A dedetização seria, segundo os ensinos
espíritas, um equívoco?
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
Recebemos de um leitor uma pergunta curiosa e ao mesmo tempo
oportuna: “Já que, segundo o senso comum, somos todos irmãos, qual é a visão
espírita a respeito do ato de matarmos um pernilongo? Tal atitude é correta?”
O leitor citou um único inseto – o pernilongo – mas
poderia ter mencionado outros seres viventes que nós humanos costumeiramente
procuramos erradicar de nossas casas, como a formiga, a barata, o rato, o Aedes
aegypti etc.
O tema destruição é tratado no cap. VI d´O Livro dos
Espíritos, a principal obra espírita, publicada inicialmente por Allan
Kardec no dia 18/4/1857 e complementada no início de 1860. Fazem parte desse
capítulo as questões adiante reproduzidas:
731. Por que, ao lado dos meios de conservação, colocou a
Natureza os agentes de destruição?
“É o remédio ao lado do mal. Já dissemos: para manter o
equilíbrio e servir de contrapeso.”
732. Será idêntica, em todos os mundos, a necessidade de
destruição?
“Guarda proporções com o estado mais ou menos material
dos mundos. Cessa, quando o físico e o moral se acham mais depurados. Muito
diversas são as condições de existência nos mundos mais adiantados do que o
vosso.”
733. Entre os homens da Terra existirá sempre a
necessidade da destruição?
“Essa necessidade se enfraquece no homem, à medida que o
Espírito sobrepuja a matéria. Assim é que, como podeis observar, o horror à
destruição cresce com o desenvolvimento intelectual e moral.”
734. Em seu estado atual, tem o homem direito ilimitado
de destruição sobre os animais?
“Tal direito se acha regulado pela necessidade, que ele
tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais
constituiu direito.” (Negritamos.)
735. Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa
os limites que as necessidades e a segurança traçam? Da caça, por exemplo,
quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade?
“Predominância da bestialidade sobre a natureza
espiritual. Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação
da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades;
enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Terá
que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa
que cede aos maus instintos.”
Prover ao seu sustento e garantir a sua segurança
– eis os dois únicos casos em que assiste ao homem o direito de matar um ser
vivente pertencente ao reino animal.
Ora, é exatamente essa a situação mencionada na pergunta
do leitor, visto que o combate aos insetos capazes de transmitir doença aos
seres humanos enquadra-se perfeitamente na questão 734 d´O Livro dos
Espíritos.
Sobre o pernilongo, especificamente, é bom que o leitor
tome conhecimento de uma reportagem publicada pela BBC Brasil sobre a
descoberta feita pela bióloga Constância Ayres, da Fiocruz Pernambuco, segundo
a qual o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como muriçoca ou
pernilongo doméstico, pode também transmitir o vírus que causa microcefalia e malformações
em bebês. A matéria é complementada por uma entrevista à BBC Brasil em que a
bióloga fala sobre sua pesquisa e as implicações de sua descoberta. Eis o link
que leva à matéria publicada: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36871848
Informações como essa mostram que podemos e devemos, sim,
tomar as medidas saneadoras necessárias para evitar que tais insetos, ao saírem
do seu habitat, sejam veículos de doenças perfeitamente evitáveis e que, como
ninguém ignora, podem assumir a forma de uma epidemia, com consequências
desastrosas para as pessoas por ela atingidas.
Nota do Autor:
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