quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita





Instinto e inteligência

Este é o módulo 44 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que é instinto e qual é, nos seres vivos, a sua origem?
2. Que diferença fundamental existe entre instinto e inteligência?
3. Realizam os homens algum ato que seja puramente instintivo?
4. Em que consiste o instinto de conservação?
5. Por que Deus dotou os seres vivos do instinto de conservação?

Texto para leitura

No animal os instintos manifestam-se plenamente
1. Em suas primeiras manifestações no plano físico, através de experiências sucessivas em organismos progressivamente mais complexos, o Espírito automatizou reações aos impulsos exteriores, gravando-as em seu perispírito, de modo a melhor adequar-se ao meio ambiente.
2. Essas ações reflexas incorporaram-se, assim, ao patrimônio perispiritual do ser e se manifestam no vegetal, no animal e no homem por meio de atos espontâneos e involuntários que têm, em geral, uma finalidade útil tanto para o ser que os realiza quanto para a sua espécie.
3. Podemos identificar esses atos no movimento da planta que se volta  na direção dos raios solares, na arte com que a aranha tece sua teia para capturar os insetos de que se nutre, ou no ato de sucção com que o bebê se alimenta.
4. Esses atos inconscientes são, pois, o resultado do mecanismo coordenado e cada vez mais complexo das ações reflexas, a que chamamos instintos. No vegetal, a estruturação desse mecanismo está em seus primórdios, no animal manifesta-se plenamente, no homem sofre a ação da inteligência, que lhe altera e aperfeiçoa as manifestações.

No homem certos atos são instintivos, mas não todos
5. Podemos desse modo traçar uma demarcação bem nítida entre instinto e inteligência. O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão nem combinação ou premeditação.
6. É assim que a planta procura o ar, volta-se para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente... É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou os prejudica, e buscam, conforme a estação, os climas mais propícios.
7. No homem, só no começo da vida o instinto domina com exclusividade. É por instinto que a criança faz seus primeiros movimentos, toma o alimento, grita para exprimir suas necessidades, imita o som da voz, tenta falar e andar.
8. No adulto mesmo, certos atos são instintivos, tais como o movimento espontâneo para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo, o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar etc.
9. A inteligência revela-se por atos voluntários, premeditados, combinados, de conformidade com a ocasião e as circunstâncias.

O instinto de conservação é uma lei da Natureza
10. Resumindo, podemos concluir: Todo ato maquinal é instintivo; todo ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é.
11. Um dos mais perfeitos atos instintivos é o ato de viver. O instinto de conservação é uma lei da Natureza e, por isso, todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de seu nível evolutivo. Nuns, ele é puramente maquinal; em outros, é raciocinado.
12. O instinto de conservação foi outorgado por Deus às suas criaturas porque todos têm que concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Eis por que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acresce ainda que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Estes o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.
13. O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica, necessária ao desenvolvimento físico e moral dos seres, bem como à realização das tarefas de colaboração com a obra divina que Deus, em sua sabedoria, concedeu a cada um como oportunidade de crescimento para o bem.
14. O instinto de conservação constitui-se, pois, em mais um dos eficientes instrumentos naturais que cooperam em favor do mecanismo evolutivo dos seres da criação.

Respostas às questões propostas

1. Que é instinto e qual é, nos seres vivos, a sua origem?
Em suas primeiras manifestações no plano físico, através de experiências sucessivas em organismos progressivamente mais complexos, o Espírito automatizou reações aos impulsos exteriores, gravando-as em seu perispírito, de modo a melhor adequar-se ao meio ambiente. Essas ações reflexas incorporaram-se ao patrimônio perispiritual do ser e se manifestam no vegetal, no animal e no homem por meio de atos espontâneos e involuntários que têm, em geral, uma finalidade útil tanto para o ser que os realiza quanto para a sua espécie. É a esse conjunto de atos inconscientes que chamamos instinto.
2. Que diferença fundamental existe entre instinto e inteligência?
Há uma demarcação bem nítida entre instinto e inteligência. O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão nem combinação ou premeditação. A inteligência revela-se por atos voluntários, premeditados, combinados, de conformidade com a ocasião e as circunstâncias.
3. Realizam os homens algum ato que seja puramente instintivo?
Sim. É por instinto que a criança faz seus primeiros movimentos, toma o alimento, grita para exprimir suas necessidades, imita o som da voz, tenta falar e andar. No indivíduo adulto certos atos continuam igualmente instintivos, tais como o movimento espontâneo para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo, o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar etc.
4. Em que consiste o instinto de conservação?
O instinto de conservação advém de uma lei da Natureza e foi outorgado por Deus às suas criaturas porque todos têm de concorrer para o cumprimento dos desígnios da Providência. Como a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres, Deus lhes deu a necessidade de viver e eles o sentem instintivamente, de onde resulta essa busca da sobrevivência, que é inerente a todas as criaturas.
5. Por que Deus dotou os seres vivos do instinto de conservação?
O despertar da necessidade de viver tem por finalidade a manutenção da vida orgânica, necessária ao desenvolvimento físico e moral dos seres, bem como à realização das tarefas de colaboração com a obra divina que Deus, em sua sabedoria, concedeu a cada um como oportunidade de crescimento para o bem. O instinto de conservação constitui-se, pois, em mais um dos eficientes instrumentos naturais que cooperam em favor do mecanismo evolutivo dos seres da criação.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:




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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Pílulas gramaticais (273)





“Deixai virem a mim as criancinhas.”
Está correta a construção acima?
Não é que esteja incorreta, mas a norma culta propõe-nos esta forma:
“Deixai vir a mim as criancinhas.”
Trata-se do uso do verbo no infinitivo, que pode ser ou não flexionado. Das sete regras que os especialistas apresentam com relação ao uso do infinitivo não flexionado, o caso acima enquadra-se na regra número 2.
A regra número 1 estabelece o seguinte: Quando na frase o sujeito da oração principal e da seguinte for o mesmo, o infinitivo não será flexionado.
Exemplos:
- Temos o prazer de comunicar. (E não: Temos o prazer de comunicarmos.)
- Os atletas disseram estar prontos.
- Estamos aqui para dizer.
- Viemos para participar também da festa.
Veremos as demais regras aplicáveis ao assunto em nossas próximas edições.

*

Hombridade ou ombridade? Qual a palavra certa?
Ambas estão grafadas corretamente, mas possuem significados diferentes.
Hombridade [do espanhol hombredad] é um substantivo feminino que significa: aspecto varonil; corporatura; (fig.) nobreza de caráter; dignidade; e, por extensão, desejo de igualar-se a alguém que lhe é superior.
Exemplo: O juiz é homem de caráter; retidão moral e hombridade são virtudes que ele reúne.
Ombridade significa: qualidade de quem ombreia, pertinente, portanto, ao verbo ombrear. O termo está registrado no vigente Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).
O verbo ombrear tem estes significados: igualar-se, equiparar-se, pôr-se em paralelo, competir, rivalizar.
Em caso de dúvida de natureza ortográfica, eis o link que remete ao VOLP: http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario?sid=23



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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contos e crônicas




