quarta-feira, 25 de setembro de 2024

 



Revista Espírita de 1866

 

Allan Kardec

 

Parte 9

 

Prosseguimos nesta edição o estudo metódico e sequencial da Revista Espírita do ano de 1866, periódico editado e dirigido por Allan Kardec. O estudo baseia-se na tradução feita por Júlio Abreu Filho publicada pela EDICEL.

A coleção do ano de 1866 pertence a uma série iniciada em janeiro de 1858 por Allan Kardec, que a dirigiu até 31 de março de 1869, quando desencarnou.

Cada parte do estudo, que é apresentado às quartas-feiras, compõe-se de:

a) questões preliminares;

b) texto para leitura.

As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto abaixo. 

 

Questões preliminares

 

A. Que é que Kardec disse acerca da necessidade de propagação da doutrina espírita?

B. Kardec era favorável à fundação de obras de beneficência coletiva?

C. A que conclusão chegou o governo francês a respeito das causas da loucura?

 

Texto para leitura

 

104. Vêm a seguir os que aceitam a ideia como filosofia, porque isso lhes satisfaz à visão, mas cuja fibra moral não é suficientemente tocada para compreender as obrigações que a doutrina impõe aos que a assimilam. O homem velho ainda ali está presente, e a reforma de si mesmo lhes parece tarefa muito pesada, embora entre eles possam encontrar-se propagadores e zelosos defensores. (Pág. 198.)

105. Depois há as pessoas levianas, para quem o Espiritismo está todo nas manifestações. Extasiam-se ante o fenômeno, mas ficam frias ante uma consequência moral. (Págs. 198 e 199.)

106. Há, enfim, o número muito grande de espíritas mais ou menos sérios, que não puderam colocar-se acima dos preconceitos e do que dirão, retidos pelo medo do ridículo; aqueles que considerações pessoais ou de família, e interesses por vezes respeitáveis, de certo modo forçam a manter-se afastados. Não se pode querer muito deles, porque é preciso uma força de caráter, que não é dada a todos, para enfrentar a opinião em certos casos. (Pág. 199.)

107. O Espiritismo, advertiu Kardec, não tem o privilégio de transformar subitamente a Humanidade e, se a gente pode admirar-se de uma coisa, é do número de reformas que ele já operou em tão pouco tempo. Por que isso se dá? É que enquanto há indivíduos onde ele encontra o terreno preparado, noutros ele só penetra gota a gota, conforme a resistência que encontra no caráter e nos hábitos arraigados. (Pág. 199.)

108. Uma observação interessante é a da proporção dos adeptos segundo as categorias mencionadas. Diz o codificador do Espiritismo que naquele momento (meados de 1866) havia apenas 10% de espíritas completos, de coração e devotamento, 25% de espíritas incompletos, que buscavam mais o lado científico que o lado moral e 30% de espíritas levianos, somente interessados nos fatos materiais. Os demais seriam espíritas não confessos ou que se ocultam. (Pág. 200.)

109. Relativamente à posição social, dividindo-se as categorias em duas classes – ricos e trabalhadores –, o quadro seria este: em 100 espíritas da primeira categoria, haveria 5 ricos e 95 trabalhadores; na 2a categoria, 70 ricos para 30 trabalhadores; na 3a categoria, 80 ricos para 20 trabalhadores; na 4a, 99 ricos para 1 trabalhador. Sem dizer como esses números foram obtidos, Kardec explica que a diferença na proporção entre os que são ricos e os que não o são decorre do fato de que os aflitos acham no Espiritismo uma imensa consolação, que os ajuda a suportar o fardo das misérias da vida. “Assim”, diz Kardec, “não é surpreendente que, gozando mais benefício, o apreciem mais e o tomem mais a sério do que os felizes do mundo.” (Pág. 200.)

