domingo, 3 de março de 2024

 



To read in English publications posted on the Web, see how to proceed

 

To read in English - or any other language - publications posted on the Web in a language we don't know, the procedure is very simple.

First of all, we need to use the world-famous Google Chrome as our web browser.

Once you've done that, here are the 5 necessary steps to get automatic translation:

 

1. Access the desired publication by clicking on the respective link; for example https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/

2. On the same line where you typed the link, on the right-hand side there is a symbol (3 dots placed inside a kind of circle), which is actually a link whose purpose is to "customize and control Google Chrome"; click on it:

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3. In the list of options that will appear, click on “Translate...”

4. Next, on the small screen that opens, choose the language of your choice.

5. Once you have chosen the language, click on “Translate”. The text will then be automatically translated.

 



 

To find out how this Blog works, click here: Espiritismo Século XXI.

 

 


Umbral e inferno são coisas absolutamente distintas

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Somente o desconhecimento dos ensinamentos espíritas pode levar uma pessoa a pensar que umbral e ínferno são termos sinônimos.

O umbral, conforme a terminologia usada pelos Espíritos, nada mais é que uma região espiritual de transição, a que André Luiz se refere no livro Nosso Lar, cap. 12, págs. 71 a 73.

Debatem-se ali indivíduos desencarnados desesperados, infelizes, malfeitores e ociosos de várias categorias. Mas, conforme as informações trazidas por André Luiz, cada Espírito ali permanece o tempo que seja necessário ao esgotamento dos resíduos mentais negativos.

O umbral faz parte do campo magnético da Terra, o qual, segundo alguns autores, estaria dividido em sete regiões ou esferas:

1ª. Umbral “grosso”.

2ª. Umbral médio.

3ª. Umbral superior, que é onde fica a colônia espiritual “Nosso Lar”.

4ª. Região da arte, da cultura e da ciência.

5ª. Região do amor fraterno universal.

6ª. Esfera em que se definem as diretrizes do planeta.

7ª. Abóbada estelar.

Sobre o assunto recomendamos ao leitor que leia os textos que escrevemos e publicamos na revista O Consolador, edições 226 e 251. Para acessá-los, clique, respectivamente,  em http://www.oconsolador.com.br/ano5/226/oespiritismoresponde.htmlhttps://www.oconsolador.com.br/ano5/251/oespiritismoresponde.html

Quanto ao termo inferno, conforme a teologia católica, ele define o lugar ou a situação pessoal em que se encontram os que morreram em estado de pecado, expressão simbólica de reprovação divina e privação definitiva da comunhão com Deus.

Existem entre o inferno descrito pelos teólogos católicos e o inferno pagão, descrito e dramatizado pelos poetas, numerosas analogias. Ambos têm o fogo material por base de tormentos, como símbolo dos sofrimentos mais atrozes. Mas os cristãos exageraram em muitos pontos o inferno dos pagãos. Se estes mencionavam o tonel das Danaides, a roda de Íxion, o rochedo de Sísifo, todos eles suplícios individuais, os católicos, ao contrário, indicam para todos, sem distinção, as caldeiras ferventes cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos supliciados, e Deus, sem nenhum sentimento de piedade, ouve-lhes os gemidos por toda a eternidade. Allan Kardec se refere ao assunto no cap. IV, itens 3 a 5, da 1ª Parte do livro O Céu e o Inferno.

Se do inferno proposto pelo Catolicismo ninguém jamais poderá sair, a passagem pela região a que André Luiz deu o nome de umbral, seja rápida ou seja demorada, será sempre transitória.

Por que um Espírito, ao deixar o corpo material por força da desencarnação, se sujeita a enfrentar tais peripécias?

A resposta a essa pergunta é de fácil compreensão, como o leitor pode conferir consultando o que, a respeito do assunto, escreveu Cairbar Schutel no livro A Vida no Outro Mundo, publicado originalmente em 1932, antes, pois, do surgimento das obras de André Luiz.

