Que
dizer aos que negam o Umbral e as Colônias Espirituais?
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
Um leitor de Minas
Gerais enviou-nos uma carta contendo questionamentos feitos por um amigo a
propósito de informações contidas em obras mediúnicas que, na opinião do amigo,
não teriam suporte nos livros de Allan Kardec. Ele refere-se especificamente ao
Umbral e às Colônias Espirituais, cuja existência não aceita. Além de negar a existência
do Umbral e das Colônias, ele apresentou-nos outros questionamentos pertinentes
ao mesmo tema.
Vamos ater-nos
neste texto à questão do Umbral e das Colônias Espirituais, que o amigo em foco
e muitos espíritas – por incrível que isso pareça – negam porque Allan Kardec
não os menciona. Os demais questionamentos serão examinados oportunamente.
Em primeiro lugar,
lembremos que Allan Kardec não pôde, por razões inúmeras, aprofundar-se em
determinados assuntos que estariam reservados para as gerações futuras, porque
a revelação espírita é progressiva e deve seguir, conforme proposto pelo
próprio Codificador, o avanço das pesquisas, dos fatos e da ciência.
Cabe-nos, contudo,
reconhecer que Allan Kardec, embora sem os pormenores que outros autores nos trouxeram
posteriormente, aludiu ao assunto em alguns momentos do seu livro O Céu e o
Inferno, obra recheada de depoimentos dados por Espíritos de categorias evolutivas
diversas.
Assim é que no
cap. VII da 1ª Parte da obra citada, no tópico 25º, Kardec diz que no plano
espiritual existem Espíritos mergulhados em densa treva; outros se
encontram em absoluto insulamento no Espaço, atormentados pela ignorância
da própria posição, como da sorte que os aguarda. Os mais culpados
padecem torturas muito mais pungentes por não lhes entreverem um termo.
Alguns são privados de ver os seres queridos, e todos, geralmente,
passam com intensidade relativa pelos males, pelas dores e privações
que a outrem ocasionaram. Esta situação perdura até que o desejo de reparação
pelo arrependimento lhes traga a calma para entrever a possibilidade de, por
eles mesmos, pôr um termo à sua situação. [O negrito é de
nossa autoria.]
Comparemos o texto
acima, de autoria de Allan Kardec, com a descrição que André Luiz fez, no livro
Nosso Lar, acerca de sua situação no Umbral. Há neles alguma diferença?
Em outro trecho do
mesmo livro, no cap. IV da 2ª Parte, Kardec reproduz uma comunicação do
Espírito de Claire, que se refere ao marido, que muito a martirizara, e à
posição em que ele se encontrava no mundo espiritual. Eis o trecho: “Queres
saber qual a situação do pobre Félix? Erra nas trevas entregue à
profunda nudez de sua alma. Superficial e leviano, aviltado pelo
sensualismo, nunca soube o que eram o amor e a amizade. Nem mesmo a paixão
esclareceu suas sombrias luzes. Seu estado presente é comparável ao da criança
inapta para as funções da vida e privada de todo o amparo. Félix vaga
aterrorizado nesse mundo estranho onde tudo fulgura ao brilho desse Deus por
ele negado.” [Grifamos]
Quando surgiu o
livro Nosso Lar, a primeira obra escrita por André Luiz, dúvidas
inúmeras foram levantadas por personalidades importantes, a exemplo de Leopoldo
Machado, que tiveram inicialmente dificuldade em aceitar parte das informações
que o livro apresentava. Sabemos, porém, que tais dúvidas não tinham fundamento
nenhum porque, a rigor, André Luiz não trouxe novidades sobre o tema, que já
fora examinado anteriormente por inúmeros autores.
Se os que pensam
como o amigo do leitor que nos escreveu tivessem lido o livro A Vida no Outro
Mundo, obra de Cairbar Schutel publicada antes do surgimento do médium
Chico Xavier, saberiam disso, o que implica dizer que negar a existência do Umbral
e das Colônias Espirituais mencionadas por André Luiz significa refutar a
contribuição inestimável de autores consagrados como, por exemplo, Conan Doyle,
Oliver Lodge, Carl du Prel, Swedenborg, Winifred Moyes, Ernesto Bozzano,
Cairbar Schutel e Lilian Walbrook, dentre muitos outros.
Eis, a propósito,
algumas informações que colhemos no livro A Vida no Outro Mundo, de
Cairbar Schutel:
1. Há no Outro
Mundo diversos planos de existência, e não poderia ser de outro modo, porque os
Espíritos, revestidos de seu corpo espiritual, não podem viver num meio que não
esteja de acordo com sua vestimenta espiritual, que vibra sempre ao ritmo da
elevação de cada um, em sabedoria e moralidade. Uma região isenta de oxigênio
seria hostil a Espíritos ainda necessitados de oxigênio. Os círculos que
envolvem a Terra se diferenciam pela fluidez da matéria que os compõe. (A
Vida no Outro Mundo, 5ª. edição, pp. 82, 83, 85 e 107.)
2. O primeiro
plano do Mundo Espiritual é bem parecido com o plano terráqueo. Pode-se dizer
que o nosso plano aqui na Terra é uma cópia materializada desse plano, o que
explica a existência ali de habitações semelhantes às nossas. (Obra citada, pp.
87 a 89.)
