sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

 



Comunicações mediúnicas entre vivos

 

  Ernesto Bozzano

 

Parte 7

 

Damos prosseguimento ao estudo do clássico Comunicações mediúnicas entre vivos, de autoria de Ernesto Bozzano, traduzido para o idioma português por J. Herculano Pires e publicado pela Edicel.

Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.

Cada parte do estudo compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura.

Este estudo será publicado sempre às sextas-feiras.

 

Questões preliminares

 

A. São raros os casos de transmissão de mensagem feita ao médium por pessoas em estado de vigília, isto é, perfeitamente acordadas? 

B. Uma pessoa tomada de grave crise de neurastenia consegue manter-se integralmente em estado de vigília? 

C. Que fato se dá quando é o médium que pensa fortemente numa pessoa distante com quem deseja comunicar-se? 

 

Texto para leitura

 

Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância

90. Analisando ainda o Caso 6, Bozzano observa que entre os protagonistas não existiam relações pessoais, indispensáveis para justificar o fato de estabelecer-se a “relação psíquica” entre o agente adormecido e os experimentadores. (Comunicações mediúnicas entre vivos - 2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo A)

91. Muito curioso e sugestivo é também o incidente em que o Espírito se melindra porque um dos experimentadores não leva muito a sério as suas afirmativas, o que lembra as suscetibilidades em tudo idênticas às das personalidades de mortos, em semelhantes circunstâncias. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo A)

92. Nota-se ainda que neste caso, como em tantos outros, o agente se recorda de ter tido um sonho correspondente à manifestação ocorrida. Tal circunstância é muito instrutiva, porque demonstra, em tais casos, que não se trata precisamente de um sonho, mas sim de uma recordação mais ou menos vaga, mais ou menos fragmentária, de uma ação real produzida durante o sono, pela personalidade integral do agente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo A)

93. Finalmente não será inútil salientar que a última frase: “Acha-se aqui comigo um espírito silencioso”, tenderia a confirmar o que anteriormente observamos, isto é, que muitas vezes as manifestações dos vivos se realizam por intervenção de entidades desencarnadas. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo A)

94. Estas últimas afirmam levar espíritos de vivos às sessões mediúnicas a fim de demonstrar aos homens, pela maneira mais acessível aos seus intelectos, que no fundo de sua subconsciência existe efetivamente um espírito capaz de afastar-se temporariamente do corpo e pensar e conversar independentemente do cérebro, o que representa a demonstração da existência e sobrevivência da alma. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo A)

95. Mensagens transmitidas inconscientemente ao médium por pessoas em estado de vigília – É de presumir a priori que os casos pertencentes a este subgrupo sejam bem raros. No seu arquivo de manifestações metapsíquicas, diz Bozzano que há 154 casos pertencentes ao grupo das comunicações mediúnicas entre vivos e neles só figuram cinco exemplos dessa natureza, mas, submetendo-os a uma análise posterior, pareceu-lhe que três deles não poderiam ser incluídos nesse subgrupo, levando-se em consideração que, na ocasião em que se verificou a transmissão telepático-mediúnica, dois dos agentes estavam enfermos, acamados, circunstância esta que torna impossível afirmar se, no momento da manifestação a distância, não tivessem adormecido por um instante, tanto mais que os próprios agentes, embora afirmem que se achavam acordados, não estavam em estado de poderem afirmar isto com segurança. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

 96. No terceiro caso, trata-se de uma senhora inesperadamente atacada de grave crise de neurastenia, durante a qual o filho, em lugar afastado, sentiu certo impulso para escrever automaticamente: “Estou muito doente, meu filho!” Como se vê, também neste caso não é possível afirmar com segurança que se trata de manifestação de um vivo, transmitida inconscientemente em estado de vigília. Primeiramente, porque é muito provável que, no período da crise, tenha ela pensado no filho ausente, desejando ardentemente tê-lo junto de si; depois, porque é bem difícil decidir se uma pessoa, tomada de grave crise de neurastenia, permaneça em condições normais de vigília, sem intervalos fugazes de “ausência psíquica” ou de “vigília aparente”; portanto, ficam à nossa disposição só dois exemplos: o primeiro manifesta-se pela mediunidade vidente e o segundo pela tiptologia, ambos susceptíveis de serem explicados de modo diferente. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

