segunda-feira, 6 de janeiro de 2020




Estória ou história?
Qual palavra deveremos utilizar quando nos referirmos a uma narrativa ficcional?
Primeiramente, apesar das ressalvas feitas por gramáticos respeitados ao uso da palavra estória, é bom ter em conta que ela se encontra registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e nos mais importantes léxicos de Brasil e Portugal, como o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, que nos fornece, a respeito do vocábulo, as informações seguintes:

estória
(inglês story, do latim historia, -ae, do grego historía, -as, exame, informação, pesquisa, estudo, ciência)
substantivo feminino
Narrativa de ficção, oral ou escrita. = CONTO, FÁBULA, HISTÓRIA, NOVELA

Segundo o Dicionário Houaiss, na etimologia dessa palavra, estória foi uma forma "adoptada pelo conde de Sabugosa com o sentido de narrativa de ficção, segundo informa J.A. Carvalho no seu livro Discurso & Narração, Vitória, 1995, p. 9-11".
Um dos críticos com relação ao emprego de estória foi Napoleão Mendes de Almeida, que escreveu, em seu Dicionário de Questões Vernáculas, p. 139: “Mais do que extravagância, existe incompreensão nos que escrevem estória, incompreensão que há já vários anos apontamos”.
Em face da polêmica, o Dicionário Aurélio, embora registre a palavra, pede-nos cautela e faz-nos mesmo uma recomendação objetiva: "Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções”.
A proposta foi bem acolhida pela Direção de Redação de dois dos mais importantes jornais brasileiros, a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.
No seu “Novo Manual da Redação”, a Folha de S. Paulo recomenda, no verbete estória: “Use história em qualquer acepção”.
Idêntica recomendação lê-se no “Manual de Redação e Estilo” do jornal O Estado de S. Paulo: “Em qualquer sentido, use apenas história”.



  


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domingo, 5 de janeiro de 2020





O suicídio e suas nefastas consequências

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De Londrina-PR

Não há quem não lamente as mortes que ocorrem todos os dias decorrentes dos homicídios, dos acidentes de trânsito e das guerras. De fato, seu número é alarmante e, como sabemos, um fato absolutamente desnecessário, visto que a existência na Terra já traz em si tantas dificuldades que seria ótimo que pelo menos as causadas pelos homens não mais ocorressem.
   A quantidade de vítimas das guerras e dos homicídios é, porém, inferior ao número dos que voluntariamente se matam, cerca de um milhão de pessoas por ano, segundo o último relatório publicado pela Organização Mundial de Saúde, que acrescenta que a faixa etária mais afetada pelo problema é a mais jovem, de 15 a 29 anos.
Motivos diversos respondem, certamente, pelas causas que levam uma pessoa a matar-se.
Presume-se que o conhecimento prévio do que ocorre àquele que se mata seria capaz de evitar que o fato se desse. Temos dúvida quanto a isso, porque vezes há em que a pessoa se encontra tão perturbada que nem mesmo pensa nas consequências de seu ato. Ela simplesmente age, buscando livrar-se de um mal supostamente maior, para mais tarde, quando enfim desperta na vida espiritual, lamentar amargamente o gesto infeliz.
Com base nos ensinamentos trazidos por pessoas que passaram pelo suicídio, podemos afirmar que a decepção seria a primeira consequência de tais atos, que em nada modificam – ao contrário, complicam – a situação de que a pessoa desejara fugir.
Duas outras consequências, muito mais graves, dizem respeito aos efeitos da mutilação causada ao corpo físico pelo Espírito que deixa a vida pelo suicídio e, mais adiante, às dificuldades que ele deparará quando finalmente puder desfrutar no mundo uma existência dita normal.
No livro Ação e Reação, de André Luiz, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier e publicado em 1957 pela FEB, o ministro Sânzio, reportando-se ao assunto, informou:

"Figuremos um homem acovardado diante da luta, perpetrando o suicídio aos quarenta anos de idade no corpo físico. Esse homem penetra no mundo espiritual sofrendo as consequências imediatas do gesto infeliz, gastando tempo mais ou menos longo, segundo as atenuantes e agravantes de sua deserção, para recompor as células do veículo perispirítico, e, logo que oportuno, quando torna a merecer o prêmio de um corpo carnal na Esfera Humana, dentre as provas que repetirá, naturalmente se inclui a extrema tentação ao suicídio na idade precisa em que abandonou a posição de trabalho que lhe cabia, porque as imagens destrutivas, que arquivou em sua mente, se desdobrarão, diante dele, através do fenômeno a que podemos chamar `circunstâncias reflexas', dando azo a recônditos desequilíbrios emocionais que o situarão, logicamente, em contato com as forças desequilibradas que se lhe ajustam ao temporário modo de ser. 
"Se esse homem não houver amealhado recursos educativos e renovadores em si mesmo, pela prática da fraternidade e do estudo, de modo a superar a crise inevitável, muito dificilmente escapará ao suicídio, de novo, porque as tentações, não obstante reforçadas por fora de nós, começam em nós e alimentam-se de nós mesmos." (Ação e Reação, capítulo 7, pp. 93 a 95.) [O negrito é nosso]

