Pensamento e vida
Emmanuel
11
Excetuando-se os planos organizados para as obras especiais, em que Espíritos missionários senhoreiam as reservas fisiológicas para a criação de reflexos da Vida Superior entre os homens, impelindo-os a maior ascensão, todo berço de agora retrata o ontem que passou.
O caminho que iniciamos em determinada existência é o
prolongamento dos caminhos que percorremos naquelas que a precederam.
Esfalfa-se a
investigação científica na Terra, estudando o continuísmo biológico.
Núcleos de
cromossomas e veículos citoplásmicos, fatores de ambiente e genealogias
familiares são chamados pelos geneticistas à equação dos problemas da origem e
é natural que de suas indagações surjam resultados notáveis, quais sejam
aqueles que tangem aos caracteres morfológicos e às surpresas da adaptação.
O escalpelo da
observação humana, porém, não consegue, por agora, ultrapassar o recinto
externo da constituição orgânica, detendo-se no exame da conformação e da
estatura, da pigmentação e do grupo sanguíneo, alusivos à filiação corpórea, já
que os meandros da hereditariedade psíquica são, por enquanto, quase que
integralmente inacessíveis à sondagem da inteligência terrestre.
É que as células
germinais, por sementes vivas, reproduzem os nossos clichês da consciência no
trabalho impalpável da formação de um corpo novo.
Na câmara uterina,
o reflexo dominante de nossa individualidade impressiona a chapa fetal ou o
conjunto de princípios germinativos que nos forjam os alicerces do novo
instrumento físico, selando-nos a destinação para as tarefas que somos chamados
a executar no mundo, em certa quota de tempo.
Nisso não vai
qualquer exaltação ao determinismo absoluto, porque ninguém pode suprimir o
livre-arbítrio, com o qual articulamos as causas de sofrimento ou reparação em
nossos destinos, dentro do determinismo relativo em que marchamos para mais
altas formas de emoção e pensamento, na conquista da liberdade suprema.
Pelo transe da
morte física, regressamos à Vida Maior com a soma de realizações que nem sempre
são aquelas que devêramos efetuar. Em muitas circunstâncias, as imagens
trazidas da permanência na carne são fantasmas temíveis, nascidos de nossas
próprias culpas, exigindo reajuste e pagamento, a modelarem para os nossos
sentidos o inferno torturante em que se nos revolvem as queixas e aflições.
Eis, porém, que a
Justiça Fiel, por misericórdia, nos concede o retorno para a bênção do
reinício. Retomamos, assim, através do berço, o contato direto com os nossos
credores e devedores para a liquidação dos débitos que contraímos, cujo balanço
efetivo jaz devidamente contabilizado nas Leis Divinas.
É desta maneira
que comumente renascemos na Terra, segundo as nossas dívidas ou conforme as
nossas necessidades, assimilando para esse fim a essência genética daqueles que
se nos afinam com o modo de proceder e de ser.
Os problemas da
hereditariedade, em razão disso, descendem, de forma geral, dos reflexos
mentais que nos sejam próprios.
Em verdade, por
vezes, abnegados corações, cultivando a leira do amor pelo sacrifício, trazem a
si corações desditosos, guardando transitoriamente, nos braços, monstruosas
aberrações que destoam do elevado nível em que já se instalaram; contudo,
devemos semelhantes exceções ao espírito de renúncia com que fazem emergir das
regiões infernais velhos laços afetivos, distanciados no tempo, usando o divino
atributo da caridade.
De conformidade
com a regra, porém, nosso berço no mundo é o reflexo de nossas necessidades,
cabendo a cada um de nós, quando na reencarnação, honrá-lo com trabalho digno
de restauração, melhoria ou engrandecimento, na certeza de que a ele fomos
trazidos ou atraídos, segundo os problemas da regeneração ou da mordomia de que
carecemos na recomposição de nosso destino, perante o futuro.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
|
To read in English, click
here: ENGLISH |

Nenhum comentário:
Postar um comentário