Segundo Cairbar, há na esfera espiritual, o chamado outro mundo, diversos planos de existência, e não poderia ser de outro modo, porque os Espíritos, revestidos de seu corpo espiritual, não podem viver num meio que não esteja de acordo com sua veste espiritual (o perispírito), que vibra sempre ao ritmo da elevação de cada um, em sabedoria e moralidade. Uma região isenta de oxigênio seria hostil a Espíritos ainda necessitados de oxigênio. Os círculos que envolvem a Terra se diferenciam pela fluidez da matéria que os compõe. (Cf. A Vida no Outro Mundo, 5ª. edição, pp. 82, 83, 85 e 107.)

Não existe, como se vê, semelhança nenhuma – salvo o remorso, a dor, o sofrimento – entre inferno e umbral. O primeiro, consoante ensina a teologia católica, é o destino final e definitivo da alma pecadora. O segundo nada mais é que uma região de transição, de readaptação, de preparo para voos mais altos rumo à perfeição, meta que Deus assinalou para todos os seus filhos, sem exclusão de nenhum.

 

 

 

 

 

 

 

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sábado, 2 de março de 2024

 



Pour lire en Français les publications postées sur internet, voici comment proceder

 

Pour lire en Français - ou dans toute autre langue – publications postées sur le Web dans une langue que nous ne connaissons pas, la procédure est très simple.

Tout d'abord, nous devons utiliser le célèbre Google Chrome comme navigateur web.

Une fois cela fait, voici les 5 étapes à suivre pour obtenir une traduction automatique:

 

1. Accédez à la publication souhaitée en cliquant sur le lien correspondant, par exemplehttps://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/

2. Sur la même ligne où vous avez tapé le lien, à droite, il y a un symbole (3 points placés à l'intérieur d'une sorte de cercle), qui est en fait un lien dont le but est de "personnaliser et contrôler Google Chrome"; cliquez dessus:

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3. Dans la liste des options qui apparaît, cliquez sur "Traduire...".

4. Ensuite, sur le petit écran qui s'ouvre, choisissez la langue de votre préférence.

5. Une fois la langue choisie, cliquez sur «Traduire». Le texte sera alors automatiquement traduit.

 

 


 

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Meus poemas diários

 


JORGE LEITE DE OLIVEIRA

jojorgeleite@gmail.com

De Brasília, DF

 

Relata-nos o Bruxo do Cosme Velho que seu personagem Bentinho, indo da cidade para o Engenho Novo, encontrou, na estação de trem, um jovem “conhecido de vista e chapéu” que teria ficado magoado, quando percebeu que seus versos recitados não foram valorizados pelo personagem principal da obra Dom Casmurro. No dia seguinte, o rapaz alcunhou-o, com a conivência dos vizinhos e amigos, de Dom Casmurro, que deu nome a esse polêmico e famoso livro machadiano.

Pode ser que os meus versos também, como teria dito o personagem machadiano, não sejam “inteiramente maus”. Também não tenho a pretensão de me tornar poeta consagrado, pois o que se considera literatura hoje está um pouco diferente do que era considerado arte no passado. Ainda assim, atrevi-me a escolher uma data diária consagrada a um fato ou a alguém para postar poema dedicado à data. Serei lido por meus 33 seguidores? Só Deus sabe.

Noutra crônica eu já fiz e agora repito meus agradecimentos aos que apreciarem este meu esforço, com licença de Machado, a quem peço perdão antecipado. Caso contrário, não pagarei a ninguém com um piparote, como disse outro personagem machadiano em Memórias póstumas de Brás Cubas.

Aqui você não lerá poema da IA. Muito menos psicografado, embora eu não rejeite a inspiração do amigo Machado.

A você, alma amiga, proponho agora ler meus comentários de uns poemas escritos em alguns dias desta semana antes da postagem desta crônica. Os trabalhos completos podem ser lidos neste blog: www.jojorgeleite.blogspot.com. Apenas seleciono alguns de seus versos em poemas sem conotação política.

 

Do Dia do comediante, 26 de fevereiro, eis a última estrofe:

 

Ai, que saudade tenho do teatro,

De achar graça ali em cada ato.

E por formar poetas como Dante,

Bendito é o dia do comediante!

 

A intenção nesse poema é valorizar as obras primas da comédia em poesia.

