segunda-feira, 12 de agosto de 2013

As mais lindas canções que ouvi (48)


Gostoso demais

Dominguinhos e Nando Cordel


Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu.

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz.

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim
O que é que eu posso fazer?

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu.

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz.

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz assim
Tem dó de mim
O que é que eu posso fazer?

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu.

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz.


Você pode ouvir a canção acima na voz de Nando Cordel, um de seus autores, clicando neste link - https://www.youtube.com/watch?v=B6aRCKcif80. Se quiser também ouvi-la na interpretação de Maria Bethânia, clique neste link - https://www.youtube.com/watch?v=fODyELTcLcM



domingo, 11 de agosto de 2013

A mão que fere é a mesma que afaga

Examinando a ideia bastante frequente de que educar os filhos é tarefa muito difícil, conhecido psicólogo fez, anos atrás, oportunas advertências a respeito da importância do carinho e do amor na tarefa de educação dos filhos e de construção de um lar que permita à criança tornar-se um adulto capaz de agir e viver dignamente.
Lembrando que, ante a teimosia e as travessuras dos filhos, muitos pais se descontrolam e partem para a agressividade, o psicólogo citado alerta que educar crianças é, entre outras coisas, transformar impulsos selvagens em capacidade de afeto. “Quando o sangue ferve, recomenda ele, o melhor é sair de cena e pedir ao parceiro mais sóbrio que assuma o comando da situação.”
Essa tese tem sido proposta por terapeutas diversos com apoio em pesquisas que comprovam que em criança não se deve bater nem com uma flor. O pai que procura domesticar e não educar pensa que seu método é eficaz, mas as consequências futuras mostrar-lhe-ão o contrário, quando descobrir que os problemas advindos de sua atitude são maiores do que a causa que deu motivo ao castigo, seja ele físico ou moral.
Essa postura dos psicólogos modernos não difere, na essência, do que nos ensina o Espiritismo. Dentro de uma perspectiva espírita, adverte J. Herculano Pires, a educação não consiste apenas na integração das novas gerações na sociedade e na cultura do seu tempo, mas é também o processo de desenvolvimento das potencialidades do ser nesta nova existência, com vistas ao seu futuro transcendente.
Toda pessoa traz consigo, em cada passagem pelo orbe, os resultados do seu desenvolvimento anterior em existências precedentes, os quais começam a revelar-se desde os primeiros anos de vida em suas tendências e no conjunto das manifestações do seu temperamento. Cabe aos pais e aos educadores observar esses sinais e orientar o seu ajustamento, corrigindo as deficiências e os exageros na medida do possível.
A criança não é um indivíduo novo, mas um ser reencarnado, alguém que voltou à existência terrena depois de inúmeras passagens por aqui, trazendo, portanto, um vasto acervo de experiências negativas e positivas em sua mente de profundidade. Ela precisa, então, de alguém que a ampare e oriente, que a proteja e eduque. Mas ninguém educará pessoa alguma a não ser pelo amor, porque, repetindo aqui palavras de Herculano, só o amor educa, só a ternura faz as almas crescerem no bem.
A mão que agride é a mesma que embala, que cuida, que acaricia, mas, em sã consciência, jamais deveria ser instrumento de agressão.



