domingo, 19 de abril de 2026

 




Ao reencarnar, conserva o Espírito as inclinações anteriormente adquiridas?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Um leitor de Minas Gerais enviou-nos a seguinte indagação:


Em nosso grupo de estudos, discutia-se se, ao reencarnar, o Espírito pode retornar como homem ou como mulher. Após análise, concluiu-se afirmativamente. Surgiu, então, uma nova questão: ao optar por um sexo diferente daquele que lhe tem sido mais habitual, conservaria o Espírito as inclinações anteriormente adquiridas?

 

No que se refere à primeira pergunta, a resposta é inequívoca: sim. Para o Espírito em estado de erraticidade, não há, em si, preferência essencial entre renascer em corpo masculino ou feminino. Como ensina a questão 202 de O Livro dos Espíritos, o que orienta essa escolha são, sobretudo, as provas que deverá enfrentar.

Desse modo, ao regressarem à vida corpórea, os Espíritos podem assumir tanto um corpo masculino quanto feminino, conforme as necessidades de aprendizado, as tarefas específicas a cumprir ou as exigências de sua própria regeneração.

Quanto à segunda indagação, convém considerar que o Espírito pode atravessar sucessivas existências sob o mesmo sexo, o que lhe imprime, por largo tempo, determinadas características psicológicas e afetivas. Tais marcas, assimiladas ao longo da experiência, tendem a persistir na individualidade espiritual.

A vida espiritual em sua essência – afirma Emmanuel – rege-se por afinidades profundas; entretanto, no decurso de milênios, o Espírito percorre uma longa série de reencarnações, alternando-se entre experiências de masculinidade e feminilidade. Assim, homens e mulheres podem apresentar, em graus variados, traços mais acentuados de uma ou outra polaridade, sem que se possa falar em delimitação psicológica absoluta.

Em nova existência, o Espírito traz consigo o patrimônio de tendências e inclinações que cultivou anteriormente. Dessa forma, ao transitar de uma vivência feminina para outra masculina, por exemplo, poderá manifestar, mesmo em corpo masculino, certos traços da feminilidade longamente experimentada — e o mesmo se dá no caso inverso.

É nesse contexto que, conforme assinala Allan Kardec, se compreendem certas aparentes anomalias observadas no comportamento humano, como mulheres de atitudes consideradas másculas ou homens com traços tradicionalmente associados ao feminino, independentemente de sua orientação afetiva.

É afirmativa, pois, a resposta à pergunta que serviu de título a este texto, a saber: o Espírito geralmente conserva de fato, ao reencarnar, as inclinações anteriormente adquiridas, tema sobre o qual Allan Kardec declarou:

 

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações inferiores”. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 4.) (Negritamos)

 

Bibliografia:

1. Revista Espírita de 1866, Edicel, pp. 2 a 4.

2. Vida e Sexo, de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, págs. 89 a 92.

3. O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XVII, item 4.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/04/a-cada-um-segundo-suas-obras-tal-e-lei.html

 

 

 

 

 

 

 

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