sábado, 22 de julho de 2017

Contos e crônicas


O bilhete do Mané e as dicas de Machado

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Esta eu ouvi do meu concunhado Carvalho. Apenas troquei os nomes das personagens: Joaquim, também conhecido como Kincão, dono de uma mercearia que também vendia materiais de obras, era amigo de Manuel, ou Mané, homem de poucas letras, mas bem conceituado proprietário de um restaurante na cidade de Barreiras, BA, onde ambos mantinham seus negócios e residiam.
Certo dia, em que faltara algo em seu comércio, Manuel escreveu um bilhete a Joaquim, solicitando-lhe envio do produto em escassez.
Ao ler o bilhete, Joaquim estranhou: — Ué, o Mané está reformando seu restaurante? Pensou.
Entretanto, como o pedido era para atendimento urgente, chamou o motorista do caminhão de transporte da loja, pediu-lhe para colocar, no carro, cinco sacos de cal, com trinta quilos cada, e levá-los ao amigo rapidamente.
Uma hora depois, o próprio Manuel entrou nervoso no comércio de Joaquim e perguntou-lhe: 
Kincão, por que você não atendeu ao meu pedido e ainda me enviou cinco sacos de cal?
— Ora, Manuel, não foi o que você me pediu no bilhete?
— De jeito nenhum, pedi-lhe cinco sacos de sal e não de cal.
— Pois então, releia o que você escreveu: 
"Amigo Kincãu, mandi intregá nu meu restorante cinco saco de cal".
Ao que o Mané respondeu:
— Mas, amigo, só pur causu qui faltô uma cobrinha embaixo do “c” ocê num intendeu? 
E “corrigiu” cal para "çal".


*

Consultando Machado sobre como escrever bem, ele disse-me que, antes de mais nada, é preciso ler muito, os mais diversos gêneros textuais: artigos, crônicas, contos, romances, piadas, comerciais, artes, composições musicais, poemas, relatórios, resumos, resenhas, e-mails, WhatsApps...
— Que tal você sugerir-nos que fazer ou não em nossos textos, amado guru? pedi-lhe.
Ele, então, disse-me que escrever e falar bem é abrir a porta do sucesso. Entretanto, a fala é menos rigorosa do que a escrita, em relação à norma padrão de qualquer idioma. Por isso, disse, ao escrever, precisamos observar cinco requisitos básicos: clareza, concisão, coerência, correção e originalidade. E passou-me estas dicas que, segundo ele, não abordam tudo, mas o essencial numa redação:
A clareza é irmã da concisão. Não use palavras rebuscadas, utilize frases curtas. Seja objetivo, evite adjetivação exagerada. Cada período deve possuir apenas uma ideia central. Fuja da generalização no que escrever.
A coerência é irmã da lógica. É preciso haver nexo entre os termos e frases do período escrito, sem o que podemos contradizer-nos. Para o nexo, é necessário o uso correto dos conectivos: pronomes, conjunções, preposições, numerais, artigos...
A correção gramatical requer considerável conhecimento linguístico e também muita atenção no que se pensa e no que, de fato, está escrito. Para isso, é preciso revisar diversas vezes o que escrever, antes de submeter seu texto a outro leitor, ou então ter um bom revisor, como é seu amigo A.O.
Em textos que exigem o predomínio da norma culta, deve evitar-se o uso de gírias, palavras estrangeiras ou vulgares. Caso seja indispensável sua presença, elas devem ser destacadas; com itálico, no caso de estrangeirismos, ou com aspas, nos demais casos.
Você pode redizer ou reescrever qualquer coisa, todavia o modo como o faz é que estabelece a diferença. Isso é que eu chamo originalidade. 
Assim concluiu o Bruxo do Cosme Velho: Por vezes, um pouco de ironia, na literatura, faz um bem enorme...
E eu continuo lendo, escrevendo e aprendendo...






