terça-feira, 23 de maio de 2017

Contos e crônicas



A arte da existência

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Se após a noite escura, o sol nasce com brilho; se após a chuva, as flores tornam-se mais vivas e coloridas; se após a dor, o bálsamo da paz visita o coração como se parecesse tão distante a turbulência que ocasionou o sofrimento; se após a grande lição, pernas mais fortes seguem o caminho rumo ao objetivo; se após a perda de um alguém dos nossos dias, o sonho, na noite, apresenta-nos a verdadeira vida... a eternidade; se após todo desalento há o seu reconforto, basta somente mais fé para senti-lo.
Nunca estamos sós e nunca estamos apenas à mercê de dias infelizes, a não ser que seja o desejo de um triste coração; porém, mesmo assim, a bondade divina é maior do que qualquer outro sentimento. Deus é tudo, é a vida, é a supremacia, é a luz eterna, é a alegria e a força, é a paz e o amor, é a proteção e o amparo, é o perdão e a bondade.
Se Deus, incomparável, criou-nos como Seus filhos, o que temeremos? Devemos aprender bem mais a viver esta tão abençoada oportunidade e compreender que esta é uma de tantas vividas e uma das inúmeras futuras reencarnações adiante. E se há sucessivas oportunidades, cada vez mais desenvolvermos a fé, que é a crença em algo que não se pode tocar, mas que totalmente se pode atestar e sentir, é imprescindível.
Desde o início, o amparo é companheiro e a luz não se apaga; às vezes, ela não é vista pelo motivo de os olhos estarem fora do ângulo do caminho reto, no entanto, a luz é eterna e sempre brilhará onde a bondade e o amor forem moradores e onde o esforço por melhoria for verificado.
O sorriso no rosto refletirá a esperança e o agradecimento e como é maravilhoso receber a alegria de olhos que simplesmente sorriem. Por recebermos a vida, já é a grande causa para sentirmo-nos fortes e felizes para a jornada dos infindos dias.
Tudo será valioso quando o amor for o regente da sinfonia e quando este amor for sentido pelo próprio coração, então, as dificuldades passarão e as dores se suavizarão, pois nenhuma ocorrência perdurará por tempos incalculáveis e o bem será valorizado e a turbulência sempre cessará. O pensamento, energia absoluta, precisa de direção e cultivo para sua melhor essência, já que se cria um universo pela forma de pensar.
E avante... este é o melhor imperativo sempre, pois nada para a não ser que se force a sua parada por um instante e desperdice o precioso tempo. Mas a vida é abençoada demais e precisa ser explorada com todo agradecimento. Menos medo, menos apego; as coisas boas se vão para que melhores ainda possam apresentar-se. E a mais notável companhia continua ao nosso lado... eternamente.
Nunca estaremos abandonados, portanto, nunca desistamos de nós mesmos. Somos o nosso tudo até agora e tudo o que mais podemos conquistar. À vida, a ausência de querer viver ‒ se isso vier um dia a acontecer ‒ lhe deixará um enorme vazio porque somos vida e na vida devemos estar, a nossa apatia deixará os seus doces olhos marejados de tristeza pela falta de fé.
E teremos todo amparo necessário e a renovação de forças para a continuidade e a cada passo alcançado nos aproximaremos mais da alegria. E o sentido do caminho será pleno quando o nosso coração reconhecê-lo como fundamental e não quando alheios corações quiserem impor-lhe um sentido equivocado.
Cada trilha é extremamente valiosa. Teremos companheiros sempre, mas a jornada será individual, e Deus continuará cuidando de cada um de nós.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 22 de maio de 2017

As mais lindas canções que ouvi (243)


Céu ou Inferno

Silvio Sodré

Não existe lugar destinado ao castigo eterno,
Pois Deus sempre nos dá uma chance de redenção.
Como pode alguém ser feliz no paraíso,
Ao saber que pra sempre padece o seu irmão?