sábado, 10 de agosto de 2013

A história que eu sei contar

ARTHUR BERNARDES DE OLIVEIRA
tucabernardes@gmail.com
De Guarani, MG


V - Mas o bote falhou

Mas o bote redundou no mais desastroso fracasso.
E é bom que se analise bem o que isso representava. Porque outra coisa não tenho feito, nesta vida, senão colecionar fracassos.
Eu provaria, facilmente, isso, não fosse fugir ao espírito dessa brincadeira narrada. Mas vale a sinceridade da  afirmação: –  Tenho sido, pelo menos fui, durante muito tempo, o mais completo colecionador de fracassos pessoais, nessas terras das Alterosas.
Mas continuemos.
Aluguei um carro, vesti o meu terno, o único, o solitário, nem muito bom, nem muito novo, mas com a grande vantagem de ser o único.
Aqui eu interrompo para uma divagação importante.
Vesti meu primeiro terno, quando terminei o curso ginasial, em 1948. Estava, com 17 anos. O primeiro sapato também não fazia muito tempo. Basta dizer que o calçado que me levou ao colégio em 1945 era uma chuteira velha, dada  não sei por  quem.
É tão importante isso que o primeiro depois foi substituído pelo único. Quando, em 1953, fui estabelecer-me em Garça, meu mano Amaury, acho que acanhado com a apresentação do irmão, e com o frio da terra, mandou-me fazer dois ternos. Para não fugir à predestinação, só um serviu. O outro ficou curto demais.
De lá para cá, não sei se por capricho ou por preguiça, o certo é que não me importei mais com roupa.
Basta dizer que, estando, hoje, em melhor situação do que antes, os dois ternos que tenho me foram dados: um pelo Ayres, outro pelo Simonini.
Mas vesti o meu terno, e lá fomos, Jadinha  (Jáder Pacheco) e eu, rumo ao baile de Guarani. Estava absolutamente certo de que o pássaro estaria na mão. Daquele rabo, alguns fios voltariam comigo, presos na palma de minha mão.
Entramos e fomos para uma mesa lá no fundo do salão, à direita de quem entra. Parece-me que era a última mesa. Atrás de nós, apenas a porta que conduz as garotas para o reservado que foi feito para os retoques de maquilagem, mas que elas transformaram em sala de fumar.

VI – O baile e a cerveja

O garçom nos viera anunciar que, sem saber por quê, a geladeira tinha parado de funcionar e que as bebidas, portanto, não estavam geladas.
A noite estava fria e resolvemos arriscar a cerveja quente mesmo. Nada mais desagradável.. Aquela coisa choca engrossando na  garganta e deixando um pigarro que até hoje não desapareceu.
A mão no copo e os olhos na sala. Eu tinha dezesseis olhos cravados no salão. Com os dois do colega, que sabia do meu plano, eram dezoito olhos à procura de alguém.
A orquestra tocava um bolero. Mais outro. Outro mais. E a turma dançando. E a noite passando. E eu sem ver nada.
Carminha (Maria Carmem, futura cunhada) não perdia uma volta, mas e a irmã? João Velho me tinha dito que ambas não perdiam os bailes. Que dançavam por instinto e vocação. Mas a irmã não veio!
Finalmente a orquestra parou. Os pares se separaram e o salão ficou vazio.
Foi aí que o choque me pegou.. Lá no canto oposto, em diagonal com a minha mesa estava ela. Mas não estava só.
Iniciara justamente naquele dia o namoro agourento. E o cabra não dançava. E ambos, compenetrados, do canto da sala, dominando o mundo e o tempo.
– Garçom, outra cerveja!
E bebemos a noite inteira. Cerveja quente, mas que ficou gostosa.
Na volta para casa, lembro-me bem do Jadinha sorrindo e gozando sem parar. E perguntava, para ele mesmo responder, em meio a gargalhadas:
– Que fomos fazer em Guarani?
– Beber cerveja quente. Pra isso não precisávamos ter ido a baile, e a baile fora. Bastava o bar do Zoroastro.
E eu mudo, também sorrindo, tecia novos planos para o assalto final. (Continua.)


Nota:

O texto acima faz parte do livro intitulado “A história que eu sei contar”, escrito por Arthur Bernardes de Oliveira e concluído no dia 28 de julho de 1964. O livro compõe-se de 20 capítulos e será aqui publicado ao longo de dez semanas, sempre aos sábados. A primeira parte foi publicada neste blog no dia 28 de julho de 2013.



Pérolas literárias (48)


Desculpa

Irene Ferreira de Souza Pinto


Escuta serenamente
Quem te repele ou censura.
Há muito fel de amargura,
Em forma de maldição.
Às vezes quem te maltrata
Arrasta apenas consigo
Sede, fome e desabrigo
Por brasas no coração.

Quem te injuria e escarnece,
Na frase agressiva, azeda,
Em si sofre a labareda
Que verte do próprio mal.
Toda cólera é doença.
Aquele que se enraivece
Solicita o pão e a prece
Do socorro fraternal.

Muita gente cai nas trevas,
Por não achar, no caminho,
Brandura, silêncio e ninho,
No peito amigo de alguém.
Inda que ofensas te cubram
E lâminas te retalhem,
Que as tuas forças não falhem
Na força que espalha o bem.

Desculpa, constantemente,
O golpe, a pedrada, o insulto,
Apesar do pranto oculto,
Amargo, desolador!
– Quem tolera e quem perdoa,
Embora de alma ferida,
Encontra, na própria vida,
O reino do Eterno Amor.



