terça-feira, 8 de março de 2016

O nome Maria deriva da palavra amor


(Homenagem ao Dia Internacional da Flor e da Ternura)


CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Como os passos caminhando pela estrada com pedregulhos ou a suave superfície, algumas vezes com flores pelo caminho, outras ainda com a cor mais gris; certos momentos com todo o sol a brilhar e momentos outros com apenas um raio a nascer, mas capaz de um pouco iluminar a quase escuridão do fim da noite. Pés que simplesmente querem caminhar, viver, progredir.
Constituída de uma maior fragilidade física, consegue amparar mais que outras forças desmedidas; ouve com mais tempo e compreende melhor; abraça com mais ternura e cura machucados e corações, pois também pode ser mãe; cala-se muitas vezes para não comprometer outros seres que ama e começa a compreender que a mansidão compõe-se de mais desenvolvimento que a necessidade de imposição. E sua sabedoria abre estradas e conquista horizontes azuis.
Não se envergonha tanto mais se sua emoção se extravasar como orvalhos em sua face, sua emoção é mais compassiva, enternecida. Não necessita ouvir duras palavras em tons agressivos, pois sabe que a conversa em calmo tom chega à compreensão. Chora baixinho, escondido, para logo respirar fundo, secar o orvalho e seguir... tantos dependem desse olhar refazedor; essa criatura possui luz a irradiar.
Quando a tempestade anuncia, sabe que passará e um novo céu virá, consegue cultivar o otimismo e a energia para querer viver já que a vida possui cores tão lindas a serem apreciadas e sorrisos largos a serem compartilhados. No jardim, as flores dão vida à paisagem e suas formas adornam o espaço infinito e olham com mais naturalidade para o céu; flores e cores imensamente preciosas.
As mãos mais delicadas e habilidosas recebem o amigo, fortalecem o companheiro desfalecido, trabalham arduamente por si e por muitos outros; dessas mãos emanam luz de amor e carinho, de doçura e encorajamento e elas desejam a paz e a proteção para continuarem o plantio de flores, pois são semelhantes e se compreendem.
Maria de Nazaré veio em sua roupagem de mulher para ser a mãe de Jesus e todos os atributos refinados lhe pertenceram. Sim, só poderiam essas palavras ser em homenagem à mulher, notável criatura. A mãe do Mestre é sui generis e o mais sublime exemplo para os espíritos, especialmente, os que na mesma forma, no momento, se encontram e todos aqueles que, no futuro, experienciarem.
Que o respeito, o direito, o carinho, o amor, a proteção e infindáveis sentimentos e atitudes benfazejas se eternizem na vida de uma mulher. E que os orvalhos, em sua face, sejam de alegria como os da flor que amanhece linda depois de uma noite de céu azul escuro preenchido com estrelas brilhantes. A vida confirma que a flor e a face de uma mulher são palavras de mesmo sentido.
E olhando para o horizonte com campo florido, agradeço a Deus por nos presentear com o mais lindo exemplo de mulher que foi Maria de Nazaré, a doce e bondosa Mãe de Jesus e de todos os filhos que dela desejarem ser.

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segunda-feira, 7 de março de 2016

As mais lindas canções que ouvi (180)


Menina moça

Luís Antônio


Você, botão de rosa,
Amanhã a flor mulher,
Joia preciosa, cada um deseja e quer.

De manhã banhada ao sol,
Vem o mar beijar,
Lua enciumada noite alta vai olhar...

Você, menina moça,
Mais menina que mulher,
Confissões não ouça,
Abra os olhos se puder.

Tudo tem seu tempo certo,
Tempo para amar,
Coração aberto faz chorar.

A lua, o sol, a praia, o mar...
Missão de Deus,
A vida eterna para amar.



