sexta-feira, 4 de julho de 2025

 




Roteiro

 

Emmanuel

 

19

 

 Evangelho e simpatia

 

Do apostolado de Jesus, destaca-se a simpatia por alicerce da felicidade humana. A violência não consta da sua técnica de conquistar.

Ainda hoje, vemos vasta fileira de lidadores do sacerdócio usando, em nome d’Ele, a imposição e a crueldade; todavia, o Mestre, invariavelmente, pautou os seus ensinamentos nas mais amplas normas de respeito aos seus contemporâneos.

Jamais faltou com o entendimento justo para com as pessoas e as situações.

Divino Semeador, sabia que não basta plantar os bons princípios e sim oferecer, antes de tudo, à semente favoráveis condições, necessárias à germinação e ao crescimento.

Certo, em se tratando do interesse coletivo, Jesus não menoscaba a energia benéfica.

Exprobra o comercialismo desenfreado que humilha o Templo, quanto profliga os erros de sua época. Entretanto, diante das criaturas dominadas pelo mal, enche-se de profunda compaixão e tolerância construtiva.

Aos enfermos não indaga quanto à causa das aflições que os vergastam, para irritá-los com reclamações.

Auxilia-os e cura-os.

Os apontamentos que dirige aos pecadores e transviados são recomendações doces e sutis.

Ao doente curado no Tanque de Betesda, explica despretensioso:

— Vai e não reincidas no erro para que te não aconteça coisa pior.

À pobre mulher, apedrejada na praça pública, adverte, bondoso:

— Vai e não peques mais.

Não indica o inferno às vítimas da sombra. Reergue-as, compassivo, e acende-lhes nova luz.

Compreende os problemas e as lutas de cada um.

Atrai as crianças a si, compadecidamente, infundindo nova confiança aos corações maternos.

Sabe que Pedro é frágil, mas não desespera e confia nele.

Contempla o torvo drama do espírito de Judas, no entanto, não o expulsa.

Reconhece que a maioria dos beneficiários não se revelam à altura das concessões que solicitam, contudo, não lhes nega assistência.

Preso, recompõe a orelha de Malco, o soldado.

À frente de Pilatos e de Ântipas, não pede providências suscetíveis de lançar a discórdia, ainda mesmo a título de preservação da justiça.

Longe de impacientar-se com a presença dos malfeitores que também sofreram a crucificação, inclina-se amistosamente para eles e busca entendê-los e encorajá-los.

À turba que o rodeia com palavrões e cutiladas envia pensamentos de paz e votos de perdão.

E, ainda além da morte, não foge aos companheiros que fugiram. Materializa-se, diante deles, induzindo-os ao serviço da regeneração humana, com o incentivo de sua presença e de seu amor, até ao fim da luta.

Em todas as passagens do Evangelho, perante o coração humano, sentimos no Senhor o campeão da simpatia, ensinando como sanar o mal e construir o bem. E desde a Manjedoura, sob a sua divina inspiração, um novo caminho redentor se abre aos homens, no rumo da paz e da felicidade, com bases no auxílio mútuo e no espírito de serviço, na bondade e na confraternização.

 

Nota: O livro Roteiro, psicografado pelo médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1952.

 

 

 

 

 

 

 

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quinta-feira, 3 de julho de 2025

 



AS MAIS LINDAS CANÇÕES QUE OUVI

Depois

 

Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte

 


Depois de sonhar tantos anos,

De fazer tantos planos

De um futuro pra nós,

Depois de tantos desenganos,

Nós nos abandonamos como tantos casais...

Quero que você seja feliz,

Hei de ser feliz também...

 

Depois de varar madrugada

Esperando por nada,

De arrastar-me no chão,

Em vão,

Tu viraste-me as costas,

Não me deu as respostas

Que eu preciso escutar,

Quero que você seja melhor,

Hei de ser melhor também...

 

Nós dois

Já tivemos momentos,

Mas passou nosso tempo,

Não podemos negar,

Foi bom,

Nós fizemos história

Pra ficar na memória

E nos acompanhar.

Quero que você viva sem mim,

Eu vou conseguir também...

 

Depois de aceitarmos os fatos,

Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém.

Meu bem,

Vamos ter liberdade

Para amar à vontade,

Sem trair mais ninguém,

Quero que você seja feliz,

Hei de ser feliz também

Depois...


