quinta-feira, 22 de junho de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




Objetivos da evolução e seu processo

Este é o módulo 33 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que podemos entender pela expressão estado de natureza?
2. Como os Espíritos progridem?
3. A marcha dos Espíritos é sempre progressiva?
4. Podemos dizer que o objetivo da evolução seja a felicidade terrestre?
5. Quem é o árbitro soberano de nosso destino?

Texto para leitura

O estado de natureza é a infância da Humanidade
1. O homem desenvolve sua caminhada evolutiva a partir de um estado primitivo ou estado de natureza. O estado de natureza, ensina a Doutrina Espírita, é o estado de infância da Humanidade, o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral.
2. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o Espírito não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não foi criado para viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório, e os Espíritos dele saem em virtude do progresso e da civilização.
3. É preciso, portanto, que o ser humano se desenvolva intelectual e moralmente, e é através da lei do progresso que se regula a evolução de todos os seres e de todos os mundos que giram no Universo.
4. O Espírito, contudo, só se depura com o tempo, pelas experiências adquiridas que as vidas sucessivas lhe facultam. Tendo de progredir incessantemente, ele não pode volver ao estado de infância. É Deus que assim o quer. Pensar que possamos retrogradar à nossa primitiva condição equivaleria a negar a lei do progresso.

A marcha dos Espíritos é progressiva
5. No estado de natureza o homem tem menos necessidades, sua vida é mais simples e menores são suas atribulações, pois se atém mais à sobrevivência e às necessidades fisiológicas. Há, porém, em todas as pessoas uma surda aspiração, uma energia íntima misteriosa que as encaminha para as alturas e as faz tender para destinos cada vez mais elevados, impelindo-as para o Belo e para o Bem.
6. É a lei do progresso, a evolução eterna, que guia a Humanidade através das idades e aguilhoa cada um de nós, visto que a Humanidade são as próprias almas que, de século em século, voltam à cena física para, com auxílio de novos corpos, preparar-se para mundos melhores em sua obra evolutiva.
7. A lei do progresso não se aplica apenas ao homem; abarca todos os reinos da Natureza, como já foi reconhecido por diversos pensadores. Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; no homem, acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.
8. A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Podem, em suas diferentes existências corpóreas, descer como homens, não como Espíritos.

O objetivo da evolução não é a felicidade terrestre
9. As reencarnações constituem uma necessidade inelutável para que se faça o progresso espiritual. Cada existência corpórea não comporta mais do que uma parcela de esforços determinados, após o que a alma se encontra exausta.
10. A morte representa um repouso, um intervalo, uma etapa na longa rota da eternidade, antes que nova encarnação se apresente para o Espírito, a valer como rejuvenescimento para o ser em marcha.
11. Paixões antigas, ignomínias, remorsos desaparecem, e o esquecimento cria um novo ser, que se atira cheio de ardor e entusiasmo no percurso da nova estrada.
12. Cada esforço redunda num progresso, e cada progresso num poder sempre maior, pois as aquisições sucessivas vão alteando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição. O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente creem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, o que só realizaremos por meio do trabalho, do esforço e de todas as alternativas de alegrias e de dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste.

Somos os construtores do nosso próprio destino
13. Somos, assim, o árbitro soberano de nossos próprios destinos. Cada experiência reencarnatória condiciona a que lhe sucede e, malgrado a lentidão da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente para alturas radiosas onde sentimos palpitar corações fraternais e entramos em comunhão sempre mais e mais íntima com a Potência Divina.
14. Os que ignoram tais verdades e nada fazem por melhorar-se chegam ao mundo espiritual na condição de Joaquim Sucupira, que abandonou o corpo aos sessenta anos, após viver arredado do mundo, no conforto precioso que herdara dos pais. Na Terra – refere Irmão X –  Sucupira falara pouco, andara menos, agira nunca...
15. Na pátria espiritual, embora pudesse locomover-se, havia perdido o movimento dos braços e das mãos. Um instrutor, ao examinar seu caso e ouvir suas queixas, disse-lhe com toda a franqueza: “Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas”.
16. E ante a careta do interlocutor amargurado, aditou: “É o talento não usado, meu amigo. Seu remédio é regressar à lição. Repita o curso terrestre”. “O que você precisa, Joaquim, é de movimento.”

