sábado, 3 de dezembro de 2016

Destaques da semana da revista “O Consolador”



Encontra-se desde já disponível na Web a edição semanal da revista O Consolador, cujos destaques vão abaixo relacionados, seguidos dos respectivos links:

Destaques da edição 494

Já está na Web a edição deste domingo (4 de dezembro) da revista O CONSOLADOR.
Saiba o que ocorre nesta semana no movimento espírita brasileiro.
Anote e acompanhe os eventos espíritas internacionais desta semana.
Vânia Mugnato de Vasconcelos, da cidade paulista de Jundiaí, é a nossa entrevistada.
“Sanduíche poético-solidário” é o título do Especial de Marcelo Teixeira.
Divaldo Franco falou a um público numeroso em Sorocaba e São Bernardo do Campo.
“O livro e a verdade que nos libertará” é o título do nosso editorial.
Amanhã, dia 5 de dezembro, fará 82 anos que desencarnou Humberto de Campos.
Pergunta de um leitor: - Em cada reencarnação temos de aprender tudo de novo?
Animismo e Espiritismo são aspectos complementares do mesmo fenômeno?
Como entender tragédias como a que atingiu a Chapecoense?
“A seu modo...” (Christina Nunes)
“Adultério e prostituição” – veja o que sobre o tema escreveu Emmanuel.
“O amor é um alimento divino” (Hugo Alvarenga Novaes)
Existe o concurso espiritual nas atividades de atendimento fraterno?
“Caridade de uns para com os outros” – eis a receita. (Bezerra de Menezes)
“O espírita na sociedade” (Hyerohydes Gonçalves)
Meimei e a história de Carla, 8 anos, que tinha dificuldade em cumprir suas obrigações.
“O Evangelho como Código Divino” (José Passini)
O texto intitulado “Credo espírita” tem algo parecido com o credo de inspiração católica?
Quanto tempo levou para Chico psicografar o romance “Paulo e Estêvão”?
“Parábolas de Jesus: O tesouro escondido e A pérola oculta” (Leda Flaborea)
Uma lição de André Luiz: “En gravaj momentoj nia spirita realeco estas pli videbla.”
“A tolerância zero” (Marcus Braga)
Diante das provações e das dificuldades, que fazer?
Um leitor pergunta-nos: - calidoscópio ou caleidoscópio? Qual o certo?
“Empecilhos & autossuperação” (Rogério Coelho)
Se pretendes alcançar
Os sóis da Excelsa Alegria,
Aprende a galgar, amando,
Os degraus de cada dia.
(Casimiro Cunha)
“Paz hoje e sempre” (Wagner Ideali)





