Como pode um Espírito induzir alguém a beber?
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
Um leitor do Rio de Janeiro (RJ) pergunta-nos como um Espírito age para induzir alguém a beber e, no que diz respeito ao tratamento do alcoolismo, quais medidas são recomendadas pelos autores espíritas.
A melhor descrição da ação de um alcoólatra desencarnado sobre uma pessoa que também bebe é-nos apresentada por André Luiz no capítulo VI, págs. 51 a 55, do livro Sexo e Destino, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Assim relata André
Luiz, na obra citada, o caso de Cláudio Nogueira:
– Estando Cláudio
sentado na sala de seu apartamento, dois Espíritos penetraram o recinto e
abordaram-no. Um deles, aproximando-se, exclamou: "Beber, meu caro, quero
beber!" Cláudio, atento à leitura de um jornal, nada ouviu pelos sentidos
físicos. Sua mente, porém, estava sintonizada com o Espírito, que repetiu
algumas vezes a solicitação, à maneira de um hipnotizador que insufla o próprio
desejo.
O resultado não
tardou. Cláudio desviou a atenção do jornal e deixou-se envolver pelo desejo de
beber um trago de uísque, convencido de que o desejo partia exclusivamente
dele. O pensamento de beber ganhou força, enquanto o Espírito, percebendo-lhe a
adesão, aproximou-se cada vez mais, até estabelecer-se entre ambos uma espécie
de fusão fluídica.
André Luiz
descreve o fenômeno como um verdadeiro encaixe: Cláudio e o desencarnado
movimentavam-se como se ocupassem um só corpo, dirigindo-se juntos ao frasco de
uísque. Não era possível determinar a quem pertencia o impulso inicial: se a
Cláudio, que admitia a instigação, ou ao Espírito, que a propunha.
O aspecto mais
significativo da narrativa, contudo, está na observação feita posteriormente
por André Luiz: Cláudio não era uma vítima inteiramente passiva daquele
processo. Continuava livre em seu íntimo; hospedava o outro, aceitava-lhe a
direção e entregava-se por deliberação própria. "Apelo e resposta",
esclarece o autor. "Eram cordas afinadas no mesmo tom."
Após novo trago,
Cláudio retomou tranquilamente a leitura, sem perceber – muito menos imaginar –
que alguém, invisível aos seus olhos, bebera com ele.
O relato de André
Luiz, portanto, chama a atenção para um ponto fundamental: a influência
espiritual não se estabelece de maneira arbitrária. Ela encontra campo
favorável na afinidade de pensamentos, desejos e hábitos, dependendo também da
aceitação, consciente ou não, daquele que sofre a influência.
Quanto ao
tratamento do alcoolismo, dada a extensão e a relevância do assunto, o tema
será examinado neste Blog no próximo domingo.
Nota
do Autor:
Para
ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/quem-foi-daniel-dunglas-home-astolfo-o.html
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