Você pode ouvir a canção na voz de um dos autores clicando no link abaixo:

Marisa Monte - https://www.youtube.com/watch?v=jUQAwz5XsCM

 

 

 


 

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

 



Revista Espírita de 1869

 

Allan Kardec

 

Parte 6

 

Damos sequência ao estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1869, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo é baseado na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1869 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que diferença havia, segundo Kardec, entre o Espiritismo europeu e o americano?

B. A propósito da causa dos fenômenos espíritas, quais foram as hipóteses emitidas ao longo dos anos em todo o mundo?

C. Que fato se deu com padre que andou fazendo curas na região dos Hautes-Alpes?

 

Texto para leitura

 

52. A música e as harmonias celestes são o tema de duas comunicações transmitidas por Rossini em reuniões realizadas em janeiro de 1869 em Paris, das quais extraímos resumidamente os conceitos que se seguem: I – Para ser músico não basta alinhar notas sobre um pentagrama; assim só se consegue produzir ruídos agradáveis. Para dar alma à música, para fazê-la chorar, rir, uivar, é preciso que ele próprio tenha experimentado esses diferentes sentimentos, dores, alegria, cólera. II – A harmonia é difícil de definir e muitas vezes a confundem com a música, com os sons resultantes de um arranjo de notas e das vibrações dos instrumentos. Mas a harmonia não é isto, como a chama não é a luz. III – A chama resulta da combinação de dois gases e é tangível. A luz que ela projeta é um efeito dessa combinação e é intangível, mas o efeito é superior à causa. IV – Dá-se o mesmo com a harmonia, que resulta de um arranjo musical e é um feito igualmente superior à causa. V – Pode-se conceber a luz sem a chama e a harmonia sem a música. A harmonia é um sentido íntimo da alma e é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido. VI – Fora do mundo material, a luz e a harmonia são de essência divina. A harmonia do espaço é tão complexa e tem tantos graus, que muitos me são ocultos. VII – O Espírito produz efeitos musicais agindo sobre o éter e obtém os sons que deseja. VIII – A harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do Espírito. A primeira o deslumbra, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. IX – A harmonia é, contudo, tão indefinível quanto a felicidade, o medo, a cólera: é um sentimento, que não se compreende senão quando se possui, e não se possui senão quando se adquiriu. X – A música, que é a causa secundária da harmonia percebida, penetra e transporta alguns, enquanto deixa outros frios e indiferentes. XI – Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é mais elevado, mais depurado que aquele que ela não consegue penetrar. Sua alma está mais apta para sentir, desprende-se mais facilmente da matéria e a harmonia a ajuda a desprender-se, de onde se conclui que a música é essencialmente moralizadora, desde que leva a harmonia às almas e a harmonia as eleva e engrandece. XII – A influência da música sobre a alma e sobre o seu progresso é reconhecida por todo o mundo. A razão dessa influência é que é ignorada: a harmonia coloca a alma sob o poder um sentimento que a desmaterializa. XIII – Se a música exerce uma influência benéfica sobre a alma, a alma que a concebe exerce igualmente influência sobre a música. É assim que a alma virtuosa, imbuída do sentimento do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e comovê-las. XIV – Se o compositor estiver terra-a-terra, como expressará a virtude que desdenha, o belo que ignora e a grandeza que não compreende? Suas composições serão o reflexo de seus gostos sensuais, de sua leviandade, de sua despreocupação. XV – Moralizando as criaturas, o Espiritismo exercerá então uma grande influência sobre a música, produzindo mais compositores virtuosos que comunicarão suas virtudes às suas composições e aos que as ouvirem. XVI – O Espiritismo terá, ninguém duvide, grande influência sobre a música futura. Seu advento mudará a arte, depurando-a. Como sua fonte é divina, tornar-se-á o ideal e o objetivo dos artistas, que lhe pedirão suas inspirações. (Págs. 84 a 90)