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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas





A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

Parte 4

Damos continuidade ao estudo do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Que revelações nos traz o oitavo caso?
B. Como os Espíritos satisfazem os hábitos voluptuosos que trazem da última existência?
C. Que ensinamentos extraímos do nono caso?
D. O advento da Nova Revelação veio na época certa?

Texto para leitura

52. Oitavo caso – Extraído também da revista Light, edição do ano de 1925, trata-se de comunicações ditadas em maio e junho de 1918 por um jovem soldado morto logo no início da Grande Guerra. (PP. 69 e 70)
53. Eis os detalhes contidos nas mensagens do jovem soldado: a) a ignorância em que muitos se encontram a respeito da própria morte; b) o sono reparador, que acomete os desencarnados, sobretudo quando acham que a morte é o aniquilamento total da criatura humana; c) após despertar desse sono, o desencarnado se sente um outro ser e entende que se encontra num meio espiritual e que é um Espírito; d) os que desencarnam com a convicção de que existe uma vida de além-túmulo não necessitam dormir, a menos que cheguem ao mundo espiritual esgotados por longa enfermidade ou deprimidos por uma vida de tribulações; e) os Espíritos muito inferiores, que permanecem ligados à Terra, não gozam do benefício do sono reparador e, por isso, perseveram na ilusão de que continuam encarnados; f) o meio espiritual apresenta ao visitante "coisas" que parecem da mesma natureza que as que ele conhecia na Terra, mas elas são reais, absolutamente reais; g) os desencarnados não demoram a descobrir que podem transformar certas "coisas" que veem em torno deles, unicamente pelo desejo de que elas se transformem. (PP. 70 a 75)
54. A propósito do último detalhe, diz o Espírito que, vendo a seus pés uma agulha de madeira, ele pôde transformá-la, pela força de sua vontade, em uma agulha de aço; mas não pode transformar os objetos volumosos e, ainda menos, o meio em que vive. A razão é que a paisagem que o rodeia não é somente "cenário" dele; é o "cenário" de todos os Espíritos que ali residem. Pode, pois, transformar apenas as coisas pequenas e quando isso a ninguém aborreça ou prejudique. (P. 75)
55. Após repetidas experiências desta natureza, informa a Entidade, entende-se que o meio espiritual é, na realidade, constituído unicamente de "formas de pensamento" e de "projeções da memória", e que tudo isto está organizado com o fim de tornar mais fácil, aos Espíritos recém-desencarnados, o período de transição decorrente da morte corpórea. (P. 75)
56. A respeito das percepções espirituais, diz o comunicante que, a princípio, pensa-se que os Espíritos conversam da mesma maneira que o faziam quando encarnados; mas, desde o começo, experimenta-se a curiosa sensação de compreender-se muito mais do que o que se formula verbalmente. (P. 75)
57. Com o tempo, percebe-se que a conversação por meio da palavra não constitui mais do que uma espécie de superestrutura artificial, substancialmente inútil para a permuta das ideias, a qual, na realidade, se opera diretamente, pela transmissão dos pensamentos. (P. 75)
58. Citando o livro Raymond, escrito pelo professor Oliver Lodge, Bozzano lembra que os Espíritos recém-desencarnados não encontram no meio espiritual a mesma satisfação de antes, nos hábitos voluptuosos adquiridos no mundo dos vivos, e até os perdem. Todavia, quando chegam ao mundo espiritual, influenciados pelas tendências que os dominavam na Terra, há os que pedem de comer e outros que querem um gole de uísque. Existe, porém, um meio de contentá-los, fornecendo-se-lhes qualquer coisa que se assemelhe ao que reclamam. Desde, porém, que hajam saboreado uma ou duas vezes a coisa desejada, não mais sentem dela necessidade e a esquecem. (P. 78)
