A importância de uma mente sadia para
termos saúde
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
aoofilho@gmail.com
De que modo devemos interpretar, à luz do
Espiritismo, a máxima “mens
sana in corpore sano” (“mente sã em corpo são”) e qual o
nosso compromisso quanto a ela?
O corpo nada mais é que um instrumento passivo e é
de sua condição plena que depende a perfeita exteriorização das faculdades da
alma. Da cessação da atividade desse ou daquele centro orgânico resulta o
término da manifestação que lhe é correspondente.
O corpo material não funciona apartado da alma –
ele é, em verdade, a sua representação. Suas células
são organizadas segundo as disposições perispirituais do indivíduo, de modo que
o organismo doente retrata um Espírito enfermo.
É daí que
provém toda a sabedoria da velha máxima “mente sã em corpo são”.
No que se
refere ao “corpo são”, a atividade física exerce um papel importante, e
constitui um dos meios pelos quais o homem vela pela conservação do seu corpo.
A alimentação correta e a ausência de vícios também concorrem para esse
objetivo, que é, em verdade, uma lei da vida, que não nos é dado negligenciar,
motivo pelo qual não assiste a ninguém o direito de sacrificar ao supérfluo os
cuidados que o veículo físico reclama.
Evidentemente,
cuidar apenas do corpo físico não basta. É preciso cuidar da alma e buscar
mantê-la em equilíbrio, para que, estando harmonizada, não transfira ao
organismo físico suas próprias mazelas.
A propósito
disso é importante lembrar que a frase “mens sana in corpore sano”, de
autoria do poeta romano Juvenal, que a inseriu em sua obra “Sátiras”, escrita
por volta do final do século I ou início do século II, é diferente do que a
conhecemos. A frase de Juvenal é esta: “Orandum est ut sit mens sana in corpore sano” (“Deve-se orar para que haja
uma mente sã em um corpo são”). Notemos, portanto, que ele não estava somente
dizendo que existe uma relação direta entre corpo e mente, mas sugerindo que o equilíbrio entre ambos é algo
desejável e digno até
de ser pedido em nossas orações.
Aprendemos com
o Espiritismo que desatender às necessidades que a Natureza nos prescreve
equivale a desatender à lei de Deus, e tal atitude gera efeitos inevitáveis,
como mostra a experiência de André Luiz, registrada por ele mesmo em sua
primeira obra, o livro “Nosso Lar”, cap. 4, pp. 31 a 33.
Quando
recolhido a um hospital na colônia Nosso Lar, depois de examinado pelo médico
Henrique de Luna, André Luiz escutou-o a dizer que lamentava tivesse “vindo
pelo suicídio”, ao que André protestou: "Lutei mais de quarenta dias, na
Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a
oclusão intestinal..."
O médico
espiritual explicou-lhe então que a oclusão se radicava em causas profundas.
"Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual
apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo",
explicou-lhe Henrique.
A oclusão –
observou em seguida o facultativo – derivava de elementos cancerosos e estes,
por sua vez, de algumas leviandades cometidas por André no campo da sífilis. A
moléstia talvez não assumisse características tão graves se seu procedimento
mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da
temperança. Seu modo especial de agir, muita vez exasperado e sombrio, captara
destruidoras vibrações nos que o rodeavam, visto que a cólera é manancial de
forças negativas para nós mesmos.
A ausência de
autodomínio, a inadvertência no trato com as pessoas, a quem muitas vezes
ofendera sem refletir, conduziam-no com frequência à esfera dos seres doentes e
inferiores. Foi isso que havia agravado o seu estado. Todo o aparelho gástrico
fora destruído à custa de excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas; a
sífilis devorara-lhe energias essenciais; o suicídio era, pois, incontestável.
Nota do Autor:
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