sexta-feira, 8 de julho de 2016

Correio mediúnico



Removendo obsessões

Albino Teixeira

Existem dez atitudes positivas contra o domínio da obsessão, a saber:
- confiança em Deus e em si próprio;
- consciência tranquila;
- oração;
- dever cumprido;
- paciência;
- trabalho incessante;
- serviço ao próximo;
- simpatia e benevolência para com os outros;
- estudo;
- recomeço de construção do próprio equilíbrio, tantas vezes quantas se fizerem necessárias.
E há dez atitudes negativas, que agravam qualquer processo de perturbação espiritual, como sejam:
- dúvida;
- complexo de culpa;
- indiferença;
- irresponsabilidade;
- irritação;
- ociosidade;
- egoísmo;
- isolamento;
- ignorância;
- queixa contínua.
Acomodar-se a qualquer das situações referidas depende da escolha de cada um; no entanto, ao enunciar semelhantes conceitos, temos em mira simplesmente recordar a palavra de Allan Kardec, no item 4, do Capítulo XXV, de O Evangelho segundo o Espiritismo, quando nos adverte:
- Não, os Espíritos não vêm isentar o homem da lei do trabalho; vêm unicamente mostrar-lhe a meta que lhe cumpre atingir e o caminho que a ela conduz, dizendo-lhe: - Anda e chegarás; toparás com pedras; olha e afasta-as tu mesmo.

Do livro Escultores de Almas, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.



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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pérolas literárias (158)



No celeiro da prece

 Múcio Teixeira

Nevoeiro... Torpor... Eis que a treva se adensa.
E na senda abismal, sem luz que a reconforte,
Vagueia a multidão dos viajores da morte,
Sob rude aquilão na treva espessa e imensa.

Trazem na mente em sombra a insensatez sem norte,
O vício, a usura, a inveja, a maldade e a descrença,
O desencanto, o fel... e tudo o que condensa
A dor de quem viveu no escárnio à própria sorte.

Irmãos que partilhais os dons da escola humana,
Vinde à prece e ajudai a triste caravana
Em desesperação no caminho inseguro!...

E aprendei, desde agora, a servir cada instante,
Preparando no bem luminoso e incessante
A glória do presente e a ascensão do futuro.


Do livro Vozes do Grande Além, obra mediúnica recebida psicofonicamente pelo médium Francisco Cândido Xavier.



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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pílulas gramaticais (212)



Um leitor pede-nos uma explicação inteligível a propósito da palavra “através”.
Trata-se uma tarefa complexa, tal a frequência com que essa palavra é utilizada – muitas vezes de forma errônea – em nosso meio.
Segundo os dicionários, “através” é um advérbio que significa: de lado a lado; atravessadamente; transversalmente. Unido à preposição “de”, forma a locução “através de”, que significa: de um para outro lado de; por entre; no decurso de; por intermédio de.
Eis algumas frases em que a palavra está corretamente empregada:
1. João espiava a rua através da vidraça.
2. Daqui é possível enxergar a cidade através de binóculos.
3. Na excursão pelo sertão, passamos através de rios e montanhas.
4. Meu sobrinho mantém o bom humor através de todos os percalços que a vida lhe tem apresentado.
5. O frio era tão intenso que só víamos a neve através da janela.
6. Meu avô foi vencendo os óbices através das idades.
7. Através de anos e anos ele continuou sendo para todos um exemplo admirável.