59. As projeções do pensamento no meio espiritual são consideradas efêmeras, apenas do ponto de vista da evolução ulterior do Espírito. São, contudo, substanciais no meio em que elas se produzem. Com efeito, admitida a existência de um meio espiritual, cuja densidade específica seja constituída de "éter vitalizado" – num mundo assim a paisagem geral, assim como as projeções particulares devem ser consideradas reais, absolutamente reais, pois que teriam a mesma consistência que o organismo espiritual dos seres que o habitam e seriam constituídas do mesmo elemento. (P. 81)
60. Nono caso – Este caso foi tirado do livro de mensagens transcendentais intitulado A Heretic in Heaven. O médium-narrador é o Sr. Ernesto H. Peckham, autor do belo livro The Morrow of Death, e o comunicante, que fora membro do mesmo círculo experimental do Sr. Peckham, valeu-se de um pseudônimo – "Daddy" – para assinar as mensagens. (PP. 84 e 85)
61. Eis os detalhes contidos nas mensagens de "Daddy": a) embora morto, o Espírito se sentia mais vivo do que antes; b) os acessos de soluço, a asma e outros sintomas bronquiais, que o atormentaram no momento da morte, continuaram a afligi-lo na vida espiritual; c) sua mãe, que morrera havia muitos anos, e sua esposa foram visitá-lo em sua nova morada; d) seguiu-se depois disso um prolongado período de sono. (PP. 86 a 88)
62. Além de outros episódios constantes das mensagens de "Daddy", Bozzano comenta o fato de ter o Espírito anunciado sua morte a um amigo encarnado, que então a ignorava. Como o fato realmente ocorreu nas condições de meio indicadas pelo comunicante, é forçoso concluir que se trata de um dos fenômenos comuns – ora visuais, ora auditivos – de manifestação dos mortos, fenômenos a que os metapsiquistas ortodoxos chamam "telepatia diferida". (P. 90)
63. O autor assinala ainda nas citadas mensagens: 1º) o interessante fenômeno segundo o qual os objetos afastados não parecem diminuídos à percepção espiritual, pela distância, enquanto todo objeto é simultaneamente percebido por todos os seus lados e no seu próprio interior, indo a visão além do objeto; 2º) a observação concernente ao pensamento do Espírito, logo percebido por outro Espírito distante e que intervém, auxiliando o primeiro com um conselho que lhe transmite no mesmo instante. (P. 91)
64. Bozzano diz que os "raios Roentgen" (raios X) e a "telegrafia sem fio" são conquistas científicas que nos permitem compreender perfeitamente a viabilidade dos dois fenômenos acima referidos, que pareceriam absurdos se revelados duas gerações antes da sua. "Esta observação – adverte o autor – deveria aconselhar a todos prudência, antes de proclamarem absurdas e impossíveis outras informações análogas, constantes das mensagens do Além e que ainda não estão confirmadas pela ciência terrestre." (PP. 91 e 92)
65. O fato indica ainda que as manifestações mediúnicas se produzem no momento exato em que parecem maduros os tempos, para serem compreendidas, apreciadas e assimiladas. Se as "pancadas" de Hydesville se houvessem produzido um século antes, teriam passado despercebidas e infecundas. "Cumpre, pois, se reconheça que a Nova Ciência da Alma nasceu na hora precisa, no seio dos povos civilizados", acrescenta Bozzano. (P. 92)
66. O autor considera também detalhe fundamental a revelação mediúnica acerca das modalidades sob as quais se manifesta a visão espiritual, que requer um certo tempo para que se desenvolva inteiramente nos Espíritos recém-chegados, o que explica por que são em número reduzido os Espíritos desencarnados que a ela aludem. (PP. 92 e 93)