110. O que disse sobre a criação de uma caixa geral e de socorro, Kardec estendeu à ideia de se fundarem estabelecimentos hospitalares e outros, cuja manutenção exigiria pessoal capaz e suficiente e recursos financeiros vultosos, muito acima das possibilidades dos espíritas de seu tempo. Sua ideia muito clara era que se deviam investir recursos na propagação da doutrina espírita, porque onde as ideias espíritas penetram os abusos caem e o progresso se realiza. “É necessário”, diz ele, “empenhar-se, pois, em as espalhar: aí está a coisa possível e prática, a verdadeira alavanca, alavanca irresistível quando se tiver adquirido a força suficiente pelo desenvolvimento completo dos princípios e pelo número dos aderentes sérios.” (Pág. 201.)

111. Kardec indaga, então: “Por que, então, gastar energias em esforços supérfluos, em vez de as concentrar num ponto acessível e que seguramente deve conduzir ao objetivo?”  “Mil adeptos ganhos para a causa e espalhados em mil lugares diversos apressarão mais a marcha do progresso do que um edifício.” (Págs. 201 e 202.)

112. Considerando que um projeto de formação de uma caixa de socorro entre os espíritas de uma mesma localidade seria coisa viável – ou menos quimérica –, Kardec adverte que o Espiritismo não forma nem deve formar classe distinta, pois se dirige a todos, e por seu princípio deve estender a caridade indistintamente, sem inquirir da crença, porque todos os homens são irmãos. (Págs. 202 e 203.)

113. O codificador, encorajando as obras de beneficência coletiva, afirma que essas têm vantagens incontestáveis e, longe de as censurar, as incentivava. “Nós as conhecemos em Paris, nas Províncias e no Estrangeiro”, revelou Kardec. “Lá, membros dedicados vão a domicílio inquirir dos sofrimentos e levar o que às vezes vale mais do que os socorros materiais: as consolações e o encorajamento. Honra a eles, porque bem merecem do Espiritismo! Que cada grupo assim haja em sua esfera de atividade e todos juntos realizarão maior soma de bens do que uma caixa central quatro vezes mais rica.” (Págs. 203 e 204.)

114. Relatório dirigido ao Imperador pelo ministro da Agricultura, Comércio e Trabalhos Públicos, sobre o estado de alienação mental na França, publicado no Moniteur de 16/4/1866, desmentiu formalmente as acusações lançadas pelos adversários do Espiritismo, que eles acusavam de ser causa preponderante da loucura. A Revista transcreve os números, que indicam que 60% dos casos eram atribuídos a causas físicas. Entre os 40% atribuídos a causas morais, os pesares domésticos constituíam cerca de um quarto das ocorrências. (Págs. 204 a 210.)

115. Comentando a notícia, Kardec lembra que, entre as causas morais minuciosamente relatadas pelo ministro, o Espiritismo não figurava nominalmente, nem por alusão, o que constituía a mais peremptória resposta que se podia dar aos que acusam o Espiritismo de ser a causa preponderante da loucura. (Págs. 210 e 211.)

116. A Revista noticia o falecimento do literato e poeta Joseph Méry, morto em Paris aos 67 anos e meio de idade, em junho último. O Sr. Méry não era adepto do Espiritismo, mas espírita por intuição, porque, além de acreditar nos princípios da doutrina, afirmava com toda a convicção ter vivido em Roma ao tempo de Augusto, na Alemanha e nas Índias. (Págs. 211 a 214.)

 

Respostas às questões propostas

 

A. Que é que Kardec disse acerca da necessidade de propagação da doutrina espírita?

Ele entendia que se deviam investir recursos na propagação da doutrina espírita, porque onde as ideias espíritas penetram os abusos caem e o progresso se realiza. “É necessário – disse ele – empenhar-se, pois, em as espalhar: aí está a coisa possível e prática, a verdadeira alavanca, alavanca irresistível quando se tiver adquirido a força suficiente pelo desenvolvimento completo dos princípios e pelo número dos aderentes sérios.” “Mil adeptos ganhos para a causa e espalhados em mil lugares diversos apressarão mais a marcha do progresso do que um edifício.” (Revista Espírita de 1866, pp. 201 e 202.)