97. De qualquer forma, esses relatos servem para demonstrar que por via de regra as mensagens mediúnicas entre vivos não se podem verificar quando o agente se acha em estado de vigília e não está pensando no percipiente a distância, salvo sempre em circunstâncias especiais que, em nosso caso, são bastante discutíveis, mas de qualquer modo não infirmam a regra. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

98. Muito provavelmente, uma condição de sono, notório ou disfarçado, mesmo que seja muito fugaz, é também necessária nas manifestações opostas, isto é, quando o sensitivo-agente, pensando fortemente numa pessoa distante, no momento, em estado de vigília, consegue igualmente comunicar-se com ela. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

99 No subgrupo C, em que são consideradas tais condições de manifestação, notam-se episódios em que a pessoa, influenciada pelo pensamento do sensitivo, é tomada efetivamente por um instante de sono, mas há, entretanto, outros casos em que tal não se dá, o que, porém, não implica que um breve momento de sonambulismo em vigília não se tenha igualmente produzido. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

 

Caso 7

100. Este caso foi transcrito do vol. XVIII, pág. 102, dos Proceedings of the S. P. R. O incidente tem o seu valor especial pela circunstância de se ter verificado com a conhecidíssima médium Sra. Thompson, cuja mediunidade valeu, mais que qualquer outra, para convencer o Prof. Myers da realidade das comunicações com os mortos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

101. Na longa relação de Piddington a respeito de suas próprias experiências com ela, nota-se o seguinte episódio de comunicação mediúnica entre vivos, em que o agente inconsciente foi o próprio Piddington, que escreve:

“Em 24 de maio de 1900 houve uma sessão com a Sra. Thompson em minha casa, tomando Fredrich Myers nota das manifestações. Eu não estava presente, pois desde 19 de abril que não assistia às reuniões. Terminada a sessão, subiu a Sra. Thompson ao andar superior para tomar chá conosco. Assim que ela me avistou, contou-me o que segue e que eu reproduzo fielmente, pela relação que ela mesma escreveu, salvo alterações para ocultar o nome de uma pessoa mencionada por essa senhora.

Conta ela o seguinte: – Segunda feira, 7 de maio de 1900, cerca de 19:30 horas, estava sentada sozinha na sala de jantar, pensando na possibilidade de comunicar-me subconscientemente, de longe, mas não tinha em mente pessoa alguma em particular. Posso asseverar que não perdi a consciência um só momento. De súbito, tive a impressão de que alguém se achava ao meu lado. Abri imediatamente os olhos e com surpresa me vi diante do Sr. Piddington. Tratava-se, naturalmente, de visão clarividente. Achava-me muito desejosa de tentar a experiência que tinha em mente e por isso dirigi a palavra ao fantasma, o qual me parecia absolutamente vivo e natural, razão pela qual não me sentia de modo algum impressionada. Pedi-lhe:

– Quer ter a bondade de informar-me de algum pormenor que eu possa verificar para me dar a certeza de que esteja realmente falando comigo?

– Recentemente tive uma discussão violenta com... (citou o nome).

– Por que motivo? (nenhuma resposta).

Ele se desculpou, dizendo que não tivera intenção de ofender-me e eu lhe repliquei que me havia ofendido muito, tivesse ou não intenção de o fazer.

Isto dito, ele desapareceu, e eu me perguntava, pasmada, se no fantasma visto por mim e no incidente pelo mesmo narrado haveria algo de verdadeiro, Na dúvida, não me pareceu necessário escrever ao Sr. Piddington para lhe contar o sucedido, visto que esperava fazê-lo na primeira ocasião, oportunidade que se me ofereceu no dia 24 do mesmo mês, ficando muito surpresa ao saber que realmente se dera o incidente que me fora narrado pelo seu fantasma. Além disso, eu relatei ao Sr. Piddington que adivinhara o motivo da violenta disputa, e a minha informação era bem fundada. a) Rosalie Thompson