Sobre o Dia nacional do livro didático, 27 de fevereiro, compus um soneto que vale a pena ser analisado em sua estrutura pelos críticos literários. Leia no blog, se tiver tempo.

Finalmente, em 28 de fevereiro, anotei em versos um pouco do que existe sobre doenças raras e, nas estrofes finais, propus a esperança que todas as pessoas vitimadas por tais doenças devem ter em Deus, que segundo Jesus não põe fardos pesados em ombros frágeis.

Por sua importância, sob meu ponto de vista, transcrevo abaixo as quatro estrofes finais das oito que contém o poema:

 

Uma existência é um ato

Em nosso eterno viver.

Por mais venhamos sofrer,

Sempre a Deus sejamos gratos.

 

Caminhada ou esporte,

Sadio entretenimento

É o que nos torna mais fortes

Desde esse bom momento.

 

Nunca se deixe abater

Por um mal com depressão.

Nascemos para vencer

Com Cristo no coração.

 

Jesus promete também

Aos que gemem conformados

Não na Terra, mas no Além,

Os reinos aventurados.

 

Aos meus tolerantes leitores que gostam de poesia, convido a lerem diariamente e divulgarem um poema feito em homenagem a importante evento comemorado no dia.

Desde já, muito obrigado!

 

Acesse o blog: www.jojorgeleite.blogspot.com



 

 

 

  

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sexta-feira, 1 de março de 2024

 




Para ler em português publicações postadas na internet, veja como proceder

 

Para ler em português – ou outro idioma qualquer – as publicações postadas na Web em um idioma que desconhecemos, o procedimento é muito simples.

Primeiro é preciso que adotemos como navegador da internet o Google Chrome, mundialmente conhecido.

Feito isso, eis os 5 passos necessários para obter a tradução automática:

 

1. Acessar a publicação desejada, clicando no link respectivo; por exemplo, o jornal New York Times - https://www.nytimes.com/section/todayspaper

2. Na mesma linha em que digitou o link, há do lado direito um símbolo (3 pontos colocados dentro de uma espécie de círculo), o que é, em verdade, um link cujo objetivo é “personalizar e controlar o Google Chrome”; clique nele:

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3. Na lista de opções que vão aparecer, clique em “Traduzir...”

4. Em seguida, na pequena tela que se abrir, escolha o idioma de sua preferência.

5. Escolhido o idioma, clique em “Traduzir”. O texto então será automaticamente traduzido.





  

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Comunicações mediúnicas entre vivos

 

Ernesto Bozzano

 

Parte 8

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo será publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. Como explicar o caso narrado pelo professor Achille Uffreducci, no qual o comunicante se encontrava lúcido e perfeitamente acordado no momento em que a comunicação foi transmitida? 

B. Além de não se enquadrar no padrão considerado normal nesse tipo de comunicação, que outra circunstância estranha foi apontada pelo professor no episódio acima mencionado?

C. Pode a comunicação a que nos referimos, embora verídica, ter sido dada por um Espírito mistificador? 

 

Texto para leitura

 

Caso 8

106. Este caso foi extraído da revista Luce e Ombra (1910, pág. 85). O Dr. A. U. Anastadi (pseudônimo do Dr. Achille Uffreducci, professor na Universidade de Roma) narra nele a seguinte experiência pessoal:

O Dr. Antônio Palica era diretor do Hospital São João. As relações entre nós dois foram sempre ótimas, porém giravam mais em torno de nossa profissão comum do que nos sentimentos profundos de uma estreita amizade. Nunca, entre nós, saíra palavra alguma sobre mediunidade nem fenômenos semelhantes e nunca eu soube de sua opinião a respeito.

Cinco dias antes de acontecer o fato que vou narrar, eu tinha ido ao Hospital São João para ver uma doente, e naquela ocasião saudara, com grande prazer, o velho colega Palica.

Agora, um olhar para o outro lado. Entre o Dr. M., cirurgião num hospital de Roma, e eu não havia relações de qualquer natureza. Éramos simples conhecidos e nos limitávamos a saudações com movimento da cabeça em ocasionais encontros de rua. Ambos receitávamos na mesma Farmácia Scolba (Praça S. Carlo al Corso), porém quase nunca nos encontrávamos lá.

