domingo, 13 de setembro de 2026

 



Como pode um Espírito induzir alguém a beber?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor do Rio de Janeiro (RJ) pergunta-nos como um Espírito age para induzir alguém a beber e, no que diz respeito ao tratamento do alcoolismo, quais medidas são recomendadas pelos autores espíritas. 

A melhor descrição da ação de um alcoólatra desencarnado sobre uma pessoa que também bebe é-nos apresentada por André Luiz no capítulo VI, págs. 51 a 55, do livro Sexo e Destino, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

Assim relata André Luiz, na obra citada, o caso de Cláudio Nogueira:

– Estando Cláudio sentado na sala de seu apartamento, dois Espíritos penetraram o recinto e abordaram-no. Um deles, aproximando-se, exclamou: "Beber, meu caro, quero beber!" Cláudio, atento à leitura de um jornal, nada ouviu pelos sentidos físicos. Sua mente, porém, estava sintonizada com o Espírito, que repetiu algumas vezes a solicitação, à maneira de um hipnotizador que insufla o próprio desejo.

O resultado não tardou. Cláudio desviou a atenção do jornal e deixou-se envolver pelo desejo de beber um trago de uísque, convencido de que o desejo partia exclusivamente dele. O pensamento de beber ganhou força, enquanto o Espírito, percebendo-lhe a adesão, aproximou-se cada vez mais, até estabelecer-se entre ambos uma espécie de fusão fluídica.

André Luiz descreve o fenômeno como um verdadeiro encaixe: Cláudio e o desencarnado movimentavam-se como se ocupassem um só corpo, dirigindo-se juntos ao frasco de uísque. Não era possível determinar a quem pertencia o impulso inicial: se a Cláudio, que admitia a instigação, ou ao Espírito, que a propunha.

O aspecto mais significativo da narrativa, contudo, está na observação feita posteriormente por André Luiz: Cláudio não era uma vítima inteiramente passiva daquele processo. Continuava livre em seu íntimo; hospedava o outro, aceitava-lhe a direção e entregava-se por deliberação própria. "Apelo e resposta", esclarece o autor. "Eram cordas afinadas no mesmo tom."

Após novo trago, Cláudio retomou tranquilamente a leitura, sem perceber – muito menos imaginar – que alguém, invisível aos seus olhos, bebera com ele.

O relato de André Luiz, portanto, chama a atenção para um ponto fundamental: a influência espiritual não se estabelece de maneira arbitrária. Ela encontra campo favorável na afinidade de pensamentos, desejos e hábitos, dependendo também da aceitação, consciente ou não, daquele que sofre a influência.

Quanto ao tratamento do alcoolismo, dada a extensão e a relevância do assunto, o tema será examinado neste Blog no próximo domingo.

 

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em:  https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/09/quem-foi-daniel-dunglas-home-astolfo-o.html

 

 

 

 

 

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