Irene Ferreira de Souza Pinto nasceu em Amparo (SP) em 8 de abril de 1887 e faleceu no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1944. O poema acima integra o livro Antologia dos Imortais, obra psicografada pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A reencarnação era crença comum entre os primeiros cristãos


   Um leitor do Rio de Janeiro-RJ pede-nos uma explicação, sob a ótica espírita, da citação de Paulo na epístola aos Hebreus (9:27-28) e o que se sabe sobre o V Concílio Ecumênico de Constantinopla do ano de 553, em que a ideia da reencarnação foi abolida.
Eis o que dizem os versículos 27 e 28 do capítulo 9 da epístola aos Hebreus:
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.”
Embora vários estudiosos do Espiritismo entendam que o texto acima não tem o significado que os adversários da reencarnação lhe atribuem, parece-nos que não existe dúvida de que o autor da carta pretendeu passar a seus leitores a ideia de que o chamado juízo final viria em seguida à morte do indivíduo, o que significa que ele não voltaria à carne e, por conseguinte, não morreria segunda vez.
Trata-se, no entanto, de uma mera opinião, que não tem sustentação no próprio Novo Testamento, em que ninguém, especialmente Jesus, alude ao assunto.
É preciso, no entanto, que se diga que a própria Igreja atribui a autoria da epístola aos Hebreus a outras pessoas, não a Paulo. (Veja a respeito A Bíblia Sagrada, vol. I, pp. IX, XXX e XXXI, publicada por Livros do Brasil S.A., e Bíblia, Mensagem de Deus, p. 207, publicada por LEB - Edições Loyola.)
O respeitado escritor Carlos Torres Pastorino, no 1º volume de sua obra Sabedoria do Evangelho, também afirma que a autoria da epístola aos Hebreus é discutível, fato que explica, em parte, por que foge ela ao estilo característico das chamadas epístolas paulinas.
No meio espírita há, como dissemos, quem discorde da ideia de que a carta aos Hebreus, seja qual for seu autor, constitua um manifesto contra a doutrina da reencarnação. Cláudio Fajardo e José Reis Chaves alinham-se nesse grupo, como o leitor poderá verificar lendo os textos seguintes:
Paulo, Perspectiva Espírita - Morrer Uma Só Vez, de Cláudio Fajardo, disponível na internet em http://espiritismoeevangelho.blogspot.com/  e
O homem morre uma vez só, e seu Espírito é imortal, de José Reis Chaves, disponível na internet em http://www.oconsolador.com.br/ano4/178/jose_chaves.html

*

A respeito do V Concílio Ecumênico de Constantinopla, realizado em 553, em que a ideia da reencarnação foi abolida, há um texto muito interessante e que vale a pena ler. Seu título é Reencarnação – uma questão para análise, de autoria de Vicente Chagas. Eis o link que remete o leitor ao texto - http://www.projetovega.com.br/novo/?p=649
Lembra o autor desse artigo que a reencarnação era, nos primeiros séculos do Cristianismo, uma crença comum no seio dos seguidores do Cristo, mas isso se modificou com o advento do Catolicismo. A abolição dessa ideia, consumada no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 553, teria sido motivada por influências externas, como a exercida pelo então imperador Justiniano, um fato que Vicente Chagas desenvolve no texto mencionado.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Pílulas gramaticais (63)

Veja as frases seguintes, todas eivadas de erro:

1. Os políticos vivem a degladiar entre si.
2. A alguns anos, a geada era comum na região em que vivemos.
3. Os voluntários não têm sido bem tratados; porisso muitos desistem.
4. Não se sabe até hoje porque o dono do cinema se suicidou.
5. A rúbrica que se vê no contrato não é a do vendedor.
6. O policial só olhava, mas não interviu em tempo nenhum

Eis as mesmas frases depois de corrigidas:

1. Os políticos vivem a digladiar entre si.
2. Há alguns anos, a geada era comum na região em que vivemos.
3. Os voluntários não têm sido bem tratados; por isso muitos desistem.
4. Não se sabe até hoje por que o dono do cinema se suicidou.
5. A rubrica que se vê no contrato não é a do vendedor.
6. O policial só olhava, mas não interveio em tempo nenhum.