Você pode ouvir a canção acima, na voz dos intérpretes abaixo, clicando nos links citados:



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domingo, 6 de março de 2016

Do que é capaz a irresponsabilidade


Vivemos momentos difíceis na atualidade do movimento espírita brasileiro, mas o culpado disso somos nós mesmos.
Temos confundido o significado da palavra tolerância. Tolerância, não há dúvida, é um dever nosso para com todas as pessoas, mas jamais com os erros por elas cometidos. Apontar o engano, a falha, o equívoco é um bem que fazemos àquele que erra, visto que, advertido dos seus equívocos, poderá galgar novo patamar de entendimento. Evidentemente que ao fazê-lo não nos cabe expor ninguém ao ridículo ou à zombaria, porque isso fere o princípio da caridade, que é um bem precioso que nós espíritas não podemos ignorar.
Nosso segundo erro é a irresponsabilidade que tem levado muitas pessoas, não só os médiuns, a desprezar as bases fundamentais sobre que foi codificada a Doutrina Espírita. Parece até que nos esquecemos da lição que Emmanuel deu a Chico Xavier nos primórdios do seu trabalho tão admirado pelos espíritas do Brasil. Era preciso, disse-lhe o querido mentor, comparar os escritos mediúnicos com a obra de Kardec e os ensinamentos de Jesus. Em caso de discordância, o destino dos escritos seria a cesta do lixo, ainda que o autor da comunicação fosse ele próprio.
Na principal obra dirigida aos médiuns e aos dirigentes espíritas, Kardec inseriu duas lições imprescindíveis e que se mantêm atuais, uma firmada por Erasto, outra por São Luís.
A primeira compõe o item 230 d´O Livro dos Médiuns:

"Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade.
"Lembrai-vos, no entanto, ó espíritas! de que, para Deus e para os bons Espíritos, só há um impossível: a injustiça e a iniquidade. O Espiritismo já está bastante espalhado entre os homens e já moralizou suficientemente os adeptos sinceros da sua santa doutrina, para que os Espíritos já não se vejam constrangidos a usar de maus instrumentos, de médiuns imperfeitos. Se, pois, agora, um médium, qualquer que ele seja, se tornar objeto de legítima suspeição, pelo seu proceder, pelos seus costumes, pelo seu orgulho, pela sua falta de amor e de caridade, repeli, repeli suas comunicações, porquanto aí estará uma serpente oculta entre as ervas. É esta a conclusão a que chego sobre a influência moral dos médiuns. (Erasto)."

A segunda lição pode ser vista no item 266 da obra citada:

“Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons Espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são. Eis aqui o conselho que a tal respeito nos deu São Luís: ‘Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao cadinho da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro’."

*

Herculano Pires, que, segundo Emmanuel e Chico Xavier, era quem mais entendia da obra de Kardec, jamais deixou de apontar os erros, fosse de quem fosse, porque acima de tudo temos de preservar a Doutrina e não permitir que nos usem para denegri-la.
Divulga-se, porém, em nosso meio um jornal que parece ser dirigido por não espíritas, um jornal que usa o nome de Chico Xavier, não para endeusá-lo, como aparentemente poderíamos pensar, mas para enlameá-lo e diminuí-lo aos nossos olhos, ao atribuir a ele a defesa do aborto e, o que é muito mais sério e lamentável, a colocar em seus lábios a informação de que uma pessoa pode morrer e outro Espírito encarnar no cadáver, reanimá-lo e continuar vivendo. A suposta revelação foi divulgada, obviamente, depois da desencarnação de Chico Xavier, que jamais psicografou tamanha tolice...


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sábado, 5 de março de 2016

Destaques da semana da revista “O Consolador”


Já está disponível na internet a edição 455, de amanhã, domingo, da revista O Consolador.
Como já foi amplamente divulgado, a revista não mais envia aos leitores, por e-mail, os destaques semanais de suas edições. Os destaques da revista são postados neste blog sempre aos sábados, exatamente às 17 horas, como fazemos neste instante.
A seguir:

Destaques da edição 455 de O Consolador

Link que remete à edição 455 da revista O CONSOLADOR:
Neuza Zapponi de Mello, de Brasília (DF), é a nossa entrevistada.
Humberto Werdine: “São os espíritas os denominados trabalhadores de última hora?”
Veja como foi o seminário “Liberta-te do Mal” efetuado em São Paulo por Divaldo Franco.
“A primeira necessidade dos espíritas” é o título e o tema do nosso editorial.
“Saberes de espiritualidade e paz”, de Vinícius Lima Lousada, é o novo e-book da EVOC.
Saiba o que ocorre nesta semana no movimento espírita brasileiro.
Anote e acompanhe os eventos espíritas internacionais desta semana.
Qual, dentre os princípios da Doutrina Espírita, o mais fecundo?
De que tipo é a ação magnética praticada na Casa Espírita?
Quem é, segundo André Luiz, digno de ser chamado vencedor?
Altamirando Carneiro: “A Bíblia confirma o Espiritismo”.
No processo da desencarnação, nossos familiares nos auxiliam?
“Altivo Ferreira, uma síntese biográfica.” (Antonio Cesar Perri de Carvalho)
Pergunta de um leitor: as aparições de Espíritos são fatos reais ou obras diabólicas?
Emmanuel: “Em qualquer circunstância, trabalha e serve, quanto puderes”.
Celso Martins: “Lembrando Leopoldo Machado”
“Talidomida.” (Humberto de Campos e Chico Xavier)
“Afetividade na família.” (Édo Mariani)
Que efeito a doutrinação exerce sobre o obsessor desencarnado?
Para onde vão os Espíritos que não chegaram a nascer, como no aborto?
“Semeadura.” (Felinto Elízio Duarte Campelo)
O acidente em serviço – outro lindo conto escrito por Meimei.
Jorge Hessen: “O autismo sob o discurso kardeciano”.
Qual é o significado de chacra?
O 100º Congresso Universal de Esperanto teve direito a um pedido de casamento.
“Quando a gente vira dogma.” (Marcelo Teixeira)
“Provação materna” é o título de comovente soneto de Valentim Magalhães.
Waldenir A. Cuin: “Saber escolher os nossos tesouros.”




Os proletários sem casa


JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Em visita à TV Globo, entrei pelo buraco da fechadura da porta, para ver e ouvir, sem ser visto, a reprise de antigo programa humorístico, dessa emissora, com sátira do Jô à entrevista do antigo programa governamental para financiamento carioca de casa própria. Então resolvi parodiá-lo:
– O que deseja? – pergunta o corretor da agência financiadora.
– Eu quero comprá uma casa na avenida Vieira Souto – responde o proletário iludido.
– Ah, o senhor quer uma casa de frente para a praia e com o metro quadrado mais caro da América Latina?
– Isso mermo qui eu queria...
– Sei, mas o senhor tem renda suficiente?
Dispois que o sinhô falô, si eu não tivé, minha mulé completa.
– E qual é o trabalho da sua mulher?
– Ela vende picolé na praia, por isso vai ótimo comprá esse imóvel, pois ela vai trabaiá di frente da nossa casa.
– E quanto é que o senhor ganha por mês?
– Três salários mínimos!
O agente financeiro puxa um mapa do Rio de Janeiro e começa a percorrê-lo com os dedos, até parar em Itaperuna, que fica do outro lado do mapa, a 313 km da capital carioca. Então, diz para o proletário:
– É aqui que você deve morar, com o salário-família apresentado. (Percebeu, leitora atenta, a mudança no tratamento ao proletário? O “senhor” virou “você”, mas o proletário...)
– É mermo? Intonce eu num posso morá na Vieira Souto? Pergunta o desiludido sonhador.
– Não, mas o bairro onde você e sua mulher vão morar é excelente!
Cum certeza, lá tem mar e praia pra minha mulé vendê picolé, não é, doutô?
– Não, mas tem o rio Muriaé e a segunda maior estátua do Cristo Redentor do Brasil, com vinte metros de altura.
– Ah, bão... Só tem um porblema, doutô, a estátua num chupa picolé e no rio num tem praia...
– Sim, mas isso são meros detalhes. O importante é que você vai poder comprar sua casa ali, de longos 30m², incluído um jardim na frente, onde cabe uma bananeira.
– Mas nós não come só banana, doutô...
– Então vá plantar batatas!
Doutô, nós vai morar na Vieira Souto nem que seja debaixo da ponte.
– Só tem um problema, meu jovem...
– Qual?
– Não existe ponte na Vieira Souto!
...

Que saudades do Jô humorista!

Em solidariedade aos proletários de todo o mundo, acrescento o poema joteliano, que revisei após edição em Poemas e poetas II: antologia poética. Rio de Janeiro: Littteris, 1990; “prêmio de edição”. A renda será utilizada para comprar o apartamento dos sonhos da Maria e de você, proletário sonhador:

Maria de Ponte
(Joteli)

Seu nome é Maria...
Debaixo da ponte,
Maria ficou
Sem teto e sem fonte...

