Emmanuel
(autor
espiritual)
Indagar
quanto ao porquê das dificuldades que a vida oferece ao homem será o mesmo que
perguntar relativamente aos motivos pelos quais o homem corta a pedra para que
a pedra venha a servir.
Abandone-se a enxada ao repouso permanente e, a breve
espaço, se fará imprestável.
Negue-se a fonte a
transitar sobre os percalços do solo e, a tempo curto, se transformará em
tristeza do charco.
A rigor, a
adversidade não existiria no mundo se considerássemos as tarefas da existência
física por lições. Fizéssemos isso e todas as provas assumiriam as dimensões
que lhes são características, passando à função de testes indispensáveis ao
exame dos valores que adquirimos.
Antes de nossa
própria reencarnação, muito frequentemente sabemos que se tomará novo berço
para a recapitulação de experiências em que não fomos felizes, seja para
ressarcir débitos que largamos à retaguarda, com o objetivo de extinguir enganos
perpetrados por nós mesmos, a fim de nos entregarmos à execução de compromissos
alusivos ao burilamento íntimo ou no sentido de reencontrar antigos desafetos
para transfigurá-los em laços de amor.
Reestruturadas,
porém, as possibilidades de ação e renovação a nosso benefício, habitualmente
vestimos em pessimismo as melhores oportunidades de melhoria e de progresso,
sem extrair delas o proveito preciso.
Reflitamos em semelhante realidade para facearmos as lutas do caminho sem ilusões.
Aceitemos
construtivamente os desafios e problemas que a vida nos proponha,
empenhando-nos a solucioná-los com segurança, sem a volúpia de retê-los
indefinidamente no coração.
Certifiquemo-nos,
sobretudo, de que ninguém evolui sem mudanças e de que não existem mudanças sem
atritos ou deslocamentos, conflitos ou desajustes.
À vista disso,
reconheçamos que as crises da vida aparecem na estrada de todos em auxílio de
todos. E de toda grande dificuldade, cada criatura, conforme as reações que
demonstre, se retirará maior para receber encargos sempre maiores ou novamente
ajustada às dimensões de espírito em que ainda se encontra, a fim de entrar
outra vez, em ocasião oportuna, no clima da adversidade educativa, para
realizar renovados tentames de elevação própria, em cujo trabalho se obriga a
revisar-se e recomeçar.
Do livro Abençoa
sempre, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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