53. Mensagem assinada pelo Espírito de Halévy e dada em Paris no dia 16-2-1869 encerra o número de março. Examinando o tema: A mediunidade e a inspiração, diz o comunicante: I – A mediunidade abarca a humanidade inteira, como um feixe ao qual ninguém pode escapar. II – Não há um só homem que possa dizer: Não fui, não sou ou não serei médium. III – Sob a forma intuitiva, cada um está em relação com várias influências espirituais, que podem ser boas ou más. IV – Quando o homem faz mais do que ocupar-se de pequenos detalhes de sua existência e quando se trata de trabalhos que veio realizar mais especialmente, de provas decisivas que deva suportar, ou de obras destinadas à instrução e elevação gerais, a intuição – também chamada de voz da consciência – não se limita aos conselhos, mas atrai o Espírito para certos assuntos, provoca certos estudos e colabora na obra, fazendo ressoar certos compartimentos cerebrais pela inspiração. V – A obra será, pois, coletiva, embora só um deva assiná-la. Mas que importa isso? A obra jamais é uma criação; é sempre uma descoberta. Por muito tempo o músico ouviu a cotovia e o rouxinol antes de inventar a música. VI – Sob este ponto de vista, é-se médium de todos, é-se médium da natureza, médium da verdade, e por vezes médium muito imperfeito, porque ela aparece de tal modo desfigurada pela tradução, que se torna irreconhecível. (Págs. 91 e 92)

54. Um aviso muito importante abre o número de abril de 1869: a partir de 1o de abril o escritório da Revista Spirite seria o mesmo da Livraria Espírita, na rua de Lille, no 7, onde seriam realizadas também as sessões da Sociedade Espírita de Paris O domicílio pessoal de Kardec ficaria, a partir da mesma data, na Avenue et Villa Ségur, no 39, atrás dos Inválidos. (N.R.: Como já vimos, o número de abril foi escrito antes da desencarnação de Kardec, ocorrida a 31-3-1869.) (Pág. 95)

55. A criação da Livraria Espírita é noticiada em seguida. Diz Kardec que o interesse cada vez maior que as ideias espíritas tinham despertado indicou a necessidade de uma casa especial para a concentração dos documentos concernentes ao Espiritismo. Fora das obras fundamentais da doutrina espírita havia um grande número de livros, antigos e modernos, úteis ao complemento desses estudos e que eram ignorados do grande público. Foi visando preencher essa lacuna que se fundou a Livraria Espírita, uma empresa de caráter não comercial, criada por uma sociedade de espíritas que renunciavam, pelo contrato que os liga, a toda especulação pessoal. Os lucros auferidos pela Livraria pertenceriam à Caixa Geral do Espiritismo. (Págs. 95 e 96)

56. A Revista reproduz do jornal Salut, de Nova Orléans, Estados Unidos, a declaração de princípios aprovada na 5a Convenção Nacional ou Assembleia dos delegados dos espíritas das diversas cidades dos Estados Unidos. A declaração é composta de 19 itens, dos quais destacamos, de forma resumida, os seguintes: I – O homem tem uma natureza espiritual e uma natureza corporal; ele é, na verdade, um Espírito revestido de uma forma orgânica. II – O Espírito é imortal. III – Há um mundo ou estado espiritual, com suas realidades objetivas e subjetivas. IV – A morte não transforma a constituição mental ou o caráter moral de nenhuma pessoa. V – A felicidade, tanto no estado espiritual quanto neste, depende do caráter, das aspirações e do grau de harmonia do indivíduo com a lei divina. VI – O crescimento, o desenvolvimento e a progressão são o destino infinito do espírito humano. VII – O mundo espiritual não está afastado de nós, mas nos rodeia; por conseguinte estamos constantemente sob a vigilância dos seres espirituais. VIII – Há no estado espiritual todos os graus de caracteres, desde o mais baixo ao mais elevado de desenvolvimento intelectual e moral. IX – Cada indivíduo gravita em seu próprio lugar, por uma lei natural de afinidade; o céu e o inferno, a felicidade e a infelicidade dependem antes dos sentimentos íntimos que das circunstâncias exteriores. X – As comunicações recebidas dos Espíritos não são necessariamente verdades infalíveis. XI – Todos os seres angélicos ou demoníacos que se manifestaram nos negócios dos homens, no passado, eram simples Espíritos humanos desencarnados, em diversos graus de progressão. XII – Os chamados milagres dos tempos passados, a cura das moléstias pela imposição das mãos, a ressurreição dos que estavam aparentemente mortos etc. foram produzidos em harmonia com as leis universais e podem repetir-se em todos os tempos. (Págs. 96 a 99)

57. Kardec, para tornar mais fácil a análise dos princípios que compõem a declaração aprovada pelos espíritas americanos, repassou, um a um, ditos princípios comparando-os com os ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos e no cap. II de O que é o Espiritismo. Em seguida, observou que as diferenças havidas entre o Espiritismo europeu e o americano resumiam-se a questões de palavras, verificando-se concordância sobre os pontos fundamentais. (Págs. 99 a 103)