As mutilações orgânicas de nascença têm, como sabemos, sua causa em atos praticados no passado. Se alguém atenta contra o próprio cérebro, ensina Emmanuel, necessitará, para refazê-lo, de no mínimo duas existências corporais.
“Quando perpetramos determinado delito e instalamos a culpa em nós, engendramos o caos adentro da própria alma e, regressando à Vida Maior, após a desencarnação, envolvidos na sombra do processo culposo, naturalmente padecemos em nós mesmos os resultados dos próprios atos infelizes”, eis o que Chico Xavier, sob a inspiração do seu mentor e guia, declarou na noite de 7 de maio de 1974 em sessão solene da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, como o leitor pode verificar na obra Chico Xavier em Goiânia, publicada pelo GEEM Editora.




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sábado, 4 de janeiro de 2020





Lembrando o óbolo da viúva no Natal

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Em palestra proferida no último domingo de 2019, na Federação Espírita Brasileira, Geraldo Campetti Sobrinho referiu-se ao óbolo da viúva, observado por Jesus, que informou a seus discípulos que a doação dela foi maior do que a de todas as ricas ofertas depositadas no gazofilácio. Pois a viúva dera o que lhe faria falta, enquanto os demais doadores ofereciam o que lhes sobrava. E o que ela doara, informou Geraldo, seria mais ou menos vinte centavos de reais em nossos dias.
O expositor lembrou-nos que mais vale um pouco doado com amor do que muita doação feita para receber o aplauso do mundo. Isso nos faz lembrar uma frase popular muito repetida por dona Cely, nossa mãezinha, que desencarnou há alguns anos na avançada idade de 89 anos: “O pouco com Deus é muito; o muito sem Deus é nada”.
Quando auxiliamos alguém com amor, ainda que nossa ajuda o sacie apenas por um dia, o prazer que sentimos em ajudar é maior do que a de quem ajudamos.  Neste mês em que se comemora o Natal, até o fim de 2019, nossos sentimentos de amor e compaixão são estimulados pela mensagem de Jesus para que façamos sempre o bem.
Muitos comerciantes que estavam à beira da falência têm sido salvos por esse “renascer anual do Cristo” nos corações do povo brasileiro. A solidariedade está presente mesmo nos ateus, o que se explica pela euforia das festas de fim de ano. Há confraternizações nos escritórios, nas indústrias, nos clubes, nos lares, nas escolas, nas igrejas. E as vendas “explodem”...
Atire a primeira pedra quem nunca participou do amigo oculto, do bingo, da quermesse da igreja em que muitos só comparecem uma vez ao ano. Qual é a família que nunca levou o filhinho ou a filhinha ao shopping para ver Papai Noel chegando de helicóptero ou recebendo-os, sentado em seu trenó, com um abraço e o grito carinhoso: Ho, ho, ho!
Embora Jesus, o homenageado, seja lembrado mais pelas guloseimas e presentes, Ele sempre nos envia alguns dos seus elevados emissários para nos relembrar que seu Reino não é deste Mundo. E nada custa doar a quem anda descalço, ou quase nu, um par de calçados e vestuários esquecidos no guarda-roupas de nossa casa há mais de seis meses, como disse Geraldo.
Citarei duas dessas surpresas proporcionadas pelos emissários de Jesus neste mês de dezembro de 2019:
A primeira ocorreu no dia em que estávamos para jantar, eu e esposa, num dos self-services do Conjunto Nacional, shopping de Brasília. Aproximou-se de nós humilde moça, que nos rogou um pouco de comida, pois tinha fome. Nesse momento, Lourdes, minha mulher, que é vidente, observou, ao lado da jovem, um Espírito com aparência de idoso de barbas brancas, que disse à nossa companheira: Em nome de Jesus, alimente esta pobre irmã. Lourdes atendeu-o imediatamente, com imensa alegria. E, enquanto servia à jovem, dizia-lhe: Pede, minha filha, o que você desejar comer.
Quando terminou de encher o prato da moça com o que de melhor esta lhe pedira e pagar seu alimento, minha esposa disse ter sido aquele o melhor presente já recebido em sua vida. A pobre, ao se afastar, olhava agradecida para o prato cheio e para sua benfeitora. Ao lado da pedinte, o Espírito Bezerra de Menezes, o “Médico dos Pobres”, acenava para Lourdes com um beijo carinhoso, que ela jamais esquecerá.
O segundo fato é também muito comum nesta época de nossa forte sintonia com o plano espiritual. Um amigo disse-nos que voltava da academia onde costuma malhar e estava com dois reais no bolso. Em frente a sua casa, há uma banca de jornais que também vende gostoso cafezinho ao preço de um real.
Nosso amigo vinha pensando em tomar seu cafezinho ali, quando jovem senhora o abordou e lhe pediu um trocado. Ele, então, respondeu-lhe: Venha comigo até a banca, pois vou comprar um cafezinho e dou-lhe o troco.
Ela seguiu-o desconfiada. Ao chegarem à banca, nosso amigo pediu ao jornaleiro um cafezinho e entregou-lhe dois reais, esperando receber o troco. Para sua surpresa o dono da banca devolveu-lhe os dois reais e disse-lhe que daquela vez o café ficava por conta da casa. Meu amigo, que tem fama de nefelibata, por ser meio desligado do mundo real, respondeu-lhe, indicando a moça: Prometi dar-lhe o troco...
O jornaleiro pegou a nota de dois reais, foi até o caixa e, caindo em si, voltou com o dinheiro, pegou um pacote de biscoitos, entregou-o à pobre, junto com os dois reais, e lhe ofereceu um suco. Vendo isso, outro senhor, que antes conversava com ele, pediu à jovem para abrir a mão, que encheu de moedas. Ela olhou, agradecida, para seus três benfeitores e pediu ao Sr. Marcelo que substituísse o suco pelo cafezinho.
Como lembrou Jesus, não é preciso que doemos muito com ostentação. E o ditado popular confirma: “Quem dá aos pobres empresta a Deus”. Isso é Natal!