*

Constitui um erro usar a locução “através de” na formação do agente da passiva, que em nosso idioma se expressa pela preposição “por” e, às vezes, pela preposição “de”. Esse pensamento é corroborado pelo respeitado gramático Napoleão Mendes de Almeida.
Estão, portanto, erradas as frases abaixo:
1. A obra foi psicografada através de Chico Xavier.
2. A letra dessa música foi escrita através de Caetano.
3. O cheque foi enviado através do Banco do Brasil.
4. O gol foi marcado através do Fred.
5. A notícia foi dada através do rádio.
6. O telegrama foi enviado através da agência central dos correios.
Obedecendo à orientação dos estudiosos do idioma, as seis frases deveriam ser grafadas desta forma:
1. A obra foi psicografada por Chico Xavier.
2. A letra dessa música foi escrita por Caetano.
3. O cheque foi enviado pelo Banco do Brasil.
4. O gol foi marcado pelo Fred.
5. A notícia foi dada pelo rádio.
6. O telegrama foi enviado pela agência central dos correios.



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terça-feira, 5 de julho de 2016

Contos e crônicas



O espírito e o sol desejam conquistar o horizonte

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Devido ao crescimento natural do espírito, a contínua busca é evidente. E assim deve ser. Quando a estagnação se observa é por que a fé, a vontade, a compreensão, a esperança, a alegria, a energia de progresso deixaram de, por enquanto, pulsar no coração da centelha, porém, se esses sintomas começarem a se unir, por favor, voltemo-nos à prece ao Pai, Ele sempre nos ouve.
Cada um procura o seu caminho e nenhum é igual, cada um é único, como também única é a centelha em meio a milhares incontáveis. O que antes era necessário agora talvez não possua mais efeito, logo, junto com os objetivos vêm as conquistas e o extraordinário desenvolvimento. E como cada um possui seu universo, cada etapa cumprida é imensamente valiosa para o seu conquistador e deve ser respeitada pelos companheiros, pois o que é fácil para um pode ser ainda muito penoso para outro, dependerá sempre do grau evolutivo, no entanto, há algo que em todo estágio será primoroso: o respeito.
Como o amanhecer, desejoso de um novo dia, o espírito, implícita ou explicitamente, também almeja o progresso em sua evolução, ele quer luz, paz, amor, felicidade, ele quer suas asas livres para voar e essa liberdade nasce no interior, quando a consciência está calma e plena com seus compromissos e com a vontade de melhorar-se.
As flores, de pequeninas sementinhas, passam a plantinhas, crescem com vontade, pois necessitam de muita força e determinação diante das intempéries possíveis no decorrer de sua estada nos campos, jardins, terrenos, canteiros, florestas, parques ou qualquer outro lugar onde elas possam se desenvolver. E a cada fase conquistada e vivida, elas agradecem, emocionadas, a Deus, pois quanto mais se desenvolvem, mais próximas do céu, elas ficam. A criança também compreende sua conquista quando o adulto a parabeniza e, principalmente, pela emoção sentida; somos centelhas muito antigas, sabemos o que é certo e bom.
Quanto mais aproximado do propósito a cumprir-se, mais em paz o coração se sentirá. É realmente assim. Quanto mais bem direcionado, mais harmonia e felicidade, mais corações alegres e trabalhos realizados. E tudo possui o seu tempo; a sabedoria divina nos explica que só haverá a mudança de degrau quando o pé de apoio estiver amparado, quando, de fato, o aluno ter assimilado a lição sem nenhuma insegurança.
Como a eternidade é o tempo que nos resta, devemos aproveitar com valorização e agradecimento todas as etapas, desde as mais simples até as mais complexas. Caso seja necessário o refazimento de alguma, que a alegria e a humildade possam apoiar o eterno coração de tantas etapas já conquistadas e de incontáveis outras a conquistar. Seremos sempre a soma de nossas ações, e como seres perfectíveis, a melhoria é imprescindível; e como inteiramente responsáveis, somos antes ou mais tarde o resultado feliz ou sofrido de cada atitude.
E a procura do progresso deve ser contínua, pois é para frente que os nossos olhos e o coração estão voltados. Momentos difíceis existirão; os felizes, também, mas nada é maior do que saber que o Pai Divino nos criou para a vitória de um dia sermos espíritos com pureza, amor, luz, bondade também para o amparo dos irmãos que como hoje ainda estamos, pois nenhuma conquista valerá se for exclusivamente vivida individual, nenhuma recompensa será valiosa se outros corações não se beneficiarem e sentirem a paz que faz enxergar a vida com a essência sublime que ela possui.
Pois bem, as nobres conquistas também devem ser radiantes para outros corações, pois se há nobreza há o desejo natural de compartilhamento e onde houver a bondade haverá também os olhos do Mestre que tão extraordinariamente conquistou suas etapas pensando mais no ensinamento deixado para os tão pequeninos irmãos, entretanto, todos a caminho da luz.
E o sol também sempre deseja conquistar o horizonte.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/