Respostas às questões preliminares

A. Que revelações nos traz o oitavo caso?
Ditadas por um jovem soldado morto logo no início da Grande Guerra, as comunicações que compõem o oitavo caso contêm, entre outros, os seguintes detalhes: a) a ignorância em que muitos se encontram a respeito da própria morte; b) o sono reparador, que acomete os desencarnados, sobretudo quando acham que a morte era o aniquilamento total da criatura humana; c) o fato de, após despertar desse sono, o desencarnado sentir-se um outro ser e entender que se encontra num meio espiritual e que é um Espírito; d) a informação de que os que desencarnam com a convicção de que existe uma vida de além-túmulo não necessitarem dormir, a menos que cheguem ao mundo espiritual esgotados por longa enfermidade ou deprimidos por uma vida de tribulações; e) a circunstância de os Espíritos muito inferiores, que permanecem ligados à Terra, não gozarem do benefício do sono reparador e, por isso, perseverarem na ilusão de que continuam encarnados. (A Crise da Morte, pp. 70 a 75.)
B. Como os Espíritos satisfazem os hábitos voluptuosos que trazem da última existência?
Mencionando expressamente o livro Raymond, escrito pelo professor Oliver Lodge, Bozzano diz que os Espíritos recém-desencarnados não encontram no meio espiritual a mesma satisfação de antes, nos hábitos voluptuosos adquiridos no mundo dos vivos, e até os perdem. Todavia, quando chegam ao mundo espiritual, influenciados pelas tendências que os dominavam na Terra, há os que pedem de comer e outros que querem um gole de uísque. Existe, porém, um meio de contentá-los, fornecendo-se-lhes qualquer coisa que se assemelhe ao que reclamam. Desde, porém, que hajam saboreado uma ou duas vezes a coisa desejada, não mais sentem dela necessidade e a esquecem. (A Crise da Morte, p. 78.)
C. Que ensinamentos extraímos do nono caso?
Este caso foi tirado do livro de mensagens transcendentais intitulado A Heretic in Heaven. O médium-narrador é o Sr. Ernesto H. Peckham, e o comunicante, que fora membro do mesmo círculo experimental do Sr. Peckham, valeu-se de um pseudônimo – "Daddy" – para assinar as mensagens. Eis os detalhes contidos nas mensagens: a) embora morto, o Espírito se sentia mais vivo do que antes; b) os acessos de soluço, a asma e outros sintomas bronquiais, que o atormentaram no momento da morte, continuaram a afligi-lo na vida espiritual; c) sua mãe, que morrera havia muitos anos, e sua esposa foram visitá-lo em sua nova morada; d) seguiu-se depois disso um prolongado período de sono. (A Crise da Morte, pp. 84 a 91.)
D. O advento da Nova Revelação veio na época certa?
Sim. Segundo Bozzano, as manifestações mediúnicas se produziram no momento exato em que estavam maduros os tempos para serem compreendidas, apreciadas e assimiladas. Se as "pancadas" de Hydesville se houvessem produzido um século antes, teriam passado despercebidas e infecundas. "Cumpre, pois, se reconheça que a Nova Ciência da Alma nasceu na hora precisa, no seio dos povos civilizados", afirma Bozzano. (A Crise da Morte, pp. 91 e 92.)

Nota:
Links que remetem aos textos anteriores:




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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




A importância da vida em sociedade

Este é o módulo 37 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Por que é necessário ao homem viver em sociedade?
2. O isolamento do homem, com o objetivo de crescer espiritualmente, é atitude correta?
3. Quais as principais características de uma vivência cristã legítima?
4. Que pensar dos que se afastam do bulício citadino, para se dedicarem ao socorro dos desgraçados?
5. Tendo por modelo o exemplo de Jesus, que desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições para nos ajudar, como devem agir no mundo os que se dizem cristãos?