Respostas às questões propostas

1. Que podemos entender pela expressão estado de natureza?
O ser humano realiza sua caminhada evolutiva a partir de um estado primitivo ou estado de natureza, que é, segundo a Doutrina Espírita, o estado de infância da Humanidade, o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral.
2. Como os Espíritos progridem?
Os Espíritos só se depuram com o tempo, pelas experiências adquiridas que as vidas sucessivas lhes facultam.
3. A marcha dos Espíritos é sempre progressiva?
Sim. A marcha dos Espíritos é sempre progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam.
4. Podemos dizer que o objetivo da evolução seja a felicidade terrestre?
Não. O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente creem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, o que só realizaremos por meio do trabalho, do esforço e de todas as alternativas de alegrias e de dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e chegado ao estado celeste.
5. Quem é o árbitro soberano de nosso destino?
Somos nós mesmos o árbitro soberano de nossos destinos. Cada experiência reencarnatória condiciona a que lhe sucede e, malgrado a lentidão da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente para alturas radiosas onde sentimos palpitar corações fraternais e entramos em comunhão sempre mais e mais íntima com a Potência Divina.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:




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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Pílulas gramaticais (262)



Para as pessoas que falam ao público – professores, palestrantes, repórteres, apresentadores de rádio ou TV –, eis uma ótima notícia oriunda das medidas que foram tomadas no Brasil em face do Acordo Ortográfico firmado pelos países que adotam oficialmente o idioma português.
Referimo-nos à pronúncia dos vocábulos adiante mencionados, os quais, a partir do Acordo, podem ser pronunciados com som fechado ou aberto na sílaba tônica, à escolha de quem fala:
acervo (ê ou é)
algoz (ô ou ó)
blefe (ê ou é)
bofete (ê ou é)
cervo (veado) (ê ou é)
coeso (ê ou é)
cornos (ô ou ó)
destra (ê ou é)
destro (ê ou é)
escaravelho (ê ou é)
forros (ô ou ó)
grumete (ê ou é)
obeso (ê ou é)
obsoleto (ê ou é)
poça (ô ou ó)
suor (ô ou ó)
topete (ê ou é)
trocos (ô ou ó).
Em caso de dúvida, sugerimos ao leitor que consulte diretamente o VOLP. Eis o link: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
Com a medida, ninguém mais estará sujeito a erro quando tiver de pronunciar a palavra “obeso” ou o vocábulo “obsoleto”, cuja pronúncia sempre suscitou dúvida.




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terça-feira, 20 de junho de 2017