As suas crianças,
Coitadas, também...
Maria e os filhos
Estão sem ninguém.

Ninguém que socorra
A pobre – na cruz –
Que foi despejada
Após dar à luz.

Maria, coitada,
Perdeu o seu lar
E sonha voltar
Lá para o Pará...

Pois eis que uma empresa
Com base em sentença...
Tombou sua casa
Sem sua licença.

E, desanimada,
Sem grana, sem nada,
Contando seis filhos,
Se sente cansada...

Miséria total,
Jamais poderia
Pagar pra morar
A pobre Maria.

O seu barracão
De sobras de tábuas
Foi fruto do amor
De bondosas almas.

E agora, Maria,
Que deixou nascer
Seu novo bebê,
Nem pode morrer...

Oh! Deus, diga aonde
Pode esta coitada
Ter dignidade
Com a filharada...

A pobre Maria
Outrora tão linda,
Sem ter trinta anos
Jaz envelhecida.

Outrora sonhara
Poder se casar,
Ter vida tranquila,
Ter filho, ter lar...

Outrora viera
Lá do seu Pará
E fora estuprada
No Paranoá.

Agora, enjeitada,
Com rugas na fronte,
Está com seis filhos
Debaixo da ponte.





sexta-feira, 4 de março de 2016

É fatal o instante da morte?


Um leitor escreveu-nos o seguinte: “Uma amiga de 35 anos desencarnou em um acidente de carro. O esposo e filha sobreviveram. Esse tipo de desencarne violento tem relação com merecimento? O que significa desencarnar em um acidente de carro?”
O momento em que se dá a morte corpórea de uma pessoa, ressalvados os casos de suicídio voluntário e involuntário, está geralmente ligado à chamada programação reencarnatória.
É isso que elucida o fato, aparentemente inexplicável, de pessoas regressarem muito cedo à pátria espiritual, enquanto outras, mais idosas e às vezes muito doentes, por aqui continuam.
No acidente mencionado pelo leitor deduzimos que havia três pessoas no carro: duas sobreviveram e apenas uma desencarnou, comprovando a informação transmitida pelos instrutores espirituais na questão 853 d´O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, adiante reproduzida:

853. Algumas pessoas só escapam de um perigo mortal para cair em outro. Parece que não podiam escapar da morte. Não há nisso fatalidade?
“Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podeis furtar-vos.”
a) Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos?
“Não; não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Quando, porém, soe a hora da tua partida, nada poderá impedir que partas. Deus sabe de antemão de que gênero será a morte do homem e muitas vezes seu Espírito também o sabe, por lhe ter sido isso revelado, quando escolheu tal ou qual existência.” (O Livro dos Espíritos, 853.)

As explicações dadas pelos instrutores espirituais permitem-nos compreender por que nem todas as pessoas, embora em situação idêntica, colhem igual resultado na eventualidade de um acidente.
Existem casos em que, enquanto alguns desencarnam e outros sofrem mutilações físicas diversas, outros nada apresentam, como se não estivessem presentes no mesmo acontecimento.
Dada a importância do assunto, Emmanuel também dele tratou no livro O Consolador, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier:

146 – É fatal o instante da morte?
“Com exceção do suicídio, todos os casos de desencarnação são determinados previamente pelas forças espirituais que orientam a atividade do homem sobre a Terra. Esclarecendo-vos quanto a essa exceção, devemos considerar que, se o homem é escravo das condições externas da sua vida no orbe, é livre no mundo íntimo, razão por que, trazendo no seu mapa de provas a tentação de desertar da vida expiatória e retificadora, contrai um débito penoso aquele que se arruína, desmantelando as próprias energias. A educação e a iluminação do íntimo constituem o amor ao santuário de Deus em nossa alma. Quem as realiza em si, na profundeza da liberdade interior, pode modificar o determinismo das condições materiais de sua existência, alçando-a para a luz e para o bem. Os que eliminam, contudo, as suas energias próprias, atentam contra a luz divina que palpita em si mesmos. Daí o complexo de suas dívidas dolorosas. E existem ainda os suicídios lentos e gradativos, provocados pela ambição ou pela inércia, pelo abuso ou pela inconsideração, tão perigoso para a vida da alma, quanto os que se observam, de modo espetacular, entre as lutas do mundo. Essa a razão pela qual tantas vezes se batem os instrutores dos encarnados, pela necessidade permanente de oração e de vigilância, a fim de que os seus amigos não fracassem nas tentações.” (O Consolador, questão 146.)