58. A única diferença entre as duas escolas limitava-se à questão da pluralidade das existências, admitida também pelos americanos, porém em mundos cada vez mais adiantados, enquanto o Espiritismo europeu admite a pluralidade de existências na Terra, até que o Espírito tenha aqui atingido o grau de adiantamento que comporta este globo, após o que o deixa por outros mundos. O princípio da reencarnação na Terra não era, contudo, peculiar ao Espiritismo europeu. Constituía um ponto fundamental da doutrina druídica e foi proclamado antes do Espiritismo por filósofos ilustres, como Dupont de Nemours, Charles Fourier, Jean Reynaud, Benjamin Franklin e tantos outros. As causas que se opuseram à introdução dessa lei no Espiritismo americano já foram explicadas anteriormente. Faltou aos Estados Unidos um centro de ação para coordenar os princípios. É por isso que não existe ali, a bem dizer, um corpo metódico de doutrina, ao contrário do que se verificou no movimento espírita europeu, sobretudo na França. (Págs. 103 a 105)

59. As conferências proferidas pelo sr. Chevillard sobre o Espiritismo foram objeto de um artigo do sr. Pagès de Noyez, publicado no jornal Paris de 7/3/1869. Comentando o fato, Kardec diz que já havia dado sua apreciação sobre o assunto no número de março e que seria supérfluo refutar uma teoria que nada tinha de novo. Entre os que admitem a realidade dos fenômenos – que é o caso do sr. Chevillard – quatro hipóteses foram emitidas ao longo dos anos a respeito de sua causa: 1ª. A ação exclusiva do fluido nervoso, magnético, elétrico ou qualquer outro. 2ª. O reflexo do pensamento dos médiuns e dos assistentes. 3ª. A intervenção dos demônios. 4ª. A intervenção dos Espíritos humanos, desprendidos do corpo físico, sobre o mundo corporal. Todas essas hipóteses já haviam sido amplamente discutidas. Os que não aceitam a 4a. hipótese, que é a hipótese pregada pelo Espiritismo, têm todo o direito de manifestar-se, cientes de que, desses diversos sistemas, o defendido pelo Espiritismo é o que encontrou maior número de simpatizantes e é o único admitido pela imensa maioria dos observadores em todos os países do mundo. (Págs. 105 a 108)

60. Um taumaturgo que passara sua última existência a brincar de pessoa santa, em meio aos prodígios que realizava, quis nascer, como menino, em condições excepcionais para atrair o respeito e a veneração das pessoas. Essa é a explicação dada na Sociedade de Paris pelo dr. Morel Lavallée (Espírito) a respeito da “criança elétrica”, o bebê nascido na aldeia de Saint-Urbain, nos limites do Loire e do Ardèche, que apresentava desde o primeiro dia fenômenos muito curiosos e inusitados. Por vezes seu berço parecia encher-se de uma claridade esbranquiçada; não se podia tocá-lo sem sentir uma viva reação; de suas extremidades se escapavam, por momentos, eflúvios brilhantes que o tornavam luminoso; quando, em certos dias, se aproximava dele algum objeto, este era tomado de um frêmito e de uma vibração sutil, que nada podia explicar. Dr. Morel disse, no entanto, que o fenômeno em si mesmo teria pouca duração e quem quisesse estudá-lo deveria apressar-se. (Págs. 109 a 111)

61. Um dos assinantes da Revista residente no departamento dos Hautes-Alpes enviou a Kardec interessante relato sobre as curas que um padre andava fazendo naquela região. O fato tivera grande repercussão, mas, por punição, o pároco fora enviado para La Chalpe, comuna vizinha de Abriès, na fronteira do Piemonte, onde, contudo, continuava a curar, sem nada receber por seu trabalho.  (Págs. 111 e 112) 

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que diferença havia, segundo Kardec, entre o Espiritismo europeu e o americano?