Contos e crônicas


Uma estrela azul sob o céu

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

O chão era de terra não só ao redor do casebre, mas em quase toda a cidade, só mesmo bem no centro da cidade havia calçamento, e também era sujo de terra.
E no casebre número dezessete morava Shaira, uma menina africana de doze anos. Mais cinco irmãos, uns maiores e outros menores que ela, sua mãe e a avó materna também dividiam o local suspenso por frágeis estacas de madeira velha. Esse era o cenário de quase toda a cidade, com exceção do centro que era calçado e possuía construções de comércio e alguns estabelecimentos necessários para o funcionamento de uma pequena área de civilização.
A mãe trabalhava numa fabriqueta de costura. Cumpria quase doze horas diárias de trabalho para manter a comida para a família, uma mistura de farinha com água mais alguns legumes era prato rotineiro. A avó fazia uns bolinhos típicos da região a fim de conseguir um pouco de dinheiro para algum remédio ou comprar algo de quase tudo que lhes faltava.
Shaira era diferente dos outros irmãos e das crianças que por ali viviam. Era mais quieta e muito observadora. E adorava olhar para o céu quando a noite começava a chegar. Ficava encostada, se a deixasse, por horas, no batente da única porta do casebre e olhava tanto para aquele profundo céu com estrelas. Não se encantava muito pelas brincadeiras comuns do lugar. Mas ao mesmo tempo era cheia de ternura e muito carinhosa com sua família.
A avó muito a observava. Era uma senhora simples que exageradamente já havia trabalhado em sua vida. Desde criança era entregadora de água, ou seja, ela ia até a fonte, um lugar bem distante, enchia latas grandes de água e trazia para as pessoas que tinham alguma moeda para lhe dar. Com esse trabalho criou a filha e ajudou a criar os netos, mas ultimamente sentia, com dor e desconforto, o excesso cometido ao corpo ao longo dos anos. E os bolinhos agora podiam ajudar a renda. E a avó perguntava para Shaira:
‒ Minha neta, o que tanto olha para o céu?
‒ Eu gosto muito do céu, vó ‒ simplesmente a menina respondia e continuava com o olhar compenetrado.
A avó a olhava um pouquinho mais e voltava para os afazeres.
Durante o dia, Shaira ia à escola, ajudava em casa. A magia começava com o início da noite e continuava noite adentro, mas às dez horas já estava na cama junto com todos os irmãos.
A menina gostava muito de cantarolar uma música folclórica da região. Eram assim os versos que ela sempre repedia: “E um dia, quando for forte e grande, terei condições de salvar meu povo e subir para o céu”.
Naquele dia, última sexta-feira do mês, Shaira voltou da escola em companhia de seus irmãos e alguns coleguinhas, como sempre fazia. Quando ela e os irmãos chegaram, a comida estava pronta, a mistura de farinha com água mais alguns legumes; a avó é quem preparava, pois a mãe trabalhava na fabriqueta quase doze horas por dia.
Depois de lavarem as mãos, as crianças se sentavam num banco de madeira que havia no casebre. A avó lhes servia um prato de comida para cada um. Sem falatório, nem boca aberta, as crianças e a avó comiam com calma e muita educação. Esse comportamento era natural naquela família. Quando muito, durante a refeição, uma ou outra criança compartilhava algum acontecimento.
Alimentados, então era hora de cada um fazer o que deveria. E Shaira sempre lavava a louça do almoço. Assim também fez naquela sexta-feira. E depois da tarefa feita, ela pediu à avó se poderia ir à casa de uma amiga para as duas fazerem o trabalho da escola.
‒ Sim, minha neta. Mas tome cuidado ‒ falou a avó.
A menina deu um beijo no rosto da querida senhora e nos dos irmãos que ali estavam, pois dois deles já haviam saído para brincar. Pegou o material e foi para a casa da amiga.
O trabalho escolar consistia em criar uma poesia e declamá-la no dia da grande apresentação da escola. Alguns países fizeram uma aliança cultural, cujos vencedores das escolas participantes viajariam para um país europeu e apresentariam as poesias.        Então, Shaira chegou à casa da amiga Malika, que vivia numa situação financeira um pouquinho melhor. As duas eram muito amigas e decidiram se reunir para se ajudarem com o propósito da criação da poesia.