Conservemos em mente estas notas preliminares para delas nos servirmos em tempo oportuno, e vamos ao fato em questão.

Certa noite de inverno, fria e chuvosa, voltei para casa um tanto indisposto devido ao mau tempo. Tirei as roupas molhadas e, vendo que o fogo ainda estava aceso, para espantar o frio coloquei sobre os ombros uma manta já gasta que vi em cima de uma cadeira, manta da qual já se havia tirado o pano para renovar, enquanto a pele, de ótima qualidade, estava muito bem conservada.

Depois do jantar, eu e minha esposa colocamos as mãos sobre uma mesinha, como costumávamos fazer de vez em quando. Não eram raros os fenômenos, e recebíamos mensagens curiosas e algumas vezes importantes, conquanto nenhum de nós tivesse consciência de possuir dons mediúnicos. Naquela noite recebemos a seguinte comunicação tiptológica, que transcrevo com o máximo escrúpulo, palavra por palavra:

– Lamento que tenhas posto esta manta indecente (disse a entidade).

– Pouco me importa (respondi). Não te incomodes com isto. Queira dizer-me antes quem és, e o que desejas de mim.

– Sou Antônio Palica.

– Antônio Palica, o médico?

– Sim, precisamente ele, em carne e osso.

Dirigindo-me à minha mulher, digo:

– Pobre Palica. Sinto que tenha falecido. Era um bom médico e pessoa distinta.

– Sim, pobre homem – disse minha esposa –, embora o conhecesse pouco, mas já devia ser bem idoso.

– Mas, o que estás dizendo aí? Vê que não estou morto!

– Como? Não estás morto?

– Não, pelo contrário, nunca estive tão bem e tão forte como agora.

– Está bem – disse eu irado –, bravos! Amanhã de manhã eu voltarei ao hospital São João para ver aquela doente e te apertarei a mão. Adeus!

– No Hospital São João não me encontrarás – respondeu rápido.

– Então não me enganei ao supor que morreste, por estares aqui presente, comunicando-te pela mesinha.

– Não. Estás enganado. Estou tão morto como tu, vivo, supervivo, mas no São João não me encontrarás.

– Por quê? A que horas sairás então?

– Não sairei, mas não me encontrarás lá.

– Não te encontrarei, como dizes, está bem, mas se não saíres, estarás sempre no Hospital.

– Não, não estarei. Não estarei lá.

– Então sairás esta noite.

– Não, não e não. Não terei saído anteontem, nem ontem, nem hoje, nem esta noite, nem amanhã, nem...

– Nem por toda a eternidade. – disse eu enfadado – Está bem, vai-te embora. Fica entendido que, se não saíres, estarás mesmo no Hospital São João.

– Não sairei, mas não estarei lá.

Nesse momento bufei de raiva.

– Ora, vamos – continuou ele –, não estarei lá, não me encontrarás e não irás lá, mas amanhã o Dr. M. revelar-te-á o mistério.

A esta afirmativa, que me parecia o cúmulo da insensatez, perdi completamente a paciência e exclamei: Que aborrecimento! Que nos vem fazer agora aqui o Dr. M., que só conheço de vista? Queres divertir-nos com a tua brincadeira. Boa noite e bom descanso.

Minha esposa e eu, convencidos de estarmos sendo enganados por algum espírito zombeteiro, que queria divertir-se à nossa custa, nos levantamos e naquela noite não se tratou mais do caso.

Na manhã seguinte, por circunstâncias imprevistas, não pude ir ao Hospital São João, como pretendia, e não fui de manhã à Farmácia Scolba, como costumava, mas somente às 10:30. Estava para sair quando entrou o Dr. M. Mal pôs este o pé na porta, dirigiu-se ao Sr. Scolba, em tom agitado, e lhe disse:

– Hoje pior do que ontem, meu caro Orestes. Não aguento mais. Vou agora mesmo à Diretoria Geral para pedir a minha transferência.

– Que te aconteceu? – perguntou com interesse um colega presente.

