terça-feira, 24 de março de 2026

 



Efemeridade


CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

Nada é permanente, nada é realmente nosso, na verdade, tudo nos foi emprestado e já com um momento previsto para devolvê-lo. Por isso o apego nos drena energia e causa tanto sofrimento impedindo-nos de viver o que devemos e podemos. Não há dúvida de que quando vivemos com mais leveza deixando fluir o que a vida nos reserva e, principalmente, o que necessitamos viver, os dias passam a ser mais coloridos, vivos, com direção para o cumprimento dos objetivos maiores criados com tanto amor por nosso Pai.

Quando nos apegamos a pessoas, coisas, situações, bens, aparências, status sociais, criações imaginárias, ou quando nunca nos contentamos nem agradecemos, o que é impermanente, de maneira equivocada e infeliz, passa a desenvolver forçosamente características de algo eterno que apenas possui a efemeridade. Onde moramos mesmo que sede própria , pode vir qualquer ocorrência mais determinada e nos levar o que muito parecia definido até o momento. Também alguém que muito amamos pode seguir adiante sem a nossa companhia, ou por própria vontade ou escolha maior.

E se mantemos uma existência mais de acordo com o verdadeiro sentido da vida, não é de se espantar que a fluidez dos dias será de muito mais contentamento e admiração, já que tudo o que faz bem ao espírito possui a verdade da criação. Manter os laços respeitosos e carinhosos com amigos e pessoas que nos fazem bem e alimentá-los ainda mais, sem aguardar nenhuma reciprocidade, mas por puro sentimento, é conteúdo assimilado na escola do progresso espiritual.

Caso algum ser querido deseje voar a outros céus, que a paz e a proteção sejam companheiras assíduas em seus novos dias; ainda que o que nos seja tão valioso, material ou não, se encaminhe a outra direção, está bem, pois tudo perdura até o momento necessário para que, também assim, outros presentes possam chegar até nós. O dinamismo da vida é maestral e se o apego não se apresenta, a vida, o tempo todo, só deseja nos ver em desenvolvimento e feliz. Quanto mais seguramos algo, mais desgaste desenvolvemos; e à medida que libertamos, o que nos é bom mais desejará ficar.

A vida nos ensina, ininterruptamente, que a liberdade fortalece e que devemos priorizar o que é verdadeiro para o espírito. Quando nos voltamos para o céu, o nosso coração suspira; quando nos prendemos à sociedade terrena, o nosso espírito se sente um pouco sufocado buscando pelo ar da eternidade.

O que nos pertence é tudo o que faz morada em nosso ser e o que nos traz sentido real para o espírito com as características para o seu progresso no caminho da evolução.

 

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