terça-feira, 21 de julho de 2026

 



A arte de ouvir

(Sem julgamento)

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Há tanta pressa para viver nestes dias, e tanta falta de direção que se presencia em cada dia, com o pretexto de correria, que o ato de ouvir(se), em muitos casos, já está fora de cogitação. Não há mais tempo nem vontade para ouvir, aliás, esta arte (de ouvir) traz a sensibilidade de querer perceber-se e perceber o outro também, e isso está estranho e improvável nos dias de hoje. No entanto querer ouvir(se) é uma qualidade valiosa demais hoje e sempre será.

Muitas curas ocorrem, simplesmente, porque o compartilhamento de dores e infelicidades alivia o coração sobrecarregado e, naturalmente, o corpo físico e o espírito podem relaxar e se expandir para a restauração natural das células e realimentação da energia universal, pois pensamentos mais elevados voltam a habitar a mente. Muitas vezes, quando se está num momento difícil e a fé não é visita assídua, parece que não existe solução nem um novo caminho. E quando se quer ouvir, demonstra-se que o próprio espírito ouvinte já busca qualidades para se desenvolver, e a materialidade não dita tanto as regras como definitivas. Quem é ouvido normalmente se cura, e quem ouve se expande inicia-se a expansão infinita, a bondade. E ouvir é uma das qualidades memoráveis de um espírito.

Um exemplo de atitude inapropriada é o menosprezo pelo discurso ou desabafo alheio, mas que seria tão curativo para o espírito sofredor do momento. Como a dor não é mensurável, não deve haver também julgamento algum, no entanto quando a bondade existe no ouvinte, a cura pode ocorrer no ser em sofrimento. 

Se pensarmos, não é custoso ouvir, apenas deve haver um pouco da compreensão de que todos somos filhos de Deus, e se há possibilidade de amparar um pouco que seja das incontáveis vezes que já fomos amparados e socorridos e sabe-se lá quantas vezes mais necessitaremos , de fato, devemos somente agradecer esta realização. E quanto mais fizermos no campo da bondade, mais diretamente seremos amparados e aliviados, pois é no trabalho do bem que nosso espírito começa a conhecer o que é o progresso. Devemos dar graças a Deus por cada momento em que podemos servir, o grande sentido de viver.

E tudo o que fizermos que seja com amor e puro coração, pois a energia doada junto com a ação é responsável pela ajuda verdadeira ou não. Ainda que não estejamos tão receptivos, às vezes, para ouvir, mas que nos conscientizemos, pelo menos aos poucos, de que parar e importar-se com a dor alheia e querer ouvir quem tanto necessita falar, também é um dos gestos mais caridosos na vida.

Imagine só se a espiritualidade não quisesse ouvir as nossas preces, queixas e súplicas, certamente, seríamos bem mais infelizes, desassistidos e desprotegidos. E na verdade, somos ouvidos com tanto amor que nem podemos imaginar.

 

 

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

 



Cérebro e estômago

 

Scheilla
(autora espiritual)

 

Se pretendes ajudar o cérebro que desatina, atende igualmente ao estômago que padece.

“Mente sã em corpo são” — doutrinava a cultura antiga.

E ninguém terá pensamento sadio sem digestão correta.

Claro que não nos referimos aqui aos abusos do prato, mas à refeição frugal e pura que mantém a saúde física.

Não olvidemos, assim, a obrigação de sossegar as necessidades básicas do próximo para que lhe possamos doar a mensagem de nossa fé.

Nem somente pão excessivo que redunde em moléstia e viciação.

Nem somente discurso sistemático que resulte em demagogia e retórica.

Orientação para o cérebro.

Socorro para o estômago.

Exemplo e lição, atitude e palavra.

Alimento e agasalho, remédio e consolo.

Estudo que edifique.

Bondade que reconforte.

Refeitório que restaure.

Escola que ilumine.

Através do Evangelho, no capítulo seis dos Atos dos Apóstolos, somos informados de que no primeiro santuário do Cristianismo em Jerusalém havia quem amparava os sedentos de luz e quem servia aos famintos de pão.

Conjugavam-se tribuna e mesa, verdade e amor para a vitória da luz.

Assim sendo, no apostolado espírita que revive o ministério divino de Nosso Senhor, não nos esqueçamos das aflições da alma e do corpo.

Auxiliemos as vítimas da ignorância, sem olvidar as criaturas que jazem sob o grilhão das calamidades materiais.

O cérebro depende do estômago para governar a vida orgânica. O estômago depende do cérebro para sustentá-la.

Ambos reclamam atenção e carinho.

Foi por isso talvez que a Sabedoria Divina separou um e outro, impondo-lhes o coração de permeio.

 

Do livro Ideal espírita, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

 

 

 


 

 

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domingo, 19 de julho de 2026

 



Os precursores das ideias espíritas

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um amigo pede que falemos sobre os precursores do Espiritismo: quem foram eles, onde viveram e qual foi sua contribuição para o advento da Doutrina Espírita.

Como já mostramos diversas vezes neste espaço, o Espiritismo moderno tem suas origens nos fenômenos ocorridos em uma modesta cabana no povoado de Hydesville, no Condado de Wayne, Estado de Nova York (Estados Unidos), onde vivia a família Fox: John e Margareth Fox e suas filhas, Kate e Margareth.

Os acontecimentos iniciados com o primeiro diálogo mantido pela Sra. Fox com um Espírito, na noite de 31 de março de 1848, despertaram enorme interesse popular e assinalaram o início da moderna fenomenologia espírita. A parte doutrinária surgiria alguns anos depois, em 18 de abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Muito antes, porém, da família Fox e de Kardec, diversos fenômenos de natureza ainda desconhecida já haviam chamado a atenção da humanidade. Como sabemos, os fenômenos mediúnicos sempre existiram, embora se manifestassem de forma esparsa e isolada, diferentemente do que ocorreria a partir de 1848.