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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020




A morte e os seus mistérios

Ernesto Bozzano

Parte 14

Continuamos o estudo do clássico A morte e os seus mistérios, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Francisco Klörs Werneck. O estudo será aqui apresentado em 24 partes. Nossa expectativa é que ele sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

Questões preliminares

A. Onde e quando foi publicado o artigo intitulado “A alma de uma morta que não tem repouso”?
B. Quantas vezes o Espírito de Ana Mracek apareceu para o rendeiro José Kreil?
C. O Espírito de Ana deixou alguma prova material de sua aparição?

Texto para leitura

203. Caso VIII - O Prof. Vicente Collis, de Chrudim, Tcheco-Eslováquia, escreveu nos seguintes termos à redação da Revue Spirite, de Paris, pág. 320, da coleção de 1926: "Recentemente um velho número (25 de agosto de 1891) do jornal tcheco Chrudimski Kvaj, diário político-econômico da região de Chrudim, caiu-me sob os olhos e, na rubrica ‘Tribunais’, li o artigo A alma de uma morta que não tem repouso. Em vista da importância que os fatos citados têm para a ciência psíquica, sua indiscutível autenticidade e, portanto, seu valor documentário e probatório tal que poderia, talvez, decidir a eterna controvérsia sobre a realidade da sobrevivência da alma humana, resolvi enviar-vos a tradução do artigo sobre o caso em questão, visto não ter ele ainda encontrado eco nas revistas espíritas.”
204. Eis o texto intitulado A alma de uma morta que não tem repouso: “Nossos leitores se lembram ainda do misterioso assassinato da chamada Ana Mracek, mulher de João Mracek, proprietário de uma pequena barraca e negociante da linha Noroeste, da estrada de ferro de Vojtechov, subprefeitura de Illinako. Na tarde do dia 11 de setembro de 1890, a Sra. Mracek partiu de sua barraca, a fim de catar um pouco de palha para suas vacas, e não voltou mais à sua casa. No dia seguinte, pela manhã, seu cadáver foi achado nas moitas que bordejam um ribeiro que corre pelos arredores. Um tiro nas costas a matara. Quem teria atirado? E por quê? eram perguntas que pareciam ficar sem respostas. As suspeitas do crime recaíram sobre o marido da vítima que, após uma detenção de vários meses, foi posto em liberdade por falta de provas. Depois dele, achou-se dever incriminar os concessionários da caça comunal, os proprietários José Zavrel e Miguel Vesely. Esses, por sua vez, foram também postos em liberdade, pois suas famílias e criados testemunharam que, durante toda a noite fatal, os cultivadores não haviam saído de casa. Como não havia outras suspeitas, o processo foi encerrado e, pouco a pouco, o esquecimento se fez sobre o caso, quando, repentinamente, no mês de fevereiro de 1891, um fato novo e completamente inesperado se produziu. A 21 de fevereiro de 1891, o rendeiro José Kreil compareceu ante o procurador-geral de Chrudim e lhe fez, tremendo de medo, esta imprevista narração: ‘Há vários dias, por volta da meia-noite, fui despertado por uma força insólita e irresistível e, abrindo os olhos, percebi a defunta Ana Mracek perto do meu leito, toda vestida de branco. Não tive trabalho em reconhecê-la. Cheio de espanto, meu primeiro pensamento foi o de fugir, mas o fantasma me disse: Não tenha medo! Foi Lastuvka (apelido do cultivador José Zavrel) quem me matou com um tiro de espingarda e Vesely me arrastou para o estábulo da granja de Lastuvka. Vá à casa do senhor cura e lhe narre o que acabo de lhe contar. Ele se encarregará do resto. Três vezes o fantasma repetiu estas palavras, depois desapareceu. Eu estava inteiramente acordado e senhor absoluto de meus sentidos, portanto não podia tratar-se de um sonho. Olhando o relógio, verifiquei que era meia-noite e meia. No dia anterior, não fui a nenhum botequim e não bebi nem cerveja nem aguardente. Do mesmo modo não me falaram mais do caso, se bem pudesse crer que minha visão fosse a consequência de qualquer recordação do fato passado. Sou inteiramente estranho na aldeia de Vojtechov e nada tenho a ver com o assassínio de Ana Mracek, no qual não estou interessado’.”
205. Segundo o relato, foi nestes termos simples e persuasivos que Kreil contou o estranho episódio noturno. Isso, porém, não devia ser tudo. A aparição se produziu pela segunda, terceira e quarta vez, sempre depois da meia-noite e nas mesmas circunstâncias que na primeira noite. Na última vez, a morta ameaçou Kreil com sua cólera, dizendo que não cessaria de persegui-lo enquanto não cedesse a suas injunções. O pobre homem não sabia o que fazer. Os cépticos zombavam dele, ninguém acreditava em suas declarações e ele, noite após noite, não podia dormir tranquilo. Ainda uma outra aparição se verificou na casinha de Kreil. Como anteriormente, o fantasma se achava junto do leito, dizendo como sempre: "Lastuvka me matou com um tiro de espingarda e o outro, Vesely, me arrastou."
