Pensamento e vida
Emmanuel
18
A sociedade humana pode ser comparada a imensa floresta
de criações mentais, onde cada Espírito, em processo de evolução e
acrisolamento, encontra os reflexos de si mesmo.
Aí dentro os princípios de ação e reação funcionam exatos.
As pátrias, grandes matrizes do progresso, constituem
notáveis fulcros da civilização ou expressivos redutos de trabalho, em que
vastos grupos de almas se demoram no serviço de autoeducação, mediante o
serviço à comunidade, emigrando, muita vez, de um país para outro, conforme se
lhes faça precisa essa ou aquela aquisição nas linhas da experiência.
O lar coletivo,
definindo afinidades raciais e interesses do clã, é o conjunto das emoções e
dos pensamentos daqueles que o povoam. Entre as fronteiras vibratórias que o
definem, por intermédio dos breves aprendizados “berço-túmulo”, que denominamos
existências terrestres, transfere-se a alma de posição a posição, conforme os
reflexos que haja lançado de si mesma e conforme aqueles que haja assimilado do
ambiente em que estagiou.
Atingida a época
de aferição dos próprios valores, quando a morte física determina a extinção da
força vital corpórea, emprestada ao Espírito para a sua excursão de
desenvolvimento e serviço, reajuste ou elevação, na Esfera da carne, colhemos
os resultados de nossa conduta e, bastas vezes, é preciso recomeçar o trabalho
para regenerar atitudes e purificar sentimentos, na reconstrução de nossos
destinos.
Dessa forma, os
corações que hoje oprimem o próximo, a se prevalecerem da galeria social em que
se acastelam, na ilusória supremacia do ouro, voltam amanhã ao terreno
torturado da carência e do infortúnio, recolhendo, em impactos diretos, os
raios de sofrimento que semearam no solo das necessidades alheias. E se as
vítimas e os verdugos não souberem exercer largamente o perdão recíproco,
encontramos no mundo social verdadeiro círculo vicioso em que se entrechocam,
constantemente, as ondas da vingança e do ódio, da dissensão e do crime,
assegurando clima favorável aos processos da delinquência.
Sociedades que
ontem escravizaram o braço humano são hoje obrigadas a afagar, por filhos do
próprio seio, aqueles que elas furtaram à terra em que se lhes situava o degrau
evolutivo. Hordas invasoras que talam os campos de povos humildes e inermes,
neles renascem como rebentos do chão conquistado, garantindo o refazimento das
instituições que feriram ou depredaram. Agrupamentos separatistas, que humilham irmãos
de cor, voltam na pigmentação que detestam, arrecadando a compensação das
próprias obras. Citadinos aristocratas,
insensíveis aos problemas da classe obscura, depois de respirarem o conforto de
avenidas suntuosas costumam renascer em bairros atormentados e anônimos,
bebendo no cálice do pauperismo os reflexos da crueldade risonha com que
assistiram, noutro tempo, à dor e à dificuldade dos filhos do sofrimento.
Em todas as
épocas, a sociedade humana é o filtro gigantesco do espírito, em que as almas,
nos fios da experiência, na abastança ou na miséria, na direção ou na
subalternidade, colhem os frutos da plantação que lhes é própria, retardando o
passo na planície vulgar ou acelerando-o para os cimos da vida, em obediência
aos ditames da evolução.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
|
To read in English, click
here: ENGLISH |

Nenhum comentário:
Postar um comentário