Conforme observou o pesquisador e escritor Arthur Conan Doyle, a diferença entre os fenômenos antigos e os modernos está justamente nesse aspecto: os primeiros eram episódicos e sem continuidade metódica; os segundos apresentavam as características de uma verdadeira "invasão organizada", expressão empregada por ele em História do Espiritismo.

Entre os personagens que prepararam o terreno para o advento da Doutrina Espírita, sem falarmos de Sócrates e Platão, a que Allan Kardec se refere na Introdução, Parte IV, d’ O Evangelho segundo o Espiritismo, três se destacam como seus principais precursores.

O primeiro deles foi o sensitivo Emanuel Swedenborg, engenheiro militar, físico, astrônomo, zoologista, anatomista, financista, político e notável teólogo, dotado de extraordinárias faculdades psíquicas. Nascido em Estocolmo, Suécia, em 29 de janeiro de 1688, faleceu em Londres, Inglaterra, em 1772.

Suas visões tiveram início ainda na infância e o acompanharam por toda a vida. Swedenborg afirmava que o Senhor lhe abrira os olhos espirituais para contemplar conscientemente o mundo invisível e conversar com anjos e Espíritos. Foi o primeiro vidente a registrar em livros descrições detalhadas da vida e dos costumes do plano espiritual, reunidas em diversas obras.

Outro precursor digno de destaque foi Franz Anton Mesmer, médico que redescobriu e difundiu o chamado magnetismo curador. Nascido em 23 de maio de 1734, na Suábia, região da atual Alemanha, faleceu em Meersburg, em 1815.

Em 1775, Mesmer reconheceu o poder terapêutico da imposição das mãos. Acreditava que fluidos curadores circulam pelo organismo humano, concepção que preparou o caminho para os estudos posteriores sobre o hipnotismo, desenvolvidos pelo Marquês de Puységur.

Como é amplamente conhecido, os passes magnéticos desempenham papel relevante nos centros espíritas, especialmente no Brasil, onde são amplamente utilizados e procurados tanto por espíritas quanto por pessoas de outras convicções religiosas.

O terceiro precursor foi o sensitivo Andrew Jackson Davis, nascido em 11 de agosto de 1826, em Blooming Grove, Estado de Nova York, e desencarnado em Boston, em 1910.

Considerado por Arthur Conan Doyle o profeta da Nova Revelação, Davis manifestou desde a infância notáveis faculdades psíquicas. Inicialmente ouvia vozes de Espíritos que lhe transmitiam orientações; mais tarde desenvolveu a clarividência e a clariaudiência. Em 6 de março de 1844, viveu uma experiência extraordinária: sob a ação de uma força irresistível, foi transportado da pequena cidade onde morava até as Montanhas Catskill, situadas a cerca de 40 milhas de sua residência.

Em seu livro Princípios da Natureza, publicado em 1847, Davis predisse o surgimento do Espiritismo. Segundo Conan Doyle, sua atuação foi de grande importância no início da Revelação Espírita, pois preparou o terreno para os acontecimentos que se seguiriam e esteve intimamente ligado aos fenômenos de Hydesville desde o momento em que eles ocorreram.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/07/nossos-entes-queridos-que-se-encontram.html

 

 

 

 


 

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sábado, 18 de julho de 2026

 



O exorcismo ao longo da história e na visão espírita


ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO


O termo exorcismo (do grego exorkismós, pelo latim exorcismu) designa o ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar Espíritos malignos (ou demônios) de outra pessoa que se encontre num estado considerado de possessão demoníaca. 

Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à ação dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo.

Como vemos, o exorcismo clássico parte do pressuposto de que  existem demônios e como tal precisam ser expulsos, diferentemente do que os fatos espíritas vieram demonstrar, como é explicitado em um artigo de Thiago Bernardes publicado na edição 16 da revista O Consolador, intitulado “O exorcismo ao longo da história e na visão espírita”, que o leitor pode baixar clicando em  https://www.oconsolador.com.br/16/especial.html

O VÍDEO que exibimos no preâmbulo deste texto apresenta em poucos minutos um resumo do que a fonte nos apresenta. 

O vídeo e o PODCAST pertinentes ao assunto foram produzidos com ajuda da IA.

 

 

 

 



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sexta-feira, 17 de julho de 2026

 



É comum no meio espírita o uso da palavra desencarne como substantivo, em lugar da palavra desencarnação.

 Trata-se, porém, de um erro que deve ser evitado.

O ato ou efeito de desencarnar, deixar a carne, passar para o mundo espiritual é definido, em nosso idioma, pelo vocábulo desencarnação. Não existe, seja no dicionário Aurélio, seja no Caldas Aulete, o substantivo desencarne.


*


Frade e frei são vocábulos sinônimos, mas não podemos usá-los de qualquer modo, indiferentemente. Se depois do vocábulo vier um nome, usaremos frei. Isolado, usaremos frade.

Exemplos:

Frei Nereu morreu ontem; foi ele um frade admirável.

Frei Ambrósio chegou.

Frei Bento é, dentre os frades de São Paulo, o mais antigo.

Frei Boaventura insistia em negar a reencarnação, mas nem todos os frades pensam como ele.

Devemos essa obra aos frades de nossa cidade.

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado na sexta–feira anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/07/os-vocabulos-fronteira-divisa-e-limite.html

 

 

 

 

 

 

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