Roteiro
Emmanuel
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Superando as vulgaridades que lhe assinalam a romagem na carne, o
Espírito reconhece a sua posição de internado nos círculos da matéria que, a
seu turno, é simplesmente o conjunto das vidas inferiores, suscetível de ser examinado pela
nossa capacidade de apreciação.
Em seus múltiplos estados, a matéria é
força coagulada, dentro de extensas faixas dinâmicas, guardando a entidade
mental de tipos diversos, em seu longo roteiro evolutivo.
Corpos sólidos, líquidos, gasosos,
fluidos densos e radiantes, energias sutis, raios de variadas espécies e
poderes ocultos tecem a rede em que a nossa consciência se desenvolve, na
expansão para a imortalidade gloriosa.
O homem é um gênio divino em
aperfeiçoamento ou um anjo nascituro, no grande império das existências
microscópicas, em cujo âmbito é escravo natural das ordenações superiores e
legítimo senhor das potências menores.
Em torno dele tudo é movimento,
transformação e renovação. No seio multifário da natureza em que se agita, tudo
se modifica no embate turbilhonário das energias que lhe favorecem a
experiência e a ascensão.
Embora a ordem dominante nos elementos
infrainfinitesimais, tudo aí se desfaz e se refaz incessantemente, oferecendo
ao Espírito fases importantes de materialização e desmaterialização, dentro de
leis sistemáticas que funcionam em igualdade de condições para todos.
Mas, além dos elementos químicos
analisados, entre o hidrogênio e o urânio, que se agrupam no Planeta, através
de infinitas combinações, jazem as linhas de força do mundo subatômico, geradas
pelos potenciais elétricos e magnéticos que presidem a todos os fenômenos da
vida e, por trás dessas linhas positivas, neutras ou negativas, que constituem
a matéria, verdadeira aglomeração de sistemas solares microscópicos e de nebulosas
infinitesimais, permanece o pensamento que tudo cria, renova e destrói para
refazer.
A energia mental é o fermento vivo que
improvisa, altera, constringe, alarga, assimila, desassimila, integra,
pulveriza ou recompõe a matéria em todas as dimensões.
Por isso mesmo, somos o que decidimos,
possuímos o que desejamos, estamos onde preferimos e encontramos a vitória, a
derrota ou a estagnação, conforme imaginamos.
A história da Criação, no livro de
Moisés, idealizando o Senhor diante do abismo, simboliza a força da mente
perante o cosmos.
“Faça-se a luz — determinou a Divina
Vontade — e a luz se fez sobre as trevas.”
Por nossa vez, cada dia, proclamamos
com as nossas ideias, atitudes, palavras e atos: — “Faça-se o destino!” E a
vida nos traz aquilo que dela reclamamos.
Os acontecimentos obedecem às nossas
intenções e provocações manifestas ou ocultas.
Encontraremos o que merecemos, porque
merecemos o que buscamos.
A existência, pois, para nós, em
qualquer parte, será invariavelmente segundo pensamos.
[1] O Livro dos Espíritos, 60-67.
Nota:
O livro Roteiro, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado
inicialmente pela editora da FEB em 1952.
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