*

Palavra muito usada nos textos sobre o Natal, manjedoura significa: tabuleiro em que se põe comida para os animais nas estrebarias. Foi um desses tabuleiros que, segundo a tradição, teria servido de berço para o menino Jesus. Na origem da palavra estaria, segundo alguns, o verbo manjar, que significa comer.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Aos pais de ontem, de agora e do futuro

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@hotmail.com
De Londrina-PR  

(Este texto é dedicado aos pais, queridos irmãos
em busca do progresso e aprimoramento.)

Na maioria dos casos, a figura paterna é a luz que enlaça com segurança, é o amor de um jeito mais contido a preencher o universo do filho, é a palavra decisiva para novos e melhores rumos, é a paciência um pouco mais reduzida, no entanto, existente para as orientações necessárias.
Quando se fala a palavra “pai”, ressoa a firmeza no ser falante, e no ouvinte, a satisfação de ter um outro ser que precisa; que copia; que tem o seu herói não só na ficção de livros e filmes, mas em casa, ao seu lado.
Sabe-se que nem todos os pais ainda conquistaram as características paternais supremas, porém se sabe também que, aos poucos, todos as conquistarão.
Esse pai é o irmão que está no mesmo regaço familiar para aprender, desenvolver, resgatar, amar, perdoar e ser perdoado; o pai de cada lar é o próprio para aquele núcleo. Em tempo algum se existiu o acaso, mas sempre existirão as verdadeiras razões a se seguirem.
O Pai do alto, luz incomparável, sublime e amorosa, nos felicita com todo ensinamento para um percurso mais leve e proveitoso iniciando sempre na família que nos recebeu e nos aceitou, com a qual nos comprometemos.
“Abraçai-vos como irmãos que sois.” E meu pai, neste tempo, é o irmão que tanto amo, respeito e admiro; é a decisão perante minha indecisão e inexperiência; é a alegria de quando, a casa, retorno, o forte abraço dou e recebo... é simplesmente e totalmente meu pai nesta caminhada.
Que os filhos compreendam o valioso lugar de seu pai; que preservem a tolerância diante das opiniões um pouco distintas; que respeitem a atual hierarquia de um lar; que relevem os possíveis equívocos cometidos pelo patriarca e busquem a compreensão por meio da luz terna do alto; que amem imensamente, sem a exclusiva preocupação de só amar se antes forem amados; aliás, como deveria ser em todo encontro de almas... de espíritos.
O filho compreenderá o pai quando aquele se tornar este. A cada um é dada a oportunidade de crescimento. Vários são os papéis imprescindíveis para a lapidação real.
Hoje estamos filhos, e hoje os pais estão pais. Que Deus, nosso Pai e Criador, ampare todos os pais deste tempo e os que o serão no futuro.
E que os filhos de agora o enxerguem como o irmão da jornada espiritual no papel de pai e possam senti-lo com amor, respeito e entendimento precisos, pois o pai de agora pode vir a ser o filho do lar que hoje nos recebe.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/


terça-feira, 6 de agosto de 2013

A lei mosaica punia com severidade o adultério

Realizou-se nesta noite mais uma etapa do estudo do Deuteronômio, livro que integra o chamado Pentateuco Mosaico. O estudo é levado a efeito no Centro Espírita Nosso Lar, de Londrina-PR, em dois horários: na terça-feira (18h30) e na quinta-feira (14h30).

Eis as cinco questões que nesta noite foram propostas para debate:

1. Como deveriam ser tratados os cativos de guerra?
2. Em que consistia entre os hebreus o direito de primogenitura?
3. É verdade que a mulher não poderia vestir-se como homem?
4. A lei mosaica punia com severidade o adultério?
5. Como a lei mosaica tratava as minorias?

*

Depois de ligeiro debate acerca das questões acima, realizou-se o estudo da noite e, no final, foram apresentadas e comentadas as respostas dadas às perguntas propostas.

Ei-las:

1. Como deveriam ser tratados os cativos de guerra?

Os cativos deveriam ter tratamento especial. Se entre os prisioneiros houvesse uma mulher formosa que agradasse ao israelita, e este a quisesse por esposa, ela seria introduzida em sua casa, onde deveria rapar os cabelos e cortar as unhas, despindo o vestido com que fora aprisionada. Depois de assentada na casa do israelita, choraria a seus pais durante um mês. Somente então, cumprido esse prazo, o israelita poderia tomá-la para si e dormir com ela. Mas, se ela não lhe agradasse, seria deixada livre, pois que fora humilhada. (Dt., 21:1 a 14.)