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Contos e crônicas



Tragédia e impermanência

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Nos momentos de tragédia, quando muitas pessoas sucumbem a um grave acidente o mundo fica perplexo e se pergunta: Por quê?  A vida, porém, de mais de 6 bilhões de humanos impermanentes na Terra, que se julgam permanentes, continua. E, dentre estes, surgem mesmo os que fazem chacota com a situação dos que vêm para o lado de cá.
Se as vítimas são cantores, dizem que vieram cantar no coral de São Pedro; se são pedreiros, terão vindo construir catedrais para os anjos; se escritores, ocupar-se-ão de obras literárias relacionadas aos sexos dos anjos; se jogadores desencarnam, os que ficam no corpo físico são capazes até mesmo de formar alguns times com os atletas do passado para disputarem partidas memoráveis, no céu, com os novos companheiros recém-ingressos no campo dos pés juntos.
Ressalta-se de todas essas manifestações, até mesmo otimistas, mas pouco crédulas, entre os que se consideram “vivos”, que a grande maioria dos que assim agem não crê, efetivamente, no que dizem e acreditam mesmo é que essas vítimas se perderam no nada.
Nunca mais! A religião é o “ópio do povo”, serve apenas para dar uma esperança absurda. Morreu, acabou...
Do lado de cá, outros cerca de 20 bilhões aguardam o momento de sua transmutação. Alguns em curtíssimo tempo, após seu retorno; outros em algumas décadas; outros mais depois de séculos ou mesmo milênios...Todos, entretanto, voltarão mais cedo ou mais tarde, salvo aqueles que já não estão subjugados pelas paixões humanas.
As experiências evolutivas, entretanto, também sofrem mutações. Do lado de cá, o ex-jogador tanto pode integrar a seleção dos sonhos, quanto o pesadelo das batalhas cruéis, quando optou por agredir, em vez de competir; o ex-cantor pode deparar-se com a afasia, em virtude das drogas que consumiu; mas o pedreiro responsável pode ser o grande engenheiro ou arquiteto de um mundo melhor, desde que seja dócil às orientações dos técnicos do Além.
Ou seja, para os bons, a morte do corpo é sempre uma viagem espiritual que nada tem a ver com os horrores da decomposição cadavérica ou o choque das grandes tragédias humanas. Para no menos bons, uma oportunidade de aprender, refletir, aprender e recomeçar...
A vida é um eterno recomeço e um permanente aprendizado.
Por que será que grandes ditadores, criminosos do presente ou do passado, antes de passarem para o lado de cá buscam o socorro das religiões, em especial a consulta espiritual aos “pais da Igreja”? É a consciência, esse implacável “dedo de Deus”, que lhes cobra, incessantemente, por seu irmão, como a Voz Divina que Caim ouvia, após assassinar seu irmão Abel: “Caim, Caim, que fizeste de teu irmão?”
Todavia, perguntará a leitora, e essas vítimas inocentes, o que fizeram para passar por prova tão rude? Por que motivo sofreram separação tão brutal?
Ao que lhe respondo: Não há morte, cara leitora. Apenas a “veste física” é entregue aos vermes. A alma é imortal. Creia nisso, você não morrerá jamais. O que morre são as ilusões do mundo, que aqui ficam. No plano espiritual, a vida estua abundante, e o refrão de que “quem não deve não teme” se aplica como a luva dos melhores goleiros nas cidades do Além.
“Mas e os que ficam? Os órfãos, as viúvas ou viúvos dessas pessoas: jornalistas com promessa de futuro brilhante, dirigentes probos, jogadores alegres e amigos, o que será da saudade, do sentimento de profundo pesar de todos aqueles que, direta ou indiretamente, se vinculavam a eles?” Tudo passa, neste mundo, mas tudo retorna, o que lhe parece uma eterna separação não passa de um até breve. Os que ficam, assim como os que vão, continuam aprendendo e na companhia de quem nunca nos abandona: nosso Pai Eterno, na feliz expressão de Jesus: Deus.
Quem sabe se em poucos anos todos não estaremos juntos, novamente, dizendo: “Vai, Chape, vai, campeão!"?
É a roda da vida, incessante e surpreendente! Você pode até não acreditar, amigo leitor, mas, como diz meu amigo André Luiz, aqui do meu lado:
“[...] Uma existência é um ato.
Um corpo, uma veste.
Um serviço, uma experiência.
Um triunfo, uma aquisição.
Uma morte, um sopro renovador.
[...] Ai, por toda parte, os cultos em doutrina e os analfabetos do espírito!”
E eu repito, com esse amigo espiritual, suas palavras iniciais da obra Nosso Lar que expressam uma pálida ideia do que seja o mundo espiritual:
“Que o Senhor nos abençoe”, assim como a todos esses nossos irmãos, viajores da eternidade, que ora são recebidos de braços abertos no deslumbrante e permanente campo do espírito.
Paz a todos nós! aos que aqui estamos e aos que ainda jazem sob o guante da veste temporária.






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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Iniciação aos clássicos espíritas




Depois da Morte

Léon Denis

Parte 4

Continuamos o estudo metódico e sequencial do livro Depois da Morte, obra de autoria de Léon Denis. Nosso propósito é que esta sequência de estudos sirva, para o leitor, de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada texto compõe-se de duas partes:
- questões preliminares
- texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

                         Questões preliminares

A. Que fatos acabaram fortalecendo as doutrinas materialistas e quais os equívocos dessas doutrinas, incluindo aí o Positivismo?
B. A que atribuir o estado de decomposição moral da sociedade humana, a que se refere o autor deste livro, e qual será para tais coisas o remédio?
C. Qual é a função da dor?
D. Qual a origem do mal e como conceituá-lo?

