domingo, 2 de agosto de 2026

 



Riqueza e pobreza são provas e a perfeição é o objetivo

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Uma leitora de São Paulo (SP) pergunta:

 

“Em que sentido a riqueza pode ser uma prova? Qual é a finalidade de uma prova que tantas pessoas na Terra almejam? Basta ver uma casa lotérica nos fins de semana, apinhada de pessoas que sonham com um dos prêmios sorteados pela Caixa Econômica Federal.”

 

À primeira vista, é realmente difícil acreditar que a riqueza, assim como a beleza estonteante, possa constituir uma das provas que enfrentamos durante a experiência reencarnatória.

Esse é, contudo, o ensinamento espírita.

Riqueza e pobreza são provas pelas quais o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo maior: alcançar a perfeição.

Com esse propósito, Deus concede a uns a prova da riqueza e a outros a da pobreza, experimentando-os de maneiras diferentes. Segundo numerosos relatos de autores respeitáveis, essas provas são, muitas vezes, escolhidas pelos próprios Espíritos antes da reencarnação.

Ambas são difíceis. Na pobreza, o Espírito pode ceder à revolta e à blasfêmia contra o Criador; na riqueza, expõe-se ao abuso dos bens que Deus lhe confia, desviando-os, não raro, de sua finalidade.

A pobreza é a prova da paciência e da resignação.

A riqueza é a prova da caridade e da abnegação.

Não esqueçamos que a existência corpórea, por mais longa que seja, é transitória. Com a morte, desaparecem todos os bens materiais de que o homem dispunha na Terra.

Pobres e ricos retornam à vida espiritual em idênticas condições, o que demonstra que tanto a riqueza quanto a pobreza são situações passageiras.

Nenhuma dessas provas, porém, constitui obstáculo à salvação. Se assim fosse, Deus estaria oferecendo a seus filhos um instrumento de perdição, ideia incompatível com a justiça e a sabedoria divinas.

No caso da riqueza, é fácil compreender que, pelas tentações que desperta e pela fascinação que exerce, ela figura entre as provas mais perigosas da existência.

Foi isso que Jesus procurou enfatizar ao afirmar ser mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. 

Referia-se aos perigos e às ilusões que a riqueza pode provocar no homem desprevenido, mas seria equivocado concluir de suas palavras que ao rico esteja vedado o acesso à salvação, isto é, à ascensão espiritual.

Se a riqueza produzisse apenas males, Deus jamais a concederia aos homens. De fato, embora não seja, por si só, instrumento de progresso moral, ela constitui poderoso fator de progresso intelectual e social.

Graças a ela, o homem pode melhorar as condições materiais da sociedade, ampliar a produção de bens e promover o desenvolvimento por meio do estudo, da pesquisa e do trabalho. Eis por que a riqueza é considerada elemento de progresso.

Todavia, se aquele que a possui se torna egoísta, orgulhoso e insaciável, desviando-a de sua finalidade providencial, responderá por seus atos perante a Justiça Divina, enquanto outros terão oportunidade de demonstrar que é possível vencer essa difícil prova.

No capítulo II da Segunda Parte de O Céu e o Inferno, Allan Kardec registra uma expressiva mensagem da condessa Paula, desencarnada aos 36 anos, em 1851:

“Em várias existências passei por provas de trabalho e miséria que voluntariamente havia escolhido para fortalecer e depurar o meu Espírito; dessas provas tive a dita de triunfar, vindo a faltar, no entanto, uma, porventura de todas a mais perigosa: a da fortuna e bem-estar materiais, um bem-estar sem sombras de desgosto. Nessa consistia o perigo. E antes de o tentar, eu quis sentir-me assaz forte para não sucumbir. Deus, tendo em vista as minhas boas intenções, concedeu-me a graça do seu auxílio. Muitos Espíritos há que, seduzidos por aparências, pressurosos escolhem essa prova, mas, fracos para afrontar-lhes os perigos, deixam que as seduções do mundo triunfem da sua inexperiência.”

Em seguida, ela acrescenta:

“Trabalhadores! estou nas vossas fileiras: eu, a dama nobre, ganhei como vós o pão com o suor do meu rosto; saturei-me de privações, sofri reveses e foi isso que me retemperou as forças da alma; do contrário eu teria falido na última prova, o que me teria deixado para trás, na minha carreira. Como eu, também vós tereis a vossa prova da riqueza, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo. E vós outros, ricos, tende sempre em mente que a verdadeira fortuna, a fortuna imorredoura, não existe na Terra; procurai antes saber o preço pelo qual podeis alcançar os benefícios do Todo-Poderoso.” (O Céu e o Inferno, Segunda Parte, cap. II, "A condessa Paula".)

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/07/como-surgiu-expressao-passe-magnetico.html

 

 

 



 

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