domingo, 22 de março de 2026

 



A importância de uma mente sadia para termos saúde

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

De que modo devemos interpretar, à luz do Espiritismo, a máxima “mens sana in corpore sano” (“mente sã em corpo são”) e qual o nosso compromisso quanto a ela?

O corpo nada mais é que um instrumento passivo e é de sua condição plena que depende a perfeita exteriorização das faculdades da alma. Da cessação da atividade desse ou daquele centro orgânico resulta o término da manifestação que lhe é correspondente.

O corpo material não funciona apartado da alma – ele é, em verdade, a sua representação. Suas células são organizadas segundo as disposições perispirituais do indivíduo, de modo que o organismo doente retrata um Espírito enfermo.

É daí que provém toda a sabedoria da velha máxima “mente sã em corpo são”.

No que se refere ao “corpo são”, a atividade física exerce um papel importante, e constitui um dos meios pelos quais o homem vela pela conservação do seu corpo. A alimentação correta e a ausência de vícios também concorrem para esse objetivo, que é, em verdade, uma lei da vida, que não nos é dado negligenciar, motivo pelo qual não assiste a ninguém o direito de sacrificar ao supérfluo os cuidados que o veículo físico reclama.

Evidentemente, cuidar apenas do corpo físico não basta. É preciso cuidar da alma e buscar mantê-la em equilíbrio, para que, estando harmonizada, não transfira ao organismo físico suas próprias mazelas.

A propósito disso é importante lembrar que a frase “mens sana in corpore sano”, de autoria do poeta romano Juvenal, que a inseriu em sua obra “Sátiras”, escrita por volta do final do século I ou início do século II, é diferente do que a conhecemos. A frase de Juvenal é esta: “Orandum est ut sit mens sana in corpore sano” (“Deve-se orar para que haja uma mente sã em um corpo são”). Notemos, portanto, que ele não estava somente dizendo que existe uma relação direta entre corpo e mente, mas sugerindo que o equilíbrio entre ambos é algo desejável e digno até de ser pedido em nossas orações.

Aprendemos com o Espiritismo que desatender às necessidades que a Natureza nos prescreve equivale a desatender à lei de Deus, e tal atitude gera efeitos inevitáveis, como mostra a experiência de André Luiz, registrada por ele mesmo em sua primeira obra, o livro “Nosso Lar”, cap. 4, pp. 31 a 33.

Quando recolhido a um hospital na colônia Nosso Lar, depois de examinado pelo médico Henrique de Luna, André Luiz escutou-o a dizer que lamentava tivesse “vindo pelo suicídio”, ao que André protestou: "Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal..."

O médico espiritual explicou-lhe então que a oclusão se radicava em causas profundas. "Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo", explicou-lhe Henrique.

A oclusão – observou em seguida o facultativo – derivava de elementos cancerosos e estes, por sua vez, de algumas leviandades cometidas por André no campo da sífilis. A moléstia talvez não assumisse características tão graves se seu procedimento mental no planeta estivesse enquadrado nos princípios da fraternidade e da temperança. Seu modo especial de agir, muita vez exasperado e sombrio, captara destruidoras vibrações nos que o rodeavam, visto que a cólera é manancial de forças negativas para nós mesmos.

A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com as pessoas, a quem muitas vezes ofendera sem refletir, conduziam-no com frequência à esfera dos seres doentes e inferiores. Foi isso que havia agravado o seu estado. Todo o aparelho gástrico fora destruído à custa de excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas; a sífilis devorara-lhe energias essenciais; o suicídio era, pois, incontestável.

 

Nota do Autor:

Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/03/o-hino-que-scheilla-nos-ofertou-por.html

 

 

 

 

 

 

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