O leitor perguntou também, em sua carta, o que significa desencarnar em acidente de carro. Entendemos que as condições que levam à morte corpórea de uma pessoa podem ter, sim, relação com fatos ocorridos em existências anteriores, visto que é diferente a situação produzida pela morte violenta, em comparação com a morte suave, em que a vida se esvai como uma vela que se apagasse.
Na questão 152 do seu livro, acima citado, Emmanuel comenta também o assunto:

152 – A morte violenta proporciona aos desencarnados sensações diversas da chamada “morte natural?”
“A desencarnação por acidentes, os casos fulminantes de desprendimento proporcionam sensações muito dolorosas à alma desencarnada, em vista da situação de surpresa ante os acontecimentos supremos e irremediáveis. Quase sempre, em tais circunstâncias, a criatura não se encontra devidamente preparada e o imprevisto da situação lhe traz emoções amargas e terríveis. Entretanto, essas surpresas tristes não se verificam para as almas, no caso das enfermidades dolorosas e prolongadas, em que o coração e o raciocínio se tocam das luzes das meditações sadias, observando as ilusões e os prejuízos do excessivo apego à Terra, sendo justo considerarmos a utilidade e a necessidade das dores físicas, nesse particular, porquanto somente com o seu concurso precioso pode o homem alijar o fardo de suas impressões nocivas do mundo, para penetrar tranquilamente os umbrais da vida do Infinito.” (O Consolador, questão 152.)

Embora constitua um momento doloroso a partida para o Além de um ente querido, não podemos ignorar, à luz do Espiritismo, que não ocorre perda alguma, que ninguém morre, que os afetos permanecem e que o reencontro entre as pessoas que se amam é um fato palpável e confirmado por todos aqueles que voltaram para dizer que a vida continua e que sua desencarnação não foi fruto de mero acaso.




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quinta-feira, 3 de março de 2016

Pérolas literárias (140)


Minha vida
Hermes Fontes

Não pude compreender o meu destino
Na amargura invencível do passado,
Que amortalhou meu sonho peregrino
Nas trevas de um martírio irrevelado.

Do sofrimento fiz o apostolado,
Como fizera de minha arte um hino,
Procurando o país indevassado
Do ideal luminoso de Aladino.

E fui de vale em vale, serra em serra,
Buscando a imagem fúlgida, incorpórea,
Do que chamamos — a felicidade.

Mas só colhi os frutos maus da Terra,
As promessas pueris da falsa glória,
E o triste engano da celebridade.


Hermes Fontes nasceu em Sergipe, na Vila de Boquim, em 1888, e suicidou-se no Rio de Janeiro em 26/12/1930. O soneto acima, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, integra o livro Parnaso de Além-Túmulo.



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quarta-feira, 2 de março de 2016

Pílulas gramaticais (194)


Da lista de erros corriqueiros que se cometem no uso do idioma português, eis mais alguns exemplos:

A reclamação foi apresentada junto ao Procon.
O correto: A reclamação foi apresentada ao Procon.
Explicação: é incabível em frases desse tipo o uso do advérbio “junto”.
Outros exemplos: O pedido deu entrada na delegacia (e não “junto à delegacia”). O prestígio da revista cresceu entre os leitores (e não “junto aos leitores”).

A notícia chegou a duas horas.
O correto: A notícia chegou há duas horas. Ou: A notícia chegou faz duas horas.
Explicação: para indicar tempo passado, usa-se o verbo “haver” ou o verbo “fazer”.

O ônibus sairá daqui há três horas.
O correto: O ônibus sairá daqui a três horas.
Explicação: para indicar tempo futuro, usa-se a preposição “a”.

Joana deu a luz a dois meninos.
O correto: Joana deu à luz dois meninos.
Explicação: a expressão correta é “dar à luz”, ou seja, pôr no mundo.
Outros exemplos: A artista deu à luz três crianças. Minha sobrinha deu à luz quíntuplos.