P.S.: Muitas vezes me perguntam de que modo eu falo a “Nelly”, meu espírito-guia. Pois bem, eu lhe falo do mesmo modo como falei com o fantasma do Sr. Piddington. Parece-me vê-lo e ter a percepção do que eles dizem. Vejo seus lábios se agitarem, mas não ouço a articulação das palavras; contudo, se eu não me expressar de viva voz, parece-me que não compreendem. Tenho experimentado dirigir perguntas mentais a “Nelly”, porém ela não as percebe e sou obrigada a repeti-las de viva voz.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

102. Com referência ao caso, diz o Sr. Piddington:

“No dia 30 de maio, escrevi ao Sr. Myers, referindo-me ao incidente ocorrido e expressando-me como segue:

– Confirmo plenamente o relato da Sra. Thompson. Antes de informá-lo de que era verdadeiro o incidente, esperei que ela chegasse até o fim da narrativa. Acentuo que, em seu relato, a Sra. Thompson omitiu uma particularidade interessante que eu friso porque sinto a necessidade de afirmar com segurança que ela havia observado ter a brutal discussão ocorrido em correspondência e não de viva voz.

Tal correspondência havia sido trocada entre 28 de abril e 1º de maio. Não me recordo, nem tenho pontos de referência que me ajudem a recordar o que eu estava fazendo às 19:30 horas, mas provavelmente estava me vestindo para o jantar.” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

103. Dos comentários que Piddington faz seguir ao caso, merecem destaque os seguintes pontos:

“Deve-se ter notado que a Sra. Thompson adivinhou exatamente o motivo da disputa quando a visão se dissipou. Se ela não houvesse ido além do incidente da discussão e do motivo que a provocou, eu não atribuiria grande importância à comunicação. Acrescento que teria até considerado um feliz acaso e nada mais, quanto à revelação do nome da pessoa com quem tivera a disputa. Sem dúvida eu ficaria surpreso, mas não impressionado. O que produziu o efeito de deixar-me pasmo e muito impressionado foram os outros dois informes fornecidos: o de haver o meu contraditor tentado desculpar-se, afirmando que não tivera a intenção de ofender-me, e a minha resposta a tal pedido de escusas. Tenho a certeza de que a Sra. Thompson não poderia tê-lo adivinhado e ainda muito menos sabido por intermédio de alguém; todavia, o caso se ressente, devido às reticências a que me forçam as circunstâncias. Mesmo, porém, que eu o tivesse podido narrar sem ofender as suscetibilidades de terceiros, não esperaria que o caso produzisse em outros a grande impressão que me causou...” (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

 104. No caso exposto, fica-se em dúvida sobre se teria havido efetivamente ação inconsciente telepático-mediúnica por parte do Sr. Piddington, uma vez que, considerando-se o fato de que a Sra. Thompson é uma poderosa médium para toda sorte de manifestações inteligentes, e naquele momento estava pensando na possibilidade de comunicar-se a distância com a subconsciência de pessoas vivas, somos levados a conjeturar, com maior verossimilhança, que esse seu estado de alma preparasse o fenômeno em que ela estava pensando. Neste caso, dever-se-ia dizer que, pelo dinamismo peculiar às faculdades espirituais subconscientes, a médium teria entrado em relação e em conversação com a personalidade integral ou espiritual de Piddington. Acima já nos referimos a tal sorte de manifestações, que serão examinadas, de modo particular, no subgrupo C. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

105. Quanto ao incidente da visão clarividente do fantasma de Piddington, localizado na mesma sala em que se achava a médium, isto não constitui obstáculo para tal interpretação dos fatos. Tudo se explica facilmente, considerando-o uma projeção, a pequena distância, da visão que naquele momento ocupava a subconsciência da médium, erro de localização no espaço, muito frequente nos fenômenos de clarividência telepática e de telestesia. Esse erro se explica, considerando que, para as faculdades espirituais subconscientes, não existem as limitações efêmeras de espaço e tempo, tais como nós as conhecemos. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B) (Continua no próximo número.)

 

Respostas às questões preliminares

 

A. São raros os casos de transmissão de mensagem feita ao médium por pessoas em estado de vigília, isto é, perfeitamente acordadas? 