B. Kardec era favorável à fundação de obras de beneficência coletiva?

Sim. Ele as encorajava, afirmando que elas têm vantagens incontestáveis. “Nós as conhecemos em Paris, nas Províncias e no Estrangeiro”, revelou Kardec. “Lá, membros dedicados vão a domicílio inquirir dos sofrimentos e levar o que às vezes vale mais do que os socorros materiais: as consolações e o encorajamento. Honra a eles, porque bem merecem do Espiritismo! Que cada grupo assim haja em sua esfera de atividade e todos juntos realizarão maior soma de bens do que uma caixa central quatro vezes mais rica.” (Obra citada, pp. 203 e 204.) 

C. A que conclusão chegou o governo francês a respeito das causas da loucura?

Segundo relatório dirigido ao Imperador pelo ministro da Agricultura, Comércio e Trabalhos Públicos, sobre o estado de alienação mental na França, publicado no Moniteur de 16/4/1866, ficaram desmentidas formalmente as acusações lançadas pelos adversários do Espiritismo, que eles acusavam de ser causa preponderante da loucura. A Revista transcreveu os números, que indicam que 60% dos casos eram atribuídos a causas físicas e que, entre os 40% atribuídos a causas morais, os pesares domésticos constituíam cerca de um quarto das ocorrências. Ao comentar a notícia, Kardec lembrou que, entre as causas morais minuciosamente relatadas pelo ministro, o Espiritismo não figurava nominalmente nem por alusão, o que constituía a mais peremptória resposta que se podia dar aos que acusavam o Espiritismo de ser a causa preponderante da loucura. (Obra citada, pp. 204 a 211.)

 

 

Observação:

Para acessar a Parte 8 deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/09/revista-espirita-de-1866-allan-kardec_0965575060.html

 

 

 

  

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

terça-feira, 24 de setembro de 2024

 



As reais grandezas da vida já estão conosco

 (O fato é querer reconhecê-las)

 

CÍNTHIA CORTEGOSO

cinthiacortegoso@gmail.com

 

E as grandes coisas continuam sendo as mais simples. Quando só se espera algo grandioso que mudará a vida e etc. para ser feliz, infelizmente, o que apenas ocorrerá é que a vida passará. E disso se tem toda a certeza.

Analisando um dia vivido, muito provável de se ouvir que “foi apenas mais um dia” e, assustadoramente, muitas pessoas responderiam dessa forma mesmo. Porém... e o corpo cumprindo maravilhosamente as suas tarefas, a água para beber, o alimento, o ar animando os pulmões, os olhos, os órgãos, o céu, as flores, as árvores oxigenando tudo, os animais puros e graciosos, a nuvem, o sol e a lua também, os pássaros, as aves, toda informação acessível, um amigo, um livro, um familiar, todas as histórias, a consciência de que tudo se pode melhorar, o amparo de alguma forma, o próprio sorriso e o do outro, os simples desejos que se realizam, a música, a arte, a literatura, a esperança, a fé! Tudo isso é início da citação do que pode ocorrer num singelo dia.

A vida é infinitamente abençoada; é necessário humildade para reconhecer a sua magnificência, pois o orgulho cega o que é verdadeiro, justo e bom. Quanto antes nos colocarmos em nossa posição real, mais felicidade e admiração desabrocharão no interior. Isso não é um conselho, é somente a realidade. É preciso simplicidade de coração para alcançar os presentes reservados de um dia, imagine de uma existência... da eternidade.

Fato é que quando nos desprendermos um pouco do lado só terreno e vivermos mais o espiritual, ainda nesta vivência, certamente nos encantaremos com o vento, com os insetos coloridos, com os olhares, os sorrisos, as estrelas, as montanhas, as pequenas flores das montanhas, os beija-flores, as flores mosquitinhos brancos, a luz do vaga-lume, os cogumelos, a grama, os lindos traçados dos galhos das árvores, o arco-íris, a chuva após a estiagem e a chuva dos dias comuns, o olhar querido, o abraço carinhoso, a empatia, a resposta, a comida de mãe (tantas pessoas que se tornam mães sem nunca terem filhos), o amparo, a paz depois de uma agitação ou simplesmente a paz sempre, a joaninha tão linda e pequenina, os anjos, os espíritos amigos, a luz laranja do entardecer, as andorinhas, as pessoas simples e puras, os professores, a luz esperançosa do amanhecer.