206. O bom homem, cujos dentes batiam e cuja testa estava coberta de suor frio, pôde apenas balbuciar: "Bem, deixa-me uma prova da tua presença; ao menos um sinal visível, a fim de que acreditem em minhas palavras." Ao que o fantasma respondeu: "Para dar uma prova de minha presença não possuo os meios; mas aproxima-te de mim, se desejas um sinal." Kreil, dócil e sem vontade própria, saltou da cama e acendeu uma vela. Mesmo na claridade, o fantasma continuou visível, de pé, firme, no mesmo lugar, junto da cama. "Ei-la, disse ele, e, levantando o braço, pousou a mão direita sobre o ombro esquerdo do homem. Kreil atônito, desfalecido, olhos fixo em Ana Mracek, a contemplava em todos os detalhes, fisionomia e vestes. Enfim a viu desaparecer pouco a pouco, como que se dissolvendo.”
207. Kreil, no meio do quarto, com a vela acesa na mão, assim pensou: "Não foi alucinação." E, desta vez, tomou resolução. No dia seguinte, foi à casa do cura e, de acordo com o conselho que dele recebera, saiu para contar o fato ao procurador-geral de Chrudim, que dele fez logo uma ata. Em seguida, lido e assinado o depoimento, com grande espanto do magistrado, Kreil entreabriu a camisa e sobre o ombro esquerdo apareceu a marca escura de uma mão com os dedos abertos. Os cinco dedos e mais particularmente o polegar eram visíveis.
208. Logo após o depoimento do granjeiro Kreil, o marido da morta fez conhecer algumas circunstâncias suspeitas que lançaram novos indícios sobre José Zavrel e Miguel Vesely. O processo contra os dois cultivadores retomou seu curso e, dessa vez, o resultado foi verdadeiramente surpreendente. Com os dois incriminados, as famílias Zavrel e Vesely, assim como seus criados, foram incluídos no inquérito judicial como cúmplices dos culpados e por falsos testemunhos, por ocasião do primeiro inquérito.
209. Segundo as peças do novo processo, os fatos relativos à morte de Etna Mracek foram os seguintes: Na tarde do dia 11 de setembro de 1890 os dois concessionários da casa comunal, Zavrel e Vesely, foram à floresta, em busca de caça. A sorte não lhes foi favorável e voltavam de mãos abanando. O tempo estava tão escuro que nada distinguia a dois passos, pois chovia muito. Chegando perto de sua plantação de beterraba e couve, Zavrel divisou uma forma que se levantava e se abaixava no meio do campo. Não reconheceu se se tratava de uma pessoa ou de um animal. Avançando, viu a forma desaparecer para parecer de novo e, logo a seguir, fugir. Zavrel, armado como se achava, partiu em sua perseguição. "Para ou atiro", gritou ele. De repente tropeçou e, pareceu, caiu, e, na queda, a arma detonou. O ser misterioso continuou a fugir. O caçador a alcançou em algumas pernadas no momento em que ela se embrenhava nas moitas que bordejam o arroio. Então, estupefato, Zavrel reconheceu Ana Mracek que, durante 16 anos, fora empregada em sua casa, e que, depois do seu casamento com João Mracek, aí vinha, de momento, para ajudar em trabalhos urgentes.
210. O incidente foi tanto mais penoso para Zavrel porquanto manchas de sangue no pescoço da vítima mostravam que ela fora morta. Todavia, sem se ocupar da morta, correu ao encontro de Vesely e lhe confessou sua intenção de ir no dia seguinte apresentar-se ao juiz de Chrudim. Vesely, porém, o dissuadiu disso, dizendo que não o denunciaria, que o fato não tinha testemunhas e que, assim, ele não podia ser preso. Depois, sem saberem por quê, tal eram o seu espanto e terror, arrastaram o cadáver para o estábulo de Lastuvka, onde ficou até a manhã do dia seguinte. De madrugada, tendo refletido um pouco e já mais calmo, Lastuvka o tornou a colocar entre as moitas, no lugar em que foi encontrado no dia antes anterior.
211. Pelas 11 horas da noite, João Mracek, tendo terminado o serviço e voltado à sua casa, não encontrou a mulher e interrogou a filha, que lhe respondeu: "Mamãe saiu de casa à tarde e não voltou mais. Papai, não há muito ouvi um tiro em qualquer lugar... lá embaixo."
212. Nada pressentindo de bom, Mracek muniu-se de sua lanterna de chaminé e foi à procura da esposa. Errou por toda parte onde esperava encontrar a sua companheira. Na margem da plantação de Zavrel, encontrou cabeças de beterrabas sobre a erva, e chorou sem encontrar, contudo, o cadáver de Ana, sobre o que foi informar-se na granja de Zavrel.