2. Em que consistia entre os hebreus o direito de primogenitura?

Ao primogênito seria dada dobrada porção de tudo o que possuísse, porque esse seria o direito de primogenitura. Já o filho incorrigível, contumaz e insolente, que não quisesse obedecer a seus pais, seria levado aos anciãos da cidade, a quem se informaria: este nosso filho é um rebelde e contumaz, despreza ouvir as nossas admoestações, e passa a vida em dissoluções e banquetes. O povo da cidade então o apedrejaria, e ele assim morreria, para que desse modo fosse tirado o mal do meio de Israel e todo o povo, ouvindo-o, temesse. (Dt., 21:15 a 23.)

3. É verdade que a mulher não poderia vestir-se como homem?

Sim. A mulher não se vestiria de homem, nem o homem de mulher, porque quem faz isso, adverte o Deuteronômio, é abominável diante do Senhor. (Dt., 22:1 a 12.)

4. A lei mosaica punia com severidade o adultério?

Sim, e não apenas o adultério. Se um homem casasse com uma mulher e depois lhe tivesse aversão e, buscando um pretexto para repudiá-la, lhe imputasse um crime vergonhoso – como dizer que a mulher não era virgem ao casar-se –, os pais da mulher deveriam levá-la aos anciãos da cidade, a quem seria provada sua virgindade. Feito isto, os anciãos pegariam o marido e fariam açoitá-lo, além de condená-lo a pagar cem siclos de prata ao pai da moça. O casamento deveria prosseguir até o fim, não podendo o homem repudiá-la enquanto vivesse. Mas, se o que ele disse a respeito da esposa fosse verdade, a mulher seria posta fora das portas de seu pai, e os habitantes da cidade a apedrejariam, e ela morreria, por haver cometido um crime detestável em Israel: ter caído em fornicação em casa de seu pai. Se um homem dormisse com a mulher de outro, ambos deveriam morrer, isto é, o adúltero e a adúltera. Se um homem houvesse desposado uma moça virgem, e outro homem, achando-se na cidade, a desflorasse, ambos seriam apedrejados: o homem que dela abusou e a moça, porque estando na cidade não gritou. Se o fato se verificasse no campo, somente o homem deveria morrer, porque, mesmo que a moça gritasse, não haveria ninguém que a pudesse socorrer. Se um homem achasse uma moça virgem ainda não desposada, e tomando-a por força a desonrasse, levada a causa a juízo, o homem que a desonrou deveria pagar cinquenta siclos de prata ao seu pai e casar-se com ela, não podendo repudiá-la em todos os dias da sua vida.  (Dt., 22:13 a 30.)

5. Como a lei mosaica tratava as minorias?

Algumas eram discriminadas, como os eunucos, privados de entrar na congregação do Senhor, e os bastardos, isto é, os filhos de mulher pública, que não podiam entrar na congregação, até à décima geração. Os amonitas e moabitas também o eram, mas essa discriminação devia-se ao fato de que eles não quiseram receber os hebreus com pão e água no caminho, quando em fuga do Egito, e ainda chamaram Balaão, filho de Beor, para que os amaldiçoasse. Por isso, os filhos de Israel não deveriam fazer as pazes com eles. Não seriam abominados, no entanto, o idumeu, por ser irmão, nem o egípcio, visto que o israelita fora estrangeiro em sua terra: os que deles nascessem entrariam à terceira geração na congregação do Senhor. O objetivo da lei era que não houvesse meretriz entre as filhas de Israel, nem prostituidor entre seus filhos, e ainda a prática da usura entre os israelitas. Aos irmãos seria emprestado o que houvesse mister, sem disso tirar qualquer interesse, para que, assim, o Senhor os abençoasse em tudo o que fizessem na terra prometida. (Dt., 23:1 a 25.)

*

Na próxima terça-feira será publicada neste blog a síntese do estudo da noite, para que o leitor, desde que o queira, possa acompanhar o desenvolvimento de nossas reuniões.




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

As mais lindas canções que ouvi (47)


Gratidão a Deus

João Cabete


Quando a sombra da tristeza
Cobrir seus sonhos de ventura,
Quando você quiser chorar
Diante da taça da amargura...

Quando a dor bater à porta,
Ferindo bem fundo o coração,
Quando a esperança é morta
E a vida é amarga ilusão.

