Pensamento e vida
Emmanuel
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Quando fugimos ao dever, precipitamo-nos no sentimento de culpa, do qual se origina o remorso, com múltiplas manifestações, impondo-nos brechas de sombra aos tecidos sutis da alma.
E o arrependimento, incessantemente fortalecido pelos
reflexos de nossa lembrança amarga, transforma-se num abscesso mental, envenenando-nos,
pouco a pouco, e expelindo, em
torno, a corrente miasmática de nossa vida íntima, intoxicando o hausto
espiritual de quem nos desfruta o convívio.
À feição do ímã,
que possui campo magnético específico, toda criatura traz consigo o halo ou aura
de forças criativas ou destrutivas que lhe marca a índole, no feixe de raios
invisíveis que arroja de si mesma. É por
esse halo que estabelecemos as nossas ligações de natureza invisível nos
domínios da afinidade.
Operando a onda
mental em regime de circuito, por ela incorporamos, quando moralmente
desalentados, os princípios corrosivos que manam de todas as Inteligências,
encarnadas ou desencarnadas, que se entrosem conosco no âmbito de nossa
atividade e influência.
Projetando as
energias dilacerantes de nosso próprio desgosto, ante a culpa que adquirimos,
quase sempre somos subitamente visitados por silenciosa argumentação interior
que nos converte o pesar, inicialmente alimentado contra nós mesmos, em mágoa e
irritação contra os outros.
É que os reflexos
de nossa defecção, a torvelinharem junto de nós, assimilam, de imediato, as
indisposições alheias, carreando para a acústica de nossa alma todas as
mensagens inarticuladas de revolta e desânimo, angústia e desespero que
vagueiam na atmosfera psíquica em que respiramos, metamorfoseando-nos em
autênticos rebelados sociais, famintos de insulamento ou de escândalo, nos
quais possamos dar pasto à imaginação virulada pelas mórbidas sensações de
nossas próprias culpas.
É nesse estado
negativo que, martelados pelas vibrações de sentimentos e pensamentos doentios,
atingimos o desequilíbrio parcial ou total da harmonia orgânica, enredando
corpo e alma nas teias da enfermidade, com a mais complicada diagnose da
patologia clássica. A noção de culpa, com todo o séquito das perturbações que
lhe são consequentes, agirá com os seus reflexos incessantes sobre a região do
corpo ou da alma que corresponda ao tema do remorso de que sejamos portadores.
Toda deserção do
dever a cumprir traz consigo o arrependimento que, alentado no espírito, se faz
acompanhar de resultantes atrozes, exigindo, por vezes, demoradas existências
de reaprendizado e restauração.
Cair em culpa
demanda, por isso mesmo, humildade viva para o reajustamento tão imediato
quanto possível de nosso equilíbrio vibratório, se não desejamos o ingresso
inquietante na escola das longas reparações.
É por essa razão
que Jesus, não apenas como Mestre Divino, mas também como Sábio Médico, nos
aconselhou a reconciliação com os nossos adversários, enquanto nos achamos a
caminho com eles, ensinando-nos a encontrar a verdadeira felicidade sobre o alicerce
do amor puro e do perdão sem limites.
Nota: O livro Pensamento e vida, psicografado pelo
médium Chico Xavier, foi publicado inicialmente pela editora da FEB em 1958.
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