213. Por muito tempo ele bateu à porta que, finalmente, se abriu, mas não o deixaram entrar. Zavrel afirmou nada saber acerca da desaparecida. "Então ela foi mesmo morta", gemeu Mracek que se pôs de novo à procura do corpo. Durante toda a noite, debaixo de uma chuva torrencial, explorou os arredores, molhado até a medula dos ossos e em estado de desespero. De repente, já no despontar de um dia tristonho, à margem do campo de Zavrel, tantas vezes explorado, percebeu, perto da água e meio coberto pelas moitas, o cadáver de Ana. Hirta, Ana estava estendida de costas, mas o que o espantou enormemente foi que, a despeito da chuva noturna, tinha ela as vestes secas. No mesmo dia João Mracek foi preso sob a acusação de assassinato da própria mulher. Depois, Zavrel e Vesely foram acusados; tendo, porém, obtido testemunhos unânimes a seu favor, foram beneficiados com um impronunciamento. A seguir, com a aparição da morta e o depoimento de Kreil, o processo retomou seu curso e Zavrel e Vesely acabaram por confessar. O jornal assim concluiu o relato: "Eis o que deve fazer refletir as pessoas que não acreditam na sobrevivência da alma humana e na realidade das comunicações entre mortos e vivos."
214. Parece-me que o jornalista tem bastante razão em concluir deste modo. Com efeito, nenhuma hipótese naturalista: nem alucinação, nem telepatia, nem criptestesia, nem criptomnésia, nem clarividência no passado e no presente, nem a hipótese do "reservatório cósmico de memórias individuais" poderiam explicar os fatos em seu conjunto, considerando-se que o incidente da impressão de uma mão de fogo bastaria para eliminar todas elas.
215. Como se pôde ver, o Prof. Vicente Collis concluiu no mesmo sentido. E, no que concerne à documentação dos fatos ora relatados, acho que o Prof. Collis tem bastante razão em notar: "Em vista da autenticidade indiscutível dos fatos em questão e, portanto, de um valor documentário e probativo tal que ela poderia, talvez, decidir a eterna controvérsia sobre a realidade da sobrevivência da alma humana, resolvi enviar-vos a tradução do caso em questão, visto o mesmo não ter ainda encontrado eco nas revistas espíritas."
216. Acrescento que, assim agindo, prestou ele notável serviço à nova "Ciência da Alma", visto que o caso apresentado é, teoricamente, de grande eloquência em favor da hipótese da sobrevivência. De outra parte, o caso está documentado e demonstrado por um inquérito judicial, pelo depoimento dos acusados, por todos os testemunhos, inclusive do procurador-geral da província de Chrudim que viu, com os próprios olhos, a impressão da mão de fogo no ombro do percipiente protagonista. Todas estas circunstâncias constituem um conjunto de provas importantes e decisivas em favor dos fatos.
217. Outro ponto importante a ser destacado: o percipiente conversou várias vezes com o fantasma da morta, o que confirma, eficazmente, o caso de Lady Beresford, no qual se encontra o mesmo e raro detalhe. Raro, dizemos, mas que sempre se produz.
218. Resta-nos encarar o incidente da impressão de mão de fogo do ponto de vista da hipótese dos estigmas por autossugestão emotiva. No caso em questão, trata-se de uma impressão em fogo que ficou gravada no corpo do percipiente em condições de crise emotiva. E como a hipótese autossugestiva não pode ser teoricamente afastada, notarei que o fato de admiti-la equivaleria a pretender analisar isoladamente cada um dos casos de que nos ocupamos, sem considerar os outros, o que seria absolutamente contrário aos métodos de pesquisas científicas. Além disto, seria pretender dividi-los arbitrariamente em duas categorias, pondo os casos que se produziram no corpo humano na categoria dos fenômenos subjetivos e autossugestivos e as que sucederam em tecidos e objetos na classe dos fenômenos que tiveram origem supranormal ou mediúnica, o que constitui outra afirmação contrária aos métodos de pesquisas científicas, segundo os quais deve admitir-se como legítima a hipótese que consiga explicar os fatos em seu conjunto e afastar, como falhas, todas as hipóteses que só em parte os expliquem.
219. Seria preciso admitir apenas algumas exceções à regra geral quando o estado emotivo de um perceptivo sugestionável pudesse determinar um fenômeno rudimentar de estigma. Em suma, esta última possibilidade pode ser considerada como teoricamente admissível em circunstâncias excepcionais, tão excepcionais, na realidade, que não se conhece nenhum caso desse gênero que possa autorizar, com algum fundamento, esta explicação.