Texto para leitura

67. O Positivismo é mais sutil do que o materialismo e chegou mesmo a contribuir para enriquecer alguns ramos dos conhecimentos humanos; mas perdeu de vista o conjunto das coisas e as leis superiores do universo. (P. 85)
68. Embora tenham proclamado o método experimental como único meio de atingir a verdade, o Positivismo desmentiu-se ao negar a priori uma ordem inteira de fenômenos e de manifestações psíquicas. (P. 85)
69. A obra da civilização tem seu lado esplêndido, mas tem também seu lado triste, ao aguçar os apetites e desejos, favorecer o sensualismo e aumentar a depravação. (PP. 86 e 87)
70. A embriaguez, a prostituição, a imoralidade, o desespero e o suicídio constituem tristes sinais de uma civilização carcomida. (P. 87)
71. Esse estado de coisas pode ser imputado ao ambiente, aos maus exemplos recebidos na infância, à falta de energia dos pais, à ausência de educação da família, mas se deve também ao fato de que, apesar do progresso da ciência, o homem não conseguiu ainda conhecer-se a si mesmo. (PP. 87 e 88)
72. Como há vinte séculos, o homem em geral não sabe sua origem, para onde vai, qual a finalidade real da vida, enquanto a religião sem provas e a ciência sem ideal engalfinham-se, ferem-se, combatem-se. (P. 88)
73. As consequências disso fazem-se sentir por toda parte: na família, na escola, na sociedade, e para que cesse é preciso que a luz se faça para todos; é preciso que um novo ensinamento popular venha a iluminar as almas sobre suas origens, seus deveres e seus destinos. (P. 89)
74. A importância de uma educação melhor é enorme, tanto para guiar o indivíduo, como para as instituições e as relações sociais. (P. 89)
75. O conceito católico criou a civilização da Idade Média e modelou a sociedade feudal, monárquica, autoritária. As doutrinas materialistas, conduzindo os homens à idolatria do ouro e da carne, criaram uma geração sem ideais, sem fé no futuro, sem energia para a luta. (P. 90)
76. De onde virão a luz e a salvação? Não da Igreja, que é impotente para regenerar o espírito humano, nem da ciência, que não se preocupa com o caráter nem com a consciência da criatura humana. (P. 94)
77. Para elevar o nível moral, para deter as correntes da superstição e do ceticismo, é necessário um ensino que inspire os homens na estrada do aperfeiçoamento, e ele se encontra na filosofia dos Espíritos. (PP. 94 e 95)
78. A doutrina ensinada pelos Espíritos pode muito bem transformar povos e sociedades, levar luz às trevas, fundir o egoísmo das almas. (P. 95)
79. A ideia de Deus está escrita em dois livros: o livro do Universo, onde as obras divinas ressaltam em caracteres luminosos, e o livro da consciência, no qual estão impressos os preceitos da moral. (P. 101)
80. Uma poderosa unidade rege o mundo: uma só substância, o éter ou fluido universal, constitui a incontável variedade de corpos. Esse elemento vibra sob a ação das energias cósmicas e gera, segundo o número e a velocidade de suas vibrações, o calor, a luz, a eletricidade, o fluido magnético: quando essas vibrações se condensam, os corpos aparecem. (P. 105)
81. O estudo da Natureza mostra-nos em cada coisa a ação de uma vontade oculta; por toda parte a matéria obedece a uma força que a domina. (P. 105)
82. Os males da vida mostram-nos que não estamos aqui para gozar e adormecer no quietismo, mas para trabalhar e combater. (P. 107)
83. Poder-se-ia definir Deus de modo superior ao que fazemos? Definir é limitar. Deus impõe-se ao nosso espírito, mas escapa a qualquer análise. Deus é a vida, a razão, a causa operante de tudo o que existe. (P. 111)
84. A dor é uma advertência necessária, um estímulo para a atividade humana, que nos obriga à interiorização, à reflexão. (P. 114)
85. O mal constitui um estado transitório inerente ao nosso planeta, como uma fase inferior da evolução dos seres para o bem. (P. 115)
86. Antítese da lei divina, o mal não pode ser obra de Deus e é, por isso mesmo, obra do homem, uma consequência de sua liberdade. Mas, o mal, como a sombra, não tem existência real: é apenas a ausência do bem. (P. 115)
87. Libertar-se das baixas regiões da matéria e subir todos os degraus da hierarquia espiritual, emancipar-se do jogo das paixões e conquistar todas as virtudes, todo o saber, eis o fim para que fomos criados. (P. 116)