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segunda-feira, 4 de julho de 2016

As mais lindas canções que ouvi (197)



Fogo de saudade

Sombrinha e Adilson Victor

Dentro do meu ser
Arde uma paixão,
Fogo de saudade
Invade o coração.
Foi sem perceber
Que o amor chegou,
Sem nem mais porquê,
A luz se apagou.

E sendo assim
A minha voz não vou calar,
Desejo sim
Que um novo sol venha brilhar.
Quem ama pra valer
Do amor se fortalece
Não fiz por merecer,
A dor que me entristece.

E sendo assim
A minha voz não vou calar,
Desejo sim
Que um novo sol venha brilhar.
Só quero meu lugar
Nas asas dessa ilusão
Que tanto me fez chorar...



Você pode ouvir a canção acima, na voz dos intérpretes abaixo, clicando nos links indicados:
Sombrinha e grupo Revelação - https://www.youtube.com/watch?v=uy4Qbmt8dLw




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domingo, 3 de julho de 2016

Reflexões à luz do Espiritismo



De que vale a fé quando inoperante?

É sabido, entre os cristãos, que Martinho Lutero, ao referir-se à Epístola de Tiago, um dos livros que compõem o Novo Testamento, chamou-a, pejorativamente, de “epístola de palha”. Um dos motivos é que ela seria contrária às ideias de Paulo relativas à justificação pela fé e não teria, na visão de Lutero, a necessária fundamentação no Evangelho.(1)
Antes de comentar o assunto, lembremos o que Tiago escreveu no cap. 2 de sua epístola:
“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?
E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano,
E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?
Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tiago, 2:14-18.)
No cap. XV d´O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Fora da caridade não há salvação”, Allan Kardec inseriu, logo na abertura, duas conhecidas parábolas contadas por Jesus.
A primeira é popularmente chamada de Parábola do Juízo Final (Mateus, cap. XXV, vv. 31 a 46). A segunda é a Parábola do Bom Samaritano (Lucas, cap. X, vv. 25 a 37).
Ambas tratam do tema salvação, que é tão caro aos teólogos cristãos e aos religiosos em geral, embora seu significado para protestantes, evangélicos e católicos seja bem diferente do que, sobre o assunto, entendem os espiritistas.
Nas duas parábolas Jesus destaca a importância da ação do bem e das obras de caridade como ingredientes fundamentais à chamada salvação.
Na primeira, o Senhor diz aos que chama benditos de meu Pai:
Tive fome e me destes de comer...
Tive sede e me destes de beber...
Careci de teto e me hospedastes...
Estive nu e me vestistes...
Achei-me doente e me visitastes...
Estive preso e me fostes ver...
Na segunda, o Mestre relata-nos como um exemplo a ser seguido:
Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu em poder de ladrões, que o despojaram, cobriram de ferimentos e se foram, deixando-o semimorto. Um samaritano que viajava, chegando ao lugar onde jazia aquele homem e tendo-o visto, foi tocado de compaixão. Aproximou-se dele, deitou-lhe óleo e vinho nas feridas e as pensou; depois, pondo-o no seu cavalo, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.  No dia seguinte tirou dois denários e os deu ao hospedeiro, dizendo: Trata muito bem deste homem e tudo o que despenderes a mais, eu te pagarei quando regressar...
Não existe, em todas as epístolas que compõem o Novo Testamento, nenhuma que possua tão grande afinidade com o pensamento de Jesus quanto a que escreveu Tiago.(2)
Chamá-la de “epístola de palha” oculta certamente outros motivos e produz, com toda a certeza, consequências danosas à evolução espiritual dos que adotam semelhante ideia. É também provável que esteja nesse fato a razão pela qual as religiões protestantes em geral, incluindo aí as chamadas igrejas evangélicas, não têm dado às obras e à caridade evangélica a ênfase que elas merecem e que Jesus, com toda a clareza, destacou nas parábolas a que nos reportamos.
Como acertadamente ensina o Espiritismo, Jesus nos mostrou que a salvação se processa, sim, através do amor em ação e não por meio simplesmente de uma fé inoperante que, tal qual uma árvore estéril, não produz frutos.