Sim. Segundo Bozzano, os casos pertencentes a este subgrupo são bem raros. No seu arquivo de manifestações metapsíquicas, diz ele que havia 154 casos pertencentes ao grupo das comunicações mediúnicas entre vivos e neles só figuravam cinco exemplos dessa natureza; contudo, submetendo-os a uma análise posterior, pareceu-lhe que três deles não poderiam, a rigor, ser incluídos nesse subgrupo, levando-se em consideração que, na ocasião em que se verificou a transmissão telepático-mediúnica, dois dos agentes estavam enfermos, acamados, circunstância esta que torna impossível afirmar se, no momento da manifestação a distância, não tivessem adormecido por um instante. (Comunicações mediúnicas entre vivos - 2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

B. Uma pessoa tomada de grave crise de neurastenia consegue manter-se integralmente em estado de vigília? 

Bozzano entende que não. Uma pessoa nas condições mencionadas dificilmente se mantém em estado de perfeita vigília, sem intervalos fugazes de “ausência psíquica” ou de “vigília aparente”. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

C. Que fato se dá quando é o médium que pensa fortemente numa pessoa distante com quem deseja comunicar-se? 

Muito provavelmente, verifica-se aí uma condição de sono, notório ou disfarçado, mesmo que seja muito fugaz, quando o sensitivo-agente, pensando fortemente numa pessoa distante, no momento em estado de vigília, consegue igualmente comunicar-se com ela. (2ª Categoria: Mensagens mediúnicas entre vivos e à distância. Subgrupo B)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 6 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/02/comunicacoes-mediunicas-entre-vivos_01836219200.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

 



CINCO-MARIAS

 

Sobre crianças, sermões e esperança

 

EUGÊNIA PICKINA

eugeniapickina@gmail.com


Se eu puder aliviar o sofrimento de uma vida, ou se conseguir ajudar um passarinho que está fraco a encontrar o ninho... A vida terá valido a pena
. Emily Dickinson

 

Desde meninazinha gosto de São Francisco. Ele que pregava para os bichos… 

Querendo ou não, à medida que somos cúmplices naquilo de grandioso e horrendo que define o nosso tempo, o nosso ambiente, ouso avisar que muitas vezes são os animais que nos pregam sermões ou, dito de outro jeito, nos impelem a mudanças de natureza mais virtuosas.

Primeiro foi o passarinho que o Marcelo, um menino de onze anos, resgatou de uma árvore na rua. Chegou à tardezinha me dizendo que aqueles olhinhos assustados convenceram sua mãe a aceitar o pardalzinho em sua sala e sem reserva. Bicho urbano, o passarinho sarou e deixou uma saudade melancólica no menino. Tanto que o resultado disso foi a decisão familiar uníssona pela adoção de uma calopsita… A presença da avezinha, outrora maltratada, encheu a casa deles de uma alegria expressiva.

Aí fui ajudar dona Elvira e a filha de 9 anos na horta que elas estavam plantando num terreno abandonado. No muro, parado, vimos um gato preto, cara esfolada, e que veio miando desconfiado em direção às nossas pernas. Sem pedir licença, a menina tomou o gato no colo, olhos cheios de lágrimas. “Ah! Coitadinho, tão abandonado.” Lembrei-me dos gatos que eu encontrava na rua e levava para minha casa, minha mãe dizendo “mais um!” e eu apontando quanto aquele animalzinho estava triste, solitário… Minha mãe era convencida pelo sermão sem palavras do bichinho…

Bem. Crianças sem dúvida têm afinidade com São Francisco. Estão interessadas na linguagem dos animais. E principalmente pelas iniciativas dos que experimentam a infância, nós, os adultos, tomamos consciência da importância do espelho moral que somos para quem vivencia o começo da vida.

Ser guardião dos bichos é uma tarefa tanto amorosa quanto ética. Ademais, através de nossos filhos, é assegurada aos bichos a oportunidade de pregar para nós, adultos e quantas vezes indiferentes?, belas lições sobre a bondade e a serviço da própria vida… E é justamente aqui que se abre a esperança.