Respostas às questões preliminares

A. Que fatos acabaram fortalecendo as doutrinas materialistas e quais os equívocos dessas doutrinas, incluindo aí o Positivismo?
Os séculos de submissão e de imposição de uma fé cega levaram o homem a cansar-se do triste ideal de Roma, o que resultou no fortalecimento das ideias materialistas, apesar das inúmeras contradições que estas doutrinas apresentam. Até o Positivismo, que inegavelmente é mais sutil do que o materialismo clássico, tendo mesmo chegado a contribuir para enriquecer alguns ramos dos conhecimentos humanos, perdeu de vista o conjunto das coisas e as leis superiores do universo, ao negar a priori uma ordem inteira de fenômenos e de manifestações psíquicas, fato que constitui o maior equívoco das doutrinas materialistas em geral. (Depois da Morte, capítulo VII, p. 85.)
B. A que atribuir o estado de decomposição moral da sociedade humana, a que se refere o autor deste livro, e qual será para tais coisas o remédio?
O sensualismo, a depravação, a embriaguez, a prostituição, a imoralidade, o desespero e o suicídio constituem tristes sinais de uma civilização carcomida. Esse estado de coisas pode ser imputado ao ambiente, aos maus exemplos recebidos na infância, à falta de energia dos pais, à ausência de educação da família, mas se deve também ao fato de que, apesar do progresso da ciência, o homem não conseguiu ainda conhecer-se a si mesmo. Como há vinte séculos, o homem em geral não sabe sua origem, para onde vai, qual a finalidade real da vida, enquanto a religião sem provas e a ciência sem ideal engalfinham-se, ferem-se, combatem-se. As consequências disso fazem-se sentir por toda parte: na família, na escola, na sociedade, e para que cesse é preciso que a luz se faça para todos; é preciso que um novo ensinamento popular venha a iluminar as almas sobre suas origens, seus deveres e seus destinos. A importância de uma educação melhor é enorme, tanto para guiar o indivíduo, como para as instituições e as relações sociais. Para elevar o nível moral, para deter as correntes da superstição e do ceticismo, é necessário um ensino que conduza os homens à estrada do aperfeiçoamento, e ele se encontra na filosofia dos Espíritos. A doutrina ensinada pelos Espíritos pode muito bem transformar povos e sociedades, levar luz às trevas, fundir o egoísmo das almas. (Obra citada, capítulo VIII, p. 86 a 95.)
C. Qual é a função da dor?
A dor é uma advertência necessária, um estímulo para a atividade humana, que nos obriga à interiorização, à reflexão. (Obra citada, cap. IX, p. 114.)
D. Qual a origem do mal e como conceituá-lo?
O mal constitui um estado transitório inerente ao nosso planeta, como uma fase inferior da evolução dos seres para o bem. Antítese da lei divina, o mal não pode ser obra de Deus e é, por isso mesmo, obra do homem, uma consequência de sua liberdade. Contudo, o mal, assim como a sombra, não tem existência real: é apenas a ausência do bem. (Obra citada, capítulo IX, p. 115.)


Nota:

Links que remetem aos textos anteriores:





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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Iniciação ao estudo da doutrina espírita



O caráter da revelação espírita

Este é o quarto texto de uma série que esperamos sirvam aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Os estudos aqui apresentados foram elaborados de acordo com o temário que a Federação Espírita Brasileira adotou nos primórdios do ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.
Cada texto compõe-se de duas partes:
- questões para debate
- texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que significa a palavra revelação e qual a sua característica essencial?
2. Segundo o ensinamento dado pelos Espíritos superiores, quais foram as três revelações da lei de Deus?
3. Quem personifica a segunda revelação da lei de Deus?
4. Podemos dizer que o Espiritismo, considerado a 3ª revelação da lei de Deus, está personificado em Allan Kardec?
5. Como foi transmitido aos homens o ensino espírita?