3. Muitas obras e
estudiosos falam sobre a existência de cidades, casas, hospitais, templos e
palácios no Outro Mundo e Conan Doyle menciona em seu livro História do
Espiritismo vários casos, a exemplo de sir Oliver Lodge, Carl du Prel,
Swedenborg, Winifred Moyes e Lilian Walbrook. (Obra citada, pp. 54, 56, 57, 78,
92, 95, 96, 97, 102 e 103.)
4. Nas mensagens transcritas
por Conan Doyle, além da referência à existência de casas lindas e flores, um
dos comunicantes fala do alimento utilizado no plano em que vivia, o qual não
se parece com o nosso porque é muito mais agradável e delicado. (Obra citada,
pp. 95 a 97.)
5. Nas obras de
Swedenborg faz-se menção a casas, templos, salões, palácios. As crianças são
bem recebidas no Outro Mundo, sejam ou não batizadas, e ali elas crescem
cuidadas por mulheres jovens, até que lhes apareçam suas mães verdadeiras.
(Obra citada, pp. 98 a 100.)
6. No livro O
Caso de Lester Coltman, de Lilian Walbrook, Coltman (Espírito) dá-nos a
seguinte informação: “Meu trabalho continua aqui como se iniciou na Terra, ou
seja, no terreno científico. Para progredir em meus estudos, visito frequentemente
um laboratório, onde encontro facilidades tão completas como extraordinárias
para a realização de experiências. Tenho casa própria, verdadeiramente bela,
com uma grande biblioteca, na qual existe toda a classe de livros de consulta:
históricos, científicos, de Medicina, e de todos os gêneros da Literatura. Para
nós, estes livros são tão interessantes como para vós, os da Terra. Tenho uma
sala de música com toda a sorte de instrumentos. Tenho quadros de rara beleza e
móveis de gosto apurado.” Na sequência, Lester Coltman refere-se a uma paisagem
extraordinariamente bela que ele podia descortinar de suas janelas e diz haver
ali magníficas escolas para instrução dos Espíritos de crianças. (Obra citada,
pp. 93 a 95.)
As informações de
Cairbar Schutel não são diferentes das que Ernesto Bozzano nos trouxe em seu
livro A Crise da Morte, obra publicada em 1926 pela Federação Espírita
Brasileira.
Eis trechos da
referida obra:
1. Segundo
esclarecimentos ditados pelo Espírito de Celfra: a) existem esferas espirituais
de transição, em que os Espíritos guardam a forma humana e se veem num meio
análogo ao terrestre; b) o peso do Espírito recém-chegado ao mundo espiritual
provém das condições de pecado em que toda gente aí chega; c) enquanto a alma
do recém-vindo estiver ligada, de alguma sorte, ao mundo dos vivos, o Espírito
não pode deixar de existir numa condição quase terrena; d) após a morte do
corpo físico, nas altas esferas espirituais a faculdade de pensar experimenta
uma transformação e uma expansão prodigiosas. (A Crise da Morte, pp. 159
a 161.)
2. Jim Nolan disse
que, ao entrar no mundo espiritual, parecia-lhe caminhar sobre um terreno
sólido, quando encontrou sua avó, que o levou para longe dali, para sua morada.
A morada da avó, onde ele repousou e dormiu naquela noite, tinha o aspecto de
uma casa. “No mundo dos Espíritos – explicou ele –, há a força do pensamento,
por meio do qual se podem criar todas as comodidades desejáveis...” (Obra
citada, p. 32.)
3. O Espírito,
pensando na forma humana, se veria de novo em forma humana; pensando em estar
vestido, achar-se-ia coberto de roupas que, sendo tão etéreas como o seu
próprio corpo, lhe pareceriam tão substanciais como as vestes terrenas. É assim
que ele encontra, no mundo espiritual, um meio e uma morada correspondentes a
seus hábitos terrestres, morada que lhe preparariam os seus familiares,
tornados antes dele à existência espiritual. (Obra citada, p. 36.)
4. Felicia
Scatcherd diz ter sido conduzida a uma maravilhosa morada que os próprios
Espíritos haviam criado pela força do pensamento. (Obra citada, pp. 117 a 121.)
5. A mensagem do
Espírito trouxe notícias sobre as habitações existentes no mundo espiritual,
construídas por Espíritos que se especializaram em modelar, pelo pensamento, a
matéria espiritual. (Obra citada, pp. 137 a 143.)
6. Os Espíritos se
encontram novamente, na vida espiritual, com a forma humana. Todos se acham num
meio espiritual radioso e maravilhoso (no caso de mortos moralmente normais) e
num meio tenebroso e opressivo (no caso de mortos moralmente depravados). Todos reconhecem que o meio espiritual é um
novo mundo objetivo, real, análogo ao meio terrestre espiritualizado. Eles
aprendem que isso se deve ao fato de que, no mundo espiritual, o pensamento
constitui uma força criadora, por meio da qual o Espírito existente no “plano
astral” pode reproduzir em torno de si o meio de suas recordações. Os Espíritos
dos mortos gravitam fatalmente e automaticamente para a esfera espiritual que
lhes convém, por virtude da “lei de afinidade”. (Obra citada, pp. 164 a 166.)
Sobre a região
chamada Umbral e as esferas espirituais que circundam a Crosta terrestre
recomendamos ao leitor que leia o texto que escrevemos e publicamos na edição
226 da revista O Consolador. Eis o link: http://www.oconsolador.com.br/ano5/226/oespiritismoresponde.html
Nota do Autor:
Para ler o texto
publicado no domingo anterior, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/03/alma-e-espirito-sao-termos-com.html
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