De três ordens são as provas da reencarnação
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
As provas ou evidências da reencarnação baseiam-se essencialmente
no seguinte:
1) Na regressão de memória, que pode efetuar-se
por força de sugestão, indução hipnótica ou recordação espontânea de
existências anteriores, sem que se identifique uma causa que a justifique;
neste último caso, a recordação pode dar-se tanto no sono comum como no estado
de vigília.
2) Nos ditados mediúnicos, em que o médium
transmite revelações sobre existências anteriores, próprias ou de terceiros.
3) Nas ideias inatas e nas crianças-prodígio,
fato que abalou e continua a abalar as bases científicas de hereditariedade.
As recordações espontâneas de existências passadas foram
objeto de pesquisas realizadas, entre outros, pelos professores H. N. Banerjee
e Ian Stevenson.
Professor na Universidade de Virgínia (EUA), Stevenson é
o autor do livro Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação, em que relata
experiências de pessoas que recordam espontaneamente episódios de existências
anteriores, espécie de fenômeno a que se deu o nome de “memória extracerebral”.
Secundariamente, não como prova de sua existência, mas
como indício óbvio de sua antiguidade no pensamento humano, a reencarnação é
também ensinada por diversas escolas filosóficas e religiosas – notadamente as
orientais. Pitágoras, por exemplo, foi um dos seus defensores mais ardorosos.
Alguns fatos registrados nos anais da história merecem
ser aqui lembrados, por constituírem testemunhos importantes em favor da
realidade da reencarnação:
Juliano, o Apóstata, lembrava-se de ter sido Alexandre da
Macedônia.
O poeta Lamartine declara em sua “Viagem ao Oriente” ter
tido reminiscências muito claras de suas existências passadas.
O escritor francês Mery recordava-se de ter combatido na
guerra das Gálias e também na Germânia, quando então se chamara Minius.
O sensitivo Edgar Cayce, em transe mediúnico, revelava
fatos de existências anteriores das pessoas que o procuravam e dele mesmo.
Cayce afirma que numa existência imediatamente anterior fora John Bainbridge,
nascido nas Ilhas Britânicas em 1742.
Pelo sono provocado através da hipnose, método muito
usado atualmente por médicos e psicólogos para fins terapêuticos, têm-se obtido
grandes e numerosas provas da reencarnação.
O psiquiatra inglês Denys Kelsey relata em seu livro Muitas
Existências, escrito em parceria com sua esposa, o caso de um cliente,
profissional liberal de meia-idade, afligido por persistente e invencível
inclinação homossexual. Depois de aplicar os métodos clássicos da psicanálise,
sem nenhum resultado, numa sessão de hipnose, já pela décima quarta consulta, o
paciente começou a descrever episódios de uma existência vivida entre os
hititas, quando, na qualidade de esposa de um dos chefes da época, acostumada
ao luxo, exercera grande poder sobre o marido. Os hititas habitaram a Síria
setentrional por volta de 1900 a.C. Quando a beleza física se foi e o marido
deixou de interessar-se por ela, o choque emocional foi muito forte para a sua
natureza apaixonada. Tentando atrair terríveis malefícios sobre seu esposo, ela
pediu a um sacerdote de Baal que o amaldiçoasse, mas no final ela acabou
assassinada, levando para o Além toda a frustração da sua humilhante posição de
esposa orgulhosa e desprezada. Ao que parece, deduziu o dr. Kelsey, o episódio
estava repercutindo na existência atual, na qual a mesma pessoa experimentava
inclinação homossexual.
Como exemplos de provas da reencarnação por meio de
ditados mediúnicos, Gabriel Delanne, em seu livro A Reencarnação,
menciona vários casos.
Eis um deles, que lhe foi relatado pelo Sr. E. B. de
Reyle, por meio de uma carta:
“Em agosto de 1886 – escreveu o Sr. de Reyle -, fizemos
uma sessão de evocação, no curso da qual se apresentou, a princípio pela
tiptologia, e depois, a nosso pedido, pela escrita medianímica, uma entidade
que meus pais perderam, ainda de pouca idade...
“Assegurava esperar, para reencarnar-se, o nascimento do
meu primeiro filho, especificando que seria rapaz e viria dentro de 18 meses.
Não se esperava uma criança. Ora, em fevereiro de 1888, nascia o nosso filho
mais velho, que recebeu o nome de Allan, na data prevista, com o sexo predito.”
A reencarnação permite-nos entender também as chamadas
crianças-prodígio, tema estudado por Allan Kardec, que perguntou aos Espíritos
Superiores: “Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que,
sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das
línguas, do cálculo, etc.?”
Os Espíritos responderam: “Lembrança do passado;
progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência. Donde queres
que venham tais conhecimentos? O corpo muda, o Espírito, porém, não muda,
embora troque de roupagem”.
Nessa citação encontramos mais uma evidência da
reencarnação: a das ideias inatas. A História nos revela inúmeros exemplos de
gênios, de sábios, de homens valorosos cujos pais, ou mesmo seus filhos, não
foram grandiosos como eles. Alguns desses Espíritos foram na Terra o que
costumamos chamar de meninos-prodígio, cujo talento conseguiu pôr em dúvida as
leis da hereditariedade.
Evidentemente, o Espiritismo não nega a hereditariedade
física ou genésica, mas repele a ideia de que exista uma herança moral ou
intelectual transmissível de pais para filhos. E, de fato, sabemos que vários
sábios nasceram em meios obscuros, como é o caso de Augusto Comte, Espinosa,
Kleper, Kant, Bacon, Young, Claude Bernard etc., enquanto homens de valor
tiveram como descendentes pessoas comuns ou mesmo medíocres. Péricles, por
exemplo, procriou dois tolos. Sócrates e Temístocles tiveram filhos indignos de
seus nomes, e os exemplos não param por aí, porque são muitos e conhecidos.
Segundo os ensinos espíritas, a reencarnação estimula o
progresso coletivo e individual e nos revela o que fomos, o que somos e o que
seremos, constituindo-se em um instrumento por excelência da lei do progresso e
de aplicação da lei de causa e efeito.
A doutrina das vidas sucessivas – ao contrário da crença
de que somos condenados a uma pena eterna depois de uma única oportunidade na
vida – satisfaz, assim, todas as aspirações de nossa alma, que exige uma
explicação lógica do problema do destino. E se concilia perfeitamente com a
ideia de que existe uma Providência divina, ao mesmo tempo justa e boa, que não
pune nossas faltas com suplícios eternos, mas nos enseja, a cada instante, o
poder de reparar nossos erros, elevando-nos na escala evolutiva graças aos
nossos próprios esforços.
Nota do Autor:
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