 

Notinha

 

São Francisco de Assis é considerado o protetor dos animais e padroeiro da ecologia (em 1979, o papa João Paulo II proclamou-o santo patrono dos ecologistas). Ele foi admirado pela sua bondade com todos os seres vivos. Em 1224, Francisco estava pregando no Monte Alverne (Apeninos) quando apareceram em seu corpo cicatrizes que correspondiam às cinco chagas do Cristo crucificado, fenômeno este chamado de "estigmatização", e permaneceram até o final da sua vida e teriam sido o motivo do seu enfraquecimento e sofrimento físico. As chagas aumentaram progressivamente por dois anos, levando-o à cegueira, até sua morte em 3 de outubro de 1226.

 

*

Eugênia Pickina é educadora ambiental e terapeuta floral e membro da Asociación Terapia Floral Integrativa (ATFI), situada em Madri, Espanha. Escritora, tem livros infantis publicados pelo Instituto Plantarum, colaborando com o despertar da consciência ambiental junto ao Jardim Botânico Plantarum (Nova Odessa-SP).

Especialista em Filosofia (UEL-PR) e mestre em Direito Político e Econômico (Mackenzie-SP), ministra cursos e palestras sobre educação ambiental em empresas e escolas no estado de São Paulo e no Paraná, onde vive.

Seu contato no Instagram é @eugeniapickina

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

 



Revista Espírita de 1865

 

Allan Kardec

 

Parte 1

 

Iniciamos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1865, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo será baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1865 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que será apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que ensinamento nos trouxe o caso Valentine Laurent?

B. A existência do corpo espiritual era conhecida antes de Kardec? 

C. Em que consistia a doutrina da metempsicose?

 

Texto para leitura

 

1. Para evidenciar o crescimento do Movimento Espírita em 1864, Kardec enumera os diversos órgãos de divulgação espírita nascidos naquele ano em Paris, em Bordéus, em Toulouse e em Bruxelas, e assegura que esse crescimento fora assinalado também pelo aumento do número de grupos e sociedades espíritas que se formaram em diversas localidades onde não os havia, quer no estrangeiro, quer na França. (Págs. 1 a 3.)

2. A Revista publica o relato da cura de uma jovem obsidiada de Marmande. O autor da notícia é o Sr. Dombre, que informa o leitor sobre as crises convulsivas experimentadas por Valentine Laurent, de 13 anos. Essas crises, além de se repetirem várias vezes por dia, eram de tal violência que cinco homens tinham dificuldade de mantê-la na cama. Tratava-se de um caso obsessivo dos mais graves, produzido pelo Espírito de Germaine, que se revelou em 16/9/1864. (Págs. 4 a 8.)

3. Valentine era sensível ao tratamento recebido do Sr. Dombre por meio da imposição de mãos, mas, tão logo ele se afastava, voltavam as crises. (Págs. 9 a 12.)

4. Depois de um longo tratamento e de hábeis instruções transmitidas a Germaine, o Espírito que perturbava Valentine, o processo obsessivo chegou ao fim e tudo se explicou. (Págs.12 a 17.)

5. Germaine, arrependida, pediu perdão à menina e disse que agora se sentia outra pessoa, porquanto a prece que derramaram sobre seu Espírito tornara sua alma mais limpa e extinguira sua sede de vingança. No dia seguinte, a conselho dos guias espirituais, o Sr. Dombre fez com que Valentine adormecesse todos os dias pelo sono magnético, de modo a livrar-se completamente da ação dos maus fluidos que a tinham envolvido e, ao mesmo tempo, fortificar o seu organismo. É que, desde a libertação, a jovem experimentava mal-estar, incômodos do estômago, pequenos abalos nervosos, consequências do processo obsessivo. (Págs. 17 e 18.)

6. À margem do caso, Kardec indaga: “Para que teria servido o magnetismo se a causa tivesse subsistido?” Era preciso primeiro destruir a causa, antes de atacar os efeitos, ou, pelo menos, agir sobre ambos simultaneamente, esclarece o Codificador, mostrando que o magnetismo, por si só, é incapaz de curar as obsessões graves. (Pág. 18.)

7. A Revista transcreve o diálogo travado no ano de 1862 entre o Sr. Rul, membro da Sociedade Espírita de Paris, e o Espírito de um jovem surdo-mudo de 12 a 13 anos, ainda encarnado. Na conversa o jovem disse que nascera assim como expiação de seus crimes no passado: ele fora parricida. (Págs. 19 e 20.)