Texto para leitura

1. Revelar, do latim revelare, cuja raiz é velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseguinte, não existe revelação. O caráter essencial da revelação divina é, pois, o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros, ou sujeita à modificação, não pode emanar de Deus.
2. "O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é consequência direta da sua doutrina", assevera Kardec no cap. I de seu livro A Gênese. Acrescenta ele, à ideia vaga da vida futura, ensinada por Jesus, a revelação acerca da existência do mundo invisível que nos rodeia, define os laços que unem a alma ao corpo, e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte.
3. A primeira revelação da lei de Deus está personificada em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não está personificada em pessoa alguma. As duas primeiras foram individuais; a terceira é coletiva. Eis aí o caráter essencial da revelação espírita.
4. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio a pessoa alguma. Ninguém pode, por conseguinte, inculcar-se como seu profeta exclusivo, porque ela foi espalhada simultaneamente por sobre a Terra, a milhões de criaturas, de todas as idades e condições sociais, confirmando a predição de Joel, registrada em Atos dos Apóstolos (cap. 2, vv. 16 a 18): "Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões, e os velhos sonhos".
5. As duas primeiras revelações, sendo fruto do ensino pessoal, ficaram forçosamente localizadas, isto é, apareceram num só ponto, em torno do qual a ideia se propagou pouco a pouco, mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o invadirem inteiramente. A terceira tem isto de particular: não estando personificada em um só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação.
6. Vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo e em que o homem nada aceita às cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa -- tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame.
7. Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é necessário para guiar o homem no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão.
8. Em parte alguma, afirma Kardec, o ensino espírita foi dado integralmente. Ele diz respeito a tão grande número de observações, a assuntos tão diferentes, exigindo conhecimentos e aptidões mediúnicas especiais, que impossível era achar-se reunidas num mesmo ponto todas as condições necessárias. Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando os assuntos de estudo e observação como, em algumas fábricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários.
9. A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários, e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado. Cada centro encontra nos outros centros o complemento do que obtém, e foi o conjunto, a coordenação de todos os ensinos parciais que constituíram a Doutrina Espírita.
10. Nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem. Todas, sem exceção, são fruto de observações sucessivas, apoiadas em observações anteriores, para chegar ao desconhecido. Foi assim que os Espíritos procederam com relação ao Espiritismo; daí ser gradativo o ensino que ministram.
11. Um último caráter da revelação espírita, que ressalta mesmo das condições em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, ela tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação.
12. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio de suas próprias descobertas, ela assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado.
13. Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter, pois participa, ao mesmo tempo, da revelação divina e da revelação científica. Numa palavra, é divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho do homem.
14. A revelação cristã havia sucedido à revelação mosaica; a revelação espírita vem completá-la. O Cristo a anunciou, e ele próprio preside a esse novo surto do pensamento humano. Manifestando-se fora e acima das igrejas, seu ensino dirige-se a todas as raças. Por toda parte os Espíritos proclamam os princípios em que ela se apoia, convidando o homem a meditar em Deus e na vida futura.
15. Ela é, pois, a revelação dos tempos preditos. Todos os ensinos do passado, parciais, restritos, limitados na ação que exerciam, são por ela ultrapassados. Ela utiliza os materiais acumulados; reúne-os, solidifica-os, para formar um vasto edifício em que o pensamento, a vontade, possa expandir-se.
16. As Inteligências superiores, em suas relações mediúnicas com os homens, confirmam os ensinos ministrados pelos Espíritos menos adiantados e expõem o seu modo de ver, as suas opiniões sobre todos os grandes problemas da vida e da morte, a evolução dos seres e as leis superiores do Universo. Suas revelações concordam entre si e se unem para constituir uma filosofia admirável.
17. O Espiritismo, pois, não dogmatiza, nem se imobiliza. Sem nenhuma pretensão à infalibilidade, seu ensino é progressivo como os próprios Espíritos o são.

Respostas às questões propostas

1. Que significa a palavra revelação e qual a sua característica essencial?
Revelar, do latim revelare, significa literalmente sair de sob o véu e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. O caráter essencial da revelação divina é, pois, o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros, ou sujeita à modificação, não pode emanar de Deus.
2. Segundo o ensinamento dado pelos Espíritos superiores, quais foram as três revelações da lei de Deus?
O Decálogo, que constitui a parte divina da lei mosaica, o ensino moral contido no Evangelho e o Espiritismo.
3. Quem personifica a segunda revelação da lei de Deus?
Jesus.
4. Podemos dizer que o Espiritismo, considerado a 3ª revelação da lei de Deus, está personificado em Allan Kardec?
Não. A terceira revelação, ao contrário das outras, tem isto de particular: não está personificada em um só indivíduo, visto que surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes.
5. Como foi transmitido aos homens o ensino espírita?
Diz Kardec que em parte nenhuma o ensino espírita foi dado integralmente. Tendo o ensino que ser coletivo e não individual, os Espíritos dividiram o trabalho, disseminando por vários lugares os assuntos de estudo e observação, do mesmo modo que, em algumas fábricas, a confecção de cada parte de um mesmo objeto é repartida por diversos operários. A revelação fez-se assim parcialmente em diversos lugares e por uma multidão de intermediários, e é dessa maneira que prossegue ainda, pois que nem tudo foi revelado.



Nota:

Links que remetem aos textos anteriores:





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