Texto para leitura

Deus não fez a ninguém perfeito, mas perfectível
1. “O homem é um animal social”, já o disse, com acerto, famoso pensador da Antiguidade, querendo com isso asseverar que o ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a Humanidade, a que o homem não se pode esquivar sem prejudicar-se, pois é por meio do relacionamento com os semelhantes que ele desenvolve suas potencialidades.
2. O insulamento priva o homem das relações sociais que lhe garantem o progresso. A razão disso é que Deus, em seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, mas perfectíveis. Por isso, para atingirmos a perfeição a que estamos destinados, precisamos todos uns dos outros, pois não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, na permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem os quais a sorte de nosso Espírito seria o embrutecimento e a estagnação.
3. Como o fim supremo da sociedade é a promoção do bem-estar e da felicidade de todos os que a compõem, para que isso seja alcançado há necessidade de que cada um de nós observe certas regras de procedimento ditadas pela justiça e pela moral, abstendo-se de tudo que as possa destruir.

O insulamento do homem é uma violência à lei natural
4. Homem nenhum possui faculdades completas. Com a união social elas se completam umas às outras. É essa a principal causa que determina que os homens, necessitando uns dos outros, vivam em sociedade e não insulados.
5. Em que pese o fato de ser o homem, inquestionavelmente, um ser gregário, houve quem pretendesse isolá-lo do mundo com o pensamento de que, assim fazendo, poderia ele melhor servir a Deus. Esse isolamento constitui, no entanto, uma violência à lei natural e se caracteriza por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia a dia.
6. A vivência cristã implica um clima de convivência social em regime de fraternidade, em que todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e problemas. Viver o Cristo é conviver com o próximo, aceitando-o tal qual é, com seus defeitos e imperfeições, sem a pretensão de corrigi-lo. O verdadeiro cristão inspira seu semelhante com bondade para que ele mesmo desperte e mude de conduta de moto próprio.
7. Isolar-se a pretexto de crescer espiritualmente não passa, pois, de uma experiência em que o egoísmo predomina, porque afasta o indivíduo da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade. Segundo o Espiritismo, tal procedimento só merece reprovação, visto que não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem deliberadamente se condena a não ser útil a ninguém.

Os que se isolam para ajudar o próximo têm duplo mérito
8. Já aqueles que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranquilidade reclamada por certas ocupações, como os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, embora afastados da convivência social eles prestam, obviamente, excelentes serviços à sociedade e adquirem duplo mérito, porque têm a seu favor, além da renúncia às satisfações mundanas, a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.
9. Lembra-nos Joanna de Ângelis que, ao descer das Regiões Felizes ao vale das aflições, para nos ajudar, Jesus mostrou-nos como devem agir os que se dizem cristãos. O Mestre não convocou a si os privilegiados, mas os infelizes, os rebeldes, os rejeitados, suportando suas mazelas e, mesmo assim, amando-os.
10. Evocando o exemplo do Cristo, a mentora de Divaldo P. Franco recomenda (Leis Morais da Vida, cap. 31):

“Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos que tu mesmo.
Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha.
Nada esperes dos outros.
Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende.
Se eles te enganam ou te traem, se te censuram ou te exigem o que te não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões.
Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.”