8. Reportando-se ao livro “Aparição real de minha mulher após sua morte”, de 1804, em que o dr. Carlos Woetzel descreve a aparição da própria esposa, que se lhe mostrou de vestido branco, com o mesmo aspecto que tinha antes de morrer, Kardec informa que, na descrição feita pelo dr. Woetzel a respeito do corpo etéreo apresentado pela mulher, só faltou a palavra perispírito e acrescenta que, segundo o Sr. Pezzani, o conhecimento do corpo espiritual remonta à mais alta antiguidade e que apenas o nome de perispírito é moderno. (Págs. 21 e 22.)

9. São Paulo refere-se com clareza à existência do corpo espiritual em sua 1ª Epístola aos Coríntios, cap. 15, versículo 44. Woetzel o descobriu apenas pela força do raciocínio. O Espiritismo, tendo-o estudado nos numerosos fatos que observou, descreveu-lhe as propriedades e deduziu as leis de sua formação e de suas manifestações. (Pág. 22.)

10. A propósito do caso conhecido como o “ovo de Saumur”, sobre cuja casca viam-se, em relevo, claramente desenhados, objetos de santidade e inscrições, Kardec adverte – depois de afirmar que fatos como esse nenhuma relação têm com o Espiritismo – que os espíritas não são tão crédulos quanto o dizem. “Desde que um fenômeno insólito se apresente, eles procuram antes de tudo a explicação no mundo tangível, e não misturam os Espíritos em tudo quanto é extraordinário, porque sabem em que limites e segundo que leis sua ação se exerce.” (Págs. 22 a 24.)

11. A Revista noticia o lançamento do livro “A Pluralidade das Existências da Alma”, de André Pezzani, advogado na Corte Imperial de Lyon, na qual o autor demonstra que a doutrina da metempsicose animal é posterior à doutrina da pluralidade das existências humanas, ou reencarnação, e apenas uma derivação alterada desta. (Págs. 24 e 25.)

12. A encarnação nos animais foi ensinada ao vulgo como um freio às paixões. Encarnar em animais era uma espécie de punição, criada com o objetivo de espantar as pessoas, evitando-se assim que cultivassem vícios ou violassem as leis do Estado. Com base nessa proposta, atribuída a Timeu de Locres, que fora mestre de Platão, as almas dos homens tímidos reencarnariam em corpos de mulheres expostas ao desprezo e às injúrias; as almas dos assassinos voltariam em corpos de animais ferozes; a dos impudicos, em corpos de porcos e javalis. (Pág. 25.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que ensinamento nos trouxe o caso Valentine Laurent?

Esse caso mostrou que o magnetismo, por si só, é incapaz de curar as obsessões graves, sendo necessário, no tratamento da obsessão, atacar a causa, antes de atacar os efeitos, ou, pelo menos, agir sobre ambos simultaneamente. (Revista Espírita de 1865, pp. 17 e 18.)

B. A existência do corpo espiritual era conhecida antes de Kardec? 

Segundo Kardec, o conhecimento do corpo espiritual remonta à mais alta antiguidade e apenas o nome de perispírito é moderno. Paulo de Tarso, como sabemos, referiu-se com clareza à existência do corpo espiritual em sua 1ª Epístola aos Coríntios, cap. 15, versículo 44. (Obra citada, pp. 21 e 22.) 

C. Em que consistia a doutrina da metempsicose?

A doutrina da metempsicose surgiu, segundo André Pezzani, posteriormente à doutrina da pluralidade das existências humanas e foi ensinada ao vulgo como um freio às paixões. Encarnar em animais era uma espécie de punição, criada com o objetivo de espantar as pessoas, evitando-se assim que cultivassem vícios ou violassem as leis do Estado. Com base nessa proposta, atribuída a Timeu de Locres, as almas dos homens tímidos reencarnariam em corpos de mulheres expostas ao desprezo e às injúrias; as almas dos assassinos voltariam em corpos de animais ferozes; a dos impudicos, em corpos de porcos e javalis. (Obra citada, pp. 24 e 25.)