Graça ou desgraça não é mais do que um estado interno,
Cada um traz em si o seu próprio céu ou inferno.
Não existe lugar destinado ao castigo eterno,
Cada um traz em si o seu próprio céu ou inferno.

De que vale ter a eternidade pra descansar,
Se é trabalhando que nos realizamos pr'um bem maior?
Vamos juntos construir na Terra o paraíso,
Externar nosso estado de espírito num mundo melhor.

Graça ou desgraça não é mais do que um estado interno,
Cada um traz em si o seu próprio céu ou inferno.
Não existe lugar destinado ao castigo eterno,
Cada um traz em si o seu próprio céu ou inferno.



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifraclub.com.br/silvio-sodre/ceu-ou-inferno/


Você pode ouvir a canção acima, na voz do próprio autor, clicando neste link: 
https://www.palcomp3.com/silviosodre/ceu-ou-inferno/
Para ouvir o CD Esperança, primeiro CD de músicas espíritas do mesmo autor, que contém a canção acima, clique em: 
https://www.youtube.com/watch?time_continue=2309&v=yPjBJas2CUI




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domingo, 21 de maio de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo



Por que muitos jovens mudam tanto ao final da adolescência

Surpresa com a mudança de temperamento que se verifica com alguns jovens no período final da chamada adolescência, uma leitora perguntou-nos se o Espiritismo tem alguma explicação para isso.
Sim. Trata-se de um assunto tratado com clareza na principal obra de Allan Kardec, como podemos ver no texto que adiante reproduzimos:
– Que é o que motiva a mudança que se opera no caráter do indivíduo em certa idade, especialmente ao sair da adolescência? É que o Espírito se modifica?
“É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era.” (O Livro dos Espíritos, questão 385.)
Na sequência da resposta, os instrutores espirituais disseram mais o seguinte:
“As crianças são os seres que Deus manda a novas existências. Para que não lhe possam imputar excessiva severidade, dá-lhes ele todos os aspectos da inocência. Ainda quando se trata de uma criança de maus pendores, cobrem-se-lhe as más ações com a capa da inconsciência. Essa inocência não constitui superioridade real com relação ao que eram antes, não. É a imagem do que deveriam ser e, se não o são, o consequente castigo exclusivamente sobre elas recai.
“Não foi, todavia, por elas somente que Deus lhes deu esse aspecto de inocência; foi também e sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza que as caracteriza. Ora, esse amor se enfraqueceria grandemente à vista de um caráter áspero e intratável, ao passo que, julgando seus filhos bons e dóceis, os pais lhes dedicam toda a afeição e os cercam dos mais minuciosos cuidados. Desde que, porém, os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e individual em toda a nudez. Conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas sempre irisados de matizes que a primeira infância manteve ocultos.” (Obra e questão citadas.)
Concluindo as explicações, os Espíritos acrescentaram:
“A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas.
“Assim, portanto, a infância é não só útil, necessária, indispensável, mas também consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.” (Obra e questão citadas.)
Reportando-se ao tema no livro O Consolador, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, Emmanuel reafirmou o ensinamento acima e a ele acrescentou informações importantes que vale a pena reproduzir para o leitor.
Escreveu Emmanuel:
“O período infantil é o mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos. Até os sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o caráter e a estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar.
Eis por que o lar é tão importante para a edificação do homem, e por que tão profunda é a missão da mulher perante as leis divinas.
Passada a época infantil, credora de toda vigilância e carinho por parte das energias paternais, os processos de educação moral, que formam o caráter, tornam-se mais difíceis com a integração do Espírito em seu mundo orgânico material, e, atingida a maioridade, se a educação não se houver feito no lar, então, só o processo violento das provas rudes, no mundo, pode renovar o pensamento e a concepção das criaturas, porquanto a alma reencarnada terá retomado todo o seu patrimônio nocivo do pretérito e reincidirá nas mesmas quedas, se lhe faltou a Luz interior dos sagrados princípios educativos.” (O Consolador, questão 109.)
Resumindo: o jovem, ao final da adolescência, é a mesma pessoa da anterior existência, com outro nome e outra roupagem, mas o mesmo Espírito. Se experimentou alguma melhora, essa se refletirá no seu comportamento. Se tal não ocorreu, estaremos diante do mesmo indivíduo, com as virtudes e também os defeitos que ostentou no passado.