Respostas às questões propostas

1. Por que é necessário ao homem viver em sociedade?
“O homem é um animal social”, já o disse, com acerto, famoso pensador da Antiguidade, querendo com isso asseverar que o ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a Humanidade, a que o homem não se pode esquivar sem prejudicar-se, pois é por meio do relacionamento com os semelhantes que ele desenvolve suas potencialidades.
2. O isolamento do homem, com o objetivo de crescer espiritualmente, é atitude correta?
Não. Em que pese o fato de ser o homem, inquestionavelmente, um ser gregário, houve quem pretendesse isolá-lo do mundo com o pensamento de que, assim fazendo, poderia ele melhor servir a Deus. Esse isolamento constitui, no entanto, uma violência à lei natural e se caracteriza por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia a dia. Isolar-se a pretexto de crescer espiritualmente não passa de uma experiência em que o egoísmo predomina, porque afasta o indivíduo da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade.
3. Quais as principais características de uma vivência cristã legítima?
A vivência cristã implica um clima de convivência social em regime de fraternidade, em que todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e problemas. Viver o Cristo é conviver com o próximo, aceitando-o tal qual é, com seus defeitos e imperfeições, sem a pretensão de corrigi-lo. O verdadeiro cristão inspira seu semelhante com bondade para que ele mesmo desperte e mude de conduta de moto próprio.
4. Que pensar dos que se afastam do bulício citadino, para se dedicarem ao socorro dos desgraçados?
Os que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranquilidade reclamada por certas ocupações, como os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, prestam, obviamente, excelentes serviços à sociedade e adquirem duplo mérito, porque têm a seu favor, além da renúncia às satisfações mundanas, a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.
5. Tendo por modelo o exemplo de Jesus, que desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições para nos ajudar, como devem agir no mundo os que se dizem cristãos?
Lembra-nos Joanna de Ângelis que, ao descer das Regiões Felizes ao vale das aflições, para nos ajudar, Jesus mostrou-nos como devem agir os que se dizem cristãos. O Mestre não convocou a si os privilegiados, mas os infelizes, os rebeldes, os rejeitados, suportando suas mazelas e, mesmo assim, amando-os. Evocando o exemplo do Cristo, a mentora de Divaldo P. Franco recomenda: “Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos que tu mesmo. Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha. Nada esperes dos outros. Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende. Se eles te enganam ou te traem, se te censuram ou te exigem o que te não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões. Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.”

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:






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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pílulas gramaticais (266)



Há uma palavra francesa muito usada na conversação social e também em jornais e revistas: gourmet.
Alguém nos pergunta se gourmet é o mesmo que gourmand, outra palavra francesa de uso bem mais restrito.
A resposta é não, pois os significados delas são diferentes.
Gourmet, substantivo masculino, diz-se do indivíduo apreciador e conhecedor de iguarias finas. Exemplo: Na região em que nasci, Dr. Alberto, além de médico, era o único gourmet autêntico que havia.
Gourmand, também substantivo masculino, designa o indivíduo guloso, aquele que é dado às comidas apetitosas. Exemplo: Gilberto, apesar de obeso, continua sendo o mesmo gourmand de antes.

*

Heureca ou eureca?
Como se escreve a conhecida interjeição, que significa: Achei, encontrei?
Heureca nos veio do grego heúreka, pretérito perfeito do verbo heurískein – achar, descobrir. Ela se emprega quando a pessoa encontra a solução de um problema difícil.
Existe, contudo, de acordo com o Dicionário Aurélio, a forma eureca, que tem o mesmo significado. Portanto, ambas as palavras são corretas.



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terça-feira, 18 de julho de 2017