E todas essas coisas e tanto mais são a grandeza da vida bondosamente nos presenteando em um dia, todos os dias. A única diferença em perceber tudo ou não ver nada é como o coração deseja viver, e cria-se a felicidade ou a sua ausência. Dependerá de como queremos a vida e se o livre-arbítrio é universal, virá a nós o que construímos. Sobre isso não se discute.

Se ainda assim for difícil aceitar a grandiosidade da vida, lembremo-nos de que Deus é o nosso Criador e de todo o Universo.

 

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

 



Conquista e liberdade

 

Irmão X (Espírito)

 

Quase todas as criaturas guardam ciosamente as disposições da avareza. Seja entre as possibilidades do dinheiro ou da inteligência, do favor público ou da autoridade, a tendência de amontoar caracteriza a maioria dos homens. O tirano congrega fâmulos e turiferários, como os magnatas monopolizam os grandes negócios materiais. Os pregadores, quase sempre, estimam os ouvintes, não pela qualidade, mas pelo número. Os escritores, em geral, sentem-se desvanecidos com as gentilezas da multidão. Não importa se o simpatizante de suas obras é algum êmulo de José do Telhado. Sabem apenas que a lista de seus leitores relaciona mais um. Madame de Staël reunia admiradores para a sua inteligência. Ninon de Lenclos arrebanhava adoradores para a sua beleza.

Minúsculos sóis revestidos de lama, quase todos os Espíritos encarnados exigem satélites para a sua órbita. Quanto maior a corte de pessoas, situações, problemas e coisas, maior importância atribuem a si mesmos. No entanto, em vista da exatidão da Contabilidade Divina, os conquistadores humanos convertem-se, aos poucos, em escravos das próprias conquistas. Exigem as grandes naus para singrarem o mar da vida, mas Deus, à medida que lhes satisfaz os caprichos, decuplica-lhes as obrigações e tormentos. Alexandre Magno, rei da Macedônia, submeteu a Grécia, venceu a Pérsia, conquistou o Egito, tomou Babilônia e morreu, atacado de febre maligna, aos trinta e três anos, dividindo-se-lhe o vasto império entre os generais de suas aventuras sangrentas. Napoleão Bonaparte, após distribuir coroas na Europa, improvisando príncipes e administradores, sob as volutas de incenso do poder, morre, melancolicamente, em Santa Helena, como fera acuada num cárcere defendido pela extensão do mar.

Nem todos passam no mundo agraciados pelo favor das armas, como Alexandre e Napoleão; todavia, copiando-lhes o impulso, quase todos os homens e mulheres da Terra são teimosos conquistadores a se mergulharem, cada dia, nas pesadas e angustiosas preocupações por novos troféus. Reclamam incessantemente mais tesouros, garantias, facilidades, distrações e prazeres. As aquisições a que se agarram, porém, efetuam-se no campo da morte. Intensificam a satisfação egoística do corpo jovem, obtendo a velhice prematura. Amontoam dinheiro para serem escravos de sua defesa.

Raríssimos Espíritos encarnados se recordam da conquista de si mesmos, na posse gradual da virtude santificante e da sabedoria libertadora. E é por isso que, terminada a lição carnal, penetram no pórtico do túmulo, como grandes desesperados, lastimando a perda do instrumento físico.

É necessário libertarmo-nos, para que compreendamos a liberdade. E, sem luz no coração, é impossível fugir ao jogo de sombra das conquistas exteriores. Não preconizamos a impassibilidade que alguns budistas aconselham, a distância dos ensinamentos reais do Gautama. Proclamamos a necessidade do trabalho das mãos com a iluminação do entendimento.

A morte esperará todas as criaturas em seu campo de verdade. E ao influxo de sua luz, devemos restituir ao mundo todos os patrimônios exteriores que ajuntamos, em nossa mania de conquistar ao inverso, revelando o que amontoamos, dentro de nós, para a verdadeira vida.

Terá bastante força a palavra dos mortos para despertar a consciência dos vivos? Não acredito. Mas se Jesus, que é o Divino Senhor da Humanidade, continua semeando a verdade e o bem, por que deixaríamos, nós outros, de semear?

O mundo de carne é vasta esfera, cheia de berços luminosos, onde a vida é provável, e repleta de sepulturas sombrias, onde a morte é fatal.