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sábado, 20 de maio de 2017

Contos e crônicas


O feiticeiro Machado

Reendereçamento da crônica de 29 de agosto de 1889 (Gazeta de Notícias)

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Hão de fazer-me justiça, ainda, meus mais críticos leitores. Pois não é que, após atravessar as águas do Letes, virei feiticeiro? Aí embaixo, chamavam-me bruxo; aqui em cima, denominam-me feiticeiro. Durma-se com isso!
Agora, vou relatar-vos o que vi, do lado de cá, cuja responsabilidade por minha transformação espiritual foi fundamental. Vi o mago Merlin em frente à minha casa, colocando, num caldeirão negro, cheio de uma poção mágica enfumaçada, seis pés de galinha, seis asas de morcegos, sete rabos de arraia etc.
O conteúdo do caldeirão produzia várias bolhas, que subiam ao céu até desaparecerem. Uma delas estourou sobre minha cabeça, quando Merlin profetizou: Não és mais bruxo e, sim, feiticeiro. E o feitiço que fizeres somente uma pessoa poderá desfazê-lo: tu mesmo.
Fiquei intrigado com essa revelação e perguntei-lhe qual era o motivo de agora eu ser tido como feiticeiro, e não como bruxo. “Então não sabes a diferença entre um e outro? Pois revelar-te-ei agora: o bruxo é como eu, um mago capaz de fazer bruxarias. Atribuem-lhe poderes sobrenaturais, por desconhecimento das leis naturais da natureza; entretanto, tudo o que ele faz é um exercício de alquimia, ou seja, manipulação dos elementos químicos para produzir efeitos especiais. Já o feiticeiro faz feitiço, que é considerado coisa do diabo, mas não no teu caso. Teu feitiço é para o bem”.
Foi então que vi passar pelas minhas retinas tudo o que venho relatando-vos, leitor amigo, em 263 crônicas. E lembrei-me de ter dito alhures que o curandeirismo foi a célula da medicina. Tudo começou com as ervas, depois vieram os unguentos, os chás, as infusões e o emplasto Brás Cubas. Até que apareceram o dó-maior, o dó-menor, o ré-médio, o médico e a droga alopática. Tudo isso em nome da cura. Portanto, quem foi que disse que o curandeiro deve ser punido? Ele é pioneiro na cura das doenças. É o pai de Hipócrates e da sã medicina.
Dessa primeira conclusão decorre outra, a de que o Espiritismo é o santo remédio para um grande mal da humanidade chamado materialismo, essa fábrica de idiotas, de loucos inconsequentes... Não pode subsistir. Caso isso ocorra, cada alienado desses será capaz de causar prejuízo a milhões de cidadãos, antes de morrer e deixar no pó tesouros incalculáveis, que para ele não terão passado de alucinação e débito incalculável.
Felizmente, no meu caso, quem preparou a poção que me transformou foi Merlin, o bom mago, cujos poderes mágicos são voltados para o bem e o esclarecimento da humanidade com a sã profecia espírita.
O Espiritismo, amigo leitor, vem renovar os apelos de Jesus à humanidade: “Sede perfeitos, como vosso Pai o é”; “Amai o vosso próximo, fazendo-lhe tudo aquilo que desejais que ele vos faça”.
Só o amor permanece pela eternidade afora, o mais não passa de loucura e ignorância. Desvios da Lei Divina, que, por amor, nos fará retornar, pela dor, ao caminho do bem.
Por fim, o alerta máximo: “De que vale ao homem conquistar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” Pensai nisso, leitor, e estudai a proposta definitiva dos céus à humanidade, cuja revelação foi feita por aqueles que consideráveis mortos.
E amai-vos, com pureza total, com respeito de irmãos, com amor ao bem e ao exercício da caridade, quando percebereis que a matéria grosseira que tanto perseguis se esvai no ar como aquela bolha que estourou em minha cabeça.
Só o Espírito permanece, pois é eterno!