(1) Sobre a crítica de Lutero à epístola de Tiago, confira:
(2) Sobre o assunto leia:



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sábado, 2 de julho de 2016

Destaques da semana da revista “O Consolador”



Já pode ser lida na Web a edição deste domingo (3 de julho) da revista O Consolador.
A seguir, os destaques da edição, que são postados neste blog sempre aos sábados, exatamente às 17 horas, como fazemos neste instante:

Destaques da edição 472

Já está na Web a edição do dia 3 de julho da revista O CONSOLADOR.

Paulo Renato Ferreira, confrade radicado em Americana (SP), é o nosso entrevistado.

Paulo Neto conclui nesta edição o Especial “Teodora teria matado 500 prostitutas?”

Divaldo Franco foi a atração do aniversário da associação “O Semeador”, de Alphaville.

“Em torno da dor” é o título e o tema do nosso editorial.

Saiba o que ocorre nesta semana no movimento espírita brasileiro.

Anote e acompanhe os eventos espíritas internacionais desta semana.

Onde se radica o egoísmo e quais os seus efeitos sobre a sociedade?

Em julho/1869 surgiu O Eco d'Além-Túmulo, o primeiro jornal espírita brasileiro.

Por que o caminho do bem é tão laborioso e difícil?

Por quem e quando foi fundada a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas?

Altamirando Carneiro: “Morte é vida.”

Meimei: “Os trabalhadores da última hora.”

“Defesa da Vida e Brasil sem Aborto - 10 anos.” (Antonio Cesar Perri de Carvalho)

O túmulo é o ponto final da existência? 

Meu pai faleceu faz 2 anos e o espírito dele ainda continua na casa! Que devo fazer?

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo: “Sete belas lógicas.”

“Ante as crises do mundo” – que nos propõe Emmanuel?

“Podemos fazer prosélitos? O que Kardec fala a respeito.” (Arnaldo Ramos de Oliveira)

Por que, na cura da depressão, o trabalho é fundamental?

“A discípula” – eis uma linda história contada por Nina (Espírito).

“O homem morre uma vez só, mas seu espírito imortal jamais morre.” (José Reis Chaves)

Chico Xavier na Penitenciária de São Paulo – veja o que aconteceu.

“Parábola dos Trabalhadores da Vinha.” (Leda Maria Flaborea)

Qual é, fora do conceito espírita, o significado original da palavra umbral?

Mapa Mundi do Esperanto: inscreva-se e logo aparecerá no mapa.

“Conduta espírita na internet.” (Marcos Paulo de Oliveira Santos)

Carmen Cinira: “Uma simples palavra traz a vida... Uma simples palavra traz a morte...”

