Por que evangelizar as crianças é importante?
ASTOLFO O. DE OLIVEIRA FILHO
Uma leitora de Belo Horizonte (MG) enviou-nos as
seguintes perguntas:
·
Por
que é importante evangelizar nossos filhos?
·
Quando
a evangelização infantil deve ser iniciada?
·
Onde
a evangelização da criança deve ser realizada?
O tema suscitado pela leitora tem sido objeto na
imprensa espírita de inúmeras matérias, mas, dada a sua importância, é sempre
bom voltar a ele, buscando dessa forma esclarecer as pessoas que se interessam
realmente em se aprofundar no conhecimento da doutrina espírita.
Eis a nossa resposta, na ordem em que as questões
foram apresentadas:
a) Por que é
importante evangelizar nossos filhos?
O primeiro e principal motivo é o fato de que a
criança é um Espírito que está voltando a uma nova experiência reencarnatória e,
como todos nós, traz qualidades e também imperfeições e inclinações que
necessitam ser aprimoradas. Nesse desiderato, nada supera o que Jesus nos ensinou,
como Allan Kardec registrou de forma clara logo na Introdução d’O Evangelho segundo o Espiritismo:
“Podem dividir-se em cinco
partes as matérias contidas nos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo;
os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para
fundamento de seus dogmas; e o ensino moral.
As quatro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última, porém,
conservou-se constantemente inatacável.
Diante desse código divino, a
própria incredulidade se curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se,
estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças,
porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e
por toda a parte se originaram das questões dogmáticas. Aliás, se o
discutissem, nele teriam as seitas encontrado sua própria condenação, visto
que, na maioria, elas se agarram mais à parte mística do que à parte moral, que
exige de cada um a reforma de si mesmo.
Para os homens, em particular,
constitui aquele código uma regra de proceder que abrange todas as
circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas
as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. E, finalmente e
acima de tudo, é o roteiro infalível
para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos
oculta a vida futura. Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra.” (O Evangelho segundo o Espiritismo,
Introdução, parte I.) (Negritamos.)
O ensino moral contido nos Evangelhos é, segundo o
codificador da doutrina espírita, o roteiro
infalível para a felicidade! Ora, transmitir a uma criança esse ensino e
educá-la convenientemente para que o assimile e pratique, eis uma providência
sobre a qual nada mais é preciso dizer, se é que desejamos para os nossos
filhos que eles trilhem na vida o caminho da felicidade.
2. Quando a
evangelização infantil deve ser iniciada?
Ela deve ser iniciada na infância, um período da
existência corpórea que existe exatamente para isso, para que possamos preparar
nossos filhos com relação às lutas, às peripécias e aos desafios que enfrentarão
em sua nova experiência reencarnatória.
A respeito desse período, Emmanuel escreveu:
"A juventude pode ser comparada a esperançosa saída de um barco para uma
longa viagem. A velhice será a chegada ao porto. A infância é a preparação".
(Negritamos.)
Aprendemos com o Espiritismo que durante a infância
o Espírito “é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe
auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de
educá-lo". (Cf. O Livro dos
Espíritos, item 383.) Corroborando esse pensamento, Emmanuel asseverou:
"O período infantil é o
mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos. Até os
sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova
existência. Ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria
orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isto, mais vivas,
tornando-se mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho.
Passada a época infantil, atingida a maioridade, só o processo violento das provas
rudes, no mundo, pode renovar o pensamento e a concepção das criaturas,
porquanto a alma encarnada terá retomado o seu patrimônio nocivo do pretérito e
reincidirá nas mesmas quedas, se lhe faltou a luz interior dos sagrados
princípios educativos." (O Consolador,
pergunta 109). (Negritamos.)
3. Onde a
evangelização da criança deve ser realizada?
Ela deve realizar-se no lar, que será sempre, de
acordo com o Espiritismo, a melhor escola para a preparação das almas
encarnadas. Nesse sentido, o apoio da instituição religiosa, seja ela espírita,
católica ou protestante, terá o caráter de complementação, o que será sempre de
grande valia para todos, pais e filhos.
A esse respeito escreveu Santo Agostinho:
"Oh! espiritistas, percebei
o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma
que nele se encarna vem do espaço para progredir. Cumpri com os vossos deveres
e empregai o vosso amor em aproximar essa alma de Deus. Essa a missão
que vos foi conferida e da qual recebereis a recompensa, se a cumprirdes fielmente."
(O Evangelho segundo o Espiritismo,
cap. 14, item 9.) (Negritamos.)
Emmanuel ensinou-nos também: "As noções
religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida, constituem a
base de toda educação, no sagrado instituto da família". (Cf. O Consolador, pergunta 108.)
Os resultados desse esforço, quando realizado com
boa vontade e perseverança, não tardam a aparecer, como o próprio Allan Kardec
declarou publicamente em uma de suas palestras:
"É notável verificar que as
crianças educadas nos princípios espíritas adquirem uma capacidade de
raciocinar precoce que as torna infinitamente mais fáceis de serem conduzidas.
Nós as vimos em grande número, de todas as idades e dos dois sexos, nas mais
diversas famílias onde fomos recebidos e pudemos fazer essa observação
pessoalmente. Isso não as priva da natural alegria, nem da jovialidade.
Todavia, não existe nelas essa turbulência, essa teimosia, esses caprichos que
tornam tantas outras insuportáveis. Pelo contrário, revelam um fundo de
docilidade, de ternura e respeito filiais que as leva a obedecer sem esforço e
as torna responsáveis nos estudos." (Viagem
Espírita em 1862, pág. 30.)
Nota do Autor:
Para ler o artigo do último domingo, clique em: https://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com/2026/05/consideracoes-sobre-os-pedidos-que.html
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