Sentadas à mesa, com lápis na mão e papel à frente. Só faltava mesmo a inspiração.
As duas começaram a rir. A graça de criança.
‒ Mas, Malika, precisamos ter ideia... precisamos saber sobre o que vamos escrever ‒ Shaira falou.
‒ É mesmo. Precisamos escolher o que queremos escrever ‒ pensou um pouco. ‒ Será que podemos colocar sobre qualquer coisa? ‒ a amiga perguntou.
‒ A professora falou que sim, mas que precisa ter sentimento, porque poesia não existe sem sentimento ‒ Shaira relembrou o que a professora havia explicado.
E aquela tarde foi a primeira das cinco que as duas se encontraram para tentar escrever a poesia. Malika finalmente escreveu sobre o amor que sentia por seu cão vira-latas de olhos cor de mel. Ela o amava, então, descreveu esse sentimento com simples e verdadeiras palavras.
No entanto, Shaira, na véspera do dia da entrega da poesia, ainda não havia terminado e muito menos poderia declamar algo que ainda não existia. Ela se despediu de Malika que lhe falou:
‒ Shaira, podemos dizer que escrevemos juntas a poesia e pedimos para declamar. O que acha?
Shaira a escutou com carinho e lhe falou:
‒ Malika, a professora disse que cada um precisa escrever a sua própria poesia. Desse jeito, nós duas ficaremos sem nota... e você já escreveu a sua... que ficou linda ‒  Shaira  falou com a delicadeza que lhe era tão própria.
‒ Gostaria que você já estivesse escrito uma bela poesia ‒ Malika falou.
‒ Sim... ‒ Shaira falou meio desanimadinha e logo foi embora.
Ela estava esperançosa que durante o caminho de volta tivesse uma ideia que a ajudasse com a poesia, mas ela chegou ao casebre e nenhuma ideia havia surgido.
E mais uma vez, Shaira chegou e ajudou a avó. A menina estava preocupada com o seu dever poético.
Terminada a ajuda, a menina foi admirar as estrelas. Seus olhos brilhavam com o encanto do céu. Mais do que nunca, ficou estática a buscar o entusiasmo criador. Precisava escrever uma poesia; a inspiração começou a surgir.
A menina, sem perder tempo, correu para o papel e o lápis. As palavras começaram a formar os primeiros versos, melodia, cadência, estrofação, tudo sem conhecimento de estrutura poética, mas com inteiramente o caminho do coração. Shaira começou a organizar o que já existia em seu sentimento, simplicidade foi dando forma. E não parou de escrever até colocar o ponto final no último verso.
Soltou o lápis sobre o papel. Os irmãos, aquela noite, estavam mais calminhos.
Pegou o papel e leu a poesia. Após a leitura seus olhinhos estavam marejados. Leu a sua própria emoção. Mas logo se lembrou de que não bastaria escrever, era necessário memorizar a poesia para, no dia seguinte, declamá-la e garantir, pelo menos, alguma pontuação para a nota final.
Sua família já estava dormindo. A avó e a mãe não se importavam em deixar uma luz acesa, pois sabiam do trabalho escolar. E, com determinação, a menina conseguiu, por mais uma hora, ler e tentar gravar a poesia; em seguida o sono e cansaço foram mais determinados que a jovenzinha.
Novamente o sol nasceu e o dia da apresentação chegou. A ordem para declamar seguia o livro de chamada. Shaira seria uma das últimas e, sentadinha, aguardava a sua vez na humilde sala de aula.
Alguns alunos eram mais aplaudidos que outros; finalmente chegou a vez da menina que se levantou e foi para a frente da sala. Levou a poesia escrita no papel que a criara. Ela sabia que não poderia ler, mas foi mais por segurança.
Um pouco tímida, começou. Não houve um barulhinho sequer durante a apresentação. Quando terminou, os aplausos foram muitos.
‒ Que poesia linda, Shaira – a professora falou.
‒ Obrigada, professora – a menina agradeceu.
‒ Adorei, Shaira – Malika abraçou a amiga. ‒ Eu estava triste por você, ainda ontem, não ter conseguido... Que bom... você conseguiu! ‒ Malika falou muito feliz.
‒ Sim, Malika, também estou muito feliz. Escrevi o que eu estava sentindo ‒ Shaira falou.
E por ser tão simples e sensível, a poesia de Shaira foi escolhida, entre as dos alunos da escola, para a declamação em um país europeu.
A menina, na companhia dos colegas e irmãos, voltou saltitando de alegria para casa. Também levou um pedido solicitando, no dia seguinte, a presença do responsável para as determinadas explicações e a autorização para Shaira poder participar do evento cultural em um país europeu que custearia todos os gastos. Seria também uma preciosa oportunidade para a menina conhecer novos lugares e pessoas, oportunidade até de iniciar uma nova vida.