“Coerência doutrinária.” (Rogério Coelho)




Visite, quando e se você puder:
blog 
Espiritismo Século XXI – http://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com.br/
perfil no 
Facebook - https://www.facebook.com/astolfoolegario.oliveirafilho
jornal 
O Imortal http://www.oconsolador.com.br/linkfixo/oimortal/principal.html
editora - 
EVOC - Editora Virtual O Consolador http://goo.gl/rHbNUU
revista 
O Consolador http://www.oconsolador.com





Contos e crônicas



Machado e as fraudes em concursos públicos

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Em meados do século XIX, eu era muito procurado por candidatos a concursos públicos, avaliados pela Escola de Promoção e de Seleção de Eventos (EPSE), para denunciar, na Gazeta de Notícias, as injustiças cometidas por essa instituição pública na correção de suas notas.
Nesse tempo, um dos mais notáveis advogados do Rio de Janeiro, que era meu amigo, costumava elaborar petições ao Ministério Público refutando os critérios de avaliação da EPSE. Entretanto... Deus, ó Deus! Envia novamente teu anjo Gabriel para esclarecer os ímpios de que Tu vês as suas falcatruas e alertá-los de que “nada há de encoberto, sobre a face da Terra, que um dia não seja descoberto”. O MP, entretanto, alegava não caber à justiça julgar os atos da Administração pública relacionados a critérios de avaliação de candidatos em seus concursos.
Pois bem, um dia, o presidente da escola, pressionado por meu amigo, resolveu mudar seus procedimentos avaliativos e atender os inúmeros reclamos de concursados sobre a falta de critérios avaliativos. O que para um avaliador merecia nota dez, para seu colega era zero certo. Desse modo, contratou-se um advogado, também de renomada, mas duvidosa reputação, com o fito de realizar estudos estabelecendo procedimentos equânimes nas correções textuais.
A partir desse dia... Misericórdia, Senhor! os candidatos deveriam abordar noções específicas relacionadas a um tema proposto, sem saberem quais dessas ideias tinham a obrigação de mencionar na redação. Desde então, as autoridades corruptas descobriram a fórmula mágica para aprovar todos os seus medíocres e não menos desonestos futuros servidores públicos, do ascensorista de elevador ao procurador da República.
Como isso era possível, Machado? Perguntará a curiosa leitora, e a resposta é simples: bastava-lhes informar, previamente, a seus protegidos quais eram as três ideias a serem expressas na redação e propor-lhes uma conclusão decorrente dessas noções.
Findo o concurso, para a avaliação dos textos, os professores indicados a esse mister receberiam um “gabarito” com a informação sobre a imposição de se enfocar aqueles tópicos. Desse modo, após preenchidas 70% das vagas com os “iluminados”, os 30% restantes de seres normais que aleatoriamente se aproximassem das “respostas previstas” completariam as vagas.
Essa foi a origem da expressão “apadrinhamento político”.
Quer um exemplo de como isso era feito? Em 1850, foi proposto o seguinte tema para preenchimento de vagas no Ministério da Fazenda: Escravidão, um bem ou um mal para o Brasil?
Agora leia, leitora amiga, o esquema conhecido apenas por 70% “eleitos pelo anjo Gabriel” e bem treinados para desenvolvê-lo com variações parafrásticas:
Introdução do primeiro parágrafo: “Antiguidade da servidão como justificativa à sua manutenção e benefícios para a produção agrícola, devido ao baixo custo dessa mão de obra”.
Desenvolvimento do segundo e terceiro parágrafos: 1. “Ruína financeira causada aos grandes fazendeiros, caso a escravidão fosse abolida”. 2. “Marginalização dos indivíduos libertos e desordem social causada por eles, devido ao aumento do número de desocupados nas ruas”.
Conclusão “esperada”: A escravidão é um bem imensurável para o Brasil e para os cidadãos. Para o nosso país, por elevar a produção agrícola, favorecendo a alimentação de qualidade do seu povo e a exportação dos excedentes. Para o cidadão, porque ela evita a vagabundagem e o crime, em consequência de uma atividade digna, pois “o trabalho move o mundo”.
Imagina, então, leitora indignada, o lucro dos donos de cursinhos participantes do esquema e como a “politicalha” engorda as contas dos bancos suíços. Não há nada de novo sob o Sol, diz o Eclesiastes. Concorda comigo, leitor?
Nesse esquema, as mais brilhantes redações abolicionistas receberiam nota zero.