Bias, o sublime cidadão de Priena, viveu para a bondade e para a sabedoria, no serviço aos semelhantes. Filósofo eminente e sábio generoso, era o amigo de todas as classes, e nunca se escravizara às posses efêmeras, nem conspurcara a consciência ouvindo as sugestões do mal. Quando os soldados de Ciro ameaçavam a cidade com invasão e ruínas, seus compatriotas amealhavam, apressadamente, seus pequenos tesouros domésticos para a retirada. Homens e mulheres, velhos e crianças, atropelavam-se uns aos outros, tentando salvar, com êxito, as joias e haveres, os perfumes e tapetes custosos. Observando, porém, que o sábio se mantinha calmo e indiferente às inquietações da hora, interpelaram-no quanto à carga que deveria conduzir, mas, com espanto, ouviram-no informar: “Eu trago tudo comigo!” Guardava o nobre cidadão seus patrimônios inalienáveis de bondade, retidão e inteligência.

No supremo instante da morte, quando nos sitiam as armas invisíveis da realidade, ai daqueles que não puderem repetir a inesquecível informação do filósofo aos companheiros em desesperação!

A ignorância estabelece o cativeiro, mas a sabedoria oferece a liberdade. Se as conquistas do homem se restringem ao plano das aquisições externas, com o desconhecimento do caráter transitório da existência humana, chegado o momento decisivo em vão tentará carregar alfaias e adornos, vestuários e depósitos terrestres, porque, em verdade, não ficará pedra sobre pedra.

 

Do livro Lázaro redivivo, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

 

 

 


 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 



domingo, 22 de setembro de 2024

 



A caridade, a virtude por excelência, é o amor em ação

 

ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO

aoofilho@gmail.com

 

Em que difere a caridade da solidariedade?

Referindo-se à pergunta, uma leitora escreveu-nos:


Já busquei textos para ver se satisfazia essa dúvida e nada encontrei, porque há uma frase de Eduardo Galeano que me perturba: - Prefiro a solidariedade à caridade; a primeira seria horizontal e a segunda de baixo pra cima. Esta frase andou nas redes sociais na época das passeatas no Brasil, mas, por mais que eu pense, não consigo ver esta diferença que ele fala. Pra mim caridade é amor em ação, e quando tu te importas comigo, tu estás sendo solidário.

 

A frase que incomodou a leitora baseia-se na falta de compreensão do que significa a palavra caridade. Pelos mesmos motivos, há quem critique também a frase de Kardec Fora da caridade não há salvação, imaginando que o autor dessa frase estivesse referindo-se à esmola ou às doações de caráter material.

Muitas pessoas talvez tenham razão em pensar assim, mas os cristãos e, sobretudo, os espíritas não têm esse direito, porque o conceito de caridade está muito bem definido no Evangelho, nas cartas de Paulo e João e, de forma muito clara, na doutrina espírita.

Kardec reporta-se ao tema na questão 886 d´O Livro dos Espíritos e no cap. XV d´O Evangelho segundo o Espiritismo. Eis o conteúdo da mencionada questão:

 

886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Nota de Kardec: O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.

 

Do cap. XV, item 6, d´O Evangelho segundo o Espiritismo transcrevemos o seguinte texto ali inserido pelo codificador do Espiritismo:

 

“Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e a língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; - ainda quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. - E, quando houver distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria. A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas, a mais excelente é a caridade.” (Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, vv. 1 a 7 e 13.) [Negritamos]

 

Diz-nos J. Herculano Pires no cap. 1 do livro Astronautas do Além que “a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade”. Em face desse pensamento, não é difícil entender o significado do lema do Espiritismo consubstanciado na frase Fora da caridade não há salvação.

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 


sábado, 21 de setembro de 2024

 



Muitos oradores e palestrantes costumam, ao referir-se a si mesmos, utilizar o plural “nós” em vez do singular “eu”.

É o chamado plural de modéstia, visto que é realmente desagradável ouvir um orador ou um palestrante que a todo o momento utilize o pronome “eu” (Eu estive; eu apresentei; fui eu quem disse etc.)