No dia seguinte, a avó, com a procuração, chegou à escola na companhia da menina; a mãe não pôde comparecer, pois trabalhava quase doze horas diárias.
O professor, que também acompanharia Shaira, explicou à avó como seria a viagem, quanto tempo ficariam e o mais importante, além de todo gasto ser pago por um país europeu, a aluna receberia uma quantia em dinheiro pela participação. E a avó foi embora; Shaira ficou na escola. Mais tarde, o professor daria entrada à documentação necessária.
Como a cada dia tanto se resolve, após alguns amanheceres, chegou a manhã da viagem. A pequenina, com sua avó e irmão, chegou à escola um pouco adiantada do horário marcado.
A despedida foi emocionante.
Shaira nunca havia ficado distante de sua família... de sua avó querida. Mas eram apenas alguns dias e por um motivo tão feliz: a sensível poesia.
E lá no alto, o avião já recebia de mais perto os dourados raios solares. A menina estava sentadinha ao lado do atencioso professor e de uma professora acompanhante. Mais algumas horas e o avião tocou o solo em outro país, continente, com distinta cultura e valores.
Passada a noite, Shaira e os professores, após um delicioso café da manhã no hotel, foram levados ao maior colégio da cidade, onde aconteceria a apresentação com vinte alunos vencedores de diversos países.
O teatro do colégio estava lotado.
Vários alunos já haviam recitado quando Shaira foi apresentada.
‒ Recebam, com uma salva de palmas, a querida africana Shaira – foi o anúncio final do apresentador.
Shaira entrou no palco.
O público se aquietou.
A menina de doze anos estava diante de uma enorme plateia. Então, ela respirou fundo e começou a declamar sua poesia. Ela, assim, delicadamente começou:
“Gostaria tanto de pegar
uma estrela do céu.
Mas pensei... se eu pegá-la,
uma estrelinha deixará
de brilhar, pois em minha
mão não é o seu lugar.
Gostaria de ser uma estrela...
uma estrela azul,
poderia ver meu povo do alto;
mas se fosse assim,
estaria longe e não 
poderia ajudá-lo.
Gostaria de ser
uma colorida borboleta
para voar por todo
os espaços e ver do
que meu povo mais precisa,
mas eu seria muito frágil
para ampará-lo.
Poderia, então, ser
uma linda flor
perfumada para
ajudar as pessoas a
se sentirem melhor.
Mas uma flor tem
vida mais curta
e não poderia ajudar
muitas pessoas.
Então, posso continuar mesmo a ser...
Shaira, uma menina africana
de olhos verdes,
pois crescerei e o
brilho das estrelas
iluminará meu caminho;
como a borboleta,
terei sabedoria para
ir por todos os lados
e serei doce como a
flor para conversar com meu querido povo
e entendê-lo.
Somos o que devemos ser,
mas podemos nos melhorar sempre”.
O público começou a se levantar antes mesmo de a menina terminar sua declamação. Algumas pessoas se encaminharam para os corredores. E quando a menina, magrinha e muito simples terminou, ficou um pouco envergonhada no palco, sozinha.
Em segundos, os aplausos aumentaram. O público do corredor queria estar mais próximo da menina africana de olhos verdes e não ir embora por estar desinteressado. O som das almas e assovios aumentavam a cada segundo.
Aqueles olhos verdes estavam brilhantes da lágrima emocionada. Abraços e cumprimentos, Shaira perdeu a conta de tantos que recebeu. E mesmo com a apresentação posterior dos outros alunos, foi Shaira quem levou o troféu por sua linda poesia. Estava muito feliz, pois além de tantos bons momentos durante a viagem, ela receberia um prêmio em dinheiro e poderia comprar coisas muito necessárias para sua família, inclusive, o primeiro bolo de aniversário para sua avó que em três dias completaria setenta e dois anos.
Shaira, na verdade, já era uma estrela, uma flor e uma borboleta, pois irradiava luz, era profundamente sensível e também de uma grande sabedoria, a de amar e tanto querer ajudar o seu povo.
E lá do céu, a menina enxergava o pequenino universo onde morava. Estava cheia de planos. O avião aterrissou.
Os olhos verdes da menina se encontraram com sua família e seu povo. As estrelas do céu brilhavam forte depois de um dia de sol.