– Aconteceu é que não aguento mais aquele energúmeno que é o Palica. Parece que tomou conta de mim. Há quatro dias que não me dá um momento de folga. Todo o tempo que passo no Hospital, anda à roda de mim, e “Caro Professor – diz-me ele – por favor, mude isto, troque aquilo, escolha outra hora para aquilo, será melhor que escolha outra sala para...” Em resumo, palavra de honra, não posso mais!

– O senhor ainda está no Hospital São João? – perguntei ao Dr. M.

– Não. – respondeu-me ele – Há perto de um ano que estou no Santo Antônio.

– E o que tem o Palica com o Hospital Santo Antônio, se ele é diretor do São João?

– O Palica não é mais diretor do São João – respondeu-me o Dr. M. – Foi transferido para o Santo Antônio e, por falta de sorte minha, há quatro dias que tomou posse do novo cargo.

Comecei então a pensar na sessãozinha da noite, com o seu disparatado enredo, isto é:

1º) A aparente comunicação de um vivo.

2º) A apresentação do Dr. Palica com humorismo, quando, ao contrário, ele é amável, sério e cortês.

3º) A minha ignorância quanto à mudança de residência do Palica, coisa que nem por sombra eu poderia imaginar. Pelo contrário, eu estava mais que persuadido de que continuava no São João, onde o havia cumprimentado cinco dias antes e nada indicava uma transferência que ele mesmo estava longe de supor.

4º) A indicação da maneira com que me seria esclarecida a coisa, isto é, por meio de um terceiro que eu conhecia apenas de vista e no qual não pensava nem muito nem pouco, e que minha esposa não conhecia, nem mesmo de nome.

5º) A premonição verificada minuciosamente: a) pela indicação do dia (amanhã); b) as horas (da manhã); c) a pessoa (Dr. M.) e d) a transferência levada ao meu conhecimento.

Na manhã seguinte não deixei de ir ao Hospital Santo Antônio, onde encontrei o Palica em grande atividade nas modificações que reputava indispensáveis no serviço hospitalar. Explicou-me logo, enfaticamente, o porquê da repentina mudança de residência em que nunca havia pensado. Arquitetei um discurso para cair justamente onde eu queria, mas não consegui surpreender nele uma palavra sequer sobre o assunto. Soube apenas que, na noite da estranha comunicação, o Dr. Palica tinha ido ao teatro, detalhe que não deixei de verificar.

Não houve nenhuma evocação. Ensina a doutrina espírita que o espírito de um vivo, em seus momentos de liberdade, pode apresentar-se sem ser evocado, movido somente pela simpatia, mas em tal caso o corpo habitualmente dorme ou cochila. Em nosso caso, o Dr. Palica estava no teatro, e os dois amigos que se encontravam com ele afirmam que, durante todo o tempo, ele não dormiu nem cochilou. Desnecessário é gastar palavras para provar que o fenômeno não era de origem subconsciente ou automática.

Por outro lado, o Palica não se achava absolutamente em estado de inconsciência completa, nem de semiconsciência, mas sim em estado de perfeita vigília, com a atenção atraída e distraída em coisas em tudo diferentes do que me dizia respeito; portanto, faltavam completamente todas as condições exigidas para que se verificassem comunicações mediúnicas de vivos, isto é, sono fisiológico, hipnótico, magnético, desmaio, coma ou outro estado mórbido semelhante. Logo, a causa não podia ser encontrada na personalidade de quem aparecia como presente à mesa da sessão e, contudo, o fenômeno devia ser de origem extrínseca.

Precisamos, por conseguinte, contentar-nos com o guia de Allan Kardec, que afirmou (e com razão até o momento) que a única hipótese explicativa plausível é a de alguma inteligência oculta que se tenha mascarado (em nosso caso) de Antônio Palica para divertir-se à nossa custa.

Nenhum outro dos argumentos habituais pode decifrar a confusão. Pondo-se em movimento “cerebrações” de toda sorte, “desdobramentos”, “psiquismos superiores”, “polígonos”, “elétrons vorticosos” ou “vorticons electrosos” (troços demais para ser verdade), afastamo-nos completamente do terreno científico e elevamo-nos, com toda a pressão, às disparatadas regiões das “Mil e uma Noites Subliminais”.

Assinado: Dr. A. U. Anastadi. (Comunicações mediúnicas entre vivos - 2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B.)