Só temos no coração o que permitimos colocar

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

No coração caberá tudo o que desejarmos colocar. Se há pouco ou o que há não é tão bom, ou ainda não há o que se deseja, simplesmente somos os inteiros responsáveis. No entanto, sempre há o início para a transformação... e a eternidade é o tempo real.
Se somos os responsáveis pelo que vivemos, tão melhor o apreço ao que é benéfico, leve e mais iluminado, pois por meio da apreciação é que, de alguma forma, a compreensão começa a brilhar. A vida nos apresenta condições e estágios para o crescimento e a cada degrau conquistado mais gratidão nos preencherá junto de notáveis sentimentos que apenas com o esforço é que se pode senti-los.
Se o olhar busca o infinito é pelo fato de revigorar-se na direção abençoada dos olhos de Jesus que nos cuida. Se o olhar observa ainda mais o lindo movimento das flores e plantas que o vento provoca e não se incomoda com a sujeira que as folhas fazem é pelo motivo de a atenção estar mais leve e depurada. Se as recordações dos acontecimentos suspiram e sorriem é em razão de as lembranças estarem como realmente devem ser: com a bela essência. E se há mais palavras bondosas e pacientes proferidas, então o exercício pelo progresso está acontecendo de maneira harmonizada.
Em todo lugar e de toda maneira, haverá situações com as quais nos identificamos; as afortunadas sempre nos trarão paz e bem-estar e as opostas nos pesarão, porém, o livre-arbítrio é faculdade universal e escolheremos o que mais nos atrai a cada tempo.
Embora Deus seja o nosso criador teremos Dele apenas o que couber em nosso ser. Sua magnanimidade inquestionável deseja tanto o nosso entendimento, progresso na linha natural da evolução. Logo, tudo o que não nos agrada possa transformar-se em decisivo exemplo a não aumentarmos os cordões de distanciamento dos jardins floridos e perfumados os quais o nosso espírito realmente busca.
Tão certa é a sensação dos nossos atos e pensamentos. Como é denso o sentimento desequilibrado e, por vezes, não muito bondoso. Estados são transitórios, todo quadro mental é passível de renovação e à medida que as boas atitudes, os positivos sentimentos ganham determinação, naturalmente pinceladas de belas cores da alegria da vida começam a animar e o coração vai tornando-se mais leve e espaçoso para os abençoados preenchimentos da criação do Pai.
Se o universo individual é do tamanho do que é capaz de sentir e assimilar, que deseje, então, crescer para infinitas belas ocasiões ele vivenciar e conhecer. E se a breve prece não é suficiente, o coração deve estender-se em silêncio, recolhimento para alcançar cada vez mais a compreensão da nobreza que é viver e toda sua infinda forma de apresentar-se. Em todo acontecimento sempre há o lado positivo, mesmo que seja observado nele mais dor que paz, mas como já se sabe, para todos os seres há a completa razão de sua existência.
Acordemos quanto antes. Vamos ver os amanheceres e encantar-nos com os voos dos passarinhos libertos, com a alegria de um abraço que, por ele, podemos ser curados e curarmos também, vamos desapegar-nos de coisas e abrir mais espaço para o que é bom e renovador. Não nos esqueçamos de que só temos em nós o que permitimos colocar.
E perceberemos que a criança brincando no parque florido tem o coração bem mais feliz, basta observar o seu doce e sincero sorriso nos lábios e no seu olhar.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

As mais lindas canções que ouvi (258)




O sol nascerá

Cartola e Elton Medeiros

A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida.

(bis)

Fim da tempestade,
O sol nascerá.
Fim desta saudade,
Hei de ter outro alguém para amar...

A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida.



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifras.com.br/cifra/cartola/o-sol-nascera


Você pode ouvir a canção acima clicando nos links indicados:
Cartola:
Zeca Pagodinho, Rildo Hora, Zé Menezes, Rogério Caetano:
Beth Carvalho:
Teresa Cristina:
Ney Matogrosso:




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domingo, 3 de setembro de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo




Os sacrifícios conforme a visão espírita

Numa roda de amigos, alguém suscitou o tema sacrifícios e sua relação com o período da chamada Quaresma, que católicos e ortodoxos conhecem muito bem.
Para os não afeitos à liturgia da Igreja, lembramos que a Quaresma faz parte do ano litúrgico e compreende os 40 dias que vão da quarta-feira de cinzas até o domingo de Páscoa, período esse que deve ser destinado, por católicos e ortodoxos, à penitência. É aí, então, que dentro da penitência surge a ideia de realização de sacrifícios.
O vocábulo sacrifício tem, conforme a etimologia, o sentido de se “fazer alguma coisa sagrada”. Em seu sentido primitivo e unicamente religioso, representa uma oferenda que se faz à Divindade por meio de rituais. A oferenda pode ser representada por uma pessoa, por um animal ou ainda por produtos de origem vegetal ou outros objetos.
O propósito declarado do sacrifício varia muito entre as diferentes culturas. Por extensão, pode ele ser considerado como uma renúncia ou privação voluntária de alguma coisa, como a privação dos gozos inúteis, que a doutrina espírita considera ato meritório, porque desprende da matéria o homem e eleva sua alma. 
Resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis, tirar do que temos para dar aos que carecem do bastante, fazer o bem aos nossos semelhantes – eis algumas práticas que apresentam grande mérito dentro do rol das chamadas privações voluntárias.
A realização de sacrifícios religiosos está geralmente relacionada com as mortificações e as penitências. O verbo mortificar é sinônimo de afligir, atormentar, castigar, macerar o próprio corpo com penitências. A mortificação ocorreria devido ao arrependimento ou à dor resultante do pecado cometido. 
Em função do arrependimento, certas autoridades religiosas impõem uma pena ao arrependido para remissão de seus pecados, pena essa representada por jejuns, orações, macerações do corpo e outras tantas mortificações inerentes às manifestações de culto externo.
Em seu livro Elucidações Evangélicas, Sayão examina o assunto “penitência” e diz que essa prática é, segundo algumas religiões, necessária ao pecador que não deseja agravar sua culpa e tornar-se, por conseguinte, passível de maiores castigos. 
A penitência, tal como a entendia Jesus, não consiste, porém, na reclusão em claustros, nos cilícios e em outras tribulações materiais. Ela consiste no arrependimento sincero e profundo e no propósito firme em que a criatura se coloca de não tornar a cometer as faltas que a arrastaram à mísera condição humana e esforçar-se por repará-las.
O Espírito penitente – afirma Sayão – “absorve-se todo na oração e na vigilância que Jesus recomendava e que formam uma espécie de antemural às ondas de paixões que nos lançam no abismo do infortúnio”. 
No intuito de obter favores ou mesmo agradar a Deus ou aos Bons Espíritos, algumas pessoas executam determinadas ações ou se impõem certas privações a que chamam de promessa. Ora, as promessas já tiveram sua época e já vai distante o tempo das supersticiosas imposições da teocracia. Ao seu reinado sucedeu o império da inteligência e da razão, únicos fundamentos inabaláveis da fé esclarecida e ativa. Sacrifícios, mortificações e promessas são, portanto, manifestações materiais do culto externo, praticadas por pessoas ainda distantes das verdades espirituais.
Falando sobre a mortificação e seu mérito, aconselham os Espíritos superiores: “Procurai saber a que ela aproveita”. “Se somente serve para quem a pratica e a impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar-se a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã.” (O Livro dos Espíritos, 721.)
Debilitar o corpo com privações inúteis e macerações sem objetivo, torturar e martirizar voluntariamente o corpo material são atos que, evidentemente, contrariam a lei de Deus, porquanto enfraquecer o veículo corpóreo sem necessidade é verdadeiro suicídio.
Sobre o tema sugerimos aos interessados que consultem, também, as questões 669 a 673 d´O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.



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sábado, 2 de setembro de 2017

Contos e crônicas





A volta

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Talvez o leitor amigo estivesse estranhando minha ausência. Volto hoje com a postagem hebdomadária, prevenindo ao curioso crítico que nunca deixei de estar de butuca em cada letra destes devaneios desvairados e dúbios.
Retorno com uma notícia auspiciosa: não mais Um homem célebre (In: Várias histórias), mas centenas de ilustres mensageiros das artes, da ciência e da filosofia estão retornando à vida física. Além de Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier, estão reencarnando Léon Denis, Victor Hugo, Shakespeare, Charles Dickens, Eva Blavatsky, Ernesto Bozzano, Eça de Queirós, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, Tomás Antônio Gonzaga, Castro Alves, Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Francisca Júlia, Cecília Meireles e Maria Dolores. Essas mentes brilhantes, dentre outras grandes almas da humanidade, estão retornando à Terra, em novas vestes físicas, para o trabalho de espiritualização do mundo.
Com não há espaço suficiente para escrever sobre esses e outros monstros sagrados que retornam, sorteei alguns destes, sobre quem farei sumárias apresentações biográficas:
Antero de Quental (1842-1891). Poeta e filósofo português. É considerado o líder do Realismo, em sua pátria, e um dos grandes sonetistas de sua época. Esse bardo, do plano espiritual, publicou diversos sonetos, psicografados pelo médium português Fernando de Lacerda e pelos brasileiros Chico Xavier e Waldo Vieira. Em todos os seus poemas, apela para o respeito à vida física, para a certeza da existência de Deus e da vida espiritual eterna, com suas consequências boas ou más, conforme o uso que se faz do livre-arbítrio.
Augusto dos Anjos (1884-1914). Poeta brasileiro de Eu e Eu e outras poesias, compôs poemas de estilo único, não somente quando encarnado, mas também após “abotoar o paletó”, como dizia um amigo em relação a quem desceu à “terra dos pés juntos”. Seu pessimismo poético era alternado com poemas de belo teor filosófico, o que o fez ser comparado a Antero de Quental.
Fernando Pessoa (1888-1935). Esse português foi cognominado poeta-plural, em vista dos heterônimos que criou. Os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Ricardo Reis. Sua obra publicada postumamente é bem mais vasta que a editada em vida física. Lançou, durante a existência corporal, os seguintes livros: Em 1918: 35 Sonnets; em 1921: English Poems I, II e III; em 1934: Mensagem.
Maria Dolores (1900-1959). Brasileira, foi professora aos 16 anos e era considerada menina-prodígio. Extremamente bondosa, tinha por lema: amor, perdão e caridade. Adotou seis meninas e, ainda em vida, publicou uma obra intitulada Ciranda da vida, destinada a arrecadar dinheiro para fundar o Lar das Meninas sem Lar. O que veio a se concretizar, tamanho foi o sucesso comercial de seu livro. Participava do grupo As mensageiras do bem, que arrecadava e doava às famílias pobres alimentos, remédios e roupas. Sua produção mediúnica, psicografada por Chico Xavier, é de uma beleza sublime. Os temas são, em geral, os mesmos que adotara como norma de vida: caridade, perdão, fé, amor a Deus e ao próximo.
Deixei para o final a russa Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). Formada em Teosofia, é considerada a maior ocultista do século XIX. Escreveu ela, no jornal Spiritual Scientific:

A Magia é [...] conhecimento profundo das forças ocultas da Natureza e das leis que governam os mundos visíveis e invisíveis. O Espiritismo nas mãos de um adepto experiente torna-se Magia [...], nas mãos de um médium inexperiente, dá origem à Feitiçaria inconsciente [...].

Ainda bem que fui cognominado por Carlos Drummond de Bruxo, sinônimo de Mago. Entretanto, leal leitor, segundo Blavatsky, a Magia não se destina ao vulgo, por ser uma ciência esotérica profunda, reservada aos iniciados no Ocultismo.
O Espiritismo, ao contrário, veio esclarecer a todos o significado dos conceitos cristãos ocultos sob o véu do simbolismo, com a singeleza possível, mas, também, com a transcendentalidade de revelação divina. E, como Ciência do Infinito, ele requer de cada um de nós várias existências para ser mais bem compreendido. Isso porque sua destinação de permanecer eternamente conosco foi anunciada por Jesus, segundo João, 14:15-18.
Como somente a madureza de minha última existência na Terra, aliada à amizade de renomados espíritas, permitiu-me sair das trevas do preconceito para a luz da verdade, terei de voltar também, com toda essa plêiade de espíritos, para reescrever minha obra literária.
Por enquanto, vou ensaiando, parcamente, algo com meu limitado secretário; entretanto, prometo a todos os meus fiéis leitores dedicação total à causa maior desta arte sublime: cooperar com Jesus para o advento de um mundo de paz, de amor e de fé.






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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas





Memórias do Padre Germano

Amalia Domingo Soler

Parte 2

Continuamos o estudo metódico e sequencial do livro Memórias do Padre Germano, com base na 21ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quando Sultão passou a fazer parte da vida do Padre Germano?
B. Como o Padre Germano se referia às abadias e aos conventos?
C. Com que palavras Germano descreveu a verdadeira casa do Senhor?