Olhe para trás,
Veja quanta dor,
Súplicas de paz
Clamando amor...
Olhos sempre em trevas,
Mãos mendigam pão,
Bocas que não falam
E risos sem razão...

Deixe de chorar,
Volte a sorrir,
Você é tão feliz,
Volte a cantar!

Faça uma prece,
Seja grato a Deus,
Ele sempre abençoa
Os filhos seus...


Clicando neste link - https://www.youtube.com/watch?v=2Mna583-vr0 - você ouvirá esta linda canção na voz da cantora Célia Tomboly.


domingo, 4 de agosto de 2013

Para educar não é preciso gritar

Recebemos de uma amiga, dias atrás, uma linda mensagem, abaixo reproduzida:

“0 homem não pode viver isolado.
Lembre-se de que cada companheiro de jornada é um amigo que o ajuda e a quem você precisa também ajudar.
A cooperação existe entre todas as coisas criadas.
Procure você também cooperar com tudo e com todos, em benefício da própria Terra que o acolhe bondosamente, permitindo sua evolução.
Ajude sempre, e jamais desanime.”

A mensagem acima não é apenas verdadeira, mas extremamente oportuna.
Os ensinos espíritas lembram-nos continuamente a importância da participação, do trabalho em prol dos semelhantes, dos esforços com vistas ao melhoramento das instituições do mundo em que nos encontramos.
Esse pensamento está bem claro numa das questões mais importantes da obra fundamental do Espiritismo, em que Allan Kardec indaga qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos.
Os imortais responderam:
“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta”. (O Livro dos Espíritos, questão 132.)

*

As pessoas podem participar da obra da criação de várias maneiras. Há os que a isso se dedicam por mero dever. Outros participam apenas quando recebem, em retribuição, a remuneração expressa em dinheiro. Mas há os que se empenham na construção de um mundo melhor, independentemente de serem remunerados, dedicando a essa tarefa, em muitos casos, suas horas de lazer.
No campo dos que atuam na obra da criação quando no exercício de uma profissão qualquer, existem exemplos que encantam e que, se reproduzidos por toda a parte, concorreriam, sem dúvida nenhuma, para o aprimoramento da sociedade em que vivemos, como a interessante experiência protagonizada por um simpático inspetor de trânsito da cidade de Vila Velha, Espírito Santo.
Quando puder, veja esse exemplo clicando em https://www.youtube.com/watch?v=QSbpZTvv_Bg e, sempre que possível, divulgue-o no meio social ou familiar em que você vive, mostrando-o aos seus filhos, aos seus amigos e aos seus colegas.
Carinho gera carinho.
Respeito gera respeito.
Gentileza gera gentileza.
Para educar os outros não é preciso falar alto nem usar de grosseria.
Basta simplesmente adotar um dos conselhos de Jesus: “Faça aos outros o que você quer que lhe façam”.


  

sábado, 3 de agosto de 2013

A história que eu sei contar

ARTHUR BERNARDES DE OLIVEIRA
tucabernardes@gmail.com
De Guarani, MG


III – O primeiro vexame

Meu pai fizera em Guarani propaganda de minha “habilidade” oratória! Eu estava começando a falar nas reuniões espíritas e não podia, como reconheço não poder até hoje, assumir compromissos de palestras espíritas com ninguém.
Mas ele tanto falou que não houve outro jeito para os diretores espíritas de Guarani senão me convidarem para falar lá também.
O Lilito (Miguel Guércio Filho) estava iniciando, com muito entusiasmo, carreira de fotógrafo amador. Grande amigo meu, e aluno bastante amigo do professor, quis acompanhar-me, de máquina a tiracolo, até lá, a fim de tirar daquela cidade algumas fotos.
A mocinha do vestido caseiro, na presidência dos trabalhos, estava linda.
Não sei se conseguiria reproduzir o que vi. Sempre fui péssimo observador. Principalmente no que se refere à roupa. Mas eu me lembro de um casaco curto, branco. A saia, parece-me que era preta. O cabelo, rabo-de-cavalo. Não vi mais nada. Apenas aquele rabo-de-cavalo bailando à minha frente.
Nem sei o que, afinal, andei falando por lá. Provavelmente terei decepcionado, já que me assentei muito antes do que deveria, em face do que eu havia preparado para falar.
Tinha programado falar sobre a educação do jovem, em face das infelicidades sociais. Ou melhor: a influência da educação na construção da felicidade.
A ideia  surgira da leitura de um livrinho interessante de Arthur Riedel.
Este professor fundara a célebre escola do “Hei de Vencer” (título do livrinho)  cujos ensinamentos, ressalvados os exageros, produziam bons resultados.
Lembro-me de que a minha participação naquela tarde fora desnorteadora, pelo que deduzi das palavras de tia Elza:
“O Arthur falou tão pouco que nossa reunião acabará mais cedo. Na esperança de que ele preenchesse o horário, não tínhamos organizado outros números para o programa”.
Lá fora, a buzina insistente do carro do Chiquinho (Francisco Defilippo) insistia em dizer que eu estava demorando.
Cá dentro aquele imenso rabo-de-cavalo bailando na minha frente e confundindo as minhas ideias.