Exemplos:

•   Nós estivemos no local. (Em vez de: Eu estive no local.)

•   Fomos nós quem apresentou o projeto. (Em vez de: Fui eu quem apresentou o projeto.)

•   Estamos indo agora falar com o presidente. (Em vez de: Estou indo agora falar com o presidente.)

Preciso é, porém, observar que, embora o verbo concorde com o pronome “nós”, o adjetivo aplicável ao sujeito da oração deve ficar no singular.

Exemplos:

•   Nós estamos atento (se for homem) ou atenta (se for mulher).

•   Nós nos sentimos honrado (se for homem) ou honrada (se for mulher).

•   Ficamos cansado (ou cansada) de tanto argumentar.

•   Fomos bem acolhido (ou acolhida) pelo público da cidade.

 

 

Observação:

Para acessar o estudo publicado no sábado anterior, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/09/uma-dedicatoria-lingua-portuguesa-por.html

 

 

 

  

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG

 

 


sexta-feira, 20 de setembro de 2024

 




A Caminho da Luz

 

Emmanuel

 

Parte 6

 

Damos prosseguimento ao estudo da obra A Caminho da Luz, de Emmanuel, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier em 1938 e publicada em 1939 pela Federação Espírita Brasileira.

Este estudo, que tem por base a 15ª edição da obra, é publicado sequencialmente sempre às sextas-feiras neste blog.

A seguir, o texto e as questões de hoje.

 

Texto-base para leitura e reflexão

 

96. Na verdade, a gênese de todas as religiões da Humanidade tem suas origens no coração augusto de Jesus, cuja ascendência na direção do orbe terrestre não pode ser ignorada. (P. 83)

97. No Manava-Darma encontramos a lição do Cristo; na China encontramos Fo-Hi, Lao-Tsé e Confúcio; nas crenças do Tibete, Buda; no Pentateuco, Moisés; no Alcorão, Maomé. Cada raça recebeu os seus instrutores, como se fosse Ele mesmo, em reencarnações sucessivas. (P. 84)

98. É por isso que todos os livros e tradições religiosas da antiguidade guardam, entre si, a mais estreita unidade substancial; todas se referem ao Deus impersonificável, e no tradicionalismo de todas palpita a visão sublimada do Cristo, esperado em todos os pontos do globo. (P. 84)

99. Os sacerdotes de todas as grandes religiões do passado supuseram, nos seus mestres e nos seus mais altos iniciados, a personalidade do Senhor, mas temos de convir que Jesus foi inconfundível. (P. 86)

100. Enquanto alguns deles foram ditadores de consciências, enérgicos e ferozes no sentido de manter e fomentar a fé, Jesus assinala a sua passagem pela Terra com o selo constante da mais augusta caridade e do mais abnegado amor; suas parábolas e advertências estão impregnadas do perfume das verdades eternas e gloriosas; a manjedoura e o calvário são lições maravilhosas e seus exemplos constituem um roteiro de todas as grandiosas finalidades, no aperfeiçoamento da vida terrestre. (PP. 86 e 87)

101. As pessoas incapazes de compreendê-lo podem alegar que suas fórmulas verbais eram antigas e conhecidas, mas ninguém poderá contestar que a sua exemplificação foi única, até agora, na face da Terra. (P. 87)

102. Examinando a maioridade espiritual das criaturas humanas, Jesus enviou-lhes, antes de sua vinda ao mundo, numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes, aptos a consolidar, de modo definitivo, essa maturação do pensamento terrestre. (P. 89)

103. É por isso que vemos, nos cinco séculos anteriores à vinda do Cordeiro, uma aglomeração de inúmeras escolas políticas, religiosas e filosóficas dos mais diversos matizes, em todos os pontos do globo. (P. 90)

104. Muitas teorias científicas, em voga em nossa época, foram conhecidas da Grécia; o conflito moderno entre os Estados totalitários, fascistas ou comunistas e as repúblicas democráticas lembra-nos Atenas e Esparta -- esta insulada, fechada em si mesma; aquela, democrática, amante da liberdade. (PP. 90 e 91)

