terça-feira, 28 de maio de 2013

A mediunidade e os seus cuidados

                                  
(Parte 2 e final) 

   Concluímos hoje à noite no “Nosso Lar”, em Londrina, o seminário “A mediunidade e os seus cuidados”, que foi desdobrado em duas partes. A parte inicial foi  apresentada na última terça-feira, dia 21 de maio.

Os tópicos tratados nesta noite foram:
V. Precauções que médiuns e experimentadores não podem negligenciar.
VI. Cuidados antes das reuniões.
VII. Cuidados depois das reuniões.

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Eis, na sequência, a reprodução do texto que serviu de base ao seminário:

V - Precauções que médiuns e experimentadores não podem negligenciar

Os médiuns necessitam ter muita persistência, muita paciência, muita perseverança nas reuniões e nos estudos, para melhor se relacionarem com o Mundo Invisível. (Médiuns e Mediunidade, p. 75.)
É imprescindível sempre manter o grupo mediúnico em condições de harmonia e observar nas sessões o recolhimento e a pureza das intenções. (Revista Espírita de 1859, p. 195.]
Contar com uma direção segura nas experiências mediúnicas, porque a sua falta  pode tornar estéreis a boa vontade dos médiuns e as aspirações, ainda que legítimas, dos experimentadores.
Devem destacar-se os integrantes da equipe mediúnica pelo estudo, pelo esforço de melhoria moral, pela perseverança, pela humildade, pela assiduidade e pela disciplina.
É importantíssimo examinar com cuidado as comunicações recebidas, porque nem sempre as comunicações sérias são verdadeiras.  Embora sérias, podem conter inverdades.
É por isso que os Espíritos verdadeiramente superiores recomendam de contínuo que submetamos todas as comunicações ao crivo da razão e da mais rigorosa lógica.
Tenhamos sempre em conta que certos Espíritos presunçosos ou pseudossábios procuram, valendo-se de uma linguagem elevada, incutir nos encarnados as mais falsas ideias e os sistemas mais absurdos.
As comunicações recebidas devem ser, pois, submetidas a rigoroso e severo exame da razão. (Médiuns e Mediunidade, p. 58.)
Os casos de mistificação não ocorrem à revelia dos mentores espirituais mais elevados, que, agindo assim, objetivam conduzir o médium à vigilância precisa e às realizações da humildade e da prudência no seu mundo subjetivo.
A mistificação traz sempre uma finalidade útil, que é a de afastá-lo do amor-próprio, da preguiça no estudo de suas necessidades próprias, da vaidade pessoal ou dos excessos de confiança em si mesmo. (O Consolador, questão 401.)
Lembremos sempre que a médium Sra. Duret e Chico Xavier foram vítimas de mistificação muitas vezes. (Revista Espírita de 1860, p. 183, e No Mundo de Chico Xavier, p. 31.)
Ciente disso, o médium deve aceitar agradecido e até mesmo solicitar o exame crítico das comunicações que receber, atento à recomendação de Erasto: “Aquilo que é reprovado pela razão e pelo bom-senso deve ser rejeitado firmemente”.  (Revista Espírita de 1861, p. 257.)
“Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230.)
Importante evitar que ocorram abusos na prática mediúnica, porque isso poderá determinar o afastamento dos bons Espíritos, que podem fazê-lo nas situações seguintes:
1ª. Quando o médium se serve da faculdade mediúnica para atender a coisas frívolas ou com propósitos ambiciosos e desvirtuados do seu verdadeiro objetivo.
2ª. Quando o médium não aproveita nem leva em consideração as instruções e os conselhos recebidos.
3ª. Quando a interrupção dos fenômenos se impõe por necessidade do próprio médium, o que revela a benevolência do Benfeitor espiritual para com ele.
É imperioso impedir que médiuns obsidiados participem das reuniões práticas, às quais só deverão retornar depois de sua completa cura. (Cânticos do Coração, Volume II, p. 89.)
O médium deve evitar, na sociedade, os ambientes nocivos e viciosos, a não ser para ali cumprirem seus deveres. (Emmanuel, p. 67.)
Fazer com que as sessões práticas sejam sempre privativas, porque elementos estranhos prejudicam o bom resultado dos trabalhos. (Médiuns e Mediunidade, p. 53.]
O conhecido escritor  Carlos Imbassahy  (À Margem do Espiritismo, p. 239) e Allan Kardec (Revue de 1861, p. 140) propõem idêntica medida.