Respostas às questões preliminares

A. Onde e quando foi publicado o artigo intitulado “A alma de uma morta que não tem repouso”?
O artigo foi publicado em 25 de agosto de 1891 no jornal tcheco Chrudimski Kvaj, diário político-econômico da região de Chrudim, situada na antiga Tcheco-Eslováquia. (A morte e os seus mistérios, 2ª Monografia – Marcas e impressões supranormais de mãos de fogo, Caso VIII.)
B. Quantas vezes o Espírito de Ana Mracek apareceu para o rendeiro José Kreil?
Quatro vezes, e em todas elas Ana insistia em dizer o nome da pessoa que a havia matado. Seu objetivo era fazer com que o sr. Kreil comunicasse o fato às autoridades da região. (Obra citada, 2ª Monografia – Caso VIII.)
C. O Espírito de Ana deixou alguma prova material de sua aparição?
Sim. Além de sua informação ter levado à confissão da pessoa que a matou, Ana deixou a marca de sua mão, impressa a fogo, no ombro do percipiente protagonista. (Obra citada, 2ª Monografia – Caso VIII.)


Observação:
Para acessar a Parte 13 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2019/12/a-morte-e-osseus-misterios-ernesto_27.html




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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020




O Livro dos Espíritos

Allan Kardec

Estamos fazendo neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – dos oito principais livros do Codificador do Espiritismo. Serão ao todo 1.120 questões objetivas distribuídas em 140 partes, cada qual com oito perguntas e respostas.
Os textos são publicados neste blog sempre às quintas-feiras.
Continuamos hoje o estudo da principal obra espírita – O Livro dos Espíritos –, cuja publicação inicial ocorreu em 18 de abril de 1857. Na elaboração das respostas às questões apresentadas fundamentamo-nos na 76ª edição publicada pela FEB, com base em tradução de Guillon Ribeiro.