105. Atenas, ao contrário de Esparta, foi o berço da verdadeira democracia; seus legisladores, como Sólon, eram filósofos e poetas, e seus sistemas sociais protegiam as classes pobres e desvalidas, acolhiam os estrangeiros, e fomentavam o trabalho, o comércio, as indústrias... (P. 91)

106. Foi em Atenas que começou o verdadeiro regime de consulta à vontade do povo, que decidia, em assembleias numerosas, todos os problemas da cidade venerável. (P. 92)

107. Ao influxo do coração do Cristo, toda a Grécia se povoou de artistas e pensadores eminentes, no quadro das filosofias e das ciências. (P. 92)

108. O século de Péricles espalhou os mais soberbos clarões espirituais nos horizontes da Terra e poucas fases da evolução europeia se aproximaram desse século maravilhoso. (P. 93)

109. Jesus envia então às sociedades do globo auxiliares valorosos, como Ésquilo, Eurípedes, Heródoto, Tucídides e, por fim, a extraordinária personalidade de Sócrates, que, superior a Anaxágoras, seu mestre, veio ao mundo aureolado pelas mais divinas claridades espirituais, no curso de todos os séculos planetários. (P. 93)

110. Nas praças públicas, Sócrates ensina à infância e à juventude o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem, lançando as sementes generosas da solidariedade, mas Atenas não consegue suportar a lição. (P. 94)

111. Acusado de perverter os jovens, ele é preso e humilhado, mas não se acovarda diante das provas rudes que culminariam com sua morte. (P. 94)

112. O grande filósofo, precursor dos princípios cristãos, deixou vários discípulos, dos quais se destacaram Antístenes, Xenofonte e Platão, mas nenhum deles soube assimilar perfeitamente a estrutura moral do mestre inesquecível. (P. 95)

113. Platão, por exemplo, misturou a filosofia pura do mestre com a ganga das paixões terrestres, enveredando algumas vezes por complicados ca­minhos políticos; contudo, não deixou de cultivar alguns dos princípios cris­tãos legados pelo grande mentor, antes de entregar sua tarefa doutrinária a Aristóteles, que também iria trabalhar pelo advento do Cristianismo. (P. 95)

114. A condenação de Sócrates foi uma dessas causas transcendentes de dolorosas e amargas provações coletivas, para todos os que dela participaram. É por isso que, mais tarde, o povo nobre e culto de Atenas forneceria escra­vos valorosos e sábios aos espíritos agressivos e enérgicos de Roma. (P. 96) (Continua no próximo número.)

 

Questões para fixação do estudo

 

A. Onde surgiram as primeiras organizações religiosas da Terra?

Elas tiveram sua origem entre os povos primitivos do Oriente, aos quais Jesus enviava periodicamente seus mensageiros e missionários. Os Vedas, que contam mais de seis mil anos, falam a respeito da sabedoria dos Sastras, ou grandes mestres das ciências hindus, que os antecederam de mais ou menos dois milênios. A gênese de todas as religiões da Humanidade tem, como se vê, suas origens no coração augusto de Jesus, cuja ascendência na direção do orbe terrestre não pode ser ignorada. (A Caminho da Luz, págs. 81 a 83.)

B. Que cidade é considerada o berço da verdadeira democracia em nosso mundo?

Atenas. Foi nela que começou o verdadeiro regime de consulta à vontade do povo, que decidia, em assembleias numerosas, todos os problemas da cidade venerável. (Obra citada, págs. 91 e 92.)

C. Que é que Sócrates ensinava à infância e à juventude?

O grande filósofo ensinava à infância e à juventude o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem, lançando as sementes generosas da solidariedade. Apesar disso, acusado de perverter os jovens, foi preso e humilhado, mas não se acovardou diante das provas rudes que culminariam com sua morte. (Obra citada, pág. 94.)

 

 

Observação:

Para acessar a 5ª Parte deste estudo, publicada na semana passada, clique aqui: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2024/09/a-caminho-da-luz-emmanuel-parte-5-damos.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

To read in English, click here:  ENGLISH
Para leer en Español,  clic aquí:  ESPAÑOL
Pour lire en Français, cliquez ici:  FRANÇAIS
Saiba como o Blog funciona clicando em COMO CONSULTAR O BLOG