VI – Cuidados antes das reuniões

Ter sempre em conta, na preparação para a reunião, que "a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos". ("Nos Domínios da Mediunidade", cap. 1).
Não esquecer que "toda pessoa que entra em uma reunião leva consigo Espíritos que lhe são simpáticos”. (O Livro dos Médiuns, item 330.)
A preparação para a reunião deve começar logo cedo,  cultivando-se atitude mental digna desde o momento do despertar.
Importante ingerir alimentação leve, nas horas que precedem a sessão mediúnica, porque a digestão laboriosa consome grande parcela de energia e impede a função mais clara e mais ampla do pensamento.
Lembremos: a bebida alcoólica é completamente imprópria ao componente da equipe, sobretudo no dia da sessão mediúnica.
Quanto ao fumo, à carne, ao café e aos temperos excitantes, o ideal seria a abstenção total de seu uso no dia da reunião.
É ótimo dedicar alguns minutos, nos instantes que precedem a reunião, para um momento de repouso físico e mental, após o trabalho profissional ou doméstico de cada dia.
O médium deve incluir sempre que possível, nessa preparação, leitura moralizadora e salutar, seguida de prece e meditação no próprio lar, antes de dirigir-se ao Centro espírita.
É fundamental realizar, pelo menos uma vez na semana, o culto do Evangelho em casa, porque a ele acorrem os companheiros desencarnados que estacionam no lar ou nas adjacências dele.
Também participam do culto os irmãos já desenfaixados da veste física que remanescem das tarefas de enfermagem espiritual no grupo. ("Desobsessão", cap. 70).
Necessário é ao médium integrar-se nos trabalhos de assistência aos necessitados, porque entidades sofredoras costumam acompanhar os componentes do grupo, examinando-lhes os exemplos.
Entendamos que os irmãos em revolta ou desespero não se transformam simplesmente à força de nossas palavras.
Eles são tocados principalmente pelas nossas ações, quando as nossas ações se patenteiam de acordo com os nossos ensinamentos.
Procuremos superar as dificuldades e os percalços que podem ocorrer, tais como: a chuva, a visita inesperada de alguém que chega ao nosso lar sem aviso, dificuldades de trânsito, festas familiares, aniversários e eventos semelhantes. Esses eventos podem ser postergados sem prejuízo para as pessoas.
Os mentores espirituais somente ressalvam, como impedimentos naturais: viagens inesperadas que não possam ser adiadas, moléstia grave em casa, enfermidade epidêmica, como a gripe no próprio participante, e os cuidados decorrentes da gravidez e os relativos aos períodos menstruais.
Surgindo um desses impedimentos, é importante que a pessoa se comunique, a tempo, com o dirigente da reunião, para assegurar-se a harmonia do conjunto.
Na chegada ao recinto da reunião, é preciso manter uma posição respeitosa, sem vozerio, gritos ou gargalhadas, do mesmo modo que fazemos quando vamos a um hospital.
É essencial procurar, na conversação antes da reunião, a busca da edificação comum, a pacificação do recinto, evitando-se temas contrários à dignidade da tarefa, anedotas jocosas, críticas, queixas e considerações injuriosas a quem quer que seja.
Lembremos que a pontualidade e a assiduidade, na reunião mediúnica, assumem caráter solene.
Respeitar a hora de início das tarefas, entendendo, porém, que o momento de encerramento da reunião é variável conforme as circunstâncias do trabalho.
Conveniente fechar a porta de entrada do recinto da sessão 15 minutos antes do horário da prece inicial, tempo esse que será empregado na leitura preparatória.
É importante impedir que sessão mediúnica seja aberta a curiosos e a pessoas estranhas a obra assistencial dessa natureza. (Desobsessão, cap. 18).
As recomendações relacionadas com este tópico (Cuidados antes da reunião) foram extraídas da obra “Desobsessão”, de André Luiz.

VII – Cuidados depois das reuniões

Finda a reunião mediúnica, é importante realizar a avaliação do trabalho. O conselho vem de André Luiz: "É interessante que dirigente, assessores, médiuns psicofônicos e integrantes da equipe, finda a reunião, analisem, sempre que possível, as comunicações havidas, indicando-se para exame proveitoso os pontos vulneráveis dessa ou daquela transmissão". (Desobsessão, cap. 60).
Lembremos que o objetivo desse exame é alertar os médiuns quanto a senões que precisem evitar, e os doutrinadores quanto às atitudes ou palavras inconvenientes que não devem repetir.
Fundamental cultivar bondade e otimismo na conversação após a reunião, evitando que ela descambe para qualquer expressão negativa.
Tenhamos em conta que os comentários desairosos, que destacam as deficiências e as falhas, constituem prejuízo na obra do progresso e na consolidação do bem.
Observemos, na saída dos companheiros, a mesma discrição verificada na sua chegada ao recinto, evitando-se gritos, gargalhadas, referências maliciosas e anedotas picantes.
Mantenhamos, no retorno ao lar, silêncio sobre os fenômenos e as revelações havidas na reunião mediúnica.
Importante lembrar, como diz Divaldo Franco, que os trabalhos do grupo mediúnico costumam ter sequência ao longo da noite, no período do sono de seus participantes,  o que implica dizer que o sono deve também ser precedido de uma boa preparação.

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Na próxima terça-feira apresentaremos aqui a síntese do seminário “A obsessão e seu tratamento”, para que os leitores deste blog, caso queiram, possam acompanhar os estudos realizados.



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