 

 

 

 

 

 

 

 

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 



No processo da vida

 
(A luz prevalece)


CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Certos dias, podemos nos sentir um pouco perdidos diante da vida, vivendo mais mecanicamente que de costume, sem muita expectativa, mas isso também passa, e não é preciso medo, estamos em crescimento. Haverá os dias mais brandos e felizes, e os dias mais lentos e difíceis, porém todos passam e continuamos a nossa experiência e, sem dúvida, como valerá a pena. Basta voltarmo-nos ao nosso interior e conectarmo-nos à luz da vida, e o sentido e a alegria retornarão. Estamos numa vivência muito importante que nos resume do que viemos e nos prepara para onde vamos. Precisamos tanto é nos autoconhecer.

E o autoconhecimento é uma ferramenta abençoada, pois nos esclarece, alivia, fortalece e devolve a esperança dos dias juntamente com a essência de viver. Também permite a compreensão de nossa debilidade e nos apresenta tudo de admirável que podemos ser, já que somos seres altamente espiritualizados em desenvolvimento. Somos luz, amor, vida em completa atividade, disso sempre necessitamos nos lembrar para a continuidade de passos seguros e ascendentes na evolução.

Quando compreendemos que o único caminho é adiante e nos conscientizamos de que a vida não cessa e nos encaminha sempre ao progresso graças a Deus , não há o que temer nem razão para postergar, vamos seguir e tudo mais nos será acrescentado. E quanto mais coerente for a maneira de nossa vivência, assim também a vida nos será. E quanto mais agradecidos, mais graças virão a nós. A vida é muito abundante para receber as nossas pequeninas ingratidões. Então, se reformulamos os pensamentos e atitudes, naturalmente a nossa percepção também se modificará. Tudo é um reflexo conhecido como ação e reação.

Portanto, se os dias estão mais enfadonhos que vibrantes, busquemos o nosso interior para acessar as respostas para os questionamentos; estamos conectados ao todo, a Deus. Ininterruptamente, a energia que nos abençoa é de luz, nós é que a interrompemos com pensamentos descuidados e sentimentos despropositados.

Façamos, então, o nosso melhor um dia de cada vez, sem ansiedade, sem esmorecimento, apenas cada dia com mais amor. E como o inspirar, que assim também seja o processo de interiorização; aquele anima o corpo e este dá direção ao espírito.

Os dias mais difíceis ainda virão como os felizes , mas haverá a certeza de que estamos em mais uma experiência física, no entanto, felizmente, somos espíritos e pertencentes à eternidade. Quando entendermos isso, o salto será esplêndido.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 



 

 

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

 



 Vinte modos

 

André Luiz

 

Modos com que nós, espíritas, perturbamos a marcha do Espiritismo:

- Esquecer a reforma íntima;

- Desprezar os deveres profissionais;

- Ausentar-se das obras de caridade;

- Negar-se ao estudo;

- Faltar aos compromissos sem justo motivo;

- Rogar privilégios;

- Escapar deliberadamente dos sofredores para não prestar-lhes pequeninos serviços;

- Colocar os princípios espíritas à disposição de fachadas sociais;

- Especular com a Doutrina em matéria política;

- Sacrificar a família aos trabalhos da fé;

- Açambarcar muitas obrigações, recusando distribuir a tarefa com os demais companheiros ou não abraçar incumbência alguma, isolando-se na preguiça;

- Afligir-se pela conquista de aplausos;

- Julgar-se indispensável;

- Fugir ao exame imparcial e sereno das questões que concernem à clareza do Espiritismo, acima dos interesses e das pessoas;

- Abdicar do raciocínio, deixando-se manobrar por movimentos ou criaturas que tentam sutilmente ensombrar a área do esclarecimento espírita com preconceitos e ilusões;

- Ferir os outros com palavras agressivas ou deixar de auxiliá-los com palavras equilibradas no momento preciso;

- Guardar melindres;

- Olvidar o encargo natural de cooperar respeitosamente com os dirigentes das instituições doutrinárias;

- Lisonjear médiuns e tarefeiros da causa espírita;

- Largar aos outros responsabilidades que nos competem.

 

Do livro Opinião Espírita, obra psicografada pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.


 

 

 


 

  

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