Emmanuel
(autor espiritual)
Se podes transportar as dificuldades que te
afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos
irmãos da família maior que a penúria vergasta.
Diante deles, não permitas que considerações de natureza
inferior te cerrem as portas do sentimento.
Se algo possuis
para dar, não atrases a obra do bem e nem baseies nas aparências para
sonegar-lhes cooperação.
Aceitemo-los como
sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da
experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fôssemos
para eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um
socorro que lhes afigurava impossível e deixaram que a desesperação os
enceguecesse.
Outros se
apresentam marcados por hábitos lastimáveis; todavia, não admitas estejam na
posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de
sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no
caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.
Surpreendemos os
que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a ideia de criaturas
destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam
acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e
enfermidade, tristeza e desilusão.
Não duvidamos de
que existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice; no entanto, isso nunca
sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós,
os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.
Se rogam auxílio,
não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir.
Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes os
todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela
migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo d’água para
ganhar energia e seguir adiante.
Esse pede uma
frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura
ou um pedaço de pão...
Abençoa-os e faze,
em favor deles, quanto possas, sem te esqueceres de que o Eterno Amigo nos
segue os passos, em divino silêncio, após haver dito a cada um de nós, na
acústica dos séculos: “Em verdade, tudo aquilo que fizerdes ao menor dos
pequeninos é a mim que o fizestes”.
Do livro Estude
e Viva, obra mediúnica psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.
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