107. As considerações que o incidente exposto sugere ao Dr. Anastadi parecem racionais e incontestáveis, desde o caráter leviano e jovial da personalidade mediúnica que dizia ser o Dr. Palica, mostrando-se em flagrante contradição com a seriedade do caráter e a correção dos modos deste, e isto sem contar que, no momento em que se verificou o incidente, o suposto agente se encontrava no teatro, absorto na representação em curso. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

108. E uma vez reconhecido que a personalidade comunicante não era o que afirmava ser, então só restam duas hipóteses para explicação dos fatos. Por uma dessas hipóteses, a que é acolhida pelo relator, tratar-se-ia de uma “inteligência oculta”, mascarada de Antônio Palica, que se divertia à custa dos experimentadores. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

109. Na outra hipótese, tratar-se-ia, ao contrário, de uma personificação subconsciente e nada mais. A propósito, porém, desta última hipótese, não se pode deixar de refletir que as personalidades subconscientes, sejam elas de ordem hipnótica ou sonambúlica, chegam a imitar, mais ou menos bem, as características que distinguem bem a personalidade representada, mas estão muito longe de fornecer informações verdadeiras, ignoradas pelo médium e todos os presentes, e muito menos ainda, de predizer incidentes futuros, como no caso do episódio em pauta. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

110. Segue-se daí que a segunda interpretação dos atos é muito menos justificável do que a primeira, conquanto também a primeira apresente aspectos bem misteriosos para cuja elucidação nos estenderíamos em longa discussão estranha ao nosso tema e que, portanto, omitiremos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

111. Do nosso ponto de vista, o ensino teórico a extrair cumulativamente do caso exposto e do que o precede, consiste nisso: que um e outro não podem ser explicados estendendo a hipótese das comunicações entre vivos também aos casos em que o agente se acha em estado de vigília e sem pensar no percipiente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

112. Ora, refletindo que, numa coleção de 154 casos recolhidos, os episódios citados são os únicos que aparentemente se levantam a favor de uma tal extensão da hipótese em exame, daí decorre que se deve considerar arbitrária e errônea qualquer solução em tal sentido, devido à perplexidade teórica suscitada pelos casos análogos aos citados. Importante conclusão que não se deve esquecer. (Comunicações mediúnicas entre vivos - 2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. Como explicar o caso narrado pelo professor Achille Uffreducci, no qual o comunicante se encontrava lúcido e perfeitamente acordado no momento em que a comunicação foi transmitida? 

Trata-se do Caso 8, relatado na revista Luce e Ombra pelo Dr. Achille Uffreducci, professor na Universidade de Roma, o qual foge, evidentemente, à tese espírita de que o Espírito de um vivo pode apresentar-se sem ser evocado, mas é necessário que durante o processo ele esteja, habitualmente, dormindo ou cochilando. No episódio relatado, o comunicante (Dr. Antônio Palica) estava no teatro e os dois amigos que se encontravam com ele afirmaram que, durante todo o tempo, ele não dormiu nem cochilou. (Comunicações mediúnicas entre vivos - 2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

B. Além de não se enquadrar no padrão considerado normal nesse tipo de comunicação, que outra circunstância estranha foi apontada pelo professor no episódio acima mencionado?

Ele estranhou o caráter leviano e jovial da personalidade mediúnica que dizia ser o Dr. Antônio Palica, mostrando-se, no entanto, em flagrante contradição com a seriedade do caráter e a correção dos modos do Dr. Palica, isso sem contar que, no momento em que se verificou a comunicação, o suposto agente se encontrava no teatro, absorto na representação a que assistia. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

C. Pode a comunicação a que nos referimos, embora verídica, ter sido dada por um Espírito mistificador? 

Sim. Uma vez reconhecido que a personalidade comunicante não era o que afirmava ser, então só restam duas hipóteses para explicação dos fatos. Por uma dessas hipóteses, que foi acolhida pelo professor que os relatou, tratar-se-ia de uma “inteligência oculta”, mascarada de Antônio Palica, que se divertia à custa dos experimentadores. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

 

Observação:

Para acessar a Parte 7 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/02/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_0677409806.html

 

 

 

 

 

  

 

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