Parte 2

9. O Livro dos Espíritos foi escrito por ordem de quem?  
Ele foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação, constituem obra de Allan Kardec. (O Livro dos Espíritos, Prolegômenos, 6o parágrafo, pág. 49.)
10. Quais pessoas os bons Espíritos assistem e auxiliam?    
Os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, e repudiam todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra. (Obra citada, Prolegômenos, dois últimos parágrafos, pág. 50.)
11. Que é Deus?    
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. (Obra citada, questões 1 e 14.)
12. Que é que o Espiritismo nos ensina sobre Deus e as provas de sua existência?      
A prova da existência de Deus, que é infinito em suas perfeições, encontra-se num axioma conhecido dos homens de ciência: Não há efeito sem causa. Procuremos a causa de tudo o que não é obra do homem e nossa razão responderá. A soberana inteligência de Deus se revela num provérbio igualmente conhecido: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vejamos a obra da Criação e procuremos o autor. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, por conseguinte, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe deem. (Obra citada, questões 3, 4, 5 e 9.)
13. Quais são os atributos da Divindade? 
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.
É imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.
É imaterial. Quer isto dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
É único. Se muitos Deuses houvesse, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.
É onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus. (Obra citada, questões 12 a 15.)
14. Os Espíritos superiores podem revelar ao homem aquilo que por meio exclusivamente da Ciência ele não pode aprender? 
Sim, se o julgar conveniente, Deus pode permitir que eles revelem ao homem o que à Ciência não é dado apreender. É assim que, por meio dessas comunicações, o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro. (Obra citada, questões 17 a 20.)
15. Como o Espiritismo define matéria e espírito? 
Segundo o Espiritismo, a matéria existe em estados que ignoramos. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão nos cause aos sentidos; contudo, é sempre matéria. Os Espíritos superiores assim a definem: “A matéria é o laço que prende o Espírito; é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação”. Deste ponto de vista, pode dizer-se que a matéria é o agente, o intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o espírito. O espírito é o princípio inteligente do Universo. Espírito e matéria são distintos uma do outro; mas a união do espírito com a matéria é necessária para intelectualizar a matéria. (Obra citada, questões 22 a 25.)
16. Podemos dizer, com base na Doutrina Espírita, que matéria e espírito são os elementos gerais do Universo?  
Sim. Dois são os elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito, e acima deles existe Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela. (Obra citada, questões 27 e 28.)


Observação:
Para acessar a 1ª parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2019/12/o-livro-dos-espiritos-allan-kardec.html




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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020


Missionários da Luz

André Luiz

Estamos publicando neste espaço o estudo – sob a forma dialogada – de onze livros escritos por André Luiz, integrantes da chamada Série Nosso Lar.
Serão ao todo 960 questões objetivas distribuídas em 120 partes, cada qual com oito perguntas e respostas. Os textos são publicados neste blog sempre às quartas-feiras.
Concluído o estudo dos dois primeiros livros, iniciamos hoje o estudo de Missionários da Luz, obra psicografada pelo médium Chico Xavier.