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

As mais lindas canções que ouvi (247)


Esperando na janela

Targino Gondim, Manuca Almeida e Raimundinho do Acordeom

Ainda me lembro do seu caminhar,
Seu jeito de olhar eu me lembro bem.
Fico querendo sentir o seu cheiro,
É daquele jeito que ela tem.
O tempo todo eu fico feito tonto,
Sempre procurando, mas ela não vem.
E esse aperto no fundo do peito,
Desses que o sujeito não pode aguentar.
Esse aperto aumenta meu desejo
E eu não vejo a hora de poder lhe falar...

Por isso eu vou na casa dela, ai-ai!
Falar do meu amor pra ela, vai.
Tá me esperando na janela, ai-ai!
Não sei se vou me segurar...
Por isso eu vou na casa dela, ai-ai!
Falar do meu amor pra ela, vai.
Tá me esperando na janela, ai-ai!
Não sei se vou me segurar.

Ainda me lembro do seu caminhar,
Seu jeito de olhar eu me lembro bem.
Fico querendo sentir o seu cheiro,
É daquele jeito que ela tem.
O tempo todo eu fico feito tonto,
Sempre procurando, mas ela não vem.
E esse aperto no fundo do peito,
Desses que o sujeito não pode aguentar.
Esse aperto aumenta meu desejo
E eu não vejo a hora de poder lhe falar...

Por isso eu vou na casa dela, ai-ai!
Falar do meu amor pra ela, vai.
Tá me esperando na janela, ai-ai!
Não sei se vou me segurar...
Por isso eu vou na casa dela, ai-ai!
Falar do meu amor pra ela, vai.
Tá me esperando na janela, ai-ai!
Não sei se vou me segurar.



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifraclub.com.br/gilberto-gil/esperando-na-janela/


Você pode ouvir a canção acima, na voz dos intérpretes abaixo, clicando nos links indicados:
Gilberto Gil e Hebe Camargo:
Targino Gondim:
Wilson Sideral:
Gilberto Gil:



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domingo, 18 de junho de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo




Os desencarnados dispõem, sim, de inúmeras opções de lazer

Um amigo perguntou-nos como é o clima nas cidades espirituais e se é possível desfrutarmos nelas as benesses de um banho de sol.
Antes de qualquer coisa, é importante dizer que o assunto não é tratado nas obras fundamentais da doutrina espírita, mas somente, e de forma indireta, em alguns textos e livros de natureza mediúnica, como podemos encontrar, por exemplo, no livro O mundo em que eu vivo, do Espírito de Silveira Sampaio, psicografado por Zíbia M. Gasparetto, e no conhecidíssimo Nosso Lar, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier.
Em ambos há referência ao chamado repouso e às opções de lazer que existem nas chamadas cidades espirituais mais próximas da crosta terrestre. Quanto às localidades em que vivem entidades desencarnadas mais evoluídas, nada ou muito pouco, pelo que sabemos, existe na literatura espírita.
Excursões ao Bosque das Águas, as harmonias do Campo da Música, as palestras ao ar livre, a notícia pertinente aos Campos de Repouso – eis referências que as pessoas que leram Nosso Lar conhecem perfeitamente.
Eis, na sequência, algumas informações extraídas da obra de André Luiz que nos parecem suficientes para responder ao nosso amigo:
Clarêncio, que se apoiava num cajado de substância luminosa, deteve-se à frente de grande porta encravada em altos muros, cobertos de trepadeiras floridas e graciosas. Tateando um ponto da muralha, fez-se longa abertura, através da qual penetramos, silenciosos. Branda claridade inundava ali todas as coisas. Ao longe, gracioso foco de luz dava a ideia de um pôr do sol em tardes primaveris. À medida que avançávamos, conseguia identificar preciosas construções, situadas em extensos jardins. (Nosso Lar, cap. 3.)
Envolvendo os dois enfermeiros na vibração do meu reconhecimento, esforcei-me por lhes dirigir a palavra, conseguindo dizer por fim:
– Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante?
Um deles afagou-me a fronte, como se fora conhecido pessoal de longo tempo e acentuou:
– Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra, e o Sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivificava o corpo físico. Aqui, entretanto, nossa percepção visual é muito mais rica. A estrela que o Senhor acendeu para os nossos trabalhos terrestres é mais preciosa e bela do que a supomos quando no círculo carnal. Nosso Sol é a divina matriz da vida, e a claridade que irradia provém do Autor da Criação. (Nosso Lar, cap. 3.)
No dia imediato, após reparador e profundo repouso, experimentei a bênção radiosa do Sol amigo, qual suave mensagem ao coração. Claridade reconfortante atravessava ampla janela, inundando o recinto de cariciosa luz. Sentia-me outro. Energias novas tocavam-me o íntimo. Tinha a impressão de sorver a alegria da vida, a longos haustos. Na alma, apenas um ponto sombrio – a saudade do lar, o apego à família que ficara distante. Numerosas interrogações pairavam-me na mente, mas tão grande era a sensação de alívio que eu sossegava o espírito, longe de qualquer interpelação. (Nosso Lar, cap. 4.)
Aqui, em verdade, a lei do descanso é rigorosamente observada, para que determinados servidores não fiquem mais sobrecarregados que outros; mas a lei do trabalho é também rigorosamente cumprida. No que concerne ao repouso, a única exceção é o próprio Governador, que nunca aproveita o que lhe toca, nesse terreno. (Nosso Lar, cap. 11.)
Deslumbrou-me o panorama de belezas sublimes. O bosque, em floração maravilhosa, embalsamava o vento fresco de inebriante perfume. Tudo em prodígio de cores e luzes cariciosas. Entre margens bordadas de grama viçosa, toda esmaltada de azulíneas flores, deslizava um rio de grandes proporções. A corrente rolava tranquila, mas tão cristalina que parecia tonalizada em matiz celeste, em vista dos reflexos do firmamento. Estradas largas cortavam a verdura da paisagem. Plantadas a espaços regulares, árvores frondosas ofereciam sombra amiga, à maneira de pousos deliciosos, na claridade do Sol confortador. Bancos de caprichosos formatos convidavam ao descanso. Notando o meu deslumbramento, Lísias explicou:
– Estamos no Bosque das Águas. Temos aqui uma das mais belas regiões de "Nosso Lar". Trata-se de um dos locais prediletos para as excursões dos amantes, que aqui vêm tecer as mais lindas promessas de amor e fidelidade, para as experiências da Terra. (Nosso Lar, cap. 10.)
Nos círculos religiosos do planeta, ensinam que o Senhor criou as águas. Ora, é lógico que todo serviço criado precisa de energias e braços para ser convenientemente mantido. Nesta cidade espiritual, aprendemos a agradecer ao Pai e aos seus divinos colaboradores semelhante dádiva. Conhecendo-a mais intimamente, sabemos que a água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui, ela é empregada sobretudo como alimento e remédio. Há repartições no Ministério do Auxílio absolutamente consagradas à manipulação de água pura, com certos princípios suscetíveis de serem captados na luz do Sol e no magnetismo espiritual. Na maioria das regiões da extensa colônia, o sistema de alimentação tem aí suas bases. (Nosso Lar, cap. 10 – explicações dadas por Lísias.)
Sorriu a senhora Laura, parecendo mais encorajada, e asseverou:
– Tenho solicitado o socorro espiritual de todos os companheiros, a fim de manter-me vigilante nas lições aqui recebidas. Bem sei que a Terra está cheia da grandeza divina. Basta recordar que o nosso Sol é o mesmo que alimenta os homens; no entanto, meu caro Ministro, tenho receio daquele olvido temporário em que nos precipitamos. Sinto-me qual enferma que se curou de numerosas feridas... Em verdade, as úlceras não mais me apoquentam, mas conservo as cicatrizes. Bastaria um leve arranhão, para voltar a enfermidade. (Nosso Lar, cap. 47.)
Em face de tantas e tão expressivas informações, cremos que nosso amigo e o leitor têm em mãos a resposta à pergunta que nos foi apresentada.




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