IV – A armadilha está pronta!

Terminada a reunião, na qual ouvira uma prece muito longa do seu Juca, e uma fala muito curta de minha mãe (espírito), pela D. Cotinha, saí suando do centro.
Não sei se os ouvidos estavam suando também. Não tive tempo para reparar nisso. Mas senti que estavam todos desafogados. Finalmente eu tinha parado de falar.
Os moços, mais rápidos, deixaram a casa e rumaram para o cinema ou para as namoradas. Os velhos, aos poucos, calmos, se levantavam vagarosamente das cadeiras e respiravam aliviados.
Entrei no carro, mas senti que estava amarrado. Fios de cabelo envolviam-me todo o corpo. Uma mecha mais grossa, tipo trança, enforcava o pescoço.
No dia seguinte, acordei mais tranquilo. Até pude pensar um pouco sobre o vexame da véspera. Censurara meu pai pela propaganda indevida, censurara o Chiquinho pela buzina insistente, censurara ter aceitado o convite, tão fora de tempo ainda, censurara por fim aquele imenso rabo-de-cavalo que puseram na mesa, justamente ao meu lado.
Levantei-me decidido a uma coisa: Vou namorar aquela moça!
No domingo seguinte, creio que 15 de junho, voltei a Guarani. Estava  disputando o campeonato regional  por um dos times de lá, o Guarani F.C.
Ao me dirigir para a mesa a fim de assinar a súmula do jogo, passei pela moça e com uma indiferença mal disfarçada cumprimentei-a educadamente.
E, pensei cá comigo, está dado o primeiro passo.
Joguei, jogamos, todos jogaram. Voltei, voltamos, todos voltaram. Só que não me senti muito perto da vitória.
Passei a achar que a minha técnica estava ultrapassada. Só que eu já não poderia aprender técnica nova. Foi aí que surgiu a ideia. No domingo seguinte, minto, dois domingos depois, dia 7 de julho, haveria um grande baile no Clube dos Repentinos.
A armadilha estava pronta. Bastava o bote. (Continua.)


       Nota:

     O texto acima faz parte do livro ainda inédito intitulado “A história que eu sei contar”, escrito por Arthur Bernardes de Oliveira e concluído no dia 28 de julho de 1964. O livro compõe-se de 20 capítulos e será aqui publicado ao longo de dez semanas, sempre aos sábados. A primeira parte foi publicada neste blog no dia 28 de julho de 2013.



Pérolas literárias (47)


Na Terra

Raul de Leoni


Renascendo no mundo da Quimera,
Ao colhermos a flor da juventude,
É quando o nosso Espírito se ilude,
Julgando-se na eterna primavera.

Mas o tempo na sua mansuetude
Pelas sendas da vida nos espera,
Junto à dor que esclarece e regenera,
Dentro da expiação estranha e rude.

E ao tombarmos no ocaso da existência,
Nós revemos do livro da consciência
Os caracteres grandes, luminosos!

Se vivemos no mal, quanta agonia!
Mas se o bem praticamos todo o dia,
Como somos felizes, venturosos!...



Raul de Leoni nasceu em Petrópolis-RJ em 1895 e desencarnou em Itaipava-RJ, com apenas 31 anos de idade. Bacharel em Direito, foi deputado estadual e posteriormente Secretário de Legação. O soneto acima integra o Parnaso de Além-Túmulo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Uma criança pode ver realmente os chamados mortos?