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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas




A Reencarnação

Gabriel Delanne

Parte 5

Continuamos o estudo do clássico A Reencarnação, de Gabriel Delanne, de acordo com a tradução feita por Carlos Imbassahy publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Existe alguma ligação entre os estados psíquicos e físicos de uma pessoa?
B. A sugestão hipnótica é o único processo que permite a lembrança do passado?
C. Diante das experiências conhecidas, pode-se dizer que tudo que vivenciamos e aprendemos se fixa para sempre em nós e deixa aí traços inapagáveis?
D. Que é criptomnésia?

Texto para leitura

79. O estado produzido pelo sonambulismo abarca toda espécie de memória, compreendidas as do sono e as da vida ordinária. (PÁG. 124)
80. A ressurreição das lembranças esquecidas de uma parte da vida, que Pitres chamou de "ecmenesia", foi assinalada por muitos autores. (PÁG. 126)
81. Não só as lembranças visuais ou auditivas se conservam, mas as aquisições intelectuais, asseveram Bourru e Burot, que descrevem a regressão de memória a que foi submetida uma jovem de nome Jeanne. (PÁGS. 126 e 127)
82. Há casos em que a revivescência do passado decorre de uma crise de histeria (caso Albertina); noutros, o fato se deve à sugestão. (PÁG. 128)
83. Podemos supor que as lembranças sucessivas se acumulam por andares e que as contemporâneas se ligam de maneira íntima, de tal sorte que não são unicamente as lembranças psicológicas que sobrevivem, mas todos os estados fisiológicos concomitantes: renovado um, o outro aparece. (PÁGS. 128 e 129)
84. Pierre Janet confirma essa ligação indissolúvel dos estados psíquicos e físicos do corpo, em um período qualquer de sua vida. (PÁG. 129)
85. A sugestão durante o sono hipnótico não é o único processo que permite a lembrança do passado; a regressão pode dar-se em casos de certas doenças, excitação maníaca e no êxtase. (PÁG. 132)
86. Emoções violentas têm como resultado pôr em ação, de repente, o mecanismo da memória, tal como se dá no momento da morte. (PÁG. 134)
87. Parece evidente, diante dos casos examinados, que todas as sensações que experimentamos são registradas e deixam em nós traços indeléveis; e o mais notável é que o esquecimento não implica, de forma nenhuma, o aniquilamento das lembranças. (PÁG. 134)
88. Todas as nossas lembranças, mesmo aquelas que não podemos renovar, vivem em nós de maneira latente e constituem os fundamentos de nossa personalidade; cada lembrança, física ou intelectual, contribui para a edificação de nossa vida mental. Pierre Janet o confirma. (PÁG. 135)
89. Um dos processos utilizados para exteriorizar as imagens mentais é o da bola de cristal. As visões que aí se obtêm, segundo pesquisadores ingleses, seriam alucinações visuais que exteriorizam imagens contidas no cérebro do experimentador sem deixar, porém, recordação consciente. (PÁG. 136)
90. Sem exagerar a importância dos fenômenos anímicos, é preciso, contudo, conhecê-los bem, para não supô-los fenômenos espiríticos, como os casos de criptomnésia (memória latente), que se assemelham à clarividência. (PÁG. 137)
91. Eis um exemplo: O Sr. Brodelbank perdeu uma faca. Seis meses depois, sonhou que a faca estava no bolso de uma calça usada. Acordando, procurou a calça e encontrou a faca no lugar indicado. (PÁG. 137)