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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Correio mediúnico



Adeus, grupo

Hilário Silva

É sabido que o pessoal das trevas desenvolve grandes atividades no plano espiritual ligado ao plano físico, aí efetuando muitas reuniões.
Num encontro desses, que nós mesmos presenciamos, um chefão das forças do desequilíbrio buscava o pronunciamento de algumas dezenas de assessores e assalariados.
O tema em exame era a destruição de um grupo de tarefas espíritas cristãs, cujas funções se iniciariam.
Fornecemos aqui um resumo do entendimento havido, relacionando sugestões de vários dos irmãos infelizes e as respostas do inteligente diretor do referido trevoso simpósio:
– Podemos atacar os componentes da equipe com moléstias imaginárias...
– Isso não adianta. Existe presentemente no mundo, vasto número de estudiosos com a possibilidade de anular hipnoses e sanar obsessões.
– Detonaremos calúnias e injúrias sobre os associados...
– Não dará resultado – comentou o chefe – porquanto na atualidade os seguidores do Evangelho de Jesus estão progredindo no perdão das ofensas.
– Atiraremos filhos e netos contra os pais e avós...
– Também não. Sabemos que os pais e os avós costumam trazer o coração mole e passam facilmente por cima de qualquer ingratidão dos descendentes.
– Aumentaremos as tentações das posses e riquezas...
– Este argumento não cabe aqui. As leis evoluíram e as posses e as riquezas na Terra estão fiscalizadas e prejudicadas por impostos e exigências coercitivas.
– Faremos a desarmonia entre os casais, arremessando as esposas contra os maridos e os maridos contra as esposas...
– É inútil. Os homens e as mulheres sempre encontram parceiros para reajustes e acomodações.
Os pareceres prosseguiam acesos, quando um dos presentes falou, sorrindo:
– Tenho um plano que dará certo, segundo creio...
A turma se colocou atenciosamente na escuta e o esperto interlocutor continuou:
– Vocês todos sabem que os cristãos reencarnados, incluindo os espíritas, são pessoas semelhantes a nós mesmos, pelas tendências inferiores e pelos sentimentos imperfeitos que carregam. A única diferença entre eles e nós é a de que estão fazendo pela própria regeneração, tentando isso com muitas dificuldades. E todos nós, por aqui, estamos informados nos tempos últimos de que os chamados movimentos de fofocagem são altamente produtivos em desunião. A fofoca é invenção nossa, traduzindo zombaria em torno das criaturas, a fim de impedir-lhes o avanço na direção do aperfeiçoamento que não temos. Nós aqui somos capazes de repelir qualquer inteligência que nos ponha os defeitos à mostra. Brigamos, protestamos e, se preciso, vamos à pancadaria e ao pugilato. Pois, entre os espíritos reencarnados, a situação é a mesma... Faça-se a empresa de fofocagem e coloquemos o pessoal nos testes do melindre e estejamos convencidos de que esses companheiros mergulhados em sonhos de renovação não se aguentam juntos. Vendo-se apontados nas deficiências de que são portadores, não se tolerarão e “Adeus, Grupo”... Sugiro a fofocagem... A fofocagem não falha...
O chefão das trevas desferiu enorme gargalhada, em sinal de aprovação e anunciou em voz alta:
– Muito bem... Estamos nessa...
Em poucas semanas, os amigos que se iniciavam em serviço de elevação na vida interior estavam desgostosos, infelizes e a palavra de todos parecia untada de fel e recheada com vinagre, nas queixas recíprocas.
A agremiação nascente não chegou a ser fundada em definitivo e nós, os observadores do assunto, fomos obrigados a repetir com o matreiro obsessor: – “Adeus, Grupo...”

Do livro Tende bom ânimo, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.




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