li, juro por Allan Kardec que tudo o que acabo de narrar é verdade; li que “Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão em todas as épocas da humanidade”. Não tive dúvida, fui à livraria da FEB, na Av. L2 Norte, em Brasília, e comprei o livro.
Não se esqueça, leitor, de que agora sou Espírito e, como tal, tempo e espaço não mais são barreiras para mim... 
Amigo leitor, eu vi, eu ouvi, eu senti. Acredite em mim... por Allan Kardec... pelo Espírito da Verdade. Pelo amor de Deus! Outra coisa: não despreze minha obra só porque me tornei espírita, mas ao contrário, leia a extraordinária literatura que, futuramente, os médiuns Zilda Gama, Chico Xavier, Yvonne Pereira e Divaldo Franco psicografarão e... “Não extingais o espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, retende o bem” (Paulo, 2 Tessalonicenses, 1;19 a 21).


[1] REGO, Enylton de Sá. O calundu e a panaceia: Machado de Assis, a sátira menipeia e a tradição luciânica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989, p. 81.







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