Na festa éramos em quatro à mesa.
O correto: Na festa éramos quatro à mesa.
Explicação: em frases desse tipo não cabe a preposição “em”.

*

Logo que entrou em vigor no Brasil o novo Acordo Ortográfico muitas dúvidas foram levantadas e somente resolvidas algum tempo depois, quando a Academia editou o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).
Eis três inovações introduzidas pelo VOLP vigente:
- os advérbios tão só e tão somente são escritos assim mesmo, sem hífen.
- as palavras algoz e algozes são pronunciadas com a vogal “o” fechada ou aberta (algôz ou algóz), indiferentemente.



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terça-feira, 1 de março de 2016

Sonhos: além de não envelhecerem, alimentam a alma


CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Como não sonhar? Como pode ser uma vida sem sonhos?
Não há medida para os sonhos que podem ser além da razão e apenas o sentimento compreender; ou singelos e sensíveis como tocar uma delicada flor ao ar livre; podem-se denominar pelos esforços para a aquisição de melhores estágios culturais como, misturados com a fé, o grande desejo de uma cura ou a esperança de um perdão recebido. Por serem sonhos, são transcendentais e tudo podem no reino do grande desejo de um coração. Mas sonhos só se realizam quando a bondade os sustentar, pois se assim não ocorrer, poderá ser qualquer outra coisa menos sonhos.
Há crianças que já cultivam fortes aspirações; umas narram, à sua maneira, o encanto sideral e não há outra profissão a não ser astronomia; outras sonham em ser médicas e tornam-se engenheiras, pois os sonhos também mudam, no entanto devem existir; há meninos que muito desejam ser bombeiros e policiais e queira sua determinação sejam bons cuidadores e protetores do maior número de vidas; há ainda crianças que sonham em proteger todas as borboletas e transformam-se em doces adultos a serviço da ternura no dia a dia.
Mesmo depois da infância e adolescência, os sonhos existem e, na fase adulta e pós-adulta, sem dúvida, eles ainda aguardam, todo momento, ser realidade, pois o maior desejo de um sonho é ganhar vida, embora nem sempre ele se realize da maneira esperada, mas cria meios para o melhor acontecer.
Inúmeros corações continuaram a bater por causa de um sonho e quantos outros passaram toda a existência desenvolvendo-o e aprimorando-o para no limite da partida viverem o sorriso mais franco e feliz da conquista. Entretanto, para o sonho começar a ter vida, o sonhador precisa saber o que quer, desejar de fato e acreditar em sua realização, pois sonhos são sonhos e vontades passageiras são renovadas cotidianamente. Um sonho continua até ser concretizado, porque depois ele passa a ser realidade.
Os sonhos possuem regras: não devem ser discriminados, limitados ou medidos, tampouco destruídos, pois além de eles não envelhecerem nem perderem o encanto, eles alimentam almas para a continuidade da existência. Tantos são os casos de corações que prosseguiram, vivos, por causa dos sonhos tão almejados.
Há sonhos que são coletivos como uma sociedade mais justa; há outros, familiares, uma casa para morar; também os pessoais, uma grande realização em determinada área; até os animaizinhos sonham e muitos desses sonhos se resumem em ter alguém que, com carinho e respeito, lhes possa cuidar; há os sonhos das mentes mais esclarecidas como os votos de mais luz para as outras mentes poderem discernir, pois felicidade legítima só começaremos a compreender quando o maior número de corações pulsar com harmonia e aflorar o despertamento para as essenciais verdades da vida.
Algo relevante é que quando se menciona sonho, muitas pessoas associam a ele apenas a parte mais bela da conquista; não esqueçamos jamais que, para os sonhos concretizados, uma porcentagem muito maior de trabalho, disciplina e persistência foi aplicada ao desejo sonhado.
E como é extraordinário observar os grandes sonhadores que se transformaram em notáveis realizadores de seus sonhos fantásticos para eles próprios e para sociedades inteiras. Portanto, todo sonho é valioso, mas sem esquecer que ele só recebe esse nome por estar baseado nos bons sentimentos.
Então, que possamos realizar os nossos sonhos e estes se transformarem em alegria como se fossem trazidos pelas asas dos anjos que nos querem bem, impulsionadas pelo sopro da bondade.


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