terça-feira, 8 de maio de 2012

Num dia como hoje Anita Borela nos deixou


Num dia como hoje – 8 de maio – minha mãe, Anita Borela de Oliveira (foto), partiu de retorno à pátria espiritual. Corria o ano de 1950. 

Nascida de pais italianos em 5 de janeiro de 1909, na cidade de Leopoldina (MG), sua vida apresenta lances de heroísmo, sacrifício e renúncia, que evidenciam a grandeza de sua alma e a firmeza de sua fé espírita.
Em 1927, quando contava 18 anos, casou-se com Astolfo Olegário de Oliveira, passando a residir na cidade de Astolfo Dutra (MG), na época um pequeno distrito chamado Porto de Santo Antônio.
Seu marido tornou-se espírita em 1932 e ela se admirou com sua transformação e com as ideias novas que esposava. Sua adesão ao Espiritismo trouxe, porém, ao casal sérios aborrecimentos porque a pequena comunidade espírita da cidade passou a sofrer violenta perseguição do clero local, bravamente suportada por eles.
Era tão grande a firmeza que o grupo nascente demonstrava, que Anita, solidarizando-se com os espíritas, passou a defender e ao mesmo tempo a admirar profundamente o Espiritismo. É que ela, embora não o soubesse, já era, na intimidade, espírita.
Possuidora de uma energia inquebrantável, quando alguns católicos mais extremados começaram a apedrejar sua casa, nos dias de procissão, reunia os filhos (alguns ainda bem pequenos) e ia com eles para a varanda da casa, disposta a enfrentar na própria face o apodo e a afronta, em nome da fé que então já esposava de todo o coração.
Por essa ocasião suas faculdades mediúnicas afloraram com um potencial que expressava bem suas aquisições espirituais do passado. Audição, vidência, psicofonia, cura, clarividência, efeitos físicos, eis as faculdades que passou a exercer com a responsabilidade de quem entendia a própria missão.
Em pouco tempo, seu amor pelos semelhantes a tornou conhecida e procurada pelos necessitados de toda a sorte, que encontravam na sua presença o alívio, o consolo e a cura.
Anita era muito solicitada em duas situações comuns naquela época: o atendimento às criaturas envolvidas em processos obsessivos e a descoberta de pessoas desaparecidas. Ao se inteirar do nome daquele que estava sendo procurado, fechava os olhos e com toda a naturalidade descrevia a pessoa desaparecida e o local onde se encontrava. Quando havia um afogamento no rio Pomba, o Sr. Durval, velho canoeiro do Porto, ia primeiro ao encontro dela para que descrevesse a posição do corpo e o lugar em que estava.
Desde que se tornou espírita, pouco antes do falecimento de Abel Gomes, ocorrido em 1934, Anita passou a frequentar com assiduidade a Cabana Espírita Abel Gomes, nome dado ao centro espírita após a desencarnação de Abel, que o fundara.

Em 1950, Anita Borela não estava fisicamente bem. Mãe de onze filhos (na foto ao lado, tirada em 1942, em que faltam dois filhos que não haviam nascido até então,  veem-se, da esquerda para a direita: Arthur, Edna, Lila, Ayres, Marly, Nitinha, Eunice, Amaury e Iclea, que é o bebê no colo de Anita e, ao lado desta, seu esposo Astolfo) e com inúmeros afazeres, seu estado de saúde agravou-se com o surgimento de uma nova gravidez, o que não a impediu de continuar suas tarefas no lar e no centro espírita.
Na noite de 8 de maio de 1950, seu coração não resistiu e Anita – aos 41 anos de idade – desencarnou, deixando uma lacuna enorme no movimento espírita da cidade, onde já funcionava, além do centro espírita, a Fundação Espírita Abel Gomes, um lar voltado para o amparo e educação de meninas órfãs, construído sob sua inspiração.
Em Londrina, Astolfo Dutra, Cataguases e Leopoldina existem Centros Espíritas que trazem no seu frontispício o nome de Anita Borela de Oliveira, que foi também dado ao Círculo de Leitura que fundamos em Londrina e aqui funciona desde junho de 1996.

2 comentários:

  1. Certa vez lhe disse que, em minhas orações agradeço tua mãe pelos filhos que ela teve nesta última existência, e, mesmo conhecendo somente você e tua irmã Edna (que com certeza está junto da Dona Anita agora), posso dizer que seus irmãos fazem (ou fizeram) a diferença por onde passaram e passam, sendo portadores de muito conforto espiritual (até material por vezes) com tudo o que dividem com as pessoas. Abraços.

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  2. Poxa Astolfo, toda vez que revejo a história da Anita me dá um nó na garganta... Obrigado por esse momento!

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