domingo, 8 de março de 2026

 



Há alguma explicação para tanta corrupção no mundo?

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Uma leitora e também participante ativa dos trabalhos realizados na Casa Espírita, depois de assistir, no YouTube, a uma palestra do professor e historiador Leandro Karnal, da Universidade Estadual de Campinas, fez-nos um interessante questionamento pertinente à conduta humana.

Segundo sua percepção, tem havido nos últimos anos uma certa indisciplina em regras e valores por parte dos próprios espíritas. Daí a pergunta que nos propôs:

 

- Será que o espírita não sente temor algum das consequências advindas dos seus atos, em conformidade com a Lei de causa e efeito ensinada pelo Espiritismo?

 

A pergunta formulada é acompanhada de uma sugestão, a saber, que seja incluída nos eventos espíritas do tipo semana espírita a discussão do tema “A Conduta Ética no Meio Espírita”.

Na palestra por ela mencionada o professor Karnal analisou diversos assuntos, como por exemplo a questão da corrupção no Brasil, tema que tem estado em moda em nosso país há muito tempo.

Ocorre que, segundo o citado palestrante, é uma ilusão imaginar que a corrupção em nossa pátria se circunscreve aos políticos, aos partidos ou aos governantes, visto que ela está presente no dia a dia dos brasileiros, como nas vendas sem nota fiscal, no atestado médico falso, no suborno do guarda de trânsito, no recibo cujo valor é majorado, no colega que assina a lista de presença no lugar do amigo, no estacionamento em lugar proibido, na omissão de rendimentos na declaração do imposto de renda... e por aí vai.

Nas situações mencionadas, nem mesmo os que se dizem espíritas agiriam – afirma a leitora – de forma diferente. E é por isso que ela nos propôs a pergunta a que nos referimos.

Não devemos jamais generalizar, mas é evidente que, senão todos, muitos espíritas certamente agem assim, ignorando que tais atitudes compõem também a tão lamentada estrutura de corrupção que se registra no Brasil e, como se sabe, não apenas nas terras descobertas por Pedro Álvares Cabral, mas no mundo todo.

O assunto provocado pela leitora evoca uma questão importante pertinente ao grau evolutivo dos habitantes da Terra.

Em 1948, ano em que escreveu o livro Voltei, obra psicografada por Chico Xavier, disse Frederico Figner (verdadeiro nome de Irmão Jacob, autor do livro) que, segundo informações de autoridades espirituais, dos dois bilhões de encarnados que viviam então no planeta mais da metade era constituída por Espíritos semicivilizados ou bárbaros e que as pessoas aptas à espiritualidade superior não passavam de 30% da população global, distribuídas pelos diferentes continentes.

Vinte e dois anos depois, no livro Vida e Sexo, obra escrita em 1970, Emmanuel declarou que havia no planeta um grupo numeroso de homens e mulheres psiquicamente não muito distantes da selva, remanescentes próximos da convivência com os brutos, fato que, à vista das obras citadas, confirma que nosso orbe é um mundo ainda muito atrasado e distante da perfeição, o que explica o quadro de degradação ética e moral referida pela leitora, do qual a corrupção é apenas um dos seus aspectos.

Quanto à questão proposta pela leitora, parece-nos claro que nem todas as pessoas – espíritas ou não – sentem temor das consequências advindas dos seus atos, porque, se as temessem, certamente agiriam de modo diferente.

 

Nota do Autor:

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