Texto para leitura

9. Lamentando não ter tido oportunidade de filiar-se à Igreja Luterana, que lhe teria permitido casar com seu grande amor, Padre Germano atendeu o último pedido da jovem dos cabelos negros e desde então não houve um único dia em que não fosse ao cemitério, constituindo esse todo o encanto de sua vida. (PP. 25 e 26)
10. O cap. 3, intitulado “O Embuçado”, relata como surgiu Sultão na vida do Padre Germano. Filho de Leão e Zoa (formosos Terra-Novas), que tinham sido as alegrias de sua infância, Sultão lhe foi presenteado, pequenino ainda, ao deixar a reclusão do seminário e ser insulado numa aldeia em que passou mais de metade da existência. (PP. 27 e 28)
[No cap. 3 do livro, Germano fala sobre Zoa e Leão, os pais de Sultão. Diz ele que seu maior prazer quando criança era, nas tardes de verão, dormir com a cabeça pousada na paciente Zoa, que ali permanecia imóvel por todo o tempo do seu repouso. Foram essas todas as alegrias de sua infância. Se ninguém o castigou, também ninguém jamais lhe disse: - Estou satisfeito contigo. A pobre Zoa lambia-lhe as mãos e Leão puxava-o pelas mangas do fato e disparava a correr, como que convidando-o a fazê-lo também. E eles corriam então... Ao deixar o seminário, ninguém derramou uma lágrima. Apenas lhe disseram que cumprisse seu dever e, como lembrança da infância e juventude, deram-lhe Sultão, pequenino ainda. Terra-nova (foto ao lado) é uma raça de cães descendente de cães indígenas e do grande-cão-urso-preto, introduzido pelos Vikings depois do ano 1100. Tem como características ser treinável, dócil, gentil.]
11. Padre Germano relata como Sultão despistou um capitão de gendarmes que buscava na região um preso que se evadira do presídio de Toulon. Acolhido pelo Padre, e por ele convertido, João transformou-se em outro homem, em pouco mais de dois meses de convivência com Germano, que, certo de que ele poderia voltar ao convívio social, arranjou-lhe recursos com que pôde dirigir-se ao Novo Mundo, em um navio que conduzia trinta missionários. (PP. 30 a 37)
12. Recomendando-o ao chefe da Santa-Missão, Germano lhe disse, no momento da despedida: “Meu filho, trabalha; constitui família e cumpre com bondade a lei de Deus!” Quatro anos depois, uma carta de João dava conta de que ele havia casado e em breve teria um filho, que seria batizado com o nome de Germano. (P. 37)
13. No cap. 4, Padre Germano confessa ser absolutamente contra a existência de abadias e conventos, que ele chamava de antecâmaras do sepulcro, e relata como salvou da clausura a jovem Raquel, cuja mãe a queria consagrar a um mosteiro, por motivo de remorso do seu crime. É que, vinte anos antes, ela envenenara o próprio marido. (PP. 40 a 44)
14. Ao falar à criminosa, Padre Germano sentiu-se diferente, revestido de um poder espiritual, sem saber que anjo o inspirou. “Uma força estranha, uma potência desconhecida transfigurou meu ser”, relatou Germano. E, assim envolvido, ele contou à infeliz mulher que seu primeiro marido lhe havia confiado, no leito de morte, o nome do seu assassino. A mulher confessou-lhe, então, ter caído no abismo do crime e que tinha muito medo, sem o consolo da religião, porque em nada acreditava. (PP. 44 a 47)
15. A Baronesa cumpriu o que Padre Germano lhe pedira, liberando a filha do compromisso absurdo e aplicando o dote que a ela pertencia na construção de um hospital e no auxílio de uma centena de famílias pobres, rasgos esses que a santificaram aos olhos do mundo. (P. 48)
16. Concluindo o capítulo, Padre Germano reconhece que a Igreja deixou de ganhar um novo mosteiro, em benefício dos pobres e dos enfermos. “Não será esta, Senhor, a tua verdadeira casa?”, pergunta ele. E é ele mesmo quem responde: “Tua casa é aquela em que o faminto e o sedento matam a fome e a sede, onde o desnudo acha abrigo, consolo o aflito, conselho eficaz o espírito flutuante; aí, sim, está a tua verdadeira casa”. (P. 49) (Continua na próxima edição.)

Respostas às questões preliminares

A. Quando Sultão passou a fazer parte da vida do Padre Germano?
Germano fala sobre o assunto no cap. 3 do livro em exame. Filho de Leão e Zoa, um casal de Terra-Novas que tinham sido as alegrias de sua infância, Sultão lhe foi presenteado, pequenino ainda, ao deixar a reclusão do seminário e ser insulado numa aldeia em que passou mais de metade da existência. (Memórias do Padre Germano, pp. 27 e 28.)
B. Como o Padre Germano se referia às abadias e aos conventos?
Absolutamente contrário à existência das abadias e dos conventos, ele as chamava de antecâmaras do sepulcro. E vários relatos constantes de suas memórias dão-lhe inteira razão. (Obra citada, pp. 40 a 44.)
C. Com que palavras Germano descreveu a verdadeira casa do Senhor?
Depois de mostrar, com um exemplo concreto, que um hospital voltado para os pobres é mais útil à comunidade do que um mosteiro, Padre Germano dirigiu-se da seguinte forma ao Senhor: “Não será esta, Senhor, a tua verdadeira casa?” E aduziu: “Tua casa é aquela em que o faminto e o sedento matam a fome e a sede, onde o desnudo acha abrigo, consolo o aflito, conselho eficaz o espírito flutuante; aí, sim, está a tua verdadeira casa”. (Obra citada, pág. 49.)


Nota:
Link que remete ao texto anterior:




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