Contos e crônicas



O amor

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

O que é o amor?
Para mim, a maior energia da vida.
O amor é incomparável já que é a maior energia. Ele cura o que está enfermo, fortalece o que se equilibrou, acalma o que se atordoou, une o que se separou, traz luz e coragem, compreende e aceita, compartilha e ampara, dignifica, esclarece, guia pelo nobre caminho, age com paciência, assimila, faz brotar a bondade e colocar-se no lugar do próximo, abraça fraternalmente todos os olhos de traços diferentes, coloca com naturalidade no coração o desejo de melhora e o maior de tudo, aproxima a criatura do seu Criador.
Decerto, não haveria a vida se junto dela não houvesse o amor. Por causa deste é que todo progresso ocorre e a humanidade, aos poucos, se capacita. A criatura que não sente o amor é triste e enfraquecida, incapaz de doar o que não há em si, sofre profundamente a maior dor, ausência da maior energia. Nada é capaz de criar ou desenvolver, pois só o amor propulsiona o crescimento, descoberta, conquista, felicidade.
E essa sublime energia se dá por infinitas formas. Todo acontecimento, palavra, sentimento que traz leveza, delicadeza, conforto, paz e qualquer tipo de bem-estar, sem dúvida, o condutor é o amor. Algo tão notável é que à proporção que se conhece o amor não se consegue mais deixá-lo. E à medida que se sente este bálsamo não é mais possível viver sem, pois o coração o ama profundamente. Coração e amor, espírito e amor, vida e amor.
Não há distância nem tempo que poderão comprometer essa energia que transcende, eterniza e faz renascer a luz onde se encontrava a escuridão. As flores só são flores porque foram criadas com amor como tudo de maravilhoso que há; as tristes ou más coisas existem porque o amor está ausente por enquanto. Quando algo ainda está negativo é simplesmente pela razão de que seu benéfico oposto, por algum motivo, não pôde se apresentar ou não se edificou, no entanto, tudo está fadado ao amor e à felicidade não importa quanto tempo levará.
E diante de todo difícil momento, a nobre energia se encarregará de amenizar e de criar condição para a luz seguir adiante. O amor olha para a vida e vê somente possibilidades positivas, pois sua sabedoria compreende que para as conquistas o aprendizado, o esforço e o trabalho serão operantes de diversas maneiras. E o amor se encontra no olhar que sorri e no olhar que deseja o sorriso, na mão que se estende e na mão que a recebe.
Uma das mais nobres atitudes é desenvolver o amor e cultivá-lo, na verdade, não há maior sabedoria do que amar. E se o desejo é progredir, mesmo implicitamente, a essência do amor é a que deve perfumar como os campos de lavanda perfumam um enorme raio de distância. E a natureza continuamente ensina.
Caso os nossos olhos e sentimento ainda não perceberam a maior energia da vida, basta que observem um minutinho o próprio corpo. Eles perceberão que a máquina humana é perfeita e cada célula realiza o trabalho que lhe cabe e as milhares juntas mantêm o corpo humano, abrigo do espírito em cada encarnação, com a condição de a eterna essência alcançar o progresso.
E nesse mesmo instante, se a percepção humana atentar-se um pouquinho ao redor reconhecerá o amor em tantos universos que formam o Universo. Como as flores na primavera anunciando o início do ciclo de uma vida nova. Como a alegria de estar com quem se ama sem precisar dizer nenhuma palavra apenas estar próximo. Como as fantásticas fauna e flora; como a água límpida correndo no rio; como a proeza alcançada; como as possibilidades do horizonte; como o ar, a água, a terra, o fogo; como a comida que alimenta e a água que mata a sede; como o amanhecer e o anoitecer, o começo e a conclusão; como a doçura e a paz, o bem e a luz; como a bondade de Deus em nos criar.
Em todas as atitudes e realizações benfazejas, o amor é evidente.
Nas que ainda são mais difíceis, o amor por enquanto está um pouquinho adormecido, porém, latente.
E a maior energia abarcará todos os lugares a seu tempo, já que a vida, de fato, só existe porque junto dela está a eternidade do amor.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 17 de julho de 2017

As mais lindas canções que ouvi (251)



A Fonte

Celso Santos

De que lado sopra
O vento do entender?
De que lado vem?
De onde vêm as lágrimas
Que brilham luz?
De onde vêm
E quem as conduz?

Pra que lado parte
O amor a caminhar?
Por onde andará?
De onde vem a força
Que nos faz crescer?
Que fonte é essa
E onde estará?

Que nos leva a olhar
O que antes os olhos
Não queriam ver...
De que lado sopra
O vento do entender?
De que lado vem?
De onde vêm as lágrimas
Que brilham luz?
De onde vêm
E quem as conduz?

Pra que lado parte
O amor a caminhar?
Por onde andará?
De onde vem a força
Que nos faz crescer?
Que fonte é essa
E onde estará?

Que nos leva a olhar
O que antes os olhos
Não queriam ver
Para aprender a amar
Amar...



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifraclub.com.br/vozes-eternas/a-fonte/



Você pode ouvir a canção acima clicando no link indicado:
Grupo Vozes Eternas:




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