Segundo ele, as diferenças que existiam entre o Espiritismo europeu e o americano resumiam-se a questões de palavras, verificando-se concordância sobre os pontos fundamentais. A única divergência real entre as duas escolas limitava-se à questão da pluralidade das existências, admitida também pelos americanos, porém em mundos cada vez mais adiantados, enquanto o Espiritismo europeu admitia a pluralidade de existências na Terra, até que o Espírito tenha aqui atingido o grau de adiantamento que comporta este globo. O princípio da reencarnação na Terra não era, contudo, peculiar ao Espiritismo europeu. Constituía um ponto fundamental da doutrina druídica e foi proclamado antes do Espiritismo por filósofos ilustres, como Dupont de Nemours, Charles Fourier, Jean Reynaud, Benjamin Franklin e tantos outros. As causas que se opuseram à introdução dessa lei no Espiritismo americano já foram explicadas anteriormente. (Revista Espírita de 1869, pp. 99 a 105.)

B. A propósito da causa dos fenômenos espíritas, quais foram as hipóteses emitidas ao longo dos anos em todo o mundo?

Entre os que admitem a realidade dos fenômenos quatro hipóteses foram emitidas ao longo dos anos a respeito de sua causa: 1ª. A ação exclusiva do fluido nervoso, magnético, elétrico ou qualquer outro. 2ª. O reflexo do pensamento dos médiuns e dos assistentes. 3ª. A intervenção dos demônios. 4ª. A intervenção dos Espíritos humanos, desprendidos do corpo físico, sobre o mundo corporal. O sistema defendido pelo Espiritismo foi, porém, segundo Kardec, o que encontrou maior número de simpatizantes e o único admitido pela imensa maioria dos observadores em todos os países do mundo. (Obra citada, pp. 105 a 108.)

C. Que fato se deu com padre que andou fazendo curas na região dos Hautes-Alpes?

Um dos assinantes da Revista residente no departamento dos Hautes-Alpes disse que as curas feitas pelo padre tiveram grande repercussão naquela região, mas, por punição, o pároco fora enviado para La Chalpe, comuna vizinha de Abriès, na fronteira do Piemonte, onde, contudo, continuava a curar, sem nada receber por seu trabalho. (Obra citada, pp. 111 e 112.) 

 

Observação:

Para acessar a parte 5 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2025/06/revista-espirita-de-1869-allan-kardec_0261992316.html

 

 

 



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terça-feira, 1 de julho de 2025

 



Infinitamente mais centelha divina

(E bem menos egocentrismo)

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Quando existe ego demais, o bom sentimento não se sustenta, e o coração se mantém insensível, pois sentimentos tão opostos não podem conviver lado a lado, e infelizmente o que for mais competitivo, intransigente e egoísta tenderá a exigir mais espaço e considerar-se prioridade, consequentemente, perdurará. Muito provável que um coração egocêntrico nunca tenha sido gentil, compassivo, amoroso, caridoso, já que uma das leis universais é a de receber a mesma energia daquilo que se dá.

Há um imensurável equívoco quando se pensa que gentileza e bondade sejam sentimentos de fraqueza, ao passo que apenas quem é corajoso, sábio e já se autoconhece um pouco é que pode ser gentil e acolhedor. Um coração amoroso não é frágil, é somente um coração que aprendeu a viver e que não resiste tanto à vida, compreendeu a sua infinita capacidade e valor.

E como é extraordinário sentir ou voltar a sentir, emocionar-se, perceber o próprio crescimento e sentimento, sentir as emoções diárias e ver no olhar alheio um pouco do infinito sentimento que também ali existe. Sentir a energia da vida e lembrar que antes de qualquer observação, há motivos maiores e inquestionáveis: a eternidade do espírito e o seu objetivo. É compreender que quanto mais gentil, delicado, verdadeiro for um coração, mais desenvolvido e corajoso também será.

Com a vivência, entendemos que tudo o que mais forçosamente se destaca é terreno demais, ainda compreendemos que o bem se apresenta de maneira suave, acolhedora, generosa, real e permanente, não faz exigências nem restrições, naturalmente se desenvolve em perfeito equilíbrio e harmonia resultando no bem universal. Nunca se identifica com o que não possui genes de bondade.

O conceito terreno sobre os reais valores ainda arrasta muita confusão a respeito do que é efêmero e do que é eterno, ou seja, sentimentos e comportamentos que em qualquer tempo e lugar serão valiosos, e os que pela imaturidade espiritual e o ranço de uma sociedade ainda materialista preserva.

Mais cedo ou mais tarde, a verdade sempre se apresenta e se mantém e comprova que os humilhados serão exaltados e os de coração gentil e amoroso serão os fortes, enquanto os corações egocêntricos são os verdadeiros débeis e necessitados de amparo.

Mil vezes a gentileza, a doçura e o amor.

 

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