Respostas às questões preliminares

A. Existe alguma ligação entre os estados psíquicos e físicos de uma pessoa?
Sim. As lembranças sucessivas se acumulam por andares e as contemporâneas se ligam de maneira íntima, de tal sorte que não são unicamente as lembranças psicológicas que sobrevivem, mas todos os estados fisiológicos concomitantes: renovado um, o outro aparece. Pierre Janet confirma essa ligação indissolúvel dos estados psíquicos e físicos do corpo, em um período qualquer de sua vida. (A Reencarnação, cap. VI, págs. 128 e 129.)
B. A sugestão hipnótica é o único processo que permite a lembrança do passado?
Não. A sugestão durante o sono hipnótico não é o único processo que permite a lembrança do passado; a regressão pode dar-se em casos de certas doenças, excitação maníaca e no êxtase. Emoções violentas podem ter, também, como resultado pôr em ação, de repente, o mecanismo da memória, tal como se dá no momento da morte. (Obra citada, cap. VI, págs. 126 a 128, 132 a 134.)
C. Diante das experiências conhecidas, pode-se dizer que tudo que vivenciamos e aprendemos se fixa para sempre em nós e deixa aí traços inapagáveis?
Sim. Parece evidente, diante dos casos examinados, que todas as sensações que experimentamos são registradas e deixam em nós traços indeléveis; e o mais notável é que o esquecimento não implica, de forma nenhuma, o aniquilamento das lembranças. Todas as nossas lembranças, mesmo aquelas que não podemos renovar, vivem em nós de maneira latente e constituem os fundamentos de nossa personalidade; cada lembrança, física ou intelectual, contribui para a edificação de nossa vida mental. (Obra citada, cap. VI, págs. 134 e 135.)
D. Que é criptomnésia?
Criptomnésia, ou memória latente, é um fenômeno anímico que se assemelha à clarividência. Eis um exemplo citado por Delanne: o Sr. Brodelbank perdeu uma faca. Seis meses depois, sonhou que a faca estava no bolso de uma calça usada. Acordando, procurou a calça e encontrou a faca no lugar indicado. (Obra citada, cap. VI, págs. 137 e 138.)


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




As Leis Morais e sua divisão

Este é o módulo 28 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. De onde advém para o homem o conhecimento da Lei Divina ou Natural?
2. Quem é, dentre os missionários enviados por Deus à Terra, o protótipo da misericórdia divina?
3. Que tipo de Espíritos são os profetas, os sábios e os legisladores que Deus enviou e ainda envia à Terra com o fim de fazer progredir a Humanidade?
4. De acordo com a Codificação Kardequiana, as Leis Morais dividem-se em quantas partes? Quais são elas?
5. De todas as Leis Morais, qual é a mais importante?

Texto para leitura

Conhecimento e reencarnação
1. O conhecimento da Lei Divina ou Natural faz parte do progresso espiritual do homem, que se processa ao longo de incontáveis encarnações, visto que em uma única existência é totalmente impossível tal aprendizado.
2. Não basta, porém, que nos informemos a respeito dela. É preciso que a compreendamos no seu verdadeiro sentido para que possamos observá-la. Como ensina a doutrina espírita, todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Um dia, no entanto, todos a compreenderão, porquanto é forçoso que o progresso se efetue.
3. Kardec, instruído pelos Espíritos Superiores, diz-nos que em todas as épocas da Humanidade e em todos os quadrantes da Terra sempre houve homens de bem inspirados por Deus para auxiliar a marcha evolutiva do ser humano.