Uma leitora de Minas Gerais pergunta-nos se é possível a uma criança de cinco anos ver seu pai desencarnado e com ele conversar.
Sim; a resposta é afirmativa, conforme dissemos no editorial da edição 62 da revista “O Consolador”, em que foi examinado o tema da criança e seus amigos imaginários.
O link que remete ao texto mencionado é - http://www.oconsolador.com.br/ano2/62/editorial.html.
Até os sete anos de idade, o Espírito da criança encontra-se em fase de adaptação para a nova existência e ainda não existe uma integração perfeita entre o Espírito e a matéria orgânica, fato que lhe permite emancipar-se e, eventualmente, ver vultos desencarnados que lhe fazem companhia, o que nos permite deduzir que os amigos imaginários de nossas crianças só o são na aparência. Eles não são imaginários, mas apenas invisíveis.
A vidência mediúnica durante os primeiros anos da existência de uma pessoa deve ser, portanto, tratada naturalmente. A experiência diz-nos que essa faculdade vai se apagando com o passar dos anos e pode mesmo desaparecer totalmente, salvo se o seu exercício fizer parte da programação reencarnatória da pessoa.
Os fatos de vidência, que Allan Kardec estudou em minúcias nos itens 100 e 190 de O Livro dos Médiuns, são um assunto pacífico no campo da fenomenologia espírita. Essa faculdade, que depende da organização física do médium, permite a este – mesmo durante a vigília – ver os chamados mortos.
Como os fenômenos mediúnicos não ocorrem à revelia das autoridades espirituais superiores, é claro que há Espíritos que se deixam ver e há outros que não são vistos, o que não significa que estejamos sós, porquanto os desencarnados habitualmente nos rodeiam.
Foi um caso de vidência por parte de uma criança de quatro anos, verificado em Caen (França), que levou Allan Kardec a reconhecer que a mediunidade de vidência não apenas parecia, mas era sim comum nas crianças.
Isso, disse Kardec, não deixava de ser providencial. “Ao sair da vida espiritual – explicou ele – os guias da criança acabam de conduzi-la ao porto de desembarque para o mundo terreno, como vêm buscá-la em seu retorno. A elas se mostram nos primeiros tempos, para que não haja transição muito brusca; depois se apagam pouco a pouco, à medida que a criança cresce e pode agir em virtude de seu livre-arbítrio.” (Revista Espírita de 1866, pp. 286 e 287.)


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pílulas gramaticais (62)

Um leitor, considerando que a palavra “fôrma” voltou a ser graficamente acentuada, pergunta-nos se está correto escrever “pão de fôrma”.
Segundo o novo Acordo Ortográfico vigente no Brasil, a palavra citada é acentuada, mas o uso do acento não é obrigatório.
Lembremos que, de acordo com as normas ortográficas anteriores, a palavra "forma" não tinha acento, independentemente de sua pronúncia, fosse fechada ou aberta. O acento, obrigatório até 1971, havia sido abolido. Mas atualmente a recomendação é para que o acento seja usado somente nos casos em que isso for indispensável à compreensão do texto.
Vejamos esta frase, que é típica na terminologia espírita: “O perispírito é a fôrma da forma”. 
A frase quer dizer que o perispírito é o molde, o modelo organizador do corpo material, ou seja, da forma. O uso do acento diferencial concorre, como se vê, para a perfeita compreensão da frase.
No dicionário Aurélio, em defesa do uso do acento diferencial, são mencionados o poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira, e estes versos de Martins Fontes:
"Pela penugem, primeiro,
E, depois, segundo a norma,
Pelo gosto, pelo cheiro,
Pela fôrma, ou pela forma,
Certas frutas europeias
Como o pêssego
– oh! prazer! –
Por vezes nos dão ideias
Que me acanho de dizer".
Observa o dicionário que seria difícil compreender o poema acima sem o uso do acento diferencial na palavra “fôrma”.
No tocante, porém, à consulta do leitor, o correto é escrever “pão de forma”, visto que não existe aí dúvida ou ambiguidade que exija o uso do acento diferencial.

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Alguém nos pergunta qual é o significado da palavra “huguenote”.
Trata-se de uma designação depreciativa que os católicos franceses deram aos protestantes, especialmente aos calvinistas, e que estes adotaram. Por extensão, a palavra identifica quem é protestante.
A origem da palavra "huguenote" não é clara. Há quem diga que deriva de Besançon Hugues, líder da revolta em Genebra. Outros, como Bernard Cottret, afirmam que "huguenote" vem do termo francês "eidguenot", que significa “confederados”, nome que designava as cidades e cantões helvéticos partidários da Reforma.