domingo, 5 de abril de 2026

 



É essencial analisar com seriedade o que dizem os Espíritos

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor escreveu-nos o seguinte:

 

Sabemos que os fenômenos mediúnicos são tão antigos quanto os homens e que as Escrituras apresentam vários casos de aparição de Espíritos. Com relação, porém, à orientação relativa às comunicações mediúnicas, em que livros da Bíblia podemos encontrar algo?

 

Realmente, os fatos pertinentes ao intercâmbio com os Espíritos remontam à mais remota antiguidade, sendo tão velhos quanto o nosso mundo.

A História, a esse respeito, está pontilhada de fenômenos.

A Bíblia, por exemplo, nos mostra no Antigo Testamento Saul conversando com o Espírito de Samuel e, no Novo Testamento, Jesus recepcionando as visitas dos Espíritos de Elias e Moisés materializados, às vésperas de sua prisão e consequente crucificação.

O apóstolo Paulo, em suas cartas, reconheceu a prática dessas manifestações entre os cristãos primitivos e legou-nos orientações importantes no tocante ao intercâmbio entre nós e o mundo espiritual, como podemos verificar nos textos seguintes: 

 

"Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em outra língua não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação." (I Coríntios, 14:1 a 3.)   

"Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem." (I Tessalonicenses, 5:19 a 21.)

   

Em igual sentido, João evangelista referiu-se às manifestações espirituais e deixou-nos um alerta, até hoje de grande relevância, com respeito ao cuidado que é preciso ter no intercâmbio com os desencarnados:

 

"Amados, não acrediteis em todos os espíritos, mas provai se os espíritos vêm de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." (I João, 4:1 e 2.)  

 

Destacamos, portanto, nas observações de Paulo e João as seguintes propostas, no tocante à prática da mediunidade:

 

·    Procurar com zelo os dons espirituais

· Preferir as mensagens transcendentais que edificam e consolam

·    Examinar tudo e reter o bem

· Não aceitar cegamente o que dizem os Espíritos

· Analisar se o conteúdo do que dizem é compatível com as leis de Deus.

 

No meio espírita é conhecida a orientação assinada pelo Espírito de Erasto que Allan Kardec inseriu no cap. XX d’ O Livro dos Médiuns:

 

“Daí a necessidade de serem, os diretores dos grupos espíritas, dotados de fino tato, de rara sagacidade, para discernir as comunicações autênticas das que não o são e para não ferir os que se iludem a si mesmos. Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” (Negritamos)

 

No livro As Vidas de Chico Xavier, Marcel Souto Maior registrou um dos primeiros e mais importantes conselhos dados por Emmanuel a Chico Xavier, logo no início das tarefas do saudoso médium no campo da mediunidade:

 

“Se alguma vez eu lhe der algum conselho que não esteja de acordo com Jesus e Kardec, fique do lado deles e procure me esquecer.”

 

A semelhança entre a orientação de Erasto, o conselho de Emmanuel e as orientações de Paulo e João não é, evidentemente, fruto de uma mera coincidência.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/03/so-ha-um-deus-e-um-unico-mediador-entre.html

 

 

 


 

 

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