Parte 1

1. Ciente de que nos serviços mediúnicos preponderam os fatores morais, que se espera de um médium fiel ao mandato mediúnico?
Clareza e serenidade, como o espelho cristalino de um lago. Para prestar-se ao intercâmbio desejado, o médium precisa renunciar a si mesmo, com abnegação e humildade, primeiros fatores na obtenção de acesso à permuta com as regiões mais elevadas. Ele necessita calar, para que outros falem; dar de si mesmo, para que outros recebam; em suma, deve servir de ponte, onde se encontrem interesses diferentes. Ele deve, por fim, zelar pela manutenção dos recursos interiores, tais como a tolerância, a humildade, a disposição fraterna, a paciência e o amor cristão. (Missionários da Luz, cap. 1, págs. 13 e 14.)
2. Que cuidados especiais recebe o médium dos protetores espirituais?
Muito antes da reunião, o médium é objeto da atenção dos Espíritos para que os pensamentos grosseiros não lhe pesem no campo íntimo. Suas células nervosas recebem novo coeficiente magnético, para não haver perdas lamentáveis do tigroide (corpúsculos de Nissl), necessário aos processos da inteligência. O sistema nervoso simpático, principalmente o campo autônomo do coração, recebe auxílios enérgicos e o sistema nervoso central é atendido convenientemente, para que sua saúde não seja comprometida. Por fim, as glândulas suprarrenais recebem acréscimo de energia para aumentar a produção de adrenalina, necessária ao atendimento do eventual dispêndio de reservas nervosas. (Obra citada, cap. 1, págs. 16 e 17.)
3. A epífise exerce alguma função na atividade mediúnica?
Sim. A função da epífise vai muito além do que relatam os livros médicos. Em realidade, a epífise não é um órgão morto, mas, sim, a glândula da vida mental que preside aos fenômenos nervosos da emotividade, como órgão de elevada expressão no corpo etéreo. (Obra citada, cap. 2, págs. 19 a 21.)
4. Que regras morais são indispensáveis ao enriquecimento efetivo da personalidade?
A perversão do nosso plano mental consciente, em qualquer sentido da evolução, determina a perversão do nosso psiquismo inconsciente. A vontade desequilibrada desregula o foco de nossas possibilidades criadoras. Daí procede a necessidade de regras morais para quem, de fato, se interesse pelas aquisições eternas nos domínios do espírito. Renúncia, abnegação, continência sexual e disciplina emotiva não representam meros preceitos de feição religiosa. São providências de teor científico, para enriquecimento efetivo da personalidade. (Obra citada, cap. 2, págs. 22 e 23.) 
5. Por que os socorros magnéticos dispensados aos desencarnados são mais frutíferos?
Os esforços são mais frutíferos no círculo dos desencarnados infelizes porque os encarnados, mesmo os que se interessam pela prática espírita, raramente se dispõem, com sinceridade real, ao aproveitamento dos valores da cooperação dos Espíritos. É muito lenta a transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior. Entre os homens há sempre um oceano de palavras e algumas gotas de ação. Ninguém, contudo, pode trair a lei impunemente, e, para subir, Espírito algum dispensará o esforço de si mesmo no aprimoramento íntimo. (Obra citada, cap. 3, págs. 26 a 28.)
6. A prática sexual pode interferir no desenvolvimento da função mediúnica?
No caso do sexo atormentado, sim. A sede febril de prazeres inferiores produz bacilos psíquicos da tortura sexual. Na falta de terminologia própria, os Espíritos chamam-nos de larvas, larvas cultivadas não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, como também pelo contato com entidades grosseiras, afinadas com o indivíduo atormentado, as quais o visitam com frequência, como imperceptíveis vampiros. O corpo físico é leve sombra do corpo perispiritual e a prudência, em matéria de sexo, é equilíbrio da vida. Muitos imaginam, erroneamente, que o sexo nada tem que ver com espiritualidade, como se esta não fosse a existência em si. Esse tem sido o erro de todos os religiosos que supõem a alma absolutamente separada do corpo, quando todas as manifestações psicofísicas se derivam da influenciação espiritual. (Obra citada, cap. 3, págs. 28 e 29.)
7. A ingestão de álcool é compatível com a atividade mediúnica?
É evidente que não. Além de todos os males conhecidos decorrentes do alcoolismo, a ingestão de álcool torna o indivíduo completamente desviado em seus centros de equilíbrio vital. O sistema endocrínico é atingido pela atuação tóxica. Inutilmente a medula trabalha para melhorar os valores da circulação e em vão esforçam-se os centros genitais para ordenar as funções que lhes estão afetas, porque o álcool excessivo determina modificações deprimentes na própria cromatina, substância existente no núcleo das células. A atividade mediúnica acarreta desgaste e, por isso, requer equilíbrio do corpo e da mente. (Obra citada, cap. 3, págs. 29 a 31.)
8. A mediunidade é faculdade exclusiva dos chamados médiuns?
Não. O Espiritismo cristão é a revivescência do Evangelho de Jesus, e a mediunidade constitui um de seus fundamentos vivos. Ela não é, porém, exclusiva dos chamados "médiuns". Todas as pessoas a possuem, porquanto significa recepção espiritual, que deve ser incentivada em nós mesmos. Não basta, porém, perceber; é imprescindível santificar essa faculdade, convertendo-a no ministério ativo do bem. A maioria dos candidatos ao desenvolvimento mediúnico não se dispõe, contudo, aos serviços preliminares de limpeza do vaso respectivo. Dividem a matéria e o espírito, localizando-os em campos opostos, quando os próprios Espíritos ainda não conseguiram identificar rigorosamente as fronteiras entre uma e outro. (Obra citada, cap. 3, págs. 32 a 34.)




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