Caráter do verdadeiro missionário
4. Profetas, sábios, legisladores têm sido os instrumentos de que o Pai se utilizou para que o homem, no ergástulo carnal, pudesse encontrar a rota segura que o levasse ao reino venturoso com que todos sonhamos. Dentre todos eles, avulta a pessoa de Jesus, o protótipo da misericórdia divina, o tipo mais perfeito que Deus ofereceu à Humanidade terrena, para lhe servir de guia e modelo.
5. Modelo a ser por nós seguido, ensinou pelo exemplo e pelo sacrifício, selando em testemunho supremo a excelência do seu messianato amoroso, por meio da doação da vida, incitando-nos a incorporar no dia-a-dia da existência a irrecusável lição do seu auto-ofertório santificante.
6. Os profetas, os sábios e os legisladores que Deus enviou e ainda envia à Terra são Espíritos Superiores que aqui se encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade. Tais Espíritos são possuidores de certa bagagem espiritual e, ao se comprometerem com essa ou aquela missão, para ela se preparam conscienciosamente antes do mergulho na carne.
7. Importante lembrar, no entanto, que os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte. Desempenham sua missão pela força do gênio que possuem, secundados pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado. Revelam-se, assim, por seus atos; não se proclamam missionários; são adivinhados; ao passo que os falsos profetas se dizem, eles próprios, enviados de Deus. O verdadeiro missionário é, pois, humilde e modesto; o outro, orgulhoso e cheio de altivez.

Subdivisão das Leis Morais
8. As Leis Morais são, como já foi visto, uma subdivisão da Lei Natural.
9. Estabelecidas pelo Supremo Pai, são elas de todos os tempos e, invioláveis, constituem o roteiro da felicidade que o homem alcançará mediante o seu progresso espiritual.
10. De acordo com a classificação adotada pela Codificação Kardequiana, as Leis Morais se subdividem, para efeito de estudo, em dez leis: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor e caridade.
11. A última delas – a lei de justiça, amor e caridade – é de todas a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras.

Respostas às questões propostas

1. De onde advém para o homem o conhecimento da Lei Divina ou Natural?
O conhecimento da Lei Divina ou Natural faz parte do progresso espiritual do homem, que se processa ao longo de incontáveis encarnações, visto que em uma única existência é totalmente impossível tal aprendizado.
2. Quem é, dentre os missionários enviados por Deus à Terra, o protótipo da misericórdia divina?
Jesus.
3. Que tipo de Espíritos são os profetas, os sábios e os legisladores que Deus enviou e ainda envia à Terra com o fim de fazer progredir a Humanidade?
Os profetas, os sábios e os legisladores que Deus enviou e ainda envia à Terra são Espíritos Superiores que aqui se encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade. Tais Espíritos são possuidores de certa bagagem espiritual e, ao se comprometerem com essa ou aquela missão, para ela se preparam conscienciosamente antes do mergulho na carne.
4. De acordo com a Codificação Kardequiana, as Leis Morais dividem-se em quantas partes? Quais são elas?
De acordo com a classificação adotada pela Codificação Kardequiana, as Leis Morais se subdividem, para efeito de estudo, em dez leis: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade, justiça, amor e caridade.
5. De todas as Leis Morais, qual é a mais importante?
A última delas – a lei de justiça, amor e caridade – é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:





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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Pílulas gramaticais (257)




Examine esta frase: “No Brasil, infelizmente, falta clareza e seriedade na condução dos negócios públicos”.
A frase está correta? Ou o certo seria: ... faltam clareza e seriedade na condução dos negócios públicos?
O assunto foi levantado por um leitor.
Ocorre que o entendimento entre os especialistas de nosso idioma estabelece que, se os sujeitos da oração apresentarem gradação entre si e forem sinônimos ou quase sinônimos, o verbo poderá ficar no singular ou no plural, de acordo com a intuição, o estilo e o desejo de quem a escreve. Assim sendo, as duas formas poderiam ser utilizadas.
Vejamos estes exemplos colhidos na obra Gramática Aplicada, de Paulo Sérgio Rodrigues (8ª edição, p. 294):
Um grito, uma palavra, um movimento, um simples olhar causava-lhe medo.
Um século, um ano, um mês não fará diferença.
A ira e a raiva prejudicava (ou prejudicavam) a saúde.
O castigo, a repreensão torna-se (ou tornam-se) necessários.
A questão proposta faz-nos lembrar um dos versos de Os Lusíadas, do notável e sempre admirado Camões:
As armas e os barões assinalados,
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte. (Os Lusíadas, Canto I, 1-2.) [O grifo é nosso.]




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